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Respirando por aparelhos

A cada dois anos, no mês de setembro, o circuito brasileiro de arte pode, enfim, respirar um pouco! Isso se deve a uma série de aparelhos que são pontualmente ligados para dar alguma esperança de vida a esse corpo tão combalido ou, pelo menos, uma existência mais digna...

Estou falando de alguns importantes eventos que pontuam o calendário nacional e que tentam não se deixar abater pelas conjunturas políticas, econômicas e culturais desse país.

Em 2018, são eles, em ordem cronológica: a 2ª edição da Semana de Arte (Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Ibirapuera, de 31/8 a 3/9), a 33ª edição da Bienal Internacional de São Paulo (Pavilhão da Bienal, também no Ibirapuera, de 7/9 a 9/12) e a 8ª edição da ArtRio (na Marina na Glória, no Rio de Janeiro, de 26 a 30/9). O Mapa das Artes deseja boa sorte a todos esses eventos e, principalmente, aos artistas, galeristas, instituições etc que gravitarão em torno deles!

Dito isso, infelizmente, não temos muito a comemorar em 2018... Este ano já perdemos o genial designer gráfico e artista plástico Alexandre Wollner (em 4/5, aos 89 anos); em 1/8 perdemos três artistas de uma vez (Antonio Dias, aos 74; Eleonore Koch, aos 92; e Mário Cravo Jr., aos 95 anos)...

Mas como desgraça pouca é bobagem, em 21/8, aos 61 anos de idade, se despediu deste mundo o jornalista, escritor e amigo Otavio Frias Filho, diretor de redação da “Folha de S. Paulo”. Parece um castigo! Em um momento crucial na história deste país, quando o Brasil mais precisaria de sua mente brilhante, ele se foi... O jornalismo nacional, que já anda de pernas bambas, com pouca credibilidade, perdeu uma referência de jornalismo pluralista, independente, crítico e inteligente... Otavio vai fazer muita falta!!!

Mas voltando a barafunda das artes, surpreendente foi o recente Edital Paralelos Artes Visuais da Funarte, que não previu prêmio para o artista e nem sequer qualquer ajuda de custo para a produção? Ou seja, o proponente deveria arcar com todo e qualquer custo de seu projeto, sem ônus para a Funarte! E teve ainda o caso de alguns aeroportos brasileiros que tentaram, por livre iniciativa, classificar quais bens e produtos tinham valor “cívico-cultural” e assim cobrar taxas estratosféricas por obras de arte que entrassem no país e precisassem aguardar a liberação nos aeroportos... A Cultura brasileira bestá realmente no bico do corvo!

Só nos resta rezar para todos os santos, orixás e entidades sobrenaturais para que a situação da Cultura neste país não fique ainda pior depois das eleições!

O Mapa das Artes agradece o arquiteto, designer gráfico e artista plástico Gilberto Tomé pela cessão da imagem das margens do rio Tietê que ilustra a capa desta edição do Mapa das Artes. Trata-se de uma sobreposição de uma fotografia de Tomé e de outra realizada nos anos 40 e usada na tese de doutorado sobre o sítio urbano de São Paulo do geógrafo, ambientalista e mestre professor Aziz Ab’Saber (1924-2012), um dos mentores espirituais deste Mapa das Artes.

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Celso Fioravante
Editor / mapadasartes@uol.com.br