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Cidade holandesa celebra Piet Mondrian com réplica gigante

Homenagem ocorre no centenário da fundação do movimento artístico De Stijl, lançado pelo pintor Piet Mondrian. +

A prefeitura de Haia, na Holanda, teve sua fachada decorada com o que as autoridades locais estão chamando de 'maior pintura de Mondrian do mundo' para celebrar o artista abstrato holandês Piet Mondrian (1872-1944).
A réplica da pintura, feita de finas folhas de plástico emolduradas, apresenta o famoso desenho de linhas retas pretas e marcantes blocos vermelhos, amarelos e azuis, foi exibido nas laterais da fachada da prefeitura.
"O conselho da cidade de Haia decidiu homenagear o artista de renome mundial como parte de um ano comemorando o tema 'Mondrian para o design holandês'", disse o porta-voz Herbert Brinkman à agência de notícias AFP.
Este ano marca o centenário da fundação do movimento de arte holandês chamado De Stijl (O Estilo), que ficou conhecido por fortes linhas horizontais e verticais com blocos de cores primárias. Mondrian e o pintor Theo van Doesburg foram dois dos mais conhecidos artistas do movimento.
A pintura mais famosa de Mondrian, "Victory Boogie Woogie", de 1944, é considerada uma das obras de arte mais importantes do século 20. A pintura retornou à Holanda em 1998 após ser comprada de uma coleção americana confidencial por 40 milhões de dólares. A obra agora está no Gemeentemuseum, em Haia, que abriga cerca de 300 outras obras de Mondrian, se tornando a maior coleção do mundo.
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Texto originalmente publicado no site "G1" (http://g1.globo.com) | 04/02/17.
Na foto, a prefeitura de Haia é vista com sua fachada decorada em homenagem ao pintor Piet Mondrian. Crédito: Jerry Lampen / AFP.

Artista luso-brasileiro Artur Barrio vence o Grande Prêmio Fundação EDP Arte

“Entrei na arte sem medo, o meu medo era ser comprado”, diz Barrio, português radicado no Brasil conhecido por obras com sangue, carne ou urina. +

Radical, provocador e anarquista, mas sempre pronto para fugir a classificações. Chama-se Artur Alípio Barrio de Sousa Lopes e o mundo artístico conhece-o como Artur Barrio – apelido da avó materna, que era espanhola. Nasceu há 72 anos na cidade do Porto e mudou-se para o Rio de Janeiro quando tinha 11. Fala português do Brasil, mas ainda constrói frases à portuguesa e com sotaque do norte.
Vencedor do Grande Prêmio Fundação EDP Arte 2016 – anunciado nesta sexta-feira (03/02/17) ao fim da manhã, em Lisboa –, tem uma carreira de mais de 50 anos ligada à arte experimental e marcada por obras polêmicas com forte carga política.
O júri internacional que lhe atribuiu o prêmio no valor de 50 mil euros destacou a “atitude” como “conceito-chave no trabalho de Artur Barrio” e o seu “exílio humilde” como “forma de reagir à impaciência da história e de produzir pensamento através de um gesto de retirada”.
Em entrevista ao "Observador", no dia anterior à entrega do galardão, o artista plástico resumiu a sua história de vida e explicou que trabalha com sangue, urina, carne e sal por serem materiais “simples de encontrar e os mais terríveis de serem mostrados”.

Considera-se português ou luso-brasileiro?
Dizem lá no Brasil que sou um artista português e aqui dizem que sou um artista brasileiro. Como não tenho nenhum interesse em que o meu trabalho tenha nacionalidade, parti para o meio do Oceano Atlântico. Considero-me uma pessoa que vive no mar, longe de qualquer sistema de fronteiras.

Longe também do mercado da arte?
Sim, tento ao máximo. Tento não, porque o meu trabalho mais perturbador é em si mesmo antimercado. Não procurei ter contratos com galerias, posso fazer alguma exposição esporádica numa galeria, mas prefiro trabalhar com instituições. Os museus têm outra dinâmica e abordagem, no sentido de respeitarem e não procurarem uma visão mercadológica. Isso faz com que o meu trabalho se desenvolva a partir de mostras e experiências em museus. Mas já houve tentativas em relação aos registros do meu trabalho, tentaram comercializá-los.

Os registros são as fotografias das suas obras?
Fotografia, apontamentos escritos e vídeos, noutros tempos foi o filme Super 8 ou 6 milímetros. O meu trabalho, em geral, é efêmero, em si e nos materiais. Evidentemente, o objeto não prevalece, o que prevalece é o registro. Noutros casos, nem faço registro.

Se as suas obras forem fotografadas com o celular ou filmadas para um noticiário na televisão passa a haver mais registros.
Sim, mas tenho o meu próprio registro.

E o seu registro prevalece sobre outros porque tem cunho de autor?
Em princípio, sim. Não sou contra a divulgação do trabalho nem a relação dele com o outro, mas não aceito que alguém pegue no registro e o venda ou deixe de citar o meu nome como o criador. O registro é o que fica, é um fragmento, mas antes já existiu a obra. Aquele momento, que foi convivido e vivido é o trabalho. O registro posterior não é a obra, é apenas uma pequena memória do que aconteceu.

Há quem descreva as suas obras como performances, situações, intervenções.
Pode chamar como quiser, eu chamo situação. Criou-se uma situação. A performance cai sempre numa teatralidade com princípio, meio e fim. Quando apareço junto à obra, a minha pessoa, a minha imagem, eu não estou fazendo performance para o público, estou trabalhando, fazendo as minhas coisas.

É conhecido pelos trabalhos com papel higiênico, sangue, carne, pão, farelo de arroz. Porquê estes materiais?
Isso tem a ver com o lado psicanalítico de quem vê… O papel higiênico foi em 1969, com 50 centavos comprei vários rolos de papel e o material estava ali. O mais caro foi fazer o registro fotográfico. Amarrava o papel num andaime, qualquer coisa, e ali na entrada da Baía de Guanabara, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, eu próprio fazia a fotografia. Até que um rapaz chamado César Carneiro me viu fazendo isso, ele era fotógrafo, e prestou-se a fazer o registro, eu não precisava pagar nada. Aceitei. Eu também não tinha dinheiro, tinha deixado de trabalhar para seguir a arte, mergulhei de cabeça.

Tinha trabalhado em quê?
Escritório, economia, com o meu pai. Pai patrão não é aquele filme italiano terrível. Quando se tem um pai patrão nunca mais se quer trabalhar para ninguém, acho que foi isso que ele me quis dizer. Ele era bem austero, mas acho que me quis dizer que a vida tem outro sabor e que eu tinha de descobrir.

E os outros materiais: sangue, urina, carne…
São os mais simples de encontrar e os mais terríveis de serem mostrados da maneira que são. O sangue pode ser o meu sangue, o nosso sangue, o sangue que temos de pagar nos hospitais para fazer uma transfusão, tudo isso.

Onde é que arranjava o sangue?
Vou ao açougue comprar sangue de galinha. Ou sangue humano, é só furar o dedo e aparece sangue, isto sem aspectos body art.

Porque diz que são os materiais mais terríveis de mostrar?
Terríveis no sentido em que há um lado político da coisa. O pão, por exemplo, é um alimento usado como instrumento artístico. O pão, que é instrumento ou símbolo de luta, também serve para a arte, em vez de ser jogado fora, porque envelheceu. Não se faz açorda (sopa Alentejana) com o pão duro, deita-se fora para que as bolsas de valores não caiam. Vamos destruir os alimentos para continuar a vender mais.

Uma das suas obras mais conhecidas é o “Livro da Carne”, de 1978. Quer explicar?
Era um pedaço de carne, um lombo digamos, que eu pedi para cortar em fatias, como páginas de um livro. Isto foi em Paris. Havia uma cooperativa de artistas independentes, da qual eu fazia parte, eles tinham um espaço físico em que eu trabalhava e a primeira mostra foi ali. Anteriormente tinha feito o “Rodapé da Carne” e daí desdobrou-se para o “Livro da Carne”.

A peça não podia ficar muitos dias exposta porque começava a apodrecer. Tinha de ser substituída.
Sim, mas esse aspeto da decomposição não me interessava, interessava-me a ideia do livro em si. O animal que é morto pelo caçador, um homem aprisionado por uma corrente, Auschwitz, a tortura. Todas essas imagens horrorosas estão no “Livro da Carne”. Está tudo ali. “Carne”, em português, é todo o tipo de carne. Em francês, “chair” é carne humana e “viande” é animal.
A curta duração da obra é uma das suas marcas. Existe por alguns dias e depois desaparece.

Porque é que recusa fazer a remontagem?
Não me interessa. Refazer é tentar reviver o mesmo processo e aí ficaria preso a um vaivém sem porquê. É como dizia o filósofo pré-socrático, o rio não é sempre o mesmo rio. Sigo um pouco esse princípio.

Mas dessa forma uma parte do público fica impossibilitado de ver as suas obras ao vivo, porque elas passam a existir apenas em fotos, vídeos ou apontamentos.
É um detalhe bizarro. Em Inhotim, em Minas Gerais, compraram-me “O Ignoto”, um trabalho que tem 150 ou 200m², com uma bicicleta, sal grosso no chão, isso tudo. Eles abriram um espaço no museu para que eu reconstruísse aquilo. E pensei: ‘Por que não? Vou-me contradizer, mas vamos lá reconstruir’. Foi reconstruído tal qual tinha estado na Bienal de São Paulo. Foi uma exceção. Pois bem, outro dia, o trabalho desapareceu. Desmontaram tudo, varreram o sal… Porque dá muito trabalho, o sal vai-se refinando com a caminhada das pessoas e vira uma poeira desagradável e tem que se botar sal de novo. Eles não me disseram nada, mas está evidente que foi isso. Não preciso de ter um ateliê ou um depósito para guardar, como faz o artista brasileiro Cildo Meireles. Ele monta e desmonta, eu não tenho isso. Eu estou aqui e tenho o meu trabalho todo em slides ou num CD-ROM.

Nasceu no Porto em 1945 e aos 11 anos mudou-se para o Rio de Janeiro. Porque é que a sua família foi para o Brasil?
Vamos falar politicamente: o padre não gostou que o meu pai não lhe tivesse dado um folar (pão português de Páscoa), e fez um sermão na igreja contra o meu pai, que era industrial, tinha uma fábrica no rio Ave, quem vai do Porto para Famalicão, do lado direito. Ainda está lá: Lopes e Companhia. É isso. A situação política da época é que criou este senão. Ele foi forçado a ir. Fomos todos morar em Copacabana: o meu pai, a minha mãe, o meu irmão e a minha irmã. A minha irmã faleceu aos 20 anos de idade, o meu irmão voltou a Portugal, engajou-se no exército e foi para a Guiné-Bissau por vontade própria.

Como é que era Copacabana em 1955?
A arquitetura de arranha-céus e tudo isso eu já conhecia, porque tinha estado em Angola. Aos sete anos de idade fomos para Luanda. No contacto com a África foi interessante descobrir o lado primitivo, digamos assim, da arte africana, da maneira de lidar com certas coisas, isso encantou-me quando criança. Estivemos lá seis meses, também fomos para o interior, para Bela Vista. O meu pai queria divulgar o produto e andou lá a viajar, Congo Belga, Rodésia, África do Sul.

Copacabana fez-lhe lembrar Angola em termos de arquitetura?
Sim, mas mais compacta. A praia, tudo aquilo, a sensação de pisar a areia, tão fina que fazia um som diferente do que eu conhecia no Norte de Portugal, Póvoa de Varzim, Mindelo. E o cheiro da manga. Foram as primeiras coisas no contacto com outra terra. Achei interessante. Mas não fiquei muito preso a Portugal. Tive a chamada saudade, que hoje já descartei.

Começou a perceber que queria crescer e viver no Brasil?
Eu queria ter ficado em Portugal, só fui para o Brasil porque os meus pais quiseram, eu tinha 11 anos, não poderia dizer não. No início foi bom. Em Portugal, para ver um filme do Mickey Mouse eu tinha de apresentar documentação para provar que tinha determinada idade, no Brasil eu podia ver tudo. Mas isso foi o início, eu era criança. Quando a pessoa compreende que aquilo é definitivo, que não há volta, como não houve, cria-se um trauma, digamos, criou-se uma discrepância em relação a esse não retorno.

Ficou revoltado?
Não, simplesmente fui vivendo a minha vida. Não tive revolta, mas, no fundo, o que é que o Brasil tinha a ver comigo? Nada. Simplesmente, deixaram-me viver lá.

Hoje tem dupla nacionalidade?
Tenho nacionalidade portuguesa.

Porque é que nunca quis alterar?
Porque não. Para quê? Comecei o meu trabalho no Brasil e nunca ninguém me perguntou isto ou aquilo. Fiquei como português.

É mais importante para si ser português que brasileiro ou acha que a nacionalidade não tem importância?
Tem importância, mas chega a um ponto que já não tem. Acho que os anseios de um jovem se transformam com a idade e ganham uma dimensão muito mais vasta, para além do que é ser ou não ser nacional deste ou daquele país. As coisas perdem-se. Eu estive em Portugal em 1974, fui para o Algarve, no Verão Quente de 1975 estive em Lisboa. E o Portugal das reminiscências da infância, do pão, do campo, dos pássaros, já não existia, tinha sido noutra época, noutra idade. Os parentes da parte do meu pai, quando eu chegava a Famalicão, diziam as posições políticas deles, mas isso não me interessava, estavam completamente fora da minha maneira de pensar. Tinham anseios de burguesia, no sentido material de ter carro, apartamento, família. Isso para mim não existia, nem existe, mas enfim.

Chegou a pensar em ficar em Portugal?
Não sei. Havia ditadura no Brasil. Não se esqueça, nasci numa ditadura em Portugal e poucos anos depois de ter chegado ao Brasil aquilo transformou-se também numa ditadura. Foram 22 anos. Mas quando houve a Revolução dos Cravos o primeiro lampejo que tive foi voltar a Portugal. Conheci o Fernando Calhau em Lisboa e outros artistas, foi muito interessante. Mas em 1975 volto ao Brasil. Depois fui viver em Paris, depois Amsterdã, Genebra, andei girando, passava por Portugal algumas vezes. Em 1975 participei nos Encontros Internacionais de Arte em Viana do Castelo. Em 1977 expus na Galeria Alvarez, de Jaime Isidoro, no Porto. Participei numa pequena mostra no Palácio dos Coruchéus, em Lisboa.

Chegou a estudar pintura em 1967 na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Porque não se tornou pintor?
O meu professor lá era o Onofre Penteado, ele adorava o Kandinsky. Pintei alguns quadros, nada de excepcional, não era a minha história. Desenhava muito, ainda hoje desenho.

Como define o seu trabalho?
Não dou designação, ele é o que é, fala por si mesmo. Não o vou enquadrar.

Se dissermos arte experimental você aceita?
Até certo ponto. Man Ray dizia que a arte não é experimental, a ciência é que é experimental. Não defino o meu trabalho, nem tento. É uma pulsação.

O que quer dizer com pulsação?
O meu trabalho tem um relacionamento com o surrealismo. O início tem muito a ver com o Surrealismo, enquanto manifesto, e com o movimento Dadá. O meu desejo sempre foi o de criar uma nova linguagem, única, o que é meio absurdo, porque tudo se toca, tudo está em rede. Mas sempre tentei radicalizar ao máximo a linguagem. Agora, as pulsações… São ideias pré-determinadas em relação ao fazer e, no processo de construção, elas entrelaçam-se com percepções e pulsações daquele momento. Seria uma dimensão que atingisse um certo subconsciente e se exprimisse através do que chamo criatividade do momento. Há uma fragmentação e uma espécie de esfrega até que saia fumo, até que saia a fagulha. Essa pulsação seria uma maceração.

Conseguiu criar uma linguagem nova?
Em certos termos, sim. Mas também sou insatisfeito, o que cria uma ambivalência horrorosa. O melhor é não pensar muito.

Que nome daria à sua linguagem?
“Impróprio para o consumo humano”. Fiz um trabalho com este título (para a Bienal de São Paulo em 2004).

Porque esse título designa toda a sua linguagem?
Porque não pensei no outro. Quer dizer, pensei, porque faço parte do mundo, mas não pensei em termos de mensagem. Não pensei em atingir esta pessoa ou aquela mentalidade. Foi a pulsação.

Você disse em uma entrevista que a participação do espectador na obra de arte é uma ideia velha. É sobre isso que você está falando?
Essa frase é como aquela de um treinador de futebol no Brasil que há pouco tempo disse que a torcida não tem valor nenhum. É uma provocação. Mas será que o entorno cria o espetáculo, será assim tão simples?

E se a mensagem das suas obras não for entendida por ninguém? Não é preocupante?
Se ela tivesse sido entendida eu já teria ganho prêmios quando tinha 20 anos. O Joseph Kosuth, com 20 e poucos anos, estava em todos os museus do mundo.

Sente-se injustiçado por não ter tido reconhecimento mais cedo?
Sinto-me ótimo, estou com 72, que fiz ontem (dia 1ᵒ de fevereiro), e sinto-me plenamente livre para fazer o que quiser. Não criei uma linha que se aprisionou nela mesma, estou livre, é só ter ganas.

Você fez questão de pagar as despesas da viagem até Lisboa para vir receber o Grande Prêmio Fundação EDP Arte, porque não quer depender do sistema. Mas nos últimos anos tem estado cada vez mais próximo do sistema.
Tive o Prêmio Velázquez em 2011 e tive o Prêmio Mário Pedrosa em 1989, só isso. Estive no Museu do Prado, diante das “Meninas” de Velázquez, e recebi o Prêmio Velázquez, com o rei de Espanha e a ministra da Cultura. Fazer o quê? Eu ali diante do establishment. Convidaram-me, deram-me o prêmio…

Também esteve na Documenta de Kassel em 2002, representou o Brasil na Bienal de Veneza em 2011, expôs em Serralves em 2012. Tem estado próximo do sistema.
Mas eu nunca apresento propostas para expor em museu nenhum, eles é que convidam. Assim é que deve ser.

Dessa forma, como é que se vive de fazer arte?
Tenho a maior admiração por Caravaggio, Van Gogh, os malditos. A arte, para mim, é a pessoa ser íntegra. A vida é que é difícil. Estudei, estive na faculdade, mas seguir uma carreira, estar dentro de um processo de trabalho, ter um patrão, tudo isso é extremamente difícil, isso é que é a dificuldade. Agora, a minha loucura, posso dizer que é loucura, não foi dificuldade. Eu vivi. Quando se tem esta mentalidade, tudo é suportável. Difícil é o momento em que se rompe o elo numa relação de amor. Difícil é o desprezo do outro. Entrei na arte sem medo. O meu medo era deixar de ser o que sou e ser comprado. Esse é que era o problema.

Há uma ideologia política por trás dessa postura?
Há. Nunca gostei do autoritarismo, da obrigação, da hierarquia. Sou meio anarquista. Sem bombas, mas sou. Admiro Marx, mas sou mais próximo de Kropotkin e Bakunin. Participei há pouco numa exposição, bem interessante, que esteve em Paris e vai para Barcelona no dia 23: “Soulèvements”, organizada por Georges Didi-Hubermam. Ali está um pensamento muito forte relacionado com o momento de hoje no mundo da arte, que se tornou completamente mercantilista. O artista já aceita encomendas e etc. Eu luto pelo extremo da independência em relação a essas coisas.

Admite é um extremo?
Sim, claro.

Estar contra o sistema não é também uma forma de o fortalecer?
De uma certa maneira, sim. Mas quando estamos contra uma coisa, e usamos meios incompreensíveis para mostrar que estamos contra, aí é que se cria a perturbação do sistema. “Les Demoiselles d’Avignon”, de Picasso, ficou sete ano debaixo da cama, ninguém queria ver aquilo. Eu defendo uma arte que faz pensar, não uma arte em que a pessoa fica pateta ou nem pensa. Por isso é que no trabalho de um Duchamp há um pensamento e é aí que está a coisa. O espectador diz ‘eu não entendo’. Que bom! A arte tem de fazer pensar, no mínimo. Tem de ser uma crítica à percepção, ao estado de coisas, ao estado do mercado, à perenidade.

Como encara o Grande Prêmio Arte da EDP?
É surpreendente. Nunca imaginei que o meu trabalho fosse reconhecido em vida, só depois. Não sei muito bem lidar com isto. Quer dizer, sei, porque tive uma educação com certos critérios, mas ter de falar em público deixa-me estarrecido, até já escrevi o discurso de agradecimento. Não é um discurso, são umas palavras (lidas durante a sessão pública de atribuição, em Lisboa).

Encara-o como um reconhecimento tardio?
Não, não é tardio. Nunca pensei em receber. Chegou. Estava dormindo, de manhã para funcionar é complicado, e recebi um telefonema do Pedro Gadanho (diretor do MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, da Fundação EDP). Já tinha recebido uns emails da EDP… Ele perguntou: ‘Aceita o prêmio?’. Eu respondi: ‘É uma honra’. É curioso, soube através do jornal que tinha ganho o Prêmio Velázquez, entrei na internet e vi num jornal. Ninguém me tinha dito nada. O prêmio português é diferente, ligaram-me antes, aqui é tudo mais cauteloso.

Quando soube?
Em dezembro, antes do Natal. Eles queriam que eu viesse a Portugal para receber o prêmio antes do fim do ano, mas respondi que não, porque não tenho relações com a família e com a época do Natal. Combinamos para fevereiro. Depois de falar com o Pedro Gadanho pela primeira vez me senti satisfeito, me deu um conforto interior…

Por ser um prêmio português?
Sim. Não é pelo dinheiro. Me senti mais em casa. Eu acho que todo português vem morrer em Portugal. Bem, espero que não seja agora. Tenho um apartamento em Gaia há já alguns anos… Sabe, gosto muito de mergulhar, faço mergulho há 40 anos, e também gosto de velejar. Ando pelo mundo, tenho um veleiro há poucos anos e ainda quero viajar muito.

O prêmio inclui uma exposição. Já tem data?
Ainda não. Disse ao Pedro Gadanho que no ano que vem vou expor no Reina Sofía, uma retrospectiva e uma obra in situ, por conta do Prêmio Velázquez. O João Fernando será curador. O meu trabalho não precisa de curador. É feito na hora, como é que o “cara” vai dizer alguma coisa… O Pedro sugeriu que trouxesse a exposição a Lisboa, mas não sei. Eles é que se entendem, não vou me intrometer. Seja quando for, estou pronto.

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Texto de Alexandre Luiz Mello originalmente publicado no site português "Observador" (http://observador.pt) | 03/02/17.

Privatizar o Centro Cultural São Paulo é uma estupidez

Doria quer repetir no CCSP uma terceirização que produziu a maior roubalheira da história do Teatro Municipal. +

O Centro Cultural São Paulo é um daqueles lugares que faz com que valha a pena viver na cidade. Bonito e espaçoso, instalado ao lado da estação Vergueiro do Metrô, ele recebe gente de todas as partes de São Paulo, sobretudo jovens da periferia. Ali eles leem, convivem, ensaiam, estudam, pesquisam, participam de oficinas culturais ou aproveitam a programação de shows, teatro e cinema, oferecida de forma gratuita ou a preços camaradas.
Numa cidade que concentra serviços e oportunidades culturais na mesma proporção em que concentra renda e privilégios, o centro cultural da Vergueiro é um oásis de cidadania e decência.
Pois o prefeito João Dória, na falta de problemas mais graves na cidade, anunciou que vai privatizar o CCSP e 52 das 107 bibliotecas públicas da capital, que constituem a maior rede de bibliotecas da América Latina – uma decisão que ele preferiu não mencionar durante a campanha eleitoral.
Entregar o Centro Cultural e as bibliotecas da cidade à gestão privada é uma estupidez. Não surpreende que tenha partido da mesma cabeça encarregada de defender publicamente a “limpeza” dos grafites da avenida 23 de maio, a do secretário municipal de Cultura André Sturm.
“Ninguém vai privatizar nada, o que eu quero é dinamizar”, diz o secretário. Ele acha que um modelo de administração terceirizado permitiria “mais flexibilidade e facilidade para a gestão, além de captar patrocínios”. E promete que toda a administração de terceiros será feita “com acompanhamento e supervisão da Secretaria Municipal de Cultura”.
A primeira coisa a ser dita sobre essa proposta é que o Centro Cultural de São Paulo funciona bem, obrigado. Poderia ter mais verba e mais gente, sofre com os cortes impostos ao seu orçamento, mas não é uma repartição abandonada à qual um bando de militantes iletrados do MBL viria dar vida.
“Flexibilidade” e “patrocínio”, as palavras usadas pelo secretário, podem significar qualquer coisa. Flexibilidade para degradar e baratear os serviços prestados à população, por exemplo. Ou patrocínio para banalizar o conteúdo e dirigir a forma do trabalho cultural que é feio no CCSP e nas bibliotecas.
Outra coisa importante a lembrar é que o formato de terceirização anunciado pelo secretário, as famosas Organizações Sociais, ou OSs, já foi usado na gestão do Teatro Municipal de São Paulo. Apesar de “supervisionado pela Secretaria Municipal de Cultura”, esse arranjo produziu em 2016 um desvio de 18 milhões de reais, o maior escândalo da história centenária do Teatro Municipal.
Quem, em sã consciência, adotaria e ampliaria um modelo de gestão que deu espetacularmente errado no primeiro teste? Resposta: a mesma administração municipal que mandou pintar os grafites urbanos de cinza e agora cogita gastar os tubos para repintá-los com tinta colorida.
Privatizar o Centro Cultural e as bibliotecas da cidade faz tanto sentido quanto estatizar as barracas de pastel da feira, a rede de lanchonetes McDonald’s ou o shopping Iguatemi. Quer dizer, não faz sentido algum. É uma idiotice ou um ato de má fé. Por que desfigurar um serviço que funciona bem e cumpre exemplarmente a sua função social?
Se o prefeito acha que o CCSP poderia ser melhor gerido, deveria fazer aquilo para que foi eleito: nomear um administrador público competente, que aprimore o funcionamento da instituição sob seu comando. Se o secretário acha que não dá para cuidar da sua pasta nos limites legais da administração pública, renuncie ao cargo e procure emprego no setor privado. Não dá para transformar a cidade inteira numa OS para facilitar a vida dele.
Nem a falecida Margareth Thatcher, uma fanática das privatizações, tentou oferecer a empresários a gestão das bibliotecas britânicas. Há limites para o que um político pode fazer sem cair no ridículo.
Quem garante que, daqui a pouco, um administrador privado não irá decidir que a garotada não pode mais ensaiar dança de rua nos corredores do Centro Cultural, como faz todos os dias? Ou que entradas de teatro gratuitas não cobrem as necessidades de remuneração do seu contrato? Ou que bibliotecários são caros e supérfluos, e que melhor seria deixar os usuários das bibliotecas entregues a si mesmos?
Quando eu era garoto, nos anos 70, o Centro Cultural de São Paulo não existia, mas usei abundantemente a biblioteca municipal da Penha, no Largo do Rosário. O acervo daquela biblioteca e a atenção de seus funcionários ajudaram a fazer de mim o que eu sou. Em nome das próximas gerações, é importante garantir que o patrimônio das bibliotecas públicas de São Paulo – que começou a ser montado há quase 100 anos, por Mário de Andrade – não seja destruído por gente que não sabe o valor da cultura.
Na quarta-feira, aniversário da cidade, uma pequena multidão se concentrou na porta do Centro Cultural São Paulo para protestar contra a privatização. Formou-se uma corrente para abraçar o prédio e, simbolicamente, protegê-lo. Eu estava lá. Ao meu lado, me dando as mãos, estavam dois jovens frequentadores do CCSP, Nicole e Felipe. Gritamos palavras de ordem, rimos e, depois do protesto, nos sentamos para conversar. Confirmou-se a minha impressão de que o Centro Cultural é necessário da forma como está: aberto, diverso e público. E tive certeza, também, de que jovens e velhos usuários saberão defendê-lo da estupidez privatista.
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Texto de Ivan Martins originalmente publicado no site da revista “Arte!Brasileiros” (brasileiros.com.br) | 27/01/17.
Foto: Manifestantes formam uma corrente para abraçar o Centro Cultural.
Crédito: Marie Ange Bordas.

Osgemeos reagem a ação de Prefeitura de São Paulo contra pichações e grafites

Dupla cria nova obra urbana. +

“Parabéns São Paulo!! Ganhamos mais uma vez o desrespeito com a arte!!”.
Essa foi a mensagem estampada em um post no facebook, feito pelos artistas Gustavo e Otávio Pandolfo, mais conhecidos como “Osgemeos”.
A mensagem vai de encontro com as ações tomadas nos últimos dias, pela Prefeitura de São Paulo, comandada pelo atual prefeito João Dória, que consistem em limpar as pichações e grafites na capital.
O post divulgado nesta sexta-feira em suas redes sociais, já chegam perto das 20mil curtidas.
Os artistas são conhecidos também como autores do grafite em homenagem ao álbum Hip-Hop Cultura de Rua, coletânea, lançada em 1988, que ajudou a difundir o movimento no País ao dar voz a pioneiros como Thaíde e DJ Hum, MC Jack e Código 13. O grafite também está localizado nas ruas da capital paulista.

Texto de Andre Fabro publicado originalmente no site da revista DasArtes | 27/01/2017

Painel de Kobra na 23 de Maio amanhece pichado

Artista é sempre elogiado pelo prefeito João Doria, que vem apagando outros grafites da via. +

O painel do grafiteiro Eduardo Kobra na Avenida 23 de Maio amanheceu pichado com tinta cinza nesta quarta-feira, 25/01/17, aniversário de São Paulo.
Kobra é frequentemente citado pelo prefeito João Doria (PSDB) como um de seus grafiteiro favoritos. Além da tinta, há um boneco com rosto de Doria, como se passasse a tinta.
O prefeito vem apagando grafites e pichações na 23. Os grafites pintados em 2014 foram cobertos com tinta cinza. A Secretaria Municipal de Cultura, chefiado por André Sturm, ficou de selecionar apenas oito grafites para continuarem na via, e o de Kobra seria um deles. Até então, pichadores tinham por hábito não escrever nem danificar os grafites da cidade.
Há algumas semanas, Doria chegou a anunciar o artista como coordenador de seu programa Arte Urbana, que faria oficinas de grafite, mas Kobra o desmentiu.
O prefeito comentou a pichação afirmando que “o que fizeram ali foi uma agressão, agrediram a obra de um artista”. “O Eduardo Kobra é um artista, um grafiteiro, um muralista. Ele foi agredido com essa pichação, que revela a índole desses pichadores, que não querem bem à cidade, não querem a ninguém. São agressores, destruidores da cidade e terão o inverso: ao invés de ter o prefeito amolecendo, vão ter o prefeito endurecendo”, disse o prefeito.
“Pedi até para deixarem lá (a pichação) por um tempo, para que as pessoas possam ver essa agressão. Não vamos fraquejar”, afirmou Doria, que defendeu a criação de uma lei para tornar mais pesadas as multas para pichadores, mas disse que não apresentaria proposta do Executivo solicitando tal medida.
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Texto de Bruno Ribeiro, Fabio Leite e Pedro Venceslau no blog “Por Dentro da Metrópole” | site do “Estadão” (http://sao-paulo.estadao.com.br/blogs) | 25/01/17.

Depois de vaias e críticas, Doria diz que pagará cachê e tinta a grafiteiros

O programa começará pela região do Baixo Augusta, no centro de São Paulo (SP), e será reeditado a cada três meses em um bairro diferente. +

Depois de receber críticas de artistas urbanos e de ser vaiado em evento no aniversário de São Paulo, o prefeito João Doria (PSDB) lançou nesta quinta-feira (26/01/17) um projeto que prevê remunerar grafiteiros e pagar suas tintas, como parte de um museu a céu aberto espalhado pela cidade.
O programa começará pela região do Baixo Augusta, no centro da capital, e será reeditado a cada três meses em um bairro diferente. A prefeitura pretende conversar com os proprietários dos imóveis particulares e pedir autorização – apenas os que concordarem participarão do projeto.
"Como serão várias áreas da cidade, creio que teremos oportunidade de abrigar vários desses artistas, de maneira escalonada", disse Doria.
O programa já estava previsto, mas o lançamento foi antecipado devido à polêmica envolvendo o assunto nas últimas semanas, segundo o secretário municipal de Cultura, André Sturm. "A gente já tinha isso de dezembro e iria anunciar em março, mas com o grafite tendo se tornado assunto tão importante a gente resolveu antecipar para mostrar que o grafite é fundamental nessa gestão", disse.
Prevista para março, a primeira edição deve ter cerca de 150 artistas e a estimativa é que custe R$ 800 mil.
Ele afirmou que haverá uma comissão para escolher os artistas. "A gente vai montar uma comissão com artistas que não queiram participar ou pessoas que gostem e possam ter isenção de julgamento, os grafiteiros mandam suas propostas, seu currículo, o que costumam fazer, não precisam mandar o desenho", disse Sturm.
O anúncio foi feito nesta quinta no canteiro central da Vinte Três de Maio. O ato foi para comunicar a restauração do monumento em homenagem ao 80 anos da imigração japonesa, da artista plástica Tomie Ohtake.
Motoristas curiosos em relação ao evento desaceleraram e gritaram o nome de Doria.
Disputa
A avenida é cenário de disputa entre o tucano e grafiteiros e pichadores.
Doria mandou pintar de cinza grafites na via. Um dos murais que sobraram, do artista Eduardo Kobra, foi pichado com uma imagem de Doria pintando o muro.
O tucano lamentou a ação e disse que agora o mural será apagado, com consentimento de Kobra. Segundo ele, não haverá novos grafites na Vinte Três de Maio, onde haverá outro projeto, que o prefeito não quis divulgar.
"Vou atrás deles, os pichadores são destruidores da cidade, não merecem o respeito nem da cidade nem da população", disse Doria. "Durante quatro anos serei um prefeito intransigente com os pichadores".
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Texto de Artur Rodrigues originalmente publicado no jornal “Folha de S. Paulo” | 26/01/17.

Museu subaquático abre na Espanha

O primeiro museu totalmente subaquático da Europa abriu oficialmente em 10 de janeiro de 2017 no leito do oceano, ao largo da Ilha Canária de Lanzarote, na Espanha. +

O Museu do Atlântico é a visão do artista britânico Jason deCaires Taylor, que passou os últimos dois anos vivendo na ilha criando obras de arte para a galeria submersa. O museu na baía de Coloradas, ao largo da costa da cidade de Yaiza, no sudoeste de Lanzarote foi criado a uma profundidade de entre 12 e 15 metros no fundo do oceano e será acessível a mergulhadores e visível ao fundo de barcos com janela de vidro. As esculturas em exposição são formas humanas; Alguns modelados com residentes locais, e são criados para atrair a vida vegetal e animal, representando a relação entre seres humanos e natureza.
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Texto publicado originalmente no site da revista DasArtes | 02/02/17

Ataque em Paris: o que se sabe sobre incidente no Louvre

Um homem atacou com um facão um soldado nas cercanias do Museu do Louvre. O soldado reagiu e a atirou no homem, que ficou gravemente ferido. Cerca de 250 pessoas estavam no interior do museu, que foi evacuado. +

Uma grande operação de segurança foi deflagrada em Paris nesta sexta-feira (03/02/17) depois de um homem atacar com um facão um soldado nas cercanias do Museu do Louvre - uma das atrações turísticas mais populares da capital francesa e o mais visitado museu do mundo.
O soldado reagiu e a atirou no homem, que ficou gravemente ferido.
As autoridades francesas divulgaram poucos detalhes sobre o incidente, ocorrido em uma cidade que, em anos recentes, foi palco de pelo menos dois grandes ataques extremistas. O que se sabe até agora:

Ataque
Por volta de 10h da manhã dessa sexta-feira, um homem, ainda não identificado pela polícia, tentou entrar em uma galeria comercial próximo ao Museu do Louvre, que era vigiado por uma patrulha. Segundo as autoridades, ele investiu contra os soldados e gritou "Allahu Akbar" (Deus é poderoso, em árabe).
Uma segunda pessoa foi presa. Duas sacolas apreendidas pela polícia "não continham explosivos".
Cinco tiros foram disparados e o homem sofreu graves ferimentos na região do abdômen. Um soldado foi ferido na cabeça.
O primeiro-ministro francês, Bernard Cazeneuve, descreveu o incidente como um "ataque terrorista por natureza".
Cerca de 250 pessoas estavam no interior do museu no momento do atentado. O museu foi evacuado.

Alerta
Paris está sob estado de alerta desde os ataques de novembro de 2015, em que 130 pessoas foram mortas por extremistas islâmicos em diferentes pontos da cidade. Em janeiro daquele mesmo ano, 17 pessoas morreram na invasão do escritório da revista de sátira política Charlie Hebdo.

Turismo afetado
Os ataques em Paris e em Nice - onde 86 pessoas morreram atropeladas por um caminhão, em julho do ano passado - resultaram em uma queda acentuada nas atividades de turistas estrangeiros. De acordo com números divulgados no início de janeiro, o Louvre, por exemplo, registrou uma queda de 20% no número de visitantes entre 2015 e 2016. A prefeitura de Paris disse ter havido queda de pelo menos 10% nas reservas de hotéis.

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Texto da BBC Brasil reproduzido pelo site “UOL” (www.uol.com.br) | 03/02/17.
Foto: Eric Feferberg / AFP.

The Culture Trip destaca exposições imperdíveis em cartaz em São Paulo

“8º Salão dos Artistas Sem Galeria”, “Gaudí, Barcelona 1900”, “Erwin Wurm – O Corpo é a Casa” e “Agostinho Batista de Freitas, São Paulo” integram a lista. +

O site “The Culture Trip” (theculturetrip.com), em reportagem de Lise Alves, destacou exposições “obrigatórias” para se ver em São Paulo (SP).


A exposição do “8º Salão dos Artistas Sem Galeria”, promovido pelo Mapa das Artes, apresenta obras dos 10 artistas selecionados em exposições simultâneas em São Paulo (Galeria Sancovsky 12/01/17 a 04/03/17; e na Zipper Galeria - 17/01/17 a 04/03/17). São exibidas pinturas, fotografias, esculturas, vídeos e instalações dos artistas: Lula Ricardi (SP), Maura Grimaldi (SP), Jefferson Lourenço (MG), Marcelo Barros (SP), Gunga Guerra (Moçambique/RJ), Marcelo Pacheco (SP), Luciana Kater (SP), Cesare Pergola (Itália/SP), Juliano Moraes (GO) e Cristiani Papini (MG). O júri de seleção foi formado por Adriana Duarte (galerista capixaba da paulistana Casa da Xiclet), Paula Alzugaray (jornalista e editora da revista “Select”) e Rodrigo Editore (galerista e sócio da também paulistana galeria Casa Triângulo) (de 12/01/17, das 19h às 22h, a 04/03/17).
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GALERIA SANCOVSKY
Pinheiros: Praça Benedito Calixto, 103, tel. (11) 3086-0784. Ter. a sex., 10h/19h; sáb., 10h/17h. www.galeriasancovsky.com.br
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ZIPPER GALERIA
Jardim América: r. Estados Unidos, 1.494, tel. (11) 4306-4306. Seg. a sex., 10h/19h; sáb., 11h/17h. www.zippergaleria.com.br


“Gaudí, Barcelona 1900” reúne 46 maquetes e 25 objetos de mobiliário que tratam da produção do arquiteto modernista catalão Antoni Gaudi (1852-1926). Em paralelo, são expostos trabalhos de artistas espanhóis de sua época como Ramon Casas, Santiago Rusiñol, Gaspar Homar e outros (de 19/11/16, às 19h, a 05/02/17).
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INSTITUTO TOMIE OHTAKE
Pinheiros: av. Faria Lima, 201 (entrada pela r. Coropés, 88), tel. (11) 2245-1900. Ter. a dom., 11h/20h. www.institutotomieohtake.org.br


“Erwin Wurm – O Corpo é a Casa” exibe esculturas, vídeos, instalações, performances, intervenções e obras interativas do austríaco pela primeira vez no país. Humor e críticas ao consumismo e comportamento humano são a marca do artista incluindo trabalhos icônicos como a “Casa Gorda” ou “Conversível Gordo” (de 25/01/17 a 03/04/17).
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CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL
Centro: r. Álvares Penteado, 112, tel. (11) 3113-3651. Qua. a seg., 9h/21h. Visitação com hora agendada pelo site www.ingressorapido.com.br, pelo aplicativo da Ingresso Rápido (IOS ou Android) ou na bilheteria. www.bb.com.br/cultura


A mostra “Agostinho Batista de Freitas, São Paulo” apresenta 74 trabalhos do artista paulista, dos anos 1950 até a década de 1990, marcando seu retorno ao museu após 60 anos. Batista de Freitas (1927 – 1997) foi um artista autodidata, que vendia seus trabalhos no centro de São Paulo e suas obras retratam cenas urbanas da capital e revelam alguns dos principais marcos arquitetônicos. Curadoria de Fernando Oliva e Rodrigo Moura. Na abertura ocorre o lançamento do catálogo ilustrado (256 pp.), com reproduções de todas as obras em exibição e textos (de 09/12/16, às 20h, a 09/04/17).
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MASP (MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO)
Cerqueira César: av. Paulista, 1.578, tel. 3149-5959. Ter., qua., sex., sáb., dom. 10h/18h; qui. 10h/20h. R$ 30 e R$ 15. Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam meia entrada. Grátis às terças e para menores de 10 anos. www.masp.art.br

Sucesso do Museu do Amanhã revela poder de espetáculo vazio

Museus ancorados no espetáculo pouco acrescentam à cultura quando se preocupam mais em aparecer no Instagram do que em construir acervos e mostras relevantes. +

Não espanta que o Museu do Amanhã tenha chegado ao Olimpo da bilheteria. Uma espécie de bromélia esbranquiçada fritando no calor do Rio, o prédio do "starchitect" espanhol Santiago Calatrava já nasceu sob os holofotes na condição de joia mais vistosa do projeto de renovação urbana da zona portuária carioca e ganhou fôlego ímpar com o maior evento esportivo do mundo.
Durante a Olimpíada, a esplanada em torno dele e seu dramático espelho d'água viraram cenários perfeitos para selfies de fãs e atletas, casando com a lógica de espetáculo e entretenimento por trás do chamado Porto Maravilha.
Essa estratégia não é nova. Desde a década de 1990, quando Frank Gehry inaugurou o emaranhado metálico que abriga a filial do Guggenheim em Bilbao, na Espanha, museus se tornam pedra de toque de processos que urbanistas mais ingênuos chamam de "revitalização", como se tecidos urbanos estivessem condenados a necrosar sem esses prédios espalhafatosos.
Não estão, mas acabam virando do avesso, para a felicidade da especulação imobiliária, quando uma vizinhança ganha algo do tipo.
Três anos atrás, o mesmo Gehry fez uma espécie de caravela de vidro para a Fundação Louis Vuitton num bairro mais pacato de Paris, que há quatro décadas viu seu coração bater mais forte com os tubos de vidro do Pompidou de Renzo Piano e Richard Rogers – o espanto inicial agora se traduz em filas na porta.
Não é de todo ruim, mas museus ancorados no espetáculo pouco acrescentam à cultura quando se preocupam mais em aparecer no Instagram do que em construir acervos e mostras relevantes.
Em termos de conteúdo, o Museu do Amanhã não pode ser comparado a instituições como o Guggenheim e o Pompidou, mas seu sucesso diante dos números mais modestos de seu vizinho, o Museu de Arte do Rio, revela o poder de fogo do show pelo show.
No afã de bater metas de público, muitos museus se deixam seduzir pela facilidade de uma programação blockbuster, caso do Museu da Imagem e do Som paulistano – suas mostras com temas de Bowie a Silvio Santos encantam por exibir aquilo que o público já conhece, não pelo papel de formação do olhar que deve estar no cerne de todo museu.
Mas uma torre de marfim que pouco dialoga com o público também não ajuda. O Museu de Arte Contemporânea da USP, alheio ao que se passa ao seu redor na cena artística da cidade, nunca abraçou o populacho, mas suas galerias vazias preocupam.
Enquanto o Museu do Amanhã continua bombando, a crise econômica que paralisa o Brasil e ainda causa estragos no resto do mundo parece anunciar agora um retorno à ordem, um futuro de aposentadoria para os "starchitects" – o MIS do Rio arrisca virar ruína antes da inauguração, por exemplo – e de novas exigências para diretores de museus, que terão de fazer da arte e da ciência seu verdadeiro show.
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Texto de Silas Martí originalmente publicado no jornal “Folha de S. Paulo” | 30/01/17.

Calendário Sincrético, Cósmico, Telúrico e Artístico começa a ser distribuído

O impresso, único a reunir os feriados e dias santos de devoção católica, afro-brasileira, espírita, indígena, islâmica e judaica, propõe expandir o universo da arte e incluir nele questões altamente relevantes para a existência pacífica da civilização humana. Custa apenas R$ 25,00 cada. Quem comprar cinco paga apenas R$ 100,00. Entre no www.mapadasartes.com.br, clique no fullbanner do calendário e tenha mais informações! +

A edição 2017 do Calendário Sincrético, Cósmico, Telúrico, Turístico, Político, Ecológico e Artístico Mapa das Artes já pode ser reservada. O impresso, único a reunir os feriados e dias santos de devoção católica, afro-brasileira, espírita, indígena, islâmica e judaica, propõe expandir o universo da arte e incluir nele questões altamente relevantes para a existência pacífica da civilização humana. O homenageado desta edição é o escultor mulato Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814), que ilustra o calendário com os Passos da Paixão de Cristo, patrimônio maior da cidade de Congonhas do Campo (MG). O produto ressalta ainda a atuação de 12 museus paulistanos fundamentais na formação cultural local, regional e nacional do povo brasileiro. A unidade custa R$ 25,00 e é entregue na sua casa (cinco unidades por R$ 100,00). Faça sua reserva através do e-mail: mapadasartes@uol.com.br

Seguem abaixo as características do produto:
Sincrético – O calendário de mesa menciona as datas de reverência da devoção cristã, afro-brasileira, indígena, judaica e islâmica. Dessa forma, contempla de maneira ecumênica matrizes da formação cultural e social do povo brasileiro. É possível ainda que este calendário entre para a história como o primeiro, pelo menos no Brasil, a reunir feriados isâmicos e judaicos em um mesmo impresso.
Cósmico e telúrico – Indica as fases da Lua, eclipses, solstícios e outros eventos astronômicos que ativam as influências celestes sobre a Terra, algo muito presente na cultura e no imaginário popular, principalmente indígena.
Turístico – Estimula o turismo ao dedicar a edição à cidade de Congonhas do Campo (MG) e a uma de suas maiores riquezas: algumas das 66 estátuas que compõem as cenas dos Passos da Paixão de Cristo, obra-prima de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814). Outros artistas importantes participaram nas obras de construção e decoração das seis capelas, entre 1757 e 1875, como Mestre Ataíde (1762-1830), Francisco de Lima Cerqueira ( -1808) e João Nepomuceno Correia e Castro ( -1795). As cenas foram fotografadas pelo paulistano Lucas Malkut
Político e ecológico – Rememora datas e fatos da consolidação democrática do país e de conquistas importantes, como a criação do Parque Nacional do Xingu, em 14 de abril de 1961, mas também eventos flagrantes da impunidade que permeia a Justiça brasileira.
Artístico – O fio condutor de todo o pensamento crítico desta edição é a homenagem ao nosso escultor mulato Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814). O calendário ressalta ainda a atuação de 12 museus paulistanos fundamentais na formação cultural local, regional e nacional do povo brasileiro.
Neste momento em que tudo na vida parece sem perspectivas, se faz necessário apegarmo-nos em valores mais importantes que os econômicos e trabalharmos juntos para a construção de um mundo solidário, responsável, tolerante e sem preconceitos.
Em seu “Sermão da Primeira Dominga do Advento” (1650), padre Antonio Vieira escreveu: “Em suma, que os pecados que ultimamente hão de levar os condenados ao inferno, são os pecados de omissão... Vede que cousas são omissões e não vos espantareis do que digo. Por uma omissão perde-se uma inspiração, por uma inspiração perde-se um auxílio, por um auxílio perde-se uma contrição, por uma contrição perde-se uma alma; dai conta a Deus de uma alma, por uma omissão. Desçamos a exemplos mais públicos. Por uma omissão perde-se uma maré, por uma maré perde-se uma viagem, por uma viagem perde-se uma armada, por uma armada perde-se um Estado: dai conta a Deus de uma Índia, dai conta a Deus de um Brasil, por uma omissão”.
Se você se identificou com a proposta do Calendário Sincrético, Cósmico, Telúrico, Turístico, Político, Ecológico e Artístico Mapa das Artes 2017 e deseja garantir o seu, faça um depósito de R$ 25,00 (ou R$ 100,00 para cinco exemplares) em uma das contas abaixo e envie o comprovante junto com seu endereço completo (com CEP) para o e-mail mapadasartes@uol.com.br. Você receberá o calendário de mesa pelo correio em sua casa sem mais despesas.

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Edifícios históricos são também pontos gastronômicos da cidade de São Paulo

Alguns dos bens arquitetônicos da cidade têm espaço com bares, restaurantes e cafeterias. Veja a lista. +

A cidade de São Paulo possui uma diversidade de bens culturais imóveis. São desde palacetes ecléticos da virada do século até grandes ícones da arquitetura moderna da década de 1920 em diante. Alguns desses bens arquitetônicos oferecem mais do que sua presença física, dividindo seu espaço com bares, restaurantes e cafeterias.
Conheça com os olhos e com o paladar alguns edifícios que marcaram história da cidade:

1. Esther Rooftop
Em 2016, o edifício Esther, o primeiro edifício alto modernista da cidade (projeto dos arquitetos Álvaro Vital Brazil e Adhemar Marinho) ganhou um restaurante em sua cobertura, no 11º andar: o Esther Rooftop. A ideia foi dos irmãos Olivier e Pierre Anquier e de Benoit Mathurin, três chefs franceses profissionais.
O restaurante oferece uma ótima vista para a Praça da República. Aproveite para notar na entrada as engrenagens que decoram a porta, símbolo da Usina Açucareira Esther, que contratou a construção do edifício para ser a sua sede.

2. Terraço Itália
O edifício Itália, construído em 1965, foi encomendado pelo Circolo Italiano de San Paolo para abrigar sua sede. O projeto, do arquiteto alemão naturalizado brasileiro Franz Heep, foi selecionado em um concurso realizado em 1953, momento em que a cidade passava por um intenso processo de verticalização.
O edifício tornou-se um importante marco para a cidade, sendo na época o maior de São Paulo, com 46 andares e estrutura de concreto armado. No ano de 1967, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha projetou uma estrutura de ferro e cortinas de vidro, espaço onde foi inaugurado o restaurante Terraço Itália, especializado em culinária italiana.

3. Restaurante do Masp
Em 1968 era inaugurado na Avenida Paulista o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), projetado pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi. Apesar da arquitetura brutalista de Lina, onde uma das questões mais relevantes é o concreto aparente, no início da década de 1990 as vigas foram pintadas e impermeabilizadas para conter as infiltrações que ocorriam durante chuvas fortes. A princípio Lina foi relutante, mas optou pela cor vermelha para cobrir as vigas.
Seu vão livre, o maior da América Latina, foi idealizado para que a vista da região permanecesse livre para o público. Hoje, seu edifício é um dos cartões postais da cidade, mas nem só de arte vive o Masp. No 2º subsolo há um restaurante que serve opções de buffet e pratos executivos. Não é necessário pagar a entrada no museu para ir ao restaurante.

4. Restaurante Sala São Paulo
A estação Júlio Prestes, de arquitetura eclética inspirada no estilo renascentista e vitrais feitos pela Casa Conrado, era composta por dois setores: o de transporte e o administrativo, construído em torno de um pátio central. A Sala São Paulo faz parte do Centro Cultural Júlio Prestes e foi inaugurada em 1999. O restaurante da sala, na antiga estação, serve comida contemporânea e pratos típicos da culinária brasileira.

5. Santinho – Theatro Municipal de São Paulo
O projeto do Teatro Municipal foi inspirado na Ópera de Paris, atendendo aos pedidos da elite paulistana da época por um centro cultural à altura dos encontrados na Europa. Em 1922, foi palco da Semana de Arte Moderna, que protagonizou o modernismo no Brasil. Hoje abriga diversos grupos artísticos, como a Orquestra Sinfônica Municipal, a Experimental de Repertório e o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. Um dos seus espaços é ocupado pelo restaurante Santinho desde 2015. O restaurante oferece buffet cobrado por pessoa, de segunda a sábado.

6. MoDi – Edifício Paquita
O Paquita é um edifício de arquitetura moderna construído na década de 1950 em frente ao parque Buenos Aires, para o qual a varanda dos quartos oferece generosa vista. No térreo, entre os pilotis que sustentam o edifício, há uma parede de vidro que serve de entrada para o restaurante MoDi, especializado em culinária italiana. O estabelecimento oferece um cardápio que inclui sopas frias, peixes, carnes e massas. Às segundas, há uma banda de Jazz tocando ao vivo.

7. Cafezal Cafés Especiais – Centro Cultural Banco do Brasil
O prédio do Centro Cultural Banco do Brasil foi construído em 1901 e comprado pelo banco em 1923. Passou por uma reforma que o adaptou para ser uma agência bancária ao mesmo tempo em que restaurou e preservou suas características originais. O responsável pela adaptação foi o engenheiro e arquiteto Hippolyto Gustavo Pujol Junior, que refez seu interior, incorporando alguns dos padrões europeus de época para edifícios bancários. A fachada incorpora influências Art Nouveau e clássicas. No terceiro andar do prédio funciona a cafeteria Cafezal, que serve variados tipos de café, tortas e salgados, além de massas, risotos, carnes e saladas no restaurante.

8. Mirante 9 de Julho
O túnel da avenida 9 de Julho e seu mirante, inaugurado em 1938, fazia parte do projeto do Plano de Avenidas e seguiu uma linguagem arquitetônica protomoderna com elementos Art Déco. Depois de um período de abandono, o espaço do mirante está sendo reutilizado. Hoje é ocupado pelo centro cultural Mirante 9 de Julho, que promove a exibição de filmes, exposições artísticas e outros eventos ali, além de oferecer um espaço para coworking com acesso à internet e café. O local abriga o “Isso é Café” e o restaurante Mirante Efêmero.

9. Restaurantes na Praça Vilaboim em frente ao edifício Louveira
Outro edifício icônico na arquitetura moderna paulistana é o Louveira, projetado por Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi e construído na Praça Vilaboim. O conjunto é formado por dois blocos retangulares, apoiados sobre pilotis, com uma fachada que chama atenção pela sua constante mudança: as janelas, quando abertas ou fechadas, criam leituras diferentes no prédio.
Há mais de uma dezena de estabelecimentos de restaurantes e bares no entorno da praça, entre eles o Le Vin, um bistrô francês, o Aoyama, restaurante especializado em culinária japonesa, e o Si Señor, de comida mexicana que oferece além dos pratos mais típicos uma variedade de grelhados.

Serviço:

Esther Rooftop
Endereço: Praça da República, 80 – 11º andar
Horário de funcionamento: de segunda a quinta, das 12h às 15h e das 19h às 23h. Sexta das 12h às 15h e das 19h às 23h30. Sábado das 12h às 23h30. Domingo das 12h às 17h.
Contato/Reservas: estherrooftop@gmail.com
Site: www.facebook.com/Esther-Rooftop-618432671638652

Terraço Itália
Endereço: Avenida Ipiranga, 344 – 41º e 42º andares
Horário de funcionamento: de segunda a quinta das 12h às 24h, sexta e sábado das 12h às 01h. Domingo das 12h às 23h.
Contato/Reservas: (11) 2189-2929
Site: www.terracoitalia.com.br

Restaurante Masp
Endereço: Avenida Paulista, 1578 – 2º Subsolo
Horário de Funcionamento: segunda a sexta das 12h às 15h, sábados e domingos das 12h às 16h
Contato/Reservas: (11) 3253 2829/ (11) 3289-7704. E-mail: 8artemasp@gmail.com
Site: http://masp.art.br/masp2010/visiteomuseu_info.php

Restaurante Sala São Paulo
Endereço: Praça Júlio Prestes, 16
Horário de funcionamento: Para almoços, de segunda a sexta, das 12h às 15h. Jantares, quando há concertos noturnos, das 18h30 às 01h.
Contato/Reservas: (11) 3225 9958. E-mail: ssp@8arte.com.br
Site: www.salasaopaulo.art.br/paginadinamica.aspx?pagina=restaurante

Santinho
Endereço: Praça Ramos de Azevedo, 1
Horário de funcionamento: Segunda a sexta das 10h às 17h, sábados das 12h às 17h (em dias de espetáculos fecha às 16h).
Contato/Reservas: (11) 3222-1683/(11)3221-8061. E-mail: tm.reservas@restaurantesantinho.com.br
Site: http://theatromunicipal.org.br/espaco/theatro-municipal/#restaurante

MoDi
Endereço: Rua Alagoas, 475
Horário de funcionamento: de segunda feira, das 17h às 23h. Terça a sábado das 12h às 23h. Domingo das 12h às 17h.
Contato/Reservas: (11) 3564-7028

Cafezal Cafés Especiais
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112
Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 9h às 21h. Não abre às terças. Contato/Reservas: (11) 3113-3676
Site: www.cafezalcafes.com.br

Isso é Café
Endereço: Rua Carlos Comenale, s/nº
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 20h
Contato/Reservas: (11) 3862-5833
Site: www.issoecafe.com

Mirante Efêmero
Endereço: Rua Carlos Comenale, s/nº
Horário de Funcionamento: de terça a domingo, das 12h às 22h.
Contato/Reservas: (11) 3111-6330

Le Vin Bistrô
Endereço: Rua Armando Penteado, 25
Horário de funcionamento: de segunda a quinta, das 12h às 24h. Sexta e sábado, das 12h às 01h. Domingo das 12h às 23h.
Contato/Reservas: (11) 3668-7400
Site: www.levin.com.br/#/home

Restaurante Aoyama
Endereço: Praça Vila Boim, 63
Horário de funcionamento: de segunda a quinta, das 24h às 15h e das 19h às 23h30. Sexta feira das 12h às 15h e das 19h às 24h. Sábado das 12h às 24h. Domingo das 12h às 23h30.
Contato/Reservas: (11) 3666-2087
Site: www.restauranteaoyama.com.br

Si Señor!
Endereço: R. Armando A. Penteado, 18
Horário de funcionamento: de segunda à quinta, das 12h às 15h e das 18h às 24h. Sexta das 12h às 15h e das 18h à 01h. Sábado das 12h às 01h. Domingo das 12h às 24h.
Contato/Reservas: (11)3476-2538. Reservas: https://sao-paulo.restorando.com.br/restaurante/si-senor-higienopolis
Site: www.sisenor.com.br/cardapio

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Texto originalmente publicado no blog do DPH – Departamento do Patrimônio Histórico / Prefeitura de São Paulo - SP (http://patrimoniohistorico.prefeitura.sp.gov.br) | 01/02/17.
Na foto, fachada do Edifício Esther, na Praça da República. Crédito: Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo.

Paulo Mendes da Rocha recebe a Royal Gold Medal de Arquitetura 2017

Concedida desde 1848, a medalha já premiou arquitetos como Zaha Hadid (2016), Frank Gehry (2000), Norman Foster (1983) e Oscar Niemeyer (1998), único brasileiro além de Mendes da Rocha a receber a honraria. +

O Royal Institute of British Architects (RIBA) premiou em 01/02/17 Paulo Mendes da Rocha com a Royal Gold Medal de Arquitetura 2017.
Concedida em reconhecimento ao conjunto da obra, a Royal Gold Medal é dada a uma pessoa ou grupo de pessoas que tiveram uma significativa influência "seja direta ou indiretamente no avanço da arquitetura". Concedida desde 1848, entre os premiados em outros anos estão Zaha Hadid (2016), Frank Gehry (2000), Norman Foster (1983) e Oscar Niemeyer (1998), único brasileiro além de Mendes da Rocha a receber a honraria.
Nascido em Vitória (ES) em 1928, Paulo Mendes da Rocha obteve reconhecimento internacional por sua significativa contribuição à arquitetura. Construiu diversos edifícios culturais notáveis, grande parte inseridos no que se convencional chamar de estilo brutalista, com concreto aparente e acabamentos duros. Em 1957, concluiu sua primeira grande obra, o Clube Atlético Paulistano, que deu seguimento a outros grandes projetos, como a Capela de São Pedro (1987), o Museu Brasileiro de Escultura - MuBE (1988), a Praça do Patriarca (1992-2002), a remodelação da Pinacoteca do Estado (1993) e o Centro Cultura da Fiesp (1997).
Apesar de sua reputação internacional, são poucas as obras de Paulo Mendes da Rocha construídas fora do Brasil, notadamente o Pavilhão do Brasil na Expo '70 em Osaka, Japão, e o Museu Nacional dos Coches (2015) em Lisboa, Portugal.
A presidente do RIBA e presidente do comitê de seleção, Jane Duncan, comentou:
"A obra de Paulo Mendes da Rocha é muito incomum em comparação com a maioria dos arquitetos mais celebrados do mundo. Ele é um arquiteto com uma incrível reputação internacional, no entanto, a maioria de suas obras-primas estão construídas exclusivamente em seu país natal. Revolucionário e transformador, a obra de Mendes da Rocha tipifica a arquitetura do Brasil da década de 1950 - concreto exposto e belamente trabalhado."
Paulo Mendes da Rocha comentou:
"Após tantos anos de trabalho, é uma imensa alegria receber este reconhecimento do Royal Institute of British Architects pelas contribuições que minha obra e experimentos trouxeram ao progresso da arquitetura e sociedade. Gostaria de mandar calorosas saudações a todos aqueles que compartilham de minha paixão, em particular os arquitetos britânicos, e gostaria também de compartilhar este momento com todos os arquitetos e engenheiros que colaboraram em meus projetos."
Dentre as honrarias já recebidas por Paulo Mendes da Rocha estão o Prêmio Mies van der Rohe (2000), o Prêmio Pritzer (2006), o Leão de Ouro da Bienal de Veneza por sua trajetória (2016) e o Prêmio Imperial do Japão (2016).
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Texto originalmente publicado no site “ArchDaily” (www.archdaily.com.br) | 01/02/17.
Foto: Fabio Braga / Folhapress.

Os modernos voltam a se encontrar

Tarsila, Di Cavalcanti, Brecheret, Volpi, Rebolo e Bonadei, entre outros, estão reunidos na nova mostra do MAM +

Um importante ponto de encontro de artistas, críticos, jornalistas que movimentou a história da cultura paulistana está de volta. Setenta anos depois de sua fundação, a Galeria Domus, que impulsionou a arte na metrópole, é lembrada em livro e exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Com a autoria e curadoria de José Armando Pereira da Silva, a edição e a mostra reúnem obras de Tarsila do Amaral, Lívio Abramo, Alfredo Volpi, Mario Zanini. Aldo Bonadei, Tomoo Handa, Victor Brecheret, Di Cavalcanti, Rebolo, entre outros. E documentam também a participação dos críticos Maria Eugênia Franco, Sérgio Milliet, Ciro Mendes e Lourival Gomes Machado, do jornal O Estado de S. Paulo.

A mostra O mercado de arte moderna em São Paulo: 1947-1951, a ser inaugurada no próximo dia 7 de fevereiro, resgata o bom tempo da arte brasileira, quando artistas, críticos, curadores, jornalistas se reuniam para abrir caminhos para a cultura na metrópole. “A Galeria Domus, em seus cinco anos de existência, promoveu 91 exposições, fato que não encontrei registrado em nenhuma obra de história da arte brasileira”, argumenta o curador.


Cultura

- 01/02/2017
Os modernos voltam a se encontrar

Tarsila, Di Cavalcanti, Brecheret, Volpi, Rebolo e Bonadei, entre outros, estão reunidos na nova mostra do MAM
Por Leila Kiyomura - Editorias: Cultura
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Tarsila do Amaral: A obra Santa Irapitinga do Segredo, de 1941 presente na exposição inaugural da Galeria - Acervo Artístico Cultural: Palácios do Governo do Estado São Paulo
Tarsila do Amaral: A obra Santa Irapitinga do Segredo, de 1941, presente na exposição inaugural da galeria – Acervo Artístico Cultural: Palácios do Governo do Estado São Paulo

Um importante ponto de encontro de artistas, críticos, jornalistas que movimentou a história da cultura paulistana está de volta. Setenta anos depois de sua fundação, a Galeria Domus, que impulsionou a arte na metrópole, é lembrada em livro e exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Com a autoria e curadoria de José Armando Pereira da Silva, a edição e a mostra reúnem obras de Tarsila do Amaral, Lívio Abramo, Alfredo Volpi, Mario Zanini. Aldo Bonadei, Tomoo Handa, Victor Brecheret, Di Cavalcanti, Rebolo, entre outros. E documentam também a participação dos críticos Maria Eugênia Franco, Sérgio Milliet, Ciro Mendes e Lourival Gomes Machado, do jornal O Estado de S. Paulo.

A mostra O mercado de arte moderna em São Paulo: 1947-1951, a ser inaugurada no próximo dia 7 de fevereiro, resgata o bom tempo da arte brasileira, quando artistas, críticos, curadores, jornalistas se reuniam para abrir caminhos para a cultura na metrópole. “A Galeria Domus, em seus cinco anos de existência, promoveu 91 exposições, fato que não encontrei registrado em nenhuma obra de história da arte brasileira”, argumenta o curador.
Alfredo Volpi: Paisagem de Itanhaém, década de 1940. 1940 – Pintura: Reprodução
Alfredo Volpi: Paisagem de Itanhaém, década de 1940. 1940 – Pintura: Reprodução

Tanto o livro Artistas na Metrópole, Galeria Domus 1947-1951 como a exposição resultam da pesquisa atenta do jornalista e crítico Pereira da Silva, pós-graduado em Estética e História da Arte no Programa Interunidades da USP. “Meu principal objetivo foi reavivar as vozes daquela época, por meio de notícias, documentos, entrevistas, críticas biografias e memórias, resenhando cada exposição com o olhar contemporâneo.” O historiador buscou revelar os caminhos dos artistas, tentando avaliar até que ponto as escolhas da Domus cumpriram o papel de ser um local de arte moderna. “A pesquisa também reapresenta alguns artistas relegados ao esquecimento, que naquele momento tiveram seu papel e sua hora”, observa. “Certamente o aparecimento da Galeria Domus está em sintonia com um momento da história cultural de São Paulo, quando a cidade se consolida na condição de metrópole com polos dinâmicos de teatro, cinema e música.”
Marco zero da pintura moderna
Galeria Domus foi fundada pelo casal de italianos Anna Maria e Pasquale Fiocca. Estava sediada no térreo do edifício Ana Paula Leite de Barros, na esquina da Praça da República com a Avenida Vieira de Carvalho. “Eles contaram com os empresários da família Matarazzo e outros importantes italianos para introduzi-los no circuito intelectual e artístico e na atividade de tecelagem que iriam desenvolver em paralelo”, conta Pereira da Silva. “O papel estratégico que a galeria desempenhou foi graças à simpatia dos donos em sua sensibilidade e coragem de acolher artistas modernos e apostar nos jovens.”
O público vai ter uma visão desse espaço pioneiro, chamado de “marco zero da pintura moderna” na mostra O mercado de arte moderna em São Paulo: 1947-51, integrada por 72 obras do acervo do MAM. O curador busca resgatar a exposição inaugural de fevereiro de 1948 apresentando, na sala Paulo Figueiredo, os trabalhos de Tarsila do Amaral, Victor Brecheret, Di Cavalcanti, Alfredo Volpi e Mario Zanini. Na sequência, é exibido o núcleo dos artistas imigrantes ou estrangeiros de passagem pela cidade, como Samson Flexor, Anatol Wladyslaw, Danilo Di Prete, Bassano Vaccarini, Ernesto de Fiori e Roger Van Rogger.

Em destaque também a mostra especial de Alfredo Volpi, Paulo Rossi Osir, Francisco Rebolo e Mario Zanini que, na época, tinha o objetivo de financiar uma viagem dos quatro à Europa. “Também é recordada uma exposição de 67 artistas para arrecadar fundos em prol da revista Artes Plásticas, que não passou da quarta edição”, lembra Pereira da Silva.

No final do percurso, são apresentados trabalhos de artistas representativos no acervo do MAM que estrearam na Domus, como Raphael Galvez e Emídio de Souza, além do carioca Oswaldo Goeldi, que apresentou seus trabalhos em São Paulo pela primeira vez na casa. Também são expostas seis obras de Lívio Abramo, artista de reconhecimento internacional e que tinha boa presença nas exposições da Galeria Domus. Vitrines com documentos, convites, catálogos, revistas, recortes e fotos cedidos por herdeiros dos proprietários e colecionadores transportam o público à metrópole da década de 1950.

“Hoje, 70 anos após a fundação da Domus, vivemos num mundo muito diferente, com reflexo no campo onde se movimentam críticos e artistas”, observa o curador. “A arte se internacionalizou e ganhou foros e formas naquela época inimagináveis. Talvez um artista sensível como Bonadei tenha intuído as grandes transformações que iriam ocorrer, quando dizia, a seu modo, que no futuro a arte seria filosófica.“
Exposição

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O mercado de arte moderna em São Paulo: 1947-51, curadoria de José Armando Pereira da Silva. Inauguração no dia 7 de fevereiro de 2017, às 20 horas, até 30 de abril de 2017. Sala Paulo Figueiredo, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Parque Ibirapuera, Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3. De terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h); entrada: R$ 6,00 e gratuita aos sábados. Tel.: (11) 5085-1300. Site: www.mam.org.br
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Texto de Leila Kiyomura publicado originalmente no Jornal da USP | 01/02/17

Um dos pioneiros da arte cinética, Sérvulo Esmeraldo morre aos 87

Ele havia sofrido um acidente vascular cerebral e estava internado havia quase duas semanas. +

Um dos pioneiros da arte cinética e autor de obras de geometria e luminosidade singulares, Sérvulo Esmeraldo morreu nesta quarta (01/02/17), aos 87, em Fortaleza. Ele havia sofrido um acidente vascular cerebral e estava internado havia quase duas semanas.
Esmeraldo iniciou sua carreira como ilustrador no jornal "Correio Paulistano", em São Paulo, mas foi morar em Paris na década de 1960, onde teve contato com artistas como o argentino Julio Le Parc e o venezuelano Jesús Rafael Soto, que então davam os primeiros passos na chamada arte cinética, obras calcadas na ilusão do movimento ou com detalhes que de fato se mexem, caso de algumas de suas obras.
Sua série mais célebre, os "Excitáveis", foi criada ainda em seus anos parisienses. Era formada por quadros com pequenas peças de acrílico, que se moviam em contato com a eletricidade estática das mãos do espectador.
Em paralelo, o artista se engajou na luta contra a ditadura no Brasil, tendo atuado no grupo de resistência América Latina Não Oficial, que ajudava refugiados do regime militar.
Sua última mostra em São Paulo foi há dois anos na galeria Raquel Arnaud, onde mostrou novas peças metálicas criadas a partir de projetos de obras criados ao longo das últimas décadas.
Em Fortaleza, o cearense nascido no Crato, no interior do Estado, também chegou a criar grandes esculturas públicas, como o Monumento ao Saneamento da Cidade de Fortaleza. Seu corpo será velado nesta quinta (02/02/17), no Palácio da Abolição, sede do governo do Ceará.
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Texto de Silas Martí originalmente publicado no jornal “Folha de S. Paulo” | 02/02/17.
Na foto, Sérvulo Esmeraldo em seu ateliê em Paris nos anos 1970. Crédito: Divulgação.

Morre aos 87 anos o artista cearense Sérvulo Esmeraldo

Ele completaria 88 anos no dia 27/2. Última exposição do artista foi na cidade natal, Crato, em 2016. +

Morreu na tarde desta quarta-feira (dia 01/02/17) o artista plástico cearense Sérvulo Esmeraldo. No último fim de semana, ele foi diagnosticado com um quadro de acidente vascular cerebral (AVC). Segundo amigos próximos, o velório deve ocorrer a partir das 8h desta quinta-feira (02/02/17) na capela do Palácio da Abolição, em Fortaleza.
A morte do artista cratense foi confirmada na noite desta quarta pela Secretaria de Cultura do Ceará.
Intitulada "Sérvulo Esmeraldo: A Linha, A Luz, O Crato", foi a última exposição realizada pelo artista. De acordo com amigos, ele estava bastante feliz por sua cidade natal (Crato) receber suas obras. Sérvulo completaria 88 anos em 27/02/17.
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Fonte: texto de Michel Victor originalmente publicado no site G1 (g1.globo.com).
Foto: Heloisa Araújo / Agência Diário.

7 regras para um artista alcançar o sucesso

Talento, planejamento e conhecimento comercial são algumas das habilidades necessárias. +

Talento
Em primeiro lugar o artista precisa ter talento, ele vem de duas maneiras na nossa vida:
Talento natural, é aquele que você já nasce com ele, se você já “nasce” desenhando, pintando, atuando, faz coisas sem ter feito aulas, o autodidata, têm habilidades naturais, conhecida também como dom, e o que pode ser adquirido com o tempo além do talento natural, o talento construído, é o domínio da habilidade natural, você já nasce com o dom da arte, mas precisa aprender a dominar isso, onde você entra numa aula pra aprender ou aprimorar o estilo artístico que você escolheu.

Planejamento
Como um artista independente, você precisa lembrar que além de artista você também é um homem de negócios, você tá gerando compras e vendas, tá vendendo o seu produto e pretende ganhar dinheiro com isso. Você precisa planejar muito bem a sua carreira porque você também tem concorrentes, como qualquer lojista, como qualquer empresário, como qualquer tipo de mercado… E, pra alcançar o mérito do sucesso, você precisa planejar, ter perseverança, acreditar nos seus sonhos e naquilo que você faz.

Público Alvo
Se preocupar com o público alvo. Se você já tem um público fiel ou se você está começando agora no mercado, você ainda não tem um público, mas você precisa medir a capacidade de construir um público, se você é bom o bastante para conquistar um público fiel.

O Mercado
Você precisa estar 100% antenado ao mercado, adquirir conhecimentos, saber a potencialidade do seu estilo e como ele está no mercado naquele momento. As melhores regiões de mercado, analisar galerias, museus, ter a noção de qual o melhor local, cidade ou município pra você se projetar como artista.

Conhecimentos Administrativos
Você precisa ter conhecimentos administrativos, além de artista, você precisa entender que é gerente da própria carreira, saber como funciona o mercado, entender sobre emissões de NF`s, ter um CNPJ pra além de contratos pequenos passar a ter grandes contratos e assim você conseguir subir na sua carreira pra conseguir grandes exposições

Conhecimento Comercial – O Marchand
Marchand, a palavra se refere não só àquele que compra e vende objetos artísticos mas também a um tipo de prestador de serviços que atua na divulgação do artista, podendo representá-lo comercialmente nas relações com galeristas, colecionadores, museus e assemelhados. À maneira de um corretor especializado, esse profissional não realiza a compra ou a venda de objetos. Apenas intermedeia as relações entre o artista e o mercado de arte.
Então, se você não é um bom vendedor o Ideal é ter alguém responsável por vendas, um Marchand, seja um parente, um amigo, não importa quem seja, mas alguém que tenha possibilidade e que goste de vendas, na minha opinião o artista tem que fazer arte, ele precisa de tempo para criar, projetar novos trabalhos enquanto uma pessoa sai na estrada pra vender o seu trabalho o que todo artista precisa ter alguém que venda, um empresário, mas se você é um artista independente e não foi contratado por nenhum empresário, não fechou acordo, você pode montar uma equipe e contratar uma pessoa que faça isso pra você, que venda por você. O conhecimento de vendar é muito importante, porque não adianta você ser um bom artista se você não sabe se vender. Saber diferenciar o valor e preço, saber se valorizar.

O Curador
No decorrer da carreira, você irá precisar de um curador. Crítico, imaginativo, bom escritor e amante dos museus. Essas são algumas características do profissional que atua como curador de arte. Formado em áreas diversas, como história, literatura, filosofia ou comunicação, e especializado na área, o curador é responsável pela preparação, concepção e montagem de exposições.
Seu papel é estabelecer relações entre as obras e fazer com que dialoguem com o público. “É como um técnico de futebol, que escolhe o time, pegando os melhores jogadores para cumprir sua função”.

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Texto de Joy de Paula originalmente publicado no site “Arte|Ref” (http://arteref.com) | 30/01/17.

Residência projetada por Vilanova Artigas em São Paulo é tombada

A representatividade como programa residencial rendeu à obra o título de bem cultural. +

A residência José Mário Taques Bittencourt II, projetada por Vilanova Artigas, concluída em 1962, foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).
Localizada no bairro de Sumaré, em São Paulo (SP), a obra apresenta, segundo o conselho, uma “linguagem do concreto aparente sem revestimentos, separa-se do espaço público com um volume cego e que articula os espaços internos através de planos interligados por rampas e jardim internos”.
Para o órgão, sua representatividade como programa residencial concebido no período de 1956 a 1985, que, dentro do panorama da obra do arquiteto, caracteriza-se pela aproximação ao chamado “brutalismo da Escola Paulista” de arquitetura, rendeu à residência o título de bem cultural de interesse histórico, arquitetônico, artístico, turístico, paisagístico e ambiental.
O conselho destaca ainda a relevância da produção de João Batista Vilanova Artigas para a compreensão da história da arquitetura paulista e pela sua interpretação peculiar dos princípios da arquitetura moderna.
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Texto originalmente publicado no site “ArcoWeb” (https://arcoweb.com.br) | 24/01/17.

A marcha dos sem-marchand

Criadores deslocados do circuito das galerias vivem entre a marginalização e a busca de um aceno do mercado. +

Uma singela mostra simultânea que se abriu nesta semana em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Goiânia, o Salão dos Artistas Sem Galeria, já em sua oitava edição, recebeu 194 obras de 12 estados e do Distrito Federal para montar suas exibições.
O mote é prescindir da representação de marchands ou galeristas, o que não quer dizer que os artistas escolhidos por um júri independente não sonhem com um aceno do mercado.
A colheita do salão resultou numa seleção eclética que inclui de pintores de técnica clássica a fotógrafos, escultores, videoartistas e adeptos das instalações: Lula Ricardi (SP), Maura Grimaldi (SP), Jefferson Lourenço (MG), Marcelo Barros (SP), Gunga Guerra (Moçambique/RJ), Marcelo Pacheco (SP), Luciana Kater (SP), Cesare Pergola (Itália/SP), Juliano Moraes (GO) e Cristiani Papini (MG).
Quantos desses jovens vingarão é algo imponderável. Mas é certo que, dentro do sistema de legitimação artística preponderante do País, artista que se afirma sem marchand é raro. E também são poucos os exemplos históricos.
O gravurista pernambucano Gilvan Samico (1928-2013), de temperamento discreto e que abriu mão da visibilidade e da presença no mercado do Sudeste do País para viver em Olinda (PE), foi um caso. Sua nora vendia o que ele produzia, uma gravura a cada ano.
Ainda assim, Samico teve, em vida, uma carreira de 300 exposições em 30 países, com prêmio da Bienal de Veneza e obras no MoMA de Nova York. E seu trabalho ecoa longe ainda hoje: no próximo dia 9 de fevereiro, será aberta em Nova York a exposição Samico Between Worlds - Rumors of War in Times of Peace, do Dream Box Art Lab, com 14 xilogravuras que ficarão expostas até 4 de março.
Nos anos 1970, artistas experimentais como Hélio Oiticica e Lygia Clark abriram caminho para que a arte se relacionasse mais com o público do que com os marchands e as galerias. Após a morte deles, viraram galinhas dos ovos de ouro para o mercado de arte.
O muralista, pintor e artista plástico baiano Bel Borba provavelmente é um enigma para o mercado de arte. Em 2012, sem marchand e sem galeria, pouco badalado na terra natal, ele foi comissionado para montar uma exposição no coração de Times Square, em Nova York.
O jornal The New York Times estampou, em reportagem de uma página: “Bel Borba traz criatividade contagiante para as ruas de Nova York”.
No ano passado, novo espanto: até o fim de dezembro, Borba estava com mostra portentosa na Alemanha, no Museu Neuffer Am Park, em Pirmasens (que já abrigou Picasso, Penck, Kostabi, Christo e Jeanne-Claude, entre outros).
As obras seguem para uma itinerância pela Alemanha (Düsseldorf, Hannover e Berlim) nos próximos meses, enquanto outras exposições de Borba correm cidades da Espanha até o fim do ano. O artista acerta tudo pessoalmente, baseado nos velhos princípios de camaradagem e “cara de pau”, como afirma.
Agnaldo Farias, crítico, curador e professor da Universidade de São Paulo, acredita que, atualmente, não é possível a vida de um artista longe dos marchands e das galerias.
“Em primeiro lugar, porque as inúmeras feiras de arte espalhadas pelo planeta, como Basel, Armory, Frieze, SP Arte etc., cuja importância decorre diretamente da força das galerias que elas abrigam, são responsáveis por grande parte das vendas para museus e colecionadores”, diz Farias. “Por conta disso, ainda que uma galeria não logre obter sucesso nessa ou naquela feira, participar delas é um imperativo.”
Para José Roberto Teixeira Coelho, ex-curador do Museu de Arte de São Paulo, o marchand continua a atuar na dialética das artes visuais “para o melhor e para o pior” – e continua impulsionando carreiras artísticas. Já a galerista Adriana Duarte, da independente Casa da Xiclet e que foi jurada do Salão dos Sem Galeria, diz que não é imprescindível ter uma representação profissional para triunfar no mundo da arte.
“O que é imprescindível mesmo é que o artista seja bom, que sua obra tenha qualidade técnica, estética e conceitual”, diz Adriana. “Pois conheço artistas que têm representação nacional e internacional e que não têm técnica nem estética, como é o caso do Romero Britto. Ter representação não significa que ele seja realmente bom, apenas que é representado por alguém.”
Celso Fioravante, editor do periódico e portal Mapa das Artes e criador do Salão dos Artistas Sem Galeria, considera que o novo mundo, globalizado e tecnológico, impulsiona os artistas jovens para caminhos independentes. Possibilita que criem páginas no Facebook e no Instagram, formatando sites ou blogs.
A interna sua visibilidade, mas nada subet ainda ajuda o artista em todo tipo de comunicação, pois o mantém informado das oportunidades do circuito. “Tudo isso ajuda o artista e aumenta stitui o trabalho de uma galeria”, pondera Fioravante. “O galerista é quem faz o trabalho real, enquanto a internet faz o trabalho virtual.”
Mesmo casos de êxito, como o de Samico, têm um componente de assimilação pelo mercado. “Embora ele não fosse representado por marchand ou galeria, é verdade também que as galerias compravam seu trabalho e revendiam, e é difícil dimensionar o reflexo que esse jeito de trabalhar trouxe para seu reconhecimento e presença entre colecionadores”, analisa Clara Clarice, jornalista e curadora, diretora de uma instituição que representa a obra de Samico em nome da família.
Após o falecimento do artista, a obra de Samico tornou-se ainda mais valorizada. A recente Bienal de São Paulo mostrou 51 obras do gravurista. Seu trabalho esteve nas últimas edições da Bienal do Mercosul e Internacional de Curitiba, além de diversas individuais nos últimos dois anos.
O escritor francês Pierre Assouline afirmou, em sua bem-sucedida biografia L’Homme de l’Art D. H. Kahnweiler 1884-1979, que o cubismo talvez não tivesse existido sem a figura de um marchand, o alemão Daniel-Henry Kahnweiler, o primeiro a reconhecer qualidade na icônica pintura Les Demoseilles d’Avignon, de Picasso (e de obras fundamentais de Fernand Léger, Georges Braque, Juan Gris, Kess van Dongen e André Derain). Assim como os impressionistas não teriam tido vida fácil sem Paul Durand-Ruel, que lhes pagava aluguéis, médicos e alfaiates.
Pode parecer que a questão dos marchands é inerente ao capitalismo, mas é um debate muito antigo. Denis Diderot (1713-1784) reclamou que a especulação do mercado de arte teve um efeito deletério na qualidade artística naquela época.
O que levou o filósofo Paul Mattick a escrever, no livro Art in Its Time (2003), que a consequência daquelas críticas foi uma reação irônica: ao se atribuir a exemplares da pintura flamenga holandesa a expressão de uma cultura comercial, acabou se criando um significado para críticos e artistas, aumentando o interesse de colecionadores da França e pintores (em certo período, o número de colecionadores na França pulou de 150 para 500).
Para Agnaldo Farias, os marchands, “se aparelhados estética e comercialmente, predicados que cada um deles conjuga com tônicas distintas”, têm o poder de dar visibilidade a uma obra. “O que também significa ocultá-la ou inflacioná-la, ainda que ela, se comparada com outras obras, não tenha a mesma qualidade”, analisa.
Paradoxo dos paradoxos, a mostra do Salão dos Artistas Sem Galeria terá percurso justamente em galerias: duas de São Paulo (Zipper e Sancovsky), uma em Belo Horizonte (Orlando Lemos), outra em Goiânia (Ludmilla Potrich) e outra no Rio de Janeiro (Patricia Costa).
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Texto de Jotabê Medeiros originalmente publicado no site da revista “Carta Capital” (www.cartacapital.com.br) | 31/01/17.
Na foto, detalhe da obra “Se Correr o Bicho Pega”, de Gunga Guerra.
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Nota do Mapa das Artes:
Diferentemente do publicado na reportagem, as mostras do Salão dos Artistas Sem Galeria não são simultâneas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Goiânia. A exposição é itinerante: em São Paulo, nas galerias Sancovsky (de 12/01/17 a 04/03/17) e Zipper (de 17/01/17 a 04/03/17), em Belo Horizonte (Galeria Orlando Lemos, entre 11/03/17 e 22/04/17), em Goiânia (Potrich Arte Contemporânea; de 06/05/17 a 03/06/17) e no Rio de Janeiro (Galeria Patricia Costa, junho e julho de 2017).

Em seu 1ª ano, Museu do Amanhã se torna o mais visitado do país

A visitação do museu em 2016 foi maior do que as dos três museus seguintes: o MIS-SP, o Masp e o Museu de Arte do Rio – somadas. Também superou o público de 30 instituições federais sob responsabilidade do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), que tiveram juntas 977 mil visitas no último ano. +

Ele entrou no circuito ainda ontem, já muito atrasado, mas chegou causando: em seu primeiro ano de atividade, o Museu do Amanhã tornou-se o mais visitado do país.
Símbolo maior da reforma da zona portuária do Rio de Janeiro (RJ), o museu teve 1,4 milhão de visitas desde sua inauguração, em 17/12/15, após sucessivos adiamentos – ele havia sido prometido para o aniversário de 450 anos da cidade, em 01/03/15.
A visitação do Amanhã em 2016 foi maior do que as dos três museus seguintes: o MIS-SP, o Masp e o Museu de Arte do Rio – somadas. Também superou o público de 30 instituições federais sob responsabilidade do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), que tiveram juntas 977 mil visitas no último ano.
Especialistas ouvidos pela “Folha de S. Paulo” e a própria direção do museu apontam quatro fatores para o sucesso: a inserção do edifício na renovada área portuária carioca; sua arquitetura espetaculosa, criada pelo espanhol Santiago Calatrava; o impulso dos Jogos Olímpicos; e a divulgação midiática sem precedentes.
Por fim, há a atração causada pela temática moderna e pelas instalações multimídias da instituição, que foi concebida pela Fundação Roberto Marinho e pertence à Prefeitura do Rio.
Receber mais de um milhão de pessoas foi algo que os donos do Amanhã não previram: a expectativa de público para o primeiro ano, firmada em contrato, era de 450 mil pessoas –número a que se chegou após um estudo da Fundação Getulio Vargas encomendado pela prefeitura.
"Fizemos um esforço enorme para que a equipe dimensionada (para 450 mil) pudesse atender essa multidão", diz Ricardo Piquet, 53, diretor-presidente do museu.
O esforço teve seu custo: o Amanhã acertara com a prefeitura um orçamento de R$ 32 milhões para operar por dois anos (2015 e 2016). Na prática, só abriu para o público no ano passado, mas gastou a verba inteira assim mesmo.
"Foi preciso repactuar os contratos de vigilância e de limpeza, para atender três vezes mais pessoas do que o previsto. Eles absorveram essas demandas, fizemos um esforço de manutenção além do projetado. Contratamos temporários para cobrir algumas etapas que sabíamos que seriam necessárias", diz Piquet.
Para 2017, o orçamento previsto é de R$ 32 milhões – metade disso, dinheiro municipal. A instituição esperava receber R$ 20 milhões dos cofres públicos. "Para nossa surpresa, a prefeitura (ainda na gestão de Eduardo Paes) mandou um valor de R$ 16 milhões. Ou seja, é um corte no orçamento. Fizemos um outro esforço para buscar patrocinadores além do que estava previsto, para complementar o orçamento", afirma o diretor do museu.
Quantidade não é tudo
Apesar de louvar o expressivo número de visitantes conseguido pelo Amanhã, especialistas apontam que esse não pode ser o único dado para se medir a relevância de um museu.
"É uma tendência internacional dos museus cada vez menos oferecer acervo e mais a experiência da arquitetura do prédio", diz o crítico de arte Afonso Luz, 41, ex-diretor do Museu da Cidade de São Paulo. "O espetáculo gera distorções, é um desperdício sem tamanho, porque o dinheiro gasto não forma as pessoas. Para ver a história da arte ou a trajetória de um artista, é uma tarefa complexa. Essa é a diferença de um museu: você vai criando um trabalho diferenciado, educativo, sustenta um mercado de catálogos", afirma Luz.
Paulo Vicelli, diretor de relações institucionais da Pinacoteca de São Paulo, diz que o Amanhã "é um fenômeno e teve um sucesso merecido", mas afirma que não se deve comparar a visitação dele com as de museus de arte.
"O Museu do Amanhã não é uma instituição como a Pinacoteca. Ele não tem acervo, não tem uma coleção. É um museu de sensações, você vê as televisões, é uma outra abordagem. Ele usa de uma linguagem que é mais compreendida pelo público de hoje, sobretudo o público jovem. Talvez os museus mais tradicionais precisem aprender a mesclar um pouco suas linguagens com essa tecnologia que atraiu mais de um milhão de pessoas", diz Vicelli.
Recorde de público também não se traduz necessariamente em qualidade, e Piquet reconhece que a quantidade imprevista teve efeitos indesejados, como filas que chegavam a mais de três horas.
"Para este ano, não temos a expectativa nem o desejo de bater recorde nenhum, porque extrapolamos o limite para uma boa visita ao museu. Receber quase 10 mil pessoas num dia, como nós recebemos, causa uma visita frustrante, você não consegue ver tudo", diz o diretor.
Ainda assim, ele estima bater a casa do 1 milhão de visitas novamente. "Neste mês de janeiro o público vem girando em torno de 4.500 pessoas por dia. Se essa média se reproduzir até o final do ano, vamos chegar em algo como 1,1 milhão."
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Texto de Marco Aurélio Canônico originalmente publicado no jornal “Folha de S. Paulo” | 30/01/17.
Foto: Erbs Jr. / Folhapress.