destaques
conteúdo
publicidade
notícias

Colecionador de arte italiano Giuseppe Baccaro morre no Recife

Pioneiro do mercado de arte brasileiro, Baccaro estava internado há quatro meses com problemas cardíacos. +

Um dos maiores expoentes das artes plásticas no Brasil, o italiano Giuseppe Baccaro, 86 anos, morreu no início da noite de sábado (14/08/16), no Hospital Esperança, no bairro da Ilha do Leite, área central do Recife. Reputado como pioneiro ao criar um mercado voltado para a arte popular, o colecionador estava internado há quatro meses na unidade de saúde com problemas cardíacos e faleceu por volta das 18h30, na UTI Cardiológica, após uma parada cardíaca.
O velório ocorreu numa funerária no bairro de Santo Amaro, no Recife. O sepultamento foi realizado no Cemitério de Guadalupe, em Olinda, conforme pedido do próprio Baccaro. “Meu avô redescobriu pintores e revelou talentos. Ele me contava que veio para Pernambuco porque via muitos nordestinos passando fome e indo tentar a sorte em São Paulo. Ele veio para cá para tentar ajudar as pessoas, veio atrás de um sonho”, afirma a neta Íris Baccaro.
Nascido na região de Roccamandolfi, perto de Nápoles, Giuseppe Baccaro chegou ao Brasil em 1956, quando tinha 26 anos. Em São Paulo, trabalhou como tipógrafo e editor de jornal. Foi lá que conheceu expoentes da arte brasileira que, àquela época, estavam esquecidos: Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Ismael Nery.
Passou a organizar galerias, exposições e leilões para mergulhar, de vez, no mercado das artes plásticas. A Casa de Leilões foi inaugurada por ele em 1965. Nos anos seguintes, Baccaro passou a adquirir obras de Tarsila, Anita e outros artistas plásticos, fazendo com que seus nomes voltassem à circulação.
A carreira de sucesso na capital paulista deu lugar a uma missão social. Giuseppe Baccaro se disse cansado de vender obras para colecionadores ricos e, nos anos 1970, se mudou para Olinda. Fundou a Casa das Crianças, uma instituição que, em décadas de atuação, beneficiou mais de 20 mil meninos e meninas em situação vulnerável. A sede foi erguida com a venda de 120 quadros de Ismael Nery. A verve artística prosseguia com exposições e curadorias em Pernambuco e pelo Brasil.
Hoje, a coleção de Baccaro vive em três sobrados na Rua São Bento, em Olinda, e inclui tesouros como manuscritos originais de Cecília Meirelles, Olavo Bilac e Coelho Neto, além das primeiras edições de autores como Marcel Proust, Victor Hugo, Euclides da Cunha e Mário de Andrade.
|
Do G1 Pernambuco (g1.com.br) | 14/08/16.
Vídeo em:
http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2016/08/morre-no-recife-o-colecionador-de-arte-italiano-giuseppe-baccaro.html

Cultura não é uma questão de direita ou esquerda, mas civilização ou barbárie

Para o ministro da Cultura de Lula e Dilma, Juca Ferreira, governo de Michel Temer está “destruíndo o MinC por dentro – como cupins”. +

E segue a ofensiva do governo interino de Michel Temer contra o Ministério da Cultura. Um dia após a reintegração de posse do Palácio Gustavo Capanema, sede da Funarte no Rio de Janeiro, ocupada desde maio em protesto ao peemedebista, foram exonerados 81 funcionários da pasta.
Ministro da Cultura dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, Juca Ferreira acredita que o governo interino tenta “destruir” o Ministério da Cultura “por dentro, como cupins” porque não pôde extingui-lo, como gostaria. Ferreira diz que a defesa da cultura “não é uma questão de esquerda ou direta, mas de civilização ou barbárie”: “Essa turma não está preparada para conduzir o Brasil a uma posição de destaque no século 21. Pelo contrário, são regressivos, reacionários, antipopulares, antidemocráticos e contra a soberania brasileira”.
Abaixo, os principais trechos da entrevista:
Brasileiros – Na opinião do senhor, o que está por traz dessas demissões no Ministério da Cultura?
Juca Ferreira - Não puderam extinguir o ministério, então agora estão destruindo ele por dentro. Estão tirando a capacidade do ministério de realizar suas políticas, programas e ações. A demissão, o grosso dela, foi DS1, DS2 e DS3, pessoal que ganha em torno de R$ 3 mil reais. Muitos deles estão lá desde a época de Fernando Henrique, outros desde 2003, 2004, são pessoas que não trabalham política, muitos não são nem politizados, sei que alguns são até simpatizantes do PSDB e de outros partidos de oposição. Ou seja, não se trata de desaparelhamento, como disse o ministro interino, mas é muito mais um processo de desmonte do ministério. Algumas áreas vão ficar muito afetadas, áreas muito importantes para a soberania nacional, como a digital. Botaram para fora uma pessoa que é considerado um dos maiores quadros nessa área digital, a área privada sempre quis tirá-lo de lá oferecendo o dobro, triplo do salário. Não vou dar nomes, não quero expor pessoas que eu não sei qual é a posição deles. A Cinemateca vai ser afetada, que é uma instituição importante de preservação da memória do cinema brasileiro. A área financeira também, eles depois vão ficar com dificuldade de fazer o manejo administrativo do ministério e vão inventar outras desculpas. É um processo de desmonte mesmo.
Por que o governo interino estaria tentando acabar com o MinC?
O neoliberalismo não tem um projeto de nação, não tem um projeto de país que seja complexo. Eles resumem tudo a uma questão de moeda e circulação de mercadoria. Eles são economicistas, sob o ponto de vista do capital. Não conseguem compreender o que é uma nação, a complexidade de uma nação, a importância do desenvolvimento cultural para o Brasil se afirmar no século 21. É uma visão estreita e, no caso brasileiro, se associa às alianças que o PSDB fez com o que há de mais atrasado no Brasil. O projeto deles é regressivo, estão atacando a educação. Com esse negócio de educação sem partido querem que a educação seja desenvolvida sem construção de consciência critica. Estão atacando a área de comunicações, afetando em outros aspectos a soberania brasileira diante de uma atividade altamente monopolizada e globalizada. Em todas as áreas é a mesma postura regressiva e reducionista.
Acabar com a cultura é uma estratégia de acabar com a possibilidade de resistência ao golpe?
Quanto mais eles agridem, mais acende a reação. A resistência na cultura hoje tende a aumentar por essas atitudes arbitrárias e pouco respeitosas do ministro interino. Se for isso, vai fracassar. Cada dia mais o governo isola uma dimensão importante do Brasil, que é sua cultura, sua dimensão simbólica.
Qual é a importância da cultura para o Brasil se afirmar no século 21?
São muitas. Não há nação que possa abrir mão do desenvolvimento cultural. Eu me lembro que na época da Margaret Thatcher, onde o neoliberalismo teve seu período áureo, os teatros públicos funcionavam, os centros culturais públicos funcionavam, a produção cultural funcionava. Não é uma questão de esquerda ou direta, mas de civilização ou barbárie. Essa turma não está preparada para conduzir o Brasil a uma posição de destaque no século 21. Pelo contrário, são regressivos, reacionários, antipopulares, antidemocráticos e contra a soberania brasileira.
Qual a opinião do senhor sobre essas ocupações na Funarte e a recente reintegração de posse no Rio de Janeiro?
Essa ocupação foi exatamente uma reação à tentativa de extinguir o ministério, as ocupações em geral tomaram uma posição contra o golpe. Essa reintegração de posse é a luta do governo com a cultura, ou seja, o conflito continua.
Foi uma vitória da classe artística conseguir a volta do MinC?
Claro, foi uma reação do setor artístico e cultural. A equipe do filme brasileiro Aquarius, que estava representando o Brasil no Festival de Cannes, protestou no próprio festival. Brasileiros do mundo todo, artistas protestaram. Aqui dentro artistas escreveram artigos, como Caetano Veloso. Ou seja, a área cultural se levantou contra essa tentativa de extinguir o MinC. Mas o governo interino agora está renovando a mesma atitude, mas comendo por dentro, como cupins, destruindo as estruturas e a capacidade de ação do MinC.
Qual é a capacidade de ação desse setor artístico para resistir ao golpe?
Estão fazendo o que podem. Mas a área cultural não sustenta essa luta sozinha. Eu acho que o impeachment não passa, o golpe não se consolida se houver uma atitude conjunta da sociedade brasileira.
|
Entrevista de Manuela Azenha originalmente publicada na revista Brasileiros | 28/07/16

O que determina o valor de uma obra de arte?

Por que algumas obras valem tanto? “Art Demystified” (arte desmistificada) é uma série do site “Artnet” que lança luzes sobre aspectos esotéricos do mundo da arte. Leia a tradução do texto original publicado em inglês. +

“Art Demystified” (arte desmistificada) é uma série publicada pelo site “Artnet” que lança luzes sobre aspectos esotéricos do mundo da arte.
O que determina o valor de uma obra? Porque alguns trabalhos são tão valiosos? Para leigos no mundo das artes, os preços tão diferentes podem ser algo um tanto confuso. O que faz com que uma obra seja vendida por US$ 10 mil e outra por US$ 10 milhões ou mesmo US$ 100 milhões?
Falando nos mais básicos termos econômicos, alta demanda e escassez de oferta são responsáveis por preços altos. A arte é única e a oferta é limitada no mercado em um determinado momento.
Segundo Augusto Arbizo, diretor da galleria 11R, de Nova York, o preço é determinado por “históricos do artista em exposição e vendas (se houver), o nível da carreira e o tamanho das obras." Ainda conforme ele, “às vezes, os custos de produção das obras devem ser recuperados”.
Há ainda fatores mais complexos a serem considerados. O artista é “quente”? Qual a importância dele no contexto histórico? A obra é representativa do estilo dele? Artistas da moda, sobre os quais se está falando, com exposições em importantes galerias e museus e com reportagens publicadas são mais prováveis de terem obras vendidas a preços altos.
No mercado atual, as pessoas estão interessadas no que é novo e “quente”, em artistas com probabilidade de serem os próximos “grandes” ou nos já estabilizados, reconhecidos, com nomes que se tornaram verdadeiras marcas, grifes. Ao mesmo tempo, a importância e reputação deles na história da arte são fatores influentes.
“Cada período da história da arte teve os responsáveis por escrever o vocabulário”, disse o artista britânico Allen Jones ao site “Artnet” em abril. “Desta forma, muitos aprenderam com esse vocabulário e o usaram de forma inteligente. Teve um monte de fauvistas além de Matisse e Derain, mas você se lembra de quem realmente estabeleceu as regras.”
Da mesma maneira, a inclusão de um artista em uma exposição em galeria ou museu ou em coleções de influentes e respeitados colecionadores pode ter um impacto positivo no preço de obras.
Na produção de um artista, o estilo e a qualidade também influenciam os preços. O mercado de arte gosta de reconhecimento e os colecionadores são tipicamente atraídos por obras que representam o estilo pelo qual os artistas são mais conhecidos. E há diferentes indicativos de qualidade e de quanto as obras são desejadas na produção de cada um deles.
Se você vai gastar milhões em um Monet, você tem de ter certeza que trata-se de um bom Monet, que seus convidados e amigos reconhecerão imediatamente a obra desta maneira.
|
Texto de Henri Neuendorf originalmente publicado, em inglês, no site “Artnet” (www.artnet.com) | 29/06/16.
Tradução: Everaldo Fioravante.

Morre o artista pernambucano Tunga, aos 64 anos

Tunga morreu de câncer nesta segunda-feira. Estava de internado desde maio no hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio. +

Um dos grandes nomes da arte contemporânea brasileira, Tunga morreu nesta segunda-feira de câncer de garganta, aos 64 anos. Ele estava internado no hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio, desde 12 de maio. Pernambucano radicado no Rio desde a juventude, ele tem uma obra que recusa categorias da história da arte brasileira. O corpo deve ser enterrado nesta terça-feira, no cemitério São João Batista, a pedido do próprio artista, que queria ficar no jazigo da família.

Apesar de ter despontado nos anos 1970, junto a artistas que também criaram esculturas e instalações marcadas pela reflexão, como Cildo Meireles e Waltercio Caldas, Tunga construiu um vocabulário e uma gramática particulares. Sua obra é barroca, carregada de simbolismos e potência física, interessada em criar novas relações entre imagens recorrentes em 40 anos de trajetória: ossos, crânios, tranças, dedais, agulhas e bengalas gigantes, redes, dentes, recipientes de vidro, líquidos viscosos.

A escultura “Lezart”, criada em 1989, é exemplar do repertório formal do artista. Fios e tranças de cobre atravessam pentes monumentais de ferro, e a eles são unidos por ímãs – por meio deles, as partes de sua escultura podem ser sempre recombinadas, criando novos sentidos. “Fazer arte é juntar coisas”, repetia, ressaltando que dessa junção de elementos aparentemente sem conexão algo novo se revelaria, como na poesia.

“Nasci em Palmares, Pernambuco, ao mesmo tempo em que nasci no Rio de Janeiro, no mesmo dia e hora”, escreveuTunga, batizado como Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, filho do jornalista e poeta Gerardo Mello Mourão e de Léa de Barros (ela é uma das “Gêmeas” da célebre tela de Guignard). O artista costumava contar que nasceu em Palmares, tendo se mudado paro o Rio ainda criança, mas chegou a dizer que essa era mais uma de suas histórias inventadas.
De todo modo, foi no Rio de Janeiro onde Tunga construiu seu pensamento visual, desde sua primeira exposição individual no Museu de Arte Moderna, em 1974, aos 22 anos. Com 50 desenhos, “Museu da masturbação infantil” anunciava o erotismo que seria presente em sua obra, em que sempre predominou uma presença corpórea. Não à toa, ele costumava inaugurar seus trabalhos com performances, que chamava de instaurações.

PARCERIA CONSTANTE COM ARNALDO ANTUNES
Em 1998, atores carregaram uma trança para “instaurar” a obra “Tereza” no Museu de Belas Artes do Rio, ao som de Arnaldo Antunes, que se tornaria parceiro constante do artista; e novamente quando o trabalho chegou a Inhotim, o maior centro de arte contemporânea do país, em Brumadinho, Minas Gerais, de cuja criação Tunga foi um dos inspiradores. Em 2012, o artista inaugurou ali um espaço de 2.600 metros quadrados para algumas suas esculturas, a Galeria Psicoativa.
Na galeria também está “Lezart”, “instaurada” com “Xifópagas capilares”, performance de 1984 criada a partir de uma lenda inventada por Tunga: duas meninas unidas pelo cabelo que são decapitadas porque não querem se separar. Outro pavilhão do instituto, existente desde 2006, é dedicado a “True Rouge” (1997), e foi aberto com uma ação de mulheres e homens nus, que espalharam um líquido viscoso vermelho no chão e nas redes de mesma cor, fazendo-o transbordar de garrafas transparentes.

Em “Resgate”, que inaugurou o Centro Cultural Banco do Brasil, em 2001, a coreógrafa Lia Rodrigues dirigiu mais de 100 pessoas, que pintaram de vermelho uma instalação monumental, em performance de oito horas.
Além das parcerias constantes com Lia Rodrigues e Arnaldo Antunes, Tunga fez o vídeo “Nervo de prata” (1987) com Arthur Omar, e uma trilogia audiovisual com o cineasta Eryk Rocha: “Medula” (2004), a abotoadura do vestido feita com os dentes de um casal; “Quimera” (2004), exibido nos festivais de Cannes e Sundance, chamado de sonhometragem pela dupla; e “Laminadas almas” (2006), filmado na performance de mesmo ano no Jardim Botânico do Rio com 600 rãs, 40 mil moscas, girinos, larvas, estudantes de jaleco, luvas e asas gigantes.

PRIMEIRO ARTISTA CONTEMPORÂNEO DO MUNDO NO LOUVRE
A exploração do audiovisual começou em 1980, com “Ão”, 16mm em looping que mostra a curva de um túnel, como se ele não tivesse entrada nem fim, exibido no ano seguinte na Bienal de São Paulo, da qual participou ainda em 1987 e 1994.Tunga expôs também na Bienal de Veneza, na documenta de Kassel e foi o primeiro artista contemporâneo do mundo a ter uma obra no Louvre, em Paris.
Nas duas principais publicações sobre sua obra, ambas da hoje extinta editora CosacNaify, Tunga se manteve fiel a esse princípio, escolhendo textos que não teorizassem sobre seu trabalho, mas acrescentassem sentidos poéticos a ele. Como “Isso”, de Arnaldo Antunes, publicado originalmente no “Jornal da Tarde”, em 1994: a queda dos dentes,/ o desmame/ (o desmesmo),/ a amnésia cotidiana,/ o oco da caixa craniana,/ o ovo do sino/ (o badalo),/ a sombra do símbolo,/ a lembrança da silhueta do semblante,/ o silêncio dos pêndulos,/ o silêncio de todas as coisas que dependem de tempo” – diz um trecho do poema
|
Fonte: site do jornal "O Globo", em 06/06/16.

Os 100 nomes mais influentes do mundo das artes

Confira a lista realizada pelo site ArtNet. +

Neste ano, assistimos quebras de recordes em leilões e crescimento de público nas abundantes feiras de arte. Não há dúvida de que o mundo da arte é uma força poderosa na sociedade contemporânea. Mas quem são as pessoas mais influentes à frente dessa engrenagem?
Confira a lista de 100 nomes mais influentes no mundo da arte: de patronos bilionários a curadores de bienais, passando por respeitados colecionadores e artistas internacionais.

1. Aby Rosen
O colecionador e fomentador alemão baseado em Nova York tem uma coleção gigantesca de obras de Andy Warhol e uma história de união entre arte e empreendimentos imobiliários, como a Lever House Art Collection. Neste ano, ele comprou um prédio de um antigo banco no Centro de Nova York (190 Bowery) e já organizou uma exposição coletiva no local, com curadoria de Vito Schnabel e obras de Julian Schnabel e Harmony Korine.

2. Adam D. Weinberg
O diretor do Whitney Museum assumiu a grande tarefa de mover a instituição para uma nova localização no Meatpacking District neste ano. O novo prédio, projetado por Renzo Piano, aumenta o espaço para a programação do museu, algo já aproveitado em exposições recentes, como a retrospectiva de Frank Stella.

3. Adam Szymczyk
O diretor da Documenta 17 gerou manchetes neste ano ao anunciar a ideia de exibir obras do negociante de arte Cornelius Gurlitt apreendidas pelos nazistas. No ano passado, ele também provocou polêmica com os planos de expandir a Documenta de Kassel para fora da Alemanha pela primeira vez, dividindo a mostra entre Kassel e Atenas.

4. Adrian Cheng
O homem de negócios e colecionador de Hong Kong esteve envolvido em seis mostras na feira Art Basel deste ano. Por meio da K11 Art Foundations, organização sem fins lucrativos fundada por ele, Cheng espera desenvolver um novo universo para a arte contemporânea chinesa no mundo.

5. Ai Weiwei
Neste ano, o artista e ativista chinês teve diversas exposições ao redor do mundo, de uma retrospectiva na Royal Academy de Londres a um site specific em Alcatraz, lançou uma coleção de joias e teve seu passaporte devolvido pelas autoridades chinesas.

6. Alan Lau
Em uma década, o jovem homem de negócios baseado em Hong Kong emergiu como um dos mais influentes colecionadores de arte da Ásia. Ele é membro do Asia-Pacific Acquisitions Committee da Tate London e do conselho do espaço de arte sem fins lucrativos Para Site, em Hong Kong.

7. Anish Kapoor
O escultor britânico-indiano entrou em uma batalha com autoridades francesas por conta de pichações anti-semitas em uma escultura integrante de uma mostra dele no Palácio de Versailles. Kapoor também acusou autoridades chinesas de plágio quando percebeu similaridades entre uma escultura de autoria dele e uma criada para Karamay, área rica em petróleo em Uygur, região autônoma da China. Ele também está na batalha por mais políticas de imigração no Reino Unido.

8. Anita e Poju Zabludowicz
O casal bilionário de megacolecionadores é conhecido por patrocinar jovens e audaciosos artistas. Neste ano, eles comissionaram a maior exposição de Jon Rafman no Reino Unido e criaram a Daata Editions, um mercado on-line de vídeos e trabalhos sonoros.

9. Barbara Gladstone
A norte-americana, proprietária de três galerias em Nova York e uma em Bruxelas, realizou exposições de Richard Prince, Anish Kapoor, Cameron Jamie e muitos outros neste ano.

10. Beatrix Ruf
A curadora alemã, diretora do Stedelijk Museum, em Amsterdam, recebeu o Agnes Gund Curatorial Award neste ano. Ele tem presence significativa na cena europeia e é conhecida por descobrir e apoiar artistas emergentes.

11. Bjork
Na retrospectiva da artista no MoMA neste ano, a crítica focou principalmente na instituição, por conta da exposição sem rigor, em vez de no trabalho artístico de Bjork. A cantora, compositora e produtora também provou sua relevância e continuou sua experimentação artística neste ano com seu nono álbum de estúdio, “Vulnicura”.

12. Brett Gorvy
O presidente do conselho e diretor internacional de arte pós-guerra e contemporânea da Christie's causou estrondo neste ano com a venda do tríptico “Three Studies of Lucian Freud” (1969), de Francis Bacon, o mais caro trabalho até então vendido em leilão, até ser desbancado em maio por “Les Femmes d'Alger (Version ‘O')”, pintura vendida por US$ 179 milhões na Christie's em maio. “Nu Couché”, de Amedeo Modigliani, foi negociada por US$ 170 milhões pela Christie's em novembro, mostrando que o departamento de arte contemporânea da casa de leilões continua bem forte com Gorvy no comando.

13. Bruno Brunnet
O fundador da galeria Contemporary Fine Arts, em Berlim, vem experimentando outros modelos e mercados nos últimos anos, mas continua representando artistas do porte de Cecily Brown e Juergen Teller.

14. Budi Tek
O colecionador sino-indonésio abriu recentemente o Yuz Museum, em Xangai, instituição privada com características de parque temático e preferência por trabalhos imersivos. Ele também tem planos de abrir em breve um "art park" chamado Budidesia, em Bali.

15. Carolyn Christov-Bakargiev
Após o sucesso como diretora artística da Docuemta 12, a curadora norte-americana foi nomeada diretora da Galleria d'Arte Moderna e do Castello di Rivoli, em Turin, neste ano.

16. Cecily Brown
A pintora britânica deixou a galeria Gagosian neste ano. Ela tem uma mostra no Drawing Center em 2017 e talvez esteja focando mais em mostras em museus do que em representação por galeria no momento.

17. Cindy Sherman
A ícônica artista norte-americana, conhecida pelo autorretratos, continua muito influente e nesse ano entrou no debate sobre sexismo no mundo da arte.

18. Daniel Buchholz
O galerista alemão recentemente expandiu a Galerie Bucholz, fundada por ele. O novo espaço é perto do Metropolitan Museum, em Nova York.

19. Dasha Zhukova
A mulher de negócios russa, esposa do bilionário Roman Abramovich, é fundadora do Garage Museum of Contemporary Art. Neste ano, a instituição de Moscou celebou a reabertura após a renovação realizada por Rem Koolhaas.

20. David Kordansky
Após a expansão de sua galeria em Los Angeles no ano passado, o galerista realizou exposições de artistas como Peter Saul e Tala Madani, enquanto continuou sua apaixonada e não-convencional relação com a curadoria.

21. David Zwirner
Com um império de galerias em Nova York e Londres, ele continua sustentando sua impressionante reputação. Em 2015, realizou uma exposição de Yayoi Kusama e vendeu “Equal” (2015), de Richard Serra, para o MoMA de Nova York.

22. Dominique Levy
Desde que deixou a sociedade com Robert Mnuchin em 2013, a galerista suíça abriu um escritório em Genebra e galerias em Nova York e Londres. Ela continua em busca de grandes talentos para seus projetos e tem uma exposição de Gerard Richard programada para o início de 2016.

23. Ed Dolman
Desde sua nomeação no ano passado, o presidente da Phillips transformou a terceira maior casa de leilões em uma grande rival e introduziu uma inovadora parceria com o eBay para leilões on-line.

24. Eli & Edythe Broad
O casal de super patronos e colecionadores abriu um grande museu privado em Los Angeles em setembro, com grande sucesso.

25. Esther Schipper
A galerista baseada em Berlim, há tempos uma criadora de gostos (tendências), anunciou que nos próximos cinco anos a Esther Schipper Gallery vai se fundir a outra potência da capital alemã, a Johnen Galerie, provando assim que duas cabeças podem ser melhor do que uma.

26. Eugenio López
O bilionário patrono mexicano fundou o Museo Júmex em 2013, o qual abriga a maior coleção de arte da América Latina.

27. Eungie Joo
Eungie foi curadora da Sharjah Biennial, nos Emirados Árabes, e foi nomeada curadora de Inhotim, um museu sem fins lucrativos no Brasil. Resta saber o que essa “globetrotter” fará em seguida.

28. Eva Presenhuber
A galerista baseada em Zurique mantém sua reputação exibindo escultores estabelecidos e emergentes. Neste ano, ela apresentou sua décima exposição de Franz West.

29. Frank Stella
Com uma impressionante retrospectiva no Whitney Museum neste ano, o gravurista e pintor norte-americano pode aguardar um aumento de obras suas em leilões.

30. Gavin Brown
O galerista britânico adicionou neste ano ao seu império um local em Roma e passou a trabalhar com a estrela emergente Ed Atkins. A mudança dele para o Harlem, em Nova York, também ocorreu neste ano.

31. Gerhard Richter
O artista alemão continua sendo um dos mais influentes pintores do mundo. Neste ano, a legendária cartela de cores dele completa 50 anos.

32. Glenn D. Lowry
O diretor do MoMA de Nova York (instituição criticada pela programação populista e pelas mostras abrigadas mediante recebimento de pagamento nos últimos anos) continua uma figura influente por conta da abrangente definição de arte moderna e contemporânea, incluindo videos, música e produtos culturais orientados para o mercado.

33. Hans Ulrich Obrist
Codiretor da Serpentine Galleries, de Londres, o curador e escritor suíço continua insanamente ocupado com viagens incessantes, dois novos livros lançados neste ano e seu inédito projeto no Instagram, com participação de nomes como Miranda July e Marina Abramović.

34. Hito Steyerl
A artista e teórica explora vigilância, militarização e circulação de imagens, o que parece ter aumentado bastante neste momento pós-Internet. Neste ano, ela teve exposições em Nova York e Berlim e exibiu nova obra na Bienal de Veneza.

35. Ingvild Goetz
A colecionadora baseada em Munique fundou o museu privado Sammlung-Goetz, especializado em novas mídias. Ingvild é dona de uma das maiores coleções de vídeo do mundo.

36. Isa Genzken
A artista alemã tem grande influência sobre jovens artistas, principalmente na Europa. Nos últimos dois anos, a mostra retrospectiva dela tem viajado internacionalmente, com paradas no MoMA de Nova York e no Dallas Museum of Art.

37. Isabelle Graw
A historiadora e crítica de arte é professora da Staedelschule, em Frankfurt, e cofundadora da publicação “Texte Zur Kunst”, de Berlim, que completa 25 anos em 2015 e continua guiando a evolução da crítica de arte e influenciando os debates globais.

38. Iwan e Manuela Wirth
Os importantes galeristas e casal poderoso, donos de galerias em Nova York, Londres, Zurique e Los Angeles, abriram no ano passado o grande complexo Hauser & Wirth Somerset, no interior da Inglaterra, composto por galerias e um centro educacional. Eles também anunciaram uma parceria com o ex-curador-chefe do MOCA Paul Schimmel na galeria deles em Los Angeles, consolidando a presença na Costa Oeste.

39. Jack Shainman
O galerista de Nova York explora o nicho de artistas africanos e asiáticos. Nos últimos anos, ele vem crescendo, com um enorme espaço no Estado de Nova York. Neste ano, realizou uma retrospectiva com esculturas de El Anatsui, de Gana, logo após o artista receber o Leão de Ouro na Bienal de Veneza.

40. Jay Jopling
O galerista inglês, fundador da galeria White Cube, tem grande importância no reposicionamento da Inglaterra no mundo da arte. Neste ano, ele adicionou a Theaster Gates à sua lista de galerias e casou com a cofundadora da Paddle8 e especialista em moda Hikari Yokoyama, consultora de arte da Gucci.

41. Jeff Koons
O artista norte-americano, conhecido por reproduzir objetos de consumo banais com superfícies brilhantes, mantém o recorde da obra de arte mais cara vendida por um artista vivo - “Balloon Dog” (1994). Neste ano, ele apresentou uma nova escultura no Museu de História Natural de Vienna e a retrospectiva dele, exibida no ano passado no Whitney Museum, em Nova York, viajou para Paris (Pompidou) e para o Museu Guggenheim de Bilbao.

42. Jeffrey Deitch
O galerista norte-americano retornou para New York após três anos como diretor do MOCA de Los Angeles e recentemente reabriu o Deitch Projects, no Soho. Ele também colaborou com o galerista Larry Gagosian na feira Miami Basel neste ano (dezembro).

43. Joseph Nahmad
O jovem galerista é de uma família de colecionadores bilionários. A primeira exposição realizada por ele foi de Ray Nachum, artista conhecido por conta das celebridades que colecionam obras dele e também pelo trabalho de arte do último album de Rihanna. É bom estar atento aos próximos passos de Nahmad.

44. Juan A. Gaitán
O ex-curador da Bienal de Berlim começou a dirigir o Museo Rufino Tamayo, na Cidade do México, que atualmente apresenta uma exposição do artista Leon Golub.

45. Jussi Pylkkanen
O leiloeiro da Christie é figura importante para as quebras de recordes na casa de leilões nos últimos anos e neste ano não foi diferente.

46. Kara Walker
Neste ano, a artista norte-americana conhecida por explorar questões raciais, de gênero e história ganhou manchetes com exposições em Londres e no Brooklyn e foi anunciada diretora da Mason Gross School of the Arts (Rutgers University).

47. Kasper König
O curador baseado em Berlim foi nomeado diretor artístico do Skulptur Projekte, em Münster, com inauguração em 2017. No ano passado, ele foi curador da Manifesta.

48. Kemal Has Cingillioglu
O colecionador baseado em Londres é de uma das famílias mais ricas da Turquia e é membro do conselho consultivo europeu de Christie’s. Ele esteve nas manchetes neste ano ao vender "Four Marilyns" (1962), de Warhol, apenas dois anos após ter comprado a obra.

49. Larry Gagosian
Com um império de 13 galerias ao redor do mundo, o norte-americano realizou impressionantes exposições neste ano.

50. Lauren Cornell
Cocuradora da New Museum Triennal deste ano, ela também foi nomeada diretora de iniciativas de tecnologia da instituição. A ex-diretora-executiva da Rhizome ganhou reputação por descobrir talentos emergentes e pela especialização em novas mídias.

51. Leonardo DiCaprio
O ator de Hollywood está ganhando reputação como um dos mais prolíficos colecionadores. Neste ano, ele adquiriu uma obra de Frank Stella.

52. Leonid Mikhelson
O galerista russo está usando parte de sua fortuna (empresa de energia) para estabelecer o Victoria – the Art of Being Contemporary, que tem a proposta de promover a arte pós-vanguarda russa na Rússia e no exterior, o que vem fazendo há muitos anos.

53. Lin Han
O emergente colecionador chinês vem tendo atuação ousada em leilões e recentemente abriu o M Woods, o primeiro museu privado do 789 Arts District de Pequim.

54. Liu Yiqian
O bilionário colecionador chinês quebrou recordes ao comprar a obra de arte mais cara deste ano (e segunda da história), o nu de Modigliani. Nos últimos anos, ele fundou a instituição privada Long Museum, que agora se expandiu com uma segunda sede em Xangai.

55. Loic Gouzer
O executivo de casa de leilão suíço foi promovido a vice-presidente de arte pós-guerra e contemporânea da Christie's neste ano.

56. Marc e Arne Glimcher
Pai e filho por trás da Pace Galleries, com galerias em cinco cidades e presence notável na China. Eles também têm uma galeria sendo construída em Chelsea, com abertura em 2018.

57. Marian Goodman
A ponderosa norte-americana tem galerias em Londres, Paris e Nova York e um elenco invejável de artistas. Neste ano, realizou exposições de Jeff Wall e Rineke Djikstra.

58. Marina Abramović
A renomada artista performática e celebridade finalmente conseguiu fundos para o Marina Abramović Institute. Neste ano ela também esteve nas manchetes por conta de atritos com Jay Z e com o ex-namorado, o artista alemão Ulay.

59. Massimiliano Gioni
Diretor da milanesa Trussardi Foundation e diretor artístico do New Museum, ele encabeçou uma pesquisa sobre Chris Ofili neste ano.

60. Michael Govan
O diretor do County Museum of Art, de Los Angeles, que celebrou 50 anos neste ano, tem a credibilidade do mundo das artes. Realizou projetos movidos a celebridades, como Leonardo DiCaprio, Kanye West e Steve McQueen.

61. Miuccia Prada
A icônica estilista e empreendedora italiana é colecionadora há muitos anos. Neste ano, ela abriu galerias em Veneza e Milão.

62. Monika Sprüth e Philomene Magers
Os galerista internacionais ganharam reputação por conta dos compromissos ideológicos e pelo time de artistas bem-estabelecidos, de Ryan Trecartin a Cindy Sherman. Neste ano, eles abriram uma galeria em Los Angeles, após muitos anos operando em Londres e Berlim.

63. Monique e Max Burger
O casal baseado em Hong Kong tem uma impressionante coleção especializada em obras pós-1980. Desde o ano passado, uma coluna sobre a coleção Burger é apresentada todo mês na revista ArtAsiaPacific.

67. Okwui Enwezor
O curador e poeta nigeriano tornou-se neste ano o primeiro diretor artístico africano da Bienal de Veneza. Ele vem desempenhando papel importante na inserção de artistas africanos e de diáspora nos debates do cenário artístico mundial. Enwezor também é diretor da Haus der Kunst, em Munique.

68. Patricia Barbizet
A mulher de negócios francesa tornou-se a primeira CEO do sexo feminino da Christie's no ano passado e levou a casa de leilões a um novo ano de quebra de recordes.

69. Patricia Phelps de Cisneros
A colecionadora e patrona venezuelana-americana tem um notável coleção de arte moderna e contemporânea latino-americana. Ela vem exercendo influência internacional em diversos comitês de aquisição.

70. Paul Allen
O colecionador e cofundador da Microsoft vai abrir um centro de arte sem fins lucrativos, o Pivot Art + Culture, em Seattle. Neste ano, ele emprestou obras de sua coleção particular para uma exposição itinerante por cinco cidades norte-americanas.

71. Paul Kasmin
O galerista de Nova York tem há anos uma relação com Frank Stella, desde os tempos da galeria de seu pai, a Kasmin Ltd. Neste ano, ele montou uma mostra do artista dias antes da retrospectiva de Stella no Whitney Museum.

72. Paul Schimmel
O ex-curador-chefe do MOCA fez uma intrigante transição do mundo dos museus para a cena das galerias comerciais, unindo-se à Hauser & Wirth na chegada da galeria a Los Angeles, adicionando seu nome a ela: Hauser Wirth & Schimmel.

73. Peter Brant
O megacolecionador e editor magnata esteve nas manchetes neste ano por conta da consolidação de suas propriedades de arte-mídia.

74. Pierre T.M. Chen
O homem de negócios e colecionador baseado em Taiwan acumulou uma impressionante coleção de arte contemporânea ocidental e oriental, trabalhos que ele exibiu nos últimos anos.

75. Richard Armstrong
O diretor do Solomon R. Guggenheim Museum expandiu a marca do museu nos últimos anos, com o desenvolvimento do Guggenheim Helsinki e ambições de criar o Guggenheim Abu Dhabi.

76. Robert Mnuchin
O ex agente de Wall Street e celebrado galerista de Nova York está redefinindo sua galeria e assegurando sua reputação ao promover impressionantes exposições após sua separação do ex-sócio Dominique Levy.

77. RoseLee Goldberg
A historiadora de arte e fundadora da Performa acabou de concluir a sexta edição do festival de performance e continua a expansão da programação do festival para além de Nova York com a turnê europeia do trabalho de Yvonne Rainer.

78. Ryan Trecartin
O artista e filmmaker norte-americano é conhecido pela preciosa interpretação do mundo hiper-digital. Neste ano, ele foi cocurador da New Museum Triennial, junto a Lauren Cornell (a número 50 desta lista).

79. Sean Kelly
O galerista de Nova York tem um elenco de renomados artistas internacionais, como Marina Abramović e o espólio de Robert Mapplethorpe.

80. Serge Lasvignes
O tecnocrata francês assumiu a presidência do Centro Pompidou neste ano, substituindo Alain Seban, uma mudança-surpresa apoiada pelo ministério da Cultura francês. Vamos ver se ele leva um público maior e mais amplo ao centro cultural.

81. Simon de Pury
O curador, conselheiro e leiloeiro lançou neste ano uma plataforma on-line de leilão e também uma parceira com a Christie's em um leilão em outubro.

82. Stefan Simchowitz
Tanto admiração quanto aversão fizeram do conselheiro publicitário, negociante de arte e advogado de jovens artistas uma figura conhecida no mundo das artes.

83. Steve McQueen
O artista visionário e agora cineasta de Hollywood teve um aumento de público após dirigir o filme de sucesso “Twelve Years a Slave” (“12 Anos de Escravidão”).

84. Suzie Kim
Kim é filha da galerista Hyun-Sook Lee, diretora da Kukje Gallery, em Seul, que se expandiu para três locais nos últimos anos e realizou exposições de artistas como Jenny Holzer e Jean-Michel Basquiat.

85. Tad Smith
O homem de negócios com experiência em mídia e entretenimento foi nomeado CEO da Sotheby's e está agitando o mundo das artes neste ano.

86. Takashi Murakami
O prolífico artista japonês é tanto uma influência quanto um dos preferidos dos colecionadores. Neste ano, ele teve exposições no Japão, na galeria
Gagosian, em Nova York, e em Ibiza.

87. Thaddaeus Ropac
O antigo galerista de Salzburg expandiu seus negócios para Paris e Alpine City ao longo dos anos, enquanto continuou explorando ideias existenciais de morte e espaço na programação. Neste ano, ele organizou uma exposição na Áustria para levantar fundos para refugiados sírios.

88. The Rubells
A família de Miami coleciona há tempos e recentemente adotou artistas como Keith Haring e Jean-Michel Basquiat. A fundação Rubell apresenta a grande coleção privada e o perfil dela continua o de crescer ao lado da feira Miami Basel.

89. Theaster Gates
O artista engajado socialmente abriu o Stony Island Arts Bank em Chicago neste ano, um híbrido de centro cívico e de arte destinado à promoção da cultura afro-americana.

90. Thelma Golden
Neste ano, ela retornou à posição de diretora do Studio Museum no Harlem, onde trabalhou nos últimos 15 anos. O plano dela é de expandir a galeria em 50%.

91. Thierry Raspail
O diretor artístico da Bienal de Lyon encabeçou o crescimento do evento, elevando-o ao posto de mais importante atração do gênero na França, caracterizado pela participação de importantes curadores e pesados temas filosóficos.

92. Tim Blum e Jeff Poe
O par de galeristas de Los Angeles se estabeleceu em Nova York e Tóquio nos últimos anos. Eles são conhecidos por terem introduzido artistas japoneses no ocidente e neste ano organizaram uma exposição de Murakami em dois espaços em Ibiza.

93. Trevor Paglen
O artista norte-americano comprovou sua relevância e versatilidade nos últimos anos. O trabalho dele foi exibido tanto em museus quanto em galerias comerciais. Ele também é figura-chave no movimento de ativistas, jornalistas e filmmakers na luta contra a cultura de vigilância.

94. Udo Kittelmann
O diretor da Nationalgalerie de Berlim supervisionou neste ano o início da renovação da Neue Nationalgalerie, previsto para quatro anos e estimado em € 101 milhões.

95. Victoria Siddall
A nova diretora da Frieze tomou as rédeas do evento recentemente.

96. Wang Yannan
Cofundadora e CEO da China Guardian, uma das mais importantes casas de leilão do país. Ela liderou a casa em vendas recorde e estabeleceu um alto nível de credibilidade, trabalhando para mudar a tendência dos colecionadores chineses de comprar no exterior.

97. Xin Li
A emergente e poderosa vice-presidente da Christie's Asia é especializada em vendas para bilionários chineses.

98. Yayoi Kusama
Kusama é a artista mulher que mais fatura. As icônicas bolinhas dela são reconhecidas na hora e estão desde em bolsas Louis Vuitton até em gigantes anúncios em ônibus para a retrospectiva dela em 2012 no Whitney Museum. As pessoas aguardam horas em filas para ver as salas infinitas da artista.

99. Yoko Ono
A artista, ativista e celebridade japonesa teve uma retrospectiva de sucesso no MoMA neste ano e continua sendo uma potência no mundo da arte e da música.

100. Zaha Hadid
Neste ano, a arquiteta iraquiana-britânica projetou o que será o maior aeroporto de Pequim e foi anunciado que ela será a primeira mulher a receber a medalha de ouro do Royal Institute of British Architects. Os projetos e cosntruções de Zaha estão entre os mais icônicos do mundo.

|

Texto originalmente publicado, em inglês, no site ArtNet (www.artnet.com) | 01/12/15.
Tradução: Everaldo Fioravante.

Incêndio atinge Museu da Língua Portuguesa | 2015

O fogo toma conta de boa parte do museu e não há informações sobre as causas do incêndio e vítimas. +

Um incêndio de grandes proporções atinge o Museu da Língua Portuguesa, na região da Praça da Luz, centro de São Paulo, na tarde desta segunda-feira (21/12/15). Segundo o Corpo de Bombeiros, o fogo toma conta de boa parte do museu. A Estação da Luz do Metrô está fechada. Não há informações sobre as causas de incêndio e se há vítimas.
Inaugurado oficialmente no dia 20 de março, o Museu da Língua Portuguesa abriu suas portas ao público no dia 21 de março de 2006. Em seus três primeiros anos de funcionamento mais de 1,6 milhão de pessoas já visitaram o espaço, consolidando-o como um dos museus mais visitados do Brasil e da América do Sul.
|
fonte: site do G1 (www.g1.globo.com).

Cosac Naify fecha as portas | 2015

O editor Charles Cosac comunicou o fechamento da editora no dia 30/11/15. Em situação deficitária pelo alto investimento que demandam seus projetos editoriais, alguns com produção gráfica sofisticada e sem garantia de retorno financeiro, a Cosac Naify tentou criar fórmulas que cobrissem os prejuízos dessas edições especiais, mas a situação do mercado não ajudou. +

Quase 20 anos após seu nascimento, a editora Cosac Naify chega ao fim por decisão de seu fundador, o editor Charles Cosac (na foto ao lado). Ele comunicou seu fechamento em entrevista exclusiva ao jornal “O Estado de S. Paulo”, nesta segunda-feira, 30/11/15, à tarde, em sua casa, justificando-o não por causa da crise econômica atual – que também pesou, mas nem tanto como as dificuldades em seguir adiante no caminho traçado por ele em 1996. “Só o meu desejo de que ela existisse não justificaria a manutenção da editora, cujos projetos culturais se encontram ameaçados neste momento”, resume. Com 1.600 títulos no catálogo, de clássicos como Tolstoi a monografias de artistas, passando por romancistas estrangeiros como Enrique Vila-Matas e Valter Hugo Mãe, a Cosac Naify surgiu como editora com o livro Barroco de Lírios, de Tunga, e vai encerrar sua história também com um livro do artista pernambucano, ainda em preparo.
Cosac comunicou nesta segunda-feira, 30/11/15, sua decisão aos funcionários da empresa, após conversar com seu sócio, o empresário norte-americano Michael Naify, que apoiou sua iniciativa. Em situação deficitária pelo alto investimento que demandam seus projetos editoriais, alguns com produção gráfica sofisticada e sem garantia de retorno financeiro, a Cosac Naify tentou, segundo seu fundador, criar fórmulas que cobrissem os prejuízos dessas edições especiais, mas a situação do mercado não ajudou. “Somos uma editora cult, cujos livros são destinados a professores acadêmicos e estudantes de arte, e não gostaria de ver nossa linha editorial desvirtuada”, justificou.
Uma dessas fórmulas foi criar coleções de literatura com obras que estão em domínio público, como as de Tolstoi, até hoje um dos best-sellers da editora. “Mas não queria fazer o que outras editoras já fazem.” Seu interesse inicial, como um editor que estudou e coleciona obras de arte, era produzir monografias para divulgar a produção contemporânea brasileira, como a mais recente, dedicada à artista carioca Elizabeth Jobim, lançada há um mês, cuja produção foi pessoalmente cuidada pelo editor.
“Eu vejo a editora se descaracterizando, se afastando daquilo que fez dela tão querida, e prefiro encerrar as atividades a buscar uma solução que possa comprometer seu passado”, diz, referindo-se a uma possível fusão com grupos editoriais poderosos, como tem sido frequente no mercado. Como exemplo de uma coleção difícil de ser considerada por editoras mais comerciais, ele cita a dedicada ao crítico Mário Pedrosa, que só teve três volumes lançados dos sete planejados com a obra crítica e ensaística daquele que é considerado uma referência da arte brasileira.
Cosac lembra que teve dificuldades para manter outras coleções, como as de Murilo Mendes e Jorge de Lima. Para publicar títulos de difícil consumo, ele tentou investir ainda mais nos clássicos de literatura, lançando recentemente as Novelas Exemplares de Cervantes, obras que, a exemplo dessa, poderiam, eventualmente, permitir a publicação de outras, de interesse restrito. “Como disse, não criei a editora para recauchutar obras em domínio público”, observa. “Quero que ela termine como começou, não gostaria que ela entrasse em decadência.”
Desde os primeiros anos da Cosac Naify, o editor valorizava a reimpressão de obras que considerava de interesse acadêmico, mesmo sem retorno financeiro. Publicou, por exemplo, os principais títulos de Lévi-Strauss e do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, mantendo-os em catálogo. No momento em que declara o fechamento da editora, ele afirma que pretende “perpetuar” de forma generosa essa tradição. “Não podemos deixar que esse legado morra e, naturalmente, vamos fazer o possível para que esses livros sejam publicados por outras casas editoriais.” Será como uma contribuição pessoal sua. “Não vou tentar dizer que essas séries são minhas”, adverte. “Não estou vendendo aquilo que a gente construiu.”
Quando Cosac fala no plural, ele está se referindo aos editores e colaboradores que contribuíram para o êxito da editora, cujos autores aparecem sempre nas listas dos principais prêmios literários do Brasil, entre eles o São Paulo de Literatura, que premiou ontem como melhor romance de 2014 o livro de Estevão Azevedo, Tempo de Espalhar Pedras, desbancando autores veteranos como Chico Buarque (leia mais na página C7). “Esse esforço não morre com o fechamento da editora, que não consegue viver da literatura que publica, apesar dos nomes que estão em nosso catálogo, como Zambra, Tabucchi e tantos outros.” Há exceções que, chegam a ser considerados best-sellers diante do fraco desempenho dos títulos de arte e arquitetura no mercado, edições luxuosas dirigidas a estudantes ou especialistas. Dois autores dos quais a editora lançou quase toda a obra são o espanhol Vila-Matas e o português Valter Hugo Mãe, amigo pessoal do editor, ambos com público cativo no Brasil.
Cosac esclarece que pretende tratar cada caso individualmente ao encerrar as atividades da editora. “Cada livro é um livro e falaremos com cada autor”, adianta, valendo o mesmo para fornecedores e demais pessoas envolvidas no processo. A editora, que mantinha 110 pessoas em sua equipe no começo do ano, foi reduzida à metade com os cortes realizados por causa do ajuste à realidade do mercado. “Tínhamos uma estrutura caseira e a editora cresceu demais.” Ele diz que sempre deu liberdade aos editores, que não concordava com todos os títulos publicados, mas que incentiva projetos mesmo nesses casos. “Ela deixou essa estrutura caseira e se tornou acadêmica, sobretudo após a entrada do Augusto Massi, que criou escola.”
A editora não está em processo de falência, garante Cosac. “Do capital investido, cerca de R$ 70 milhões, nunca recebi um tostão de volta”, revela. Ao contrário. As perdas, diz, somam o dobro disso. “Mas não estou culpando ninguém, nem a Dilma nem a alta do dólar”, acrescenta. Apenas não se pode manter uma editora, segundo ele, vendendo meia dúzia de títulos como foi o caso da coleção de arte da Yale University, que lançou logo no início, quando não tinha experiência como editor, ou as edições experimentais, múltiplos de luxo numerados que não deram certo num país sem essa tradição.
“Para mim, o balanço foi positivo, pois conheci autores que não conhecia, publiquei outros que amava, como Goncharov, mas lamento não ter editado a obra de Bataille a Artaud.” Quem sabe alguém ainda o convença a fazer isso.
|
Texto de Antonio Gonçalves Filho originalmente publicado no site do jornal “O Estado de S. Paulo” (estadão.com.br) | 30/11/15.

Fotos mostram destruição de templo antigo em Palmira pelo Estado Islâmico | 2015

O Estado Islâmico divulgou imagens da destruição do templo de Baal-Shamin, na cidade histórica de Palmira, na Síria. As fotos mostram militantes colocando barris com explosivos nas colunas do templo de 2.000 anos. +

A facção radical Estado Islâmico (EI) divulgou nesta terça-feira (25/08/15) imagens da destruição do templo de Baal-Shamin, na cidade histórica de Palmira, na Síria.
As fotos mostram militantes carregando barris com explosivos, posicionados nas colunas do templo, que tinha mais de 2.000 anos. O templo foi explodido no domingo (23/08/15).
É a primeira vez que o EI danifica ruínas do período romano em Palmira. Em junho, a milícia explodiu dois antigos santuários da cidade, considerados pagãos pelos militantes. No mês seguinte, demoliu a famosa estátua do Leão de al-Lat ("deusa-mãe de Palmira"), que ficava na entrada do museu local.
Há uma semana, militantes decapitaram Khaled Asaad - arqueólogo de 82 anos que trabalhou por mais de 50 anos no setor de antiguidades em Palmira-, depois de interrogá-lo por mais de um mês.
Palmira, famosa por suas ruínas do Império Romano, foi dominada pela milícia radical em maio.
Antes do domínio da cidade pelo EI, autoridades sírias disseram que levaram centenas de estátuas antigas para locais seguros, preocupados com o fato de que as peças poderiam ser destruídas.
|
Texto originalmente publicado no jornal “Folha de S. Paulo” | 25/08/15.
Foto: Associated Press.

As 8 melhores cenas de leilões em filmes de Hollywood

O site ArtNet fez um levantamento das melhores cenas de pregões em filmes de Hollywood. +

Enquanto os leilões têm seus momentos sensuais e milhões são gastos nos dias de hoje, como se fosse uma ninharia, no cinema e na televisão os leilões são espaços de glamour, drama, sexo e intrigas, cheios de personagens que dizem coisas como "Você tem bolas, mas você vai precisar mais do que isso se quiser jogar com os meninos grandes" (veja o trailer recentemente lançado da próxima série The Art of More; https://news.artnet.com/in-brief/art-feature-dennis-quaid-seedy-auction-house-sex-323393). Vamos dar uma olhada no lado mais encantador do universo dos leilões em um levantamento das melhores cenas de pregões em filmes de Hollywood.

1. “First Wives Club” / “O Clube das Desquitadas” (1996) – na foto acima
O filme estrelado por Bette Midler, Goldie Hawn e Diane Keaton é um hilário “mulher branca solteira” clássico. Três amigas se reúnem após a morte de um amigo de universidade apenas para descobrir que seus respectivos maridos as trocaram por mulheres mais jovens. Sarah Jessica Parker interpreta um tipo de marido ladrão e alpinista social que tenta “comprar” sua entrada na alta sociedade de Nova York em um leilão da Christie’s, onde compra um prato japonês por US$ 145 mil. Os personagens de Bette Midler e de Goldie Hawn dão lances falsos que fazem subir o preço de venda, para garantir que o personagem de Parker pague muito mais do que deveria.

2. “The Best Offer” / “A Melhor Oferta” (2013)
Nesse romance de suspense italiano, Virgil Oldman, interpretado por Geoffrey Rush, é um experiente e estimado diretor de uma casa de leilões. Oldman é contratado por uma jovem herdeira reclusa para avaliar a coleção que seus pais deixaram. Os dois começam a desenvolver uma relação improvável e Oldman revela a ela sua coleção secreta de mestres da pintura, apenas para voltar para casa um dia e encontrá-la desfalcada.

3. “North by Northwest” / “Intriga Internacional” (1959)
Nesse filme de Hitchcock, Roger Thornhill, interpretado por Cary Grant, é um executivo de publicidade que é confundido com um espião estrangeiro. Quando embarca para tentar limpar seu nome, ele encontra seu inimigo em um confronto em um leilão de móveis antigos. Em 1959, US$ 450 foi um preço alto por uma peça antiga, mas hoje mal dá para comprar uma cama Ikea.

4. “Sex and the City” (2008)
No filme baseado na descontrolada e popular série de TV, Carrie Bradshaw, interpretada por Sarah Jessica Parker, e suas três amigas, Samantha, Charlotte e Miranda, vão a um um leilão na Christie’s de joias da ex-namorada de um anônimo bilionário de Nova York. O personagem de Samantha, que está namorando um ator de Hollywood, diz a seus amigos, "Vamos gastar meu dinheiro duramente conquistado em Hollywood". Como sempre, não passa do desejo.

5. “Phantom of the Opera” / “O Fantasma da Ópera” (2004)
Na primeira cena do filme de Andrew Lloyd Webber, baseado em seu musical, os personagens estão em Paris, em 1919. Um grande e velho teatro é o palco de um leilão público de quinquilharias antigas encontradas no teatro. Naturalmente, estão incluídos o brinquedo do macaco que bate os pratos de música e o enorme candelabro presente em todo o filme, levando o espectador de volta no tempo, a 1870.

6. “The Magic Christian”/ “Um Beatle no Paraíso” (1969)
Essa comédia britânica estrelada por John Cleese, Peter Sellers e Ringo Starr, com participações de Christopher Lee, Richard Attenborough e Roman Polanski, é sobre um excêntrico bilionário (Peter Sellers) que adota um órfão sem lar (Ringo Starr), com quem ele se encontra em um parque. Então eles começam a perceber que absolutamente tudo pode ser comprador com dinheiro. Na cena do filme em um leilão, o par é visto dando lances em uma pintura de dois cães, utilizando sinais de mão estranhos, uma lanterna, um megafone e uma gaita.

7. “Batman & Robin” (1997)
Se você era criança nos anos 1990, a cena do leilão neste filme vai estar no seu coração. Quem não gosta do filme do Batman com Uma Thurman, Arnold Schwarzenegger, Alicia Silverstone e George Clooney? Na cena do leilão no Jardim Botânico de Gotham City, vemos Batman, interpretado por Clooney, e Robin, papel de Chris O'Donnell, dando lances pela afeição da Hera Venenosa (Poison Ivy), chegando aos US$ 7 milhões. Obviamente, Bruce Wayne (a identidade secreta de Batman) ganha, quando ele pega o cartão de crédito de Batman, com data de experiação de validade: nunca.

8. “Willy Wonka & the Chocolate Factory” / “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (1960)
Nenhum remake, nem mesmo um com Johnny Depp, nunca tomará o pódio deste fantástico filme clássico de autoria de Roald Dahl. No filme, todos no mundo estão em busca das cinco barras de chocolate Wonka com um bilhete de ouro, as quais darão direito a uma visita à mágica fábrica de chocolate. Uma casa de leilões começa a leiloar caixas de barras Wonka. Na cena, o leiloeiro pergunta se “Sua Majestade” quer dar um novo lance. Até a rainha da Inglaterra estava interessada na visita à fábrica.

|

Texto de Christie Chu originalmente publicado, em inglês, no site ArtNet (www.artnet.com) | 02/09/15.
Foto: YouTube.
Tradução: Everaldo Fioravante.

Saudades da ArtRio 2015

Todos os players da ArtRio investiram em trabalho e não em lamentações. Sequer a inimaginável e tempestuosa saída à egípcia de Elisângela Valadares, fundadora e diretora da feira, às vésperas da inauguração do evento, deixou os galeristas de mau humor! +

O circuito de arte parece ter ouvido os conselhos otimistas do Mapa das Artes, investiu em otimismo e gentileza, e fez da 5ª edição da feira ArtRio uma edição que já deixou saudades!
Saudosa sim, pois ali investiu-se em trabalho e não em lamentações. E foi desconsiderado o mau humor alardeado pela política e pela mídia nacionais, esses dois cânceres do país...
Sequer a inimaginável e tempestuosa saída à egípcia de Elisângela Valadares, fundadora e diretora da feira, às vésperas da inauguração do evento, deixou os galeristas de mau humor!
Apesar de todas as perspectivas negativas (e talvez mesmo por isso), raros eram os pagantes que reclamaram das vendas ao final dos cinco dias de feira, basicamente alguns galeristas de fora do eixo Rio-São Paulo...
Por isso o Mapa das Artes não tem medo de afirmar que a grande maioria das galerias presentes este ano deve voltar ao evento carioca em 2016 e a feira ainda deve angariar novas adesões.
Espera-se, contudo, que a organização da feira carioca não resvale novamente no disparate de querer ser a maior feira de arte do país ou mesmo ser uma “feira internacional”... Esses são anseios de colonizados sem autoestima... O Rio de Janeiro deve se preocupar em manter a medida certa e, assim, ficar cada dia mais gostosa! Para isso, basta seguir as máximas “menos é mais” e “tamanho não é documento”!
Do jeito que está, a feira está de bom tamanho. Essa era opinião unânime do público que, mesmo embaixo de chuva, prestigiou o evento.
Espera-se sim ainda que a feira corrija problemas reincidentes, como a péssima qualidade das paredes dos estandes, mas sem abrir mão da reciclagem e do reaproveitamento dos materiais, pois é notório que uma feira de arte e todo o circuito de arte contemporânea são grandes produtores de lixo.
Sobre vendas, que é o assunto que mais interessa em uma feira de arte, é preciso observar uma questão. Mais que quantidade, um dos méritos desta edição da feira carioca foram as vendas em qualidade. O Mapa das Artes explica este conceito criado pelo próprio Mapa das Artes! Venda qualitativa é a venda que agrega algum outro valor à negociação. Ou seja, no caso da ArtRio, o que mais se via eram vendas para novos clientes, alguns deles interessados em manter um relacionamento com o galerista. Isso significa abertura de novos mercados. Isso é uma venda qualitativa, uma venda que não se encerra com o preenchimento do cheque e entrega da obra.
Outra qualidade da ArtRio e que pouco se vê na Terra da Garoa é o envolvimento de todos os players do circuito de arte em torno do evento.
Na Cidade Maravilhosa, galeristas, artistas, diretores de museu, curadores, colecionadores, jornalistas e diletantes estão interessados em fazer daquela semana um momento inesquecível da cidade, com eventos que começam às 10h e só terminam de madrugada... A saber: visitas guiadas com artistas e curadores, brunchs com prosecco e petit fours, lançamentos de revistas, vernissages, jantares e muitas festas. E tudo isso de maneira bastante democrática, para todos os públicos!
Toda vez que vou ao Rio e Janeiro percebo que o Brasil seria um país muito melhor se a Cidade Maravilhosa ainda fosse a capital do país! Boa parte do mal que tomou conta do Brasil começou ou se intensificou depois que tiraram a Capital Federal da praia! Foi quando o país começou literalmente a afundar... Também tenho saudades do Estado da Guanabara!
#
O editor Celso Fioravante viajou para o Rio do Janeiro por conta própria!

Filantropo salva obra-prima de Piero della Francesca | 2015

O empresário italiano Aldo Osti doou metade dos € 200 mil necessários para salvar “A Ressurreição”, afresco do século 15 do mestre renascentista italiano Piero della Francesca, localizado no Museo Civico de Sansepolcro, na cidade natal do pintor na Toscana. +

Um filantropo vai bancar parte da restauração de um afresco do século 15 do mestre renascentista italiano Piero della Francesca, informou o “The Independent”.
Especialistas alertaram que “The Resurrection” / “A Ressurreição” (1463-1465), localizada no Museo Civico de Sansepolcro, na cidade natal do pintor na Toscana, tem rachaduras, descamação e sinais de descoloração.
Um projeto de restauração para que a obra que o escritor Aldous Huxley apelidou de "a maior imagem do mundo" será então iniciado. Mas, por conta do péssimo estado da economia italiana, que brecou os orçamentos para a preservação histórica, a instituição teve de buscar patrocínio privado para financiar esta necessária iniciativa.
A doação é do empresário italiano Aldo Osti, ex-executivo da empresa de alimentos Buitoni, com sede em Sansepolcro. Osti doou metade dos € 200 mil necessários para salvar a pintura, embora a obra pertença ao Estado.
A prefeita de Sansepolcro, Daniela Frullani, disse ao “The Independent”: "O que posso dizer é obrigado, do fundo do meu coração, ao Sr. Osti, por patrocinar a restauração, como um cidadão, dessa mais importante obra de nossa cidade".
A restauração completa deve durar de um a três anos. Mais detalhes devem ser divulgados em breve.
Esta não é a primeira obra-prima italiana restaurada por meio de financiamento de doadores privados. A restauração do Coliseu, em Roma, foi patrocinada por Diego Della Valle, chefe do grupo de artigos de couro de luxo Tod’s. A Bulgari também está ajudando a Cidade Eterna: o grupo prometeu € 1,5 milhão para a renovação da Escadaria de Espanha, que deve ser concluída em 2017.
|
Texto de Lorena Muñoz-Alonso originalmente publicado, em inglês, no site ArtNet (www.artnet.com) | 17/11/14.

Obras da coleção de Edemar Cid Ferreira vão a leilão em NY | 2015

Obras da antiga coleção de Edemar, ex-controlador do Banco Santos, que quebrou em 2005 deixando um rombo de R$ 3,4 bilhões, são avaliadas em US$ 13 milhões. +

Obras da antiga coleção de Edemar Cid Ferreira, ex-controlador do Banco Santos, foram autorizadas a ir a leilão. As 130 peças, como o quadro "Hannibal", de Jean-Michel Basquiat, e a escultura "Togatus", de autor desconhecido, vão ser vendidas em Nova York pela Sotheby's.

Vende 2
As peças, avaliadas em US$ 13 milhões, foram devolvidas a autoridades brasileiras nos EUA em junho. O governo americano já recuperou outras 90 obras do empresário. O banco quebrou em 2005, deixando um rombo de R$ 3,4 bilhões.

Vende 3
O anúncio do leilão foi feito por Aguiar em uma palestra do advogado Pierre Moreau para colecionadores e galeristas, na semana passada.

|

Texto originalmente publicado na coluna de Mônica Bergamo no jornal “Folha de S. Paulo” | 21/09/15.

EUA entregam ao país duas obras de Edemar avaliadas em US$ 13 milhões | 2015

Os trabalhos são a tela "Hannibal", do pintor norte-americano Jean-Michel Basquiat, avaliada entre US$ 8 milhões e US$ 12 milhões, e uma escultura romana em mármore, chamada genericamente de "Togatus Romanus", cujo preço pode variar de US$ 600 mil a US$ 900 mil. +

Duas obras que pertenceram à coleção do banqueiro Edemar Cid Ferreira, cujo preço pode alcançar US$ 13 milhões, foram devolvidas nesta quinta-feira (18/06/15) a autoridades brasileiras em Nova York.
Os trabalhos são a tela "Hannibal" (na foto ao lado), do pintor norte-americano Jean-Michel Basquiat (1960-1988), avaliada entre US$ 8 milhões e US$ 12 milhões, e uma escultura romana em mármore, chamada genericamente de "Togatus Romanus", cujo preço pode variar de US$ 600 mil a US$ 900 mil, segundo especialistas consultadas pela massa falida do banco.
O Banco Santos quebrou em 2005, deixando um rombo de R$ 3,4 bilhões.
Vanio Aguiar, que administra a massa falida, disse à "Folha de S. Paulo" que o governo americano já recuperou outras 90 obras do ex-banqueiro e deve devolvê-las em quatro meses.
As duas obras recuperadas foram colocadas à venda nos EUA por uma empresa, a Wailea, cujo controle é atribuído a Edemar, segundo Aguiar.
Todas as obras devem ser leiloadas por Christie's ou Sotheby's, as principais casas de leilão do mundo. Os valores serão usados para cobrir a dívida que Edemar deixou com os credores. Por isso, o Basquiat e a escultura romana ficaram em Nova York.
A expectativa da massa falida é recuperar US$ 30 milhões com a venda das obras.
Outras três obras importantes que já haviam sido recuperadas (Roy Lichtenstein, Torres-García e Serge Poliakoff) também serão vendidas. A casa, que também vai a leilão, está avaliada em US$ 118 milhões.
A recuperação
As obras foram recuperadas pelo FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, depois que duas reportagens da "Folha de S. Paulo", publicadas em 2006, revelaram que as obras mais caras da coleção de Edemar haviam sumido. A reportagem partiu de uma foto de Edemar justamente com a tela de Basquiat, publicada numa reportagem da revista "IstoÉ Gente", de 2004.
Uma perícia feita após a reportagem apontou que faltavam pelo menos 17 trabalhos da coleção, entre as quais os mais caros, como uma escultura de Henry Moore (1898-1986) que havia sido comprada por US$ 1,475 milhão.
Só para comparar: Edemar havia pago US$ 825 mil pelo Basquiat há mais de uma década. Nesse período, o mercado de arte passou por uma forte alta de preços.
Investigadores internacionais descobriram que o sumiço era maior: mais de cem obras haviam desaparecido.
Edemar sempre negou que tenha retirado as obras do Brasil para evitar o confisco pelos credores do banco.
Ele não foi localizado para comentar a recuperação.
Condenado a 21 anos de prisão, o ex-banqueiro teve a pena anulada pelo Tribunal Regional Federal por erros processuais: advogados de outros réus não puderam fazer perguntas a Edemar, como determina a lei.
O juiz federal que cuidou do julgamento, o atual desembargador federal Fausto Martin de Sanctis, disse que foi o próprio Edemar que pediu para não ser arguido pelos outros advogados.
|
Texto de Mario Cesar Carvalho originalmente publicado no caderno "Mercado" do jornal "Folha de S. Paulo" | 19/06/15.

A guerra dos Clark | 2015

Herdeiros disputam o espólio de Lygia Clark e ameaçam o legado de uma das maiores artistas brasileiras. Leia o artigo de Consuelo Dieguez originalmente publicado na revista Piauí de junho de 2015. +

Às onze da manhã do último 16 de dezembro, quatro carros deixaram o Tribunal de Justiça no Centro do Rio de Janeiro e rumaram para a Zona Sul, com destinos diferentes. Um oficial de Justiça e dois advogados do escritório de Sergio Bermudes, dentre os mais renomados da cidade, ocupavam cada veículo. Se fosse uma gincana, a missão do grupo seria Caça ao Tesouro.
Aqueles homens tinham autorização judicial para recolher, em quatro endereços nobres, as obras – esculturas, quadros, estudos, diários, escritos e o que mais houvesse – que encontrassem de Lygia Clark. Artista brasileira cultuada e valorizada no mercado internacional, uma das expoentes do neoconcretismo, a mineira Lygia morreu em 1988, aos 67 anos.
Ao longo do trajeto, o grupo manteve contato por meio do WhatsApp. Era fundamental que chegassem juntos aos locais combinados, para surpreender os moradores e impedir que eles se comunicassem. Ao final do Aterro do Flamengo, o comboio se separou. Um dos carros seguiu em direção a Botafogo, para a Mameluca Design, loja de réplicas em miniatura de obras da artista; dois foram para a Lagoa, e o último rumou para Ipanema. Por volta de meio-dia, quando os grupos já estavam a postos em seus respectivos endereços, os celulares anunciaram que a hora chegara.
O edifício branco da avenida Epitácio Pessoa, com vista para a Lagoa, era o que provocava mais frisson. No apartamento de Alvaro Clark, o filho mais velho de Lygia, a equipe chefiada pelo advogado Marcelo Gonçalves esperava apreender a parcela mais valiosa do acervo. É contra Alvaro que seu irmão, Eduardo Clark, move uma ação para recuperar parte das obras da mãe. O processo se estende a outros herdeiros: a ex-mulher de Alvaro, Sandra Regina Brito, e a filha dos dois, Alessandra Clark, que também é proprietária da Mameluca.
Os advogados contratados por Eduardo pretendiam levar as peças para a casa do cliente, a fim de incorporá-las ao espólio da artista. “Elas nunca poderiam ter saído de lá”, disse Guilherme Valdetaro, advogado de Eduardo. Vinte e sete anos haviam se passado desde a morte de Lygia, e nunca se fizera um inventário dos bens. Até aquele momento, os herdeiros negociavam o legado livremente.
Quando a artista morreu, as obras foram divididas de modo informal entre seus três filhos: a primogênita Elizabeth, que já faleceu e deixou dois filhos; Alvaro, hoje com 70 anos; e Eduardo, com 68. Além dos filhos de Elizabeth, Lygia teve mais quatro netas, mas elas não são herdeiras diretas do espólio, que pertence a Alvaro, a Eduardo e aos filhos da primogênita. Ao mover a ação contra o irmão mais velho, sua ex-mulher e a filha deles, Eduardo alega ter sido ludibriado. Acusa o irmão de ter se apossado irregularmente de parte do patrimônio, como centenas de estudos – os esboços em papel que Lygia fazia para suas obras – cuja existência ele ignorava.
À época da morte da artista, o valor das obras no mercado não era tão expressivo. Hoje uma escultura dela chega a ser negociada por mais de 2 milhões de dólares. Os quadros seguem o mesmo padrão, enquanto os estudos estão sendo comercializados por até 250 mil dólares cada.
Ao tomar conhecimento de que no ano passado o irmão vendera alguns dos desenhos por uma pequena fortuna, Eduardo foi atrás de seu quinhão. Entrou em contato com Alvaro, que reagiu dizendo que os estudos lhe pertenciam. Teve início uma disputa fratricida, da qual emergiu a inimizade latente entre os irmãos e que contaminou toda a família. Os envolvidos trocam e-mails virulentos – em meio a acusações mútuas, é comum o tom subir e o nível baixar.
A relação complicada entre Eduardo e Alvaro remonta à infância. Viviam às turras desde pequenos, afastaram-se de vez na adolescência. Só voltaram a ter contato por causa da herança. A história poderia se encerrar aí – mais um caso de desinteligência familiar –, não fosse Lygia Clark uma das mais importantes artistas brasileiras de todos os tempos. A briga dos herdeiros deixa de cabelo em pé galeristas, marchands e colecionadores, preocupados com o valor e a comercialização das obras. Mais do que isso, é um patrimônio da cultura brasileira que está sob ameaça.
Alvaro Clark é um homem alto, magro, de cabelos grisalhos. Fala de maneira arrastada, carregada de esses e erres, típica dos cariocas. Naquele 16 de dezembro, os advogados e o oficial de Justiça o encontraram descalço, trajando uma bermuda preta e uma camiseta azul-marinho. E assim o herdeiro permaneceu durante o tempo em que estiveram em seu apartamento. Segundo um dos presentes, ao longo de nove horas ele consumiu três garrafas de champanhe.
À medida que o tempo passava, a tensão aumentava. Alvaro não desgrudava do celular, falando a todo instante com seu advogado, Edison Balbino, que tentava reverter a apreensão. Enquanto isso, o apartamento era revistado. No armário de um dos quartos, os advogados encontraram os estudos guardados em pastas de plástico. Levaram o material até a sala, onde já havia outras obras. Quando tomavam providências para embarcá-las num caminhão de mudança, Alvaro fez uma exigência: o material só sairia dali em um veículo da Fink, empresa especializada em transporte de objetos de arte. E ainda reivindicou a presença de um museólogo para acompanhar tudo. Providenciaram um.
O herdeiro então apelou, anunciando a um assustado oficial de Justiça que aquelas obras valiam milhões de dólares. Se alguma fosse danificada, ele exigiria reparação. Precavido, o oficial ligou para o juiz, e dele ouviu que as peças deveriam ser acondicionadas em caixas de papelão. Seriam todas lacradas e deixadas em custódia no próprio apartamento. Até a conclusão do processo não poderiam ser transferidas ou retiradas das embalagens.
Acertado o procedimento, o oficial pediu para ver as obras, a fim de inventariar o conteúdo a ser lacrado. Nova discussão. De acordo com os presentes, Alvaro não permitiu que as pastas fossem abertas, alegando a fragilidade dos papéis, que correriam o risco de rasgar caso não fossem manuseados por um especialista devidamente paramentado com luvas e máscara. Diante da eventualidade de ser acusado de destruir obras de arte, o oficial de Justiça capitulou e as duas caixas foram lacradas sem que ninguém, exceto Alvaro, soubesse o que havia dentro delas.
Nos outros endereços, as equipes de busca enfrentavam problema semelhante. No apartamento de Sandra, a ex-mulher de Alvaro, foi possível fazer um levantamento exato do que havia. Lá, as obras se encontravam em um armário trancado com cadeado. Eram seis e meia da tarde quando as peças começaram a ser listadas: um total de 38, sendo catorze quadros e uma escultura, protegidos por embalagens acrílicas, e 23 desenhos acondicionados em pastas plásticas. Todas foram lacradas em caixas de papelão, conforme a ordem judicial, e deveriam permanecer no local. O mesmo se deu na casa e na empresa de Alessandra, a filha de Alvaro e Sandra. Por volta das nove da noite, os advogados, de mãos abanando, deixaram os endereços.
Apesar da missão frustrada, pelo menos a decisão de manter o material a salvo confortou os advogados de Eduardo Clark. No final de dezembro, porém, o juiz levantou a interdição e devolveu a propriedade a Alvaro, Sandra e Alessandra. Os advogados recorreram. Em março, um desembargador revogou a decisão e autorizou a apreensão das obras. Quando mais uma vez se preparava a operação, uma contraordem judicial suspendeu tudo novamente. Em abril, nova decisão judicial estabeleceu que o trio não poderia vender os bens certificados. Não se sabe, porém, o que Alvaro, Sandra e Alessandra fizeram das obras. Ninguém garante que elas ainda estejam nos mesmos endereços ou que não tenham sido passadas para a frente antes das últimas decisões judiciais.
A briga familiar e o vaivém da Justiça em torno do espólio de Lygia Clark são exemplos do descaso que cerca a produção de muitos artistas de peso no Brasil. Difícil imaginar peças de Mondrian ou Calder, por exemplo, circulando de armários para salas, sendo embaladas em caixas de papelão e lacradas, e então deslacradas e outra vez manuseadas, sem que a família e a Justiça se entendam. Em 2009, praticamente todo o acervo de outro grande artista, Hélio Oiticica, contemporâneo e amigo de Lygia, foi danificado num incêndio acidental na casa de um dos herdeiros, que com autorização judicial o havia retirado da Fundação Hélio Oiticica, vinculada à Prefeitura do Rio.
Eduardo Clark entrou com a primeira ação contra o irmão já em 2008, alegando apropriação indébita de obras. Desistiu do processo após um acordo familiar. No ano passado, voltou à carga – afirmando ter descoberto que continuava sendo lesado.
Em meados de março me encontrei com ele. Eduardo vive com a terceira mulher, Cristiane, e a vira-lata Soraya, num bucólico condomínio de classe média-alta no bairro do Itanhangá, no Rio. A casa é cercada por uma espaçosa e acolhedora varanda com vista para a piscina e o jardim, cuja manutenção, por falta de recursos, é feita pelo casal.
Acomodado numa poltrona, Eduardo Clark, um homem bronzeado, de cabeleira farta e expressão relaxada, um legítimo representante da geração que viveu o desbunde dos anos 70, deu sua versão da história. Não sem antes fazer considerações demolidoras sobre o irmão. “O Alvaro é um ladrão. Sempre foi. Roubava até no jogo de pôquer quando era jovem”, disse, com uma falta de cerimônia desconcertante. E foi além. “Ele é meio psicopata, não tem remorso. Isso tudo é acentuado pelo fato de beber e fumar maconha o dia inteiro. O acervo da minha mãe está sob a responsabilidade de um alcoólatra, um cafajeste, um desequilibrado. Essa é a verdade.”
Feita a introdução sobre o caráter do irmão, seu pensamento retrocedeu ao dia 25 de abril de 1988, quando Alvaro lhe telefonou anunciando a morte de Lygia, vítima de um fulminante ataque cardíaco. Após o enterro, os três irmãos – Elizabeth ainda era viva –, com seus respectivos cônjuges, se reuniram na casa da mãe para discutir a herança. Lygia morava num apartamento espaçoso em Copacabana, na esquina da Prado Júnior com a avenida Atlântica. Foi feita uma partilha informal, cada filho escolheu as obras que queria. Nem lhes passou pela cabeça providenciar um inventário.
Eduardo conta que nesse mesmo dia, efetuada a divisão, Alvaro apareceu na sala com uma pasta portentosa – disse serem desenhos preparatórios, sem valor pecuniário, que ele mandaria para avaliação. Os estudos poderiam constar de uma futura associação que pensavam criar para preservar a memória da mãe. Segundo Eduardo, como ninguém contestou, o irmão ficou com o material, prometendo trazê-lo de volta. Foi a última vez que Eduardo viu aquela pasta.
Passados alguns dias da morte da artista, o apartamento foi posto à venda. Antes que os corretores entrassem, Paulo Herkenhoff, então curador do Museu de Arte Moderna, o MAM, no Rio de Janeiro, e o crítico de arte Luciano Figueiredo, amigo de Lygia de longa data, receberam autorização da família para levar ao museu alguns trabalhos – além de cadernos, diários, escritos e outros objetos pessoais que haviam sido desprezados pelos herdeiros. A ideia era catalogá-los, estudá-los e, futuramente, expô-los.
Quando morreu, Lygia dizia ter abandonado a arte havia mais de uma década. Ela mesma decretara o fim de sua vida artística e anunciara a dedicação a uma nova atividade. Mesmo sem formação profissional especializada, a partir dos anos 70 passou a tratar de pacientes com distúrbios psicológicos. Desenvolvera uma técnica terapêutica a partir de materiais confeccionados por ela, os chamados “objetos relacionais”. Eram máscaras, pedras, sacos, óculos e uma série de outras peças com as quais seus pacientes interagiam. Lygia não admitia que esses objetos fossem apreciados como obras artísticas. Para ela, não passavam de instrumentos terapêuticos. A despeito de seu desejo, muitos críticos continuam a se debruçar com curiosidade estética sobre essa “arte sensorial”.
Assim que as peças retiradas do apartamento de Lygia chegaram ao MAM, Herkenhoff e Figueiredo se puseram a discutir a melhor forma de trabalhar aquele acervo. Antes de expô-lo, era preciso compreender como ela o utilizava. Concluíram que a pessoa indicada para levar adiante essa pesquisa seria Lula Wanderley, um psiquiatra pernambucano que trabalhara por muito tempo com Lygia Clark, e durante anos também fora assistente da psiquiatra Nise da Silveira.
A doutora Nise, que chegou a ser aluna de Carl Jung nos anos 50, era radicalmente contrária às técnicas convencionais e em geral agressivas de tratamento das doenças mentais. Julgava que o confinamento em hospícios era análogo à experiência dos campos de concentração. Opunha-se também a eletrochoques e recursos similares ministrados a rodo, muitas vezes como punição aos pacientes. Para combater essa cultura médica, Nise da Silveira passou a desenvolver no hospital psiquiátrico do Engenho de Dentro, no subúrbio carioca, um novo tipo de tratamento, conhecido como terapia ocupacional.
Em 1957, num congresso de psiquiatria em Zurique, na Suíça, Nise apresentou pinturas e modelagens de seus pacientes esquizofrênicos, uma mostra que teve grande repercussão no meio médico. Ela já havia criado em 1952 o Museu de Imagens do Inconsciente, onde eram expostas obras dos internos do hospital. Por meio da manifestação artística, ela dizia ser possível compreender o universo do esquizofrênico.
Muitos desses trabalhos revelaram considerável valor estético, o que levou a psiquiatra a se unir ao amigo e crítico de arte Mário Pedrosa em torno de um livro com as obras dos internos. Lula Wanderley trabalhava com a dupla. “Nise observava os trabalhos pelo lado sensorial, o Mário pelo lado artístico, e eu ficava segurando as obras enquanto eles discutiam quais seriam publicadas”, contou Wanderley, rindo. “Foram meses de trabalho e eu acabei compreendendo os benefícios terapêuticos de unir a arte ao tratamento psiquiátrico.”
Lula Wanderley é um homem de voz e temperamento suaves. Num começo de noite, em março passado, nos encontramos numa livraria em Botafogo. Ele vinha do trabalho – um projeto com doentes mentais, no Espaço Aberto ao Tempo, também no Engenho de Dentro. Wanderley trata de pacientes acometidos de doenças mentais graves, como esquizofrenia, catatonia, depressão profunda e outros terrores da mente. Sua aproximação com Lygia Clark se deu justamente em razão de suas técnicas terapêuticas. Ao tomar conhecimento de que a artista desenvolvia um trabalho alternativo, ele, curioso, pediu para se submeter à prática.
A técnica de Lygia Clark, sem base científica, é de difícil definição. Os pacientes, com os olhos vendados, deitavam num colchão de plástico recheado com bolinhas de isopor. Sobre seus corpos, Lygia dispunha os objetos relacionais – pedras, pequenas esculturas, máscaras, teias feitas de tecido e o que ela considerasse útil para a terapia. Cada um reagia de um modo. “Era uma espécie de vivência corporal. Vinham sonhos arcaicos, lembranças, sensações de medo ou prazer”, explicou Wanderley. “Era como se o corpo revelasse, através de suas reações, o que estava registrado no inconsciente e não era comunicado de forma verbal.” Depois de um tempo, Lygia pediu a Wanderley que abandonasse o tratamento e a ajudasse com sua técnica, o que ele fez até o final da vida da artista. Hoje ele emprega algumas dessas técnicas no atendimento a seus pacientes.
As lembranças que tem de Lygia são de uma mulher forte e exuberante, embora franzina de compleição. Diz que seu apartamento, na Prado Júnior, era de extremo bom gosto. Ela havia pintado um dragão chinês no teto da sala e pusera uma rede embaixo, para que pudesse ser admirado. A casa costumava encher de amigos, ainda que o temperamento da anfitriã fosse bastante inconstante. A artista não tolerava, por exemplo, que comentassem tragédias. Certa vez o amigo e escultor Sergio Camargo resolveu desfiar as mágoas. Mal abriu a boca – “Lygia, você não sabe o que me aconteceu” –, e ela, com um cigarro nos lábios, reagiu: “Sergio, ponha-se daqui para fora. Não me fale em desgraça. Saia e só volte quando estiver bem”, contou Lula Wanderley, às gargalhadas. Em outra ocasião, um amigo levou um frango para o jantar. Assim que o provou, Lygia sentenciou: “Este frango está podre. Você o roubou de algum trabalho de macumba.” O jantar acabou ali.
Ao receber o convite de Herkenhoff para ajudar na catalogação do acervo da artista no MAM, Wanderley titubeou. “Éramos muito ligados e temia que fosse uma experiência dolorosa.” Acabou concordando e, durante quatro anos, analisou e organizou todos os escritos e objetos relacionais utilizados na prática terapêutica, para que o público pudesse conhecer essa outra faceta da artista.
Lygia Clark iniciou sua vida artística relativamente tarde, aos 27 anos. Filha de uma tradicional família mineira, tinha 18 anos quando se casou com um próspero engenheiro e se mudou para o Rio. Levava a vida que se esperava de uma mulher de classe média-alta da sua época. Em 1947, começou a ter aulas com o pintor e paisagista Roberto Burle Marx, dando curso ao gosto pelo desenho que alimentava desde criança, até então sem pretensões. Mudou-se para Paris em 1950, com os filhos ainda pequenos, na companhia do marido (o casamento, já em crise, terminaria oficialmente três anos depois). Lá estudou com Fernand Léger, entre outros, fez a sua primeira exposição individual no Institut Endoplastique, e voltou ao Rio em 1952. Nessa época, entregue à pintura com intensidade avassaladora, costumava ter crises de choro, dizendo aos gritos que não tinha nada de novo para oferecer ao universo das artes plásticas, que tudo já havia sido imaginado e executado por gerações anteriores.
A carreira de Lygia Clark, na verdade, estava apenas começando. E a geração a que pertenceu protagonizou um dos capítulos mais importantes da arte brasileira moderna. O concretismo, do qual participaram nomes como Hélio Oiticica, Lygia Pape, Franz Weissmann e Amilcar de Castro, entre outros, foi um guarda-chuva amplo que abrigou adeptos da linguagem geométrica e não figurativa, que procuravam pensar seus trabalhos a partir da nova ordem espacial pregada pela Bauhaus, do neoplasticismo de Mondrian, das vertentes construtivistas que vicejaram na Europa na primeira metade do século XX.
Numa década marcada pela euforia desenvolvimentista e pela promessa de uma modernidade tangível – que a construção de Brasília sintetizava tão bem –, o movimento concreto veio desafiar a geração de Candido Portinari, Di Cavalcanti e Lasar Segall, figurões que ainda dominavam o ambiente das artes plásticas no país, e cuja obra se prendia à ideia de brasilidade e busca de uma identidade nacional.
Na sua expressão mais radical, a arte concreta pretendia fazer de cada artista um projetista visual e de cada obra um protótipo (nada de gesto único, pincelada, traço irreprodutível, abaixo o romantismo da criação). Foi essa a cara que o movimento adquiriu em São Paulo, em grande medida por influência do designer, artista e arquiteto suíço Max Bill, oriundo da Bauhaus e premiado na 1ª Bienal de São Paulo, em 1951.
Em 1956, por iniciativa dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos e de Décio Pignatari, armou-se a 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta. E então eclodiram as diferenças entre os grupos paulista e carioca. Escrevendo sobre a exposição, o crítico Mário Pedrosa observou que os paulistas eram mais teóricos e dogmáticos, enquanto os cariocas eram mais intuitivos e empíricos. O grupo de São Paulo acusava o carioca de distorcer ou afrouxar as diretrizes do movimento, a ponto de Waldemar Cordeiro dizer que esses últimos não eram verdadeiramente concretos, uma vez que “até marrom” usavam em seus trabalhos.
As divergências evoluíram para uma dissidência. Em 1959, coube a Ferreira Gullar escrever o Manifesto Neoconcreto, inspirado na sugestão de Lygia Clark de fazer uma nova exposição do grupo carioca. No texto, os artistas afirmam: “Não concebemos a obra de arte nem como máquina nem como objeto.” E restauram o direito de cidadania de uma arte ligada “a uma significação existencial, emotiva e afetiva”. “Se tivéssemos que buscar um símile para a obra de arte”, diz o manifesto, iríamos encontrá-lo “nos organismos vivos”.
O crítico Ronaldo Brito dedicou parte de sua vida intelectual à compreensão do neoconcretismo. Professor do programa de pós-graduação em história social da cultura, ele me recebeu em sua sala apertada, abarrotada de livros, no 5º andar do Departamento de História da PUC carioca. Espremido entre sua mesa e uma estante, Brito discorreu sobre a passagem da arte concreta para o neoconcretismo. O objetivo final do concretismo seria a inserção da arte no cotidiano industrial, no puro design. E foi justamente contra esse caráter anti-subjetivo que o grupo liderado por Lygia Clark se rebelou.
O concretismo, no entanto, explicou o crítico, permaneceria como a base do trabalho do grupo. Continuaram utilizando os mesmos materiais: ferro, metal, alumínio. Mas as obras daí resultantes são completamente distintas. Ganharam formas orgânicas, arredondadas ou recortadas, como nas esculturas de Amilcar de Castro, feitas com ferro corroído. A questão central não era mais a organização do campo visual, mas a relação entre corpo e espaço.
Na série Bichos, dessa época, Lygia usa planos de alumínio articulados por dobradiças que se combinam pela ação do espectador, que passa a participar da obra, em vez de simplesmente contemplá-la. A artista, que já havia abolido a moldura de seus quadros, dali em diante sempre caminharia como se testasse os limites da arte, radicalizando-a – e acabou por dissolvê-la nos anos 70, quando passa a chamar o que faz de terapia. “Ela ansiava por uma relação corpórea do espectador com a arte”, disse Brito.
O artista plástico e escritor Nuno Ramos escreveu, num ensaio publicado pela Piauí, que obras como Bichos e Caminhando (trabalho de 1964, em que a autora se propõe a abrir com uma tesoura um anel de Moebius) “fazem de Lygia Clark, para sempre, uma espécie de bruxa fundadora da arte brasileira contemporânea, em seus dilemas e riquezas”. Esses trabalhos, prossegue, “são abertos demais, instáveis demais, inquietos demais – tudo, depois deles, parece possível, e a energia dessa disponibilidade ainda ecoa em todos nós, artistas brasileiros contemporâneos”.
O envolvimento de Lygia com seu trabalho foi tão intenso que embananou seus vínculos familiares e praticamente arruinou sua vida financeira. Eduardo Clark contou que, na separação, a mãe recebeu dezenas de imóveis do marido, que seriam sua fonte de renda. Para sustentar sua arte, ela foi vendendo um por um. Acabou por se desfazer até de um piano que adorava – e lhe permitia inventar melodias logo esquecidas.
A Lygia só restaria o amplo apartamento dos pais, na Prado Júnior, onde morava com os filhos. Lá, instalara seu ateliê num quarto grande, verdadeira oficina. “Ela dispunha de máquinas para serrar compensado, serrar chapas de alumínio e fazer dobradiças, além de bisturis e pistolas de pintura”, lembrou o caçula. A força dispendida na confecção das esculturas resultou numa deformidade dos membros superiores. “Um braço parecia uma garra de caranguejo, arqueado, duro, musculoso; o outro permaneceu fino, feminino”, contou o filho.
Com pouco dinheiro e sem muita disponibilidade para cuidar das crianças no dia a dia, Lygia enviou os filhos para a casa de seus pais, em Belo Horizonte. A primeira a viajar foi Elizabeth, que tinha com Alvaro um relacionamento particularmente conturbado – uma vez ele chegou a atirar um cinzeiro na cabeça dela. Logo foi a vez de Alvaro ir viver com os avós. Como tinha o temperamento rebelde, mandaram-no para um rígido colégio interno. O último a trocar o Rio por Minas foi Eduardo. O abandono materno, ele confessa, deixou marcas nos três irmãos. “Foi tudo muito traumático. Além de estarmos longe da nossa mãe, ainda sofríamos com o estigma de sermos filhos de pais separados.”
Ao completar 14 anos, no início dos anos 60, Eduardo voltou a morar com a mãe. Suas lembranças desse tempo não são muito felizes. Um dia mãe e filho foram ao cinema. O protagonista do filme era um psiquiatra que tratava de criminosos no corredor da morte. Um deles era um pedófilo, assassino de crianças. Assustado, Eduardo diz que caiu no sono como maneira de se proteger. E pôs-se a roncar. “Minha mãe não se comoveu. Simplesmente levantou-se e foi procurar um assento de onde pudesse assistir ao filme sem ser incomodada.”
Eduardo foi o único dos filhos a trabalhar com ela no ateliê. “Lembro-me dos talhos profundos em seus dedos, provocados pela régua de metal e pelo bisturi que usava para cortar as placas e o compensado. Dos vômitos matinais, de cor negra, por causa do uso de tinta automotiva”, contou, como se ela travasse uma batalha cotidiana.
Um dos momentos que o marcaram, no entanto, foi quando a mãe recebeu o prêmio de melhor escultura nacional da 6ª Bienal de São Paulo, em 1961. “Quando ela ganhou o troféu, tratou logo de exibi-lo ao pai, em Belo Horizonte”, disse. Ele era um sujeito conservador e pragmático, que desdenhava da arte da filha. “Meu avô dizia que aquilo não era arte, que qualquer funileiro podia fazer o que ela fazia. Ela foi lá só para esfregar o prêmio na cara dele. Depois virou as costas e saiu.”
Em 1973, o crítico Ronaldo Brito começava sua carreira assinando uma coluna no jornal Opinião. Foi quando conheceu Lygia Clark. “Nessa época, ela dizia que não era mais artista e não admitia ser chamada como tal. Para ela, essa era uma fase encerrada”, contou. “O que a interessava era seu trabalho como terapeuta.” Na década de 60, ela obtivera reconhecimento internacional. O conceituado crítico e curador inglês Guy Brett, entusiasta dos neoconcretistas brasileiros, promoveu exposições de alguns desses artistas na galeria Whitechapel, em Londres. Nos anos 70, porém, apesar do sucesso obtido na década anterior, as obras de Lygia Clark haviam praticamente caído no esquecimento.
Quando Brito decidiu escrever sobre o movimento neoconcreto, teve dificuldades em encontrar as obras da artista. “As pessoas tiravam esculturas de Lygia Clark debaixo da cama, do fundo de um armário, para serem fotografadas”, recordou. “Naquela época, o neoconcretismo não valia mais nada. Não tinha nenhuma dimensão pública.” O livro de Brito – Neoconcretismo: Vértice e Ruptura do Projeto Construtivo Brasileiro – foi lançado no início dos anos 80, pela Funarte. Anos depois – Lygia já havia morrido –, acabou se transformando numa referência internacional sobre o movimento.
No inverno europeu de 1997, a arte de Lygia Clark voltou à cena mundial, com uma enorme retrospectiva de sua obra organizada pela Fundació Antoni Tàpies, de Barcelona. A exposição abrangia o início de sua carreira, nos anos 50, até a fase dos objetos relacionais. Foi um sucesso de público e de crítica. Em seguida, a mostra seguiu para Marselha, na França, onde permaneceu por um ano. Depois foi para o Porto, Bruxelas e Rio. “Quem sempre achou que arte brasileira era uma coisa meio Carmem Miranda, espalhafatosa, se surpreendeu ao ver o preto e branco, o minimalismo, a contemporaneidade de Lygia”, explicou Ronaldo Brito.
Depois desse reconhecimento, a família mudaria a forma de se relacionar com o trabalho da artista. A preocupação com a questão bem objetiva do dinheiro por parte dos herdeiros era muitas vezes prejudicial à divulgação da obra.
A primeira evidência disso se deu no relançamento do livro de Ronaldo Brito, pela Cosac Naify. Quando, em 1999, a editora decidiu reeditar a obra, foi imediatamente procurada por Alvaro Clark, interessado em discutir o pagamento de direitos de uso de imagem. Segundo Brito, Alvaro passou a fazer reivindicações descabidas. “Pelo que a editora me disse à época, ele pedia um valor abusivo pela reprodução de fotos das obras.” A Cosac não concordou com o montante, entrou na Justiça e ganhou a causa. “É comum e justo os familiares cobrarem pelo uso de imagem”, explicou Brito. “Só que esses valores têm um parâmetro internacional, sobretudo quando se trata da reprodução em livros de estudo.”
De lá para cá, o relacionamento da família com o mercado de arte esteve quase que permanentemente envolvido em disputas judiciais. Os curadores de museus são os primeiros que se ressentem das investidas de Alvaro. Uma das confusões ocorreu em 2000, numa mostra coletiva dos trabalhos dos neoconcretos, no museu do Paço Imperial, no Centro do Rio. Era um evento de peso: pela primeira vez, em décadas, o público teria contato com o conjunto do trabalho desses artistas, muitos deles desconhecidos das novas gerações. Os organizadores prepararam um catálogo informativo com fotos dos autores e suas obras. A família Clark exigiu uma soma tão disparatada para a cessão do uso de imagem que o museu desistiu de reproduzir o trabalho de Lygia. Ao lado da foto da artista, havia uma reprodução coberta por uma tarja preta.
Em 2001, com o propósito de proteger e administrar os direitos referentes à obra da artista, os herdeiros criaram a associação O Mundo de Lygia Clark, cujo título foi emprestado de um filme que Eduardo dirigiu em 1973. A Alvaro coube a presidência; a Eduardo, a vice-presidência. Os dois filhos da primogênita falecida também integrariam a associação. A iniciativa foi considerada bem-vinda, pois as peças haviam ficado abandonadas por muito tempo e era fundamental que se procedesse ao levantamento do acervo. Também havia um grande problema a ser resolvido: como a artista não assinava seus trabalhos, seria necessário criar uma certificação que garantisse a autenticidade das peças tanto aos futuros compradores como aos detentores de algum trabalho de Lygia.
Kissla Clark, a neta mais velha da artista, é filha do primeiro casamento de Alvaro (ele está no terceiro). Ao contrário da avó, pequena e morena, ela é uma mulher alta, loura, de grandes olhos verdes. Como a avó, porém, também é dona de uma personalidade exuberante.
Sua relação com o pai é conflituosa. As poucas tentativas de reconciliação resultaram em brigas e duras trocas de acusações. Ela não aprova as exigências que ele faz para que se divulgue a obra da avó. “Ele tem que entender que Lygia é do mundo. Não é propriedade dele”, reclamou, numa tarde recente, durante uma conversa na Gávea, no ensolarado apartamento que divide com o marido e três gatos. “Isso é um desserviço para a cultura do país e um desrespeito às novas gerações, que não conhecem o trabalho dela”, argumentou.
Ela reconhece, porém, que a associação O Mundo de Lygia Clark teve um papel importante nos primórdios da sua atuação. “A certificação das obras limpou o mercado de muitas falsificações”, falou. “A partir daí, no entanto, a associação, por causa do comportamento mesquinho do meu pai, acabou sendo vista como uma turma de encrenqueiros que tinha como único objetivo tirar vantagem em cima do trabalho da minha avó.”
Em 2004, a entidade decidiu recuperar as peças que a família havia cedido ao MAM por ocasião da morte da artista. A briga foi parar na Justiça. Era a primeira causa que o advogado Gustavo Martins de Almeida, especializado em direitos autorais, representava contra Alvaro Clark e a associação. Numa tarde de março, em seu escritório, Martins rememorou o caso, dispondo sobre a mesa, como um aide-mémoire, uma pilha de documentos.
Tudo começou quando Alvaro requisitou a Paulo Herkenhoff, então curador do MAM, a devolução de todas as peças e documentos retirados da casa da artista. “Eram diários, escritos e alguns objetos relacionais”, contou o advogado. Não haveria nada de absurdo no pedido, não viesse ele acompanhado de uma multa e da exigência de um pagamento retroativo, referente ao aluguel de cada dia em que os objetos ficaram sob custódia do museu. “Era uma coisa tão estapafúrdia que no final a associação acabou fazendo um acordo”, contou Martins. “As obras foram devolvidas sem nenhum ônus para o MAM.”
Na perspectiva do museu, os documentos eram fundamentais para preservar a memória da artista. Para os herdeiros, uma fonte de dinheiro. Entre o material havia cadernos nos quais Lygia registrava a autorização de que fossem feitas até seis versões de cada escultura. A última seria de propriedade dos herdeiros. Para se chegar a essa sexta e derradeira versão, porém, primeiro era necessário saber quantas versões de cada uma já haviam sido executadas. Não se pode ultrapassar o número estipulado pelo artista: além desse limite, a peça vira cópia e perde valor. E mais: se o mercado suspeitar que estão sendo produzidas obras fora do número estabelecido, a reputação do artista no mercado pode despencar. Como a associação exigia que proprietários de trabalhos de Lygia certificassem as peças, seria possível aferir quantas estavam no mercado e quantas versões haviam sido feitas de cada uma. “Essa certificação é muito importante”, disse o advogado Gustavo Martins. “O que eu questiono é a forma como ela é feita.” Na França, por exemplo, existe um sindicato com especialistas que atestam a veracidade de cada obra após estudos pormenorizados. No caso da associação O Mundo de Lygia Clark, quem atesta a autenticidade é Alvaro, a ex-mulher e a filha deles.
O Museu de Arte Contemporânea, MAC, em Niterói, é um dos últimos projetos monumentais do arquiteto Oscar Niemeyer, morto em 2012, aos 104 anos. O prédio redondo e envidraçado dá a impressão de uma nave espacial pousada sobre a Baía de Guanabara. Entre outras, ele abriga uma das maiores coleções particulares de artistas brasileiros modernos e contemporâneos, de propriedade do empresário João Sattamini. O colecionador começou a adquirir obras de artistas brasileiros dos anos 50 e 60, mal tinham entrado em cena. Dono, provavelmente, do maior acervo de Lygia Clark do país, Sattamini – e com ele o MAC – tem com Alvaro Clark e a associação uma relação para lá de conturbada.
Luiz Guilherme Vergara, curador do museu desde sua abertura, em 1996, é um homem simpático e inquieto. Estava em sua sala de trabalho, atordoado com uma série de problemas, num final de tarde de março. O ar-condicionado do museu pifara e a entrada do público havia sido vetada, dado o calorão naquele finalzinho de verão. Essa, no entanto, talvez fosse sua menor dificuldade. O museu transpirava decadência: carpete sujo e rasgado, paredes com vazamentos, pintura desgastada, instalações elétricas arruinadas, quase ninguém circulando. Sattamini ameaçou levar seu acervo para outra instituição disposta a abrigá-lo em condições melhores. Diante da promessa da prefeitura de reformar o local, concordou em esperar mais um pouco.
O abandono do prédio, porém, nada tem a ver com as desavenças entre Sattamini e os Clark. A briga começou em 2006, quando uma exposição com obras de Lygia seria montada para comemorar os dez anos do MAC. “Eu tive uma ótima conversa com a Sandra e a Alessandra, e combinamos que faríamos uma longa linha do tempo com a história da artista”, contou Vergara. “Estava tudo preparado quando, na véspera da abertura, a associação O Mundo de Lygia Clark exigiu que pagássemos pelas fotos que estariam expostas.” Como os valores eram muito altos, o museu se recusou. A linha do tempo precisou ser coberta por uma enorme tarja preta. O visitante podia ver as obras expostas, mas não tinha como entender a trajetória da artista. “Foi uma indignidade”, reclamou Vergara. “Eles haviam concordado com tudo e mudaram de ideia na última hora.”
Alvaro voltou a entrar em conflito com o MAC no final do ano passado, quando tentou, sem sucesso, embargar a mostra “Lygia Clark: Tudo que é Concreto se Desmancha no Ar”.
Por trás dos episódios há um problema maior. A associação não reconhece a coleção de Sattamini porque as obras não foram certificadas. O colecionador se recusa a submeter seu acervo à expertise do grupo. Afirma que não paira dúvida sobre sua autenticidade. Visitei Sattamini na cobertura em que mora, no Jardim Botânico, com uma vista estupenda para as montanhas. Na sala, não há parede ou móvel sem obras de arte. Perguntei-lhe por que se recusava a providenciar a certificação dos trabalhos de Lygia Clark. “A associação e o Alvaro não têm gabarito para fazer essa avaliação. Eu sei que as obras são verdadeiras, independentemente do julgamento da família”, disse. Ele as adquiriu ainda nos anos 60, de marchands qualificados, segundo falou, sem especificar quem eram. “Eu não estou nem aí para esses certificados da associação. Se não quiserem aceitar minhas obras como verdadeiras, problema deles”, desconversou.
Sem o documento, no entanto, a coleção de Sattamini perde boa parte de seu prestígio. No ano passado, o Museum of Modern Art, o MoMA, em Nova York, organizou a mais completa retrospectiva de Lygia Clark das últimas décadas. A exposição foi um sucesso, com um andar inteiro dedicado à artista, apresentando também os objetos relacionais. As peças do colecionador não puderam ser expostas.
Em 2013, o MoMA enviou cartas a diversos colecionadores, inclusive a ele, pedindo a cessão das obras para a mostra. Sattamini obviamente concordou. Para o MAC também seria muito prestigioso ter parte do acervo emprestado ao MoMA. Pouco tempo depois, os curadores americanos, constrangidos, comunicaram ao MAC e ao colecionador que não poderiam exibir as obras.
A exigência para excluir as peças partiu de Alvaro Clark. Segundo Eduardo, o irmão ameaçou processar a instituição americana se o acervo de Sattamini integrasse a retrospectiva. Alvaro chegou a dizer que pediria indenização ao MoMA, caso as obras de sua mãe se desvalorizassem por terem sido apresentadas ao lado de trabalhos falsificados. “Vencemos os tubarões do MoMA”, declarou Alvaro num e-mail que enviou a seu advogado em Nova York.
Expor uma obra no Museum of Modern Art é o sonho de todo artista contemporâneo: dificilmente outra instituição confere tanto prestígio. Dedicar uma exposição a um só artista é o maior atestado de reconhecimento que o museu pode outorgar. No livro O Tubarão de 12 Milhões de Dólares: A Curiosa Economia da Arte Contemporânea, o canadense Don Thompson faz uma irônica e reveladora radiografia mundial do mercado da arte, mostrando como a marca – do ponto de vista do consumidor – serve para definir o valor de um artista. “Quando o MoMA expõe a obra de um artista, ele compartilha uma marca, acrescentando à obra uma aura que o mundo artístico chama de procedência. A marca MoMA oferece tranquilidade ao comprador. Uma obra de arte que foi exposta no MoMA ou fez parte do seu acervo tem um preço maior devido a sua procedência”, explica Thompson em seu livro.
Passagens de primeira classe, almoços e jantares nos melhores restaurantes de Nova York, participação na escolha das fotos do catálogo, comissão sobre as vendas na loja do museu foram fichinha – as exigências dos Clark ao MoMA eram extensas. Pesados mesmo foram os constrangimentos sobre os curadores. Alvaro interferiu até na seleção de especialistas brasileiros que poderiam ou não prestar assessoria à exposição.
Lula Wanderley foi um dos que estiveram no MoMAa pedido do curador da mostra, Luis Pérez-Oramas, um venezuelano radicado nos Estados Unidos, responsável por mostras de artistas latino-americanos. Dada sua experiência com os pacientes, seus e de Lygia, Wanderley foi convidado a participar da organização dos objetos relacionais. Não pôde ficar para o vernissage. “O Luis Oramas, muito sem graça, me chamou de lado e disse que o Alvaro não me queria lá”, contou Wanderley. “Acho que ele tem um pouco de ciúme por causa da relação de amizade que eu tinha com a Lygia. Na verdade, só no fim da vida ela se interessou pelos filhos.”
As dificuldades criadas por Alvaro Clark acabam por atemorizar o mercado expositor. Kissla Clark contou que depois do MoMA a retrospectiva iria para Miami. “Cancelaram por medo que meu pai criasse confusão”, disse ela. O crítico de arte Rodrigo Naves, um dos mais respeitados do país, teme os efeitos do comportamento da família, que pode acabar prejudicando a difusão da obra de Lygia Clark no exterior. “Existem excelentes artistas do mesmo calibre dela pelo mundo. Por que um museu se sujeitaria a expor um artista cuja família cria tantos problemas?”, questionou ele.
O Museu de Arte do Rio, o MAR, inaugurado em março de 2013, rapidamente ganhou relevância no cenário carioca. Seu curador é Paulo Herkenhoff, aquele com quem Alvaro Clark e a associação se indispuseram no passado. Um dos mantenedores do museu é a Fundação Roberto Marinho. Ao final da retrospectiva do MoMA, cogitou-se levar a exposição para o MAR. Hugo Barreto, secretário-geral da fundação, marcou um encontro com os irmãos Clark num restaurante no Leblon.
Eduardo se envergonha ao lembrar aquele dia. “Para começar, Alvaro pediu uma garrafa de champanhe. Derrubou a bebida sobre o prato de queijo e despejou de volta na taça. Ao final, quando deixávamos o restaurante, deu um pontapé no traseiro do Hugo, tentando ser informal, e ainda escreveu um e-mail para ele cujo cabeçalho era ‘chute no traseiro’”, contou. Ninguém comentou nada com a família, mas Eduardo acredita que o comportamento do irmão tenha sido a pá de cal a selar a desistência do museu quanto à retrospectiva. Paulo Herkenhoff não quis falar à Piauí. A assessoria de imprensa do museu justificou o desinteresse da instituição sob o pretexto de que já havia outras exposições programadas.
Por ora, as questões familiares não afetaram o preço das obras. A Sotheby’s –que compõe, com a Christie’s, a dobradinha de ouro das casas leiloeiras do mundo – vem há algum tempo vendendo com sucesso obras de Lygia Clark e de outros neoconcretistas brasileiros, cujo reconhecimento – e preço – no mercado internacional tem aumentado. O diretor do departamento de arte latino-americana da Sotheby’s, Axel Stein, contou que nos leilões da última década os valores passaram de menos de 100 mil dólares para mais de 2 milhões de dólares. Segundo ele, a brasileira atingiu o mesmo patamar de artistas conhecidas, como Frida Kahlo e Leonora Carrington.
Outra mudança significativa, segundo Stein, é a procedência dos compradores. “Há quinze anos, quando os trabalhos dela foram introduzidos em nossos leilões, a maioria dos compradores eram colecionadores particulares brasileiros”, contou. “Hoje, o mercado de arte está globalizado e o resultado é que aumentou o número de compradores internacionais de olho no trabalho dela, de Londres a Los Angeles.” A marca Sotheby’s vale para um artista quase tanto quanto a de museus como o MoMA e o Guggenheim em Nova York, ou a Tate, de Londres. Em seu livro, Don Thompson explica que, na arte contemporânea, proceder da Sotheby’s ou da Christie’s é o componente que mais valor agrega a uma obra. São casas que “indicam status, qualidade e lances dados por celebridades riquíssimas”.
Robert Lacey, em seu livro Sotheby’s – Bidding for Class, registra que “as pessoas dão lances para ter classe, para ter seu gosto chancelado”. O fato é que o mercado de arte brasileiro está se valorizando no mundo. Representante da Sotheby’s no Brasil, Kátia Mindlin Leite Barbosa disse que os neoconcretistas – de um modo geral –, além de artistas contemporâneos, como Beatriz Milhazes e Adriana Varejão, estão ganhando força entre compradores internacionais. Já nomes como Di Cavalcanti e Portinari costumam despertar maior interesse de colecionadores brasileiros.
Com essa explosão nos preços da obra de Lygia Clark, Eduardo tem motivos para reclamar sua parcela. Segundo ele, as obras retiradas do MAM – que deveriam estar na associação – foram parar na casa de seu irmão, ou da ex-mulher e da filha deles.
No final de março, a briga da família começou a virar caso de polícia. O advogado criminal de Eduardo, Fernando Fernandes, contou que seu cliente teve acesso a e-mails de recibos de pagamentos que a Alison Jacques Gallery enviou a Alvaro pela venda, em 11 de dezembro do ano passado, da obra Espaço Modulado, de 1958. Valor: 200 mil dólares, que foram transferidos para contas fora do Brasil. Essa era uma das peças que não constavam da partilha informal efetuada logo depois da morte da artista.
As suspeitas de negócios irregulares não param aí. Em uma troca de e-mail entre a família, Alessandra, a filha de Alvaro, solicita que o pai e o tio parem de usar o nome dela na briga dos dois. E admite que, por causa do pai, sua empresa se transformou numa firma laranja da associação. “Aceitei um pedido de meu pai para que a minha empresa fosse laranja da associação cultural a fim de pagar menos impostos com funcionários usados exclusivamente pela vossa instituição.”
Investiga-se também uma solicitação que Alvaro fez a seu contador, Edirson Bezerra, em Mato Grosso, para providenciar “o nome de vinte compradores com os respectivos CPFs, com recibos no valor de 30 mil reais, ao longo de 2014”. Para os advogados que atuam em defesa de Eduardo, a intenção de Alvaro seria transferir para compradores fictícios obras de arte que a Justiça havia mandado apreender na sua casa, de forma que pudesse alegar, caso tivesse que devolvê-las, que não mais lhe pertenciam. Alvaro Clark se recusou a falar à Piauí, apesar de pedidos insistentes. Disse, por meio de seu advogado, que o caso está na Justiça e que ele só se manifestará ao final do processo.
Nos autos judiciais, Alvaro faz acusações ao irmão. Afirma que Eduardo não tem dinheiro para arcar com os custos do escritório de Sergio Bermudes, que estariam sendo bancados por colecionadores interessados em obter certificados de autenticidade assim que ele assumir a presidência da associação, como pleiteiam os advogados. Para evitar que as expertises sejam distribuídas “indevidamente”, Alvaro destruiu os certificados, fez uma foto dos documentos inutilizados e a anexou ao processo. Com isso, ninguém poderá certificar nenhuma obra sem sua autorização.
No passado, por duas vezes a associação teve problemas com Eduardo. Sob a alegação de que perdera certificados de suas obras, ele requisitou novos, e os obteve. Tempos depois, no entanto, uma galerista de São Paulo enviou à entidade uma obra acompanhada de um dos documentos que supostamente haviam desaparecido. A associação se recusou a validar a obra, o que originou um grande bafafá. Um amigo da família contou que pairava a suspeita de que Eduardo cedera um certificado seu para qualificar uma obra falsa. Eduardo, por seu lado, diz que foi tudo uma trama do irmão. Alega que vendeu uma obra para a galerista Berenice Arvani com um certificado sem validade porque sua ex-mulher tinha roubado todos os seus certificados. Mas afirma que toda a operação de venda foi assinada em cartório. Logo depois, segundo ele, a galeria enviou a obra à associação para que dessem o documento válido. “Era um guache pequeno que nem tinha como falsificar, mas o Alvaro se aproveitou dessa história para me difamar.”
Nos autos, os advogados de Sandra Brito, ex-mulher de Alvaro, também fazem acusações a Eduardo. Depois de aventar a hipótese de que ele seria “um bipolar ou um oportunista”, afirmam que “os motivos que levam Eduardo a vomitar mentiras, difamando os réus e, naturalmente, atingindo e prejudicando a obra e o nome da mãe, são evidentes: falta de dinheiro e excesso de dívidas”.
Para o crítico Ronaldo Brito, a briga em torno da obra de Lygia Clark ilustra um problema mais amplo: “Não temos um patrimônio público de arte brasileira. Com exceção do museu de Iberê Camargo, em Porto Alegre, não temos onde ver nossos artistas”, disse ele. “Onde vamos ver uma boa coleção, bem cuidada, dos neoconcretistas, reunindo obras de Lygia Clark, Sergio Camargo, Hélio Oiticica, Lygia Pape, Amilcar de Castro? Onde temos um museu bom de Goeldi, Volpi, Guignard? Onde temos um bom museu que exponha as obras dos modernistas?”, lamentou.
Rodrigo Naves argumenta na mesma linha: “Precisaríamos ter uma fundação Lygia Clark para mostrar ao mundo a qualidade da obra, e não nos resignarmos a que façam isso por nós nas exposições do exterior.” E complementou: “Infelizmente os Clark não estão preocupados com isso. O que eles fazem é cafetinagem da mãe.”
O que se tem no mercado de artes plásticas brasileiro são boas coleções particulares, inacessíveis ao público. Para Ronaldo Brito, o Masp, principal museu de São Paulo, seria a prova cabal do descaso do país com as artes plásticas. “O Masp, dono de uma coleção deslumbrante, está totalmente largado. Se não ligamos nem para o Masp, para o que mais vamos ligar?”, perguntou.
Um caso exemplar dessa indiferença brasileira em relação a seus artistas ocorreu há alguns anos. O colecionador paulistano Adolpho Leirner, possuidor de uma coleção admirável sobre o construtivismo brasileiro, ofereceu seu acervo a vários museus do país. Nenhum se interessou em comprá-lo. Leirner acabou fechando negócio com o Museum of Fine Arts de Houston, nos Estados Unidos, que adquiriu a coleção com o patrocínio de várias empresas. Dentre elas, a Petrobras.
|
Artigo de Consuelo Dieguez originalmente publicado na revista Piauí na edição 105 de junho de 2015 e divulgado na newsletter do site www.canalcontemporaneo.art.br

Herdeiros de Lygia Clark estão impedidos de comercializar obras | 2015

A decisão é provisória e vale até a conclusão de um processo que envolve o controle do espólio pelos herdeiros. +

Os herdeiros da artista Lygia Clark (1920-1988) estão temporariamente impedidos de comercializar obras que estejam sob sua posse.
A decisão da 12ª Câmara Cível do Rio de Janeiro é provisória e vale até a conclusão de um processo que envolve o controle do espólio pelos herdeiros. A decisão não afeta obras que estejam nas mãos de museus e colecionadores.
A medida visa "preservar o acervo patrimonial do espólio, devendo as obras de arte permanecer na posse das pessoas que atualmente as detém", de acordo com o texto do relator, desembargador Jaime Dias Pinheiro Filho.
O recurso foi pedido pelos advogados de um três filhos de Lygia, Eduardo Clark.
Em 2014, Eduardo entrou na justiça para obter a busca e apreensão das obras, estudos e dos certificados de autenticidade da artista que estivessem na posse dos irmãos, Álvaro, Lygia, e sobrinhos, Victor e Alessandra Clark, e de Sandra Pinto Ribeiro.
Pediu também que Álvaro fosse destituído da posição de presidente da Associação Cultural Mundo de Lygia Clark, que cuida de seu espólio. O próprio Eduardo se tornaria o presidente até decisão posterior. Eduardo acusa Álvaro de má gestão do espólio.
"Álvaro se caracteriza por dissipar bens. Ele quis se apropriar do acervo cultural da mãe. Isso levou Eduardo a entrar na justiça, pretendendo a conservação desses bens para que sejam divididos de acordo com a lei", diz o advogado de Eduardo, Sergio Bermudes.
Enquanto o processo não se conclui, os bens em posse de todos os envolvidos não poderão ser comercializados.
O advogado da associação, Edison Balbino, diz considerar a medida positiva.
"Para a segurança dessas obras, é melhor que fiquem na mão dos que já as tinham, não na mão de apenas um". Nenhuma das partes soube informar que obras estão nas mãos dos herdeiros nem o seu valor pois não há um inventários desses itens. De acordo com Bermudes, Lygia deixou um testamento cerrado (secreto) que nunca foi encontrado.
|
Texto originalmente publicado no caderno “Ilustrada” do jornal “Folha de S. Paulo” | 28/04/15.
Na foto acima, a artista Lygia Clark.

Arte de Judith Lauand conquista estrangeiros

A galeria londrina Stephen Friedman promoveu há dois anos a primeira individual de Judith Lauand na Europa, antecipando a White Chapel, que abriu em janeiro deste ano uma retrospectiva com obras dela, de Lygia Clark e dos históricos Mondrian e Theo van Doesburg. O próximo passo da artista paulista será a conquista do Metropolitan de Nova York. É a hora e vez de Judith. +

A autonomia de Judith Lauand, nascida em Pontal (SP) em 1922, levou a pintora a ser a primeira mulher a expor junto aos pioneiros artistas concretos, ao se integrar em 1955 ao histórico grupo Ruptura, criado três anos antes por Waldemar Cordeiro, considerado o primeiro núcleo de artistas abstratos do Brasil. Não era uma relação fácil, ela reconhece. "Mas nunca fui discriminada por ser mulher", garante, observando, porém, que Cordeiro era um tanto centralizador para alguém que cultuava a liberdade como ela. "Nunca fui muito de andar em grupo, não suporto ser controlada."
Sua independência ideológica a levou a experimentar linguagens novas, saindo com a mesma facilidade que entrou de movimentos como o pop. Para quem admirava o pensamento matemático do construtivista Malevitch, a ordem de Mondrian, o lirismo de Paul Klee e a escala cromática de Albers, essa aventura pop dos anos 1960 parece hoje um tanto curiosa, mas Judith lembra que a fase foi importante também para desenvolver sua paleta, evocando Theo van Doesburg: "Nada é mais concreto que uma cor ou uma superfície".
Ela se considera, portanto, uma pintora concreta, como foi concreto seu colega Geraldo de Barros, que também teve seu período pop. E é justamente essa filiação à arte concreta que interessa aos colecionadores estrangeiros, começando pela venezuelana Patricia Cisneros, que comprou obras suas há 20 anos. Além da colecionadora, instituições internacionais também se interessaram - e compraram - telas da pintora, entre elas o Museu de Grenoble e o MoMA de Nova York. Outros seguem o mesmo o caminho, segundo a marchande da artista, Berenice Arvani, citando a galeria americana Driscoll Babcock e a londrina Stephen Friedman, que promoveu há dois anos a primeira individual de Judith Lauand na Europa, antecipando a White Chapel, que abriu em janeiro deste ano uma retrospectiva com obras dela, de Lygia Clark e dos históricos Mondrian e Theo van Doesburg. O próximo passo será a conquista do Metropolitan de Nova York. É a hora e vez de Judith.
|
Texto de Antonio Gonçalves Filho originalmente publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" | 03/06/15.

Justiça anula condenação de Edemar Cid Ferreira | 2015

Desembargadores consideraram que o juiz Fausto Martin de Sanctis cometeu uma irregularidade no processo envolvendo o ex-dono do Banco Santos. +

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que julga os recursos da Justiça federal em São Paulo, anulou a condenação do banqueiro Edemar Cid Ferreira por irregularidades processuais, segundo o advogado Alberto Zacharias Toron, que defende o filho do ex-banqueiro, Rodrigo.
Edemar havia sido condenado em dezembro de 2006 a 21 anos de prisão pela quebra do Banco Santos em 2004, que deixou um rombo de R$ 2,7 bilhões.
Rodrigo, o filho do banqueiro, havia sido condenado a 16 anos.
Os desembargadores consideraram que o juiz Fausto Martin de Sanctis cometeu uma irregularidade processual ao não permitir que os advogados interrogassem os corréus. Dois desembargadores votaram a favor da tese de Toron (José Lunardelli e Cecília Mello) e um foi contra (André Kekatschalow).
Ao todo, há 18 réus no caso do Banco Santos.
"O resultado do julgamento mostra que a arbitrariedade do juiz não vai longe. Acabou prevalencendo a legalidade e o direito ao devido processo legal", afirmou Toron à “Folha de São Paulo”.
Ele já havia anulado um caso que envolvia o magnata russo Boris Bererovsky com o mesmo argumento. Também naquele processo o juiz De Sanctis não permitiu que os advogados interrogassem os corréus, ainda de acordo com Toron.
O advogado diz que com a anulação da condenação o caso volta à Justiça federal para que os interrogatórios sejam refeitos, agora com os advogados podendo ouvir os corréus.
O juiz De Sanctis decidiu que Edemar cometeu crimes contra o sistema financeiro, de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O ex-banqueiro, que se notabilizou pela coleção de arte que reuniu, chegou a ser preso duas vezes no curso do processo.
Procurado, o juiz De Sanctis não quis se pronunciar sobre a decisão do tribunal do qual ele agora faz parte.
-
Leilão da casa
Sem moradores desde janeiro de 2011, a casa do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira, do falido Banco Santos, deve entrar em leilão nas próximas semanas.
Segundo o promotor Eronides Rodrigues dos Santos, do Ministério Público, o processo será devolvido nesta terça-feira (26/05/15) ao juiz com uma manifestação favorável à venda da casa. "Acredito que o juiz deva autorizar a data para marcar o leilão em aproximadamente uma semana", diz Santos.
Com o valor inicial de R$ 118 milhões, incluindo 12 obras de arte e móveis que não poderão ser removidos, o local já foi sondado por interessados.
|
Texto de Mario Cesar Carvalho originalmente publicado no site UOL (www.uol.com.br) | 26/05/15.

Entenda por que obras de arte são vendidas por preços tão altos

Segundo Jussi Pylkkänen, presidente da casa de leilões Christie's, quando investidores ricos concorrem para adquirir um ativo, eles devem ter certeza de seu valor financeiro. Para ele, os participantes de um leilão sabem do valor do objeto e tomam decisões de maneira extremamente ponderada. +

Quando investidores ricos concorrem uns contra os outros para adquirir um ativo, eles decerto devem ter certeza de seu valor financeiro, não? Para o presidente da Christie's, Jussi Pylkkänen (na foto ao lado), a resposta é sim.
Na noite de segunda (11/05/15), ele vendeu "'As Mulheres de Argel" (Versão O), de Picasso - a mais cara da história dos leilões; na foto ao lado -, por US$ 179,4 milhões (cerca de R$ 535,1 milhões).
"Os participantes de um leilão estão muito cônscios do valor do objeto e tomam decisões de maneira extremamente ponderada", disse Pylkkänen depois da venda. Os lances finais pelo quadro foram realizados cautelosamente, em incrementos de US$ 500 mil.
Em meio a leilões recorde em Londres e Nova York, a arte é cada vez mais tratada como ativo financeiro. "Swamped", um quadro de Peter Doig, 56, um artista escocês, foi vendido por US$ 29,5 milhões na noite de segunda.
Bilionários voam à Art Basel Miami a fim de comprar nas grandes galerias, executivos de gestão de patrimônio privado aconselham aos clientes comprar arte para diversificar seus investimentos e obras-primas lotam armazéns no porto livre de Genebra.
Mas quadros não são títulos financeiros. O valor financeiro de qualquer obra de arte continua tão intangível e indefinível quanto o sorriso da Mona Lisa. Como definiu o economista William Baumol, 30 anos atrás, os preços dos quadros "flutuam mais ou menos sem direção... Quem busca valor intrínseco, em termos financeiros, faria bem em procurá-lo em outro lugar".
Ainda que não saibamos quem comprou o Picasso, podemos ao menos especular sobre seus motivos. O verdadeiro valor está em ser dono de um quadro que museus como o Tate ou o Getty adorariam poder exibir ao público, e deslumbrar a si mesmo e aos amigos com uma obra que poucos poderão ver.
A única maneira de provar que você é o tipo de pessoa tanto culta quanto rica o bastante para ser dono de um trabalho importante de Picasso é comprar um deles.
Obras de arte "são uma escolha muito racional para aqueles que obtêm alto retorno na forma de prazer estético", concluiu Baumol. O economista John Picard Stein escreveu, em 1977, que o valor da arte vem do prazer que proporciona e, por isso, "não é capturável por especuladores".
Há também recompensas sociais - ser convidado a jantares em galerias e museus. Em pesquisa do grupo de auditoria Deloitte com colecionadores de arte, no ano passado, 61% admitiram esse fator como motivação.
Os retornos financeiros são mais difíceis de deslindar. As vendas mundiais de obras de arte subiram a € 51 bilhões (R$ 174 bilhões) no ano passado, de acordo com a Fundação Europeia de Belas Artes, superando o pico anterior de € 48 bilhões de euros, em 2007. É um valor minúsculo se comparado aos quase R$ 880 trilhões (US$ 294 trilhões) em ativos financeiros nos mercados mundiais, mas ainda assim é uma quantia que precisa ser justificada financeiramente.
É difícil fazê-lo. O índice Mei Moses World All Art, que acompanha os preços das obras de arte vendidas em leilão, subiu 7% entre 2003 e 2013 - ligeiramente menos do que o índice de ações S&P 500 (a arte contemporânea obteve retorno mais alto, 10,5%).
A arte se saiu melhor que os títulos financeiros ao longo das últimas décadas, de acordo com alguns indicadores, mas existem motivos para ceticismo.
Um deles é que medir os retornos financeiros de obras que são vendidas e mais tarde revendidas em leilão ignora as peças que jamais retornam ao mercado, possivelmente por terem caído de valor.
Um segundo é que o mercado de arte sofre de opacidade e pesada falta de liquidez -nenhum quadro, mesmo que de autoria do mesmo artista é exatamente equivalente a outro.
Um terceiro fator é que os custos por transação são extremamente altos - as casas de leilão cobram cerca de 20% de comissão dos vendedores.
O aspecto mais exótico do mercado (entre muitos) é o de que os colecionadores mais ricos assumem os riscos financeiros menos previsíveis, ao menos quando fazem lances em leilões em lugar de comprar obras sigilosamente por meio de galerias.
Obras primas como "As Mulheres de Argel" muitas vezes apresentam desempenho abaixo da média em longo prazo, enquanto quadros menos glamourosos têm melhor chance de obter retornos estáveis.
Obras-primas podem perder o lustro - a arte do pós-guerra agora é celebrada, enquanto peças anteriores perderam importância. Doig superou Damien Hirst, mas o comprador de "Swamped", de Doig, não tem como saber se o valor vai perdurar.
Os economistas Jianping Mei e Michael Moses alertaram, em um estudo sobre os preços da arte entre 1955 e 2004, que "os investidores não devem se obcecar por obras-primas e precisam se precaver contra lances excessivos".
Ou talvez não: desafiar as probabilidades, assumir uma postura pública extravagante e por fim tomar posse de um quadro reverenciado de Picasso é o bastante.
Não há dúvida de que "As Mulheres de Argel" é uma obra de arte extraordinária. Determinar se será um investimento excepcional é outro assunto. Mas para o comprador, isso pode não importar.

|

As dez obras de arte mais caras da história

Obra: "When Will You Marry Me?"
Autor: Paul Gauguin
Valor atualizado: US$ 330 milhões
Valor no dia da venda: US$ 330 milhões
Ano da venda: 2015

"Os Jogadores de Carta"
Paul Cézanne
US$ 263,1 milhões
US$ 250 milhões
2011

"As Mulheres de Argel"
Pablo Picasso
US$ 179,4 milhões
US$ 179,4 milhões
2015

"nº 5 - 1948"
Jackson Pollock
US$ 164,4 milhões
US$ 140 milhões
2006

"Mulher 3"
Willem de Kooning
US$ 161,5 milhões
US$ 137,5 milhões
2006

"Retrato de Adele Bloch-Bauer 1”
Gustav Klimt
US$ 158,5 milhões
US$ 135 milhões
2006

"Le Rêve"
Pablo Picasso
US$ 157,5 milhões
US$ 155 milhões
2013

"Retrato do Dr. Gachet"
Vincent Van Gogh
US$ 149,4 milhões
US$ 82,5 milhões
1990

"Três Estudos de Lucian Freud"
Francis Bacon
US$ 144,7 milhões
US$ 142,4 milhões
2013

"Bal du Moulin de la Galette"
Pierre-Auguste Renoir
US$ 141,5 milhões
US$ 78,1 milhões
1990

|

Texto de John Gapper, do "Financial Times", publicado no caderno “Mercado” da “Folha de S. Paulo”. Tradução de Paulo Migliacci | 16/05/15.

Neoconcretista João José Costa morre no RJ aos 83 anos | 2014

Obras do artista estão presentes nos principais acervos de museus públicos e grandes coleções particulares do Brasil e do exterior, como o Museum of Fine Arts (Houston, EUA), Coleção João Sattamini (MAC-Niterói), Coleção Gilberto Chateaubriand (MAM-RJ), Coleção Hecilda e Sergio Fadel (Rio de Janeiro), Coleçao Adolpho Leirner (São Paulo) e outras. +

O artista plástico e arquiteto piauiense, radicado no Rio desde a infância, um dos últimos remanescentes do grupo neoconcretista Frente (o outro é Abraham Palatnik), morreu na capital carioca na noite de sábado, 6/12, aos 83 anos de idade, vítima de um câncer no esôfago diagnosticado recentemente.
João José estava internado há dez dias no Hospital São Lucas, em Copacabana, . Seu corpo será velado e cremado na capela 3 do Memorial do Carmo, no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, às 17h.
Natural de Parnaíba, onde nasceu em 9 de maio de 1931, transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro depois de diagnosticado com poliomielite (paralisia infantil). “Com menos de dois anos fui diagnosticado com poliomielite e como lá não havia recurso nenhum, os médicos recomendaram a meus pais que viéssemos para o Rio. Papai trabalhava no Banco do Brasil e pediu transferência pra cá”.
A doença, contudo, não o impediu de completar os estudos e destacar-se nas atividades que mais o interessavam: arquitetura e artes plásticas. Formou-se em 1956 na Faculdade Nacional de Arquitetura (1952-1956) e frequentou assiduamente o curso livre de pintura ministrado por Ivan Serpa no MAM-RJ nos anos 50, celeiro do grupo neoconcreto Frente.
Em 1953, estreou nas artes plásticas na coletiva 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata, no Hotel Quitandinha, em Petrópolis (RJ), inaugurada pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Esteve ainda na histórica Exposição Nacional de Arte Concreta, em 1956, no Museu de Arte Moderna de São Paulo e no MAM-RJ. Foi também selecionado para três edições da Bienal Internacional de São Paulo, em 1955, 1961 e 1967. Participou também das quatro exposições do Grupo Frente, em 1954, 1955 e 1956 (duas).
Apesar de seu currículo invejável e de sua profícua produção artística, talvez por conta de suas limitações físicas, mas também devido às limitações do mercado brasileiro de arte, realizou apenas seis mostras individuais, na Galeria de Arte BCN (Rio de Janeiro, 1969), Galeria Saramenha (Rio de Janeiro, 1986), Estúdio Guanabara (Rio de Janeiro, 2004), Galeria Berenice Arvani (São Paulo, 2008), Gustavo Rebello Arte (Rio de Janeiro, 2011) e Centro Universitário Maria Antonia (2011). Ainda em 2011, foi publicado o livro “Entre Interposto: Pintura e Geometria na Obra de João José Costa”, de Luiz Eduardo Meira de Vasconcellos (Editora Contracapa).
“Essa minha individual no Banco BCN foi uma mostra underground. O banco decidiu investir na área artística e meu tio era diretor do banco e mexeu os seus pauzinhos e arranjou pra eu fazer a exposição. Era no subsolo de uma agência. Só foi minha família ver. Quem tomava conta dessas exposições era um jornalista muito simpático, Souto de Almeida. Não fiz mais individuais por falta de oportunidade mesmo. A primeira foi patrocinada pelo banco. Vendi uns três ou quatro trabalhos foram colegas do meu tio. Dei um para o banco. Tudo isso sumiu na poeira. Minha segunda individual, na Galeria Saramenha, aconteceu da mesma forma. Eu conhecia o José Roberto, freqüentava os vernissages da galeria e ele decidiu fazer a exposição. Eu disse que não tinha dinheiro para investir e ele disse que não tinha problema. Foi a mesma coisa que está acontecendo agora com essa individual em São Paulo”, disse em entrevista.
As obras de João José Costa, contudo, começaram a ser valorizadas nos últimos dez anos e hoje estão nos principais acervos de museus públicos e grandes coleções particulares do Brasil e do exterior, como o Museum of Fine Arts (Houston, EUA), Coleção João Sattamini (MAC-Niterói), Coleção Gilberto Chateaubriand (MAM-RJ), Coleção Hecilda e Sergio Fadel (Rio de Janeiro), Coleçao Adolpho Leirner (São Paulo) e outras.

João José Costa e suas várias vidas | 2014

Artista plástico piauiense radicado no Rio de Janeiro desde a infância, um dos últimos remanescentes do Grupo Frente (o último é Abraham Palatnik), morreu na noite de sábado, 6/12, na capital carioca aos 83 anos de idade. +

O artista plástico e arquiteto João José Costa participou de todas as exposições do carioca Grupo Frente, iniciativa liderada por Ivan Serpa e principal responsável pela disseminação da arte concreta e neoconcreta no Rio de Janeiro nos anos 50. Também teve obras na celebrada 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata, que aconteceu no Hotel Quitandinha, em Petrópolis (RJ) em 1953 e foi inaugurada pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Esteve ainda na histórica Exposição Nacional de Arte Concreta, em 1956, no Museu de Arte Moderna de São Paulo e no MAM-RJ. Foi também selecionado para três edições da Bienal Internacional de São Paulo, em 1955, 1961 e 1967. Na primeira delas esteve presente nas seções de Pintura e de Arquitetura, com duas telas e um projeto de um centro cívico.
A esse promissor início de carreira artística não faltou o aval da crítica especializada, que não poupou elogios a João José.
No texto do catálogo da mostra do Grupo Frente no MAM-RJ, em 1955, Mário Pedrosa escreveu: “E o que dizer de João José, o mais rigoroso concretista do grupo? Que trabalhando com a progressão e os ritmos alternados, num elementarismo de formas deliberado, nos apresenta superfícies que vivem e se expandem. É uma vocação artística em pleno desenvolvimento”. Um ano antes, na edição de agosto de 1954 da revista “Forma”, Anna Letycia Quadros escreveu: “Os seus trabalhos –de cunho muito pessoal– têm senso matemático, mesclado, porém, de grande lirismo”. Em 1956, o poeta pernambucano Manuel Bandeira se alegrou ao ver uma obra de João José: “Quero citar como a mais bonita entre as mais características dessa arte valiosa, apenas pelo achado plástico, a “Idéia Instável”, de João José S. Costa. Essa, como outras composições abstracionistas ou concretistas, me agrada pela impressão de serenidade ou de alegria que me comunica”, escreveu em sua coluna no “Jornal do Brasil”. No ano seguinte, no mesmo “Jornal do Brasil”, o crítico Ferreira Gullar, o principal teórico do movimento neoconcreto carioca, definiu: “João José S. Costa, jovem pintor e arquiteto carioca, é um dos elementos mais valiosos do grupo de artistas concretos brasileiros”.
Curiosamente, apesar do constante apoio da crítica, em 55 anos de carreira, João José Costa realizou apenas três mostras individuais: na Galeria de Arte BCN (1969), na Galeria Saramenha (1986) e no Estúdio Guanabara (2004). Mais curioso ainda é o fato de João José nunca ter realizado uma exposição individual em São Paulo, grave lacuna que agora está sendo preenchida com esta exposição antológica na Galeria Berenice Arvani.
O porquê dessa ausência de quase uma vida do principal centro difusor de arte do Brasil tem suas explicações.
Uma delas foi econômica mesmo. A necessidade de se dedicar integralmente à sua profissão de arquiteto para manter a si e à sua família fez com que a carreira de artista ficasse limitada ao exercício diário em sua casa e atelier. João José já trabalhou em vários escritórios de arquitetura, como o do ex-prefeito carioca Luis Paulo Conde, onde permaneceu por mais de 15 anos. Hoje trabalha como arquiteto no SESC-RJ.
Uma outra razão, bem mais grave, foi física. Em 1933, aos dois anos de idade, ainda vivendo em sua cidade natal Parnaíba (PI), João José foi diagnosticado com poliomielite, o que motivou sua família a se mudar para o Rio de Janeiro à procura de tratamento médico adequado. A doença lhe deixou seqüelas permanentes, que certamente dificultaram um contato efetivo com São Paulo, mas que não o impediram de participar ativamente do movimento concretista nos anos 50, flertar com outras linguagens plásticas a partir dos anos 60 e manter-se fiel à produção artística até hoje. “Desde criança eu sempre gostei de desenhar. Devido à minha dificuldade de me locomover o desenho era uma forma de escape”, disse em entrevista.
Mas apesar das dificuldades físicas e financeiras (e de sua incorrigível modéstia), João José vem construindo uma carreira vigorosa, cujo valor já foi percebido por grandes colecionadores, como Gilberto Chateaubriand, Adolpho Leirner, João Sattamini e o casal Hecilda e Sergio Fadel, e que agora está sendo devidamente apresentada ao público de São Paulo.

Celso Fioravante