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Tribunal francês diz que Facebook estava errado ao censurar "A Origem do Mundo"

Após conflito de sete anos, um tribunal francês decidiu que o Facebook estava errado ao fechar a conta do educador Frédéric Durand das redes sociais sem aviso prévio, depois de publicar a pintura “A Origem do Mundo” (1866) de Gustave Courbet. O gigante das redes sociais não terá, no entanto, que pagar os US $ 25mil sugeridos pelos danos. +

Depois de um conflito de sete anos, um tribunal francês decidiu que o Facebook estava errado ao fechar a conta das redes sociais do educador Frédéric Durand sem aviso prévio, depois de publicar uma imagem da pintura de 1866 de Gustave Courbet, “A Origem do Mundo”.

Enquanto o tribunal concordou que o Facebook era culpado, o gigante das redes sociais não será obrigado a pagar a penalidade de US$ 25 mil sugerida pelo advogado de Durand para cobrir os danos de seu cliente.

O advogado de Durand, Stéphane Cottineau, disse à artnet News que o tribunal reconheceu que o Facebook cometeu um erro ao desconectar o cliente sem aviso prévio. Mas, como Durand conseguiu abrir outra conta, o tribunal decidiu que não havia danos. "Estamos refutando isso, estamos fazendo um apelo, e argumentaremos no tribunal de recurso que, na verdade, houve danos", disse ele.

Cottineau explicou que, quando a rede social eliminou a conta de Durand em 2011, perdeu toda a história do Facebook, que ele não usou para fins sociais, mas sim compartilhou seu amor pela arte, particularmente da arte de rua e do trabalho de pintores vivos contemporâneos. Ele ia às exposições, escrevia e tirava fotos, e as compartilhava com seus 800 seguidores, que ele só conseguiu recuperar nos últimos sete anos. "Então, há o dano de ter sido julgado como alguém que não era decente o suficiente para fazer parte de uma rede social, um pouco como um pornógrafo porque compartilhava imagens que tinham que ser censuradas pela rede social", acrescentou.

De acordo com Cottineau, o Facebook argumentou que a conta de Durand não foi censurada porque ele publicou The Origin of the World, mas por causa de uma questão contratual separada em torno de seu uso de um pseudônimo, que quebra os termos de uso da rede social. Cottineau refuta isso e diz que será abordado no apelo.

Quando contatado pela artnet News, o diretor de assuntos públicos da Facebook na França e na Europa, Delphine Reyre, disse em um comunicado: "Tomamos nota da decisão tomada hoje e desejamos lembrar a todos que "A Origem do Mundo" é uma pintura que tem uma lugar perfeitamente válido no Facebook ".

Conversando com a Artnet News, Durand disse que era uma pena que o Facebook não envolveu seu processo e lamentou que não houvesse uma oportunidade para resolver por que ele estava sendo censurado. Então, há a questão do conteúdo que ele compartilhou antes que sua conta fosse encerrada: "Tenho certeza de que o Facebook ainda possui meus textos e minhas fotos, e poderia muito bem restituí-los, mas, bem, aparentemente eles não querem, e estamos perguntando por que não? ", ele disse.
Durand diz que conhece muitos artistas cujo trabalho é censurado na rede social e referenciou a “Vênus” de Willendorf em Viena, que recentemente também caiu em flagrante à política de nudez do Facebook. "Mesmo com isso, o sistema não aproveitou a oportunidade para dizer ao Facebook ‘Você não pode censurar a arte’", disse ele.

Durand acrescentou que estava desapontado com o fato de o sistema de justiça ter deixado a oportunidade de defender a cultura francesa, o que ele disse que é particularmente livre tanto na nudez quanto na arte por suas raízes greco-romanas. Ele disse que havia muita gente na França - artistas, autoridades locais e amantes da arte - que estavam aguardando a decisão do tribunal porque viviam e trabalhavam em bairros onde "não é fácil" aceitar a liberdade da cultura francesa.

"Eu gostaria que continuássemos com essa liberdade da cultura francesa. Isso poderia surpreender”, disse o educador. "É essa liberdade que eu quero defender. Quero que meus alunos e meus filhos possam ver as mesmas obras de arte que pudemos ver. Agora, eles podem não representar um problema, mas podem apresentar um problema mais tarde. Estou aproveitando essa oportunidade para defender a Vênus de Willendorf, ou as fotos de Man Ray, ou uma pintura de Courbet ".
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Matéria de Naomi Rea, publicada no artnet News (artnet.com), em 15/03/18.

Manifestantes formam uma greve de morte no Louvre

Manifestantes do projeto 350.org eitaram no chão em frente a “The Raft of the Medusa”, uma icônica pintura do século 19 de Theodore Gericault, que mostra o naufrágio de uma fragata da marinha francesa. A ação é uma reivindicação contra o patrocínio da gigante do petróleo, a Total, para o museu de Paris. Matéria publicada originalmente no site da revista Dasartes, em 15/03/18. +

O Louvre evacuou brevemente um dos lugares mais movimentados do museu na segunda-feira (19/03), depois de ativistas ambientais vestidos de preto realizarem um protesto contra o patrocínio da gigante do petróleo, a Total, para o museu de Paris.

Cerca de uma dúzia de manifestantes se deitaram no chão em frente a “The Raft of the Medusa”, uma icônica pintura do século 19 de Theodore Gericault, que mostra o naufrágio de uma fragata da marinha francesa.

Os manifestantes entraram discretamente antes de deitarem-se diante da pintura cantando slogans contra a Total.

O Louvre confirmou que evacuou os visitantes do museu em cerca de 10 minutos após o protesto às 10h30 da manhã.

O grupo ativista 350.org, que combate o uso de combustíveis fósseis em favor das energias renováveis, afirmou que organizou a manifestação para “simbolizar as vítimas da indústria do petróleo”.

O mesmo grupo realizou um protesto semelhante no Louvre em março do ano passado, em frente a uma antiga estátua grega, a “Victory Alada” de Samotraça.

Cerca de 30 ativistas haviam colocado um longo trecho de tecido preto na base da estátua para simbolizar um rio de petróleo, exortando o Louvre a finalizar sua colaboração de duas décadas com o Total.

A Fundação Total, o braço filantrópico do gigante da energia, apoia uma série de causas da educação para as artes.

Ativistas realizaram protestos similares contra a gigante petrolífera BP em Londres pelo patrocínio da Galeria Tate, da Galeria Nacional de Retratos e do Museu Britânico.

Um grupo de ativistas liderados pela 350.org lançou a campanha “Free the Louvre”.

O grupo fundado nos Estados Unidos leva em seu nome o numero “350 partes por milhão”, o que diz ser a concentração segura de dióxido de carbono na atmosfera.
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Matéria publicada originalmente no site da revista Dasartes, em 15/03/18.

Véio traz demônios do sertão para SP

Véio – A Imaginação da Madeira faz um passeio por vários temas trabalhados por Cícero Alves dos Santos em seus 70 anos de vida. Dividida em três andares – e três temáticas principais, o assombro, a nação lascada e o Museu do Sertão – a mostra conta com cerca de 250 peças das mais de 17 mil que Véio produziu ao longo de sua vida. +

O sertão brasileiro tem os seus demônios. Pelas mãos e imaginação do artista sergipano Véio, alguns deles são trazidos para a Avenida Paulista, em São Paulo, em exposição que será aberta ao público nesta quartafeira, 14, às 20h, no Itaú Cultural, onde fica até 13 de maio.

Véio – A Imaginação da Madeira faz um passeio por vários temas trabalhados por Cícero Alves dos Santos em seus 70 anos de vida. Dividida em três andares – e três temáticas principais, o assombro, a nação lascada e o Museu do Sertão – a mostra conta com cerca de 250 peças das mais de 17 mil que Véio produziu ao longo de sua vida.

O artista sergipano recorda ter começado a brincar com formas aos 6 anos. Na época, construía a partir da sua imaginação, utilizando cera de abelha. Sua família, porém, não via essa atividade com bons olhos. “Achavam que estava brincando de boneca, e aquilo não era permitido”, diz Véio ao Estado. “Meus pais achavam que estava seguindo por um lado feminino.” Impedido pela família, Véio continuou por muito tempo brincando escondido com a cera. “Fazia as obras, mas quando via alguém chegando, desmanchava.”

O artista acredita que, por isso, desenvolveu um tipo de trauma, que serviu, porém, para estimular a construção de seu gigantesco acervo pessoal, que nunca foi movido, ele reforça, por motivos comerciais ou capitalistas. “Por muito tempo pensei que nunca teria a minha coleção.” A família, ainda hoje, ele relata, não aceita sua arte. “Admiram o meu nome, pelo degrau que alcancei. O destaque é o artista, mas não a arte.”

Véio ganhou o apelido ainda criança, por estar sempre na companhia de pessoas mais velhas, a quem dava atenção e ouvia suas histórias. Preocupado em conservá-las, criou em seu sítio, em Feira Nova (SE), o Museu do Sertão, que é lembrado em um dos andares da exposição, a única documental. Lá, as próprias obras se misturam com objetos adquiridos na região ao longo do tempo – peças comuns, mas que representam a história do homem sertanejo. “O sertão é praticamente esquecido, só é lembrado em períodos eleitorais”, analisa o artista. “O sertanejo deveria ter mais oportunidade, de crescer e de valorizar sua própria cultura.”

Não por acaso, outra seção da mostra tem o nome de “nação lascada”, um duplo sentido para falar da situação do sertão e também da matéria-prima, a madeira morta. “A primeira impressão é que algumas dessas obras são descritivas, mas não são”, explica Carlos Augusto Calil, que assina a curadoria com Agnaldo Farias. “Não é artesanato. As peças comentam, transcendem.” Algumas obras são minúsculas, em milímetros. Na mostra, quatro são feitas num palito de fósforo. “A arte não é pelo tamanho, é pela arte em si”, opina Véio. “A obra pequena faz você se aproximar dela, abrir os olhos.”

Ainda neste andar, estão presentes vários “cães”, como denomina o artista – estes sim demônios mais literais que metafóricos. “Um corredor de demônios e da morte, a forma como Véio lida com eles”, esclarece Calil. As obras se relacionam também com a do terceiro nicho, o “assombro”. “São peças que causam a sensação de estranhamento e fascínio, que falam alto”, descreve o curador.

Em suas obras de maior tamanho, Véio se aproveita das formas da natureza. “Vejo as curvas e os galhos tortos. A natureza já fez, cabe a você aperfeiçoar”, diz o artista. “Ele é um conservador no melhor sentido da palavra, ele retém. Possui um olhar extraordinário, vê a peça de madeira como a gente não vê”, explica Calil sobre o nome da exposição.

Os curadores buscaram peças não só da casa de Véio, como de colecionadores por todo o Brasil. “Eles emprestam com a maior alegria, têm orgulho”, conta Calil, que acompanha o trabalho de Véio já há alguns anos. “As pessoas já perceberam que Véio é um dos grandes. Ele ainda carece de reconhecimento, mas acho que essa exposição é de consagração.”
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Artigo de Pedro Rocha para o jornal "O Estado de S. Paulo" em 14/03/18

Caixa Cultural inaugura exposição da artista plástica Anna Bella Geiger

A partir desta quarta-feira (14/3), serão exibidos 12 gavetas com mapas e estudos cartográficos da artista carioca, além de um vídeo no qual ela explica seu processo de criação +

Anna Bella Geiger faz mapas desde 1975. Mas sua técnica, que consiste em despejar cera de abelha em suportes de metal acomodados em gavetas, foi desenvolvida somente em 1995.
“Foi como se eu tivesse passado 20 anos andando pelo deserto à procura de um contêiner ideal para segurar meus mundos”, diz a artista sobre o período que guardava os mapas sem transformá-los em obras de arte.
A partir desta quarta-feira (14), 12 gavetas com mapas e estudos cartográficos da artista carioca, além de um vídeo no qual ela explica seu processo de criação, serão exibidos na Caixa Cultural de SP.
Na mesma data da abertura, Geiger fará uma palestra no instituto, às 12h30, a fim de apresentar e explicar os propósitos de seu trabalho.
A artista atribuiu à série desenvolvida na década de 1990 o nome “Fronteiriços”.
Ela lembra da advertência que recebeu de uma amiga ao comentar-lhe sua intenção de intitulá-los assim: “Ela disse para eu pensar em outro nome, pois este remetia ao borderline [doença relacionada a um tipo de transtorno de personalidade]”.
A observação fez a artista gostar ainda mais do apelido, já que seus mapas são cerceados por moldes de países e pelas paredes das gavetas, e borderline, em tradução literal para o português, significa justamente limite.
A artista começou a trabalhar com mapas na mesma época em que seu marido, Pedro Geiger, atuava como geógrafo do IBGE em projetos de estados brasileiros.
Ela, porém, refuta a ideia de que tenha sido exclusivamente influenciada pela atuação do marido.
“Até os anos 1960, eu trabalhava com formas de corpos viscerais e não era casada com um médico”, diz Geiger, que relembra ter se fascinado com mapas ainda nos anos 1950, quando viu sua irmã desenhando cartografias.
Prestes a completar 85 anos, Geiger tem obras expostas em museus do Rio de Janeiro e de Buenos Aires. Ainda neste mês, suas obras serão exibidas em mostras em Bruxelas e em Nova York.
MAPA-MÚNDI
Para a artista, seus mapas retratam ideologias —como quando usa molas para traduzir tensões entre os países.
Fascinada por retratar a América Latina, ela afirma que sua obra foi influenciada pela ditadura militar, vigente no início de sua carreira.
Suas representações trazem topografias que permitem a problematização de costumes, culturas e políticas sociais delimitadas pelas fronteiras.
Anna Bella Geiger: Gavetas de Memórias
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Artigo de Isabella Menon para o jornal "Folha de S. Paulo" em 14/03/18
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ONDE Caixa Cultural São Paulo, pça. da Sé, 111, tel. (11) 3321-4400
QUANDO a partir desta quarta (14) até 13/5; ter. a dom. das 9h às 19h
QUANTO grátis


Facebook censura Vênus de Willendorf de 30 mil anos como pornográfica

A estátua nua da Idade da Pedra, que representa uma mulher voluptuosa com lábios proeminentes, foi descoberta na Áustria em 1908. Apesar de quatro tentativas de apelo pela decisão, a obra é a mais recente obra de arte para ser considerada inadequada na rede social. Matéria de Aimee Dawson publicada no site do The Art News Paper (www.theartnewspaper.com/news). +

Casos de censura de arte no Facebook continuam a surgir. O último trabalho considerado "pornográfico" é a estátua nua de 30 mil anos conhecida como a Vênus de Willendorf, parte da coleção do Museu Naturhistorisches (NHM) em Viena. Uma imagem do trabalho publicado no Facebook por Laura Ghianda, um auto denomina "artivista", foi removido como conteúdo inapropriado, apesar de quatro tentativas de apelo pela a decisão.

A estátua da Idade da Pedra, que representa uma mulher voluptuosa com lábios proeminentes, foi descoberta na Áustria em 1908 e é famosa por sua escultura detalhada e realismo. O post de Ghianda foi denunciado à censura do Facebook em dezembro do ano passado e compartilhado mais de 7.000 vezes.

Um caso sobre a censura da arte no Facebook foi ouvido em um tribunal de Paris no início deste mês. Frédéric Durand-Baïssas, professor de francês, tenta processar o gigante das redes sociais, desde 2011, que fechou sua conta depois de publicar uma fotografia da pintura de Gustave Courbet, “L'Origine du monde” (1866), que traz uma representação realista de os órgãos genitais de uma mulher. Apesar do Facebook mudar sua política de nudez para permitir "fotografias de pinturas, esculturas e outras obras que retratam figuras nuas", ainda persiste as instâncias de censura artística.

O NHM reagiu ao post do Facebook de Ghianda em janeiro, pedindo que o Facebook permitisse que a Vênus permaneça nua. "Nunca houve uma queixa dos visitantes quanto à nudez da figurinha", diz Christian Koeberl, diretor-geral da NHM. "Não há motivo para [...] cobrir a Vênus de Willendorf e esconder sua nudez, nem no museu, nem nas mídias sociais".
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Matéria de Aimee Dawson publicada no site do The Art News Paper (www.theartnewspaper.com/news).

Arqueólogos descobrem as mais antigas pinturas rupestres, feitas por neandertais

Ao contrário do que se acreditava anteriormente, um estudo sobre as capacidades mentais entre os primeiros humanos e os neandertais podem ter sido "indistinguíveis". Isso contradiz uma teoria recentemente publicada que trata fala sobre a vantagem que teríamos em arte sobre os neandertais. Eles foram creditados a não ter inteligência necessária para fazer arte, mas eram, de fato, a primeira espécie humana a criar a Arte. Confira mais em Notícias no site do Mapa. +

Um novo estudo de pinturas rupestres na Espanha identificou as mais antigas obras de arte do mundo. De acordo com essas novas descobertas, os neandertais, que por muito tem foram creditados a não ter inteligência necessária para fazer arte, mas eram, de fato, a primeira espécie humana a criar a Arte.

As paredes das cavernas La Pasiega, Maltravieso e Ardales apresentam um estêncil manual rudimentar e um desenho de uma escada, bem como outras marcas. As obras de arte pré-históricas têm sido atribuídas aos humanos, mas esse novo relatório prova que as pinturas são muito mais antigas do que se pensava anteriormente. (Uma escultura Neanderthal, já conhecida anteriormente, parecida com uma hashtag, foi descoberta em Gibraltar em 2014.)

Em vez de usar o datado carbono, os novos estudos, que foram publicados nesta semana nas revistas Science and Science Advances, usaram radioisótopos de urânio e tório. As formações de rocha e carbonato de cálcio no topo das marcas ocre indicam que a obra de arte tem impressionante 65 mil anos de idade – uns bons 15 mil anos antes dos stêncils manuais indonésios, que pensavam serem as mais antigas obras de arte do mundo.

"As únicas espécies que estavam por aí eram Neandertais", disse Alistair Pike, arqueólogo da Universidade de Southampton, na Inglaterra, e membro da equipe de pesquisa. "Então, portanto, as pinturas devem ter sido feitas por eles".

Os primeiros humanos não chegaram à Espanha por cerca de 20 mil anos para que pudessem ser responsáveis pelas pinturas. O stêncil manual, em particular, teria que ter sido feito intencionalmente, com o artista fazendo o pigmento e pulverizando-o sobre sua mão. As cavernas também contêm muitas conchas pintadas escondidas que são ainda possuem impressionantes 115 mil anos de idade. Algumas apresentaram perfurações, sugerindo que eram usadas como jóias.

Saber que os neandertais fizeram arte muda totalmente a visão que se tinha sobre o parente mais íntimo de Homo sapiens. Durante muito tempo acreditavam ter sido uma espécie mais primitiva e menos inteligente do que os humanos modernos, mas os neandertais podem ter sido nossos antepassados mais diretos do que se imaginava.

Como nós, de forma independente eles começaram a fazer arte - o que sugere também que eles podiam ter mesmo uma linguagem falada. Em suas descobertas, a equipe de pesquisa observou agora que "os neandertais e os primeiros humanos modernos eram cognitivamente indistinguíveis". Isso contradiz uma teoria recentemente publicada que nossa capacidade de arte nos deu uma vantagem sobre os neandertais, que foram extintos há cerca de 40 mil anos, logo após o Homo sapiens chegar na Europa.

"Eu acho que devemos aceitá-los como parte de nós", disse Pike. "Eles são parte de nossa linhagem, eles são humanos, eles são apenas uma população humana diferente".

As descobertas são atraentes, mas nem todos confiam na nova tecnologia. "Infelizmente, não estou totalmente convencido", disse a arqueóloga humana, Joseba Ríos Garaizar, do Centro Nacional de Pesquisa sobre Evolução Humana da Espanha, à BuzzFeed News.

Wil Roebroeks, um especialista em Neanderthal na Leiden University na Holanda, não estava envolvido no projeto, mas, no entanto, disse ao Washington Post que a descoberta "constitui um grande avanço no campo dos estudos de evolução humana".

"O que temos aqui", disse Pike à Reuters, "é uma arma fumegante que realmente derruba a noção de que os neandertais eram homens das cavernas arrastando as armas".
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Matéria de Sarah Cascone publicada originalmente no site artNet News (www.artnete.com), em 23/02/18.

O que seres humanos tiveram vantagem sobre os neandertais? Era a arte

Uma pesquisa recentemente divulgada liga os desenhos nas cavernas com desenvolvimento de habilidades de caça. Ou seja, a arte faz você mais inteligente. Matéria de Henri Neuendorf para o artnet (artnet.com), em 14/02/18. +

Um novo estudo sugere que os seres humanos pré-históricos evoluíram para se tornarem as espécies dominantes do mundo, em parte, porque criaram a arte. As habilidades evoluídas de coordenação e visualização entre as mãos e os olhos que criavam os desenhos pré-históricos ajudaram à maestria em habilidades essenciais de caça do Homo sapiens, segundo o estudo, dando aos humanos uma vantagem sobre seus primos sem arte, os neandertais.

O artigo foi escrito pelo psicólogo Richard Cross da University of California-Davis, um especialista em arte e evolução humana, e um ex-instrutor de desenho. Foi publicado no periódico Estudos Evolutivos na Imaginativa Cultura.

No documento, Cross sustenta que há "uma relação causal entre a habilidade desenvolvida anatomicamente do humano moderno para usar lanças com precisão, enquanto caça, e sua capacidade de desenhar imagens representacionais".

O pesquisador argumenta que, embora os neandertais usassem lanças para caçar presas domésticas na Eurasia, o Homo sapiens era um caçador de lanças muito mais perigoso e uma presa alerta na África. Como resultado, ele supõe que o Homo sapiens desenvolveu um córtex parietal maior - a região do cérebro que controla imagens visuais e coordenação motora.

"Os neandertais podiam mentalmente visualizar previamente os animais dos seus trabalhos de memória, mas eles não conseguiram traduzir essas imagens mentais efetivamente na coordenação de movimentos das mãos necessários para o desenho", escreve Cross.

Por outro lado, o Homo sapiens estavam realmente afiando suas habilidades de caça criando os desenhos nas cavernas, ele diz: "Uma vez que o ato de desenhar aumenta as habilidades observacionais, talvez esses desenhos sejam úteis para conceituar caças, avaliar a atenção do jogo, selecionar áreas corporais vulneráveis como alvos , e promover a coesão do grupo através de cerimônias espirituais".

Para pesquisar sua hipótese, Cross estudou desenhos de 30 mil anos na Caverna Chauvet-Pont-d'Arc no sul da França e concluiu que os movimentos nas garras são semelhantes ao arco que uma lança jogada poderia levar. Em outras palavras, os humanos pré-históricos não estavam apenas curiosos em paredes de cavernas; eles estavam elaborando planos, estratégias e representações que mostravam uma consciência aguda de seu jogo.

O nexo entre as técnicas de caça e a proeza de desenho pode não ser intuitivo, mas se o estudo estiver correto, o vínculo entre as habilidades poderia ser um dos motivos pelos quais o Homo sapiens prosperou enquanto os neandertais morriam.
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Matéria de Henri Neuendorf para o artnet (artnet.com), em 14/02/18.

Mural do pioneiro do Pop Art Eduardo Paolozzi é descoberto em Berlim

Uma demolição de um banco ao lado do prédio revelou o trabalho escondido na antiga Berlim Ocidental, mas a pintura permanecerá em exibição? Matéria de Kate Brown publicada originalmente no site artnet (www.artnet.com), em 23/02/18. +

Um mural vibrante do pioneiro do pop art britânico, Eduardo Paolozzi, foi revelado recentemente após uma demolição de um edifício em Berlim.

Paolozzi (1924-2005) completou o mural, o maior trabalho público do artista, em 1976, ao lado de um prédio próximo à Estação Zoo, no que era então o centro de Berlim Ocidental. Mas ficou escondido quando um grande banco foi construído no local na década de 1980.

Durante anos, o mural "perdido" só podia ser visto em certas janelas dentro do edifício do banco, que agora foi demolido. A composição em preto e branco de Paolozzi, que mede mais de 3m², foi revelada novamente. No entanto, seu futuro é incerto, já que existem planos para um novo edifício em andamento.

Uma grande pesquisa sobre o trabalho do artista, a mostra "Lots of Pictures - Lots of Fun", está em exibição na Galeria Berlinische em Berlim até 28 de maio. É a primeira exposição monográfica dedicada a Paolozzi na Alemanha em mais de 30 anos, e que foca em sua produção entre as décadas de 1940 e 1970, incluindo esse período decisivo que passou em Berlim em 1974, tempo em que este mural foi criado.

O escultor e gravador escocês é mais conhecido por suas obras vibrantes e futuristas e é amplamente considerado como um dos fundadores do movimento britânico de pop art. Ele lecionou em várias faculdades em Hamburgo, Colônia e Munique, bem como o Royal College of Art em Londres.
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Matéria de Kate Brown publicada originalmente no site artnet (www.artnet.com), em 23/02/18.

Arte africana floresce na primeira edição da 1-54 em Marrakech

A edição em Marrakech da 1-54 Feira de Arte Africana Contemporânea teve fortes vendas, com exceção de algumas estrelas em ascensão, mas ainda abaixo do que outros mercados. E muitos se perguntam o que a cena de arte africana ainda precisa para florescer o mercado completamente. Matéria de Naomi Rea publicada no site do artNet (artnet.com), em 26/02/18. +

A 1-54 Feira de Arte Africana Contemporânea fez sua estreia na África em Marrakesh, Marrocos, no Grand Salon da badalada La Mamounia, um dos hotéis favoritos de Winston Churchill. Realizada no último fim de semana, a 1-54 acolheu 4 mil visitantes para ver obras de arte de 17 galerias internacionais, que exibiram mais de 60 artistas contemporâneos de toda a África e sua diáspora. As vendas foram fortes, mas, com exceção de algumas estrelas em ascensão, os preços geralmente variaram de US $ 1.000 a US $ 20.000, ainda abaixo do que outros mercados, dos quais muitos se perguntam o que a cena de arte africana ainda precisa para florescer o mercado completamente.

A feira estava lotada de colecionadores internacionais, enquanto grandes diretores e curadores de museus também viajaram à Marrakech. O diretor do Museu de Arte Moderna de Nova York, Glenn Lowry e Zoe Whitley, da Tate, que co-organizou a mostra "Alma de uma Nação" com Mark Godfrey, foram vistos percorrendo os estandes da feira, além da aparição também dos diretores e curadores de The Smithsonian, Zeitz MOCAA e Centre Pompidou.

Nos últimos dez anos, tem crescido o interesse pelo mercado de arte africana contemporânea. Muitas galerias consolidadas representam agora artistas africanos, e iniciativas como 1-54, lançada em Londres em 2013 e se ampliou para Nova York até 2015, estão atraindo muitos colecionadores internacionais.

Marrakech é tradicionalmente um elo entre África, Europa e Oriente Médio. Como o francês é a segunda língua do marroquino, a localização atrai inúmeros expositores e colecionadores francófonos que não são presenças garantidas nas edições da feira de Nova York na primavera e em Londres no outono.

"Eu acho que há uma alta correlação entre a economia de um país e a forma como a cena artística está se desenvolvendo", disse o diretor da feira, Touria El Glaoui, quando foi perguntado sobre as diferentes cenas em todo o continente. "Estamos lidando com todo o continente, não só um país, e eles estão todos em níveis diferentes de desenvolvimento".

De acordo com El Glaoui, que também é filha do pintor marroquino Hassan El Glaoui, o norte da África desenvolveu uma forte cena artística nos últimos 20 anos, com casas de leilões surgindo em torno de Marrocos e dezenas de galerias em grandes cidades, e muitos artistas estão fazendo feiras internacionais de arte agora, e os marroquinos estão cobrando valores mais altos por sua arte.
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Matéria de Naomi Rea publicada no site do artNet (artnet.com), em 26/02/18.

Escultura de Sérvulo Esmeraldo é levada pelo mar em Fortaleza

A obra "La Femme Bateau" movia-se na Ponte dos Ingleses, em Fortaleza, e a viúva do artista Dodora Guimarães lamenta: "Em que banco de areia estará nossa sereia?” Matéria publicada originalmente no jornal “O Povo”, em 03/03/18. +

La Femme Bateau" movia-se na Ponte dos Ingleses, orientada pela direção dos ventos. Escultura foi arrancada pela força das ondas durante a ressaca.

A viúva do artista plástico Sérvulo Esmeraldo, Dodora Guimarães comentou neste sábado, 3, sobre a escultura de Sérvulo Esmeraldo carregada pelas ondas durante a ressaca que atingiu a orla de Fortaleza. Dodora Guimarães publicou a matéria do O POVO Online em seu perfil no Instagram e comentou: "Em que banco de areia estará nossa sereia?"

A instalação ficava na ponta da Ponte dos Ingleses, na Praia de Iracema. Foi construída em 1994, a partir de fibras. Em formato de barco, ela se movimentava conforme a direção dos ventos.

Oito mergulhadores do Corpo de Bombeiros iniciam às 8h30min da segunda-feira, 5, as buscas pela obra. A escultura foi levada da Ponte dos Ingleses pelas ondas na última sexta-feira, 2. A responsabilidade da operação é do tenente coronel Holdayne. A ação é feita em conjunto com a Prefeitura de Fortaleza.

“O horário foi escolhido porque o mar vai estar secando”, afirma Heraldo Pacheco, comandante-geral dos Bombeiros. Segundo ele, ainda não é possível ver a escultura devido a altura do mar, que continua alta. “ De um jeito ou de outro, vamos tirar”, garante o comandante. A obra tem dimensão de 5 metros por 1,5m.

Além do corpo de bombeiros, trabalhadores da Prefeitura ajudarão nas buscas. O comandante classifica a operação como “delicada”. “Encontrar vai ser fácil, mas é preciso saber em qual posição a escultura vai estar”, adianta. Segundo Heraldo não se sabe se a escultura vai ser retirada pela praia ou se será levada pela ponte dos ingleses. “Só vai ser decidido na hora, depende da situação do mar”, diz. Se encontrada, a Prefeitura levará a escultura para o reparo. Depois, a obra retorna para Ponte dos Ingleses.
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Matéria publicada originalmente no jornal “O Povo”, em 03/03/18

Espaço do Estado do RJ ganhará nome da mãe de ex-secretário

No apertado orçamento da Secretaria Estadual de Cultura do RJ para 2018, um investimento chama a atenção: R$ 327.800 para a implantação de uma galeria de arte. A criação de um novo equipamento cultural, no momento em que os já existentes têm cada vez menos recursos para ser mantidos, sobressai ainda mais por causa do nome que ganhou: Dalva Lazaroni. Dalva, que morreu em julho passado, era historiadora e colecionadora de arte sacra. Era também mãe do ex-responsável pela pasta André Lazaroni, que ficou à frente da secretaria de fevereiro a novembro de 2017. Artigo de Paula Autran para o jornal "O Globo". +

No apertado orçamento da Secretaria Estadual de Cultura do RJ para 2018, um investimento chama a atenção: R$ 327.800 para a implantação de uma galeria de arte. A criação de um novo equipamento cultural, no momento em que os já existentes têm cada vez menos recursos para ser mantidos, sobressai ainda mais por causa do nome que ganhou: Dalva Lazaroni.
Dalva, que morreu em julho passado, era historiadora e colecionadora de arte sacra. Era também mãe do ex-responsável pela pasta André Lazaroni, que ficou à frente da secretaria de fevereiro a novembro de 2017. Em seu lugar, assumiu o coronel dos Bombeiros Leandro Sampaio Monteiro, seu subsecretário de Planejamento e Gestão. O atual secretário afirma, no entanto, que, do total previsto, pretende investir R$ 300 mil na galeria.
A ideia do governo do estado é montar a galeria no térreo do Convento de Nossa Senhora do Carmo, um prédio tombado em âmbito federal e estadual que marca a história do Rio desde o século XVII, quando foi erguido, em frente ao Paço Imperial. Fechado desde 2009, o edifício será reformado com recursos da Procuradoria Geral do Estado (PGE) — que vai ocupar uma parte do imóvel —, sem onerar o orçamento, segundo o procurador Nicola Tutungi Júnior, secretário geral de Gestão e Planejamento Institucional da PGE-RJ.

“IDEIA FOI MINHA”, DIZ DIRETOR DO INEPAC

Segundo o procurador, a empresa gerenciadora ainda está finalizando o orçamento da obra, cujo projeto inicial já foi aprovado tanto pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (Inepac) quanto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Acreditamos que até meados de 2018 tenhamos a obra licitada, e seu início está previsto para o segundo semestre”, disse ele, em nota. O projeto executivo da obra deve receber o ok do Inepac já na semana que vem, pois a intenção do instituto é inaugurar a galeria até o fim do ano, antes da conclusão da reforma completa do prédio.
— A previsão orçamentária é para acervo, instalação e a montagem da galeria — diz Marcus Monteiro, diretor-geral do Inepac, que se apressa em explicar: — Não tem nada de nepotismo. A ideia foi minha.
Dalva e Marcus fizeram muitos trabalhos juntos. Entre eles, a exposição “Devoção e Esquecimento — Presença do Barroco na Baixada Fluminense”, na Casa França-Brasil, em 2001, quando ela presidia a instituição, e ele, que foi o curador, era Superintendente da Baixada da então secretária de Cultura Helena Severo.
Historiador e especialista em arte sacra fluminense, Marcus conta que sua ideia inicial era transformar o Convento do Carmo num museu de arte sacra. Tudo começou em meados de 2004, quando ele dirigiu o Inepac pela primeira vez e descobriu que o convento, que é do governo do estado, estava cedido para a Universidade Cândido Mendes em troca do aluguel de algumas salas. Entrou na Justiça e conseguiu desocupar o local.
— Minha proposta era ter como base principal o acervo do museu de arte sacra da Arquidiocese, que fica no subsolo da Catedral, escondido — relembra Marcus, que foi exonerado em 2009, mesmo ano em que o prédio retornou às mãos do estado. — Voltei para o Inepac em março do ano passado e fui procurar a Arquidiocese, mas eles não se interessaram pela proposta. Seu plano B foi, então, a galeria. — Claro que o museu não teria o nome dela. Mas uma galeria de arte, não vejo problema.
A galeria vai ficar localizada à direita de quem entra no prédio principal do convento, com frente para a Rua Primeiro de Março. Os outros dois andares serão ocupados pela equipe do Inepac. Já a PGE ficará com todo o bloco voltado para a Rua Sete de Setembro.
Hoje deputado pelo PMDB, Lazaroni afirma que não sabia da homenagem, mas não vê problema em ter o nome da mãe batizando uma galeria prevista ainda na sua gestão:
— Mas por quê (haveria)? É merecida a homenagem. Eu ter sido secretário não diminui o legado dela. De qualquer forma, estou sabendo por você.
Já o secretário, Leandro Sampaio Monteiro, afirma que não tem medo de críticas:
— Dalva teve brilho próprio: foi ativista ambiental, advogada e colecionadora de arte.
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Artigo de Paula Autran para o jornal "O Globo".

Modernidade de Gio Ponti ganha mostra no Museu da Casa Brasileira

O documentário “Amare Ponti” será exibido nesta quarta (28) na sede do Istituto Italiano di Cultura. Além do filme, o arquiteto milanês, considerado um dos nomes mais influentes da arquitetura italiana no pós-Guerra, ganha uma mostra a partir de quinta (1º) no Museu da Casa Brasileira. Artigo de Isabella Menon para o jornal "Folha de S. Paulo". +

“Ele não pertencia à sua época”. Assim o colecionador Benedikt Taschen define o arquiteto Gio Ponti (1891-1979) no documentário “Amare Ponti”, que será exibido nesta quarta (28) na sede do Istituto Italiano di Cultura.
Além do filme, o arquiteto milanês, considerado um dos nomes mais influentes da arquitetura italiana no pós-Guerra, ganha uma mostra a partir de quinta (1º) no Museu da Casa Brasileira.
A exposição reúne desenhos e fotografias relacionadas a projetos arquitetônicos, como a sede da Pirelli, em Milão, e peças de mobiliário pensadas pelo designer entre os anos 1935 e 1970.
Para o diretor do instituto, Michele Gialdroni, a maior contribuição de Ponti foi pensar na leveza de edifícios, em uma época em que a arquitetura e o design era, majoritariamente, composto por peças carregadas com muitos elementos.
MULTIFUNCIONAL
Mas Ponti não foi “apenas” arquiteto e designer. Multifuncional, trabalhou como editor de revistas e foi cronista, além de ter tido vida acadêmica, como professor.
“Ele transitou por uma época que o design era meramente decorativo para um design funcional”, explica o Gialdroni, que acredita que esse fator tenha contribuído para aproximar o design à população, que antes de Ponti era mais elitizado.
Segundo Gialdroni, o período de reconstrução da Itália, após a derrota do país na Segunda Guerra, foi “essencial” para o desenvolvimento comercial do design.
Entre os nomes da reconstrução, Gio Ponti colaborou, com seus projetos, a romper com a orientação clássica que marcou a arquitetura do período fascista.
Gialdroni, que classifica o arquiteto como um precursor da modernidade na Itália, pondera, ainda, que a forma de projetar de Ponti possa ter frutificado no Brasil —por meio de uma ilustre pupila do arquiteto, Lina Bo Bardi, responsável por projetos como o Masp e o Sesc Pompeia.
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Artigo de Isabella Menon para o jornal "Folha de S. Paulo"
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Amare Gio Ponti
QUANDO quarta (28) às 19h30
ONDE Istituto Italiano di Cultura San Paolo, av. Higienópolis, 436
QUANTO grátis

Vivere alla Ponti-maneiras de morar e trabalhar de Gio Ponti
QUANDO a partir de quinta (1º); de ter. a dom. das 10h às 18h
ONDE Museu da Casa Brasileira, av. Brig. Faria Lima, 2.705
QUANTO R$ 10; (grátis sáb. e dom.)

Feira Condo quer destacar galerias no mundo inteiro. Está funcionando?

O evento colaborativo para galerias internacionais temperou o Ano Novo em Londres e está indo para a Cidade do México, e em abril chega à São Paulo. Matéria de Naomi Rea & Javier Pes, publicada no site do artnet News (www.artnet.com), em 15/02/18. +

A Condo, evento inovador de compartilhamento em galerias, está se expandindo. Além de seus empreendimentos estabelecidos em Nova York, Cidade do México e Londres, uma versão menor será lançada em São Paulo em abril. Outra edição do projeto cada vez mais popular está prevista para Xangai no final deste ano.

No momento, entretanto, a iniciativa original da Condo em Londres foi firmemente adotada. A terceira edição do evento de um mês, que encerrou o fim de semana passado, hospedou 46 galerias internacionais em 17 espaços locais. São mais 11 galerias sendo visitadas e mais dois espaços de hospedagem do que no ano passado. Muitos dos participantes apresentaram artistas para colecionadores e curadores na capital britânica pela primeira vez.

Os relatórios de vendas foram sólidos, embora não esmagadores. Mas os negociantes dizem que as vendas não são realmente o ponto. A estrutura da Condo permite-se concentrar na promoção de longo prazo e evitar infusões de dinheiro rápidas - uma vantagem distinta sobre modelos mais caros de feira de arte.

O novo formato da Condo convida as galerias hospedeiras em uma cidade a compartilham seus espaços de exposição com galerias visitantes, sem impor nenhuma comissão ou taxas de aluguel no hóspede. Enquanto o evento começou como uma plataforma para pequenas e médias empresas, os negociantes estabelecidos, incluindo Maureen Paley, Sadie Coles e Johann König, abriram seus espaços para galerias menores do exterior em Londres este ano - um sinal do crescente papel da Condo no circuito de arte da cidade.

Condo aumentou a proeminência em contraste com o pano de fundo da proliferação das feiras de arte, um número cada vez menor de galerias de nível médio, e indicações de que os concessionários estão reduzindo o número de stands que alugam em tendas periféricas ou centros de convenções vagos.

Mas para os participantes da Condo, o elemento mais preocupante do status quo é a queda no tráfego de pessoas para as galerias. Alguns podem dizer que a Condo engana as pessoas em tratar o antigo estilo de roteiro entre galerias como uma feira de arte: um evento pelo qual se deve ter tempo. A principal diferença, no entanto, é que a Condo procura encorajar um ritmo mais lento para olhar e apreciar a arte.

"Levar as pessoas de volta à galeria para se envolverem e comprarem arte é importante para nós, aqueles que não estão na minoria e visam fins lucrativos, geralmente são os que controlam demais o que é importante", diz Jeffrey Rosen, do Misako & Rosen, de Tóquio, que retornou para a Condo em Londres, apesar de não ter colocado nenhuma obra no ano passado. Sua galeria também participará da próxima Condo Cidade do México e Condo Xangai, que será inaugurado em 7 de julho.

A fundadora da Condo, Vanessa Carlos, da galeria londrina Carlos/Ishikawa, disse à artnet News que existe um equívoco de que a Condo é apenas uma alternativa mais barata para feiras de arte para galerias mais novas. "O projeto é muito mais sobre uma reação a uma estrutura mundial de arte, que imita o que está acontecendo no mundo em geral agora: uma pirâmide neoliberal onde tudo parece apontar para corporações", diz ela.

Na verdade, os negociantes dizem que a Condo representa também uma oportunidade de correr riscos e apresentar artistas que não seriam exibidos em uma feira comum. Gigiotto del Vecchio, que co-dirige Supportico Lopez de Berlim, planeja participar da Condo da Cidade do México, que deve abrir em 14 de abril. Ele diz que exibir em uma feira de arte significa "trazer mais ou menos o que se pode vender." Na Condo, devido aos menores custos de participação, "você pode promover um artista e fazer uma exposição que não poderia fazer em uma grande feira".

Galerias Hospedeiras também se beneficiam

O galerista Johann König, radicado em Berlim, que abriu um espaço em Londres no outono passado, disse que participou da Condo este ano porque "somos novos na cena de Londres e a Condo parece ter se tornado uma parte crucial disso".

König hospedou uma galeria brasileira, a Jaqueline Martins, e os dois alinharam seus programas, concentrando-se na linguagem do Minimalismo. Martins mostrou Lydia Okumura, uma artista brasileira ativa nos anos 1970, e König apresentou o trabalho dos artistas contemporâneos Jeppe Hein e José Dávila, inspirados pelo minimalismo.

Enquanto os concessionários concordam que a Condo não é principalmente sobre vendas, isso não significa que as vendas não são importantes - ou que elas não estão acontecendo. Em Maureen Paley, no leste de Londres, visitando galerias joségarcia, mx da Cidade do México e a belga dépendence vendeu o trabalho dos artistas Eduardo Sarabia e Michaela Eichwald, respectivamente.

"Eu gosto que Condo traz energia e interesse para o espaço da galeria", diz Maureen Paley. "Não deve ser equiparado a uma ideia ou abordagem ‘justa’. Durante a Condo, a Paley vendeu duas obras de Wolfgang Tillmans.

Katy Green, a diretora da Rodeo Gallery, um veterano da feira, disse que ficou surpresa com a quantidade de visitantes que compareceram e até decidiu estendê-la por mais uma semana. Ela também vendeu um grande trabalho de Ian Law para Collezione La Gaia em Turim, entre outras vendas para colecionadores particulares.

A diretora da galeria Mother’s Tankstation de Londres e Dublin, Finola Jones, chamou a Condo de "brilhante, simples, [um] triunfo". Os números dos visitantes estavam "fora das tabelas" para sua mostra co-curada com a Galeria Edouard Malingue de Hong Kong e Xangai, em que as duas galerias apresentaram três artistas cujo trabalho nunca foi mostrado em Londres.
"A economia mais suave da Condo Londres, em relação como os imperativos financeiros mais duros, aplicados durante a semana da Frieze, permitem que este excelente projeto seja essencialmente sobre experimentação, apresentações e o envolvimento do público com espaços de galeria reais", diz ela. "É tanto sobre o cotidiano comum e compartilhado de seguir mapas, descer vielas, entrar em elevadores, falar com pessoas, sentir paredes rústicas e participar de mailings, como experimentar uma boa arte".

Antídoto para fadiga de Feiras
No geral, os relatórios positivos de vendas e o calendário cheio no preview no final de semana da feira indicaram que os colecionadores estão entusiasmados com o modelo Condo, até mesmo se acontecer uma inversão de valores, que está cada vez mais dirigida por eventos, possa estar fora do alcance.
"Eu acho realmente que boas feiras de arte que fazem seu trabalho, como a Art Basel, são absolutamente essenciais para a ecologia da galeria", diz Vanessa Carlos. "Mas eu acho que há uma proliferação excessiva de feiras que não estão muito bem alinhadas".
Will Jarvis da The Sunday Painter, uma galeria hospedeira que acaba de abrir um novo espaço em Vauxhall, prevê que a Condo apenas continuará a encontrar favor entre os revendedores.

"Uma vez que o ápice foi alcançado, as pessoas se sentem forçadas a fazer parte da experiência por medo de perder", diz ele. O evento deste ano gerou vendas razoáveis e "uma boa quantidade" de publicidade para a galeria. "Você precisa trabalhar duro quando 80 por cento do mercado de arte é dominado por cinco por cento das galerias", diz ele.

Dawid Radziszewski, da Galeria Dawid Radziszewski de Varsóvia, que exibiu no The Sunday Painter em Londres, já está planejando voltar com mais, e já se inscreveu no evento da Cidade do México. Sem eventos como a Condo, diz ele "o mercado de arte é sem graça - para galeristas, artistas, colecionadores".
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Matéria de Naomi Rea & Javier Pes, publicada no site do artnet News (www.artnet.com), em 15/02/18.

Escultura de guerreiro chinês de terracota tem polegar roubado

O polegar de um dos guerreiros chineses de terracota, presente na exposição “Terracotta Warriors of the First Emperor” na Filadélfia, foi roubado. De acordo com a filmagem da câmera de vigilância, depois que convidados de uma festa no museu entraram na sala de exibição, um deles tirou uma selfie com o braço coberto pelo ombro de uma das estátuas, e então tirou um dos polegares, colocou-o no bolso e saiu. Matéria publicada no site da revista das Artes, em 22/02/18. +

Enquanto o museu dos EUA se desculpou pelo incidente, um funcionário do Centro de Promoção do Patrimônio Cultural de Shaanxi, que providenciou o empréstimo de 10 das estátuas, condenou o ato e disse que o ladrão everia receber uma penalidade severa, informou o jornal chinês “Beijing Youth Daily”.
“Os guerreiros de terracota são tesouros nacionais do nosso país”, disse o funcionário sem nome. “Seu valor histórico e artístico é impossível de avaliar… Exprimimos forte ressentimento e condenação em relação a esse roubo e à destruição de nossa herança”.
Um relatório da Xinhua disse que o centro cultural estabeleceu uma equipe de emergência para lidar com o assunto e iniciou procedimentos para reivindicar compensações do instituto dos EUA, com base em um acordo assinado por ambas as partes.
As 10 estátuas, que estão em exibição na Filadélfia desde setembro, fazem parte de um exército de argila de cerca de 8 mil soldados, cavaleiros e cavalos descobertos em Xian, capital da província de Shaanxi, no noroeste da China.
Encontrado no túmulo do primeiro imperador da China Qin Shihuang e projetado para acompanhá-lo na vida após a morte, as estátuas datam de 210-209 a.C. e, segundo dados do FBI, valem US$ 4,5 milhões cada.
Rohana, que vem do estado de Delaware dos Estados Unidos, estava participando de uma partida de pugilistas no museu quando ele e dois associados conseguiram entrar na exposição “Terracotta Warriors of the First Emperor”, cuja porta foi destrancada.
De acordo com a filmagem da câmera de vigilância, depois que os dois outros convidados da festa deixaram a sala, Rohana tirou uma selfie com o braço coberto pelo ombro de uma das estátuas. Ele então tirou um dos polegares, colocou-o no bolso e saiu.
O roubo passou despercebido até 8 de janeiro, momento em que o museu buscou ajuda da equipe de crime de arte do FBI, que rastreou Rohana em sua casa em 13 de janeiro.
Posteriormente, ele foi acusado do roubo e ocultação de uma obra de arte principal e liberado sob fiança.
O centro cultural disse que emprestou suas exposições mais de 260 vezes a 60 países diferentes nos últimos 40 anos, mas nunca antes vivenciou “um incidente tão nocivo”.
Outro grupo de 10 guerreiros de terracota está em exibição no World Museum na cidade britânica de Liverpool, onde permanecerão até outubro. A exposição de Filadélfia acontece até 4 de março.
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Matéria publicada no site da revista das Artes, em 22/02/18.

Coleção de Rockefeller é exposta antes de leilão

A exposição na Christie’s da capital britânica traz uma seleção de 30 obras dessa coleção, que será leiloada em maio em Nova York, e que pode ser a maior venda de caridade de todos os tempos, com uma renda estimada de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões). +

A Christie’s House em Londres está exibindo parte da coleção de David Rockefeller, que será leiloada em maio em Nova York, e que pode ser a maior venda de caridade de todos os tempos, com uma renda estimada de US$ 1,5 bilhão ((cerca de R$ 5 bilhões)). Isso foi confirmado à EFE, por um conhecido historiador da rica família americana rica, Peter Johnson, que explicou que o leilão será composto por cerca de 2.400 objetos. Estes incluem pinturas, móveis, louças e peças de porcelana, que Rockefeller reuniu com sua mulher, Margaret McGrath-Peggy, durante 55 anos de casamento.

No salão Christie’s da capital britânica, uma seleção de mais de 30 obras dessa vasta coleção estará disponível até 8 de março, a mesma que já foi levada para Hong Kong e mais tarde para Paris, Pequim, Los Angeles e Xangai, para finalmente voltar a Nova York, onde o leilão ocorrerá em maio.

Claude Monet, Henri Matisse, Juan Gris, Edouard Manet, Georges Seurat, Vicent Van Gogh e Pablo Picasso, são apenas alguns dos nomes que integram a exposição, que representa uma jornada artística do final do século 19 até o início do século 20, refletindo os movimentos impressionistas e modernos em todos as suas vertentes.

Uma das obras mais importantes da exposição é Odalisca com Magnólias, que o francês Matisse pintou em 1923 em Nice e tem preço estimado de US$ 50 milhões (£ 56 milhões).

David Rockefeller, o último neto do magnata John D. Rockefeller – considerado o homem mais rico da história moderna – morreu em 2017 aos 101 anos, depois de uma vida dedicada aos negócios e ao apoio à arte.

Uma paixão que foi carregada no sangue e foi instilada desde o berço por sua mãe, Abby Aldrich, uma das pioneiras do Museu de Arte Moderna (MoMA) em NY. Sua mulher, Peggy, compartilhou esse fascínio com ele e juntos viajaram pelo mundo coletando o melhor da arte, como disse à EFE o presidente de arte moderna e impressionismo da Christie’s, Conor Jordan.

“Eles começaram sua coleção no fim dos anos 1940, concentrando-se primeiro na arte tradicional inglesa. Depois, dedicaram-se à exploração de outros movimentos e artistas mais modernos.”

Entre esses criadores mais modernos está o espanhol Pablo Picasso com a pintura Menina com Cesta de Flores (1905), estimada em US$ 70 milhões (£ 56 milhões). Uma obra-prima que, segundo Jordan, o artista pintou no Período Rosa em Paris, inspirado em um vendedor de flores de Montmartre. Mas há ainda a tela de Claude Monet Nenúfares em Flor (1914), uma das mais de 250 obras que o artista criou no fim da vida com base na flor e que é avaliada em US$ 35 milhões (£ 28 milhões).

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Matéria de Paula Baena Velasco, com tradução de Claudia Bozzo, publicada em O Estado de S. Paulo, 22/02/18.

Entre o gesto da pintura e o conceito

Crítica sobre as exposições em cartaz em São Paulo, "Matriz do Tempo Real" (MAC-USP) e as retrospectivas do americano Basquiat (CCBB-SP) e do brasileiro Rodrigo Andrade (Estação Pinacoteca), que dialogam entre si. Matéria de Bruno Yutaka Saito publicada originalmente no jornal "O Valor Econômico", em 23/02/18. +

Há ocasiões em que filmes, exposições, peças etc. em cartaz "conversam" entre si. Sorte do público, que tem oportunidade de fazer conexões e vislumbrar painéis. É o que ocorre agora com as exposições "Matriz do Tempo Real" (MAC-USP) e as retrospectivas do americano Basquiat (CCBB-SP) e do brasileiro Rodrigo Andrade (Estação Pinacoteca).

As questões colocadas por elas ajudam a entender a arte contemporânea e seus mecanismos enigmáticos. Enquanto "Matriz" reúne práticas dos anos 60 e 70 ligadas à arte conceitual, Basquiat filia-se a um momento de reação, de retorno à pintura e ao vigor da mão do artista. Conhecido como neoexpressionismo, teve repercussão mundial e fascinou o mercado e jovens artistas no começo dos anos 80, como Andrade.

Com curadoria de Taisa Palhares, "Pintura e Matéria (1983-2014)" reúne mais de cem trabalhos do paulistano de 56 anos e vai além da rememoração ao refletir sobre os descaminhos da pintura, o mais tradicional (ou nobre ou ultrapassado, a depender do viés) suporte artístico. Não que interrogações sobre o fazer pictórico estejam ausentes do horizonte de Andrade. A busca por problemas, e soluções, é o que o move.

Já era assim nos tempos de Casa 7, o grupo do começo dos anos 80 que garantiu sua entrada à narrativa da história da arte brasileira. "Caveira" (1985) aponta para o espírito da época. Como não havia recursos para trabalhar com telas, o papel kraft representava uma solução não apenas econômica.

Em grandes dimensões, de cerca de 2m x 2,5m, tais pinturas evidenciam o choque entre o esmalte sintético e o papel que não o absorveu. Assim como os acordes sujos do punk rock, são obras que sofrem com os anos, mas instigam nostalgia saudável da juventude.

Se Philip Guston (1913-1980) era a solução para fundir o imaginário das HQs ao vigor de um Jasper Johns, as sombras do Brasil tropical e "dark" de Oswaldo Goeldi (1895-1961) abraçaram Andrade mais tarde. Como evidencia a exposição, que segue ordem cronológica, tons sombrios, de silêncio, seguem constantes. Conceitos de matéria, cor e espaço habitam suas preocupações.

Em 1999, ele teve seu momento "heureca!". A empolgação com a descoberta, que é sua marca, reflete-se como quantidade na exposição. Assim como é praxe entre os grandes (Morandi, Mondrian), o menos é mais. Andrade reduz a pintura ao básico: tinta sobre tela. Surgem, assim, bloquinhos isolados de tinta a óleo, circulares ou retangulares, que chegam a até 2cm de altura em relação à superfície. Acenos ao pop ("Miami Vice", "Sala das Preocupações" - referência ao Tio Patinhas) ou ao neoconcretismo são vislumbrados.

São obras minimalistas por um lado, expressionistas por outro, uma vez que da tela emanam turbulências, tornando-a quase escultura, com tanta vida e matéria que saltam da superfície. Quem desconfia da aridez da arte contemporânea talvez veja Andrade e seus bloquinhos apenas como outro "rei nu" do conto de Hans Christian Andersen. O ponto alto, a série "Matéria Noturna", com telas que estiveram na Bienal de SP de 2010, desfaz reticências. Com acenos atualizados a Goeldi, Andrade mostra equilíbrio ao integrar os blocos de tinta a figurações da solidão noturna (prédios, galpão, praia etc.).

É quando ele se distancia dos seus antigos mestres modernos que o conjunto se mostra frágil. A série "Stencils" (2010) lembra mais o contemporâneo Vik Muniz fazendo retratos (como o de Dilma Rousseff) usando tinta a óleo em vez de feijão ou molho de tomate. Em "Office at Night" (2006), os bloquinhos sobre reprodução de Edward Hopper são como o bigodinho de Marcel Duchamp sobre a "Monalisa", autorreferência excessiva.

Prevalece a força do conjunto de telas superlativas que estimulam os sentidos dos visitantes - que, não raramente, tentam mergulhar dedos na tinta. As obras de Andrade parecem querer pegar o visitante pelo braço.

Se os gestos da mão saltam aos olhos nas telas das retrospectivas de Basquiat e Rodrigo Andrade, ideias intangíveis se escondem dos olhares em "Matriz do Tempo Real", no MAC-USP. Com mais de 40 trabalhos de 28 artistas, a coletiva se debruça sobre a produção conceitual, que teve seu ápice nos anos 60, e reverberações. Desde seu início, em 1963, o museu dedicou especial atenção a essa vertente e comissionou artistas que estão na exposição, como Lydia Okumura.

Idiossincrasias do conceitualismo são tratadas com sagacidade pelo curador Jacopo Crivelli Visconti. Em vez de enfileirar obras representativas da noção de tempo presente no título da exposição, ele torna a própria mostra um convite para que o visitante dilate seu tempo e sua percepção.

Mais do que algo para ver, há registros de ações. O sul-africano Ian Wilson, por exemplo, não realiza obras físicas. O que há é um certificado de autenticidade de "Time Spoken" (1982), trabalho de "comunicação oral" que só existe no momento de sua execução.

Um dos destaques é um exemplar da série "Today", em que o japonês On Kawara (1932-2014) metodicamente, durante quase 50 anos, produzia diariamente uma tela com a data do dia. Mais recente, "Testemunho" (2015), de Daniel de Paula, é uma das mais vistosas instalações da mostra, composta por rochas. Chega a lembrar um trabalho do filme "The Square", mas aqui não é piada. Em vez de banalidade, revela bastidores de negociações para sua concepção e força estética - algo em sincronia com as telas de Rodrigo Andrade.

"Rodrigo Andrade: Pintura e Matéria (1983-2014)"
Estação Pinacoteca - largo General Osório, 66, São Paulo, tel. (11) 3335-4990. Qua. a seg., das 10h às 17h30. Grátis. Até 12/3. AAA

"Matriz do Tempo Real"
Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - av. Pedro Álvares Cabral, 1.301, SP, tel. (11) 2648-0254. Ter.: 10h às 21h; qua. a dom., 10 às 18h. Até 18/3. Grátis. AA+

AAA Excepcional / AA+ Alta qualidade / BBB Acima da média / BB+ Moderado / CCC Baixa qualidade / C Alto risco

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Matéria de Bruno Yutaka Saito publicada originalmente no jornal "O Valor Econômico", em 23/02/18.

Arte acovardada

Fabio Cypriano comenta o período marcado por censura e intolerância, quando também as instituições de arte têm pouco do que se orgulhar, publicada na revista Bravo. +

As instituições de arte entram em 2018 mais fragilizadas e acovardadas do que começaram 2017. De certa forma, isso é consequência da polarização enlouquecida das redes sociais que também contaminou o mundo das artes visuais. O início desse percurso ocorreu em Porto Alegre, quando o Santander Cultural encerrou a mostra Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira em setembro, quase um mês antes do prazo previsto, por conta de denúncias nas redes sociais de apologia à pedofilia e zoofilia, apontadas em 3 das 264 obras expostas.

Não foi a primeira mostra dessa temática no país. A 31ª Bienal de São Paulo, Como Falar de Coisas Que Não Existem, em 2014, reuniu um segmento muito mais radical, em torno de três projetos: Deus é Bicha, do peruano Miguel López; o Museu Travesti do Peru, de Giuseppe Campuzano; e Zona de Tensão, uma homenagem a Hudinilson Jr. (1957-2013), organizada por Marcio Harum. Com muito mais visibilidade do que o Santander, a Bienal não passou por nenhum tipo de constrangimento, mesmo que polêmicas não sejam raras em sua história – é só lembrar dos urubus de Nuno Ramos, em 2012, e dos pichadores, em 2008.

Certo é que o Brasil de 2014 era muito mais tolerante e aprazível que o país surgido do golpe, em 2016, marcado pela quebra das regras democráticas e o fortalecimento de movimentos reacionários contra a liberdade de expressão. O posicionamento de censura do Santander certamente deu forças para o segundo ato dessa ópera bufa: os protestos contra a performance La Bête, de Wagner Schwartz, na abertura do 35º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Novamente, pelas redes sociais, criou-se uma enxurrada de falsas acusações, de que uma criança estaria interagindo com o artista nu e que, portanto, o museu estaria fazendo apologia da pedofilia.
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Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na revista Bravo.

Ernesto Neto transforma estação ferroviária de Zurique em floresta tropical

O artista brasileiro, em colaboração com a Fondation Beyeler, vai construir uma enorme cobertura de árvores sobre a estação ferroviária mais movimentada de Zurique. Ela também será um espaço para meditação, educação e programação pública, com música, oficinas, visitas guiadas e mesas-redondas. Matéria publicada no site do Touch Arte (www.touchofclass.com.br), em 20/02/18. +

O artista brasileiro Ernesto Neto está criando uma instalação espetacular que levará o espírito da floresta amazônica – e possivelmente alguns de seus habitantes – à principal estação ferroviária de Zurique. Chamado de Gaia Mother Tree, o projeto organizado pela Fondation Beyeler deve ser inaugurado no início de junho deste ano.

Durante oito semanas, Neto irá transformar o espaço um ponto de encontro sob um “dossel de árvores”, feito à mão a partir de tiras de algodão colorido com corantes naturais. Os “ramos” pendurados na escultura de 20 metros de altura serão preenchidos com especiarias aromáticas e folhas secas. Abaixo do dossel, os visitantes poderão acessar um espaço projetado pelo artista através de um túnel.

Sam Keller, diretor da Fondation Beyeler em Riehen, perto de Basileia, disse à Artnet News que a estação ferroviária suíça é o equivalente europeu da Grand Central de Nova York e estima que “quase meio milhão de pessoas” passam pelo saguão diariamente. Ele espera que a instalação de Neto se torne a obra de arte contemporânea mais visitada da Suíça. Esses visitantes incluirão inevitavelmente as pessoas que passam por Zurique com destino a Art Basel, que vai de 14 a 17 de junho.

A instalação é o projeto de arte pública mais ambicioso de Beyeler em 20 anos, disse Keller. É comparada apenas a Wrapped Trees (1997-98), de Christo e Jeanne-Claude, quando os artistas cobriram mais de 100 árvores com tecido nos prados que cercam a instituição.

GaiaMotherTree será mais do que uma “escultura maravilhosa”, disse Keller. Ela também será um espaço para meditação, educação e programação pública bem “no meio da agitada estação ferroviária”.
Ernesto Neto tem sido influenciado pela cultura e os costumes do povo indígena Huni Kuin

O evento também poderá receber uma visita dos Huni Kuin, indígenas que vivem na Amazônia perto da fronteira com o Peru. Uma delegação viajou à Itália para a prévia da Bienal de Veneza do ano passado, para ajudar a inaugurar o trabalho de Neto no Arsenale, que foi inspirado de maneira semelhante pelas tradições e rituais de Huni Kuin.

Nos últimos anos, Neto voltou sua atenção para uma nova série de obras, que ele está realizando em cooperação com os Huni Kuin, comunidade indígena que vive na região amazônica perto da fronteira brasileira com o Peru. A cultura e os costumes dos Huni Kuin, suas habilidades de conhecimento e artesanato, seu sentido estético, seus valores, sua visão de mundo e sua conexão espiritual com a natureza transformaram a concepção de arte de Neto e se tornaram elementos integrantes de sua prática artística.

Keller, que estava providenciando os vistos para a visita dos Huni Kuin no final do ano passado, confirmou que parte da programação auxiliar envolveria os povos indígenas “não apenas do Brasil, mas de diferentes lugares”. Música, oficinas, visitas guiadas e mesas-redondas devem acontecer dentro da instalação.
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Matéria publicada no site do Touch Arte (www.touchofclass.com.br), em 20/02/18.

Parcela do orçamento não foi repassada

O orçamento do Museu Nacional ficou ainda mais apertado: vinculada à UFRJ, a instituição deveria receber R$ 515 mil anuais da universidade, mas nos últimos três anos, a fração final não foi repassada. Matéria publicada originalmente no jornal "O Globo", em 20/02/18. +

O orçamento do Museu Nacional ficou ainda mais apertado recentemente. Vinculada à UFRJ, a instituição deveria receber R$ 515 mil anuais da universidade, em três parcelas. No entanto, nos últimos três anos, a fração final não foi repassada.

— Só estamos recebendo em torno de R$ 300 mil — lamenta Kellner. — Isso acontece porque a própria UFRJ está sofrendo um corte de verbas. Vamos ao reitor pedir mais dinheiro, mas sabemos que não é má vontade dele.

De acordo com Kellner, a falta de recursos é “especialmente visível” no Museu Nacional porque sua sede fica em um prédio histórico.

— Não posso contratar qualquer pessoa para fazer uma restauração. A manutenção é muito cara.

Procurada pela reportagem, a UFRJ não se pronunciou sobre os cortes orçamentários.

Com a chegada de novos recursos, Kellner espera aumentar o espaço de exposições em até 20%. A verba também deverá ser usada para incrementar mostras já em cartaz, como a de mineralogia, e concluir a manutenção de três salas. Uma delas, dedicada a dinossauros, foi fechada há um mês, após a detecção de cupins em sua base. Será reaberta entre abril e maio, quando forem concluídas as reformas e a troca do sistema de iluminação.

O museu tem hoje 21 exposições abertas ao público, sendo 18 permanentes e três temporárias. Entre as mais populares estão uma dedicada ao Tiranossauro rex e outra sobre o Egito Antigo.
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Matéria publicada originalmente no jornal "O Globo", em 20/02/18.

Só temos verba para medidas paliativas

O paleontólogo Alexander Kellner assumiu a missão de arrumar o cômodo do terceiro andar do Museu Nacional que, no século XIX, foi o quarto do imperador dom Pedro II, e agorá será sua sala como diretor da instituição. Ele revela a intenção de transferir todo o aparato administrativo do museu para outro edifício, deixando o prédio histórico livre para mais exposições. Para isso, porém, precisa receber verbas e reformar o prédio; e agora até o quarto de Pedro II tem goteira. Matéria de Renato Grandelle publicada no jornal "O Globo", em 20/02/18. +

Uma estante metálica repleta de caixas de depósitos, um computador desconectado, uma mesa ampla com papéis esquecidos. Na última quinta-feira, o paleontólogo Alexander Kellner assumiu a missão de arrumar o cômodo do terceiro andar do Museu Nacional que, no século XIX, foi o quarto do imperador dom Pedro II, e agorá será sua sala como diretor da instituição.

Recém-empossado no cargo, Kellner já prepara o 200º aniversário do museu, que será celebrado no dia 6 de junho. A lista de metas para o mandato de quatro anos inclui itens como atrair visitantes, fazer investimentos empresariais e modernizar as mostras.

Em entrevista ao GLOBO, o paleontólogo revela a intenção de transferir todo o aparato administrativo do museu para outro edifício, deixando o prédio histórico livre para mais exposições. Para isso, porém, precisa receber verbas e reformar o prédio que já foi uma vitrine do Império. Agora, até o quarto de Pedro II tem goteira.

De que forma o museu pode aproveitar o seu aniversário de 200 anos para obter melhorias?

O ponto principal é discutir como melhorar o diálogo entre o museu e a sociedade. Somos a instituição científica mais antiga do país. Passaremos o ano inteiro procurando investimentos que nos permitam melhorar as exposições. Isso envolve sobretudo aplicar tecnologia, recursos para que o visitante possa “conversar” com uma múmia, por exemplo.

Além do orçamento repassado pela UFRJ, o museu tem parceiros na iniciativa privada?

Não, e está na hora de as empresas contribuírem com o museu. Nosso acervo tem mais de 20 milhões de exemplares, e precisamos de ajuda para cuidar de tudo isso. São insetos, fósseis dos primeiros habitantes da América do Sul, o maior meteorito do país, entre tantas coisas. E a população não tem ideia dessa riqueza e diversidade.

Há outras fontes de renda?

Temos uma negociação adiantada com o BNDES que nos ajudará a restaurar salas antigas, inclusive esta. Eu, o diretor do Museu Nacional, serei o primeiro desalojado da instituição. Depois renovaremos a biblioteca, que fica no Horto, e que poderá receber parte do setor administrativo que está aqui. Mas também gostaria que o governo federal nos cedesse um terreno anexo à Quinta da Boa Vista, porque nos permitiria angariar verbas para construir novos prédios.

Em janeiro, o esqueleto de uma baleia jubarte voltou ao Museu Nacional. Outras peças podem retornar?

Sim. Na verdade, a baleia nunca deixou o museu, ela estava em recuperação. Ainda faremos algumas mudanças em sua sala antes de abri-la para o público, para que os visitantes tenham uma visão diferenciada. Também vou buscar no acervo outros esqueletos, dos fósseis às primeiras aves. Mas não basta colocar tudo em uma mostra, principalmente um material zoológico, porque corre o risco de ele apodrecer. Também não quero que a peça fique ali só para uma pessoa ficar olhando, precisamos ter alguma interatividade.

Um relatório de 2016 da Biblioteca do Museu Nacional destacou que seu prédio tem problemas como goteiras e infiltrações, principalmente na área do acervo, além de morcegos e gambás nas marquises. Como combater estes problemas?

Felizmente essas pragas não têm aparecido no acervo, mas ainda podem ser vistas nas áreas comuns. O maior problema são as goteiras. Tem até nesta sala. Ficamos preocupados quando cai uma tempestade porque só temos verbas para medidas paliativas de prevenção.

Outro problema mencionado é a segurança do acervo. Existe registro de roubos e furtos?

Atualmente, não. Alguns anos atrás, uma quadrilha se infiltrou como estagiários e furtou muitas obras raras, mas essas pessoas foram presas. Uma instituição com o nosso porte sempre será vulnerável, por isso precisamos ficar atentos.

O museu tem 88 professores. É suficiente para realizar todos os trabalhos que o senhor está planejando?

Não. O ideal seria ter em torno de 120 ou 130. Há cada vez mais demandas para atender. E enfrentamos uma tendência de queda, sobretudo entre os técnicos. Temos 215 servidores, e 30% podem se aposentar em até dois anos.

O senhor passa até dois meses por ano na China desenvolvendo suas pesquisas. Como pretende conciliar essa atividade com a direção do museu?

Não posso mudar o museu se estiver longe daqui. Só vou viajar nas férias.

Está satisfeito com o número de visitantes?

Quero aumentar para 1 milhão por ano até o fim do meu mandato, em 2021. Se não conseguir, vou ficar muito frustrado. Temos potencial para isso, mas estamos passando por maus momentos. Em 2017, recebemos só 190 mil pessoas. Há diversos sites dizendo que estamos fechados.

A Imperatriz Leopoldinense apresentou no carnaval um enredo sobre os 200 anos do Museu Nacional e terminou em sétimo lugar. O que o senhor achou do resultado?

Foi muito doído. Faltou sensibilidade dos jurados, o enredo era nota dez. Mas estamos muito gratos com o presente da Imperatriz. Inclusive queremos fazer uma exposição das fantasias e de algumas peças dos carros alegóricos da escola.
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Matéria de Renato Grandelle publicada no jornal "O Globo", em 20/02/18.