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Obra encontrada na Escócia seria original de Rafael, avaliada em US$ 26 mi

Quadro foi descoberto pelo historiador e apresentador da "Britain's lost masterpieces - BBC", Bendor Grosvenor que procura por obras valiosas em coleções de arte públicas locais. Comprada em 1899 por US$ 25, hoje é avaliada em US$ 26 milhões. +

Um quadro comprado como uma "cópia respeitável" por US$ 25 em 1899 (US$ 2.574 em valores atuais) seria, na verdade, um retrato da Virgem Maria original do mestre do Renascimento Rafael, avaliado em US$ 26 milhões. A descoberta foi feita por Bendor Grosvenor, um historiador de arte e apresentador da série "Britain's lost masterpieces", da BBC, que procura por obras valiosas em coleções de arte públicas locais. Grosvenor e um time de especialistas estavam analisando uma coleção do Tesouro Nacional da Escócia, na mansão Haddo House, em Aberdeenshire, quando encontraram a pintura, datada entre 1505 e 1510 e inicialmente atribuída ao artista italiano Innocenzo da Imola.

"Eu pensei 'caramba, parece uma obra de Rafael'", contou Grosvenor ao "Guardian". "Estava muito sujo sob verniz antigo, ficando meio amarelada. Quando vou a casas como essa, eu levo binóculos e tochas. Se não fizesse isso, provavelmente teria passado direto por essa obra".

O historiador, então, pediu permissão para limpar profissionalmente, conservar e investigar a obra para definir sua real autoria. "Encontrar um possível Rafael é muito empolgante", disse Grosvenor. "Esse é um retrato bonito que merece ser visto pelo maior número de pessoas possível. Eu espero que 'a Madonna do Haddo', que seria o único Rafael de propriedade pública da Escócia, traga muitas pessoas a essa parte de Aberdeenshire".

Grosvenor descobriu que a pintura foi comprada como uma obra de Rafael no começo do século XIX e assim exibida em 1841, no British Institution, em Londres, ao lado de outras pinturas do artistas que ainda são consideradas genuínas. Mas, logo depois, o quadro recebeu a classificação de "pós-Rafael", sugerindo que fosse uma cópia feita por outro artista, e eventualmente foi creditado para Innocenzo Francucci da Imola, um pintor menor da era renascentista.

"É muito bom para ser de Innocenzo", cravou Grosvenor.

A remoção de diversas camadas de sujeira e verniz revelaram o que ele descreveu como "uma obra de extrema beleza" com uma qualidade "de tirar o fôlego". "Você observa e se pergunta como ele fez aquilo, o que é normal com todos os grandes pintores", disse o historiador.Sua pesquisa subsequente revelou importantes evidências como uma alteração em um dos dedos, que "sugere intervenção criativa original, o que significa que a obra não pode ser uma cópia de outro trabalho conhecido".
A pintura do rosto e a modelo usada são reconhecidamente "Rafaelescas", observou Grosvenor. O mesmo perfil aparece em outras Virgens Marias de Rafael. Uma fotografia de uma pintura perdida do artista também aponta que as linhas básicas são "muito semelhantes".
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Matéria publicada originalmente no site O Globo (www.globo.com), em 03/10/16.

Notícia de destruição de livros da Cosac assusta leitores; casa relativiza

Editora Cosac Naify vai destruir seus livros em estoque que não forem vendidos até o fim do ano. +

Causou indignação a notícia veiculada nesta quinta (22/09/16), no "Publishnews", site de notícias do mercado editorial, de que a Cosac Naify vai destruir seus livros em estoque que não forem vendidos até o fim do ano.
Dione Oliveira, diretor financeiro da editora, porém, diz que essa é "só uma" das possibilidades em vista – e acredita que, até dezembro, o estoque da casa será "mínimo", por conta da parceria com a Amazon, que vende os livros da Cosac com exclusividade.
Ele não diz quantos livros sobraram desde que a editora fundada por Charles Cosac anunciou o fim de suas atividades, no fim do ano passado. A reportagem apurou, porém, que o estoque está na casa das centenas de milhares.
"(Destruir) é só um dos cenários possíveis. Os autores podem comprar os livros que quiserem (com descontos previstos em contrato) ou posso fazer uma liquidação", diz Oliveira, ressaltando que não está nos planos vender os livros que sobrarem para distribuidoras que realizam saldões.
"Não vai chegar a zero, mas é provável que sobrem poucos livros. Temos a blackfriday e o Natal pela frente."
Se os exemplares finais chegarem a saldões, seria um problema para as editoras que planejam publicar títulos que foram da Cosac Naify. Se isso acontecesse, os exemplares poderiam ficar por muito tempo no mercado sendo vendidos a preços irrisórios.
Se a escolha for a liquidação dos exemplares, há contratos no meio editorial prevendo que, no período final de sua vigência, não é preciso repassar o pagamento a autores se uma obra for vendida abaixo de custo.
A destruição de encalhes, vale dizer, é causa de embaraço, e editores não costumam falar sobre o assunto com frequência – mas é prática comum no mercado.
A transformação do encalhe em aparas de papel é causada pelos altos custos de estocagem, aliados à dificuldade de promover a doação de grandes quantidade de exemplares. Nenhuma biblioteca tem interesse em receber cem cópias de um mesmo título.
Também há a questão dos custos envolvidos em uma doação tão grande como seria a do encalhe da Cosac Naify. Uma possibilidade seria uma instituição comprar o estoque e cuidar ela própria da doação.
Outra, seria dar os livros aos autores. Mas isso não resolveria o problema dos livros estrangeiros.
"Não fui eu quem inventou isso (a destruição do estoque), é uma prática do mercado. E os livros estão disponíveis na Amazon com preços acessíveis para quem quiser comprá-los até lá", afirma Oliveira.
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Texto de Maurício Meireles originalmente publicado no jornal "Folha de S. Paulo" | 22/09/16.

Ex-diretoras da Cosac Naify abrem nova editora

O perfil editorial da Ubu é parecido com o da Cosac: ciências humanas, literatura, crítica, artes visuais, cinema e livros de referência. No entanto, não pretende ser megalomaníaca como a extinta editora. +

"Só vamos sair daqui quando estivermos a ponto de matar alguém!" Florencia Ferrari, ex-diretora editorial da Cosac Naify, diz a frase e aponta para o cenário espartano à sua volta: pé-direito alto, estantes de metal, bancadas de madeira – o luxo é só uma varandinha.
É nesse lugar, em um prédio no largo do Arouche, em São Paulo (SP), que ela e Elaine Ramos, ex-diretora de arte da Cosac, botam de pé sua nova casa, a editora Ubu. Às duas, veio juntar-se Gisela Gasparian, ex-executiva de fundos de investimento – e neta de Fernando Gasparian, fundador da editora Paz e Terra.
O escritório minimalista – e a sócia que acha planilha "uma delícia" – já mostra a principal diferença entre a Ubu e a Cosac Naify: a nova editora precisa botar tudo na ponta do lápis, porque não há um mecenas para vir em seu socorro.
A Cosac acabou, como Charles Cosac fez questão de repetir quando anunciou o fim da empresa, mas suas ex-funcionárias não podem deixar de ser quem são. Assim, é claro que a Ubu lembra aqui e ali o trabalho da extinta editora.
Não só pelos 35 livros que comprou da Cosac – selecionados entre os 200 mais vendidos –, mas pelo perfil editorial. O catálogo da Ubu, afinal, é parecido com o da Cosac: ciências humanas, literatura, crítica, artes visuais, cinema, livros de referência.
"É interdisciplinar, como era o da Cosac. Não conseguimos fazer livros de uma única disciplina", diz Florencia.
A qualidade visual, dizem as três sócias da Ubu, será de alto padrão – mas, por economia, o design não está solto para se refestelar no mundo mágico da produção gráfica.
O trio traz para a nova casa o conhecimento de quem viu a Cosac Naify funcionar por dentro. Lembrando dos números de lá, Elaine e Florencia sentaram com Gisela para ver se o projeto era viável.
"Não é um mercado tão pessimista assim. O custo fixo da Cosac era gigante. Temos zero megalomania, com previsões modestas", diz Gisela, lembrando que a nova editora não fará promoções agressivas em seu site.
Vale dizer que a Ubu tem Cristina Pinho de Almeida, investidora de vários ramos, que ajudou a botar o negócio de pé. Embora ela não fique com a faca no pescoço do trio, esperando que a empresa valha milhões para ontem, também não é um investimento a fundo perdido. É um dinheiro amigo, mas a Ubu precisa dar certo.
O primeiro lançamento, que chega às livrarias neste mês, é a edição crítica de "Os Sertões", organizada por Walnice Nogueira Galvão, que a Cosac não teve tempo de lançar.
No prelo, também está "O Supermacho", de Alfred Jarry (autor de "Ubu Rei", que dá nome à editora), com uma tradução revisada de Paulo Leminski. Um livro infantil de Antonio Prata, "Jacaré, Não!", também vem por aí em breve.
"Vimos que havia um lugar vazio. E é um lugar de nicho. Nossa ideia é focar nisso. Precisamos trabalhar bem o nosso público para conquistar o nosso lugar", diz Florencia.
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Texto de Maurício Meireles originalmente publicado no jornal "Folha de S. Paulo" | 17/09/16.

A ArtRio me dá tesão

O editor do Mapa das Artes pediu ajuda a Wilson Sideral, Rogério Flausino e Jota Quest para explicar por que não vive sem a feira de arte do Estado da Guanabara +

MeuS queridos Wilson Sideral, Rogério Flausino e Jota Quest sempre me dizem: “um dia feliz, às vezes é muito raro...” E eu digo: “Uma semana feliz, então, é mais rara ainda...” Mas é fácil, extremamente fácil, ter uma semana dessas pelo menos uma vez por ano, em setembro, quando acontece a feira ArtRio, no meu querido balneário do Estado da Guanabara.
Durante cinco dias, ali é tudo tão bom e azul, e calmo como sempre... Os olhos piscam de repente, as bocas não se deixam e uma nova venda já foi feita, como um beijo... Tudo parece um sonho fácil, extremamente fácil... Ali os segundos não têm fim...
Falar da ArtRio é complicado, pra você e eu e todo mundo... Mas quando ali se está, tudo se torna claro, pateticamente pálido... Na saída, meu coração dispara se eu vejo o seu carro...
Só quero que isso tudo se repita sete, oito, mil vezes, pois os erros existem, acontecem, mas não há nada como uma edição atrás da outra... Ali a vida é tão simples, mas dá medo de tocar... Falar é complicado, escrever é complicado, mas não há nada como uma canção pra dizer todo o amor e todo o tesão que eu sinto pela Artrio... mas com a ajuda de uma canção, tudo fica fácil, extremamente fácil...
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Celso Fioravante, editor do Mapa das Artes

Peças com autenticidade questionada na ArtRio passaram por restauro

O galerista Ricardo Duarte, da galeria carioca Graphos, vem se defendendo de acusações de levar obras falsificadas à feira de arte. +

Depois de retirar uma série de obras de seu estande na ArtRio por suspeitas de que poderiam ser falsas, o galerista Ricardo Duarte, da carioca Graphos, vem se defendendo das acusações levadas à direção da feira encerrada no último final de semana.
Ele alega que as obras de Raymundo Colares, que causaram espanto entre críticos pelo brilho da superfície, passaram por um restauro recente.
Também foram retocadas as telas de Maurício Nogueira Lima e Ubi Bava. Isso explicaria a aparência de nova desses quadros que teriam sido realizados nas décadas de 1950 e 1960.
Todas essas obras estiveram no Centro de Conservação de Bens Culturais, empresa de Cláudio Valério Teixeira, um dos restauradores mais conhecidos do Rio.
De acordo com ele, o verniz das peças estava amarelado, havia pontos em que a tinta havia descascado, sem contar os danos maiores sofridos pelas telas de Nogueira Lima, com fragmentos metálicos colados na tinta.
"Quando eu desconfio que a obra é falsa, eu não restauro", diz Teixeira. "Não tem motivo técnico para dizer que os trabalhos são falsos."
Teixeira, no entanto, disse não saber a procedência das peças, além de ser especialista em pintura brasileira do século 19 e não da época em que essas obras foram feitas.
Tráfico
Embora a imagem das peças deterioradas antes do restauro sustente a versão de Teixeira e Duarte, herdeiros e marchands desses artistas desconhecem os trabalhos.
"Essa é uma obra que não passou pelas mãos da gente. Não me parece ser uma obra do Ubi Bava", diz Caio Bava, sobrinho-neto do artista, sobre a obra à venda na Graphos. "Ela é muito mais óbvia do que ele fazia. Também não foram mãos confiáveis que levaram a peça até a galeria. A obra é bonita, mas isso não quer dizer nada."
Duarte alegou ter documentos que comprovam a autenticidade de todas as peças em questão, mas marchands também afirmam que existe uma espécie de tráfico de assinaturas de herdeiros, que vendem documentos em troca de dinheiro.
Também chama a atenção o preço bem abaixo dos valores atuais de mercado pedidos por Duarte. Obras de Nogueira Lima, por exemplo, foram oferecidas pelo galerista por R$ 120 mil, enquanto especialistas do ramo dizem se tratar de trabalhos de pelo menos R$ 400 mil.
O mesmo acontece com o "Objeto Ativo", de Willys de Castro. No estande da Graphos, a peça custava em torno de R$ 2 milhões, quando marchands dizem ser uma obra que poderia valer entre R$ 4 milhões e R$ 5 milhões.
"Tenho 20 anos de mercado e nunca vi um 'Objeto Ativo' para vender", diz Thiago Gomide, da Bergamin & Gomide. "Dizem que vem de uma família de Curitiba, mas ninguém conhece essa família dona de obras raríssimas desses grandes artistas."
Embora Duarte tenha entregue à feira com documentos que comprovassem a autenticidade das obras, Brenda Valansi, diretora da ArtRio, diz que no envelope que recebeu não havia nada que provasse a legimitidade da obra de Willys de Castro.
Raquel Arnaud e sua equipe, que já representaram o artista, não conseguiram até agora confirmar que a peça é verdadeira. Duarte diz que ela tem certificado e aguarda que a galeria o encontre.
Leonel Kaz, dono de uma editora no Rio que já teve negócios com Duarte, sai em defesa do amigo. "Todos nós podemos cometer pequenos equívocos", disse. "O Ricardo é muito rigoroso. Se ele cometeu qualquer deslize, vamos dar um crédito de confiança. Até hoje não ouvi nada que o desabonasse."
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Texto de Silas Martí originalmente publicado no jornal "Folha de S. Paulo" | 03/10/16.
Na foto, obra de Raymundo Colares dos anos 1960 que estava amarelada antes do restauro e, depois dele, levantou suspeitas na ArtRio.

O melhor e o pior da ArtRio 2016

A Revista DasArtes faz uma balanço da sexta edição da feira de arte carioca, que apesar das dificuldades financeiras do país, deixou galeristas e público satisfeitos, de maneira geral. +

Mais uma vez, a ArtRio abriu as portas para colecionadores e amantes da arte no Pier Mauá. Este ano, o caminho para a feira ganhou um enorme upgrade: a região está recebendo fortes investimentos da prefeitura e deve se tornar um novo ponto turístico da cidade. A obra foi apressada para abrir o Boulevard Olímpico a tempo dos jogos e inclui uma agradável promenada para pedestres ao longo dos armazéns, que trouxe segurança e um clima de passeio para a região. Com isto, a feira passou a ser atendida pelo novo VLT, um simpático trem passando pelo centro até o aeroporto Santos Dumont, com conexão para o Metrô. Se colecionadores reclamavam da dificuldade de ir de carro à feira, agora não podem mais culpar a direção da feira: não é mais possível ir de carro, a não ser que você estacione em um dos estacionamentos da região e complete o trajeto a pé. Ao menos a caminhada agora é agradável e segura.

ABERTURA

A abertura na 4a feira foi agitada. Às 11h, quando os portões abriram para os supervips, algumas galerias ainda faziam os últimos ajustes na montagem. Em função das Paralimpíadas, parte dos armazéns só foi entregue para instalação 4 dias antes da abertura, gerando uma enorme correria e certa insatisfação por parte de alguns expositores, que reclamaram por mais agilidade e melhor atendimento às suas demandas.

Mas nada disto se percebia pelos visitantes. O que se via era uma exposição linda, com grandes obras de arte em um ambiente agradável. Entre os famosos presentes, Zélia Duncan (sempre presente nas melhores exposições), Regina Casé e Cissa Guimarães. Antônio Calloni, Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Malvino Salvador, Flávia Alessandra, Otaviano Costa e Fernanda Lima passaram pela feira nos dias seguintes.

DESTAQUES

No pavilhão da arte moderna, como sempre o estande da Pinakotheke chamou atenção, com sua costumeira oferta de obras raras em uma montagem de impecável bom gosto. “Temos algumas boas promessas” comentou otimista Max Perlingeiro, sobre algumas reservas de obras em seu estande. A galeria O Colecionador – que tinha como hostess oficial uma linda tela de Jean Michel Basquiat – não ficou atrás e montou outro pequeno museu, já na Simões de Assis Galeria, Palatnik e Gonçalo Ivo foram os artistas que mais despertaram interesse dos visitantes. A Galeria Estação, a mais importante entre as de arte popular, finalmente participou da feira. Giselle Gumiero comentou a venda de duas xilogravuras do artista Santídio Pereira, artista de apenas 19 anos que teve sua primeira individual na galeria em 2016. Também foram vendidas duas obras do artista popular Lorenzato com temas de praias, raros de se encontrar nas pinturas do artista. Ao contrário do que costuma acontecer, este ano as vendas foram mais lentas nos estandes de arte moderna, onde as obras tem maior valor.

Entre os contemporâneos, o movimento nos estandes era intenso. A Gentil Carioca causou surpresa e alguma molhaceira com um chuveiro para banho de descarrego de Opavivará e na Galeria Nara Roesler uma gigante e brilhante forma em aço inox – a “cabeça” de Not Vital – chamou atenção. Entre os destaques estavam as obras do minimalista Roland Gebhardt, companheiro de Donald Judd e Frank Stella que passa por um revival no mercado, no Gabinete de Arte K2O. Karla Osório que dirige o Gabinete comentou “O saldo da feira foi maravilhoso e muito positivo pra gente” já fechando o espaço expositivo com sorriso estampado no rosto no domingo, último dia do evento. Na Zipper Galeria, colecionadores se aglomeravam ao redor de um retrato infantil de Adriana Duque e da árvore de corda de Janaína Mello Landim, artistas que já causaram frisson na SP-Arte este ano. Na SIM Galeria, obras de Juan Parada (que está em residência na China) e Rodrigo Andrade foram vendidas para coleções importantes.

Quem riu a toa mesmo foram as galerias jovens do último pavilhão. Orlando Lemos, da Galeria Orlando Lemos já no segundo dia corria para repor o estande vazio. O galerista apostou nos trabalhos do artista Evandro Soares que usa trabalha uma técnica mista de desenho em nanquim com arame galvanizado. Na Galeria Movimento, só no primeiro dia foram vendidas 5 telas do grafiteiro TOZ e reservada um total de 10 obras. Esta é a primeira vez que a galeria participa da feira.

A GRANDE POLÊMICA: FALSIFICAÇÕES

Como todas as grande polêmicas, a deste ano começou com murmúrios. Já nas primeiras horas da feira, um conhecido e circulado galerista carioca comentou que havia uma galeria cheia de obras falsas, sem querer nomear qual. Perguntando a outras figurinhas carimbadas do mercado, a história foi tomando corpo: a Graphos, conhecida galeria carioca que já representou Vik Muniz e outras estrelas, teria obras falsas no estande. No final do primeiro dia, expositores se uniram e apresentaram uma reclamação formal à feira.

O alarme foi dado por uma tela de Raymundo Colares, artista da Nova Figuração que foi capa da Dasartes. As cores vibrantes da pintura, que deveria ter 5 décadas de desbotamento, chamou atenção. Um galerista chegou a comentar que estava com cheiro de tinta. O boato abriu a porta para que outras obras do estande fossem minuciosamente escrutinadas pelos marchands e mais vereditos desfavoráveis começaram a correr a feira. No segundo dia, algumas obras já tinham sido retiradas. Como não haviam sido vendidas, o caso fica por isto mesmo, mas já se antecipa uma corrida dos clientes da galeria a avaliadores para testar a autenticidade de obras lá compradas nos últimos tempos.

BALANÇO E MAIS UM DESAFIO

Em geral, expositores se mostraram satisfeitos com as vendas, acima das expectativas para o momento. Esta foi uma edição de “vai ou racha” para a ArtRio: apesar de ter conquistado seu lugar cativo entre a grande público, expositores vinham exigindo uma maior presença de colecionadores e museus, e em meio a uma crise financeira sem precedentes, a direção da feira teve que correr atrás. Se por mérito da feira ou por melhora das circunstâncias não se sabe, mas as vendas e promessas deixaram a maior parte dos galerias satisfeitos e mais dispostos a voltar no ano que vem. Os negócios penderam mais para o lado de obras de melhor valor, com muitas vendas entre galerias jovens e menos movimento em arte moderna.

Agora o desafio é outro: dentro dos planos da Prefeitura para fortalecer a região portuária como circuito turístico – ao estilo do ocorrido com o Porto Madero de Bueno Aires – está a criação de restaurantes e lojas nos Armazéns. Alguns sussurros ouvidos pela feira diziam que este seria o último ano da ArtRio no Pier Mauá. É sabido que o Rio de Janeiro carece de grandes centros de eventos e muito se especulou sobre qual espaço a feira ocupará em 2017. Aqui pausamos para lamentar a falência de Eike Batista e seus planos para um centro de convenções na Marina da Glória: com todas as ressalvas a suas maracutaias financeiras e megalomania, Eike era um amante do Rio e suas ideias adicionaram muito à cidade. É pena que esta tenha sido abandonada em favor de mais um centrinho comercial.

Para o público, a feira menor foi um ponto positivo: mais fácil e agradável de circular, mas ainda com dificuldade para comer e beber. A saída de galerias como White Cube e Gagosian deixou em falta a presença de artistas celebridades, mas não faltaram obras de arte marcantes para todos os gostos.

Em geral, há melhoras a serem feitas, mas a ArtRio completou a prova do desafio 2016 e conseguiu trazer boas vendas e mais uma bela e animada feira, deixando público e expositores satisfeitos. Torcemos pela ArtRio 2017! Estaremos lá.
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Texto publicado originalmente no site da revista DasArtes | 03/10/16

Sete artistas para colecionar na ArtRio

Artsy indica sete artistas que devm ser vistos na Feira de Arte do Rio. +

7 Works to Collect at ArtRio
ARTSY EDITORIAL
BY DEMIE KIM
SEP 23RD, 2016 3:06 PM

Opening on September 29th, the sixth edition of ArtRio welcomes 71 galleries from across the globe to Rio de Janeiro’s bustling port district—quickly becoming a popular cultural destination, with new attractions like the Museum of Tomorrow on the nearby waterfront. Spread across the four warehouses of Pier Mauá, the fair aims to promote Brazil’s artistic legacy, as well as bring work made internationally into the country, by highlighting modern and contemporary practices by emerging, established, and outsider artists alike. Below, we’ve perused the fair’s selection to highlight its most collectible works.

Nilda Neves, Mistura de gatos, 2015
ON VIEW AT ARTRIO:
Galeria Mezanino, Panorama, Booth H3 - Armazém 4
Besides painting, Neves, from the Bahia region of Brazil, has worked a variety of careers, from math teacher to restaurateur to novelist. It was this latter gig which got her into painting, when she decided to paint the cover for one of her first publications. Like her written stories, her paintings reimagine the landscape, characters, and creatures of her hometown, Botuporã. In this work, a medley of fantastical creatures occupy a sparse, dreamlike landscape, rendered in a folkish style reminiscent of Chagall.

(PS: O editor do Mapa das Artes Celso Fioravante foi o primeiro a comprar uma obra de Nilda Neves).


Carlos Bevilacqua, Ponte do Isolamento, 2015
ON VIEW AT ARTRIO:
Galeria Fortes Vilaça, Panorama, Booth E5 - Armazém 3
The abstract sculptures of Rio de Janeiro-based artist Bevilacqua—forged with rudimentary materials like wood, wire, and glass—are often exhibited as a group, resulting in a balanced network of complex associations. Yet this “isolation bridge,” made of blocks of wood and nautical cords, functions as a poetic statement on its own. A bridge to nothing, with each smaller bridge leading to yet another and back to itself, the work is poignant meditation on the human experience of loneliness.




Eduardo Navarro, 5 Minutes Ago, 2015
ON VIEW AT ARTRIO:
Galeria Nara Roesler, Panorama, Booth D1 - Armazém 3
Buenos Aires-based multimedia artist Navarro is known for his interventions into natural environments, such as making litmus drawings at the summit of an active volcano and asking High Line visitors, in a popular project this summer, to stare at the sun using custom-made protective eyewear. This helmet contraption, exhibited at SculptureCenter earlier this year, appears to defy both gravity and time. In the reflection of the mirrors attached to the transparent helmet, the sand in the hourglass trickles upward, alluding to our warped perception of time in the modern age.

Aurelino dos Santos, Untitled, 2003
ON VIEW AT ARTRIO:
Galeria Estação, Panorama, Booth A2 - Armazém 2

Now in his mid-seventies, Brazilian outsider artist dos Santos translates the urban landscape of the city of Salvador into the geometric signs and symbols that fill his paintings. In this work, the city is pictured from both above and below in a bricolage of architectonic forms, with cross-laden buildings referencing its abundance of churches. Ultimately elusive, dos Santos’s works offer a glimpse into his obsessively creative mind—now living in isolation, he is said to wander the streets of Salvador, mumbling to himself and gathering knickknacks for his artmaking.

Antônio Maluf, Untitled
ON VIEW AT ARTRIO:
Galeria Frente, Panorama, Booth B4 - Armazém 2

The Brazilian painter, draftsman, and graphic artist Maluf is best known for his winning entry for the São Paulo International Biennial’s poster competition in 1951, with a minimalist work that is now recognized as a breakthrough in Brazilian graphic design. Despite eluding strict affiliations with a single movement, his constructivist inclinations—as well as his graphic instincts and strong sense of color—are clear in this captivating painting, which shatters into different shapes to achieve the brilliance of a stained-glass window.



Constanza Giuliani, Selfie (Serie Duermo mal), 2015
ON VIEW AT ARTRIO:
PIEDRAS, Vista, Booth V12 - Armazém 4
Painting with an airbrush, the up-and-coming Argentine artist Giuliani bridges street art, pop culture, and surrealism to create hazy surfaces fitting for the disturbing nature of her nightmarish scenes. In this work, from a series inspired by “bad sleep,” she reimagines today’s ubiquitous habit of self-portraiture. Here, humanoids with amphibious lips and eyes supplanted by rear ends grasp, with their oversized hands, a transparent device in mock-selfie-taking gesture.


Marcela Flόrido, sinais de amor, 2015
ON VIEW AT ARTRIO:
Anita Schwartz Galeria de Arte, Panorama, Booth E6 - Armazém 3

In the vibrant, large-scale canvases of emerging Brazilian artist Flórido, intimate, curvilinear forms echoing female bodies result in ethereal—and tacitly political—works. “I am not necessarily after a female aesthetic but developing a vocabulary that feels closer to my own intimacy and body—which happens to be a female one,” explains the Brooklyn-based artist. In June, Flόrido returned to Rio de Janiero, her home city, after eight years spent abroad—in London, New Haven (where she graduated from Yale’s MFA program), and now New York—to show new paintings at a solo exhibition at the Galeria de Arte IBEU.

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Texto publicado originlmente no site www.artsy.com | 23/09/16

6ª edição da ArtRio divulga galerias selecionadas

Deu um brexit na ArtRio! A feira carioca selecionou este ano 73 galerias, seis galerias a menos que no ano passado e 26 a menos que em 2014... Estreantes este ano somam 19. Além do Brasil, Alemanha, Argentina, EUA, França, Suíça e Uruguai terão representantes. +

A 6ª edição da feira de arte ArtRio (www.artrio.art.br), no Rio de Janeiro, divulgou a lista das 73 galerias selecionadas para o evento em 2016, que acontece entre os dias 28/9 e 2/10 no Píer Mauá, no centro da cidade. A feira terá a participação de 19 novas galerias, sendo 11 brasileiras e as demais vindo de Argentina, Alemanha e EUA.
O comitê de seleção das galerias este ano foi formado por Alexandre Gabriel (Galeria Fortes Vilaça); Anita Schwartz (Anita Schwartz Galeria de Arte); Elsa Ravazzolo (A Gentil Carioca); Greg Lulay (David Zwirner; NY); Eduardo Brandão (Galeria Vermelho) e Max Perlingeiro (Pinakotheke Cultural).
A ArtRio será dividida em apenas dois setores: Panorama (galerias nacionais e estrangeiras com atuação estabelecida no mercado de arte moderna e contemporânea) e Vista (galerias jovens, com projeto de curadoria experimental. Com foco em arte contemporânea emergente). Além do Brasil, foram selecionadas galerias da Alemanha, Argentina, EUA, França, Suíça e Uruguai.
A editora alemã Taschen terá um estande com seus principais títulos de Arte. Também está confirmada a presença da Unisaber Livraria, especializada em livros de Arte, Design e Fotografia.

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GALERIAS PARTICIPANTES

PANORAMA
A Gentil Carioca (Rio de Janeiro)
Almeida & Dale (São Paulo)
Anita Schwartz Galeria de Arte (Rio de Janeiro)
Artur Fidalgo (Rio de Janeiro)
Athena Galeria de Arte (Rio de Janeiro)
Bergamin & Gomide (São Paulo)
Carbono Galeria (São Paulo)
Casa Triângulo (São Paulo)
Celma Albuquerque (Belo Horizonte)
Colecionador Escritório de Arte (Rio de Janeiro)
David Zwirner (Nova York, EUA)
E Thebaldi Galeria (Rio de Janeiro) – Estreia
Folio (São Paulo)
Gabinete de Arte K20 (Brasília)
Galeria Athena Contemporânea (Rio de Janeiro)
Galeria da Gávea (Rio de Janeiro)
Galeria de Arte Ipanema (Rio de Janeiro)
Galeria Estação (São Paulo)
Galeria Fortes Vilaça (São Paulo)
Galeria Frente (São Paulo) - Estreia
Galeria Inox (Rio de Janeiro)
Galeria Luisa Strina (São Paulo)
Galeria Lume (São Paulo)
Galeria Marilia Razuk (São Paulo)
Galeria Mezanino (São Paulo) – Estreia
Galeria Millan (São Paulo)
Galeria Murilo Castro (Belo Horizonte)
Galeria Nara Roesler (São Paulo)
Galeria Oscar Cruz (São Paulo)
Galeria Raquel Arnaud (São Paulo)
Galeria Sur (Montevidéu, Uruguai)
Galeria Vermelho (São Paulo)
Galerie Agnès Monplaisir (Paris, França)
Galerie Bernard Ceysson (Paris, França)
Gary Nader – Miami / New York (Miami, EUA) – Estreia
Graphos:Brasil (Rio de Janeiro0) – Estreia
Gustavo Rebello Arte (Rio de Janeiro)
Hilda Araujo Escritório de Arte (São Paulo) – Estreia
Luciana Caravello Arte Contemporânea (Rio de Janeiro)
Lurixs: Arte Contemporânea (Rio de Janeiro)
Marcia Barrozo do Amaral (Rio de Janeiro)
Mercedes Viegas Arte Contemporânea (Rio de Janeiro)
Mul.ti.plo Espaço Arte + Polígrafa (Rio de Janeiro)
Other Criteria: New York / London (Nova York, EUA)
Paulo Kuczynski Escritório de Arte (São Paulo)
Pietro Atchugarry (Pablo Garzón, Uruguai)
Pinakotheke (Rio de Janeiro)
Praxis (Buenos Aires, Argentina) – Estreia
Referência Galeria de Arte (Brasília)
Roberto Alban Galeria (Salvador)
Ronie Mesquita Galeria (Rio de Janeiro)
Rudolf Budja Gallery (Miami, EUA) – Estreia
Silvia Cintra + Box 4 (Rio de Janeiro)
SIM Galeria (Curitiba)
Simões de Assis Galeria de Arte (Curitiba)
Zipper Galeria (São Paulo)

VISTA
Cavalo (Rio de Janeiro) – Estreia
Espace_L (Genebra, Suíça)
Gachi Prieto Arte Latinoamericano Contemporáneo (Buenos Aires, Argentina – Estreia
Galeria Movimento Arte Conteporânea (Rio de Janeiro) – Estreia
GAM – Gallery Am Meer (Dusseldorf, Alemanha) – Estreia
Martha Pagy Escritório de Arte (Rio de Janeiro) – Estreia
Matias Brotas Arte Contemporânea (Vitória)
Oma Galeria (São Bernardo do Campo) – Estreia
Orlando Lemos Galeria (Nova Lima)
Piedras (Buenos Aires, Argentina) – Estreia
Porta Vilaseca Galeria (Rio de Janeiro)
Quimera (Buenos Aires, Argentina) – Estreia
Tal Art (Rio de Janeiro) – Estreia
Tramas Arte Contemporânea (Rio de Janeiro) – Estreia
Um Galeria de Arte (Rio de Janeiro) – Estreia

Após 28 anos, Nicholas Serota deixa a Tate

Em fevereiro, o atual diretor da Tate passa a presidir o Arts Council of England. +

Nicholas Serota, diretor da Tate, uma das instituições mais importantes e mais ativas do mundo na área das artes plásticas e visuais, deixará o cargo que ocupa desde 1988 para ser presidente do Arts Council England. Serota ocupará o novo cargo em fevereiro. Até lá continuará como diretor da Tate.
“Nos últimos 30 anos houve uma mudança radical na apreciação pública das artes visuais neste país. A Tate está orgulhosa de ter feito parte dessa transformação”, disse Serota em um comunicado. John Browne, presidente da Tate, afirmou também em comunicado que foi com Serota que a Tate se tornou "uma eminência nacional e internacionalmente".
O universo Tate é atualmente composto pelas galerias Tate Britain, Tate Modern, Tate St. Ives e Tate Liverpool. Enquanto diretor da Tate, Serota foi responsável pela criação da Tate St. Ives (Cornualha) e da Tate Modern (Londres). Esta última é o museu de arte contemporâneo mais visitado do mundo, com cerca de cinco milhões de visitantes por ano. Antes de chegar à Tate, Serota já tinha dirigido a Whitechapel Gallery e o Museum de Arte Moderna de Oxford.
O Arts Council England é a agência nacional britânica para o desenvolvimento das artes performativas, visuais e literárias. O organismo, criado em 1994, passou em 2011 a tutelar também os museus do Reino Unido.
O museu britânico já começou a busca por um novo diretor. Segundo o "The Guardian", entre alguns dos possíveis nomes estão Frances Morris, diretora da Tate Modern (e membro do Conselho Consultivo do Museu de Serralves), Iwona Blazwick, diretora da Whitechapel Gallery, e Tim Marlow, diretor artístico da Royal Academy of Arts.
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Notícia originalmente publicada no site português "Público" (www.publico.pt) | 12/09/16.
Foto: Phaidon.com

Aos 14 anos, britânico é comparado a Monet; obras chegam a R$ 230 mil

Um jovem britânico está ganhando milhares de libras como pintor –mesmo tendo apenas 14 anos. +

Kieron Williamson já foi comparado a Monet e Picasso por sua habilidade precoce e pelos traços impressionistas de algumas de suas obras lembrarem os do pintor francês. Ele sempre gostou de tintas e pincéis. Aos 6 anos, ele abriu sua primeira mostra e vendeu 16 pinturas em 14 minutos. Aos 14 anos, suas obras são um sucesso de vendas: o preço pago por cada um de seus quadros equivale a cerca de R$ 230 mil. Ele se diz atraído pela "sensação de pintar". "A inspiração constante me leva a continuar", diz.
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Texto publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo | 19/09/16

Seis patrimônios históricos inusitados de São Paulo tombados pelo Condephaat

O tombamento vai além da proteção de imóveis: diversos locais podem ser tombados de modo a preservar a história. +

O Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) é o órgão responsável por proteger, valorizar e divulgar o patrimônio cultural no Estado de São Paulo. O tombamento de patrimônios vai além da proteção de imóveis: diversos locais podem ser tombados de modo a preservar parte da memória e história de municípios, além da trajetória da população do Estado. Confira alguns patrimônios inusitados tombados pelo Condephaat:

1. Cratera de Colônia (Parelheiros, São Paulo)
A Cratera de Colônia, localizada no extremo sul do município de São Paulo, foi descoberta acidentalmente em 1961, a partir de fotos aéreas. Com idade estimada de 36 milhões de anos pelos cientistas, possui formato circular, envolto por um anel externo de relevo colinoso que se eleva até 125 m da planície central pantanosa em uma superfície com 3,64 km de diâmetro. Embora ainda não tenham sido encontradas evidências conclusivas sobre a sua origem, desde os primeiros estudos foi caracterizada como um astroblema (cicatriz produzida na crosta terrestre pela queda de um meteorito gigante ou cometa). Entre outros valores significativos atribuídos à cratera, além do científico, pode-se citar a presença de cobertura vegetal de floresta úmida (arbórea nativa densa) e o fato da cratera estar inserida em área de proteção de recursos hídricos da região metropolitana de São Paulo.
É possível visitar a cratera por meio de transporte público. Partindo do terminal Grajaú, pegue o ônibus Vargem Grande (6093-10) e desça na Avenida das Palmeiras, altura do número 75. O trajeto é estimado em uma hora, confira https://goo.gl/632PrW

2. Samba paulista como Patrimônio Imaterial
O Samba Paulista é o primeiro patrimônio imaterial do Estado de São Paulo, oficialmente reconhecido pelo Condephaat. O Conselho do órgão entendeu que o Samba Paulista é uma pratica cultural a ser preservada e que possui características históricas, culturais e políticas, bem como especificidades paulistas. O registro é uma maneira salvaguardar o desejo de uma comunidade em manter viva uma tradição, que pode vir a sofrer mudanças com o tempo. Outras práticas culturais do Estado também estão em estudo, como a Congada, o Virado Paulista, a Festa do Bom Jesus do Iguape e o Caminho dos Romeiros, além da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.

3. Sino que anunciou a Independência do Brasil (Largo Padre Péricles, Perdizes, São Paulo)
O sino pertence à Igreja de São Geraldo e encontra-se instalado em sua torre. É denominado Bronze Velho, desde os tempos em que pertenceu à antiga Catedral da Sé. Em 1913, com a demolição da catedral, foi transferido para o Mosteiro da Luz e, em junho de 1942, doado à Igreja de São Geraldo. Fundido em bronze misturado a 18 kg de ouro, com uma altura de 1,75 m por 1,70 m de diâmetro, o sino pesa 2.250 kg. Foi fundido por Francisco Chagas Sampaio em 1820. No sino estão gravados o nome do autor, as armas do Reino de Portugal e trecho do salmo 150.
Para chegar ao Largo Padre Péricles, pegue a linha 3 – Vermelha do metrô e desça na Estação Palmeiras-Barra Funda. É possível seguir a pé a partir da estação. Confira o trajeto em https://goo.gl/srZqma.

4. Terreiro "Axé Ilé Obá" (Jabaquara, São Paulo)
O tombamento do terreiro "Axé Ilé Obá" buscou valorizar a importância de religiões de origem negra para a formação da identidade cultural brasileira. A criação do local data da década de 1950, quando Caio Egydio de Souza Aranha fundou o Centro de Congregação Espírita Pai Jerônimo, no Brás. Por questões de saúde interrompeu suas atividades, retomadas na década seguinte, no Jabaquara. Neste novo terreiro, dedicou-se ao ritual caboclo, característico da Umbanda, e ao Candomblé, cuja iniciação aconteceu no terreiro Engenho Velho, Aché de Tia Aninha, renomada Ialorixá da Bahia.
Na década de 1970, com um número muito grande de adeptos, pai Caio resolveu ampliar suas instalações construindo, com fundos arrecadados pela comunidade, uma ampla sede para a sua congregação, inaugurada em 1977. O Terreiro de Axé Ilé Obá está instalado em uma área de 400 m², com espaços individuais reservados a cada Orixá, ou famílias de Orixás, um barracão comum para cerimônias privadas e festas públicas, além de salas de serviços ligadas ao culto.
Confira a programação de festas, cultos e atividades do terreiro no site do local: http://www.axeileoba.com.br/

5. Obras de arte – pintores José Ferraz de Almeida Júnior e Benedito Calixto de Jesus – Pinacoteca (São Paulo), Museu do Café (Santos), Museu de Arte de São Paulo, Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro).
José Ferraz de Almeida Júnior nasceu em Itu, no ano de 1850, e faleceu aos 49 anos, em Piracicaba. Ingressou em 1869 na Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro. Entre 1876 e 1882 morou em Paris, auxiliado pelo Imperador D. Pedro II.
Benedito Calixto (1853-1927) nasceu em Itanhaém e, ao final de sua adolescência, mudou-se para Brotas. Aos 28 anos de idade realizou a sua primeira exposição em São Paulo. Transferiu-se para Santos e, através de um dos seus trabalhos, atraiu a atenção do visconde de Vergueiro, que o encaminhou para estudar na Europa. De volta ao Brasil em 1884, além da pintura, trabalhou como professor e desenvolveu alguns trabalhos como historiador.
As obras de ambos os artistas retrataram temas ligados à cultura regional paulista, paisagens urbanas e rurais e cenas históricas, o que fortalece a necessidade de preservação. Confira detalhes do acervos nos sites dos museus:
Pinacoteca: www.pinacoteca.org.br
Museu do Café: www.museudocafe.org.br
Museu de Arte de São Paulo: www.masp.art.br
Museu Nacional de Belas Artes: www.mnba.gov.br

6. Ilhas, ilhotas e lajes do litoral paulista (Bertioga, Caraguatatuba, Itanhaém, Santos, São Sebastião e Ubatuba)
O litoral paulista possui um grande número de ilhas, ilhotas e lajes que formam um belo conjunto cênico-paisagístico. A preservação desses ecossistemas é justificada pelas condições ambientais específicas que necessitam de ação preservacionista e por ainda se manterem íntegras com poucas intervenções humanas. O tombamento incidiu sobre 10 ilhas, Ilhas da Pedra, Redonda, Pequena, Ponta, Ponta da Aldeia, Peruíbe, Boquete, As Ilhas, Palmas e Negro; 7 ilhotas (Ilhotas do Sul, Massaguaçu, Ponta do Baleeiro, Itassussé, Juqueí, Ponta do Itapuã e Boquete e 12 lajes (Lajes Pequena, Feia, Grande Dentro, Grande do Perequê, Palmas, Moleques, Apara, Laje, Ponta Itaipu, Paranapuã e Noite Escura).

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Texto originalmente publicado no site "ArchDaily" (www.archdaily.com.br) | 17/09/16.

Cervejaria Antarctica é tombada e poderá virar parque (São Paulo / SP)

Prédio da antiga cervejaria, no bairro da Mooca, poderá ser recuperado pela prefeitura. +

Preservação
O Conpresp (órgão munipal do patrimônio histórico de São Paulo) aprovou o tombamento da Cervejaria Antarctica, na Mooca. A área, hoje degradada, deverá virar um parque se sair do papel a Operação Urbana Bairros do Tamanduateí, que pretende revitalizar a região da avenida do Estado.
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Preservação 2
Também foram publicados nesta terça (13/09/16) no "Diário Oficial" os tombamentos de três casarões da década de 1920 na rua Caio Prado, na Consolação (região central), em frente ao terreno do parque Augusta.

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Notas da coluna de Mônica Bergamo originalmente publicada no jornal "Folha de S. Paulo" | 14/09/16.
Foto: Diego Padgurschi /Folhapress.

As nuvens sobre o museu a céu aberto - Inhotim

Bernardo Paz, o homem por trás do museu a céu aberto em Brumadinho (MG), está entre os grandes devedores de Minas Gerais. Autoridades fiscais no âmbito federal e estadual tentam há anos reaver dele e de suas empresas um débito bilionário. +

Marisa Monte encantou os fãs no sábado com um show ao ar livre, em um jardim. O palco foi armado entre árvores, diante de um gramado, onde cerca de 2.000 pessoas cantaram com ela da primeira à última música em uma apresentação que foi o ponto alto da comemoração dos dez anos de abertura do Inhotim para o público.
Em pé, fumando em um canto perto de um grupo de admiradores da cantora, o empresário do ramo da mineração Bernardo de Mello Paz, 66 anos, acompanhava o show com motivos para se orgulhar. Fundador e financiador do Inhotim, um megamuseu com jardim botânico e galerias de arte contemporânea, ele conquistou rara notoriedade e prestígio. Sua imagem como empreendedor cultural e visionário das artes é referência mundial.
A boa reputação é fruto do alto investimento que fez quando transformou sua antiga fazenda na cidade de Brumadinho, a 55 quilômetros de Belo Horizonte, e pôs Minas Gerais e o Brasil num novo patamar entre galeristas, colecionadores e artistas. No jardim botânico brotaram 23 galerias e 22 obras ao ar livre. Em 140 hectares, o Inhotim abriga hoje uma coleção que tem mais de 700 obras expostas, entre instalações, esculturas, quadros e fotografias de artistas como Adriana Varejão (sua ex-mulher), Ernesto Neto, Tunga, Anish Kapoor e Miguel Rio Branco. Também exibe sete jardins temáticos. Nesses dez anos, 2,5 milhões de visitantes passaram pelo Inhotim.
Mas o homem por trás desse museu a céu aberto ainda não conseguiu se livrar de algumas nuvens cinzentas. Paz está entre os que grandes devedores de Minas Gerais. Autoridades fiscais no âmbito federal e estadual tentam há anos reaver dele e de suas empresas um débito bilionário. São devidas que vieram de suas empresas de mineração e siderurgia. Quase todas já tiveram as portas fechadas. A principal hoje é a mineradora de minério de ferro Itaminas, que, segundo o empresário, deve faturar cerca de US$ 350 milhões neste ano. Em 2010, a venda da companhia para um grupo chinês por US$ 1,2 bilhão chegou a ser anunciada, mas o negócio foi desfeito na última hora.
A dívida com o Estado de Minas Gerais está em cerca de R$ 600 milhões, segundo reconhece o próprio empresário e confirma uma das autoridades que lidam com o assunto. O "Valor" ouviu quatro fontes familiarizadas com a dívida dele. Por vezes, o empresário fechou com o Estado acordos para parcelar o que devia, mas acabava deixando de honrar os pagamentos e a dívida voltava a ficar em aberto. Há alguns meses, o Estado registrou novamente a interrupção do pagamento do que fora acertado no último acordo.
Dados obtidos pelo "Valor" mostram que valores devidos à União das empresas dele passam dos R$ 900 milhões. Parte dessa quantia havia sido parcelada, mas desde meados do ano passado também deixou de ser paga e está em processo de rescisão de parcelamento e de retomada das execuções fiscais. À reportagem, Paz preferiu não comentar o valor do débito. Diz que está a caminho de equacionar a dívida estadual e que espera fazer o mesmo com os federais.
Grandes, médias e pequenas empresas acumulam dívidas fiscais no país. É a rotina de muitos empresários e considerada uma forma para que as companhias consigam sobreviver. A situação de Bernardo Paz, no entanto, chama particular atenção de autoridades em Minas Gerais por dois motivos: o montante elevado da dívida e o fato de ele ter feito alto investimento no Inhotim enquanto deixava de quitar seus débitos com o Estado.
As fontes consultadas pela reportagem que acompanham as pendências fiscais de Paz pintam o seguinte quadro: um grande devedor com problemas para saldar suas dívidas fiscais que, ao mesmo tempo, teve fôlego para investir quantias milionárias em seu bem-sucedido projeto cultural. É um caso muito particular no Estado e autoridades fiscais nunca chegaram a uma conclusão sobre que medida efetiva tomar em relação a ele.
Em uma iniciativa contundente, a Justiça chegou a decretar, em janeiro de 2011, a indisponibilidade dos direitos minerários como forma de garantia de dívidas. "É difícil responsabilizar (judicialmente) o Bernardo pela dívida. Ele sempre teve pouco (bem) no nome dele", disse uma das autoridades. "Nas poucas vezes que tivemos suporte jurídico para incluí-lo como devedor, pressionamos e conseguimos o pagamento, mas na maioria das vezes isso é difícil", afirmou. Segundo outra autoridade, essa dificuldade vale também para o instituto. "Desde o início, Inhotim é blindado."
"Gastei aqui tudo o que tenho", diz Paz ao "Valor", sentado a uma mesa do café que funciona no Inhotim, dias antes do show do décimo aniversário. Foram investimentos que começaram em 1989. O dinheiro vinha sobretudo dos ganhos com a exportação de minério de ferro. Em momentos de baixa e quando as dívidas começaram a se avolumar, Paz diz que recorria a programas de refinanciamento dos débitos, como o Refis que permite pagar mensalmente um percentual do faturamento. "Eu não tinha dinheiro para pagar minha dívida fiscal toda. E enquanto não vinha o Refis, ia pagando isso aqui", diz ele, com um gesto com a mão que tentava abarcar todo o parque-galeria. "Quando vinha o Refis, passava a pagar as parcelas e sobrava muito dinheiro, porque a mineração estava dando muito dinheiro, e eu fui construindo isso aqui com uma velocidade absurda", afirma Paz.
O empresário surfou, como todos do setor de mineração, no período de alta dos preços do minério de ferro a partir do início dos anos 2000. Preços que dispararam em função da forte demanda chinesa. Mas Paz já tinha dívidas anteriores e o baque recente da cotação do minério provocou forte impacto em seus negócios.
A quem pertence Inhotim? Desde 2008, Inhotim é uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip). Mas pertenceu por anos a uma das empresas de Paz, a Horizontes. "Inhotim foi da Horizontes. Hoje a Horizontes mantém o Inhotim , através da Itaminas. A Itaminas ainda manda dinheiro, claro. Não mantém totalmente. Antes mandava R$ 5 milhões, hoje manda R$ 600 mil por mês."
No ano passado, o orçamento realizado do Inhotim foi de R$ 41,1 milhões. A maior parte da receita veio de projetos e convênios (R$ 17,9 milhões). A segunda maior, de doações de pessoas físicas e jurídicas (R$ 11 milhões). Desde os primeiros anos e ainda hoje, Paz investe dinheiro próprio para manter o empreendimento. Ele não diz quanto já gastou. Mas, apenas para montar o jardim, revela ter investido cerca de R$ 350 milhões. Ao todo, são 140 jardineiros no local.
As obras de arte são um capítulo à parte. "Tem obra de US$ 10 milhões, de US$ 20 milhões, tem obra de US$ 200 mil, de US$ 30 mil. Várias delas foram doadas. Doadas não, eu gastei para c onstruir a obra e construir o pavilhão, que é caro", diz Paz. O acervo é composto de 1.300 obras e aproximadamente 700 delas estão expostas.
"Minha luta hoje é única e exclusivamente para pagar o governo", afirma Paz em uma das cinco entrevistas concedidas ao "Valor". "Dentro de um ano provavelmente eu fico livre de todas as dívidas e pela primeira vez vou poder dar o grito de liberdade."
O caminho, diz ele, é aproveitar de novas regras para dar ativos, como grandes áreas de terras que possui em Minas, como parte do pagamento. "Se faltarem R$ 100 milhões, por exemplo, eu pago 1% do faturamento." Paz afirma que as dívidas foram acumuladas em sucessivos períodos de baixa do dólar, o que, para empresários exportadores, é sempre algo fatal. Ele conta com um fator especial para negociar de vez o que deve. "Inhotim ajuda pela simpatia que g era nessa solução da minha dívida", acredita.
"Quatro congelamentos do câmbio na década de 80 e 90. Eu faturava quase US$ 2 bilhões por ano. Quanto eu perdi no ano? US$ 200 milhões. Quanto é isso mais 150% de multa, mais 20% de advogado, mais 15% de juros de mora, mais Selic? Quanto é isso? Depois o governo tem que ir lá parcelar em cem vezes tudo, não dá para pagar nem o presente e ainda o futuro", diz o empresário.
"Quando se destrói o valor da moeda, se destrói o país. Não foi a Dilma quem destruiu o Brasil. Ela foi incompetente, não tenha dúvidas, mas o que foi efetivo nessa destruição foi a política cambial." Ele diz temer que a gestão de Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, possa ser marcada por medidas que deixem o câmbio novamente baixo.
Para sobreviver e lidar com aperto de caixa nesses momentos, Paz fazia como muitos fazem: deixava de pagar impostos. "Estou pagando pelas outras quase 30 empresas que fechei. Podia ter dado o golpe, podia ter pedido falência, enchido o bolso de dinheiro e pulado fora." Paz rebate também suspeitas que há tempos jogam sombra no mundo das coleções de artes: "Ninguém lava dinheiro ou faz qualquer besteira num negócio público em que todo mundo entra e vê. Só se eu fosse louco. E eu não sou louco."
Como uma Oscip, Inhotim tem conselho consultivo com nomes de peso como o ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, o embaixador Rubens Barbosa, o ex-ministro Rubens Ricupero, o diplomata André Corrêa do Lago, o empresário Oskar Metsavaht e o senador Jorge Viana (PT-AC) entre outros. Desde 2012 as contas são auditadas pela Ernest Young.
Há alguns dias, o empresário viveu u m misto de alívio e dor no coração, conta. Tinha assinado a transferência de todo o parque - que estava em nome de uma de suas empresas - para a Oscip. "Doei tudo. Ficou tudo para o Inhotim. O parque todo", diz. Essa doação inclui as terras e as edificações - algumas delas são a própria arte. O acervo de obras também será doado, segundo diz, mas isso está ainda em processo de avaliação.
Ao abrir mão desse ativo (do qual ele prefere não divulgar o valor), Paz toca novamente num ponto sensível. "Todos aqueles que falavam de mim, que eu lavava dinheiro, que isso e aquilo, todos eles calam a boca. Acabou agora essa crítica."
Outra explicação para essa operação: a intenção de dar condições ao Inhotim de sobreviver a seu criador. "Não sei se vou ter tempo de vida p ara concluir todas as coisas que planejo aqui."
Bernardo Paz está no sétimo casamento e tem sete filhos. Vive numa casa dentro do Inhotim. Sua mulher, Arystela Rosa Paz, mora em São Paulo. Os dois se veem aos fins de semana. No início de sua carreira como empresário na mineração, tocava o negócio com o pai de sua primeira mulher. Diz que viajou por 120 países, negociava com a China e outros asiáticos, tinha uma rotina acelerada que ficava pior por causa do cigarro e do álcool em excesso. No meio de uma dessas viagens, em 1995, viu-se em um hospital em Paris, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). Quando voltou ao Brasil, seu médico o assustou: se seguisse naquele ritmo, morreria em três meses.
Esse foi o momento da virada em sua vida. Mudou-se de Belo Horizonte para a grande fazenda que tinha em Brumadinho. Desacelerou um pouco o seu trabalho e deu início à montagem de um jardim em suas terras. Botânica é um assunto que o agrada muito. Teve muitas conversas com o paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994), que não negava algumas ideias e inspiração. O empresário, que já nutria gosto pelas artes, manteve o negócio de minério de ferro. Ao mesmo tempo, por fruição ou para investimento, formava uma pequena coleção de artistas modernistas. Cultivava a ideia de, no futuro, fazer da fazenda um endereço público para as artes. Tinha dinheiro e conselheiros. E decidiu começar a investir mais em artistas contemporâneos. Adquiriu a escultura "Deleite", do brasileiro Tunga (1952-2016), e as instalações "True Rouge" e "Inmensa", de Cildo Meireles. Nesse momento estava construindo os primeiros pavilhões, fazendo os lagos e conformando o jardim.
Quando houve o atentado ao World Trade Center, em 2011, o colecionador aproveitou a brecha. Assim que o aeroporto John Fitzgerald Kennedy foi reaberto, embarcou para Nova York. As galerias do bairro de Chelsea estavam desertas. Passou alguns dias na cidade e arrematou a preços de ocasião obras de artistas importantes como a canadense Janet Cardiff, o alemão Albert Oehlen e o dinamarquês Olafur Eliasson. Formaram o primeiro núcleo de obras trazidas de fora para o Inhotim.
A imagem que o empresário projetava naqueles primeiros anos era a de um "novo rico" queimando dinheiro em arte. Ele lembra que nas suas empresas do grupo Itaminas, os diretores iam à loucura com os gastos dele na fazenda e em arte.
Por alguns anos, Inhotim foi um local fechado ao público. Apenas amigos e convidados podiam visitar a exposição ao ar livre. Se com a mineração Bernardo Paz ganhou dinheiro, chegando a faturar US$ 2 bilhões, como recorda o empresário, foi com a arte que ganhou prestígio. "O que ele fez tem uma relevância mundial. Não tem nada no mundo que tenha a mesma escala que Inhotim", diz Márcia Fortes, sócia de uma das galerias mais importantes do país, a Fortes Vilaça, de São Paulo.
Nos últimos dias, por causa do aniversário, Paz passou horas diante de jornalistas. Concedeu entrevistas para a revista britânica "Wallpaper"; para o jornal "Le Monde" e para TV TF2, ambos da França; para o argentino "La Nación" e para dezenas de outros veículos estrangeiros e locais. Inhotim já apareceu também nas páginas do jornal britânico "The Guardian", do americano "New York Times" e da revista alemã "Der Spiegel".
Ao longo dessa década, colecionadores, executivos de multinacionais, polí ticos, bilionários, embaixadores, diretores de museus renomados e vários artistas já estiveram em Inhotim. "É um divisor no panorama das artes no Brasil. É um local que permite aos artistas concretizarem projetos que têm uma escala fora do contexto de outros museus, projetos que seriam impossíveis para o Masp, para o MAM, para o Centro Cultural São Paulo, para qualquer outro", diz a portuguesa Marta Mestre, nova curadora do Inhotim.
De fato: onde, por exemplo, poderia estar o "Beam Drop", um monumental arranjo de vigas de aço lançadas de um guindaste numa área de cimento fresco, de Chris Burden? Ou a grandiosa galeria Psicoativa, de Tunga? Ou o imenso trator cuja garra sustêm uma árvore de plástico e que constitui uma obra de Matthew Barney? Pelo mundo, há outros espaços que unem natureza, arte e arquitetura. "Mas não sei de nada com e ssa dimensão", afirma Marta.
Luísa Strina, outra galerista do primeiro time do país, reforça a importância do empreendimento: "Depois do que o Assis Chateaubriand [1892-1968] trouxe de arte para o Brasil nos anos 50, para o Masp, é a primeira vez que se tem essa condição novamente de uma coleção tão expressiva. E tudo feito por um homem só."
Depois de dez anos, o futuro do Inhotim passa pela criação de um parque cultural. "Vai atender a Prêmios Nobel, faremos discussões mundiais sobre todas as coisas que poderão acontecer daqui para frente, sobre a vida pós-contemporânea, com especialistas do mundo inteiro, historiadores e pensadores", diz Paz, quase sem respirar entre uma palavra e outra.
Com investidores, sua proposta é construir quatro hotéis, um centro de convenções, um anfiteatro, um teatro e uma rua de comércio. "Isso é o parque cultural." Residências artísticas, festivais de música, dança e cinema seriam outras atividades que ele e sua equipe projetam.
O número de galerias sairia das atuais 23 e iria para 60 - a um custo estimado em R$ 30 milhões. No seu projeto há mais: "Vejo aqui várias vilas para as pessoas morarem. Essas vilas virão todas por meio de investidores. Podem ser casas pequenas, desde que haja bom gosto e beleza. Claro, com aeroporto (cujas terras ele afirmou já ter adquirido)", diz Paz. "Esse é o futuro: casas totalmente autossustentáveis."
Paz pensa em casas com terreno suficiente para que os donos façam hortas que preencham parte grande da sua alimentação. "Cada mil casas terão um grupo de técnicos em agronomia que vai ensinar as pessoas a plantar o que precisam comer. Isso é uma semente para o mundo."
O paralelo que lhe vem à mente é com Paris. "Você consegue morar em Paris perto de uma bomba? O que tem que se fazer lá? Separar aquele miolo, transformar em museu. Desmanchar a periferia e transformar em vilas para as pessoas terem vidas dignas."
Raquel Novais, diretora executiva adjunta de Inhotim, explica que, ao lado dos 140 hectares do local, há 252 hectares de preservação ambiental e que, ao redor dessa área, o empresário possui cerca de mil hectares. É lá que ele quer erguer esse complexo de hotéis, centro de convenção etc. "Esse cinturão de negócios seria o que geraria recursos para o Inhotim", diz ela.
Paz precisa atrair investidores para pôr seus projetos em pé. Conexões, ele tem. Conta que outro dia o presidente de uma montadora fez uma visita ao Inhotim e deixou a porta aberta para discutirem recursos para projetos. Fala também da aproximação com um grupo de empresários franceses que avalia a criação de um fundo para aportar recursos no Inhotim. Já conversaram sobre um potencial de captação de até €40 milhões, segundo Raquel Novais. Seria um arranjo semelhante ao que esses franceses já fizeram em outros projetos na Europa.
Em outra frente, estuda como apresentar esse projeto de nova estrutrura na Assembleia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no Uruguai, em 2017. O banco já firmou um termo de compromisso com Paz que envolve transferência de US$ 700 mil.
Em outubro, a direção do Inhotim assinou um termo de compromisso técnico com o BID - o mesmo que envolve os US$ 700 mil. O objetivo do banco é usar o empreendimento como âncora na divulgação da discussão sobre mudança clim ática. O BID também se dispôs a ajudar a calcular o valor do Inhotim - uma informação-chave para a política de captação de recursos no exterior e aqui. Fiel a seu modo, Bernardo Paz diz: "Qual é o valor disso? Não sei. Quanto custa o Cristo Redentor? Isso é muito mais que o Cristo Redentor".
O empresário insiste em uma comparação a princípio curiosa. "Inhotim é uma start up de uma empresa grande, start up de um selo que segue o mesmo rumo da Disney World", diz. "Quando se fez o primeiro parque da Disney, os donos sabiam do potencial de retorno. Esse paralelo é óbvio. Você vai pertencer a uma coisa inteligente."
Inhotim já tem parcerias com grandes grupos, como Santander, Natura, Itaú Cultural, Votorantim, Cemig e Vale. O primeiro dos quatro hotéis planejados está com 80% das obras prontas, afirma Paz. É uma estrutura de cimento ainda sem acabamento que se pode divisar da varanda da galeria Psicoativa, de Tunga. A construção já exigiu R$ 100 milhões e é feita com investidores do ramo, os donos do hotel Txai, da Bahia. No Inhotim, se chamará Inhotxai. Paz planeja uma inauguração grandiosa com artistas brasileiros e estrangeiros.
No estágio em que chegou, o empreendimento em Brumadinho deu a Minas Gerais um novo polo turístico. Já rivaliza com os tradicionais destinos das cidades históricas. "Minha programação era ficar dois dias em Inhotim e um dia em Ouro Preto. Mas acabamos tirando Ouro Preto do roteiro e ficamos mais um dia aqui. Fiquei encantada", diz a turista sulista Aline Feldmann, de 29 anos. Em um único dia, uma quarta-feira de julho, quando a entrada era gratuita, o Inhotim atraiu 11 mil pessoas. Em 2008, estiveram no parque 121,3 mil pessoas. Em 2015 foram 353 mil.
Desde 2008, pouco mais de 13% de todos os visitantes são estrangeiros. "Em ano de Bienal em São Paulo, muita gente que vem de fora do Brasil faz um roteiro São Paulo-Inhotim e não São Paulo-Rio, como era antes", diz Márcia Fortes, da Fortes Vilaça.
O espaço entrou também para a programação das escolas mineiras. Em 2015, 5.000 alunos da rede pública visitaram o local e 800 professores passaram por uma atividade de formação. Não deixa de ser curioso: enquanto Minas cobra a dívida de Paz pagou quase R$ 3 milhões no ano passado pelas visitas a Inhotim, segundo a Secretaria Estadual de Educação que quer ampliar para 9 mil o número de visitantes, entre alunos e professores.
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Texto de Marcos de Moura e Souza originalmente publicado no jornal "Valor" | 16/09/16.

Quem está por trás das galerias de arte?

Os artistas são o núcleo, mas para que elas funcionem há uma série de profissionais envolvidos. Conheça cada uma das funções desempenhadas em uma galeria. +

A galeria de arte permanece como um dos mais importantes pilares do mundo da arte. É onde os artistas são apresentados pela primeira vez e têm carreiras lançadas. E onde começa o discurso. Mas o que há por trás das pesadas portas desses impérios secretos? E qual o papel de seus funcionários?
Os artistas são o núcleo e mais importante componente do ecossistema das galerias. Eles produzem as obras, geram as vendas e atraem o público. Sem artista não há galeria. Conforme afirmação de James Cohan, galerista de Nova York, "os artistas são nosso sangue e, sem eles, seríamos apenas um sorriso, talvez um vinho em copo de plástico".
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Proprietário
O dono, geralmente chamado de galerista, é o topo da estrutura interna, responsável pela seleção de artistas representados, pela programação de exposições e pela escolha dos artistas das mostras. "Eu amo galeristas", escreveu o crítico de arte Jerry Saltz na "New York Magazine". "De certa forma, eles são as minhas figuras preferidas do mundo da arte. De verdade. Eu amo a maneira como eles investem dinheiro de acordo com seus gostos, criam seus próprios universos estéticos, patrocinam artistas e empregam pessoas. Fazem tudo isso e ainda nos deixam ver arte de graça. Alguns são visionários".
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Diretor
É o braço direito do galerista, responsável pela organização diária das operações e da organização de exposições desenvolvidas pelo dono, mantendo ligações com os artistas representados e cuidando das vendas. Dependendo do porte da galeria, o diretor pode fazer tudo isso ou delegar funções para outros colaboradores, como conselheiros de arte e curadores.
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Secretário
Responsável por tudo que ocorre na galeria: transporte e questões de alfândega, inventários de gerenciamento, limpeza do chão e das paredes e abertura e fechamento da galeria. Aquelas com mais de um endereço devem ter um profissional desse em cada sede.
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Editor
Atualmente, grandes galerias publicam seus próprios conteúdos. De monografias a catálogos, o editor é responsável pela supervisão do processo de produção dos livros.
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Arquivista
É o responsável pela produção e manutenção dos arquivos da galeria, o que engloba inventários de gerenciamento, banco de dados digital, coleção de catálogos e livros e clippings de todos artistas da galeria.
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Diretor de comunicação / marketing
Gerencia requerimentos de informação e distribuição. Pode ser funcionário da galeria ou terceirizado.
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Assistente
É a primeira pessoa que você vê na galeria, mas não são recepcionistas de luxo. Auxiliam os negócios em todos os níveis, do começo ao fim.
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Montador
É em geral um artista ou estudante de arte. O trabalho dele é montar as exposições e manusear, empacotar e desempacotar as obras. Montadores que trabalham com obras muito valiosas devem ser especializados e ter prática, não apenas de prevenção de danos, mas também em relação às condições como as obras são expostas.
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Texto de Henri Neuendorf originalmente publicado, em inglês, no site "Artnet" (www.artnet. com) | 08/09/16.
Foto: Gagosian Gallery.
Tradução: Everaldo Fioravante.

Brasil tem sete dos 200 maiores colecionadores de arte do mundo

O site "Artnet" divulgou a lista dos Top 200 colecionadores de arte do mundo. Do Brasil figuram Genny e Selmo Nissenbaum, Bernardo Paz, Andrea e José Olympio Pereira, Susana e Ricardo Steinbruch, Joseph Safra, Lili Safra e Ricard Akagawa. +

Ano após ano, colecionadores vorazes, apaixonados, comprometidos e sérios integram a lista anual dos TOP 200 da Artnews. São os colecionadores que se mantêm firmes, mesmo quando o mercado esfria. E o mercado, nos últimos tempos, definitivamente esfriou. No último mês de junho, quando a Artnews finalizou sua edição com seu TOP 200, as casas de leilão de Nova York ainda contabilizavam suas vendas de maio: as casas somaram um total de US$ 1 bilhão em vendas, menos da metade do alcançado nas mesmas vendas do ano anterior. As vendas tanto da Christie’s quanto da Sotheby’s no primeiro semestre de 2016 caíram cerca de 1/3 em relação ao mesmo período de 2015.
Os especuladores de trabalhos de artistas mais jovens desapareceram – talvez o principal fator que resultou na queda de venda dos contemporâneos na Christie’s em 45% em comparação ao ano anterior. E na Art Basel, a palavra mais ouvida era “incerteza”. Alguns observadores do mercado diziam que os colecionadores estavam mais “prudentes”. Mas uma coisa é certa: os colecionadores fiéis – estes que permanecem na lista – sempre estiveram com seus talões de cheques no ponto, com seus olhares penetrantes buscando qualidade.
Tudo isso não significa que o mercado está rumo ao abismo – longe disso. Em maio, o colecionador japonês Yusaku Maezawa, estreando na lista este ano, se desprendeu de US$ 98 milhões em apenas dois dias de leilão. E em junho, a Sotheby’s bateu um novo recorde para Picasso, com a pintura “Femme Assise” sendo arrematada por US$ 63,6 milhões.
Mercado fraco? “É um mercado mais experiente”, disse um destes colecionadores mais experientes durante a Art Basel, acrescentando: “os melhores e os mais inteligentes são os que assumem os riscos”.
Mais uma vez, a lista integra uma série de colecionadores brasileiros: Genny e Selmo Nissenbaum, Bernardo Paz, Andrea e José Olympio Pereira, Susana e Ricardo Steinbruch, Joseph Safra, Lili Safra e Ricard Akagawa.

Confira a lista completa (em ordem alfabética por sobrenome):

Shelley Fox Aarons e Philip E. Aarons
Nova York
Arte Contemporânea

Roman Abramovich e Dasha Zhukova
Moscou
Arte moderna e contemporânea

Haryanto Adikoesoemo
Jakarta, Indonesia
Arte moderna e contemporânea indonésia e ocidental

Ricard Akagawa
São Paulo
Imaginário e mobiliario barroco brasileiro do século 18, tapetes caucasianos e arte contemporânea internacional

Paul Allen
Seattle
Impressionismo; Arte moderna e contemporânea; Grandes Mestres

María Asunción Aramburuzabala
Mexico City
Arte moderna e contemporânea

Hélène e Bernard Arnault
Paris
Arte contemporânea

Laura e John Arnold
Houston
Arte moderna, pós-guerra e contemporânea

Hans Rasmus Astrup
Oslo
Arte contemporânea

Candace Carmel Barasch
Nova York
Arte contemporânea

Maria Arena and William Bell Jr.
Los Angeles
Arte moderna e contemporânea

Ernesto Bertarelli
Gstaad, Suíça
Arte moderna e contemporânea

Debra e Leon Black
Nova York
Escultura chinesa, Arte Contemporânea; Impressionismo; Pintura Moderna, Grandes Mestres; obras sobre papel

Len Blavatnik
Londres; Nova York
Arte moderna e contemporânea

Neil G. Bluhm
Chicago
Arte pós-guerra e contemporânea

Karen e Christian Boros
Berlin
Arte contemporânea

Irma e Norman Braman
Miami Beach
Arte moderna e contemporânea

Udo Brandhorst
Munich
Arte pós-guerra e contemporânea

Peter M. Brant
Greenwich, Connecticut
Arte contemporânea; Design; Mobiliário

Edythe L. e Eli Broad
Los Angeles
Arte contemporânea

James Keith (J. K.) Brown e Eric Diefenbach
Nova York; Ridgefield, Connecticut
Arte contemporânea

Joop van Caldenborgh
Wassenaar, the Netherlands
Arte moderna e contemporânea, incluindo escultura, fotografia, livros de artista, vídeo e instalações

Edouard Carmignac
Paris
Arte contemporânea

Trudy e Paul Cejas
Miami Beach
Arte pós-guerra e contemporânea, especialmente Zero

Pierre Chen
Taipei
Arte moderna e contemporânea

Adrian Cheng
Hong Kong
Arte contemporânea chinesa e internacional

Halit Cingillioglu e Kemal Has Cingillioglu
Londres; Monaco
Impressionismo; Arte Moderna, pós-guerra e contemporânea

Ella Fontanals-Cisneros
Gstaad, Suíça; Madrid
Arte contemporânea internacional, vídeo e photography, com ênfase em arte geométrica abstrata e arte conceitual, focada na produção cubana e latino-americana

Patricia Phelps de Cisneros e Gustavo A. Cisneros
Caracas, Venezuela; Republica Dominicana; Nova York
Artistas latino-americanos do século 19, objetos etnicos amazônicos, arte e objetos coloniais da América Latina; Arte moderna e contemporânea latino-americana

Alexandra e Steven A. Cohen
Greenwich, Connecticut
Impressionismo; Arte moderna e contemporânea

Cherryl e Frank Cohen
Cheshire, Inglaterra
Arte contemporânea; Arte Moderna britânica

Isabel e Agustín Coppel
Mexico City
Arte internacional

Eduardo F. Costantini
Buenos Aires
Arte Moderna e contemporânea da América Latina

Rosa e Carlos de la Cruz
Key Biscayne, Florida
Arte contemporânea

Dimitris Daskalopoulos
Atenas
Arte contemporânea, especialmente instalações em grandes formatos, escultura, desenhos, colagens, filmes e vídeos

Tiqui Atencio Demirdjian
Londres; Venezuela
Arte da América Latina; Arte moderna e contemporânea

Beth Rudin DeWoody
Los Angeles; Nova York; West Palm Beach, Florida
Arte moderna e contemporânea

Leonardo DiCaprio
Los Angeles
Quadrinhos; Arte contemporânea; fósseis; livros raros; posters vintage de cinema

Glenn Dubin
Nova York
Arte moderna e contemporânea

George Economou
Atenas
Arte moderna, pós-guerra e contemporânea

Stefan T. Edlis e Gael Neeson
Aspen, Colorado; Chicago
Arte pós-guerra e contemporânea

Carl Gustaf Ehrnrooth
Helsinki
Arte contemporânea escandinava, europeia e americana

Mitzi e Warren Eisenberg
Union, New Jersey
Arte contemporânea

Rebecca e Martin Eisenberg
Nova York
Arte contemporânea

Lawrence J. Ellison
Woodside, California
Antiguidades e arte japonesa do início do século 20, arte europeia do final do século 19 e início do século 20

Caryl e Israel Englander
Nova York
Fotografia contemporânea; Arte moderna, pós-guerra e contemporânea

Susan e Leonard Feinstein
Long Island, Nova York
Arte moderna e contemporânea

Frank J. Fertitta III e Lorenzo Fertitta
Las Vegas
Arte moderna e contemporânea

Randi and Robert Fisher
San Francisco
Arte contemporânea

Michael C. Forman e Jennifer Rice
Philadelphia
Arte moderna e contemporânea

Amanda e Glenn R. Fuhrman
Nova York
Arte contemporânea

Antoine de Galbert
Paris
Arte contemporânea; Arte primitiva

Christy e Bill Gautreaux
Kansas City, Missouri
Arte contemporânea

Yassmin e Sasan Ghandehari
Londres
Impressionismo; Arte pós-guerra e contemporânea

Ingvild Goetz
Munique
Arte contemporânea

Danny Goldberg
Sydney
Arte moderna e contemporânea

Noam Gottesman
Nova York
Arte pós-guerra e contemporânea

Laurence Graff
Gstaad, Suíça
Arte moderna e contemporânea

Kenneth C. Griffin
Chicago
Pós-Impressionismo

Florence e Daniel Guerlain
Paris
Arte contemporânea, especialmente desenhos

Agnes Gund
Kent, Connecticut; Nova York; Peninsula, Ohio
Arte moderna e contemporânea

Nathalie e Charles de Gunzburg
Nova York
Arte pós-guerra e contemporânea

Francesca von Habsburg
Vienna
Arte contemporânea

Christine e Andrew Hall
Palm Beach, Florida
Arte contemporânea

Diane e Bruce Halle
Arizona
Escultura contemporânea; Arte da América Latina

Prince Hans-Adam II von und zu Liechtenstein
Vaduz, Liechtenstein
Grandes Mestres

Janine e J. Tomilson Hill
Nova York
Grandes Mestres; Arte pós-guerra e contemporânea

Marguerite Hoffman
Dallas
Monocromáticos chneses, manuscritos medievais; arte pós-guerra americana e europeia

Maja Hoffmann
Zurich
Arte contemporânea

Hong Ra-hee e Lee Kun-hee
Seoul
Arte moderna e contemporânea internacional; arte coreana tradicional e moderna

Susan e Michael Hort
New Jersey; Nova York
Arte contemporânea

Alan Howard
Londres
Impressionismo; arte moderna

Frank Huang
Taipei
porcelana chinesa, pintura impressionista e moderna

Dakis Joannou
Atenas
Arte contemporânea

Edward ““Ned”” Johnson III
Boston
Pintura americana dos século 19 e 20; mobiliário e artes decorativas; arte e cerâmica asiáticas

Pamela J. Joyner e Alfred J. Giuffrida
San Francisco and Sonoma, California
Abstracionismo afro-americano; arte contemporânea sul-africana

Viatcheslav Kantor
Londres; Moscow
Arte contemporânea russa; arte russa e judaica do século 20

Nasser David Khalili
Londres
Documentos aramaicos (353–324 D.C.); arte islâmica; Esmaltes do mundo desde o século 18; arte Hajj (700-2000); Arte japonesa do período Meiji; Quimonos japoneses desde o século 18; arte espanhola em metal damasceno (1850-1900); Têxteis suecos (1700-1900)

Alison e Peter W. Klein
Eberdingen-Nussdorf, Germany
Arte aborígene; pintura e fotografia contemporânea

Jill e Peter Kraus
Dutchess County, Nova York; Nova York
Arte contemporânea

Marie-Josée e Henry R. Kravis
Nova York
Mobiliário francês; Arte moderna e contemporânea

Ananda Krishnan
France; Kuala Lumpur, Malaysia
Arte moderna

Grazyna Kulczyk
Poznan, Poland
Arte polaca e internacional pós-guerra e contemporânea

Pierre Lagrange
Londres
Arte pós-guerra e contemporânea

Guy Laliberté
Ibiza, Spain; Montreal
Arte contemporânea

Barbara e Jon Landau
Nova York
Pintura francesa e inglesa do século 19; Pintura e escultura renascentista e barroca

Steven Latner e Michael Latner
Toronto
Arte moderna e contemporânea

Joseph Lau
Hong Kong
Arte moderna e contemporânea, especialmente Warhol

Thomas Lau
Hong Kong
Arte moderna e contemporânea

Jo Carole e Ronald S. Lauder
Nova York; Palm Beach, Florida; Paris; Wainscott, Nova York; Washington, D.C.
Arte decorative do século 20; Antiguidades; armas e armaduras; expressionismo austríaco e alemão; Arte contemporânea; Arte Medieval; Mestres Modernos; Grandes Mestres; arte pós-guerra alemã e italiana

Leonard A. Lauder
Nova York
Cubismo

Barbara Lee
Cambridge, Massachusetts
Arte contemporânea de mulheres

Liz e Eric Lefkofsky
Glencoe, Illinois
Arte contemporânea

Barbara e Aaron Levine
Washington, D.C.
Arte conceitual

Li Lin
Hangzhou, China
Arte contemporânea

Margaret Munzer Loeb e Daniel S. Loeb
Nova York
Arte feminista; Arte pós-guerra e contemporânea

Eugenio López Alonso
Los Angeles; Mexico City
Arte contemporânea

Jack Ma
Hangzhou, China
Arte moderna e contemporânea

Yusaku Maezawa
Japan
Arte contemporânea

Maramotti Family
Reggio Emilia, Italy
Arte informel; arte povera; Arte conceitual; Arte contemporânea; Neo-Expressionismo; New Geometry; transavanguardia

Maurice Marciano
Beverly Hills, California
Arte contemporânea

Martein Z. Margulies
Key Biscayne, Florida
Arte moderna e contemporânea

Donald B. Marron
Nova York
Arte moderna e contemporânea

David Marteinez
Londres; Nova York
Arte moderna e contemporânea

Susan e Larry Marx
Aspen, Colorado; Marina del Rey, California
Arte pós-guerra e contemporânea, especialmente Expressionismo Abstrato e obras sobre papel



Dimitri Mavrommatis
Paris
Arte Moderna e pós-guerra



Raymond J. McGuire
Nova York
Arte Africana e Afro-Americana

John S. Middleton
Philadelphia
Arte Americana dos séculos 19 e 20

Leonid Mikhelson
Moscow

Impressionismo; Arte moderna e contemporânea

Victoria e Samuel I. Newhouse Jr.
Nova York
Arte moderna e contemporânea

Philip S. Niarchos
Saint Moritz, Suíça
Impressionismo; Arte moderna e contemporânea; Grandes Mestres

Genny e Selmo Nissenbaum
Rio de Janeiro
Arte Minimalista

Takeo Obayashi
Tokyo
Arte contemporânea

Daniel Och
Scarsdale, Nova York
Arte moderna e contemporânea

Maja Oeri
Basel, Suíça
Arte contemporânea

Thomas Olbricht
Berlin
Arte contemporânea; selos; objetos Wunderkammer

Rose-Marie e Eijk van Otterloo
Naples, Florida
Pintura flamenco e holandesa de grandes mestres

Michael Ovitz
Los Angeles
Arte African; Mobiliário Ming; Arte moderna e contemporânea

Bernardo Paz
Brumadinho, Brazil
Arte contemporânea

Andrea e José Olympio Pereira
São Paulo

Arte brasileira moderna e contemporânea

Marsha e Jeffrey Perelman
Palm Beach, Florida; Wynnewood, Pennsylvania
Arte pós-guerra e contemporânea

Ronald O. Perelman
Nova York
Arte moderna e contemporânea

Lisa e Richard Perry
Nova York
Color Field; arte minimalista; Pop arte

Amy e John Phelan
Aspen, Colorado; Palm Beach, Florida
Arte contemporânea

François Pinault
Paris
Arte contemporânea

Ann e Ron Pizzuti
Columbus, Ohio; Nova York; Orlando, Florida
Design; Arte moderna e contemporânea

Sabine e Hasso Plattner
Heidelberg, Germany
Arte alemã; Impressionismo

Miuccia Prada e Patrizio Bertelli
Milan
Arte contemporânea

Véronique e Louis-Antoine Prat
Paris
Desenhos franceses dos séculos 17, 18 e 19

Lisa e John Pritzker
San Francisco
Arte moderna e contemporânea; fotografia

Penny Pritzker e Bryan Traubert
Chicago
Arte contemporânea

Sultan Sooud Al Qassemi
Sharjah, UAE
Arte árabe moderna e contemporânea

Qiao Zhibing
Shanghai
Arte contemporânea

Cindy e Howard Rachofsky
Dallas
Arte pós-guerra e contemporânea americana e europeia; arte pós-guerra japonesa e coreana

Emily e Mitchell Rales
Nova York; Potomac, Maryland
Arte moderna e contemporânea

Steven Rales
Washington, D.C.
Impressionismo; Arte moderna e contemporânea

Patrizia Sandretto Re Rebaudengo
Turin, Italy
Arte contemporânea

Bob Rennie
Vancouver, British Columbia
Arte contemporânea

Louise e Leonard Riggio
Bridgehampton, Nova York; Palm Beach, Florida
Arte moderna e contemporânea

Ellen e Michael Ringier
Zurique
Arte contemporânea; arte russa avant-garde

Linnea Conrad Roberts e George Roberts
Atherton, California
Arte contemporânea

Aby J. Rosen
Southampton, Nova York
Fotografia contemporânea; arte moderna e contemporânea

Hilary e Wilbur L. Ross Jr.
Palm Beach, Florida

Arte moderna e contemporânea, especialmente surrealismo chinês e vietnamita

Eric de Rothschild
Paris; Pauillac, France
Arte moderna e contemporânea; Grandes Mestres

Rubell Family
Miami
Arte contemporânea

Betty e Isaac Rudman
República Dominicana
Arte da América Latina; numismática; arte Pre-Colombiana

Dmitry Rybolovlev
Moscow
Pintura dos séculos 19 e 20

Joseph Safra
Geneva; Nova York; São Paulo
Impressionismo; Grandes Mestres

Lily Safra
Geneva
Arte dos séculos 19 e 20

Elham e Tony Salamé
Beirut
Arte contemporânea

Nadia e Rajeeb Samdani
Dhaka, Bangladesh
Prata antiga; Design; arte Moderna e contemporânea internacional e do sudeste asiático

Marieke e Pieter Sanders
Haarlem, the Netherlands
Arte contemporânea americana e europeia; arte holandesa; escultura

Vicki e Roger Sant
Nova York; Washington, D.C.
Nova York: Arte contemporânea; Washington D.C.: arte do século com foco em Nabi

Louisa Stude Sarofim
Houston; Santa Fe
Arte moderna e contemporânea; obras sobre papel

Tatsumi Sato
Hiroshima, Japan
Tecidos antigos; Arte contemporânea; arte primitiva

Chara Schreyer
Los Angeles; San Francisco
Arte moderna e contemporânea, fotografia e escultura

Sheri e Howard Schultz
Seattle
Arte contemporânea

Helen e Charles Schwab
Atherton, California; San Francisco
Arte moderna e contemporânea

Marianne e Alan Schwartez
Birmingham, Michigan

Gravuras dos séculos 19 e 20th da europa e América; Grandes Mestres

Uli Sigg
Mauensee, Suíça
Arte contemporânea, especialmente chinesa

Peter Simon
Londres
Arte contemporânea

Elizabeth e Frederick Singer
Great Falls, Virginia
Arte moderna e contemporânea

Carlos Slim Helú
Cidade do México
arte Moderna, especialmente Rodin; Grandes Mestres; arte pré-colombiana e colonial mexicana

Eric Smidt
Los Angeles
Arte contemporânea; Nova York School

Jerry I. Speyer e Katherine G. Farley
Nova York
Arte contemporânea

Susana e Ricardo Steinbruch
São Paulo
Arte moderna e contemporânea

Judy e Michael H. Steinhardt
Mount Kisco, Nova York; Nova York
Antiguidades clássicas; arte Moderna, especialmente desenhos

Gayle e Paul Stoffel
Aspen, Colorado; Dallas
Arte contemporânea

Norah e Norman Stone
California; Napa Valley, California; San Francisco
Arte contemporânea

Julia Stoschek
Berlin; Düsseldorf, Alemanha
Arte contemporânea

Iris e Matthew Strauss
Rancho Santa Fe, California
Arte contemporânea

Sylvia e Ulrich Ströher
Darmstadt, Alemanha
pintura contemporânea alemã; arte alemã abstrata pós-guerra

Suh Kyung-Bae
Seoul
arte contemporânea coreana e internacional; arte tradicional coreana

Brett e Daniel S. Sundheim
Nova York
Arte contemporânea

Lisa e Steve Tananbaum
Palm Beach, Florida; Westchester, Nova York
Arte pós-guerra e contemporânea

Lauren e Benedikt Taschen
Berlin; Los Angeles
Arte contemporânea, especialmente americana, alemã e britânica

Budi Tek
Jakartea, Indonesia; Shanghai
Arte contemporânea, especialmente chinesa e ocidental

Sheikh Hamad bin Jassim bin Jaber Al Thani
Doha, Qatar; Londres; Nova York
Arte pós-guerra e contemporânea

Sheikha Al Mayassa bint Hamad bin Khalifa Al Thani
Doha, Qatar
Arte moderna e contemporânea

David Thomson
Toronto
Arte moderna e contemporânea; Grandes Mestres

Steve Tisch
Los Angeles
Arte contemporânea

Anne e Wolfgang Titze
Arosa, Suíça; Vienna
Minimalismo e Arte conceitual

Jane e Robert Toll
Miami
Arte americana; impressionismo francês

Robbi e Bruce E. Toll
Palm Beach, Florida
Escultura do século 20; arte americana; pintura isabelina e jacobiana; impressionismo; pós-impressionismo

Walter Vanhaerents
Bruxelas
Arte contemporânea

Patricia Pearson-Vergez e Juan Vergez
Buenos Aires
Arte moderna e contemporânea, especialmente argentina

Alice Walton
Mineral Wells; Texas

Arte Americana; Arte contemporânea

Wang Jianlin
Beijing
Impressionismo; Arte moderna e contemporânea

Wang Wei e Liu Yiqian
Shanghai
arte e porcelana chinesa; arte contemporânea internacional, incluindo chinesa, asiática, europeia e americana

Wang Zhongjun
Beijing
Arte moderna

Jutta e Siegfried Weishaupt
Laupheim, Alemanha
Arte pós-guerra e contemporânea, especialmente Expressionismo Abstrato, Zero e Pop

Alain Wertheimer
Nova York
Arte asiática; Arte moderna e contemporânea

Abigail e Leslie H. Wexner
Columbus, Ohio

Arte contemporânea americana; arte moderna europeia

Reinhold Würth
Niedernhall, Germany; Salzburg, Austria
arte Medieval; Arte pós-guerra e contemporânea; objetos Wunderkammer, especialmente esculturas em marfim, taças nautilus, canecas e caixas decorativas

Elaine Wynn
Las Vegas
Arte moderna e contemporânea

Stephen A. Wynn
Las Vegas
Arte moderna e contemporânea

Tadashi Yanai
Tokyo
Arte moderna e contemporânea

Yang Bin
Beijing
Arte moderna e contemporânea chinesa

Anita e Poju Zabludowicz
Londres
Arte contemporânea

Jochen Zeitz
Segera, Kenya
Arte contemporânea africana

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Texto originalmente publicado em inglês no site "Artnet" (www.artnet.com) e reproduzido em português no site "Touch of Class" (www.touchofclass.com.br) | 08/08/16.

Serra da Capivara receberá verbas dos governos do Piauí e federal

O Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, que possui a maior quantidade de sítios arqueológicos pré-históricos das Américas, enfrenta dificuldades financeiras. Poder público promete auxílio. +

O governo do Estado do Piauí, por meio da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar), está formalizando mais um termo de parceria que irá beneficiar a Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham). Estão sendo destinados recursos no valor de R$ 738 mil para custear as despesas com o Parque Nacional da Serra da Capivara, que possui a maior quantidade de sítios arqueológicos pré-históricos das Américas e é considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação. O local tem mais de 1.200 sítios com arte rupestre, pinturas feitas em rochas e paredes de cavernas há milhares de anos.
O parque enfrenta dificuldades financeiras. A unidade de conservação, que é de responsabilidade do Instituto Chico Mendes (ICMbio), autarquia em regime especial vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, não dispõe de recursos para garantir as despesas de conservação da infraestrutura que sustenta o acesso e a pesquisa em mais de mil grutas rupestres. Segundo relatos de funcionários do local, a Serra da Capivara contava com mais de 200 funcionários em 2003. Atualmente são menos de 40. Também há relatos de salários atrasados.
O convênio firmado garante a transferência de recursos financeiros destinados à manutenção do parque e sua zona de amortecimento.
No ano passado, o governo concluiu a liberação de R$ 500 mil, por meio de convênio entre a Semar e a Fumdham.
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Fonte: Site "Brasil 247" (www.brasil247.com), com informações divulgadas pela assessoria do Governo do Piauí | 02/09/16.

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Ministério diz que R$ 300 mil para Serra da Capivara estão com o Iphan

Em cima do prazo de pagamento de indenizações a funcionários do Parque Nacional da Serra da Capivara, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, transferiu ontem ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) R$ 300 mil para sanar a situação do sítio arqueológico.
Agora, é preciso que o Iphan repasse a verba — oriunda de emenda parlamentar do deputado Paes Landim — para a Fundação do Homem Americano, que administra o parque.
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Texto de Mariana Alvim originalmente publicado no Blog do Lauro Jardim (http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim) | 02/09/16.
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Foto: Marizilda Cruppe | Agência O Globo.

Mais antiga loja de artigos artísticos dos EUA fecha em NY após 111 anos

Doug Steinberg herdou a New York Central Art Supply Inc. de seu falecido pai e da tia. Segundo ele, o fechamento do negócio deve-se a "uma tempestade perfeita de coisas ruins". As grandes redes e as vendas via Internet contribuíram para o fim da loja. +

Após mais de um século de existência, a New York Central Art Supply Inc., autointitulada a mais antiga loja de artigos artísticos dos Estados Unidos, fechará as portas definitivamente em 02/09/16.
"As vendas de varejo perdem dinheiro há anos e nossa família fez muitos esforços para manter a loja aberta", disse Doug Steinberg, que herdou o negócio de seu falecido pai e da tia. "Mas mesmo se a propriedade não fosse vendida, haveria uma alta probabilidade de que seria fechada até o fim do ano de qualquer maneira. Foi uma tempestade perfeita de coisas ruins acontecendo".
A loja fica no histórico bairro East Village. Steinberg lembra que cresceu em uma época em que Nova York “tinha uma loja de artigos artísticos em cada bairro”. Agora, como uma das lojas independentes remanescentes, o proprietário admite que as grandes redes e as vendas via Internet acabaram com o negócio.
À parte os rumores de que investidores do mercado imobiliário estariam planejando tornar a loja em algum local de luxo, Steinberg diz não saber quem é o comprador do espaço.
Há apenas duas lojas independentes de artigos artísticos em Manhattan: SoHo Art Materials, com 25 anos e que abriu uma sede no Brooklyn recentemente; e DaVinci Artist Supply, ue abriu seu primeiro espaço no Gramercy em 2005. A rede Dick Blick Art Materials, de Illinois, ocupa cinco endereços em Manhattan, além de cinco Utrecht Art Supply Stores, adquirida pela companhia em 2013.
Mark Bieri, gerente de publicidade da DaVinci, que viu lojas como a Pearl Paint e a Lee’s Art Shop fechando nos últimos anos, afirmou que os moradores estão preocupados. "As reclamações são frequentes", disse. "Você ouve as pessoas dizendo que Nova York está virando um shopping a céu aberto. As características da cidade estão mudando e eu acho que o maior exemplo disso é a angústia dos pequenos negócios".
Segundo Bieri, está havendo uma migração de clientes da New York Central Art Supply para a DaVinci desde o anúncio de que o negócio fecharia, em julho. "Eles eram famosos pelos papéis e nós estamos herdando essa demanda", afirmou Bieri. "Acho que a nossa ênfase agora será destacar que somos uma loja independente".
Steinberg acredita que ainda há futuro para as lojas independentes de arte. “Se alguém quiser investir em uma pequena operação especializada, acho que pode dar certo. No nosso caso, tivemos muitos problemas para fazer isso acontecer."
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Texto de Rain Embuscado originalmente publicado no site "Artnet" (www.artnet.com) | 29/08/16.
Foto: "Google Maps".
Tradução: Everaldo Fioravante.

A feiura das cidades brasileiras resulta de uma equação estética e moral

Constroem estádios e deixam de lado o saneamento. Mutilam árvores para proteger fiações. Alargam avenidas, criam faixas de ônibus ou as simpáticas ciclovias, sacrificando sempre o diminuto espaço destinado aos pedestres. +

A reação imediata do ministro dos Esportes Leonardo Picciani à notícia do assalto dos nadadores norte-americanos caiu no esquecimento porque o papelão farsesco das "vítimas", que tão bem fez à autoestima brasileira e ao lema "ordem e progresso", logo se revelaria. Para o esperto e volúvel deputado carioca (líder de Dilma e aliado de Temer), Ryan Lochte e seus parceiros de piscina teriam sido atacados por estarem em local impróprio. Eles retornavam da Lagoa Rodrigo de Freitas para a Vila dos Atletas.
Impróprio?
Governantes brasileiros "sempre sonharam em eliminar as ruas", ressalta o também norte-americano Benjamin Moser, biógrafo de Clarice Lispector e tradutor de suas obras, no pequeno livro de ensaios "Autoimperialismo".
No desfile ao som de "Garota de Ipanema", na abertura da Olimpíada, a modelo Gisele Bündchen flutua por uma superfície celestial, infinita, intangível, não por uma calçada de pedras portuguesas.
Para Moser, o medo das ruas da antiga capital do Brasil, suas surpresas e suas distrações, explica a criação de Brasília, cidade cartesiana e cercada por um cordão sanitário que arremessa a população pobre para distantes e esquecidas concentrações satélites.
O ensaísta é bastante severo com o ícone da arquitetura brasileira, Oscar Niemeyer e sua vocação totalitária ("nunca conseguiu dizer não a um tirano", "era oficialmente de esquerda, mas sua admiração por ditaduras militares não diferia da afeição que lhes dispensava a direita"), e percebe "olhares estrangeiros são importantes" o que a paisagem de Brasília, onde "é preciso pegar um táxi para atravessar a rua", muito além do vazio que aparentemente se contempla, tem de claustrofóbico e inóspito.
O que torna o Rio de Janeiro uma cidade bonita e interessante, apesar do "apartheid" social, da poluição das águas, da Barra da Tijuca e da temperatura hostil, é a generosidade de suas calçadas. Por alguma razão e em certa medida, o Rio de Janeiro tem resistido ao instinto destruidor dos governantes. Outras cidades sucumbem.
A feiura profunda das cidades brasileiras é resultante de uma equação estética e moral. Constroem estádios e deixam de lado o saneamento. Mutilam árvores para proteger fiações. Alargam avenidas, criam faixas de ônibus ou as simpáticas ciclovias, sacrificando sempre o diminuto espaço destinado aos pedestres.
Passeios públicos são esburacados, sujos e repelentes porque shoppings centers, também opressivos, já cumprem a função de oferecer corredores privatizados, climatizados, pacificados, vigiados e repletos de ofertas de consumo.
A estranha pintura de estreitas faixas verdes sobre o asfalto na cidade de São Paulo, para "atenuar" o desconforto de pedestres apertados, sintetiza a concepção mesquinha e caricatural das autoridades: tinta em vez de sombra, locais de passagem e não de permanência, ruas como sinal de alerta e perigo.
Iniciada a corrida eleitoral para as prefeituras, não há planos para a mais singela de todas as questões da mobilidade urbana: ampliar e recuperar calçadas. E se aparecerem, permanecerão no papel. Os candidatos sabem que os eleitores são motoristas, não cidadãos.
A ausência de bom gosto e de beleza parece irreversível.
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Coluna de Luís Francisco Carvalho Filho originalmente publicada no jornal "Folha de S. Paulo" | 27/08/16.

Ascensão e queda da cena de arte do Qatar

Ex-funcionário do Qatar Museums fala sobre o assunto. Segundo ele, com a queda do preço do petróleo, a festa acabou. +

Em um detalhado relato no site Quartz, Mikolai Napieralski, ex-funcionário do Qatar Museums, detalha a ascensão e queda da cena de arte no Qatar, abordando as forças financeiras e culturais por trás das aquisições milionárias de obras e o ritmo alucinante de construção de museus.
O início das grandes aquisições ocorre em meados dos anos 2000. A família real tinha dinheiro suficiente para contratar os serviços do renomado arquiteto I.M. Pei para projetar o Museum of Islamic Art e também para realizar mostras de artistas como Damien Hirst, Takashi Murakami,Richard Serra e Louise Bourgeois.
A família real é tida como a compradora de "The Card Players", de Paul Cezanne, por US$ 250 milhões, em 2012, e de "When Will You Marry", de Paul Gauguin, por US$ 300 milhões, em 2015. São dois dos mais valiosos negócios de arte da história, embora as obras nunca tenham sido exibidas naquele país.
Mas esse impulso à arte moderna e contemporânea enfrentou obstáculos em um país de cultura extremamente conservadora. Por exemplo, "Coup de Tête" (2012), de Adel Abdessemed, escultura representando a famosa cabeçada de Zinedine Zidane em Materazzi na final da Copa de 2006, gerou indignação e foi considerada anti-islâmica por camadas conservadoras da sociedade. Não é difícil imaginar os desafios para finalizar o National Museum of Qatar, projetado por Jean Nouvel, com orçamento de US$ 434 milhões, agora já em fase de detalhes.
Até agora, no entanto, foram poucos os que escreveram sobre os bastidores da cultura do Qatar. Mikolai Napieralski escreve sobre a série de estrangeiros que mudaram para o Oriente Médio para trabalhar no Qatar Museum Authority (QMA) e com a família do emir (Sheikha Al Mayassa e Hamad bin Khalifa Al Thani, filha dele), isso só para poucos anos depois sair de fininho. Entre eles, Roger Mandle, ex-presidente da Rhode Island School of Design, Edward Dolman, CEO da Christie’s, e Jean-Paul Engelen, especialista em arte contemporânea da Christie’s.
Em 2006, fui designada para escrever sobre o QMA para o site "Artnet" e me juntei à multidão de ao menos 150 repórteres, curadores e outras figuras do mundo das artes convidados para um almoço recepcionado por Marie-Josée Kravis, à época membro do conselho do QMA e presidente do MoMA. O almoço foi no átrio do MoMa, com a presença da Sheikha. Roger Mandle foi anunciado como diretor-executivo do QMA e Jean Nouvel desajeitadamente apresentou um slide show com o projeto para o National Museum of Qatar.
Sobre cenas de choques culturais que seriam familiares a qualquer um que tenha lido o hilário romance "A Hologram For The King", de Dave Eggers, no qual norte-americanos vão ao Oriente Médio com novas ideias de negócios, Napieralski diz:
"No Catar, há coisas fundamentais. Diferenças de opinião devem ser enquadradas nos termos mais diplomáticos. Os horários de atendimento tendem a não ser rígidos. Os compromissos podem ser completamente ignorados, com pouco mais de um "Inshallah", frase comum em toda a região, que se traduz como 'Se Deus quiser'. Junte isto a uma tensão constante e o não conhecimento sobre quem realmente está no comando (os ocidentais foram contratados para tocar os projetos ou os profissionais do Qatar os estão treinando?)".
Napieralski também descreve como a exploração do trabalho de imigrantes, com salário de US$ 11 por dia, exacerbou as coisas: "A equipe ocidental, como curadores, conservadores e pesquisadores sabiam disso. Mas quando você está vivendo em um hotel cinco estrelas, é levado para conferências ao redor do mundo e recebe um salário de US$ 5 mil por algumas noites no exterior, é fácil esquecer a injustiça enfrentada pelos outros. Eu também era culpado. Todos éramos. Por fim, os estrangeiros aliviavam sua culpa com generosas dicas para o pessoal de serviço e uma forte dependência de álcool. Coquetéis de US$ 25 no W Hotel eram uma excelente maneira de esquecer que você estava no meio do deserto, cercado por disparidades de riqueza e de abusos flagrantes de trabalho. Quando a bebida não adiantava, as pessoas simplesmente estouravam, eram presas, demitidas e deportadas."
A queda final, segundo Napieralski, foi a queda do preço do petróleo. " A rápida ascensão do Qatar, do regionalismo para os negócios internacionais de arte, se deu pelas enormes reservas de petróleo e gás natural. Era 70% da receita do país. Fez da região um dos locais mais ricos do mundo. No entanto, a economia era extremamente suscetível à queda do preço do petróleo. No início de 2014, o barril girava em torno de US$ 110, preço médio que permaneceu por vários anos. Mas no fim daquele ano, despencou para US$ 50. No fim de 2015, já estava em US$ 28. O crescimento da produção fora do Qatar levou a essa situação. Para o Qatar Museums, isso significa que a festa acabou."
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Fonte: texto de Eileen Kinsella originalmente publicado no site Artnet (www.artnet.com) | 25/08/16.
Na foto, o Museum of Islamic Art.

Top 100 dos maiores colecionadores do mundo do portal Artnet

O empresário da mineração Bernardo Paz e o banqueiro José Olympio Pereira são os dois únicos brasileiros da lista. +

O portal de arte “Artnet” publicou seu ranking anual com os 100 maiores colecionadores do mundo. O empresário da mineração Bernardo Paz (Instituto Inhotim) e o banqueiro José Olympio Pereira (presidente no Brasil do banco de investimentos Credit Suisse) são os dois únicos brasileiros da lista.
Segue a lista completa em ordem alfabética por sobrenome.

1. Roman Abramovich e Dasha Zhukova (Rússia) - Na foto acima.
2. Paul Allen (EUA) NOVO
3. Mukesh e Nita Ambani (Índia) NOVO
4. Robbie Antonio (Filipinas)
5. Hélène e Bernard Arnault (França)
6. Bill e Maria Bell (EUA)
7. Peter Benedek (EUA)
8. Lawrence Benenson (EUA) NOVO
9. Debra e Leon Black (EUA)
10. Christian e Karen Boros (Alemanha)
11. Irma e Norman Braman (EUA)
12. Peter Brant (EUA)
13. Eli e Edythe Broad (EUA)
14. Frieder Burda (Alemanha)
15. Richard Chang (EUA)
16. Pierre T.M. Chen (Taiwan)
17. Adrian Cheng (China)
18. Patricia Phelps de Cisneros (Venezuela e República Dominicana)
19. Steve Cohen (EUA)
20. Rosa e Carlos de la Cruz (EUA)
21. Theo Danjuma (Nigéria) NOVO
22. Dimitris Daskalopoulos (Grécia)
23. Leonard DiCaprio (EUA) NOVO
24. Zoë e Joel Dictrow (EUA)
25. George Economou (Grécia)
26. Alan Faena (Argentina)
27. Harald Falckenberg (Alemanha)
28. Howard e Patricia Farber (EUA)
29. Désiré Feuerle (Alemanha) NOVO
30. Larry e Marilyn Fields (EUA)
31. Amanda e Glenn Fuhrman (EUA)
32. David e Danielle Ganek (EUA)
33. Ingvild Goetz (Alemanha)
34. Ken Griffin (EUA)
35. Agnes Gund (EUA)
36. Steve e Kathy Guttman (EUA)
37. Andrew e Christine Hall (EUA)
38. Marieluise Hessel Artzt (EUA)
39. Henk e Victoria de Heus-Zomer (Holanda)
40. Janine e J. Tomilson Hill III (EUA)
41. Venke e Rolf Hoff (Noruega)
42. Maja Hoffmann (Suíça)
43. Michael e Susan Hort (EUA)
44. Guillaume Houzé (França)
45. Hikonobu Ise (Japan) NOVO
46. Wang Jianlin (China)
47. Dakis Joannou (Grécia)
48. Elisabeth e Panos Karpidas (EUA) NOVO
49. Kim Chang-il (Coreia)
50. Alan Lau (China)
51. Joseph Lau (China)
52. Aaron e Barbara Levine (EUA)
53. Adam Lindemann (EUA)
54. Eugenio Lopez (México)
55. Michael Lynne (EUA)
56. Yusaku Maezawa (Japão)
57. Fatima e Eskandar Maleki (Reino Unido)
58. Martin Margulies (EUA)
59. Peter Marino (EUA)
60. Donald Marron (EUA)
61. Raymond J. McGuire (EUA)
62. Leonid Mikhelson (Rússia)
63. Simon e Catriona Mordant (Austrália)
64. Arif Naqvi (Reino Unido)
65. Philip Niarchos (Grécia)
66. François Odermatt (Canadá)
67. Bernardo de Mello Paz (Brasil)
68. José Olympio da Veiga Pereira (Brasil)
69. Jorge Perez (EUA) NOVO
70. Catherine Petitgas (Reino Unido)
71. François Pinault (França)
72. Janelle and Alden Pinnell (EUA)
73. Ron e Ann Pizzuti (EUA)
74. Miuccia Prada (Itália)
75. Howard e Cindy Rachofsky (EUA)
76. Mitchell e Emily Rales (EUA)
77. David Roberts (Reino Unido)
78. The Rubell Family (EUA)
79. Dmitry Rybolovlev (Rússia)
80. Tony Salamé (Líbano)
81. Patrizia Sandretto (Itália)
82. Nadia e Rajeeb Samdani (Bangladesh) NOVO
83. Laurence e Patrick Seguin (França) NOVO
84. Alain Servais (Bélgica)
85. Yemisi Shyllon (Nigéria) NOVO
86. Julia Stoschek (Alemanha)
87. Budi Tek (Indonésia)
88. Sheikha Al-Mayassa bint Hamad bin Khalifa Al-Thani (Qatar) NOVO
89. Steve Tisch (EUA) NOVO
90. Francesca von Habsburg (Áustria)
91. Alice Walton (EUA)
92. Derek and Christen Wilson (EUA) NOVO
93. Robert and Nicky Wilson (Reino Unido)
94. Elaine Wynn (EUA)
95. Lu Xun (China)
96. Liu Yiqian e Wang Wei (China)
97. Anita e Poju Zabludowicz (Reino Unido)
98. Jochen Zeitz (África do Sul)
99. Qiao Zhibing (China)
100. Jeremy Zimmer (EUA) NOVO