destaques
conteúdo
publicidade
notícias

Mural do pioneiro do Pop Art Eduardo Paolozzi é descoberto em Berlim

Uma demolição de um banco ao lado do prédio revelou o trabalho escondido na antiga Berlim Ocidental, mas a pintura permanecerá em exibição? Matéria de Kate Brown publicada originalmente no site artnet (www.artnet.com), em 23/02/18. +

Um mural vibrante do pioneiro do pop art britânico, Eduardo Paolozzi, foi revelado recentemente após uma demolição de um edifício em Berlim.

Paolozzi (1924-2005) completou o mural, o maior trabalho público do artista, em 1976, ao lado de um prédio próximo à Estação Zoo, no que era então o centro de Berlim Ocidental. Mas ficou escondido quando um grande banco foi construído no local na década de 1980.

Durante anos, o mural "perdido" só podia ser visto em certas janelas dentro do edifício do banco, que agora foi demolido. A composição em preto e branco de Paolozzi, que mede mais de 3m², foi revelada novamente. No entanto, seu futuro é incerto, já que existem planos para um novo edifício em andamento.

Uma grande pesquisa sobre o trabalho do artista, a mostra "Lots of Pictures - Lots of Fun", está em exibição na Galeria Berlinische em Berlim até 28 de maio. É a primeira exposição monográfica dedicada a Paolozzi na Alemanha em mais de 30 anos, e que foca em sua produção entre as décadas de 1940 e 1970, incluindo esse período decisivo que passou em Berlim em 1974, tempo em que este mural foi criado.

O escultor e gravador escocês é mais conhecido por suas obras vibrantes e futuristas e é amplamente considerado como um dos fundadores do movimento britânico de pop art. Ele lecionou em várias faculdades em Hamburgo, Colônia e Munique, bem como o Royal College of Art em Londres.
|
Matéria de Kate Brown publicada originalmente no site artnet (www.artnet.com), em 23/02/18.

Arte africana floresce na primeira edição da 1-54 em Marrakech

A edição em Marrakech da 1-54 Feira de Arte Africana Contemporânea teve fortes vendas, com exceção de algumas estrelas em ascensão, mas ainda abaixo do que outros mercados. E muitos se perguntam o que a cena de arte africana ainda precisa para florescer o mercado completamente. Matéria de Naomi Rea publicada no site do artNet (artnet.com), em 26/02/18. +

A 1-54 Feira de Arte Africana Contemporânea fez sua estreia na África em Marrakesh, Marrocos, no Grand Salon da badalada La Mamounia, um dos hotéis favoritos de Winston Churchill. Realizada no último fim de semana, a 1-54 acolheu 4 mil visitantes para ver obras de arte de 17 galerias internacionais, que exibiram mais de 60 artistas contemporâneos de toda a África e sua diáspora. As vendas foram fortes, mas, com exceção de algumas estrelas em ascensão, os preços geralmente variaram de US $ 1.000 a US $ 20.000, ainda abaixo do que outros mercados, dos quais muitos se perguntam o que a cena de arte africana ainda precisa para florescer o mercado completamente.

A feira estava lotada de colecionadores internacionais, enquanto grandes diretores e curadores de museus também viajaram à Marrakech. O diretor do Museu de Arte Moderna de Nova York, Glenn Lowry e Zoe Whitley, da Tate, que co-organizou a mostra "Alma de uma Nação" com Mark Godfrey, foram vistos percorrendo os estandes da feira, além da aparição também dos diretores e curadores de The Smithsonian, Zeitz MOCAA e Centre Pompidou.

Nos últimos dez anos, tem crescido o interesse pelo mercado de arte africana contemporânea. Muitas galerias consolidadas representam agora artistas africanos, e iniciativas como 1-54, lançada em Londres em 2013 e se ampliou para Nova York até 2015, estão atraindo muitos colecionadores internacionais.

Marrakech é tradicionalmente um elo entre África, Europa e Oriente Médio. Como o francês é a segunda língua do marroquino, a localização atrai inúmeros expositores e colecionadores francófonos que não são presenças garantidas nas edições da feira de Nova York na primavera e em Londres no outono.

"Eu acho que há uma alta correlação entre a economia de um país e a forma como a cena artística está se desenvolvendo", disse o diretor da feira, Touria El Glaoui, quando foi perguntado sobre as diferentes cenas em todo o continente. "Estamos lidando com todo o continente, não só um país, e eles estão todos em níveis diferentes de desenvolvimento".

De acordo com El Glaoui, que também é filha do pintor marroquino Hassan El Glaoui, o norte da África desenvolveu uma forte cena artística nos últimos 20 anos, com casas de leilões surgindo em torno de Marrocos e dezenas de galerias em grandes cidades, e muitos artistas estão fazendo feiras internacionais de arte agora, e os marroquinos estão cobrando valores mais altos por sua arte.
|
Matéria de Naomi Rea publicada no site do artNet (artnet.com), em 26/02/18.

Escultura de Sérvulo Esmeraldo é levada pelo mar em Fortaleza

A obra "La Femme Bateau" movia-se na Ponte dos Ingleses, em Fortaleza, e a viúva do artista Dodora Guimarães lamenta: "Em que banco de areia estará nossa sereia?” Matéria publicada originalmente no jornal “O Povo”, em 03/03/18. +

La Femme Bateau" movia-se na Ponte dos Ingleses, orientada pela direção dos ventos. Escultura foi arrancada pela força das ondas durante a ressaca.

A viúva do artista plástico Sérvulo Esmeraldo, Dodora Guimarães comentou neste sábado, 3, sobre a escultura de Sérvulo Esmeraldo carregada pelas ondas durante a ressaca que atingiu a orla de Fortaleza. Dodora Guimarães publicou a matéria do O POVO Online em seu perfil no Instagram e comentou: "Em que banco de areia estará nossa sereia?"

A instalação ficava na ponta da Ponte dos Ingleses, na Praia de Iracema. Foi construída em 1994, a partir de fibras. Em formato de barco, ela se movimentava conforme a direção dos ventos.

Oito mergulhadores do Corpo de Bombeiros iniciam às 8h30min da segunda-feira, 5, as buscas pela obra. A escultura foi levada da Ponte dos Ingleses pelas ondas na última sexta-feira, 2. A responsabilidade da operação é do tenente coronel Holdayne. A ação é feita em conjunto com a Prefeitura de Fortaleza.

“O horário foi escolhido porque o mar vai estar secando”, afirma Heraldo Pacheco, comandante-geral dos Bombeiros. Segundo ele, ainda não é possível ver a escultura devido a altura do mar, que continua alta. “ De um jeito ou de outro, vamos tirar”, garante o comandante. A obra tem dimensão de 5 metros por 1,5m.

Além do corpo de bombeiros, trabalhadores da Prefeitura ajudarão nas buscas. O comandante classifica a operação como “delicada”. “Encontrar vai ser fácil, mas é preciso saber em qual posição a escultura vai estar”, adianta. Segundo Heraldo não se sabe se a escultura vai ser retirada pela praia ou se será levada pela ponte dos ingleses. “Só vai ser decidido na hora, depende da situação do mar”, diz. Se encontrada, a Prefeitura levará a escultura para o reparo. Depois, a obra retorna para Ponte dos Ingleses.
|
Matéria publicada originalmente no jornal “O Povo”, em 03/03/18

Met Museum oferece cães guia aos visitantes para comemorar o ano do Cão Chinês

O The Metropolitan Museum of Art de Nova York comemora o Ano Novo Chinês com mostra especial voltada ao melhora amigo do homem, com passeios especiais com cães-guias. Matéria de Sarah Cascone para o artNews, em 23/02/18. +

Os museus de arte não são tipicamente o melhor lugar para sair com nossos amigos peludos, mas isso mudará esse fim de semana, quando The Metropolitan Museum of Art de Nova York recebe alguns convidados especiais em comemoração ao Ano Novo Lunar: cães-guia.

Para marcar o início do Ano Novo Chinês, que começou em 16 de fevereiro, “A Fundação de Cães-Guia, Veterinários de Cachorros da América e Orientando Olhos para Cegos trará cães e filhotes em treinamento", diz Rebecca McGinnis, educadora gerencial de acessibilidade do museu. "Eles ajudarão as pessoas a entender o trabalho importante que eles realizam para pessoas com deficiências visuais".

Esta não é, no entanto, a sua chance de trazer seu próprio cão para a instituição. Conforme o Americans with Disabilities Act, os cães-guia são sempre bem-vindos no Met, mas, caso contrário, você deve deixar seus animais de estimação em casa.

O Festival de Ano Novo Lunar do Met, que acontecerá sábado, das 11h às 5h da manhã, foi parcialmente inspirado na programação do 25º aniversário da ADA, no museu em 2015. "Nós realizamos passeios especiais para cães-guia e seus donos entre mostras de obras de arte da coleção Met", disse McGinnis. "Há tantos cães representados em muitas culturas, e então é um ótimo tema que nos leva por todas as partes do museu através dos séculos”.
Ao entrar no Ano do Cão, ela acrescenta, o Met saltou na chance de mais uma vez "destacar e mostrar o que os cães fazem por nós ... Foi uma ótima oportunidade para honrar as diferentes maneiras pelas quais os cães foram representados e imortalizados na arte. "

Uma exposição especial, "Comemorando o Ano do Cão", em cartaz entre 19 de janeiro e 4 de julho, pretende mostrar a importância dos cães na vida chinesa diária ao longo dos séculos. De serem enterrados com seus donos durante a dinastia Shang (cerca de 1500-1046 aC) para suas muitas representações em pinturas, cerâmica, metalurgia e outros meios de comunicação nos últimos dois milênios. O cão há muito tempo tem um lugar importante na sociedade chinesa - acrescenta uma prova de que todos amam o melhor amigo do homem.

A programação do Ano Novo Lunar incluirá um desfile, apresentações musicais e um show de marionetes, bem como atividades de arte, uma demonstração de macarrão manual e narração de histórias. Com base no tema canino, também haverá um "o que o seu nariz sabe" do passeio do museu. "Você segue seu nariz no museu", disse McGinness.

É fácil ver a sabedoria ao prestar especial atenção ao feriado, amplamente celebrado na Ásia, já que o Met viu um aumento nos visitantes da China nos últimos anos. No ano fiscal de 2017, 37% do visitante era internacional. Os visitantes chineses representaram 15% desse total, um aumento de dois por cento em relação ao ano anterior. Em linha, o aumento ano-a-ano foi ainda maior, com 18% mais sessões da China no site do museu durante 2017.
|
Matéria de Sarah Cascone para o artNews, em 23/02/18.

Espaço do Estado do RJ ganhará nome da mãe de ex-secretário

No apertado orçamento da Secretaria Estadual de Cultura do RJ para 2018, um investimento chama a atenção: R$ 327.800 para a implantação de uma galeria de arte. A criação de um novo equipamento cultural, no momento em que os já existentes têm cada vez menos recursos para ser mantidos, sobressai ainda mais por causa do nome que ganhou: Dalva Lazaroni. Dalva, que morreu em julho passado, era historiadora e colecionadora de arte sacra. Era também mãe do ex-responsável pela pasta André Lazaroni, que ficou à frente da secretaria de fevereiro a novembro de 2017. Artigo de Paula Autran para o jornal "O Globo". +

No apertado orçamento da Secretaria Estadual de Cultura do RJ para 2018, um investimento chama a atenção: R$ 327.800 para a implantação de uma galeria de arte. A criação de um novo equipamento cultural, no momento em que os já existentes têm cada vez menos recursos para ser mantidos, sobressai ainda mais por causa do nome que ganhou: Dalva Lazaroni.
Dalva, que morreu em julho passado, era historiadora e colecionadora de arte sacra. Era também mãe do ex-responsável pela pasta André Lazaroni, que ficou à frente da secretaria de fevereiro a novembro de 2017. Em seu lugar, assumiu o coronel dos Bombeiros Leandro Sampaio Monteiro, seu subsecretário de Planejamento e Gestão. O atual secretário afirma, no entanto, que, do total previsto, pretende investir R$ 300 mil na galeria.
A ideia do governo do estado é montar a galeria no térreo do Convento de Nossa Senhora do Carmo, um prédio tombado em âmbito federal e estadual que marca a história do Rio desde o século XVII, quando foi erguido, em frente ao Paço Imperial. Fechado desde 2009, o edifício será reformado com recursos da Procuradoria Geral do Estado (PGE) — que vai ocupar uma parte do imóvel —, sem onerar o orçamento, segundo o procurador Nicola Tutungi Júnior, secretário geral de Gestão e Planejamento Institucional da PGE-RJ.

“IDEIA FOI MINHA”, DIZ DIRETOR DO INEPAC

Segundo o procurador, a empresa gerenciadora ainda está finalizando o orçamento da obra, cujo projeto inicial já foi aprovado tanto pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (Inepac) quanto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Acreditamos que até meados de 2018 tenhamos a obra licitada, e seu início está previsto para o segundo semestre”, disse ele, em nota. O projeto executivo da obra deve receber o ok do Inepac já na semana que vem, pois a intenção do instituto é inaugurar a galeria até o fim do ano, antes da conclusão da reforma completa do prédio.
— A previsão orçamentária é para acervo, instalação e a montagem da galeria — diz Marcus Monteiro, diretor-geral do Inepac, que se apressa em explicar: — Não tem nada de nepotismo. A ideia foi minha.
Dalva e Marcus fizeram muitos trabalhos juntos. Entre eles, a exposição “Devoção e Esquecimento — Presença do Barroco na Baixada Fluminense”, na Casa França-Brasil, em 2001, quando ela presidia a instituição, e ele, que foi o curador, era Superintendente da Baixada da então secretária de Cultura Helena Severo.
Historiador e especialista em arte sacra fluminense, Marcus conta que sua ideia inicial era transformar o Convento do Carmo num museu de arte sacra. Tudo começou em meados de 2004, quando ele dirigiu o Inepac pela primeira vez e descobriu que o convento, que é do governo do estado, estava cedido para a Universidade Cândido Mendes em troca do aluguel de algumas salas. Entrou na Justiça e conseguiu desocupar o local.
— Minha proposta era ter como base principal o acervo do museu de arte sacra da Arquidiocese, que fica no subsolo da Catedral, escondido — relembra Marcus, que foi exonerado em 2009, mesmo ano em que o prédio retornou às mãos do estado. — Voltei para o Inepac em março do ano passado e fui procurar a Arquidiocese, mas eles não se interessaram pela proposta. Seu plano B foi, então, a galeria. — Claro que o museu não teria o nome dela. Mas uma galeria de arte, não vejo problema.
A galeria vai ficar localizada à direita de quem entra no prédio principal do convento, com frente para a Rua Primeiro de Março. Os outros dois andares serão ocupados pela equipe do Inepac. Já a PGE ficará com todo o bloco voltado para a Rua Sete de Setembro.
Hoje deputado pelo PMDB, Lazaroni afirma que não sabia da homenagem, mas não vê problema em ter o nome da mãe batizando uma galeria prevista ainda na sua gestão:
— Mas por quê (haveria)? É merecida a homenagem. Eu ter sido secretário não diminui o legado dela. De qualquer forma, estou sabendo por você.
Já o secretário, Leandro Sampaio Monteiro, afirma que não tem medo de críticas:
— Dalva teve brilho próprio: foi ativista ambiental, advogada e colecionadora de arte.
#
Artigo de Paula Autran para o jornal "O Globo".

Modernidade de Gio Ponti ganha mostra no Museu da Casa Brasileira

O documentário “Amare Ponti” será exibido nesta quarta (28) na sede do Istituto Italiano di Cultura. Além do filme, o arquiteto milanês, considerado um dos nomes mais influentes da arquitetura italiana no pós-Guerra, ganha uma mostra a partir de quinta (1º) no Museu da Casa Brasileira. Artigo de Isabella Menon para o jornal "Folha de S. Paulo". +

“Ele não pertencia à sua época”. Assim o colecionador Benedikt Taschen define o arquiteto Gio Ponti (1891-1979) no documentário “Amare Ponti”, que será exibido nesta quarta (28) na sede do Istituto Italiano di Cultura.
Além do filme, o arquiteto milanês, considerado um dos nomes mais influentes da arquitetura italiana no pós-Guerra, ganha uma mostra a partir de quinta (1º) no Museu da Casa Brasileira.
A exposição reúne desenhos e fotografias relacionadas a projetos arquitetônicos, como a sede da Pirelli, em Milão, e peças de mobiliário pensadas pelo designer entre os anos 1935 e 1970.
Para o diretor do instituto, Michele Gialdroni, a maior contribuição de Ponti foi pensar na leveza de edifícios, em uma época em que a arquitetura e o design era, majoritariamente, composto por peças carregadas com muitos elementos.
MULTIFUNCIONAL
Mas Ponti não foi “apenas” arquiteto e designer. Multifuncional, trabalhou como editor de revistas e foi cronista, além de ter tido vida acadêmica, como professor.
“Ele transitou por uma época que o design era meramente decorativo para um design funcional”, explica o Gialdroni, que acredita que esse fator tenha contribuído para aproximar o design à população, que antes de Ponti era mais elitizado.
Segundo Gialdroni, o período de reconstrução da Itália, após a derrota do país na Segunda Guerra, foi “essencial” para o desenvolvimento comercial do design.
Entre os nomes da reconstrução, Gio Ponti colaborou, com seus projetos, a romper com a orientação clássica que marcou a arquitetura do período fascista.
Gialdroni, que classifica o arquiteto como um precursor da modernidade na Itália, pondera, ainda, que a forma de projetar de Ponti possa ter frutificado no Brasil —por meio de uma ilustre pupila do arquiteto, Lina Bo Bardi, responsável por projetos como o Masp e o Sesc Pompeia.
#
Artigo de Isabella Menon para o jornal "Folha de S. Paulo"
#
Amare Gio Ponti
QUANDO quarta (28) às 19h30
ONDE Istituto Italiano di Cultura San Paolo, av. Higienópolis, 436
QUANTO grátis

Vivere alla Ponti-maneiras de morar e trabalhar de Gio Ponti
QUANDO a partir de quinta (1º); de ter. a dom. das 10h às 18h
ONDE Museu da Casa Brasileira, av. Brig. Faria Lima, 2.705
QUANTO R$ 10; (grátis sáb. e dom.)

Feira Condo quer destacar galerias no mundo inteiro. Está funcionando?

O evento colaborativo para galerias internacionais temperou o Ano Novo em Londres e está indo para a Cidade do México, e em abril chega à São Paulo. Matéria de Naomi Rea & Javier Pes, publicada no site do artnet News (www.artnet.com), em 15/02/18. +

A Condo, evento inovador de compartilhamento em galerias, está se expandindo. Além de seus empreendimentos estabelecidos em Nova York, Cidade do México e Londres, uma versão menor será lançada em São Paulo em abril. Outra edição do projeto cada vez mais popular está prevista para Xangai no final deste ano.

No momento, entretanto, a iniciativa original da Condo em Londres foi firmemente adotada. A terceira edição do evento de um mês, que encerrou o fim de semana passado, hospedou 46 galerias internacionais em 17 espaços locais. São mais 11 galerias sendo visitadas e mais dois espaços de hospedagem do que no ano passado. Muitos dos participantes apresentaram artistas para colecionadores e curadores na capital britânica pela primeira vez.

Os relatórios de vendas foram sólidos, embora não esmagadores. Mas os negociantes dizem que as vendas não são realmente o ponto. A estrutura da Condo permite-se concentrar na promoção de longo prazo e evitar infusões de dinheiro rápidas - uma vantagem distinta sobre modelos mais caros de feira de arte.

O novo formato da Condo convida as galerias hospedeiras em uma cidade a compartilham seus espaços de exposição com galerias visitantes, sem impor nenhuma comissão ou taxas de aluguel no hóspede. Enquanto o evento começou como uma plataforma para pequenas e médias empresas, os negociantes estabelecidos, incluindo Maureen Paley, Sadie Coles e Johann König, abriram seus espaços para galerias menores do exterior em Londres este ano - um sinal do crescente papel da Condo no circuito de arte da cidade.

Condo aumentou a proeminência em contraste com o pano de fundo da proliferação das feiras de arte, um número cada vez menor de galerias de nível médio, e indicações de que os concessionários estão reduzindo o número de stands que alugam em tendas periféricas ou centros de convenções vagos.

Mas para os participantes da Condo, o elemento mais preocupante do status quo é a queda no tráfego de pessoas para as galerias. Alguns podem dizer que a Condo engana as pessoas em tratar o antigo estilo de roteiro entre galerias como uma feira de arte: um evento pelo qual se deve ter tempo. A principal diferença, no entanto, é que a Condo procura encorajar um ritmo mais lento para olhar e apreciar a arte.

"Levar as pessoas de volta à galeria para se envolverem e comprarem arte é importante para nós, aqueles que não estão na minoria e visam fins lucrativos, geralmente são os que controlam demais o que é importante", diz Jeffrey Rosen, do Misako & Rosen, de Tóquio, que retornou para a Condo em Londres, apesar de não ter colocado nenhuma obra no ano passado. Sua galeria também participará da próxima Condo Cidade do México e Condo Xangai, que será inaugurado em 7 de julho.

A fundadora da Condo, Vanessa Carlos, da galeria londrina Carlos/Ishikawa, disse à artnet News que existe um equívoco de que a Condo é apenas uma alternativa mais barata para feiras de arte para galerias mais novas. "O projeto é muito mais sobre uma reação a uma estrutura mundial de arte, que imita o que está acontecendo no mundo em geral agora: uma pirâmide neoliberal onde tudo parece apontar para corporações", diz ela.

Na verdade, os negociantes dizem que a Condo representa também uma oportunidade de correr riscos e apresentar artistas que não seriam exibidos em uma feira comum. Gigiotto del Vecchio, que co-dirige Supportico Lopez de Berlim, planeja participar da Condo da Cidade do México, que deve abrir em 14 de abril. Ele diz que exibir em uma feira de arte significa "trazer mais ou menos o que se pode vender." Na Condo, devido aos menores custos de participação, "você pode promover um artista e fazer uma exposição que não poderia fazer em uma grande feira".

Galerias Hospedeiras também se beneficiam

O galerista Johann König, radicado em Berlim, que abriu um espaço em Londres no outono passado, disse que participou da Condo este ano porque "somos novos na cena de Londres e a Condo parece ter se tornado uma parte crucial disso".

König hospedou uma galeria brasileira, a Jaqueline Martins, e os dois alinharam seus programas, concentrando-se na linguagem do Minimalismo. Martins mostrou Lydia Okumura, uma artista brasileira ativa nos anos 1970, e König apresentou o trabalho dos artistas contemporâneos Jeppe Hein e José Dávila, inspirados pelo minimalismo.

Enquanto os concessionários concordam que a Condo não é principalmente sobre vendas, isso não significa que as vendas não são importantes - ou que elas não estão acontecendo. Em Maureen Paley, no leste de Londres, visitando galerias joségarcia, mx da Cidade do México e a belga dépendence vendeu o trabalho dos artistas Eduardo Sarabia e Michaela Eichwald, respectivamente.

"Eu gosto que Condo traz energia e interesse para o espaço da galeria", diz Maureen Paley. "Não deve ser equiparado a uma ideia ou abordagem ‘justa’. Durante a Condo, a Paley vendeu duas obras de Wolfgang Tillmans.

Katy Green, a diretora da Rodeo Gallery, um veterano da feira, disse que ficou surpresa com a quantidade de visitantes que compareceram e até decidiu estendê-la por mais uma semana. Ela também vendeu um grande trabalho de Ian Law para Collezione La Gaia em Turim, entre outras vendas para colecionadores particulares.

A diretora da galeria Mother’s Tankstation de Londres e Dublin, Finola Jones, chamou a Condo de "brilhante, simples, [um] triunfo". Os números dos visitantes estavam "fora das tabelas" para sua mostra co-curada com a Galeria Edouard Malingue de Hong Kong e Xangai, em que as duas galerias apresentaram três artistas cujo trabalho nunca foi mostrado em Londres.
"A economia mais suave da Condo Londres, em relação como os imperativos financeiros mais duros, aplicados durante a semana da Frieze, permitem que este excelente projeto seja essencialmente sobre experimentação, apresentações e o envolvimento do público com espaços de galeria reais", diz ela. "É tanto sobre o cotidiano comum e compartilhado de seguir mapas, descer vielas, entrar em elevadores, falar com pessoas, sentir paredes rústicas e participar de mailings, como experimentar uma boa arte".

Antídoto para fadiga de Feiras
No geral, os relatórios positivos de vendas e o calendário cheio no preview no final de semana da feira indicaram que os colecionadores estão entusiasmados com o modelo Condo, até mesmo se acontecer uma inversão de valores, que está cada vez mais dirigida por eventos, possa estar fora do alcance.
"Eu acho realmente que boas feiras de arte que fazem seu trabalho, como a Art Basel, são absolutamente essenciais para a ecologia da galeria", diz Vanessa Carlos. "Mas eu acho que há uma proliferação excessiva de feiras que não estão muito bem alinhadas".
Will Jarvis da The Sunday Painter, uma galeria hospedeira que acaba de abrir um novo espaço em Vauxhall, prevê que a Condo apenas continuará a encontrar favor entre os revendedores.

"Uma vez que o ápice foi alcançado, as pessoas se sentem forçadas a fazer parte da experiência por medo de perder", diz ele. O evento deste ano gerou vendas razoáveis e "uma boa quantidade" de publicidade para a galeria. "Você precisa trabalhar duro quando 80 por cento do mercado de arte é dominado por cinco por cento das galerias", diz ele.

Dawid Radziszewski, da Galeria Dawid Radziszewski de Varsóvia, que exibiu no The Sunday Painter em Londres, já está planejando voltar com mais, e já se inscreveu no evento da Cidade do México. Sem eventos como a Condo, diz ele "o mercado de arte é sem graça - para galeristas, artistas, colecionadores".
|
Matéria de Naomi Rea & Javier Pes, publicada no site do artnet News (www.artnet.com), em 15/02/18.

Escultura de guerreiro chinês de terracota tem polegar roubado

O polegar de um dos guerreiros chineses de terracota, presente na exposição “Terracotta Warriors of the First Emperor” na Filadélfia, foi roubado. De acordo com a filmagem da câmera de vigilância, depois que convidados de uma festa no museu entraram na sala de exibição, um deles tirou uma selfie com o braço coberto pelo ombro de uma das estátuas, e então tirou um dos polegares, colocou-o no bolso e saiu. Matéria publicada no site da revista das Artes, em 22/02/18. +

Enquanto o museu dos EUA se desculpou pelo incidente, um funcionário do Centro de Promoção do Patrimônio Cultural de Shaanxi, que providenciou o empréstimo de 10 das estátuas, condenou o ato e disse que o ladrão everia receber uma penalidade severa, informou o jornal chinês “Beijing Youth Daily”.
“Os guerreiros de terracota são tesouros nacionais do nosso país”, disse o funcionário sem nome. “Seu valor histórico e artístico é impossível de avaliar… Exprimimos forte ressentimento e condenação em relação a esse roubo e à destruição de nossa herança”.
Um relatório da Xinhua disse que o centro cultural estabeleceu uma equipe de emergência para lidar com o assunto e iniciou procedimentos para reivindicar compensações do instituto dos EUA, com base em um acordo assinado por ambas as partes.
As 10 estátuas, que estão em exibição na Filadélfia desde setembro, fazem parte de um exército de argila de cerca de 8 mil soldados, cavaleiros e cavalos descobertos em Xian, capital da província de Shaanxi, no noroeste da China.
Encontrado no túmulo do primeiro imperador da China Qin Shihuang e projetado para acompanhá-lo na vida após a morte, as estátuas datam de 210-209 a.C. e, segundo dados do FBI, valem US$ 4,5 milhões cada.
Rohana, que vem do estado de Delaware dos Estados Unidos, estava participando de uma partida de pugilistas no museu quando ele e dois associados conseguiram entrar na exposição “Terracotta Warriors of the First Emperor”, cuja porta foi destrancada.
De acordo com a filmagem da câmera de vigilância, depois que os dois outros convidados da festa deixaram a sala, Rohana tirou uma selfie com o braço coberto pelo ombro de uma das estátuas. Ele então tirou um dos polegares, colocou-o no bolso e saiu.
O roubo passou despercebido até 8 de janeiro, momento em que o museu buscou ajuda da equipe de crime de arte do FBI, que rastreou Rohana em sua casa em 13 de janeiro.
Posteriormente, ele foi acusado do roubo e ocultação de uma obra de arte principal e liberado sob fiança.
O centro cultural disse que emprestou suas exposições mais de 260 vezes a 60 países diferentes nos últimos 40 anos, mas nunca antes vivenciou “um incidente tão nocivo”.
Outro grupo de 10 guerreiros de terracota está em exibição no World Museum na cidade britânica de Liverpool, onde permanecerão até outubro. A exposição de Filadélfia acontece até 4 de março.
|
Matéria publicada no site da revista das Artes, em 22/02/18.

Coleção de Rockefeller é exposta antes de leilão

A exposição na Christie’s da capital britânica traz uma seleção de 30 obras dessa coleção, que será leiloada em maio em Nova York, e que pode ser a maior venda de caridade de todos os tempos, com uma renda estimada de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões). +

A Christie’s House em Londres está exibindo parte da coleção de David Rockefeller, que será leiloada em maio em Nova York, e que pode ser a maior venda de caridade de todos os tempos, com uma renda estimada de US$ 1,5 bilhão ((cerca de R$ 5 bilhões)). Isso foi confirmado à EFE, por um conhecido historiador da rica família americana rica, Peter Johnson, que explicou que o leilão será composto por cerca de 2.400 objetos. Estes incluem pinturas, móveis, louças e peças de porcelana, que Rockefeller reuniu com sua mulher, Margaret McGrath-Peggy, durante 55 anos de casamento.

No salão Christie’s da capital britânica, uma seleção de mais de 30 obras dessa vasta coleção estará disponível até 8 de março, a mesma que já foi levada para Hong Kong e mais tarde para Paris, Pequim, Los Angeles e Xangai, para finalmente voltar a Nova York, onde o leilão ocorrerá em maio.

Claude Monet, Henri Matisse, Juan Gris, Edouard Manet, Georges Seurat, Vicent Van Gogh e Pablo Picasso, são apenas alguns dos nomes que integram a exposição, que representa uma jornada artística do final do século 19 até o início do século 20, refletindo os movimentos impressionistas e modernos em todos as suas vertentes.

Uma das obras mais importantes da exposição é Odalisca com Magnólias, que o francês Matisse pintou em 1923 em Nice e tem preço estimado de US$ 50 milhões (£ 56 milhões).

David Rockefeller, o último neto do magnata John D. Rockefeller – considerado o homem mais rico da história moderna – morreu em 2017 aos 101 anos, depois de uma vida dedicada aos negócios e ao apoio à arte.

Uma paixão que foi carregada no sangue e foi instilada desde o berço por sua mãe, Abby Aldrich, uma das pioneiras do Museu de Arte Moderna (MoMA) em NY. Sua mulher, Peggy, compartilhou esse fascínio com ele e juntos viajaram pelo mundo coletando o melhor da arte, como disse à EFE o presidente de arte moderna e impressionismo da Christie’s, Conor Jordan.

“Eles começaram sua coleção no fim dos anos 1940, concentrando-se primeiro na arte tradicional inglesa. Depois, dedicaram-se à exploração de outros movimentos e artistas mais modernos.”

Entre esses criadores mais modernos está o espanhol Pablo Picasso com a pintura Menina com Cesta de Flores (1905), estimada em US$ 70 milhões (£ 56 milhões). Uma obra-prima que, segundo Jordan, o artista pintou no Período Rosa em Paris, inspirado em um vendedor de flores de Montmartre. Mas há ainda a tela de Claude Monet Nenúfares em Flor (1914), uma das mais de 250 obras que o artista criou no fim da vida com base na flor e que é avaliada em US$ 35 milhões (£ 28 milhões).

|
Matéria de Paula Baena Velasco, com tradução de Claudia Bozzo, publicada em O Estado de S. Paulo, 22/02/18.

Entre o gesto da pintura e o conceito

Crítica sobre as exposições em cartaz em São Paulo, "Matriz do Tempo Real" (MAC-USP) e as retrospectivas do americano Basquiat (CCBB-SP) e do brasileiro Rodrigo Andrade (Estação Pinacoteca), que dialogam entre si. Matéria de Bruno Yutaka Saito publicada originalmente no jornal "O Valor Econômico", em 23/02/18. +

Há ocasiões em que filmes, exposições, peças etc. em cartaz "conversam" entre si. Sorte do público, que tem oportunidade de fazer conexões e vislumbrar painéis. É o que ocorre agora com as exposições "Matriz do Tempo Real" (MAC-USP) e as retrospectivas do americano Basquiat (CCBB-SP) e do brasileiro Rodrigo Andrade (Estação Pinacoteca).

As questões colocadas por elas ajudam a entender a arte contemporânea e seus mecanismos enigmáticos. Enquanto "Matriz" reúne práticas dos anos 60 e 70 ligadas à arte conceitual, Basquiat filia-se a um momento de reação, de retorno à pintura e ao vigor da mão do artista. Conhecido como neoexpressionismo, teve repercussão mundial e fascinou o mercado e jovens artistas no começo dos anos 80, como Andrade.

Com curadoria de Taisa Palhares, "Pintura e Matéria (1983-2014)" reúne mais de cem trabalhos do paulistano de 56 anos e vai além da rememoração ao refletir sobre os descaminhos da pintura, o mais tradicional (ou nobre ou ultrapassado, a depender do viés) suporte artístico. Não que interrogações sobre o fazer pictórico estejam ausentes do horizonte de Andrade. A busca por problemas, e soluções, é o que o move.

Já era assim nos tempos de Casa 7, o grupo do começo dos anos 80 que garantiu sua entrada à narrativa da história da arte brasileira. "Caveira" (1985) aponta para o espírito da época. Como não havia recursos para trabalhar com telas, o papel kraft representava uma solução não apenas econômica.

Em grandes dimensões, de cerca de 2m x 2,5m, tais pinturas evidenciam o choque entre o esmalte sintético e o papel que não o absorveu. Assim como os acordes sujos do punk rock, são obras que sofrem com os anos, mas instigam nostalgia saudável da juventude.

Se Philip Guston (1913-1980) era a solução para fundir o imaginário das HQs ao vigor de um Jasper Johns, as sombras do Brasil tropical e "dark" de Oswaldo Goeldi (1895-1961) abraçaram Andrade mais tarde. Como evidencia a exposição, que segue ordem cronológica, tons sombrios, de silêncio, seguem constantes. Conceitos de matéria, cor e espaço habitam suas preocupações.

Em 1999, ele teve seu momento "heureca!". A empolgação com a descoberta, que é sua marca, reflete-se como quantidade na exposição. Assim como é praxe entre os grandes (Morandi, Mondrian), o menos é mais. Andrade reduz a pintura ao básico: tinta sobre tela. Surgem, assim, bloquinhos isolados de tinta a óleo, circulares ou retangulares, que chegam a até 2cm de altura em relação à superfície. Acenos ao pop ("Miami Vice", "Sala das Preocupações" - referência ao Tio Patinhas) ou ao neoconcretismo são vislumbrados.

São obras minimalistas por um lado, expressionistas por outro, uma vez que da tela emanam turbulências, tornando-a quase escultura, com tanta vida e matéria que saltam da superfície. Quem desconfia da aridez da arte contemporânea talvez veja Andrade e seus bloquinhos apenas como outro "rei nu" do conto de Hans Christian Andersen. O ponto alto, a série "Matéria Noturna", com telas que estiveram na Bienal de SP de 2010, desfaz reticências. Com acenos atualizados a Goeldi, Andrade mostra equilíbrio ao integrar os blocos de tinta a figurações da solidão noturna (prédios, galpão, praia etc.).

É quando ele se distancia dos seus antigos mestres modernos que o conjunto se mostra frágil. A série "Stencils" (2010) lembra mais o contemporâneo Vik Muniz fazendo retratos (como o de Dilma Rousseff) usando tinta a óleo em vez de feijão ou molho de tomate. Em "Office at Night" (2006), os bloquinhos sobre reprodução de Edward Hopper são como o bigodinho de Marcel Duchamp sobre a "Monalisa", autorreferência excessiva.

Prevalece a força do conjunto de telas superlativas que estimulam os sentidos dos visitantes - que, não raramente, tentam mergulhar dedos na tinta. As obras de Andrade parecem querer pegar o visitante pelo braço.

Se os gestos da mão saltam aos olhos nas telas das retrospectivas de Basquiat e Rodrigo Andrade, ideias intangíveis se escondem dos olhares em "Matriz do Tempo Real", no MAC-USP. Com mais de 40 trabalhos de 28 artistas, a coletiva se debruça sobre a produção conceitual, que teve seu ápice nos anos 60, e reverberações. Desde seu início, em 1963, o museu dedicou especial atenção a essa vertente e comissionou artistas que estão na exposição, como Lydia Okumura.

Idiossincrasias do conceitualismo são tratadas com sagacidade pelo curador Jacopo Crivelli Visconti. Em vez de enfileirar obras representativas da noção de tempo presente no título da exposição, ele torna a própria mostra um convite para que o visitante dilate seu tempo e sua percepção.

Mais do que algo para ver, há registros de ações. O sul-africano Ian Wilson, por exemplo, não realiza obras físicas. O que há é um certificado de autenticidade de "Time Spoken" (1982), trabalho de "comunicação oral" que só existe no momento de sua execução.

Um dos destaques é um exemplar da série "Today", em que o japonês On Kawara (1932-2014) metodicamente, durante quase 50 anos, produzia diariamente uma tela com a data do dia. Mais recente, "Testemunho" (2015), de Daniel de Paula, é uma das mais vistosas instalações da mostra, composta por rochas. Chega a lembrar um trabalho do filme "The Square", mas aqui não é piada. Em vez de banalidade, revela bastidores de negociações para sua concepção e força estética - algo em sincronia com as telas de Rodrigo Andrade.

"Rodrigo Andrade: Pintura e Matéria (1983-2014)"
Estação Pinacoteca - largo General Osório, 66, São Paulo, tel. (11) 3335-4990. Qua. a seg., das 10h às 17h30. Grátis. Até 12/3. AAA

"Matriz do Tempo Real"
Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - av. Pedro Álvares Cabral, 1.301, SP, tel. (11) 2648-0254. Ter.: 10h às 21h; qua. a dom., 10 às 18h. Até 18/3. Grátis. AA+

AAA Excepcional / AA+ Alta qualidade / BBB Acima da média / BB+ Moderado / CCC Baixa qualidade / C Alto risco

|
Matéria de Bruno Yutaka Saito publicada originalmente no jornal "O Valor Econômico", em 23/02/18.

Raro readymade de Duchamp vai para o Art Institute of Chicago

O “The Bottle Rack” de Marcel Duchamp, uma versão do primeiro readymade do artista, foi recentemente adquirido pelo museu nos Estados Unidos, que já possuía uma pintura de 1910, “Nude Seated in a Bathtub”, bem como outra versão pré-fabricada, “Hat Rack” (1916/64), que é uma série de edições das esculturas. Matéria publicada originalmente no site da revista Das Artes (www.dasartes.com), em 15/02/18. +

Aqueles que visitarem o Art Institute of Chicago a partir de agora terão um tratamento especial. Uma arte do século 20 estará em exibição nas suas galerias pela primeira vez: um “Frasco de Garrafa” (The Bottle Rack) de Marcel Duchamp (1914/59), uma versão do primeiro readymade do artista, que o museu recentemente adquiriu. Sua proveniência é surpreendente, tendo sido comprada pela primeira vez por Robert Rauschenberg, cuja fundação vendeu para o museu de Chicago através do negociador Thaddaeus Ropac.

“Um trabalho como este está, naturalmente, aprimorando nossas participações de Duchamp, e também está aprimorando nossa coleção na história que podemos contar em termos de história do modernismo”, disse a vice-diretora do museu, Ann Goldstein, em uma entrevista. “Este trabalho em particular é um cerne nessa história. É um ponto crucial, é uma ruptura, e é um ícone, e é algo que sempre desejamos ter”.

“Nós sempre estamos fazendo esse tipo de aquisições transformadoras como uma prioridade”, disse o presidente e diretor do Instituto de Arte, James Rondeau, acrescentando que “há documentos voltados ao final dos anos 80 e início dos anos 90, expressando o desejo de um objeto como este.”

As atualizações atuais de Duchamp do Art Institute incluem uma pintura de 1910, “Nude Seated in a Bathtub”, bem como outra versão pré-fabricada, “Hat Rack” (1916/64), que é uma série de edições das esculturas colocadas pelo negociador milanês Arturo Schwarz.
|
Matéria publicada originalmente no site da revista Das Artes (www.dasartes.com), em 15/02/18.

Arte acovardada

Fabio Cypriano comenta o período marcado por censura e intolerância, quando também as instituições de arte têm pouco do que se orgulhar, publicada na revista Bravo. +

As instituições de arte entram em 2018 mais fragilizadas e acovardadas do que começaram 2017. De certa forma, isso é consequência da polarização enlouquecida das redes sociais que também contaminou o mundo das artes visuais. O início desse percurso ocorreu em Porto Alegre, quando o Santander Cultural encerrou a mostra Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira em setembro, quase um mês antes do prazo previsto, por conta de denúncias nas redes sociais de apologia à pedofilia e zoofilia, apontadas em 3 das 264 obras expostas.

Não foi a primeira mostra dessa temática no país. A 31ª Bienal de São Paulo, Como Falar de Coisas Que Não Existem, em 2014, reuniu um segmento muito mais radical, em torno de três projetos: Deus é Bicha, do peruano Miguel López; o Museu Travesti do Peru, de Giuseppe Campuzano; e Zona de Tensão, uma homenagem a Hudinilson Jr. (1957-2013), organizada por Marcio Harum. Com muito mais visibilidade do que o Santander, a Bienal não passou por nenhum tipo de constrangimento, mesmo que polêmicas não sejam raras em sua história – é só lembrar dos urubus de Nuno Ramos, em 2012, e dos pichadores, em 2008.

Certo é que o Brasil de 2014 era muito mais tolerante e aprazível que o país surgido do golpe, em 2016, marcado pela quebra das regras democráticas e o fortalecimento de movimentos reacionários contra a liberdade de expressão. O posicionamento de censura do Santander certamente deu forças para o segundo ato dessa ópera bufa: os protestos contra a performance La Bête, de Wagner Schwartz, na abertura do 35º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Novamente, pelas redes sociais, criou-se uma enxurrada de falsas acusações, de que uma criança estaria interagindo com o artista nu e que, portanto, o museu estaria fazendo apologia da pedofilia.
|
Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na revista Bravo.

Ernesto Neto transforma estação ferroviária de Zurique em floresta tropical

O artista brasileiro, em colaboração com a Fondation Beyeler, vai construir uma enorme cobertura de árvores sobre a estação ferroviária mais movimentada de Zurique. Ela também será um espaço para meditação, educação e programação pública, com música, oficinas, visitas guiadas e mesas-redondas. Matéria publicada no site do Touch Arte (www.touchofclass.com.br), em 20/02/18. +

O artista brasileiro Ernesto Neto está criando uma instalação espetacular que levará o espírito da floresta amazônica – e possivelmente alguns de seus habitantes – à principal estação ferroviária de Zurique. Chamado de Gaia Mother Tree, o projeto organizado pela Fondation Beyeler deve ser inaugurado no início de junho deste ano.

Durante oito semanas, Neto irá transformar o espaço um ponto de encontro sob um “dossel de árvores”, feito à mão a partir de tiras de algodão colorido com corantes naturais. Os “ramos” pendurados na escultura de 20 metros de altura serão preenchidos com especiarias aromáticas e folhas secas. Abaixo do dossel, os visitantes poderão acessar um espaço projetado pelo artista através de um túnel.

Sam Keller, diretor da Fondation Beyeler em Riehen, perto de Basileia, disse à Artnet News que a estação ferroviária suíça é o equivalente europeu da Grand Central de Nova York e estima que “quase meio milhão de pessoas” passam pelo saguão diariamente. Ele espera que a instalação de Neto se torne a obra de arte contemporânea mais visitada da Suíça. Esses visitantes incluirão inevitavelmente as pessoas que passam por Zurique com destino a Art Basel, que vai de 14 a 17 de junho.

A instalação é o projeto de arte pública mais ambicioso de Beyeler em 20 anos, disse Keller. É comparada apenas a Wrapped Trees (1997-98), de Christo e Jeanne-Claude, quando os artistas cobriram mais de 100 árvores com tecido nos prados que cercam a instituição.

GaiaMotherTree será mais do que uma “escultura maravilhosa”, disse Keller. Ela também será um espaço para meditação, educação e programação pública bem “no meio da agitada estação ferroviária”.
Ernesto Neto tem sido influenciado pela cultura e os costumes do povo indígena Huni Kuin

O evento também poderá receber uma visita dos Huni Kuin, indígenas que vivem na Amazônia perto da fronteira com o Peru. Uma delegação viajou à Itália para a prévia da Bienal de Veneza do ano passado, para ajudar a inaugurar o trabalho de Neto no Arsenale, que foi inspirado de maneira semelhante pelas tradições e rituais de Huni Kuin.

Nos últimos anos, Neto voltou sua atenção para uma nova série de obras, que ele está realizando em cooperação com os Huni Kuin, comunidade indígena que vive na região amazônica perto da fronteira brasileira com o Peru. A cultura e os costumes dos Huni Kuin, suas habilidades de conhecimento e artesanato, seu sentido estético, seus valores, sua visão de mundo e sua conexão espiritual com a natureza transformaram a concepção de arte de Neto e se tornaram elementos integrantes de sua prática artística.

Keller, que estava providenciando os vistos para a visita dos Huni Kuin no final do ano passado, confirmou que parte da programação auxiliar envolveria os povos indígenas “não apenas do Brasil, mas de diferentes lugares”. Música, oficinas, visitas guiadas e mesas-redondas devem acontecer dentro da instalação.
|
Matéria publicada no site do Touch Arte (www.touchofclass.com.br), em 20/02/18.

Parcela do orçamento não foi repassada

O orçamento do Museu Nacional ficou ainda mais apertado: vinculada à UFRJ, a instituição deveria receber R$ 515 mil anuais da universidade, mas nos últimos três anos, a fração final não foi repassada. Matéria publicada originalmente no jornal "O Globo", em 20/02/18. +

O orçamento do Museu Nacional ficou ainda mais apertado recentemente. Vinculada à UFRJ, a instituição deveria receber R$ 515 mil anuais da universidade, em três parcelas. No entanto, nos últimos três anos, a fração final não foi repassada.

— Só estamos recebendo em torno de R$ 300 mil — lamenta Kellner. — Isso acontece porque a própria UFRJ está sofrendo um corte de verbas. Vamos ao reitor pedir mais dinheiro, mas sabemos que não é má vontade dele.

De acordo com Kellner, a falta de recursos é “especialmente visível” no Museu Nacional porque sua sede fica em um prédio histórico.

— Não posso contratar qualquer pessoa para fazer uma restauração. A manutenção é muito cara.

Procurada pela reportagem, a UFRJ não se pronunciou sobre os cortes orçamentários.

Com a chegada de novos recursos, Kellner espera aumentar o espaço de exposições em até 20%. A verba também deverá ser usada para incrementar mostras já em cartaz, como a de mineralogia, e concluir a manutenção de três salas. Uma delas, dedicada a dinossauros, foi fechada há um mês, após a detecção de cupins em sua base. Será reaberta entre abril e maio, quando forem concluídas as reformas e a troca do sistema de iluminação.

O museu tem hoje 21 exposições abertas ao público, sendo 18 permanentes e três temporárias. Entre as mais populares estão uma dedicada ao Tiranossauro rex e outra sobre o Egito Antigo.
|
Matéria publicada originalmente no jornal "O Globo", em 20/02/18.

Só temos verba para medidas paliativas

O paleontólogo Alexander Kellner assumiu a missão de arrumar o cômodo do terceiro andar do Museu Nacional que, no século XIX, foi o quarto do imperador dom Pedro II, e agorá será sua sala como diretor da instituição. Ele revela a intenção de transferir todo o aparato administrativo do museu para outro edifício, deixando o prédio histórico livre para mais exposições. Para isso, porém, precisa receber verbas e reformar o prédio; e agora até o quarto de Pedro II tem goteira. Matéria de Renato Grandelle publicada no jornal "O Globo", em 20/02/18. +

Uma estante metálica repleta de caixas de depósitos, um computador desconectado, uma mesa ampla com papéis esquecidos. Na última quinta-feira, o paleontólogo Alexander Kellner assumiu a missão de arrumar o cômodo do terceiro andar do Museu Nacional que, no século XIX, foi o quarto do imperador dom Pedro II, e agorá será sua sala como diretor da instituição.

Recém-empossado no cargo, Kellner já prepara o 200º aniversário do museu, que será celebrado no dia 6 de junho. A lista de metas para o mandato de quatro anos inclui itens como atrair visitantes, fazer investimentos empresariais e modernizar as mostras.

Em entrevista ao GLOBO, o paleontólogo revela a intenção de transferir todo o aparato administrativo do museu para outro edifício, deixando o prédio histórico livre para mais exposições. Para isso, porém, precisa receber verbas e reformar o prédio que já foi uma vitrine do Império. Agora, até o quarto de Pedro II tem goteira.

De que forma o museu pode aproveitar o seu aniversário de 200 anos para obter melhorias?

O ponto principal é discutir como melhorar o diálogo entre o museu e a sociedade. Somos a instituição científica mais antiga do país. Passaremos o ano inteiro procurando investimentos que nos permitam melhorar as exposições. Isso envolve sobretudo aplicar tecnologia, recursos para que o visitante possa “conversar” com uma múmia, por exemplo.

Além do orçamento repassado pela UFRJ, o museu tem parceiros na iniciativa privada?

Não, e está na hora de as empresas contribuírem com o museu. Nosso acervo tem mais de 20 milhões de exemplares, e precisamos de ajuda para cuidar de tudo isso. São insetos, fósseis dos primeiros habitantes da América do Sul, o maior meteorito do país, entre tantas coisas. E a população não tem ideia dessa riqueza e diversidade.

Há outras fontes de renda?

Temos uma negociação adiantada com o BNDES que nos ajudará a restaurar salas antigas, inclusive esta. Eu, o diretor do Museu Nacional, serei o primeiro desalojado da instituição. Depois renovaremos a biblioteca, que fica no Horto, e que poderá receber parte do setor administrativo que está aqui. Mas também gostaria que o governo federal nos cedesse um terreno anexo à Quinta da Boa Vista, porque nos permitiria angariar verbas para construir novos prédios.

Em janeiro, o esqueleto de uma baleia jubarte voltou ao Museu Nacional. Outras peças podem retornar?

Sim. Na verdade, a baleia nunca deixou o museu, ela estava em recuperação. Ainda faremos algumas mudanças em sua sala antes de abri-la para o público, para que os visitantes tenham uma visão diferenciada. Também vou buscar no acervo outros esqueletos, dos fósseis às primeiras aves. Mas não basta colocar tudo em uma mostra, principalmente um material zoológico, porque corre o risco de ele apodrecer. Também não quero que a peça fique ali só para uma pessoa ficar olhando, precisamos ter alguma interatividade.

Um relatório de 2016 da Biblioteca do Museu Nacional destacou que seu prédio tem problemas como goteiras e infiltrações, principalmente na área do acervo, além de morcegos e gambás nas marquises. Como combater estes problemas?

Felizmente essas pragas não têm aparecido no acervo, mas ainda podem ser vistas nas áreas comuns. O maior problema são as goteiras. Tem até nesta sala. Ficamos preocupados quando cai uma tempestade porque só temos verbas para medidas paliativas de prevenção.

Outro problema mencionado é a segurança do acervo. Existe registro de roubos e furtos?

Atualmente, não. Alguns anos atrás, uma quadrilha se infiltrou como estagiários e furtou muitas obras raras, mas essas pessoas foram presas. Uma instituição com o nosso porte sempre será vulnerável, por isso precisamos ficar atentos.

O museu tem 88 professores. É suficiente para realizar todos os trabalhos que o senhor está planejando?

Não. O ideal seria ter em torno de 120 ou 130. Há cada vez mais demandas para atender. E enfrentamos uma tendência de queda, sobretudo entre os técnicos. Temos 215 servidores, e 30% podem se aposentar em até dois anos.

O senhor passa até dois meses por ano na China desenvolvendo suas pesquisas. Como pretende conciliar essa atividade com a direção do museu?

Não posso mudar o museu se estiver longe daqui. Só vou viajar nas férias.

Está satisfeito com o número de visitantes?

Quero aumentar para 1 milhão por ano até o fim do meu mandato, em 2021. Se não conseguir, vou ficar muito frustrado. Temos potencial para isso, mas estamos passando por maus momentos. Em 2017, recebemos só 190 mil pessoas. Há diversos sites dizendo que estamos fechados.

A Imperatriz Leopoldinense apresentou no carnaval um enredo sobre os 200 anos do Museu Nacional e terminou em sétimo lugar. O que o senhor achou do resultado?

Foi muito doído. Faltou sensibilidade dos jurados, o enredo era nota dez. Mas estamos muito gratos com o presente da Imperatriz. Inclusive queremos fazer uma exposição das fantasias e de algumas peças dos carros alegóricos da escola.
|
Matéria de Renato Grandelle publicada no jornal "O Globo", em 20/02/18.

Curadora Kate? A duquesa organiza uma mostra na National Portrait Gallery

Kate Middleton - agora duquesa Catherine - está curando uma exposição de primavera sobre fotografia vitoriana na National Portrait Gallery de Londres. O foco é em fotografia de crianças doe quatro artistas inovadores do século XIX - Julia Margaret Cameron (1815-79), Lewis Carrol (1823-1998), Lady Clementina Hawarden (1822-65) e Oscar Gustave Rejlander (1813- 75). Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no site do artnet News (www.artnet.com), em 16/02/18. +

A Duquesa de Cambridge está colocando sua educação em ação. Kate Middleton - agora duquesa Catherine - está curando uma exposição de primavera sobre fotografia vitoriana na National Portrait Gallery de Londres, onde ela é patrona.

De acordo com o museu, a duquesa selecionou várias imagens para "Gigantes Vitorianas: o Nascimento da Fotografia Artística" e escreveu o prefácio ao catálogo da exposição. Seu interesse pela fotografia do século XIX remonta ao tempo que estudava história da arte na Universidade de St. Andrews, onde escolheu o tema como sujeito de sua tese de graduação.
Com abertura em março, a exposição examina o trabalho de quatro artistas inovadores do século XIX - Julia Margaret Cameron (1815-79), Lewis Carrol (1823-1998), Lady Clementina Hawarden (1822-65) e Oscar Gustave Rejlander (1813- 75), cujo trabalho explorou o meio de fotografia da época. "Aqui, os visitantes podem ver o nascimento de uma ideia - crua, nervosa, experimental - a véspera vitoriana, não apenas na fotografia, mas na Arte", disse o chefe de fotografia da National Portrait Gallery, Phillip Prodger, em um comunicado.

A duquesa escreve que ela está particularmente interessada em fotos de crianças vitorianas, que figuram proeminente em sua seleção de trabalhos para a exposição. "Essas fotografias nos permitem refletir sobre a importância de preservar e apreciar a infância enquanto dura", diz ela. "As crianças ocuparam um lugar especial na imaginação vitoriana e foram celebradas por seu potencial aparentemente ilimitado. Essa noção ainda é verdade para nós hoje ".

Nicholas Cullinan, diretor da National Portrait Gallery, disse à Evening Standard que estava agradecido que a duquesa "apoiasse essa exposição de forma direta e pessoal". Ele disse ainda que a mostra "será uma rara oportunidade de ver as obras desses quatro artistas altamente inovadores e influentes".

A duquesa parece ser mais do que apenas um fã de fotografia. Além de curar o a exposição, ela é uma fotógrafa amadora ansiosa e já lançou fotos que tirou de seus filhos, Prince George, de quatro anos, e a princesa Charlotte, de dois anos de idade.
Os "Gigantes Vitorianos: o Nascimento da Fotografia Artística" estará em exibição de 1º de março a 20 de maio de 2018, na National Portrait Gallery, no St Martin's Place, em Londres.
|
Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no site do artnet News (www.artnet.com), em 16/02/18.

Graças à magia Vantablack, Olimpíadas ganha prédio mais preto do mundo

O edifício criado pelo arquiteto britânico Asif Khan para o Pavilhão Hyundai no Parque Olímpico, dos Jogos de Inverno na Coréia do Sul, é um verdadeiro buraco negro de parede de cerca de nove metros de altura revestida em Vantablack, o material mais escuro já produzido. Matéria de Sarah Cascone para o The Art NewsPaper, em 09/02/18. +

Além de testemunhar feitos de alta classe mundial de atletismo - e uma "trupe de arte" da Coréia do Norte - os visitantes dos Jogos Olímpicos de Inverno em Pyeongchang, Coréia do Sul, terão a chance de ver "o edifício mais sombrio da Terra". Projetado pelo arquiteto britânico Asif Khan, o Pavilhão Hyundai no Parque Olímpico é um verdadeiro buraco negro de parede de cerca de nove metros de altura revestida em Vantablack, o material mais escuro já produzido. O resultado é uma impressionante ilusão de óptica.

"Pela distância, a estrutura parece uma janela que olha para as profundezas do espaço sideral. À medida que você se aproxima, essa impressão cresce e preenche todo o campo de visão", disse Khan em um comunicado. "Então, ao entrar no prédio, parece que você está sendo absorvido em uma nuvem de escuridão".

Como Vantablack absorve 99,96% da luz, faz com que qualquer superfície pareça um vazio plano e sem características. Como tal, a fachada do pavilhão de Khan, que ele descreveu para a CNN como "um cisma no espaço", não é o que parece: paredes "planas" cobertas por milhares de luzes cintilantes são realmente fachadas parabólicas, curvando os cantos e tetos. Cada luz está no fim de uma haste, e tudo o que se projeta no edifício tem um comprimento diferente. O prédio parece nada mais que um campo de estrelas flutuando no ar.

Vantablack tornou-se um ponto de partida de controvérsias, graças ao artista indiano britânico Anish Kapoor que licenciou o uso exclusivo do material em obras de arte. Khan começou a trabalhar com o Surrey NanoSystems em 2013, um ano antes de anunciar a invenção de Vantablack e é a primeira pessoa a usar o material inovador em arquitetura.

"Este é o início de uma revolução de nano-materiais", disse Khan ao The Art Newspaper. "O que o Kapoor fez e o que estamos fazendo é a ponta do iceberg". Anteriormente, o arquiteto criou um pavilhão "selfie" com uma tela que se transformava ao imitar os rostos dos telespectadores para as Olimpíadas de 2014 e também propôs um pavilhão, não realizado, com Vantablack para a Expo Milão de 2015.

A equipe de Surrey teve que desenvolver uma nova forma de Vantablack, VBx2, para tornar a visão de Khan uma realidade. O Vantablack original era incrivelmente delicado, uma rede densa de longos nanotubos de carbono que tinha que ser cultivada em uma determinada superfície. O VBx2 é aplicado usando um spray, mas não espere pôr as mãos na superfície tão cedo.

"Nunca será um produto de varejo", disse Ben Jensen, diretor técnico da Surrey Nanosystems, ao The Guardian. "Tem que ser aplicado por empreiteiros especializados treinados por nós, usando uma técnica que forma uma nanoestrutura consistente. Não vem em uma lata de spray." (Kapoor tem sua própria versão de arte especial, Vantablack S-VIS, e seu estúdio foi treinado para seu uso.)

Em contraste com o exterior que jorra preto do pavilhão, o interior do espaço é um branco brilhante. Inspirado na célula de hidrogênio do novo carro da Hyundai, Khan criou uma "sala d’água", que produz 25 mil gotas de água por minuto. O líquido flui em pequenos riachos pela sala, uma poça coleta e depois drena a água em poucos minutos.
|
Matéria de Sarah Cascone para o The Art NewsPaper, em 09/02/18.

Feira SP-Arte divulga lista de galerias para a edição 2018

Entre os nomes de destaque que retornam à feira paulistana estão David Zwirner e Marian Goodman (Nova York), White Cube (Londres), Neugerriemschneider (Berlim) e Kurimanzutto (Cidade do México). Já as galerias Roslyn Oxley9 (Sydney), Fragment (Moscou) e Cayón (Madri) estreiam no evento. É a primeira vez que a feira recebe galerias da Rússia e da Austrália. +

A 14ª edição da feira SP-Arte – Festival Internacional de Arte de São Paulo divulgou a lista de galerias participantes no evento, que acontece entre os dias 11 e 15/4 no Pavilhão da Bienal. Trata-se do mais importante evento do setor na América Latina, com a participação de galerias expoentes no mercado das artes provenientes de 15 países. “Em um cenário de instabilidade econômica do país, a solidez e relevância conquistadas junto ao mercado garante que a SP-Arte continue sendo um destino para galeristas do mundo inteiro. Para 2018, queremos reforçar nossas atenções nas novidades produzidas no setor. Além da permanência de galerias já consagradas, a Feira também reserva espaço para novos expositores, que trazem olhares inéditos sobre a produção artística”, afirma Fernanda Feitosa, diretora e fundadora da SP-Arte.

A feira organizará ainda mais uma edição do Gallery Night, circuito entre galerias que antecede a abertura da SP-Arte, nos dias 9 e 10/4. A experiência de estender o horário das galerias e proporcionar um circuito de visitas ao público chega à sua terceira edição e promete movimentar ainda mais a cidade.

Entre os nomes de destaque que retornam à feira paulistana estão David Zwirner e Marian Goodman (Nova York), White Cube (Londres), Neugerriemschneider (Berlim) e Kurimanzutto (Cidade do México). Já as galerias Roslyn Oxley9 (Sydney), Fragment (Moscou) e Cayón (Madri) estreiam no evento. É a primeira vez que a feira recebe galerias da Rússia e da Austrália. Entre as brasileiras, o destaque é a presença de 12 estreantes, entre elas as paulistanas Adelina, Janaina Torres e Mapa (as duas últimas no setor Repertório apostando no resgate da obra de artistas históricos) e a carioca Gaby Indio da Costa.

Criado em 2017, o setor Repertório ganha uma nova edição, mais uma vez sob a curadoria do italiano Jacopo Crivelli Visconti. Com foco em trabalhos produzidos até a década de 1980, a mostra estabelece diálogos entre artistas brasileiros e estrangeiros com expressivos trabalhos, mas ainda com pouco destaque no mercado nacional. Entre os nomes estão o francês Christian Boltanski, representado pela galeria Marian Goodman e reconhecido por obras que tratam da fragilidade da condição humana; e o chinês Chen Zhen, artista conceitual famoso por suas esculturas de grandes proporções, em mostra da italiana Continua. Já no campo nacional, os brasileiros Ione Saldanha (Galeria Almeida e Dale) e Victor Gerhard (Galeria Jaqueline Martins) então entre os artistas cujos trabalhos serão reverenciados pelo setor.

Em sua quinta edição, o setor Solo, curado pela terceira vez por Luiza Teixeira de Freitas, volta-se a individuais de artistas contemporâneos, proporcionando ao público uma imersão na produção e trajetória artísticas destes nomes. A chilena Lotty Rosenfeld (Isabel Aninat), conhecida por seu estilo politizado e feminista, é um dos destaques. A Matthew Zucker reúne obras do suíço Dieter Roth, pioneiro nas artes gráficas, que ficou reconhecido pelos seus trabalhos de edição em livros de arte. A brasileira Marina Weffort, que trabalha com desenhos sobre tecido, foi o nome escolhido pela Cavalo. Duas recém-abertas galerias de Lisboa, Balcony e Uma Lulik, trazem dois novos jovens artistas portugueses: Horacio Frutuoso e Henrique Pavão.

Neste ano, as performances ganham ainda mais importância ao longo do Festival. O setor dedicado à linguagem artística passa a ser curado por Paula Garcia, artista, curadora independente e colaboradora artística do Marina Abramovic Institute. Até a última edição, as performances eram selecionadas por um júri, que recebia propostas de artistas de todo país. Para a SP-Arte/2018, a curadora elegerá cinco trabalhos de longa duração, que se estenderão por todo o período do Festival, em um ambiente especialmente concebido para isso. Os performers já confirmados são Gabriel Vidolin, Karlla Girotto, Paul Setubal e a dupla Protovolia, formada por Jessica Goes e Rafael Abdalla. Em breve o nome de um artista internacional será divulgado pela curadora para se juntar a este grupo.

Desde sua primeira edição, em 2016, o setor dedicado ao Design tem destacado os pontos-chave da história do design no Brasil e no mundo. Voltado a mobiliário, iluminação e antiquário, reúne os principais designers do país, representados por nomes como Etel, Jacqueline Terpins, Hugo França, Ovo e Apartamento 61.
Em 2018, o setor ganhará um espaço reservado para promoção de trabalhos independentes, ainda não produzidos em escala. A intenção é estimular a inserção de novos designers no mercado e fomentar uma produção inovadora. O Projeto de Arquitetos é outro destaque do setor e vai reunir, pelo segundo ano, peças de mobiliário assinadas por renomados arquitetos brasileiros.
#
Lista das 140 galerias na feira

SETOR GERAL

Adelina Galeria - São Paulo
A Gentil Carioca - Rio de Janeiro
Alexander Gray Associates - Nova York
Almeida e Dale Galeria de Arte - São Paulo
Aloísio Cravo - São Paulo
AM Galeria de Arte - belo Horizonte
Andrea Rehder - São Paulo
Anita Schwartz Galeria de Arte - Rio de Janeiro
Arte 57 - Renato Magalhães Gouvêa Jr. - São Paulo
ArtEEdições - São Paulo
Arte Hall Galeria de Arte - São Paulo
Athena Contemporânea - Rio de Janeiro
Babel - São Paulo e Miami

Bergamin & Gomide - São Paulo
Bolsa de Arte de Porto Alegre - Porto Alegre e São Paulo
Carbono Galeria - São Paulo
Casa Nova Arte e Cultura Contemporânea - São Paulo
Casa Triângulo - São Paulo
Cassia Bomeny Galeria - Rio de Janeiro
Celma Albuquerque - Belo Horizonte
Choque Cultural - São Paulo
Colecionador Escritório de Arte - Rio de Janeiro
Galleria Continua - San Gimignano (Itália), Beijing (China), Les Moulins França) e Havana (Cuba)
Dan Galeria / Contemporânea - São Paulo
David Zwirner - Nova York e Londres
Eduardo Fernandes - São Paulo
Elba Benitez - Madri
Emmathomas Galeria - São Paulo
Estação - São Paulo
Fernando Pradilla - Madri
Folio - São Paulo
Fortes D'Aloia & Gabriel - São Paulo e Rio de Janeiro
Gabriel Wickbold Studio and Gallery - São Paulo
Galeria Filomena Soares - Lisboa
Galeria Frente - São Paulo
Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea - Rio de Janeiro
Gustavo Rebello Arte - Rio de Janeiro
Galeria Houssein Jarouche - São Paulo
Hilda Araujo Escritório de Arte - São Paulo
Galeria de Arte Ipanema - Rio de Janeiro
Galeria Inox - Rio de Janeiro
Jackie Shor Project - São Paulo
Janaina Torres Galeria - São Paulo
Galeria Karla Osorio - Brasília
Kubikgallery - Porto
Kurimanzutto - Cidade do México
Galeria Leme - São Paulo
Galeria Luisa Strina - São Paulo
Galeria Lume - São Paulo
Galerie Lisa Kandlhofer - Viena
Lamb Arts - Londres
Lemos de Sá Galeria de Arte - Nova Lima (MG)
Licenciado - Cidade do México
Luciana Brito Galeria - São Paulo
Luciana Caravello Arte Contemporânea - Rio de Janeiro
Luis Maluf Art Gallery - São Paulo
Lurixs Arte Contemporânea - Rio de Janeiro
El Museo - Bogotá
Galeria de las Missiones - Montevidéu e Punta del Este
Galeria de Arte Mamute - Porto Alegre
Galeria Marilia Razuk - São Paulo
Galeria Millan - São Paulo
Galeria Murilo Castro - Belo Horizonte
Manoel Macedo Arte - Belo Horizonte
Marcia Barrozo do Amaral Galeria de Arte - Rio de Janeiro
Mario Cohen Fine Art Photography - São Paulo
Mendes Wood DM - São Paulo e Bruxelas
Mercedes Viegas Arte Contemporânea - Rio de Janeiro
Movimento Arte Contemporânea - Rio de Janeiro
Mul.ti.plo Espaço Arte - Rio de Janeiro
Nara Roesler - São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York
Neugerriemschneider - Berlim
Oma Galeria - São Bernardo do Campo
Papel Assinado - São Paulo
Paulo Darze Galeria - Salvador
Paulo Kuczynski Escritório de Arte - São Paulo
Piero Atchugarry Gallery - Pueblo Garzón (Uruguai)
Pinakotheke - São Paulo e Rio de Janeiro
Privateview - Turim (Itália)
Raquel Arnaud - São Paulo
Referência - Brasília
Ricardo Camargo - São Paulo
Roberto Alban - Salvador
Room 8 - São Paulo
Rocio Sta Cruz - Barcelona
Roman Road - Londres
Ronie Mesquita Galeria - Rio de Janeiro
Sergio Gonçalves Galeria - Rio de Janeiro
Silvia Cintra + Box 4 - Rio de Janeiro
Sim Galeria - Curitiba
Simões de Assis Galeria de Arte - Curitiba
Steiner - São Paulo
Studio D’Arte Campaiola - Roma
Dan Galeria - São Paulo
Sur - Punta del Este
Stephen Friedman Gallery - Londres
Studio Nobrega - São Paulo
Vermelho - São Paulo
Verve Galeria - São Paulo
White Cube - Londres e Hong Kong
Ybakatu - Curitiba
Zipper - São Paulo


SETOR SOLO

Balcony Gallery - Lisboa
Barro Arte Contemporáneo - Buenos Aires
Cavalo - Rio de Janeiro
Central Galeria - São Paulo
Fragment Gallery - Moscou
Isabel Aninat - Santiago do Chile
Galeria Karla Osorio - Brasilia
Parque Galería - Cidade do México
Pasto - Buenos Aires
Periscópio - Belo Horizonte
Portas Vilaseca Galeria - Rio de Janeiro
Superfície - São Paulo
Uma Lulik - Lisboa
Zucher Art Books - São Paulo

SETOR REPERTÓRIO
Almeida e Dale Galeria de Arte - São Paulo
Base - São Paulo
Berenice Arvani - São Paulo
Cayón - Madri e Manila (Filipinas)
Colecionador Escritório de Arte - Rio de Janeiro
Galleria Continua - San Gimignano (Itália), Beijing (China), Les Moulins França) e Havana (Cuba)
Studio D’Arte Campaiola - Roma
Galeria Jaqueline Martins - São Paulo
Galeria Marcelo Guarnieri - São Paulo, Rio de Janeiro e Ribeirão Preto
Mapa - São Paulo
Marian Goodman Gallery - Nova York, Paris e Londres
Sé - São Paulo
#
#
#

SP-Arte/2018
Datas abertas ao público: 12 a 15 de abril | Quinta-feira a sábado, das 13h às 21h. Domingo, de 11h às 19h.
Preview: 11 de abril
Local: Pavilhão da Bienal | Parque Ibirapuera, Portão 3 |São Paulo, Brasil
Entrada:
R$ 45,00 [geral]
R$ 20,00 [meia promocional*]
*estudantes, portadores de deficiência e idosos com mais de 60 anos [necessária a apresentação de documento].
O Vale-Cultura poderá ser utilizado para o abatimento de 50% do valor do ingresso. Crianças de até 10 anos não pagam entrada.
A bilheteria encerra suas atividades 30 minutos antes do término do evento.

Enteada de Picasso abrirá museu com maior coleção de obras do artista

Catherine Hutin-Blay, a única filha da segunda esposa de Pablo Picasso Jacqueline Roque, abrirá um museu no sul da França para abrigar sua extensa coleção do artista espanhol. Um representante local disse que a coleção de Hutin-Blay, que ela herdou de sua mãe, contém cerca de 2.000 obras, principalmente do período entre 1952 e 1973, quando Roque estava com Picasso. Compreende mais de 1.000 pinturas, com o resto composto por desenhos, cerâmicas, esculturas, pratos pintados e fotografias. Artigo publicado no portal da revista carioca "Dasartes" em 15/02/18. +

Catherine Hutin-Blay, a única filha da segunda esposa de Pablo Picasso Jacqueline Roque, esta abrindo um museu no sul da França para abrigar sua extensa coleção de Picasso. Hutin-Blay, agora com 70 anos, possui a maior coleção de obras do mundo do artista espanhol.
Um representante do município local disse que a coleção de Hutin-Blay, que ela herdou de sua mãe, contém cerca de 2.000 obras, principalmente do período entre 1952 e 1973, quando Roque estava com Picasso. Compreende mais de 1.000 pinturas, com o resto composto por desenhos, cerâmicas, esculturas, pratos pintados e fotografias.
Hutin-Blay quer dedicar o museu ao pintor e a sua mãe, cujo casamento de 11 anos foi o último do artista. O casal está sepultado no castelo de Vauvenargues, não muito longe do local proposto para o museu. Durante seu casamento, Picasso pintou mais de 400 retratos de Roque.
O novo museu será construído dentro do antigo convento da Faculdade de Pregadores em Aix-en-Provence. O conselho municipal detém o edifício do século 13 desde que foi desativado por um pedido da prefeitura em 2016. O conselho aprovou a venda tanto do prédio por 11,5 milhões de euros (14,1 milhões de dólares) para a empresa de Hutin-Blay, Madame Z , em dezembro do ano passado.
Com a abertura prevista em 2021, o museu incluirá três níveis, dedicando mais de 30.000 mil quadrados a exposições permanentes e mais de 15.000 metros quadrados para exposições temporárias. Haverá também um centro de pesquisa, oficinas de cerâmica e de cerâmica e um auditório de 200 lugares.
De acordo com o conselho, Hutin-Blay pretende que o museu acolhe entre 450.000 e 500.000 visitantes por ano, ou cerca de 1.500 visitantes por dia. “A empresa está empenhada em produzir o museu e suas atividades relacionadas dentro de três anos após a obtenção das autorizações necessárias para a implementação do projeto”, disse o porta-voz do conselho.
#
Artigo publicado no portal da revista carioca "Dasartes" em 15/02/18.

Alfredo Volpi conquista o público europeu

Organizada em Mônaco pela galeria paulistana Almeida e Dale, com o apoio do Instituto Volpi, a retrospectiva do pintor Alfredo Volpi apresenta um conjunto com mais de 70 obras, cobrindo quase todos os períodos, de 1940 aos anos 1970. Artigo de Antonio Gonçalves Filho para o jornal "O Estado de São Paulo" publicado em 13/02/18. +

Artigo de Antonio Gonçalves Filho para o jornal "O Estado de São Paulo" publicado em 13/02/18.

Aberta no dia 8 pela princesa Caroline de Hanover, no Novo Museu Nacional de Mônaco, a primeira retrospectiva do pintor Alfredo Volpi na Europa, La Poétique de la Couleur, conquistou colecionadores de prestígio como Silvia Fiorucci, dona de um dos melhores acervos de arte do continente europeu. Mas, acima de tudo, seduziu a própria princesa, que, em entrevista ao Estado, concedida durante almoço na casa da família Fiorucci, discorreu com erudição sobre a exposição que acabara de ver.
“Penso que Volpi foi um artista incrivelmente sintonizado com seu tempo”, disse Caroline, a filha mais velha da princesa Grace Kelly e também duquesa de Brunsvique-Luneburgo. Formada em Filosofia na Sorbonne, Caroline revelou-se fascinada pela pintura de Volpi, “especialmente por sua construção cromática”. Bem informada sobre a influência do cromatismo de Matisse na pintura de Volpi, a princesa observou ainda que identificou claramente a ligação do pintor com os pintores pré-renascentistas italianos, citando Giotto e Cimabue.
A esses dois pintores do Trecento italiano, o curador da retrospectiva, Cristiano Raimondi, acrescentou um pintor florentino do Quatrocento, Paolo Uccello, referindo-se ao tríptico A Batalha de San Romano, pintado entre 1435 e 1460. “É possível ver na série de pinturas com mastros e bandeiras que Volpi certamente se inspirou nessa obra de Uccello, o que desfaz o mito de que ele era um pintor ingênuo”. De fato, em sua visita à capela de Scrovegni, em Pádua, Volpi ficou tão impressionado com os afrescos em têmpera de Giottto que é possível dizer, segundo o curador, que há um antes e depois na pintura volpiana após essa viagem, em 1950.
“Poderia citar outros pintores italianos com os quais Volpi se identificou, tanto pré-renascentistas, como Margheritone d’Arezzo, como os modernos, especialmente Morandi, com o qual tinha afinidade, considerando sua exploração de uma espacialidade anti-ilusionista na tela, que deve algo à pintura metafísica.” Volpi ficaria feliz ao ouvir essas observações do curador Cristiano, filho do grande baixo e maestro italiano Ruggero Raimondi, presente à inauguração em Mônaco. Muitas vezes reduzido ao estereótipo de pintor naïf e iletrado, que reproduzia bandeirinhas de festas juninas, Volpi foi elevado com a retrospectiva em Mônaco, que vai seguir para outros países europeus, ao mesmo patamar de suas grandes referências – de Matisse a Morandi.
Organizada pela galeria paulistana Almeida e Dale com o apoio do Instituto Volpi, a retrospectiva do pintor apresenta um conjunto com mais de 70 obras, cobrindo quase todos os períodos, de 1940 aos anos 1970. Há desde as paisagens que representam o prelúdio de suas composições geométricas abstratas até os mastros e bandeirinhas da fase final, passando pelas fachadas dos anos 1950 e 1960 (período mais reforçado pelo curador).
Vários colecionadores brasileiros contribuíram para a realização da mostra, emprestando obras raras e premiadas do artista, entre eles a família de Pedro Mastrobuono, diretor do Instituto Volpi – uma das suas telas, A Sereia, de 1960, ilustra o outdoor que anuncia a mostra no Jardin Exotique de Mônaco, ao lado do museu. Mastrobuono destaca a importância da retrospectiva para a divulgação da obra de Volpi na Europa, pois o pintor, que teve trabalhos expostos na Bienal de Veneza de 1962 e em galerias europeias, nunca havia sido contemplado com uma exposição em um museu do continente, apesar de ter nascido lá, em Lucca, Itália, em 1896.
A pincelada volumétrica de Volpi e sua poética cromática já começam a dar frutos comerciais na Europa. Antes mesmo da mostra (não comercial) ser inaugurada no Museu de Mônaco, três colecionadores do principado haviam comprado obras da galeria que organizou a exposição. No dia 16, uma outra mostra (desta vez comercial) será aberta na galeria S2 da Sotheby’s, em Londres, organizada pela galerista paulistana Luisa Strina.
Na exposição, as obras que mais chamaram a atenção da princesa foram as telas da fase concreta de Volpi (anos 1960), especialmente aquelas que traduzem uma nova articulação formal depois do seu contato com os concretos paulistas. A princesa ficou um tempo razoável diante da uma tela com um triângulo vermelho sobre fundo branco (uma bandeirinha na horizontal, que explora a opacidade da têmpera). As telas dessa fase – curta e difícil para o artista pela reação às cores chapadas – são as mais disputadas (e caras) de Volpi.
A diretora do Museu de Mônaco, Marie-Claude Beaud, a esse respeito, destaca a autonomia de Volpi diante de movimentos que tentaram sua filiação. “Esta é uma das mostras mais originais que já exibimos e isso se deve justamente à singularidade de Volpi, muito ligado à tradição pictórica europeia, é certo, mas livre”.
#
Artigo de Antonio Gonçalves Filho para o jornal "O Estado de São Paulo" publicado em 13/02/18.