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O fim do termo curadoria

Organizador, diretor e agente são palavras agora utilizadas no lugar do esgotado termo curador. +

Após anos de curadoria de meias, queijos e livros, há certas partes do mundo da arte que começam a se distanciar do termo? Quem que ser curador? Ninguém, ao que me parece. Ao menos, ninguém mais. “Curador” é um termo que vem sendo utilizado por muitos, tanto no mundo da arte quanto além. Uma cisma sutil está em curso, liderada por pessoas atraídas pelo uso de palavras alternativas. Além disso, há exposições sem curadores e qualquer um agora pode ser associado ao termo.
Na Collezione Maramotti, em Reggio Emilia, na Itália, a exposição de pintura abstrata “Figurative Geometry” tem “organização” de Bob Nickas. “Organizar” exposições foi o que fez Kenneth Clark na época da Segunda Guerra, entre elas uma influente mostra de arte italiana realizada na Royal Academy de Londres em 1930, “coorganizada” por Clark e David Lindsay. Passadas décadas, mais uma vez o termo está em voga.
Duas recentes exposições, com obras de Jannis Kounellis e Dóra Maurer, foram “organizadas” na White Cube Masons Yard, respectivamente por Mathieu Paris e Katharine Kostyál.
A “realizadora de exposições” Judith Clark é responsável por “The Vulgar”, em cartaz no Barbican Centre, em Londres. A mostra foi realizada a partir de anos de pesquisa acadêmica, sem falar da talentosa cenografia, mas aparentemente, Judith não se identificaria como “curadora”.
Jens Hoffmann também vem empregando há tempos o termo “realizador de exposições”.
Em “Animality”, uma grande exploração sobre os animais terrestres, do mar e voadores, na Marian Goodman Gallery, Hoffmann se autointitulou simplesmente autor, com o uso do termo “by” (de). Na exposição “Live In Your Head: When Attitude Becomes Form”, em 1969, Harald Szeemann descreveu seu trabalho como “directed by” (dirigido por). Ou seja: a cisma com o termo “curadoria” não é de hoje.
Em março deste ano, o comediante britânico Stewart Lee obteve novos níveis no campo da curadoria, depois que a revista satírica “Private Eye” o descreveu como "curador" de um festival de música. A resposta de Lee no “Observer” foi: "curadoria internacional de curadores", da qual ele seria o "curador interino".
Já faz dois anos que David Balzer publicou “Curationism”, livro que anuncia a abertura da temporada de proliferação de “curadores”, termo lisongeiro para a pessoa “que escolhe coisas”. Balzer dá início à sua pesquisa com uma entrevista com Carolyn Christov-Bakargiev, tendo notado a escolha dela pelo termo “agente”, em vez de “curadora”, na Documenta 13, em 2012.
Segundo Christov-Bakargiev, o uso dos termos “curador” e “curadoria” seria “uma questão sociológica, não de arte”, mas mesmo assim, três anos depois, ela continuou explorando novas terminologias na Bienal de Istambul, “esboçada” por ela junto a uma série de “alianças”.
Há até desconfianças de instituições em relação à mudança na terminologia: a White Cube recusou-se educadamente a dar comentários sobre o assunto para este artigo.
Já os artistas Sebastian Jefford e Rebecca Ackroyd, organizadores da exposição “Modest Villa Immense Versailles”, na galeria Kinman, em Londres, no início deste ano, disseram que o termo “curadoria” não seria apropriado para eles. “Não nos consideramos curadores”, explicou Rebecca. “Não porque tenhamos problemas com o termo e mais porque vimos a mostra como um campo de testes para explorar idéias dos nossos próprios trabalhos e de outros artistas que selecionamos”.
É difícil não sentir que este recente desejo de esclarecer ou reavaliar o que significa ser curador é uma resposta à adoção promíscua do termo fora do mundo da arte.
Preconceitos à parte, a utilização do termo “curadoria” em diferentes campos marca esgotamento de nosso vocabulário. Se as bibliotecas são “curadas”, o que ocorre com os bibliotecários? Se os festivais musicais são “curados”, o que ocorre com os programadores?
O termo, enfim, mudou para designar um tipo de especialista não especialista. Então, se o termo mudou, o uso também não deveria mudar?
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Texto opinativo de Hettie Judah originalmente publicado, em inglês, no site “Artnet” (www.artnet.com) | 15/11/16.
Na foto, Hans Ulrich Obrist e seu livro “Ways Of Curating” (2014). Crédito: Craig Barritt / Getty Images.

Damien Hirst ocupará Palazzo Grassi e a Punta Della Dogona na Bienal de Veneza

Na edição de 2017 da Bienal, o artista britânico apresentará trabalhos históricos, recentes e inéditos, entre eles um trabalho que ele vem produzindo há dez anos. A mostra ocorre na Coleção Pinault, com abertura marcada para 09/04/17. +

Quando o mundo das artes baixar em peso na Itália para a Bienal de Veneza de 2017, um dos eventos paralelos imperdíveis da cidade deve ser a exposição de Damien Hirst na Coleção Pinault, com abertura marcada para 09/04/17.
Sem detalhes disponíveis até agora, ela promete mostrar o mais recente trabalho do artista, que ele vem produzindo ao longo dos dez últimos anos, de acordo com um comunicado à imprensa.
A exposição vai ocupar os dois edifícios da Coleção Pinault em Veneza (Palazzo Grassi e Punta Della Dogona). Será a primeira vez que um artista ocupará os dois espaços simultaneamente.
A exibição é a próxima da série de individuais na instituição, que já contou com Urs Fischer (2012), Rudolf Stingel (2013), Martial Raysse (2015) e Sigmar Polke (2016). Elena Geuna foi a curadora de todas elas e será também da de Hirst.
Será a primeira exposição de Hirst na Itália desde a retrospectiva de 2004 na Coleção Pinault. Em 2006, a obra “Aonde Nós Estamos Indo? De Onde Nós Viemos? Existe uma Razão?” (2000-2004), uma caixa de aço e visor de vidro cheio de esqueletos de animais, participou da mostra inaugural do Palazzo Grazzi.
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Texto de Sarah Cascone originalmente publicado, em inglês, no site do site "Artnet" (www.artnet.com) | 13/10/16.

Doação de venezuelana criará instituto latino-americano de arte no MoMA

Patricia Phelps de Cisneros doou 142 obras ao museu de Nova York, além de fundos para a criação do Instituto de Investigação para Arte Latino-Americana, que funcionará no MoMA de forma permanente. +

A colecionadora Patricia Phelps de Cisneros anunciou nesta segunda (17) a doação de 102 obras ao MoMA (Museu de Arte Moderna) de Nova York, das quais 64 são de artistas brasileiros. Elas se juntam a um lote de 40 peças já em posse do museu.
As 142 obras concentram-se em um recorte específico: o abstracionismo geométrico latino dos anos 1930 a 1960 de quatro países –Uruguai, Argentina, Brasil e Venezuela, terra natal da colecionadora.
Vêm de lá, aliás, os artistas com maior representação na doação: Alejandro Otero (1921-1990), com 23 obras, e Gego (1912-1994), com 16 obras. Em seguida, com 13 obras, vem o brasileiro Hércules Barsotti (1914 -2010). Com conjuntos significativos também aparecem Lygia Clark (1920-1988) e Hélio Oiticica (1937-1980), cada um com nove trabalhos.
O valor das obras não foi informado —segundo Gabriel Pérez-Barreiro, diretor da Fundação Cisneros, que cuida da coleção, porque "a maior parte das obras foi comprada quando elas não tinham alto valor de mercado". Observando-se só o conjunto brasileiro, é possível estimar que a doação não saiu por menos de R$ 100 milhões.
Após a aquisição da Coleção Adolpho Leirner, de arte construtiva brasileira, pelo Museu de Belas Artes de Houston, em 2007, é o aporte mais significativo de arte latino-americana a uma instituição dos EUA. "A diferença é que, no MoMA, ela será exposta ao lado dos grandes nomes da história da arte e não ficará restrita ao gueto latino", afirma Pérez-Barreiro.
Junto com as obras, a colecionadora doou ao museu fundos para a criação do Instituto de Investigação para Arte Latino-Americana, que funcionará no MoMA de forma permanente.
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Texto de Fabio Cypriano publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo | 17/10/16

Confira os 10 lotes que quebraram recordes nos leilões recentes de Nova York

Em uma semana repleta de leilões, conheça os artistas que bateram seus recordes, Mira Schendel entre eles. +

A atmosfera em torno dos leilões de novembro em Nova York foi agitada, especialmente após o resultado das eleições presidenciais do país. Mas, apesar das incertezas, um grupo de compradores internacionais e lotes de alta qualidade foram o suficiente para impulsionar diversos registros de novos recordes ao longo da semana. Veja 10 lotes que estabeleceram novos recordes a artistas:

01. “Meule” (1891), de Claude Monet. Na imagem acima, detalhe da obra.
A tela impressionista foi vendida por US$ 81,4 milhões na Christie’s.

02. “Untitled XXV” (1977), de Willem de Kooning
Já faz uma década que ela foi coroada como a tela mais cara do pós-guerra já vendida em leilão. Agora, a reverenciada pintura expressionista abstrata alcançou US$ 66,3 milhões na Christie’s.

03. “Les Grandes Artères” (1961), de Jean Dubuffet
A tela, da série “Paris Circus”, foi vendida por US$ 24,8 milhões na Christie’s.

04. “Rigide et Courbe” (1934), de Wassily Kandinsky
A Christie’s se referiu à tela como “A pintura mais importante do período de Kandinsky em Paris que apareceu no mercado”. Os compradores devem ter escutado, já que a pintura foi vendida por US$ 23,3 milhões na Christie’s.

05. “Nice ‘n Easy” (1999), de John Currin
A pintura é um clássico de Currin e por isso não é nenhuma surpresa que a tela tenha atingido US$ 12 milhões na Christie’s.

06. “Woldgate Woods, 24, 25, and 26 October 2006” (2006), de David Hockney
O artista britânico de 79 anos ainda está batendo recordes; esta tela foi vendida por US$ 11,7 milhões na Sotheby’s.

07. “Crosby’s Drown” (2012), de Njideka Akunyili
Em setembro, uma obra de Crosby foi arrematada na Sotheby’s por US$ 93.750 dólares, ultrapassando sua estimativa inicial entre US$ 18 e US$ 25 mil. Agora, esta tela de 2011 da nova estrela de leilões nascida na Nigéria chegou a US$ 1 milhão na Sotheby’s.

08. “Cerulean” (1965), de Carmen Herrera
Sem dúvida foi um grande êxito para a artista cubana. A tela foi vendida por US$ 970 mil na Phillips.

09. “Sem título” (1985), de Mira Schendel
Mira foi a segunda artista latino-americana a quebrar um recorde nos leilões desta semana. A tela foi vendida por US$ 970 mil no leilão de arte contemporânea da Phillips.

10. “Untitled” (2014), de Harold Ancart
O artista belga trabalha em todo tipo de suporte. Esse tríptico alcançou US$ 751.500 na Christie’s.

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Texto originalmente publicado no site “Touch of Class” (www.touchofclass.com.br) | 23/11/16.

Paris ganhará escultura de presente de Jeff Koons

“Bouquet de Tulipas” deve ser instalada em 2017 na Place de Tokyo. +

O artista norte-americano Jeff Koons doou uma obra de arte para a cidade de Paris e o povo da França como um símbolo de amizade, 130 anos depois que a França deu aos Estados Unidos a Estátua da Liberdade.
Em reconhecimento à longa aliança franco-americana, Koons criou um grande trabalho escultórico intitulado “Bouquet de Tulipas”.
De acordo com Koons, o trabalho foi criado como um símbolo de recordação, cura e otimismo após os terríveis acontecimentos em Paris há um ano.
Anne Hidalgo, Presidente da Câmara de Paris, disse que o trabalho monumental simboliza generosidade e partilha, mostrando a conexão inalterável entre o Paris e os EUA.
“A capital da França terá o prazer de saudar o trabalho icônico ‘Bouquet de Tulipas’, que se destina a tornar-se parte da herança de Paris, como a Estátua da Liberdade é parte da herança de Nova York”, disse Anne.
A ideia de criar um símbolo de amizade entre o povo norte-americano e francês é originado a partir de uma discussão entre Jeff Koons e Jane D. Hartley, embaixadora dos Estados Unidos da América para a França e Mônaco.
Descrevendo o trabalho, Koons disse: “‘Bouquet de Tulipas’ tem referências à mão da Estátua da Liberdade segurando a tocha. Eu queria fazer um gesto de amizade entre os povos dos Estados Unidos e da França”.
O trabalho também tem um diálogo com o “Bouquet da Amizade” de Pablo Picasso e sua escultura “Mulher com Vaso”. Você também pode olhar para a escultura e pensar nas flores impressionistas de Monet ou as flores Rococó de François Boucher ou Jean-Honoré Fragonard.
“As flores estão associadas universalmente com otimismo, o renascimento, a vitalidade da natureza e o ciclo de vida. Elas são um símbolo que a vida vai para a frente”.
“Bouquet de Tulipas” está programada para ser instalada em 2017 na Place de Tokyo, em frente ao Museu de Arte Moderna e do Palais de Tokyo.
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Texto originalmente publicado no site “Dasartes” (http://dasartes.com.br) | 24/11/16.

Projeto de Spencer Tunick no Reino Unido reúne 3.200 pessoas nuas

O evento, na cidade de Hull, foi um lembrete sobre os efeitos causados pelas mudanças climáticas. +

Dia 09/07/16, no comecinho da manhã, o centro da cidade de Hull, no Reino Unido, ficou repleto com 3.200 pessoas nuas, parte do mais recente projeto do artista norte-americano Spencer Tunick.
A partir das 3h da manhã, os participantes tiraram as roupas e ajudaram uns aos outros a pintar seus corpos com diferentes tons de azul. Tunick escolheu os tons da coleção da Ferens Art Gallery e as tintas corporais foram especialmente criadas para combinar com eles, segundo informações do “The Guardian”.
O projeto foi promovido pela Ferens para a celebração de Hull como UK City of Culture (cidade da cultura do Reino Unido). Além disso, foi um lembrete sobre os efeitos causados pelas mudanças climáticas. As pessoas inundando as ruas de Hull representaram a cultura da cidade, mas também o aumento preocupante do nível do mar.
Tunick, conhecido pelas grandes instalações com multidões de pessoas nuas, ficou muito satisfeito com o resultado do projeto. Ele precisava de entre 2 mil e 3 mil pessoas, mas incríveis 3.200 pessoas (não pagas) compareceram para serem fotografadas. O artista considerou o projeto como um dos melhores realizados por ele no Reino Unido.
As ruas do Centro de Hull foram fechadas entre a meia-noite e as 10h da manhã para assim garantir a realização do projeto. Pessoas de diferentes portes físicos e profissões marcaram presença. Surpreendentemente, várias pessoas com muletas e cadeiras de rodas participaram. O colecionador Stéphane Janssen, de 80 anos, também foi. Ele já havia posado para diversas fotos de Tunick.
A nudez inicialmente era intimidadora, mas a maioria dos participantes se familiarizou com a ideia de forma relativamente rápida. Embora tenha contado com 3.200 corpos nus, as pessoas comentaram sobre a atmosfera surpreendentemente não sexual do projeto. Ao contrário: a nudez em massa produziu um senso de igualdade.
As imagens resultantes do projeto “Sea of Hull” (mar de Hull) serão exibidas na recém-renovada Ferens Art Gallery, em 2017, e serão compradas para a coleção permanente da instituição.
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Texto de Carol Civre originalmente publicado, em inglês, no site “Artnet” (awww.artnet.com) | 11/07/16.
Na foto, Spencer Tunick cumprimenta o colecionador Stephane Janssen. Crédito: Jon Super / AFP.
Tradução: Everaldo Fioravante.

Haverá um falsificador genial à solta no mundo da arte?

A Sotheby’s devolveu 9,4 milhões de euros ao comprador de um retrato de Frans Hals. Motivo? Era falso. Estaremos perante “o melhor falsificador de todos os tempos” e o maior escândalo dos últimos cem anos? +

O mercado da pintura antiga tem sido agitado nos últimos meses por uma série de episódios que envolvem obras falsas, ou pelo menos sob suspeita, de pintores como Parmigianino, Orazio Gentileschi, Lucas Cranach, o Velho (1472-1553), e Frans Hals. No caso destes dois últimos – "Venus com um Véu" e "Retrato de um Homem Desconhecido" – há um denominador comum: ambas pertenceram a Giulano Ruffini, identificado em junho pelo "Art Newspaper", publicação especializada em notícias do mundo da arte, como sendo um colecionador francês de 71 anos que diz ter vendido por muitos milhões de euros várias obras de grandes mestres a importantes casas de leilão em Londres, Nova Iorque, Paris e Milão. Obras que agora estão sob apertado escrutínio e que poderão dar origem a um enorme escândalo.
Quem será o falsário ou falsários capazes de executar pinturas que passam como verdadeiras aos olhos dos galeristas e dos peritos das casas de leilão, supostamente experientes? Será que grandes casas como a Sotheby’s e a Christie’s estão se desleixando na hora de avaliar o que propõem vender? Perguntas como estas estão sendo feitas nos bastidores e nas páginas de jornais e revistas e alimentando a imaginação dos que se habituaram a ler romances em que o mistério começa (e às vezes também acaba) numa obra de arte.
Um destes falsos, soube-se esta semana, foi comercializado pela Sotheby’s em 2011, numa venda privada. É o retrato de um homem desconhecido, considerado uma obra de Frans Hals (1582/1583-1666), um dos mais reputados pintores do chamado “Século de Ouro” holandês, ultrapassado apenas por Rembrandt e Vermeer.
A Sotheby’s, que agora veio a público assumir o erro na atribuição do retrato, devolveu há meses ao comprador o montante que este pagara por ele – 10,6 milhões de dólares – e é bem provável que processe o galerista que lhe repassou a obra.
Segundo o "Antiques Trade Gazette", semanário para quem negocia no mercado da arte, a Sotheby’s limitou-se a mediar a venda, que na realidade tinha como origem o galerista londrino Mark Weiss, que no passado se viu envolvido em outros escândalos midiatizados, mas que já teve na sua lista de clientes instituições tão importantes como a Tate Britain e o English Heritage. O comprador seria um americano cuja identidade não foi revelada.
Garante o semanário que, de momento, não há qualquer suspeita de que a casa de leilões ou o galerista soubessem de antemão que negociavam uma pintura falsa.
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Uma Vênus falsa
A autenticidade do retrato de Hals passou a ser uma preocupação para a Sotheby’s quando, em março, "Vênus com um Véu", de Lucas Cranach, o Velho, foi retirada de uma exposição em Aix-en-Provence no âmbito de uma investigação das autoridades francesas que a colocava num lote de obras que, muito provavelmente, tinham sido falsificadas usando as mais avançadas tecnologias. Esta obra do pintor alemão fora vendida em 2013 por 7 milhões de euros ao príncipe do Liechtenstein, João-Adão II, pela galeria londrina Colnaghi, e agora está sendo examinada pela equipe do Museu do Louvre, em Paris, segundo a revista britânica de economia "Money Week".
Perante o caso Cranach, o comprador do retrato holandês foi alertado. Depois, em conjunto, encomendaram uma “análise técnica de alta qualidade que demonstrou que a obra era uma falsificação”, explicaria mais tarde a Sotheby’s à "Antiques Trade Gazette". Esta “análise material”, forense, foi centrada, em boa parte, nos pigmentos usados e não deixou dúvidas. A aplicação de materiais modernos tornou evidente que a pintura não poderia ter sido feita no século XVII: “Continha materiais sintéticos que foram produzidos pela primeira vez no século XX”, lê-se ainda no referido comunicado.
Em 2011, quando a obra de Frans Hals foi vendida, fora feito um exame dendocronológico (método que permite determinar a idade do suporte com base nos padrões dos anéis da madeira nele usada) que não levantou quaisquer suspeitas quanto à antiguidade da obra. Ou seja, a madeira da pintura é antiga, mas os pigmentos com que foi executada (ou pelo menos alguns deles) não são.
Para o historiador de arte britânico Bendor Grosvenor, um especialista em pintura antiga, o caso deste falso retrato de Frans Hals é simplesmente “extraordinário”. E porquê? “O que é incrível é a qualidade e o fato de não ser uma cópia”, disse aos microfones da BBC Radio 4. “Ele (o falsário) conseguiu capturar a aura de Hals e ao mesmo tempo criar uma composição que é totalmente nova.” Se o retrato de Hals ou a pintura de Cranach são falsos, e Grosvenor acredita que é bem provável que o sejam, “estamos a lidar com o melhor falsificador de todos os tempos”.
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A proveniência é tudo
O retrato de Frans Hals e a "Vênus" de Cranach são apenas duas das pinturas que a polícia francesa poderá incluir num vasto lote de potenciais falsificações quando der por terminada a investigação. Um lote que fará parte de uma fraude que poderá ultrapassar os 220 milhões de euros e que inclui, por exemplo, uma pintura do italiano Orazio Gentileschi (1563-1639) que até já esteve exposta na National Gallery de Londres. Esta obra esteve também nas mãos do homem que tinha o retrato do pintor holandês – Mark Weiss.
O galerista Bob Haboldt, ouvido pela edição de domingo do tablóide britânico "Daily Mail", que fez eco da investigação do francês "Journal des Arts" a propósito da "Vênus" de Cranach, publicada em setembro, afirmou ser bem possível que a operação das autoridades de Paris venha a expor uma lista de falsos que pode chegar a 25 obras. “Este é o maior escândalo na arte dos últimos 100 anos”, disse Haboldt, que tem representações em Paris e Nova York, referindo-se a “falsificações altamente sofisticadas”.
O que este caso vem demonstrar, disse à agência de notícias "Bloomberg" Richard Feigen, um outro negociante de pintura antiga que trabalha a partir de Nova York, é que o grau de sofisticação dos falsários contemporâneos é cada vez maior, o que deve fazer com que as casas de leilão e os seus avaliadores sejam cada vez mais atentos e exigentes. “É um dos maiores escândalos de que me lembro”, acrescentou o galerista que tem loja aberta há 60 anos. “Não há nada de que me recorde a esta escala e com esta variedade de artistas.” O Cranach e o Gentileschi ("David Contemplando a Cabeça de Golias") foram-lhe oferecidos como possibilidade de negócio, mas Feigen, que em janeiro vendeu outra obra do pintor italiano por 30,5 milhões de dólares ao J. Paul Getty Museum, não chegou sequer a ter oportunidade de os avaliar.
Não será a primeira vez que o mundo se vê confrontado com um falsificador talentoso – basta pensar em Wolfgang Beltracchi e nas pinturas que fez e que passaram como originais de Max Ernst e foram parar à coleção do Museu Metropolitan, em Nova York –, mas o que estes episódios recentes vêm sublinhar é que, quando se trata de decidir o que fazer perante a possibilidade de comprar uma obra de arte, antiga ou não, “a proveniência é tudo”, escreveu recentemente o editor de arte da "BBC", Will Gompertz. Para que uma obra venha com garantia, é preciso saber quem foram os seus donos no passado e o que fizeram com ela no que à conservação e ao restauro diz respeito. “As falsificações são bem mais comuns do que muitos no mercado da arte estão dispostos a admitir em público.”
O galerista Bob Haboldt concorda: “É difícil identificar estas obras como falsas, mas a falta de informações credíveis quanto à sua proveniência e de referências (a elas) nas numerosas publicações sobre estes artistas deviam ter levantado suspeitas junto aos negociantes.”
Haboldt acredita que a lista das obras envolvidas no escândalo será revelada em breve. As autoridades francesas investigarão uma rede de falsários italiana, escreve o "Mail on Sunday", avançando com a possibilidade de o francês Giuliano Ruffini ser uma peça-chave em todo o esquema. É que o Hals e o Cranach não foram as únicas pinturas vendidas por ele, que continua a dizer ser apenas um colecionador, não um especialista. Ao "Art Newspaper" chegou mesmo a lembrar que não apresentara nenhuma das obras que vendeu como sendo verdadeira.
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Texto de Lucinda Canelas originalmente publicado no "Público", de Portugal, e reproduzido pelo UOL (www.uol.com.br) | 10/10/16.
Na foto, detalhe de retrato vendido como sendo de autoria de Frans Hals.

Top 100 dos mais poderosos do mundo da arte

O portal "Artnet" elencou os 100 nomes mais poderosos do mercado de arte: artistas, mecenas, curadores, diretores de museus, educadores e profissionais de leilões. Nenhum brasileiro integra a lista. +

Com a arte global em rápida expansão, o poder manifesta-se de diferentes formas: a criatividade, que rompe com os limites formais do passado, a influência que pode convencer os agentes culturais em apostas e a riqueza, que engraxa as engrenagens do sistema. Atualmente, o poder financeiro continua como a força dominante do mundo da arte.
Conforme declaração à Bloomberg em janeiro de Edward Dolman, CEO da Phillips (casa de leilões), o crescimento do mercado de arte continua acelerado mesmo em um cenário econômico global de crise. Ele e outros especialistas em leilões caracterizaram a recente queda nas vendas em leilões não como uma "correção", mas, de forma otimista, como "consolidação".
De onde vem então esse poder financeiro? Vem do aumento de pessoas com elevado patrimônio líquido na Ásia. Segundo a economista Clare McAndrew, os resultados compilados pelo site "Artnet" e pela associação de leiloeiros da China (CAA) explicam: "A Ásia é extremamente importante para o mercado de arte. Hoje é o maior centro de riqueza líquida no mundo."
O "Artnet" elencou os 100 nomes mais poderosos do mercado de arte: artistas, mecenas, curadores, diretores de museus, educadores e profissionais de leilões. Nota do Mapa das Artes: nenhum brasileiro integra os Top 100.
Os nomes em questão apresentam uma propensão ao pensamento inovador em suas respectivas áreas de trabalho. As pessoas da seleção abaixo figuram entre as principais peças de um jogo mundial cada vez mais integrado.

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Top 100

Classificação / Indivíduo
Nacionalidade / Categoria
Sinopse

1. Marina Abramović (na foto acima)
EUA / Artista
Mesmo com status de celebridade, recentemente foi acusada de racismo contra aborígenes australianos por conta de um excerto de seu livro de memórias ainda não publicado.

2. Nita Ambani
Índia / Mecenas
Presidente da Reliance Foundation, que patrocina exposições no MET e no Art Institute de Chicago e tem planos de erguer um novo espaço de arte em Mumbai.

3. Richard Armstrong
EUA / Diretor de museu
Está expandindo a marca Guggenheim com novas unidades do museu em Helsinki e Abu Dhabi.

4. Bernard Arnault
França / Mecenas
CEO da LVHM (Moët Hennessy Louis Vuitton) e fundador da Fondation Louis Vuitton, em Paris, com prédio projetado por Frank Gehry.

5. Patricia Barbizet
França / CEO de casa de leilões - mulher de negócios
Primeira mulher CEO da Christie’s.

6. Christopher Bedford
Reino Unido / Diretor de museu
Ex-diretor do Rose Art Museum, diretor do Baltimore Museum of Art e curador do pavilhão norte-americano da Bienal de Veneza de 2017.

7. Leon Black
EUA / Mecenas
Dono da Apollo Global Management, Phaidon Books e Artspace, o colecionador é o "secreto" comprador da escultura "Busto de uma Mulher" (1931), de Pablo Picasso, pela qual pagou a Larry Gagosian US$ 106 milhões.

8. Tim Blum e Jeff Poe
EUA / Galeristas
Galeristas líderes da costa Oeste norte-americana, com espaços em Los Angeles, Nova York e Tokyo.

9. Mark Bradford
EUA / Artista
Representante dos EUA na Bienal de Veneza de 2017, é fundador do Art + Practice, fundação de arte e educação, de fomento à juventude, no Leimert Park, em Los Angeles.

10. Peter Brant
EUA / Mecenas
O megacolecionador e fundador da Brant Foundation recentemente esteve nas manchetes pela consolidação de seu império editorial: comprou as revistas "ArtNews", "Art in America" e "Interview".

11. Eli e Edythe Broad
EUA / Mecenas
Maiores colecionadores de Los Angeles, recentemente abriram o Broad Museum, orçado em US$ 140 milhões.

12. Amy Cappellazzo
EUA / Leiloeira e assessora de arte privada
A lendária assessora de arte levou a Sotheby’s a desembolsar US$ 50 milhões pela Art Agency Partners (da qual é fundadora), negócio que ainda hoje intriga os especialistas em leilões.

13. Patricia Phelps de Cisneros
Venezuela / Mecenas
A colecionadora venezuelana-americana é conhecida pela significante coleção de arte latino-americana, assim como pela influência sobre comitês de aquisição de grandes museus internacionais.

14. Adrian Cheng
China / Mecenas
Cérebro e músculos por trás do shopping de arte K11, ele apoia e promove a cena chinesa de arte contemporânea e integra o conselho do Public Art Fund.

15. Mario Cristiani, Lorenzo Fiaschi e Maurizio Rigillo
Itália / Galeristas
Trio por trás da Galleria Continua, com espaços em San Gimignano (Toscana), Les Moulins (perto de Paris), Pequim (China) e Havana (Cuba).

16. Simon de Pury
Suíça / Leiloeiro, assessor de arte e influenciador
Ex-CEO da Phillips de Pury (casa de leilões).

17. Leonardo DiCaprio
EUA / Mecenas e colecionador
O ator de Hollywood tem se transformado em um significante colecionador e regularmente realiza leilões em benefício da Leonardo DiCaprio Foundation (voltada ao meio ambiente).

18. Edward Dolman
Reino Unido / Diretor de casa de leilões
CEO da Phillips.

19. Chen Dongsheng
China / Mecenas
Fundador e presidente da China Guardian (segunda maior casa de leilões da China), casado com uma neta de Mao Tsé-Tung e CEO da seguradora chinesa Taikang, a companhia dele tem 13,5% da Sotheby’s, fazendo da empresa a maior acionista da casa de leilões.

20. Tom Eccles
Reino Unido / Educador
Diretor-executivo do Center for Curatorial Studies do Bard College desde 2005, Eccles influenciou centenas de artistas que hoje lotam museus ao redor do mundo.

21. Andrea Fraser
EUA / Artista
A influente performer é conhecida pela produção marcada pela crítica institucional.

22. Larry Gagosian
EUA / Galerista
Mais rico galerista do mundo, com seis espaços em diferentes países. Recentemente, pagou US$ 4,3 milhões para solucionar questões fiscais em Nova York.

23. Theaster Gates
EUA / Artista
Escultor, performer, acadêmico, urbanista e orador inspirador, Gates é atualmente o mais conhecido artista engajado.

24. Massimiliano Gioni
Itália / Curador
Diretor artístico do New Museum (Nova York) e diretor da Trussardi Foundation (Milão), foi o mais jovem diretor da Bienal de Veneza, em 2013.

25. Marc e Arne Glimcher
EUA / Galeristas
Pai e filho por trás da Pace Galleries, com cinco galerias ao redor do mundo. Têm presença importante na China e estão construindo um minimuseu no Chelsea, com abertura prevista para 2018.

26. Ingvild Goetz
Alemanha / Mecenas
Baseada em Munique, a colecionadora é fundadora do museu Sammlung-Goetz, especializado em novas mídias.

27. RoseLee Goldberg
África do Sul / Curadora
Historiadora da arte e fundadora da bienal Performa.

28. Thelma Golden
EUA / Diretora de museu
Diretora e curadora-chefe do Studio Museum, no Harlem.

29. Marian Goodman
EUA / Galerista
"Grande dama" entre as galeristas contemporâneas, tem espaços em Londres, Paris e Nova York.

30. Brett Gorvy
Reino Unido / Casa de leilões
Presidente e diretor internacional de arte pós-guerra e contemporânea da Christie’s.

31. Loic Gouzer
Suíça / Casa de leilões
Vice-presidente de arte pós-guerra e contemporânea da Christie’s e proponente de leilões híbridos da casa.

32. Michael Govan
EUA / Diretor de museu
Diretor do Los Angeles County Museum of Art e promotor da construção do novo LACMA.

33. Maja Hoffmann
Suíça / Mecenas
Presidente do Swiss Institute. Filantropa visionária e fundadora da Luma, fundação beneficente de apoio a artistas de diferentes áreas.

34. Sheikha Hoor Al-Qasimi
Emirados Árabes / Mecenas
Presidente e diretora da Sharjah Art Foundation e diretora da Sharjah Biennial.

35. Dakis Joannou
Grécia / Mecenas
Fundador da Deste Foundation e dono de um iate decorado por Jeff Koons.

36. Rashid Johnson
EUA / Artista
Vice-presidente da Performa, realizou uma excelente exposição na Hauser & Wirth (Nova York). É o segundo artista a integrar o conselho do Guggenheim Museum. A baronesa Hilla von Rebay (1890-1967), diretora fundadora do museu, foi a primeira.

37. Jay Jopling
Reino Unido / Galerista
Fundador do império de galerias White Cube, que tem espaços em Londres e Hong Kong.

38. Sean Kelly
EUA - Reino Unido / Galerista
Trabalha com artistas de renome como Marina Abramović e Robert Mapplethorpe.

39. Kasper König
Alemanha / Curador
Baseado em Berlim, é diretor artístico do Skulptur Projekte, em Münster, em 2017.

40. Jeff Koons
EUA / Artista
Mais caro artista vivo. "Balloon Dog (Orange)" foi vendido por US$ 58,4 milhões na Christie’s em 2013.

41. Anish Kapoor
Reino Unido / Artista
Maior escultor britânico. Kapoor gerou controvérsias recentemente por um trabalho semelhante à anatomia feminina e por adquirir o monopólio da nanopintura com Vantablack (substância mais negra conhecida, feita de nanotubos de carbono, absorve até 99,965% de radiação).

42. Udo Kittelmann
Alemanha / Diretor de museu
Diretor da Nationalgalerie, em Berlim, supervisiona seis museus, entre eles Alte Nationalgalerie e Hamburger Banhof.

43. José Kuri e Mónica Manzutto
México / Galeristas
Fundadores da Kurimanzutto, que começou sem endereço fixo e se tornou uma das principais galerias da América Latina.

44. Yayoi Kusama
Japão / Artista
Inventora das famosas pinturas com bolinhas em espelhos, é sensação no Instagram.

45. Marta Kuzma
EUA / Educadora
Reitora do Royal Institute of Art, na Suécia, foi a primeira mulher apontada como decana da prestigiosa Yale School of Art.

46. Dominique Levy
Suíça / Galerista
Potente força do mercado de leilões, a galerista tem espaços em Nova York, Londres e Genebra.

47. Nicholas Logsdail
Reino Unido / Galerista
Há quase 50 anos no mercado, tem galerias em Londres, Milão e Nova York.

48. Eugenio López
México / Mecenas
O colecionador fundou em 2013 o Museo Júmex, que hospeda a maior coleção privada de arte da América Latina.

49. Rick Lowe
EUA / Artista
Pensador original, inspirou colegas artistas como Mark Bradford e Theaster Gates.

50. Glenn D. Lowry
EUA/ Diretor de museu
Diretor do continuamente em expansão MoMA.

51. Christine Macel
França / Curador
Curador-chefe do Centre Pompidou e diretor artístico da Bienal de Veneza de 2017.

52. Yusaku Maezawa
Japão / Mecenas
Magnata da moda, gastou US$ 98 milhões em dois leilões consecutivos em maio, se tornando o "herói" dos pregões de Nova York do período.

53. Matthew Marks
EUA / Galerista
Principal galerista reponsável pela transformação do Chelsea em bairro de arte, Marks tem seis espaços entre Nova York e Los Angeles e cargas de arte de alta qualidade para preenchê-los.

54. Kerry James Marshall
EUA / Artista
O artista baseado em Chicago tem cerca de 70 grandes pinturas viajando ao redor dos EUA em mostra retrospectiva com estadias em museus como MCA Chicago, Met Breuer e MCA Los Angeles.

55. Leonid Mikhelson
Rússia / Mecenas
Homem mais rico da Rússia (US$ 14 bilhões) e fundador da V-A-C Foundation, está erguendo um museu projetado por Renzo Piano às margens do rio Moscou.

56. Robert Mnuchin
EUA / Galerista
Ex-operador da Goldman Sachs (grupo financeiro multinacional) e celebrado galerista de Nova York, ganhou reputação por realizar exposições impressionantes, como a recente de David Hammons.

57. Jose, Alberto e David Mugrabi
EUA / Galeristas
A família detém a maior coleção de pinturas de Warhol (cerca de cem) e toca negócios privados obscuros em leilões.

58. Alexandra Munroe
EUA / Curadora
Curadora sênior de arte asiática do Guggenheim, está no momento à frente de duas grandes exposições de arte chinesa.

59. David Nahmad
Líbano / Galerista
Cabeça da proeminente família bilionária de galeristas, vem sendo acusado de esconder valiosas pinturas de Modigliani originárias de galeristas judeus e confiscadas durante a Segunda Guerra.

60. Hans Ulrich Obrist
Suíça / Curador
Codiretor da Serpentine Galleries de Londres e codiretor da edição inaugural do Shanghai Project.

61. Trevor Paglen
EUA / Artista
Experimentado geógrafo e fotógrafo, Paglen fez visível o invisível documentando o estado de vigilância do século 21.

62. Emmanuel Perrotin
França / Galerista
Ajudou no lançamento das carreiras de Damien Hirst e Takashi Murikami. Tem espaços em Paris, Nova York e Hong Kong.

63. Francois Pinault
França / Mecenas
Fundador da Pinault Collection, o magnata do mercado de luxo e dono da Christie’s está em vias de abrir a “The Pinault Collection, Bourse de Commerce” em Les Halles, Paris.

64. Miuccia Prada e Patrizio Bertelli
Itália / Mecenas
Os designers de moda italianos, empreendedores e colecionadores são fundadores da Fondazione Prada, em Veneza e Milão.

65. Eva Presenhuber
Áustria / Galerista
A importante galeria de Zurique tem acervo com obras tanto de artistas estabilizados quanto de novos talentos.

66. Jussi Pylkkanen
Finlândia / Área de leilões
O leiloeiro da Christie’s disse à Forbes que vendeu US$ 3 bilhões de arte em um único ano.

67. Gerhard Richter
Alemanha / Artista
Considerado um gênio de sua geração.

68. Thaddaeus Ropac
Áustria / Galerista
Já chamado de “Príncipe de Paris”, o galerista tem espaços em Salzburg, Paris e Londres.

69. Aby Rosen
EUA / Mecenas
Magnata do mercado imobiliário de Nova York, é grande colecionador e tem forte presença em leilões.

70. Lorenzo Rudolf
Suíça / Diretor de feira de arte
Veterano das feiras, Rudolf foi diretor da Art Basel de 1991 a 2000, ajudando na expansão da feira para Miami em 2002. É fundador e presidente da Art Stage Singapore e da Art Stage Jakarta (a mulher dele, Maria Elena Rudolf, é vice-presidente da Art Stage Singapore).

71. Beatrix Ruf
Alemanha / Diretora de museu
Poderosa curadora e influenciadora, a diretora do Stedelijk Museum (Amsterdam) é reconhecida por ter impulsionado as carreiras de vários artistas conhecidos internacionalmente.

72. Don e Mera Rubell
EUA / Mecenas
Fundadores da The Rubell Foundation.

73. Nicholas Serota
Reino Unido / Diretor de museu
Cabeça dos quatro museus Tate por três décadas, recentemente anunciou que deixa o cargo para presidir o The Arts Council England.

74. Jack Shainman
EUA / Galerista
O galerista de Nova York encontrou um nicho global durável expondo artistas afro-americanos e africanos enquanto construía a gigante Kunsthalle.

75. Cindy Sherman
EUA / Artista
A fotógrafa já recebeu os mais importantes prêmios das artes.

76. Yemisi Shyllon
Nigéria / Mecenas
O príncipe Yorubá é o fundador da Omooba Yemisi Adedoyin Shyllon Art Foundation, que hospeda aquela que para muitos é a maior coleção de arte na África.

77. Victoria Siddall
Reino Unido / Diretora de feira de arte.
Diretora das feiras Frieze.

78. Stefan Simchowitz
África do Sul / Galerista e assessor
Assessor de publicidade, galerista e advogado de jovens artistas, é admirado por uns e odiado por outros.

79. Franklin Sirmans
EUA / Diretor de museu
Cabeça do Perez Art Museum (Miami), instituição para a qual especialistas e público esperam grandes realizações.

80. Tad Smith
EUA / Casa de leilões
Ex-CEO do Madison Square Garden virou o cabeça da Sotheby’s em 2015 para a surpresa de muitos galeristas.

81. Marc Spiegler
EUA / Diretor de feira de arte
Diretor da Art Basel, principal organizadora de feiras de arte do mundo.

82. Monika Sprüth e Philomene Magers
Alemanha / Galeristas
A dupla feminina abriu galerias em Colônia, Berlim, Londres e, mais recentemente, Los Angeles.

83. Hito Steyerl
Alemanha / Artista
Misto de artista e teórico, explora vigilância, militarização e, acima de tudo, a circulação de imagens no mundo pós-internet. Expôs recentemente no Reina Sofia (Madri) e no Moca (Los Angeles).

84. Adam Szymczyk
Polônia / Curador
Ex-Diretor e curador-chefe do Kunsthalle Basel, é diretor artístico da próxima Documenta, a 14ª edição do evento, que ocorrerá em Kassel (Alemanha) e Atenas (Grécia).

85. Budi Tek
China-Indonésia / Mecenas
Patrono e fundador do Yuz Museums, em Jacarta e Xangai.

86. Philip Tinari
EUA / Diretor de museu
Diretor do Ullens Center for Contemporary Art (UCCA), em Pequim.

87. Francesca von Habsburg
Áustria / Mecenas
Fundadora do Thyssen-Bornemisza Art Contemporary (TBA21), está organizando, entre outros projetos globais, o “Oceans Pavilion” da próxima Bienal de Veneza.

88. Sheena Wagstaff
Reino Unido / Diretora de museu
Chefe de arte moderna e contemporânea do Metropolitan Museum e cabeça do Met Breuer.

89. Kara Walker
EUA / Artista
Figura de destaque da Mason Gross School of the Arts (Rutgers University) e da MacArthur, é responsável por complexas discussões sobre raça.

90. Alice Walton
EUA / Mecenas
Mulher mais rica do mundo (US$ 33,2 bilhões), fundou o Crystal Bridges Museum of American Art em 2011. Recentemente, anunciou planos de construção de um novo museu de arte contemporânea na cidade-natal Bentonville, no Arkansas.

91. Adam Weinberg
EUA / Diretor de museu
Responsável por solidificar o Whitney Museum of American Art como o mais importante museu de arte contemporânea de Nova York.

92. Ai Weiwei
China / Artista
O “mais perigoso homem da China”, segundo a Smithsonian Magazine. Dedicou os últimos anos na Europa discutindo as crises de refugiados.

93. Iwan e Manuela Wirth
Suíça / Galeristas
O mais poderoso casal das artes do mundo tem galerias em Nova York, Londres, Zurique e Somerset. Também abriu um complexo de arte em Los Angeles, em parceria com Paul Schimmel.

94. Kelly Ying e David Chau
China / Mecenas
Chau lançou um fundo de investimento de US$ 32 milhões quando tinha apenas 21 anos e está por trás do Leo Xu Projects e do Antenna Space de Simon Wang. Kelly é cofundadora, com Chau, da Art021, nova feira de arte em Xangai.

95. Liu Yiqian
China / Mecenas
Taxista que se tornou bilionário, Yiqian é fundador do Long Museum, com duas unidades em Xangai e uma planejada para Chonqing. Um dos maiores investidores de arte da China, pagou US$ 170 milhões por uma pintura de Modigliani na Christie’s de Nova York em novembro de 2015.

96. Anita e Poju Zabludowicz
Reino Unido / Mecenas
Zabludowicz Collection e Daata Editions.

97. Dai Zhikang
China / Mecenas
Atuante no mercado imobiliário, decidiu neste ano deixar o ramo para investir em arte.

98. Dasha Zhukova
Rússia / Mecenas
Fundadora, ao lado do marido Roman Abramovich, do Garage Museum of Contemporary Art, está atualmente trabalhando no New Holland, um complexo cultural em uma ilha artificial em São Petersburgo.

99. David Zwirner
Alemanha / Galerista
Um dos mais poderosos galeristas do mundo, construiu um império em Nova York e Londres e está chegando em Hong Kong em 2017.

100. Zhao Xu
China / Casa de leilões
Presidente do Beijing Poly International Auction, terceira maior casa de leilões do mundo (depois de Christie’s e Sotheby’s) e maior da China.

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Fonte: site "Artnet" (www.artnet.com) | 20/09/16.
Na foto, Marina Abramović.
Tradução: Everaldo Fioravante.

Dez revolucionários que estão mudando o mundo da arte

O site "Artnet" relaciona dez pessoas do mundo das artes que estão rompendo o status quo. O brasileiro Vik Muniz está na lista. +

Pelo segundo ano, o site "Artnet" relaciona dez pessoas do mundo das artes que estão rompendo o status quo. A seleção é subjetiva e traz indivíduos que deram novas formas ao cenário. Mudanças no "jogo" são necessárias em qualquer indústria, especialmente nas artes. A relação traz de artistas como Tania Bruguera e Derrick Adams, engajados com ativismo e práticas curatoriais, alterando os parâmetros do que significa ser artista, até colecionadores como Estrellita Brodsky, que está apresentando a arte latino-americana por conta própria. São figuras que estão mudando a forma como vemos a arte.

1. Pedro Reyes
Doomocracy (algo como 'desgraçacracia' ou 'ruinocracia', em tradução livre), criação do artista mexicano Pedro Reyes, é um dos assuntos do momento, tocando em questões como a sucessão presidencial dos EUA. A exposição dele, encerrada em 06/11/16, no Brooklyn Army Terminal, tratou de dois eventos na mente dos norte-americanos de forma obsessiva: Halloween e a eleição presidencial. A produção de Reyes foca em problemas sociais, com a ideia de utilizá-los no desenvolvimento de um mundo melhor. Como exemplo, transforma armas em instrumentos musicais.

2. Tania Bruguera
Entre os "artivistas" que ganharam manchetes nos últimos anos, poucos rivalizam com Tania Bruguera em relação ao apoio que tem da crítica, de artistas e do público. A artista de Cuba foi presa naquele país em 2015 por conta da leitura de cem horas de "As Origens do Totalitarismo" (1951). Ela utiliza a arte como aparelho de ativismo crítico, fazendo uso de Instagram, Kickstarter e YouTube. No início de outubro, lançou uma nova performance em vídeo na qual se nomeia candidata à presidência de Cuba em 2018. O projeto é satírico, já que Cuba é um país de um só partido político. A artista convida as pessoas a fazerem o mesmo que ela, um esforço para mudar a "cultura de apatia". A produção de Tania levanta questões provocativas sobre as liberdades civis em Cuba.

3. Jamillah James
Curadora do novo Institute of Contemporary Art de Los Angeles, Jamillah James é um dos nomes mais promissores da instituição. As exposições de peso que ela já realizou (como Njideka Akunyili-Crosby, Alex Da Corte, John Outterbridge, Simone Leigh e Charles Gaines) são indicativos do que Jamillah poderá realizar quando o instituto abrir em 2017.

4. Timothy Blum
Quando a fama chegou batendo, Timothy Blum era o responsável do mundo das artes de abrir a porta. Recentemente, a escultura utilizada no clipe "Famous", do rapper Kanye West, representando celebridades, fez esse caminho, com uma exposição privada durante um fim de semana na galeria Blum & Poe, de Los Angeles. Alimentando controvérsias, a galeria também organizou há pouco uma exposição sobre canabis (planta da qual a maconha é derivada) à la Richard Prince (conhecido por copiar outros artistas, questionando as autorias). A Blum & Poe representa uma clara ruptura na intensa e contínua discussão sobre arte e celebridades. Se a galeria tem algum plano junto a alguma celebridade, ninguém sabe, mas não dá para negar que ela é pioneira na questão.

5. Yusaku Maezawa
Mesmo com uma fortuna invejável (segundo a Forbes, US$ 2,8 bilhões), o magnata japonês do ramo da moda Yusaku Maezawa não era conhecido. Mas isso mudou em maio passado, em leilões da Christie’s, Sotheby’s e Phillips, quando comprou uma obra de Jean-Michel Basquiat por US$ 57,2 milhões, além de outras seis: Christopher Wool (US$ 13,9 milhões), Richard Prince (US$ 9,7 milhões), Jeff Koons (US$ 6,9 milhões), Adrian Ghenie (US$ 2,6 milhões), Alexander Calder (US$ 5,8 milhões) e Bruce Nauman (US$ 1,69 milhão). Após as aquisições, ele disse que pretende colocar as obras em exposição pública em Tóquio, na fundação de arte que mantém, a qual recebe mostras de coleções duas vezes por ano.

6. Derrick Adams
Por conta da exibição de uma instalação no Pioneer Works, no Brooklyn, neste ano, simultaneamente a uma mostra no Gateway Project Spaces, em Newark, o artista Derrick Adams disse ao "The New York Times" que a prática artística dele é, em geral, um meio caminho para encontrar o espectador. Neste ano, ele teve uma série de oportunidades de fazer isso. Adams, que foi diretor curatorial da Rush Arts Gallery por dez anos, organizou em março uma seção especial da feira Volta, para a qual convidou nove promissores artistas, entre eles Doreen Garner, Ibrahim Ahmed e Kate Clark. Também assinou a curadoria de “The Beat Goes On”, uma exposição com obras visuais e sonoras de artistas como Elia Alba, Kevin Beasley e Tameka Norris na School of Visual Arts. Não há dúvida que o artista-curador está em ascensão e que ele está ansioso por fazer os holofotes brilharem sobre outros artistas.

7. Estrellita Brodsky
Falando de mecenato, filantropia e poderio acadêmico, é raro encontrar alguém tão proeminente quanto Estrellita Brodsky, criada em Nova York e filha de imigrantes da Venezuela (o pai) e do Uruguai (a mãe). Ele graduou-se em história da arte impressionista no Hunter College em 1996, com Ph.D em história da arte no Institute of Fine Arts da New York University (NYU ) em 2009 - dissertação focada em artistas latino-americanos radicados em Paris no pós-guerra, como Jesus Soto e Julio Le Parc. Em 2008, foi curadora da primeira e única retrospectiva de Carlos Cruz-Diez nos EUA, na Americas Society. Em 2012, assinou a curadoria da mostra de Soto na Grey Gallery da NYU. Ela e o marido, Daniel, diretor do Metropolitan Museum of Art (Met), são incansáveis divulgadores e apoiadores da arte latino-americana, sem mencionar o pioneiro apoio a artistas cubanos como Carmen Herrera. O casal criou duas curadorias no Met no início de 2014, uma delas volta à arte latino-americana. Estrellita também integra o comitê de aquisição de arte latino-americana e do Caribe do MoMA de Nova York. Recentemente, como parte da Daniel and Estrellita B. Brodsky Family Foundation, abriram no Chelsea o Another Space, também voltado à arte da América Latina, promovendo exposições de qualidade como a do brasileiro Paulo Bruscky, além de subsidiar museus e universidades em pesquisas sobre arte latino-americana. Estrellita é curadora convidada da grande retrospectiva de Julio parc que será realizada no Perez Art Museum, em Miami, em dezembro, durante a feira Art Basel.

8. Amy Cappellazzo
Desafiando a tendência dos leilões, Amy Cappellazzo apostou em um negócio de galerista independente e fez um círculo completo. Após ser vice-presidente da Christie’s e diretora do departamento de arte contemporânea e pós-guerra, ela saiu da casa de leilões e lançou a empresa de consultoria Art Agency Partners (AAP) em março de 2014, junto a Allan Schwartzman. No início deste ano, a Sotheby’s pagou US$ 50 milhões e adquiriu o pequeno e relativamente novo negócio. A temporada de leilões de novembro deve mostrar se a extensa lista de contatos de Amy e as técnicas de vendas inteligentes dela valem a pena.

9. David Adjaye
O escritório do arquiteto David Adjaye, natural da Tanzânia e radicado em Londres, é o responsável pelo projeto do National Museum of African American History and Culture, em Washington DC, inaugurado recentemente. Ele também vai assinar o Studio Museum, no Harlem. Autor de projetos em locais como Moscou e Oslo e com trabalhos previstos em cidades como Denver, a influência dele se expande rapidamente.

10. Vik Muniz
O brasileiro Vik Muniz é conhecido pelo fazer artístico radical e inusual, como o uso de materiais como açúcar, chocolate e retalhos de fotos e cartões postais. Essa característica não-ortodoxa se repete em praticamente tudo o que ele faz. Em recente exposição na galeria paulistana Nara Roesler, com 70 obras, ele brincou com as expectativas dos espectadores e as certezas visuais, misturando materiais reais com imagens fotografadas, desafiando o público a separar o real do reproduzido. Certa vez, ele disse: "Sou fotógrafo quando estou fotografando e desenhista quando estou desenhando, mas artista é o que estou sempre me tornando". A nomeação ao Oscar em 2010 pelo documentário "Lixo Extraordinário" levou Muniz ao nível global da fama. O filme o retratou criando "imagens de lixo", trabalho em parceria com catadores de lixo em um grande aterro sanitário no Rio de Janeiro. Todo o dinheiro arrecadado com a venda das obras foi destinada aos catadores. A energia de Muniz é evidenciada também nos dois recentes projetos do artista: a gigante instalação na cerimônia de abertura da Paralimpíada e a Escola Vidigal, um escola experimental em uma favela do Rio que deve abrir em breve, com pré-escola e atividades pós-escola para crianças de 4 a 8 anos. Projetada pelos arquitetos Basil Walter e Brenda Bello, da BWArchitects, de Nova York, é um dos 15 projetos que representaram o Brasil na Bienal de Arquitetura de Veneza neste ano. A fachada tem uma obra do artista de rua francês JR.

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Fonte: texto de Rain Embuscado e Eileen Kinsella originalmente publicado no site "Artnet" (www.artnet.com) | 24/10/16.
Na foto, Vik Muniz.
Tradução: Everaldo Fioravante.

Kandinsky, Monet, Lichtenstein e Mira Schendel aquecem leilões de NY

Leilões da Phillips e da Christie’s afirmaram que grandes obras encontram compradores mesmo em época de incertezas. +

Os leilões de arte contemporânea da Phillips e de modernos e impressionistas da Christie’s, no dia 16/11/16, afirmaram que grandes obras encontram compradores mesmo em épocas de Trump e incertezas.
Entre os destaques do leilão da Christie’s, recorde de preço para Wassily Kandinski com a obra “Rigide et Courbé”, de 1935, vendida por US$ 23,3 milhões. Monet, sempre Monet, foi alvo de disputa acirrada com a paisagem “Meule”, vendida por US$ 81,4 milhões, também recorde de preço para obras do artista. A noite rendeu sólidos US$ 246 milhões em 39 lotes vendidos – dez dos 49 oferecidos não encontraram compradores.
Na Phillips, Gerhard Richter foi a estrela, com a tela que retrata um avião tipo caça em alta velocidade: US$ 27,1 milhões. Um belo e típico nu de Lichtenstein alcançou US$ 21,5 milhões. Mira Schendel esteve presente com um gesso sobre madeira branco bem vendido a US$ 970 mil, a única brasileira. Uma surpresa foi a tela de Mark Grothjan, com estimativa de US$ 600 mil a 800 mil, que saiu por US$ 1,45 milhão. A expectativa em torno de cinco lotes da coleção do estilista Tommy Hilfiger, obras de Keith Hering, Jean Dubuffet, Damien Hirst, Andy Warhol e Jean Michel Basquiat, não elevou o preço e todas foram vendidas dentro das estimativas.
A grande semana de leilões de Nova York volta com força. Todos esperam as vendas de contemporâneo e latino-americanos da Christie’s e da Sotheby’s nos próximos dias.
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Fonte: “Dasartes” (dasartes.com.br) | 17/11/16.
Na foto, detalhe de obra de Lichtenstein vendida pela Phillips.

Sete coisas para saber sobre Caravaggio nos 445 anos do pintor

O mestre italiano continua chamando atenção séculos após ter morrido. +

O pintor barroco italiano Caravaggio (29/09/1571 - 18/07/1610) nasceu faz 445 anos. Ele morreu jovem, aos 38 anos. Até hoje, o mundo continua fascinado pelas pinturas dramáticas dele, as quais frequentemente retratam violências brutais e outras cenas perturbadoras. Em homenagem ao artista, seguem sete fatos sobre o inesquecível pintor:

1. “Ele tinha todos os possíveis desvios de caráter”
Foi o que escreveu o "The New York Times" por ocasião de “The Age of Caravaggio” (A Era de Caravaggio; em tradução livre), exposição em Nova York em 1985 no Metropolitan Museum of Art. O site "NPR" o chamou de “o primeiro dos artistas bad boys”. Há muito a se aprender a partir dos registros judiciais envolvendo o artista, entre os quais figuram todos os tipos de ofensas: lutar com um garçom sobre um prato de alcachofra, assediar sua senhoria, desfigurar uma cortesã que o recusou e até condenação por assassinato, a qual o forçou a fugir de Roma para Nápoles.

2. Considerado um mestre na atualidade, ele foi esquecido imediatamente após a morte
Logo após a morte de Caravaggio, o pintor barroco clássico francês Nicolas Poussin disse que “ele veio para destruir a pintura” e, de fato, ele não é bem lembrado por seus contemporâneos. No livro "Caravaggio" (2010), Gilles Lambert escreveu que "o choque produzido pela obra do pintor foi poderosa, mas sua reputação não sobreviveu. Seu nome foi esquecido e ele teve que esperar três séculos para ser de novo reconhecido". Segundo o historiador de arte norte-americano Bernard Berenson, "com exceção de Michelangelo, nenhum outro pintor italiano exerceu tanta influência".

3. O recorde em leilão de Caravaggio é baixo
No início deste ano, uma obra de Caravaggio há muito perdida apareceu em um sótão de uma casa na França e foi avaliado em surpreendentes US$ 137 milhões. Mas em leilões, trabalhos dele não atingiram ainda valores altos. O recorde dele é US$ 145.500, na Sotheby’s de Nova York, em 1998. "Boy Peeling a Fruit" (Garoto Descascando uma Fruta; em tradução livre) não encontrou comprador quando foi a leilão no ano passado na Christie’s de Nova York com estimativa entre US$ 3 milhões e US$ 5 milhões. No entanto, as vendas privadas são outro assunto.

4. Todos querem um Caravaggio
Duas igrejas sicilianas disputam "The Burial of Saint Lucy" (O Enterro de Santa Lúcia; em tradução livre), de 1608. A basílica de Santa Lucia al Sepolcro é a dona da obra. Enquanto a igreja era restaurada, ela transferiu a pintura para Santa Lucia alla Badia, em 2010. Na segunda igreja, a pintura virou um chamariz de turistas, com mais de 3 mil visitantes por dia. Sendo assim, ela desistiu de devolver a obra à basílica, quando solicitada, cinco anos depois. A disputa ainda continua.

5. Caravaggio sobreviveu a uma tentativa de assassinato
Exilado de Roma, Caravaggio foi para a Ilha de Malta, onde juntou-se aos Cavaleiros de Malta. Logo em seguida, ele foi acusado de atacar Fra Giovanni Rodomonte Roero, uma autoridade da ordem religiosa. Em fuga para Nápoles, ele por pouco evitou a morte pelas mãos de um grupo de homens armados, comandados por Roero, escreve Andrew Graham-Dixon em "Caravaggio: A Life Sacred and Profane" (Caravaggio: Uma Vida Sagrada e Profana; em tradução livre) . O artista sofreu um terrível ferimento no rosto e houve até registros de que ele teria morrido na ocasião.

6. A arte de Caravaggio quase o matou
Em 2010, testes científicos sobre o que seriam restos mortais do pintor descobriram quantidades de chumbo que poderiam tê-lo deixado louco, explicando assim parte do comportamento errático. "O chumbo vinha das tintas. Ele era conhecido por ser extremamente bagunçado com elas", disse o pesquisador Silvano Vinceti ao "The Guardian". "O envenenamento por chumbo não o mataria sozinho. Acreditamos que ele tinha feridas infectadas e também sofreu insolação. Mas o chumbo foi uma das causas". Outra teoria diz que ele teria sido morto em um segundo ataque dos Cavaleiros de Malta.

7. As milhas acumuladas
Em um recente almoço em Nova York, Julián Zugazagoitia, diretor do Nelson-Atkins Museum of Art, em Kansas City, admitiu ter ciúmes das milhas acumuladas pela obra "Saint John the Baptist in the Wilderness" (São João Batista no Deserto; em tradução livre), alvo frequente de pedidos de empréstimo.

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Texto de Sarah Cascone originalmente publicado, em inglês, no site "Artnet" (www.artnet.com) | 29/09/16.
Na foto, detalhe de "Bacco", de Caravaggio.

Suposto Caravaggio é exposto pela primeira vez

Antes mesmo de análises de especialistas sobre a autoria da obra, supostamente uma segunda versão perdida há muito tempo de "Judite Decapitando Holofernes", o governo francês já havia imposto uma proibição de exportação da tela, uma forma de impedir a venda para o exterior. Agora, ela integra a mostra “Caravaggio: Leituras e Releituras”, em cartaz na Pinacoteca de Brera, em Milão, até 05/02/17. +

A autenticidade de uma pintura descoberta há pouco e supostamente do mestre italiano do barraco Caravaggio está gerando uma disputa entre especialistas. Agora, o público vai poder julgar com os próprios olhos, já que o trabalho é exibido na Pinacoteca de Brera, em Milão, segundo informações do "Art Newspaper".
Em abril, notícias sobre a possível descoberta de uma nova obra de Caravaggio na França fez com que políticos se esforçassem para protegê-la. Antes mesmo de análises de especialistas sobre a autoria da obra, supostamente uma segunda versão perdida há muito tempo de "Judite Decapitando Holofernes", o governo francês já havia imposto uma proibição de exportação da tela, uma forma de impedir a venda para o exterior.
A pintura, descoberta na França em 2014, está à venda pelo galerista parisiense especialista em velhos mestres Eric Turquin. Ele estima que a obra valha algo em torno de € 100 milhões (US$ 113 milhões).
Na Pinacoteca de Brera, "Judite Decapitando Holofernes" será exibida junto a obras do acervo do museu, entre elas a "Ceia em Emaús", de Caravaggio, três pinturas do flamengo Louis Finson, discípulo do mestre italiano, e uma cópia de "Maria Madalena em Êxtase" (a original foi descoberta em uma coleção privada europeia nos últimos anos).
A exposição é organizada por Nicola Spinosa, especialista em Caravaggio e ex-diretor do Museo de Capodimonte, em Nápoles, que sofreu oposição. Em 25/10/16, o historiador de arte Giovanni Agosti deixou o comitê de conselho do museu em protesto, argumentando que a instituição exibiria a obra para auxiliar o proprietário ao valorizar o preço da pintura.
“Brera é um museu do Estado italiano e não uma galeria comercial ou um banco", escreveu Agosti para James Bradburne, diretor do museu. Embora a mostra deixe claro que a atribuição a Caravaggio venha dos donos da obra e não foi verificada, Agosti argumenta que "exibir a obra no museu automaticamente confirma a autoria dela".
Bradburne descartou as preocupações de Agosti, dizendo que o que importa é se a pintura faz sentido para a exposição e "se tem qualidade para ser mostrada em um museu". Segundo ele, a exposição é uma oportunidade para o público e especialistas formarem opinião sobre a autoria do trabalho.
Vale notar, no entanto, que a exibição de obras de coleções particulares recém-descobertas e atribuídas a velhos mestres não tem sido uma boa opção de museus. Duas das pinturas agora consideradas falsas ligadas ao escândalo de falsificação de obras de velhos mestres foram exibidas na National Gallery de Londres e no Metropolitan Museum of Art de Nova York, lançando dúvidas se as intituições agiram bem ao exibi-las.
Brera tem uma série de mostras que combinam trabalhos da coleção do museu com empréstimos. A Galleria Nazionale d'Arte Antica de Roma não cumpriu um empréstimo solicitado da versão original de "Judite", mas a exposição traz uma versão da pintura feita por Finson.
“Caravaggio: Leituras e Releituras” fica em cartaz na Pinacoteca de Brera de 10/11/16 a 05/02/17.
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Fonte: texto de Sarah Cascone originalmente publicado, em inglês, no site "Artnet" (www.artnet.com) 08/11/16.

André Sturm será o próximo secretário de Cultura de São Paulo

Boni recusou o convite de João Doria. +

O prefeito eleito de São Paulo, João Doria, vai anunciar na quinta-feira (24/11/16) o nome de André Sturm para comandar Secretaria Municipal de Cultura. Sturm é diretor do MIS (Museu da Imagem e do Som) e do Cine Caixa Belas Artes.
O diretor do museu foi a segunda opção de Doria para a secretaria. O primeiro chamado para o posto, o empresário e ex-diretor da Globo Boni, recusou o convite.
Sturm passou pela coordenadoria de Fomento e Difusão da Produção Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de SP e assumiu a diretoria do MIS em 2011. Foi responsável por exposições que triplicaram o público do museu. Também esteve por trás da reabertura do Cine Belas Artes, em 2014, após ameaça de fechamento do espaço por falta de patrocínio.
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Fonte: coluna de Monica Bergamo / jornal "Folha de S. Paulo" (www.folha.uol.com.br/) | 21/11/16.

Fora do governo, Calero acusa Geddel de pressioná-lo para liberar obra

O agora ex-ministro da Cultura Marcelo Calero acusa o ministro Geddel Vieira Lima (Governo) de tê-lo pressionado a produzir um parecer técnico para favorecer seus interesses pessoais. +

De saída do governo, o ministro da Cultura, Marcelo Calero, acusa o ministro Geddel Vieira Lima (Governo) de tê-lo pressionado a produzir um parecer técnico para favorecer seus interesses pessoais.
Calero diz, em entrevista à "Folha de S. Paulo", que o articulador político do governo Temer o procurou pelo menos cinco vezes — por telefone e pessoalmente — para que o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), órgão subordinado à Cultura, aprovasse o projeto imobiliário La Vue Ladeira da Barra, nos arredores de uma área tombada em Salvador, base de Geddel.
Nas palavras do agora ex-ministro, Geddel disse em pelo menos duas dessas conversas possuir um apartamento no empreendimento que dependia de autorização federal para sair do papel.
"Entendi que tinha contrariado de maneira muito contundente um interesse máximo de um dos homens fortes do governo", afirmou.
No lugar de Calero, assume o deputado Roberto Freire (PPS-SP).

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Folha - O governo deu várias versões para sua saída, entre elas a de que o sr. ficou sem clima por organizar um evento de R$ 500 mil e que brigou com Geddel Vieira Lima.
Marcelo Calero - Sobre o Geddel, confere.

O que aconteceu?
Quando eu cheguei no governo, a presidente do Iphan, Jurema Machado, me alertou que existia um empreendimento na Bahia que despertava interesses imobiliários. E me recomendou especial atenção a mobilizações políticas que pudessem ocorrer.
A partir disso, eu de fato recebi ligação do ministro Geddel dizendo que aquele empreendimento empregava muitas pessoas e que o Iphan da Bahia havia dado uma licença de construção que fora cassada pelo Iphan nacional. Ele disse que essa decisão era absurda porque não levou em conta pareceres técnicos do Iphan da Bahia e não havia dado oportunidade ao empreendedor de ampla defesa.

O empreendedor é a Cosbat?
Isso está no processo. O que acontece é que eu então recebi ligações bastante insistentes a partir de outros interlocutores e pedi que a [nova] presidente do Iphan, Kátia Bogéa, visse se o que era relatado pelo ministro procedia. Pedi que ela recebesse os advogados, como Geddel havia solicitado. Depois de receber os advogados, ela falou: "Do ponto de vista técnico, não há razões ao empreendedor, mas houve um erro processual porque a cassação da licença ocorreu sem abrir prazo de defesa".
A doutora Kátia então cancela os atos administrativos e abre prazo de defesa. Até aí, me pareceu uma gestão bastante regular. Mas me surpreendeu um pouco um ministro de Estado ligar para outro ministro de Estado para falar deste caso. Mas não fui mais perturbado em relação a isso.

Isso começou quando?
Foi logo que tomei posse, não demorou mais do que um mês. Depois desse recurso não tomei mais conhecimento. Até que, no dia 28 de outubro, uma sexta-feira, por volta de 20h30, recebo uma ligação do ministro Geddel dizendo que o Iphan estava demorando muito a homologar a decisão do Iphan da Bahia.
Ele pede minha interferência para que isso acontecesse, não só por conta da segurança jurídica, mas também porque ele tem um apartamento naquele empreendimento. Ele disse: "E aí, como é que eu fico nessa história?".

E como o sr. reagiu?
Eu fiquei surpreendido, porque me pareceu —não sei se estou sendo muito ingênuo— tão absurdo o ministro me ligar determinando que eu liberasse um empreendimento no qual ele tinha um imóvel. Você fica atônito. Veio à minha cabeça: "Gente, esse cara é louco, pode estar grampeado e vai me envolver em rolo, pelo amor de Deus".
O ministro Geddel tem uma forma de contato muito truculenta e assertiva, para dizer o mínimo. Então, na ocasião, eu tergiversei, disse que tinha uma agenda com ele para falar de outros assuntos e que poderíamos falar daquele.

E aí?
Na segunda-feira de manhã, eu chamei a Kátia e falei o que estava acontecendo, mas disse que, ao contrário do que ele pediu, eu queria uma solução técnica. Uma preocupação que eu tive foi a seguinte: eu sou um cidadão de classe média, servidor público, diplomata de carreira. O único bem relevante que eu tenho na minha vida é a minha reputação, a minha honra.
Fiquei extremamente preocupado de eu estar sendo gravado e, no final das contas, eu poder estar enrolado —imagina!— com interesse imobiliário de Geddel Vieira Lima na Bahia. Pelo amor de Deus! Fiquei preocupado de estar diante de uma prevaricação minha, podia estar diante de uma advocacia administrativa, para dizer o mínimo.
Pensei em procurar o Ministério Público, a PF. Depois de conversar com Kátia, fui ao ministro Geddel, com quem eu tinha um despacho, e ele falou que o pleito dele era plausível e eu dizia: "Vamos ver" e que a decisão seria técnica.
Depois disso, eu disse para a Kátia: "Tome a decisão que tiver de tomar. Se eu perder o meu cargo por isso, não há problema. Eu saio. Eu só não quero meu nome envolvido em lama, em suspeita, qualquer que seja, de que qualquer agente público possa ser supostamente beneficiado pelo fato de que ele exerce pressão sobre mim". No domingo seguinte, recebi outra ligação do ministro Geddel.

Depois do dia 28 de outubro?
Eu estava em evento da Federação Israelita no Rio. Nessa ligação, Geddel disse que havia rumores na Bahia de que o Iphan nacional iria negar a construção.
Ele disse: "Então você me fala, Marcelo, se o assunto está equacionado ou não. Não quero ser surpreendido com uma decisão e ter que pedir a cabeça da presidente do Iphan. Se for o caso eu falo até com o presidente da República".

E o que fez depois?
As coisas já haviam passado do limite. Kátia é uma pessoa corretíssima. Avisei que se ela saísse eu saía também. E disse: "Mas sairemos com a cabeça erguida".

Em novembro, já havia sinal de que o parecer do Iphan seria contrário (à obra)?
Já. Na semana do dia 7 de novembro comecei a sofrer pressão para suscitar um conflito ou mandar o caso para a AGU (Advocacia-Geral da União). E aí pessoas do governo...

Quais pessoas do governo?
Pessoas que estavam tão pressionadas quanto eu. Eu comecei a sofrer pressões para enviar o caso para a AGU. A informação que eu tive foi que a AGU construiria um argumento de que não poderia haver decisão administrativa (do Iphan). Isso significa que o empreendimento seguiria com o parecer do Iphan da Bahia, que liberava a obra.

O Iphan da Bahia é comandado por quem?
A indicação surgiu de uma comunicação – que eu possuo – do ministro Geddel.

Esse empreendimento está em área histórica?
Está no entorno de uma área tombada, sujeito a regramento especial. Depois, no dia 16 de novembro, a decisão [do Iphan] finalmente sai e embarga a obra, determinando que a empreiteira adeque o projeto para 13 andares.
O projeto que eles tinham pedido era de quantos andares?
Trinta, salvo engano.

O sr. comunicou o governo?
Encontrei Geddel no jantar no Alvorada na quarta (16). Ele aciona vários interlocutores para me pressionar a rever a decisão. Mas eu estava tranquilo porque a decisão tinha sido técnica. Eu conseguiria olhar para meus servidores, para minha família, para Kátia, para os técnicos do Iphan.

Por que decidiu falar?
Eu queria sair do governo de maneira tranquila, mas meu temor era que começassem a construir narrativas a respeito da minha saída para macular minha imagem. Quando recebo a ligação da Folha para checar uma informação contra mim, percebi que havia um processo de fritura.
Estou fora da lógica desses caras, não sou político profissional. Não tenho rabo preso. Não estou aqui para fazer maracutaia. Nós precisamos ter a coragem de dizer: "Daqui eu não passo". Vou voltar a ser um diplomata de carreira que passou em quinto lugar num concurso, estudando e trabalhando ao mesmo tempo.
Se for para fazer errado, vou embora. Ele só me disse que tinha apartamento no prédio em 28 de outubro.
Isso foi dito por ele próprio?
Sim, e me repetiu no dia 31: "Já me disseram que o Iphan vai determinar a diminuição dos andares. E eu, que comprei um andar alto, como é que eu fico?".
No evento da Ordem do Mérito Cultural, ele disse: "E as famílias que compraram aqueles imóveis? Eu comprei com a maior dificuldade com a minha mulher".

Quando o sr. se deu conta desse processo?
Quando a decisão foi encartada, começou uma pressão inacreditável. Entendi que tinha contrariado de maneira muito contundente um interesse máximo de um dos homens fortes do governo e que ninguém iria me apoiar. Vi que minha presença não teria viabilidade. Jamais compactuaria com aquele compadrio. Não.
A gota d'água foi quando fui procurado pela imprensa... Eu vejo isso de maneira objetiva: um agente governamental solicitou interferência de outro numa decisão técnica que lhe beneficiaria em caráter pessoal. Esse segundo agente não aceitou fazer essa interferência.

Como o presidente reagiu ao seu pedido de demissão?
Pediu que eu reconsiderasse. No dia 18, telefonei e disse que era irrevogável.

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ENTENDA O CASO

2014
Subordinado ao MinC, o Iphan da Bahia dá parecer favorável à construção do La Vue Ladeira da Barra, com cerca de 100 m de altura, em região histórica de Salvador

2016
Na gestão Dilma, Iphan nacional reverte o parecer, sob o argumento de que o prédio 'compromete a visibilidade de, pelo menos, três bens tombados'

Jun.2016
Dias depois de assumir o MinC, Calero é procurado por Geddel Vieira Lima (Sec. Governo) com o relato de que há uma 'decisão absurda' do Iphan sobre o prédio, que deveria ser reanalisada

Jul.2016
Iphan detecta falha processual, revoga o parecer contrário à obra e reabre prazo para a defesa da empreiteira se manifestar

Out.2016
Mesmo depois da nova manifestação da defesa, corpo técnico do Iphan mantém entendimento contrário à liberação e envia processo para o corpo jurídico do órgão

Out e nov.2016
Pressão sobre Calero se intensifica; ministro diz ter sido cobrado novamente por Geddel pelo menos quatro vezes –por telefone, em 28.out e
6.nov, e pessoalmente em 31.out, no gabinete do ministro, e 16.nov, na entrada do jantar que Temer ofereceu para senadores

16.nov.2016
Iphan conclui parecer contrário à obra, determinando sua readequação ao gabarito

17.nov.2016
Planalto faz nova investida e sugere a Calero que o Ministério da Cultura apresente um parecer divergente, para que o caso possa ser definido pela AGU

18.nov.2016
Calero pede demissão do MinC

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Texto de Natuza Nery e Paulo Gama originalmente publicado no jornal "Folha de S. Paulo" | 19/11/16.

Deputado Roberto Freire é anunciado novo ministro da Cultura

Secretaria de Comunicação da Presidência fez anúncio nesta sexta-feira (18/11). Freire assumirá o posto no lugar de Marcelo Calero, que pediu demissão. +

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República anunciou na noite desta sexta-feira (18/11/16) que o deputado Roberto Freire (PPS-SP) será o novo ministro da Cultura.
Freire assumirá o cargo no lugar do diplomata de carreira Marcelo Calero, que pediu demissão do cargo por "divergências" com integrantes do governo.
Quando Michel Temer assumiu interinamente em maio o comando do Palácio do Planalto por conta do processo de impeachment de Dilma Rousseff, ele chegou a extinguir o Ministério da Cultura e o transformou em uma pasta vinculada ao Ministério da Educação, sob o comando de Calero.
No entanto, a reação negativa de setores culturais e de artistas, que promoveram diversos protestos pelo país exigindo a recriação da pasta fez com que Temer recuasse e devolvesse o status de ministério à Cultura. À época, Calero passou de secretário a ministro.
Segundo o colunista do "G1" e da "GloboNews" Gerson Camarotti, Freire já havia sido sondado para o comando o Ministério da Cultura antes mesmo de Temer assumir interinamente a Presidência.
O novo ministro da Cultura disse ao colunista do "G1" na noite desta sexta que seu objetivo à frente da pasta será "pacificar os ânimos", retomando o diálogo na área.
Em maio, Freire chegou a elogiar no microblog Twitter uma postagem de um usuário que citava países sem um ministério exclusivo para a área da Cultura.
Procurado pelo "G1", ele disse que, ao fazer o comentário na rede social, quis dizer que "não haveria problemas" em juntar a pasta da Cultura a outro ministério.

Entrevista ao G1
Logo após ser anunciado ministro da Cultura, Roberto Freire disse ao "G1" que foi convidado por Temer para assumir o cargo no primeiro escalão em uma conversa telefônica por volta das 19h desta sexta.
"Ele [Temer] me telefonou. Tinha acabado de chegar em casa. Estou em Brasília mesmo. O presidente me convidou e eu aceitei", relatou o novo ministro.
Em seguida, Freire disse que assumirá a cadeira na Esplanada dos Ministérios disposto a dialogar. "Vou entrar com a mesma disposição para a abertura ao diálogo. De não acirrar processos", declarou.
O novo ministro informou que deverá embarcar neste sábado (19) em direção a Recife (PE), onde terá compromissos partidários. Ao G1, ele afirmou que estará de volta a Brasília na próxima segunda (21), para se reunir com o presidente Michel Temer, no Palácio do Planalto.
"Vou antecipar minha volta. Eu voltaria só segunda à tarde. Vamos ver ainda quando dá, de acordo com os compromissos [do Temer]", observou.
Freire confirmou que já havia sido sondado por Temer para assumir o cargo de ministro da Cultura quando o peemedebista ainda articulava a montagem do governo interino, antes mesmo do afastamento de Dilma.
"Na época, ele me convidou e eu aceitei. Mas aí veio a redução do número de ministérios. Na redução, eu falei que não seria problema fazer a integração da Cultura com a Educação. Ficou então só o [ministro da Educação] Mendonça Filho. Aí, por questões do governo, quando recriaram a pasta, Temer chamou o Calero", relatou o novo ministro.

Carta
Leia abaixo a íntegra da carta de demissão do ministro da Cultura, Marcelo Calero:

Brasília, 17 de Novembro de 2016.
Ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República Michel Temer,
Agradeço a honra a mim concedida com o convite para ser Ministro de Estado da Cultura do Brasil de seu governo.
Venho solicitar minha demissão em caráter irrevogável por razão de ordem pessoal.
Durante os últimos seis meses, empreguei o melhor dos meus esforços, apoiado por uma equipe de extrema qualidade para pensar a política cultural brasileira.
Saio do Ministério da Cultura com a tranquilidade de quem fez tudo o que era possível fazer, frente os desafios e limitações com os quais me defrontei. E que o fez de maneira correta e proba.
Respeitosamente,
Marcelo Calero Faria Garcia

Nota
Leia, abaixo, a íntegra da nota divulgada pelo Palácio do Planalto para informar que o deputado Roberto Freire será o novo ministro da Cultura:
O ministro Marcelo Calero pediu demissão. O presidente Michel Temer aceitou e convidou o deputado Roberto Freire para assumir o Ministério da Cultura. Ele aceitou.

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Texto de Luciana Amaral originalmente publicado no site "G1" (http://g1.globo.com) | 18/11/16.

Catálogo de empresa investigada pela PF está lotado de artistas famosos

Tem até o ‘deputado cantor’. A Polícia Federal deflagrou hoje a Operação Boca Livre O objetivo é apurar o desvio de recursos federais em projetos culturais com benefícios de isenção fiscal previstos na Lei Rouanet. +

Eventos corporativos, shows com artistas famosos em festas privadas para grandes empresas, livros institucionais e até mesmo uma festa de casamento foram custeados com recursos da lei Rouanet.
Produtores culturais que integram um grupo ligado a eventos são responsáveis pelo desvio de cerca de R$ 180 milhões, segundo a Polícia Federal.
Entre os alvos de busca, está principal operador do esquema, o Grupo Bellini Cultural.
Também são investigados escritório de advocacia Demarest e as empresas Scania, Kpmg, Roldão, Intermédica Notre Dame, Laboratório Cristalia, Lojas Cem, Cecil e Nycomed Produtos Farmacêuticos. O Ministério da Cultura (MinC) também é alvo das buscas.
SITE DA BELLINI CULTURAL FOI TIRADO DO AR
De repente tudo sumiu! Perfis em redes sociais, sites, propagandas, etc…
O Diário do Brasil achou [nos cafundós na internet] um catálogo que reflete o tamanho do ‘leque’ de artistas que a Bellini contemplava.
Será que todos foram pagos com dinheiro desviado da Lei Rouanet?
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Texto publicado originalmente no Diário do Brasil | 29/06/16

Documentário sobre Oswaldo Vigas estreia no 73º Festival de Veneza

O filme "O Vendedor de Orquídeas" é de Lorenzo Vigas, filho do artista Oswaldo Vigas (1923-2014), que recentemente teve sua primeira mostra individual no Brasil, no MAC-USP, em São Paulo (SP). O festival italiano ocorre de 31/08/16 a 10/09/16. +

Ganhador do Leão de Ouro pelo filme "De Longe Te Observo", que acaba de estrear no Brasil, o cineasta venezuelano Lorenzo Vigas volta ao Festival de Cinema de Veneza para a estreia mundial do documentário "O Vendedor de Orquídeas". O filme é protagonizado pelo artista plástico venezuelano Oswaldo Vigas (1923-2014), pai do cineasta e que recentemente teve sua primeira mostra individual no Brasil, "Oswaldo Vigas Antológica 1943-2013", no MAC-USP, em São Paulo (SP). A 73ª edição do festival de Veneza ocorre de 31/08/16 a 10/09/16.
No filme, Oswaldo Vigas, com 80 anos, retorna aos vilarejos (pueblos) onde foi criado em busca de uma pintura roubada durante a adolescência. Acompanhado pela mulher, Janine Vigas, o artista pretendia encontrar a obra para ser exibida em uma exposição sobre o início da carreira.
A viagem, porém, não se resume à busca por suas primeiras criações. Durante o trajeto, o artista se vê confrontado com um evento de sua juventude que o marcaria para o resto da vida, definindo-o como ser humano e como artista, trazendo ao público uma reflexão sobre a passagem do tempo, a importância da memória e, sobretudo, sobre o surgimento do desejo da criação artística.
O documentário dirigido por Lorenzo Vigas contou com apoio do Centro Nacional Autónomo de Cinematrografía (CNAC) e produção de Adriana Ayala e Pedro Mezquita, fotografia de Cezary Jaworski e co-produção da Lucía Films, do México.
Oswaldo Vigas é considerado um dos pioneiros da arte moderna latino-americana. Sua obra compõe síntese original entre as raízes culturais da América Latina e as correntes modernas das artes plásticas.
Em 1952, tendo recebido os prêmios mais importantes de seu país, se mudou para Paris, onde viveu por 12 anos, dedicando-se à pintura. Durante a estada na capital francesa, participou de inúmeras exposições, além de ser convidado para várias edições do Salão de Maio (Salon de Mai), exibindo seu trabalho junto a artistas como Jean Arp, Marc Chagall, Alberto Giacometti, Wifredo Lam, René Magritte, Henri Matisse, Roberto Matta, Max Ernst e Pablo Picasso, de quem se tornou amigo. Em 1964, voltou à Venezuela, onde trabalhou até a morte, em 2014, aos 88 anos.
O trabalho de Vigas abrange pintura, escultura, gravura, cerâmica e tapeçaria. Foi tema de mais de uma centena de exposições individuais e tem sua obra representada em alguns dos principais museus do mundo, assim como em coleções públicas e privadas.
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Mais informações:
Fundação Oswaldo Vigas (www.oswaldovigas.com)
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Fonte: Revista Museu (www.revistamuseu.com.br) | 15/08/16.

Colecionador Moishe Mana compra briga com Donald Trump

Mana se ofereceu para cobrir os custos legais de mulheres que alegam ter sido assediadas sexualmente por Trump. +

Moishe Mana, colecionador de arte bilionário, fundador dos centros de arte Mana Contemporary em Nova Jersey e Miami, se ofereceu para cobrir os custos legais de mulheres que alegam ter sido assediadas sexualmente por Donald Trump, caso ele as processe por conta das alegações.
Mana disse ao "Daily News" que está disposto a gastar a quantia que for necessária na defesa de quase 20 mulheres e jovens que alegam comportamento inapropriado de Trump. O candidato diz que as acusações são "fabricadas" e que processará as "mentirosas" após as eleições.
"Eu pretendo fazer o que for necessário para proteger essas mulheres e garotas", disparou Mana de volta. "Vou contratar advogados para defesa em todos os casos em que Trump entre com processo. Não é possível que uma só pessoa intimide um país inteiro e diga e faça o que bem quiser".
A promessa não é uma surpresa, já que, quando Trump se recusou a liberar suas declarações de impostos, Mana ofereceu doar US$ 2 milhões para instituições de caridade se o candidato mudasse de ideia. Depois, Mana realizou um leilão de arte para arrecadar dinheiro para a adversária de Trump, Hillary Clinton.
Outra história que envolve Mana e Trump diz respeito às esculturas do candidato criadas pelo coletivo de arte de rua Indecline, instaladas em cinco cidades. Mana encomendou outras duas cópias das grotescas obras para exibição em Nova York e Miami.
"Não posso acreditar que uma pessoa possa falar do jeito que Trump fala de mulheres e imigrantes", disse Mana. "Esse tipo de retórica deveria ser proibida. Proteger essas mulheres, para mim, é parte de uma grande briga".
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Fonte: texto de Sarah Cascone originalmente publicado, em inglês, no site "Artnet" (www.artnet.com) | 07/11/16.
Foto: Nicholas Roberts / AFP / Getty Images.

Garçom desajeitado quebra estátua romana no British Museum

Durante um evento corporativo em dezembro de 2015, um garçom se aproximou demais e bateu na estátua, quebrando o dedo direito da obra. +

Uma antiga escultura romana foi vítima de um garçom desajeitado no British Museum, quando a tumba Townley Venus sofreu um esbarrão durante um evento corporativo, segundo informações do Art Newspaper. O incidente, divulgado nesta semana, ocorreu em dezembro de 2015. O garçom, que trabalhava para uma empresa de alimentação contratada pelo museu, se aproximou demais da estátua e bateu nela, quebrando o dedo direito da obra.
Por sorte, conforme um porta-voz do museu, a restauração não ofereceu dificuldades, sendo realizada durante as horas de fechamento do museu. Medidas serão tomadas para que incidentes do gênero não voltem a ocorrer, como o treinamento de pessoal.
A Townley Venus, datada do século 1 ou 2, é uma cópia romana de uma escultura grega do século 4 a.C. representando a deusa do amor. Ela é proveniente de escavações em Óstia, na Itália, em 1775. Recebeu o nome do colecionador inglês Charles Townley, que a comprou do descobridor. Os descendentes dele a venderam para o British Museum em 1805.
Não é a primeira vez que a estátua é danificada em mais de 2 mil anos de existência. Um visitante do museu colidiu com ela em 2012, quebrando partes da mão da obra. Assim como no recente incidente, ela também foi restaurada na ocasião.
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Fonte: texto de Sarah Cascone originalmente publicado no site “Artnet” (www.artnet.com) | 27/10/16.

Obra comprada por ex-dono do falido Banco Santos é leiloada por R$ 42 milhões

O ex-banqueiro comprou o Basquiat em 2003, por US$ 680 mil. A obra do artista teve uma valorização espetacular porque o mercado de arte voltou a se aquecer nos últimos anos. +

Descoberta pela polícia dos Estados Unidos quando estava escondido num galpão em Nova York como se não valesse nada, o conteúdo do pacote se revelou para lá de valioso: a tela do artista americano Jean-Michel Basquiat (1960-1988), que pertenceu ao ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira, foi vendida na última sexta-feira (7) em Londres por £ 10,565 milhões, o equivalente a R$ 42 milhões.

O preço final da tela, que será usado para pagar os credores do Banco Santos de Edemar, foi mais do que o dobro da avaliação da casa de leilões Sotheby's, de £ 3,5 milhões a £ 4,5 milhões.

O ex-banqueiro comprou o Basquiat em 2003, por US$ 680 mil. A obra do artista teve uma valorização espetacular porque o mercado de arte voltou a se aquecer nos últimos anos.

O trabalho estava escondida num galpão porque Edemar tirara do país as obras mais caras de sua coleção para não serem sequestradas pelas autoridades, conforme a Folha revelou em 2006 –o que ele nega enfaticamente.

Em novembro de 2014, o Banco Santos quebrou, deixando um rombo de R$ 3,2 bilhões, dos quais R$ 1,2 bilhão já foi recuperado, de acordo com Vânio Aguiar, administrador da massa falida.

Só em obras de arte desviadas a massa falida já conseguiu recuperar, além do Basquiat, peças vendidas por R$ 14 milhões, entre os quais trabalhos de Fernand Léger, Torres-García e Roy Lichtenstein.

"Hannibal", o trabalho de Basquiat, foi encontrado pela polícia dos Estados Unidos em 2008, mas a sua volta ao Brasil foi cercada de percalços, de acordo com Aguiar.

Segundo ele, Edemar tentou evitar que a obra voltasse ao país por meio de recursos à Justiça, feito em nome de empresa offshore em nome de um laranja do ex-banqueiro.

A busca das obras nos EUA foi feita a partir da reportagem publicada pelaFolha.

A Sotheby's vendeu ainda na sexta (7) por £ 581 mil (R$ 2,3 milhões) um trabalho do pintor alemão Georg Baselitz que foi de Edemar e estava fora do país.

Em 2006, Edemar foi condenado a 21 anos de prisão por crimes contra o sistema financeiro, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e lavagem de dinheiro.

Em maio de 2015, o Tribunal Regional Federal, que julga recursos da Justiça federal, anulou todos os interrogatórios da ação por erros processuais. O efeito prático da anulação é que os crimes de Edemar terão prescritos quando os interrogatórios forem refeitos pela Justiça.

OUTRO LADO

Edemar diz que as obras foram vendidas antes de o banco sofrer intervenção, o que é legal. Sobre a acusação do uso de laranja, o advogado dele, Arthur Sodré Prado, diz que ele não é laranja e que comprou a obra legalmente.
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Texto de Mario Cesar Carvalho, publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo | 11/10/16