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Grécia rejeita solicitação de Gucci para fazer desfile na antiga Acrópole

A Grécia também disse “Não” a uma oferta de 2 milhões de euros para ajudar a financiar a restauração do local. +

O Ministério da Cultura da Grécia rejeitou um pedido da marca de luxo italiana Gucci para usar a antiga Acrópole para um evento de moda em junho deste ano.
A Acrópole é um Patrimônio Mundial classificado pela UNESCO, a organização cultural das Nações Unidas. Sobre o pedido da casa de luxo italiana, o Conselho Arqueológico Central da Grécia (KAS) declarou: "O caráter cultural único dos monumentos da Acrópole é inconsistente com este tipo de evento".
"O Parthenon é um monumento importante e um símbolo universal que nós gregos protegemos, particularmente, à luz de nossos esforços seguem para preservar e reunir os mármores do Parthenon," disse a ministra Lydia Koniordou da cultura grega a respeito da decisão.
"Temos o dever de defender a importância da Acrópole ... um símbolo global de democracia e liberdade", sublinhou.
A Gucci queria criar uma passarela entre o Parthenon e do Erechtheion para um desfile de 15 minutos com um público de cerca de 300 convidados. Em contrapartida, o jornal grego de língua inglesa Ekathimerini informa que a marca de moda ofereceu um subsídio de 2 milhões de euros para obras de restauro do local durante um período de cinco anos ou financiar um projeto semelhante.
No ano passado, em seu aniversário de 80 anos, a marca de moda de luxo Fendi realizou um espetáculo impressionante na icônica Fonte de Trevi de Roma, cujo subsídio de US $ 2,2 milhões ajudou a financiar o restauro do patrimônio.
Os pedidos de uso comercial de monumentos antigos gregos são muitas vezes negados. A Acrópole, no entanto, foi aprovada para acesso no passado.Em 2008, a cantora Jennifer Lopez realizou uma sessão de fotos lá, e em 2014, filme "The Two Faces of January" estrelado por Viggo Mortensen e Kirsten Dunst filmou algumas cenas em suas instalações.
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Texto de Perwana Nazif publicado originalmente no site Artnet | 17/02/17

Restauração desastrosa de afresco salva economia de cidade espanhola

Considerada a pior restauração do mundo, a tentativa de recuperar o afresco Ecce Homo começou como um desastre para a arte, mas se transformou na salvação da cidade de Borja que já recebeu cerca de 300 mil turistas interessados em conhecerem a "nova" obra de arte. +

Quem não se lembra do desastre causado por uma senhora no afresco “Ecce Homo”, em 2012? O que foi um enorme problema à época, se transformou numa oportunidade única para atrair turistas do mundo inteiro interessados em conhecerem a desastrosa restauração. A obra, que havia sido pintada em 1930, colocou a cidade de Borja, no interior da Espanha, no centro do turismo mundial.

Desgastado com o tempo, o afresco de Elías Garcia Martínez necessitava de uma recuperação. Pensando em ajudar, dona Cecilia Giménez, uma artista plástica, na época com 81 anos, decidiu reformá-lo. O resultado passou longe do esperado. A repercussão foi tão grande, que a notícia da desastrosa restauração ganhou as manchetes dos principais jornais mundiais e viralizou nas redes sociais.

O estrago estava feito e a melhor solução era transformar o limão numa doce limonada e os espanhóis fizeram isso com sucesso. O desastre se transformou rapidamente num símbolo do vilarejo de cinco mil habitantes. Pouco tempo após o fato, surgiram os primeiros curiosos interessados em conhecerem o afresco restaurado e os moradores aproveitaram para criar um lucrativo negócio em torno da situação.
Com o aumento do turismo apareceram os primeiros souvenires com o afresco destruído. As lembranças variam entre as tradicionais camisas e canecas de porcelana ilustradas com a obra até vinhos com a marca. O turismo local que girava em torno da obra de arte conseguiu se recuperar.

Nos últimos cinco anos, a cidade recebeu mais de 300 mil turistas interessados em conhecerem a 'nova' obra de arte, que dona Cecilia ajudou a pintar. Nos cinco anos anteriores ao fato, o Santuário da Misericórdia, local onde está o afresco, havia recebido aproximadamente 10 mil visitantes. Atualmente, todo dia 25 de agosto, data da restauração, é comemorado no vilarejo com uma homenagem a artista que salvou a cidade.

Divisão dos lucros

Se hoje o fato se transformou em dividendos à dona Cecília, na época quase lhe custou um processo judicial. A família do pintor ameaçou processá-la por depredar o afresco de Martínez, mas recuou com o posterior sucesso da 'nova obra de arte'. Atualmente, os dois lados dividem os generosos lucros que a restauração malsucedida gerou. Uma parte da receita ainda é doada a um hospital local. O Santuário cobra € 1 para cada visitante admirar o famoso afresco.
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Texto originalmente publicado no site "Eco Viagem Uol" (www.ecoviagem.uol.com.br) | 16/02/17.

Foto de assassinato do embaixador russo na Turquia é eleita a melhor de 2016

Júri do concurso World Press Photo premia o fotógrafo turco Burhan Ozbilici - melhor foto do ano. Os fotógrafos brasileiros Lalo de Almeida e Felipe Dana também foram premiados, em outras categorias. +

O fotógrafo turco Burhan Ozbilici, da agência de notícias Associated Press, assina a foto do ano de 2016, que mostra os momentos subsequentes ao assassinato de Andrei Karlov, embaixador russo na Turquia. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (13/02/17) pelo júri do prêmio World Press Photo. O atentado foi cometido em 20/12/16, dentro de uma galeria de Ancara, por um policial turco de 22 anos, que depois dos disparos disse estar vingando atrocidades cometidas em Aleppo (Síria). A foto foi publicada na capa do "The New York Times", entre outros veículos. “É uma imagem explosiva que realmente fala sobre o ódio da nossa época. Cada vez que ela aparecia na tela a gente tinha quase que recuar”, disse a jurada Mary Calvert, em nota. Este é o principal prêmio dedicado ao fotojornalismo no mundo.
Mevlüt Mert Altintas, o atirador que assassinou o diplomata, fez oito disparos e feriu outras duas pessoas, antes de ser morto em confronto com as forças de segurança. “Deus é grande! Deus é grande! Nós morremos em Aleppo, vocês morrem aqui! Matam gente inocente em Aleppo e na Síria!”, gritou ele, empunhando a arma. O fotógrafo premiado contou no ano passado que estava por acaso no local do atentado, uma galeria de arte onde o embaixador participava da inauguração de uma exposição de fotos. Quando o agressor começou a disparar, Ozbilici continuou clicando em vez de se proteger dos tiros. “Pensei: ‘Estou aqui. Mesmo que ele me ferir ou me matar, sou um jornalista e devo fazer meu trabalho’. Eu poderia ter me deslocado para me esconder, mas nesse caso como iria responder quando perguntassem por que eu não fiz fotos?” Ozbilici, que trabalha há 27 anos para a Associated Press e já retratou, entre outros temas, o êxodo dos curdos do Iraque depois da morte de milhares de pessoas por causa dos ataques com gás ordenados por Saddam Hussein, então no poder. Cobriu também conflitos na Arábia Saudita, Egito e Síria.
Esta edição do World Press Photo teve a participação de 5.034 fotógrafos de 125 países. O júri avaliou 80.408 imagens, e o norte-americano Jonathan Bachman ganhou na categoria Temas Contemporâneos, com uma foto da enfermeira negra Iehsia Evans enfrentando pacificamente a tropa de choque policial em Baton Rouge, durante os protestos contra a morte de um homem, também negro. Pouco depois, a mulher e vários outros manifestantes foram detidos.
O vírus zika foi contemplado pelos especialistas do World Press Photo com uma série sobre os bebês com microcefalia e suas mães, de autoria do brasileiro Lalo de Almeida. Houve prêmios também para pautas como o enterro do ex-presidente cubano Fidel Castro, a violenta luta contra o tráfico de drogas ordenada pelo presidente filipino, Rodrigo Duterte, a luta das comunidades nativas dos Estados Unidos contra o oleoduto que deverá cruzar suas terras ancestrais em Dakota do Norte e a crise dos refugiados no Mediterrâneo.
A primeira edição do World Press Photo data de 1955, quando um grupo de jornalistas da Associação Holandesa de Fotojornalismo transformou o prêmio nacional da instituição em uma competição internacional. Naquele ano, 42 colegas de 11 países apresentaram 300 imagens. Em 1956, a cifra de fotos quadruplicou, com participantes de 22 nacionalidades.
No ano passado, o prêmio de melhor foto do ano foi dado a uma imagem que mostrava o drama dos refugiados no Mediterrâneo, de autoria do australiano Warren Richardson. Ela retrata o momento em que um homem entregava um bebê a outra pessoa sob uma cerca na fronteira entre a Hungria e a Sérvia.
O enfoque do prêmio também mudou ao longo das décadas. Desde o princípio, o júri evita se concentrar apenas no estilo das fotos. Mas nas primeiras edições havia as categorias Notícias e Esportes, Reportagens e Séries, com uma seção especial para as imagens a cores. Depois, as fotos noticiosas passaram a ser separadas da categoria intitulada Reportagens de Interesse Geral.
Às vezes, uma foto que não se enquadra totalmente no regulamento é mencionada pelo júri por sua relevância. A primeira a receber essa menção foi feita pelo astronauta Edwin Aldrin durante seu passeio de 1969 pela lua. “Sem ela, a narrativa visual do ano teria estado claudicante”, disseram naquela ocasião os jurados, que procedem de países industrializados e em desenvolvimento, professam diversos credos e têm distintas filiações políticas.
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Texto de Isabel Ferrer originalmente publicado no site "El País" (http://brasil.elpais.com) | 13/02/17.

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World Press Photo premia dois fotógrafos brasileiros

Os trabalhos dos fotógrafos brasileiros Lalo de Almeida e Felipe Dana foram premiados nesta segunda-feira (13/02/17), em Amsterdã, pela organização World Press Photo, que destaca as melhores fotos jornalísticas em nível internacional a cada ano.
Lalo de Almeida ficou em segundo lugar na categoria "Contemporary Issues" (histórias de assuntos contemporâneos) por uma série de imagens sobre as consequências do vírus da zika em crianças brasileiras.
"Para mim, é sempre uma questão delicada. Como retratar doenças? Almeida faz isso de uma forma muito amável", explicou o diretor da World Press Photo, Lars Boering, que ressaltou o fato do fotojornalista ter alcançado seu objetivo "sem se concentrar em imagens excessivamente dramáticas".
Os bebês aparecem em preto e branco, com as mães e em diferentes situações, como em uma consulta médica, sendo banhados ou tomando uma mamadeira.
"Vimos muitas fotografias de crianças vítimas da zika", lembrou o presidente do concurso, Stuart Franklin, que considerou Lalo de Almeida "muito respeitoso e com um olhar muito empático" por não tentar mostrar um "aspecto 'freak'" nas crianças.
O outro brasileiro premiado, Felipe Dana, ficou em terceiro lugar na categoria "Spot News" (notícias da atualidade) por uma foto tirada em Mossul em novembro de 2016 durante uma batalha entre tropas iraquianas e combatentes do grupo jihadista autodenominado Estado Islâmico.
Dana, que cobriu este conflito para a agência americana "Associated Press", capturou com sua câmera as chamas produzidas pela explosão de um carro-bomba, que se vê ao fundo da imagem. Em primeiro plano, três soldados iraquianos se protegem por trás de um comboio, que hasteia uma bandeira nacional.
Franklin afirmou que a foto "é muito difícil de ser tirada" e reconheceu que, após terminar a avaliação do concurso, foi ao site da agência de Dana para observar seu trabalho.
"Tinha curiosidade e acho que ele tem um olhar fantástico", concluiu o presidente do concurso.
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Texto originalmente publicado no site "Terra" (https://diversao.terra.com.br) 13/02/17.

Mês da História Negra rende diversas mostras nos EUA

O "Black History month" é uma celebração às contribuições dos afro-americanos à história, sociedade e cultura dos EUA. Confira 11 exposições na cidade de Nova York e pelo país apresentando a produção de artistas afro-americanos. +

Dia 01/02/17 marca o início do mês da História Negra ("Black History month"), em celebração às inúmeras contribuições dos afro-americanos à história, sociedade e cultura dos EUA. Entre os eventos comemorativos, há 11 exposições na cidade de Nova York e pelo país, apresentando a produção de proeminentes artistas afro-americanos.

1. “Lorna Simpson: Hypothetical?”
No Fisher Landau Center for Art (38-27 30th Street, Long Island City, Queens)
“Hypothetical?” é uma das primeiras incursões de Lorna Simpson em instalação sonora. Foi exibida pela primeira vez na Whitney Biennial de 1993. Não é apresentada desde a retrospectiva itinerante da artista de 2006 e 2007. Composta de bocais de instrumentos de sopro e gravações de respiração difícil, a peça aborda as limitações da linguagem.
Entrada franca
Até 07/08/17

2. “Mickalene Thomas: Waiting on a Prime-Time Star”
No Newcomb Art Museum of Tulane (Woldenberg Art Center Newcomb Circle, New Orleans)
“Waiting on a Prime-Time Star” reúne pinturas, esculturas, vídeos e colagens de Mickalene Thomas, além de instalação site specific. A obra dela continua desafiando as simples noções de beleza na representação da mulher. Ela trabalha entre a abstração e a representação. Simultaneamente, cria novas e complexas definições da feminilidade.
Entrada franca
Até 09/04/17

3. “Deana Lawson, Judy Linn, Paul Mpagi Sepuya”
No Sikkema Jenkins & Co. (530 West 22nd Street, Nova York)
A mostra coletiva reúne obras que exploram diferentes tipos de relações humanas. O trabalho de Deana Lawson parte de retratos tradicionais de pessoas de cor. A fotógrafa exibe obras que documentam sua prima Jasmine, seu companheiro Eric e a criança deles durante os três anos em que Eric esteve encarcerado no Mohawk Correctional Facility (no Estado de Nova York).
Entrada franca
Até 18/02/17

4. “Artist Residency: Laboratory For Freedoms”
No MoMA PS1 (22-25 Jackson Avenue, Long Island City, Queens)
Hank Willis Thomas e Eric Gottesman criaram o primeiro PAC (political action committee; comitê de ação política) em janeiro de 2016, chamado For Freedoms. Por meio do PAC, eles utilizam a arte para reivindicar espaço político, convidando outros artistas para colaboração em posters, mostras e outras atividades pelos EUA. O objetivo é criar discussões sobre valores democráticos fundamentais em vez de defender partidos políticos específicos. O MoMa PS1 os hospeda em uma residência artística durante os primeiros cem dias do governo Trump.
US$ 10 (adultos); US$ 5 (estudantes e idosos); grátis para moradores da cidade e menores de 16 anos.
Até 29/04/17.

5. “Wangechi Mutu: Ndoro Na Miti”
Na Gladstone Gallery (530 West 21st Street, Nova York)
A produção recente de Wangechi Mutu aborda a forma como vemos a natureza, a sociedade e o corpo por meio de recontextualizações das tradições ocidentais e orientais. “Ndoro Na Miti“ é uma expressão Gikuyu para barro e árvores e vem do ambiente ao redor do ateliê onde ela trabalhou nas obras expostas. A artista vê a terra como uma continuidade de seus questionamentos artísticos de identidade, psicologia e luta social.
Entrada franca
Até 25/03/17

6. “Rashid Johnson: Hail We Now Sing Joy”
No Kemper Museum of Contemporary Art (4420 Warwick Blvd, Kansas City, Missouri)
Após o sucesso da exposição “Fly Away“ na Hauser & Wirth no ano passado, em Nova York, Rashid Johnson marca presença agora no Missouri. O trabalho dele fala de identidade, experiência afro-americana e afro-futurismo no corrente estado de tensão política e incerteza.
Entrada franca
Até 21/05/17

7. “Circa: 1970”
No Studio Museum Harlem (144 West 125th Street, Nova York).
O museu exibe obras do acervo que refletem sobre a situação sócio-política, cultural e histórica dos EUA entre os anos 1970 e 1979. A década de 1970 foi fundamental para a cultura e a história dos negros nos EUA. São expostas obras de artistas como Romare Bearden, Benny Andrews, David Hammons e Ed Clark.
US$ 7 (adultos); US$ 3 (estudantes e idosos); grátis para membros do museu e menores de 12 anos
Até 05/03/17

8. “Collection Spotlight: Morton Broffman”
No Bronx Museum of the Arts (1040 Grand Concourse, Bronx, Nova York)
Exibição de quatro obras de Morton Broffman, um dos fotojornalistas que acompanharam a marcha de Selma a Montgomery pelos direitos de voto em 1965. A marcha foi a maior manifestação em favor de direitos civis no Alabama.
Entrada franca
Datas a definir

9. “Kehinde Wiley: A New Republic”
No Toledo Museum of Art (2445 Monroe Street, Toledo, Ohio)
Após a exposição no Brooklyn Museum em 2015, a exposição de Kehinde Wiley continua em itinerância pelos EUA. O trabalho chama a atenção para a ausência de reconhecimento aos afro-americanos no legado à história e cultura dos EUA. O artista utiliza retratos de velhos mestres e reposiciona membros da nobreza europeia em temas negros contemporâneos.
Entrada franca
Até 14/05/17

10. “Nick Cave: Until”
No MASS MoCA (1040 MASS MoCA Way, North Adams, Massachusetts)
Nick Cave está ainda criando sua maior instalação imersiva, usando contas, cristais e candelabros, entre outros objetos que encontra. Ele aborda a violência armada, relações raciais e políticas de gênero em um espaço cintilante, repleto de lustres, imagens de armas, balas e alvos. Cave convidou também dançarinos, músicos, poetas e compositores para participar da programação paralela, que conta com painéis de discussão e outras formas de engajamento público.
US$ 18 (adultos); US$ 16 (idosos); US$ 12 (estudantes); US$ 8 (crianças entre US$ 6 e US$ 16); grátis para crianças menores de 5 anos.
Até agosto.

11. “Yinka Shonibare MBE: Prejudice at Home – A Parlour, a Library, and a Room”
Na James Cohan Gallery (533 W 26th Street, Nova York)
A sexta exposição de Yinka Shonibare na James Cohan Gallery investiga a identidade coletiva e individual ao longo da história. São fotografias e três instalações. "The British Library" foca nas contribuições de imigrantes para a sociedade e cultura britânicas. A mostra trata de poder, preconceito e alteridade.
Entrada franca
De 17/02/16 a 18/03/17

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Texto de Sarbani Ghosh originalmente publicado, em inglês, no site "Artnet" (www.artenet.com) | 10/02/17.
Na imagem acima, obra de Mickalene Thomas.

Sérvulo Esmeraldo deixa como legado obra com invenções

O artista sofreu um AVC hemorrágico e morreu 01/02/17. O nome dele figura entre os pioneiros da arte cinética brasileira. +

Quando se deitou para dormir, na noite do dia 13/01/17, o artista cearense Sérvulo Esmeraldo disse para a mulher, Dodora Guimarães, que estava preparando uma obra muito bonita. No dia seguinte, ele não acordou. Havia sofrido um AVC tão semelhante ao que o acometeu em janeiro de 2016 que o médico usou a palavra espelhado para descrever a imagem. Dodora pensou que isso era mesmo obra de Sérvulo. Muitas de suas gravuras, afinal, pareciam imagens espelhadas. O artista resistiu durante pouco mais de 10 dias, mas faleceu em 01/02/17 em consequência de um AVC hemorrágico muito extenso.
Em Fortaleza, onde morava, Esmeraldo deixou um legado que se estende hoje para além-mar. A história do artista está dividida entre dois continentes, embora tenha desejado, a vida inteira, voltar para o Crato, onde nasceu em 1929. O nome dele figura entre os pioneiros da arte cinética brasileira, ao lado de gente como Abraham Palatinik e Mary Vieira. Foi em Paris, para onde se mudou em 1956, depois de conseguir uma bolsa do governo francês para estudar na École des Beaux Arts, que Esmeraldo começou a ficar conhecido. Primeiro, com xilogravuras e gravura em metal, esta última aperfeiçoada no ateliê de Johnny Friedlaender. A primeira era praticada desde a infância na região do Cariri, terra de tradição da gravura popular.
Mas foi com os objetos nomeados Excitáveis que o artista ganhou as rodas parisienses. Construídos com base em energia eletrostática, as obras compostas com materiais leves como fios de cabelo e madeira de balsa repousavam no interior de uma caixa acrílica. Bastava que o público aproximasse a mão da superfície para que os objetos se deslocassem dentro da caixa e a composição da obra mudasse de configuração. “Os Excitáveis deram grande notoriedade ao Sérvulo na Europa. Foi um invento dele, concomitante ao grande movimento da arte cinética internacional”, lembra Dodora, que é curadora e crítica de arte. “E na França, alguns dos principais artistas cinéticos eram latino-americanos, como o (Julio) Le Parc (argentino), (Carlos) Cruz-Diez e Jesus Raphael Soto (venezuelanos).”
Para Jaqueline Medeiros, crítica, pesquisadora e coordenadora de artes visuais do Centro Cultural Banco do Nordeste, os Excitáveis eram excepcionais por conta de certas particularidades. “A obra exigia participação maior do espectador do que as obras dos outros artistas”, explica. “Os outros usavam elementos mecânicos para acionar as obras, o público tinha que apertar um botão. Na obra do Sérvulo, não. Pouca gente fazia aquela espécie de precariedade criativa.”

Manipuláveis
A curadora Denise Mattar acredita que os Excitáveis receberam pouca atenção devido à produção mais concretista do artista. “A obra dele é muito interessante. A gente acaba sempre associando o Sérvulo a um determinado tipo de produção que é bem minimalista, mais concretista, mas ele tem um período interessantíssimo em que fazia essas obras manipuláveis, com materiais muito simples e com um efeito extraordinário”, diz. “Acho que a gente está tendo uma redescoberta da arte cinética no mundo. Aqui no Brasil, atribuímos apenas à Lygia Clark o pioneirismo de trabalhar com uma arte manipulável, transformável, enquanto a gente tem artistas maravilhosos como a Mary Vieira e o próprio Sérvulo, que as pessoas quase não conhecem.” A arte cinética, lembra a curadora, foi um momento de passagem da produção dos concretistas e geométricos da tela para a tridimensionalidade. Ao começarem a trabalhar com a repetição, descobriram o ritmo a acabaram por abandonar a superfície plana da tela e a construir os objetos cinéticos antes de chegar ao extremo das obras penetráveis que fizeram sucesso com Hélio Oiticica.

Encaixe
Além da produção cinética e concreta, Sérvulo Esmeraldo também foi autor de uma série de esculturas públicas que marcam cenários como a Beira Mar, de Fortaleza. Sempre geométrico, ele dizia que o círculo, o quadrado e o triângulo eram as bases dos trabalhos. “Esses três elementos estão presentes na maioria dos meus trabalhos, eles ganham um certo encaixe que se une, seria a imagem primeira do meu trabalho”, explicava.
A relação com a matemática, disciplina da qual gostava muito, ajudava. “O trabalho dele sempre foi geométrico. Matemática era a grande paixão dele e a geometria tinha uma particularidade. Existem muitos artistas construtivos geométricos no Brasil, mas o trabalho do Sérvulo se distingue por sua natureza orgânica. Toda a geometria dele partia de coisas muito simples como uma folha”, conta Dodora.
Gilmar de Carvalho, crítico e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará (UFC), lembra que coerência é um aspecto importante da obra do artista. “Ele manteve uma coerência, apesar de ter passado por várias linguagens e suportes. Fez desenhos, pintura, e na escultura, encontrou sua síntese”, explica. “Racional, não se deixou levar pelo cerebralismo. Sua arte bem cuidada, perfeccionista que foi, nos leva à emoção. Em muitos momentos, atinge uma dimensão poética. Brinca com luzes e sombras, com o movimento, trabalha com linhas retas e com as sinuosas.”

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Três perguntas para Gilmar de Carvalho

Quais eram as preocupações artísticas de Sérvulo Esmeraldo?
Creio que deixar uma obra. Isso ele conseguiu, com maestria. Era um artista exigente. Trabalhava com maquetes. Acompanhava a execução e montagem das esculturas, examinava cada relevo que deveria ter suas marcas autorais, fazia joias, e, neste sentido, a metáfora da lapidação das peças de metal pode se ampliar a abranger tudo o que fez. Exigia o rigor milimétrico, sem abrir mão do todo da peça e do conjunto do que fez durante quase setenta anos de trajetória artística.

Quando falamos em abstração brasileira, qual o papel dele?
Sérvulo passou pela pintura, mas não foi nela que alcançou sua maior grandeza. A abstração está nas esculturas, que se filiam ao melhor que a escultura brasileira atingiu, no que se refere ao concreto, ao geométrico, ao cinético, ao mesmo tempo com uma leveza que o caracterizava e o definia.

Qual o lugar do artista na história da arte brasileira?
Sérvulo Esmeraldo tem um lugar de destaque na arte brasileira. Lugar conquistado pelo talento, aliado à disciplina e à determinação. Nascido no Crato (CE), onde se iniciou na xilogravura, quando jovem, passou por Fortaleza, viajou para São Paulo e amadureceu em Paris. Sérvulo manteve uma coerência, apesar de ter passado por várias linguagens e suportes. Fez desenhos, pintura, e na escultura, encontrou sua síntese. Pode-se dizer que vale pelo conjunto da obra, como grande artista que foi.

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Texto de Nahima Maciel originalmente publicado no site do jornal "Correio Braziliense" (www.correiobraziliense.com.br) | 11/02/17.
Foto: Gentil Barreira.

Museu alemão encontra desenho feito por Rembrandt

O museu Herzog Anton Ulrich, de Braunschweig, informou sobre a descoberta de um desenho do mestre holandês, até então atribuído ao pintor de animais Johann Melchior Rosso. +

O museu Herzog Anton Ulrich da cidade alemã de Braunschweig informou nesta terça-feira (14/02/17) sobre a descoberta, em seus fundos, de um desenho do mestre holandês Rembrandt, em posse da galeria desde 1770 e atribuído até há pouco ao pintor de animais Johann Melchior Rosso.
"A descoberta é uma sensação", afirmou o museu ao apresentar à imprensa o desenho, um esboço de giz preto de um cachorro sentado.
Segundo a entidade, há poucos desenhos de animais atribuídos a Rembrandt no mundo todo, entre os quais destacam-se quatro feitos a giz, muito parecidos esteticamente, de um elefante e um cavalo.
Em comunicado, o museu explicou que começou a investigar a obra após detectá-la no processo de digitalização de cerca de 10 mil desenhos que está sendo realizada.
Começou então uma extensa análise que incluiu exames microscópicos, estudos de originais de Rembrandt comparáveis em Amsterdã, Paris e Viena e consultas com autoridades internacionais sobre o pintor holandês.
O diretor da área de gravuras do museu, Thomas Döring, apresentou na revista especializada "Master Drawings" as conclusões da pesquisa, segundo a qual o desenho de um cachorro sentado é uma obra autêntica de Rembrandt em torno de 1637.
As reações, segundo o museu, foram unanimemente positivas e o desenho será incluído no índice de obras do artista holandês.
Rembrandt realizou desenhos de animais como estudo sobretudo na décadas de 1630, quando incluiu em muitas de suas obras cachorros como motivo secundário.
O terrier descoberto em Braunsweig se parece muito, segundo a instituição, ao cachorro que ladra no quadro "A Ronda Noturna", pintado em 1642 pelo artista.
A ministra de Ciência e Cultura do estado federado da Baixa Saxônia, Gabriele Heinen-Kljajic, ressaltou a importância do achado, "um prêmio extraordinário" para a região que reforça a posição internacional e o trabalho de pesquisa do museu Herzog Anton Ulrich, instituição inaugurada em 1754 e que conta com destacadas obras de Giorgione, Rubens, Rembrandt e Khan Vermeer van Delft.
Em 06/04/17, o novo Rembrand deve ser exposto ao público pela primeira vez.
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Texto originalmente publicado no site da agência EFE (www.efe.com) | 14/02/17.

Centro Pompidou recebe renovação de US$ 110 mi em seu 40° aniversário

O projeto levará dois anos para ser concluído. Entre 1998 e 2000, a estrutura foi fechada para uma reforma que custou US$ 108 milhões. Desta vez, o museu pretende permanecer aberto durante todo o período de recuperação. +

Renegado pelos parisienses por sua aparência chocante após ser inaugurado em 1977, o Centro Pompidou acaba de completar seu 40º aniversário e, como presente, receberá um projeto de renovação orçado em US$ 110 milhões que levará dois anos para ser concluído.
Desenhado pela dupla até então desconhecida, Renzo Piano & Richard Rogers, o edifício foi o vencedor de um concurso para um novo museu e centro cultural no histórico bairro Le Marais de Paris, destacando-se no contexto com suas galerias abertas e infraestrutura aparente na fachada.
O projeto de renovação preservará essa estética única, restaurando a icônica fachada (incluindo elementos de ar-condicionado que já não estão funcionando) e substituindo a famosa escada rolante do prédio, conhecida amigavelmente como "a lagarta", a um custo de US$ 24,5 milhões. Devido ao fato de boa parte da infraestrutura do museu estar exposta às intempéries, o edifício necessita de significativos reparos.
Entre 1998 e 2000, a estrutura foi fechada para uma revisão que custou US$ 108 milhões. Desta vez, o museu pretende permanecer aberto durante todo o período de reforma.
"Será um tipo de jogo de construção, mas nosso objetivo é permanecer aberto", disse Serge Lasvignes, presidente do Centro Pompidou. - "Esse é o objetivo."
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Texto de Patrick Lynch originalmente publicado, em inglês, no site "ArchDaily" (www.archdaily.com.br) | 09/02/17.
Tradução: Romullo Baratto.

Olha o golpe aí. E não estou nem falando do impeachment

Não dá mais para negar que tem um golpe em curso. Só que não é aquele que você está pensando. +

Esta semana foi decisiva no eletrizante enredo do drama político brasileiro, de fazer inveja aos roteiristas de “Game of Thrones” (nem vou mencionar “House of Cards”, que virou coisa de amador). Como acontece nas melhores séries gringas da TV, peças que pareciam tremendamente distantes no tabuleiro começaram subitamente a se mover de maneira sincronizada, rumo a um desfecho chocante, inesperado. E trágico.
De um lado, tudo indica que o novo juiz do Supremo será mesmo um político amante do poder, umbilicalmente ligado ao PSDB e ao PMDB, com reputação de ser um soldado, desses que fazem o que precisa ser feito. Alexandre de Moraes não é o primeiro ministro do Supremo com forte conexão a um partido político. Gilmar Mendes trabalhou no governo de FHC e é obviamente próximo do PSDB, Dias Toffoli foi advogado do PT antes de trabalhar no governo Lula. Ambos são frequentemente acusados de fazer jogo partidário dentro do principal tribunal da Justiça brasileira – em geral um em oposição ao outro. O interessante é que Moraes, segundo apurou o "Radar", da "Veja", parece ter chegado ao cargo graças à articulação de ambos nos bastidores – Gilmar e Toffoli trabalharam juntos para escolher o novo colega. Indício de que as cúpulas dos arquirrivais PT e PSDB, assim como o pivô da discórdia entre eles, o PMDB, parecem estar alinhados, pelo menos em alguma coisa.
Outro indício vem da Câmara dos Deputados, onde uma ampla articulação de praticamente todos os partidos – PT, PSDB e PMDB incluídos – prepara-se para usurpar o poder do Tribunal Superior Eleitoral. Nas palavras do colunista Josias de Sousa, o que os políticos estão prestes a conseguir é uma “licença para assaltar dinheiro público”. Simplesmente, os partidos ficariam blindados de punição, desobrigados de prestar contas dos bilhões de reais que recebem do Fundo Partidário, bancado pelo contribuinte. Enquanto isso, no Senado, um presidente com fortes suspeitas de corrupção é substituído por outro com fortes suspeitas de corrupção, numa clara demonstração de que nada está mudando e que Moraes não precisa se preocupar – vai ser mesmo confirmado como ministro.
Junte a esse cenário a continuidade da gastança dos políticos – que fica intocada diante de uma estratégia de enfrentar a crise econômica apenas com a redução dos gastos sociais – e o enfraquecimento dos órgãos de controladoria e das agências que defendem o interesse público. Acrescente ainda as tentativas de eliminar da Matrix todos os partidos que não fazem parte do esquema (que já são pouquíssimos), pela imposição da cláusula de barreira. Aí fica difícil negar que tem um golpe em curso: um golpe perpetrado pela elite da classe política e pelos seus financiadores, contra o resto de nós.
O golpe passa por um ataque brutal contra nossos recursos naturais, nossa diversidade cultural, nossos direitos humanos e o potencial de nossas crianças. Ao enfraquecer agências de controle, desprezar salvaguardas e direitos, relativizar a proteção da Constituição e sucatear saúde e educação, a classe política enche sua pança e a de seus aliados ao custo de devorar nosso futuro.
O golpe em curso não é da direita sobre a esquerda, nem vice-versa: é um golpe do sistema todo, tentando se perpetuar, sobre as pessoas. Não é, tampouco, uma questão meramente moral: é um colapso sistêmico que precisa ser enfrentado pela sociedade inteira, com coragem.
O problema é que boa parte da população ainda não está nem enxergando a treta. Uns dormem tranquilos, convictos de que o pior já passou, com a queda de Dilma e o esfarelamento do PT. Outros estão ocupados demais denunciando a ilegalidade do impeachment de Dilma, ocorrido no ano passado, e não percebem que o tal “golpe” é muito mais amplo do que a derrubada de sua presidenta – ele começou bem antes disso, ainda com ela à frente, e segue se aprofundando com apoio de parte do próprio PT.
E isso nem é tudo. Da mesma maneira que os heróis e vilões se engalfinham em “Game of Thrones” sem nem se lembrar dos mortos-vivos que podem surgir a qualquer momento, talvez a maior ameaça que nos aguarda nem esteja no centro do palco hoje. Com a falência da reputação de todos os grandes partidos políticos brasileiros, vai ganhando força uma narrativa simplista e violenta, que decreta guerra à política tradicional e aposta todas as fichas num salvador da pátria intolerante, ao estilo fascista. Bolsonaro tem atraído multidões cada vez maiores por onde passa, apesar de estar absolutamente claro que suas ideias toscas só piorariam nossos problemas, como está acontecendo no Reino Unido e nos Estados Unidos. Enfim, o quadro é tão sombrio quanto é possível ser.
Resta torcer para que aquilo a que estamos assistindo não seja o final da série, mas apenas um season finale dramático – deprimente sim, mas a história não acabou ainda, esperemos a próxima temporada. Fosse mesmo um seriado dos bons, este seria o momento em que os mocinhos, encurralados, acabam descobrindo aliados onde menos esperavam, e encontrando uma saída que parecia impossível.
Para mim, a cada dia fica mais claro que as famílias que protestavam contra a corrupção de camisa amarela e os jovens que apanhavam da polícia de camisa vermelha, sem falar na turma de roupa colorida que vem desde 2013 exigindo serviços públicos decentes, são todos vítimas desse golpe. E, a essa altura do drama, à parte os raros gatos pingados que sobreviveram íntegros no meio de um sistema podre, eles só têm uns aos outros. Afinal, diferenças ideológicas à parte, acho que podemos todos tolerar viver num país sem corrupção, com Estado que não nos espanque e serviços públicos de qualidade, não? O único jeito de parar esse golpe é gritarmos todos juntos e exigirmos uma nova forma de representação, diante da obviedade de que a maioria de nós não está sendo representada. Se não for isso, é bom começar a se acostumar com o som da expressão “presidente Bolsonaro”.
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Texto de Denis R. Burgierman originalmente publicado no "Nexo Jornal" (www.nexojornal.com.br) | 09/02/17.
Denis R. Burgierman é jornalista e escreveu livros como “O Fim da Guerra”, sobre políticas de drogas, e “Piratas no Fim do Mundo”, sobre a caça às baleias na Antártica. Foi diretor de redação de revistas como “Superinteressante” e “Vida Simples”, e comandou a curadoria do TEDxAmazônia, em 2010. Escreve sobre a vida e suas complexidades.

Eva Doris deixa a secretaria de estado de Cultura do Rio de Janeiro

Para o cargo, o governador Pezão nomeu o deputado estadual André Lazaroni. +

Quase dois meses após o governador Luiz Fernando Pezão ter prometido que manteria Eva Doris Rosental como secretária de estado de Cultura, o governo voltou atrás, a exonerou e nomeou o deputado estadual e líder do PMDB na Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (Alerj), André Lazaroni, para seu lugar. A informação foi publicada no Diário Oficial do estado na última sexta-feira (03/02/17). Eva Doris ocupava o posto desde janeiro de 2015.
Formado em direito, com especialização em direito ambiental, Lazaroni é filho da professora, escritora e política Dalva Lazaroni. Deputado estadual reeleito em 2015 para o quarto mandato consecutivo, sua atuação política é marcada por ações nas áreas do esporte e do meio ambiente — entre 2013 e 2014, licenciou-se da Alerj para assumir a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Rio e a presidência da Superintendência de Desportos do Estado (Suderj).
No ano passado, o novo secretário esteve envolvido em uma polêmica, após a prefeitura ter contratado sem licitação empresas que têm entre os acionistas seu pai e seu tio para concluir obras da Olimpíada depois de romper o contrato com empresas escolhidas em concorrência pública.
Ao "Globo", a ex-secretária afirmou que "apesar das dificuldades financeiras por que passa o estado, a secretaria está bem estruturada e conta com uma equipe técnica competente e comprometida com os projetos que desenvolve".
Ainda na tarde desta segunda-feira (06/02/17) Eva Doris terá um encontro com o novo secretário, que planeja "estudar a situação da SEC e dar prosseguimento às atividades e ações conduzidas até aqui", disse.
Em novembro de 2016, Pezão havia decidido submeter a Secretaria estadual de Cultura (SEC) à Secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação. O anúncio da decisão levou a um amplo movimento reivindicando a permanência da pasta.
Guiada por representantes do Conselho Estadual de Política Cultural e por diversos movimentos culturais, a campanha #FicaSEC ganhou adesão popular e de um grande número de deputados, que iniciaram a redação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) com o objetivo de transformar a secretaria em um direito fundamental na Constituição Estadual.
Pressionado, o governador decidiu manter a SEC. Em dezembro passado, Pezão entrou em contato com Eva Doris para comunicar que a secretaria teria a sua autonomia mantida.
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Texto de Luiz Felipe Reis originalmente publicado no jornal "O Globo" | 06/02/17.

Conheça a primeira vítima de Álvaro Siza

Há 60 anos, o gerente de uma empresa de pesca ousou chamar um jovem desconhecido, ainda com o curso de arquitetura por terminar, para desenhar uma casa. Era o primeiro projeto daquele que transformou-se em um dos mais importantes arquitetos do mundo contemporâneo: o português Álvaro Siza Vieira. No Brasil, ele é autor do prédio da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre (RS). +

Há 60 anos, um homem em Matosinhos (Portugal) ousou apostar num jovem desconhecido, sem qualquer currículo ou carreira, com o curso de arquitetura ainda incompleto, para lhe projetar uma casa. Como o terreno era grande e havia familiares também necessitados de nova habitação, no total foram desenhadas quatro casas. Hoje, em qualquer parte do mundo, não faltará quem deseje ou ambicione ter um edifício com a assinatura daquele rapaz também natural de Matosinhos, a cursar Belas Artes no Porto e chamado Álvaro Siza Vieira. Porém, há 60 anos, tomar uma decisão deste tipo envolvia alguma dose de atrevimento, de coragem e gosto pelo risco.
Foi o que fez Manuel Fernando Rodrigues Neto. Agora com 93 anos, a completar no próximo dia 19, mostra orgulhoso a casa onde se mantém e para onde foi viver com a mulher e dois filhos no dia 28 de maio de 1957. Este homem constitui o sonho de qualquer arquiteto. Não apenas por aquela decisão inicial, mas em particular pelo modo como acarinhou a casa ao longo destas seis décadas.
Moradia inalterada
Numa situação rara, mesmo com projetos de grandes nomes da arquitetura, a moradia está tal como a concebeu Álvaro Siza. Nunca ali foi feita qualquer modificação, a não ser as necessárias obras de manutenção, em particular nas casas de banho. De resto, tudo se mantém igual.
Desde logo a cozinha. Irresistível ponto de entrada, chama a atenção para o modo flagrante como, pelas formas e materiais utilizados, remete para Antonio Gaudi, uma das referências de Álvaro Siza (ver entrevista). Mesmo se o arquiteto diz ser possível detetar ali, também, algo de Corbusier, a verdade é que é o imaginário do catalão que mais se impõe naquele espaço, transformado em antecâmara de todo um universo marcado pela diferença.
“Esta casa tem 60 anos, mas ainda é uma casa moderna”, diz Manuel Neto. Está tão contente com a escolha feita tantas décadas atrás, que se revela certo de, “como moradia”, ainda não ter visto “nada que se possa dizer que esteja desatualizado”.
Apesar das polémicas. Apesar dos ditos e dichotes ouvidos aquando da construção. Agora, à distância, admite ter ficado incomodado. “O arquiteto não ligou nenhuma. Disse que o tempo é que falaria”.
Pelos vistos falou, ao ponto de a casa ser agora um ponto de visita obrigatório para estudantes de todo o mundo que chegam à região do Porto à procura de contactos com a obra de Siza. As solicitações eram tantas que se tornou necessário canalizar os pedidos através da Casa da Arquitetura, de modo a poder ser feita uma gestão mais razoável e racional das solicitações feitas.
O tempo das afrontas
Ainda assim, a memória daqueles tempos passados não esmoreceu, até porque a mulher de Manuel Neto, já falecida, sentiu muito particularmente aquelas afrontas. Por exemplo um texto publicado no jornal “Comércio do Porto” a falar do desfile que estaria a fazer-se em Matosinhos para ver “os casinhotos” que se construíram na Avenida D. Afonso Henriques, perto das atuais instalações da Câmara Municipal, “como se Matosinhos fosse terra sertaneja e não houvesse aqui pessoas (…) que têm noções de arte”. Depois de questionar o que pensarão os membros da Comissão de Estética daqueles “casinhotos”, o jornalista pergunta se “terá desaparecido o bom senso de gente que tem o dever de velar pela estética da vila e evitar atentados arquitetónicos como esse”. Aos céticos, aconselhava a irem lá ver e dizerem-lhe depois “se aquilo está certo numa cidade servida por um porto de mar, com aeródromo próximo e vizinha da cidade do Porto”.
Manuel Neto ficou desagradado. Como o chefe de redação que autorizara, ou solicitara, a publicação do texto era seu vizinho, resolve um dia questioná-lo para lhe dizer “que estava a queimar um arquiteto em início de carreira”. Convida-o a ir visitar a casa, mas a visita nunca se concretizou.
Siza não podia assinar
Numa das divisões da casa, o proprietário afixou há algum tempo o projeto inicial, assinado pelo engenheiro civil Rogério Lobão, dada a circunstância de, então, Siza ainda não ter autorização para assinar projetos. Fê-lo mais tarde. Junto à assinatura de Rogério Lobão, Siza acrescentou o seu nome. “Com 55 anos de atraso – na altura ainda não podia assinar porque ainda não era arquiteto”, escreveu pelo seu próprio punho. Ao lado, Neto conserva o último recibo relativo ao pagamento da última prestação (três mil e 500 escudos) pelo trabalho do jovem Siza.
Esta é uma história que começa em 1955, quando Manuel Neto compra o terreno onde se torna viável a construção, ao longo dos dois anos seguintes, de quatro casas. À época, Neto tinha uma empresa de pesca de sardinha e frequentava muito a zona onde vivia a que veio a ser sua mulher, próxima das antigas instalações da fábrica “Vacuum”, onde acabava por encontrar e conversar muito com António Siza Vieira, que tinha um cargo na Refinaria Angola e era tio de Álvaro.
Entre os muitos diálogos travados vem um dia à superfície a informação de que Neto comprara o terreno onde pretendia construir casa. António pergunta-lhe se já tem arquiteto e, face à resposta negativa, sugere-lhe a hipótese de entregar a obra ao sobrinho Álvaro.
Se não gostar não aceita o projeto
Era caso para pensar. Um dia Álvaro vai falar com Neto, que o leva a visitar uma moradia na zona das Antas muito do seu agrado, mesmo se, no final, as duas casas nada têm a ver uma com a outra. Fica acertado que avançarão, embora Neto reivindique a prerrogativa de cancelar tudo, caso o projeto não lhe agrade. Coloca, até, uma condição: teria de haver uma varanda a todo o correr da casa, virada para a Avenida, por causa das festas do Senhor de Matosinhos.
Casa custou 275 contos
Numa fase seguinte comunica quanto pode gastar e acaba por ter um orçamento de 275 contos. “Na época era dinheiro. O meu ordenado era de 4 contos como gerente de uma firma”.
Quando o projeto é apresentado, a reação é desde logo positiva. Gostam. Não obstante, como em todas as obras de todos os arquitetos, terem gostado mesmo muito de algumas soluções, de outras nem tanto. “Na sala havia uma parede que Siza queria com a pedra à vista, mas a minha mulher não gostava. Ele concordou, mas se calhar hoje era capaz de não aceitar”.
Quando para lá foram viver. Foi uma festa. Vinham de um bairro próximo e traziam dois filhos. Uma rapariga com 9 anos, e um rapaz com 3 anos de idade. A primeira neta nasceu lá, e era ali que faziam todas as festas. Em particular as da filha enquanto adolescente vigiada por uma mãe muito zelosa.
Passados todos estes anos, Manuel Neto pode garantir que praticamente todos os grandes arquitetos da atualidade já por lá passaram para verem a casa. Na memória guarda ainda discussões homéricas, em particular sobre a intensiva utilização da madeira no exterior. Dada a proximidade do mar, isso gerava grandes dúvidas e preocupações. Não esquece a resposta de Siza: “Garanto-lhe que um dia o senhor vai embora, os seus filhos e netos também, e a madeira continua aqui”.
Continua, de facto. Se algo impressiona numa visita à casa, com parte importante da fachada exterior revestida a madeira, é o excelente estado de conservação. O tempo não parece ter passado por ali. Claro que houve o cuidado de assegurar a manutenção, mas na origem está a decisão de escolher boas madeiras e um jovem que, não sendo ainda formalmente arquiteto, tinha já uma noção exata dos caminhos que pretendia percorrer.
Aquela é uma obra inicial. Está marcada por múltiplas associações, feitas, quer pelo proprietário, quer pelo arquiteto. Um e outro raramente se encontram. Ainda assim, quando Siza vê Manuel Neto, cumprimenta-o. “Faz-me sempre uma festazinha. Há uns três anos encontrei-o na homenagem a Manuel Dias da Fonseca, que era meu amigo de infância. O Siza virou-se para mim e disse-me: ‘o senhor foi a minha primeira vítima’”.
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Texto de Valdemar Cruz originalmente publicado no site português "Expresso" (http://expresso.sapo.pt) | 07/02/17.
Foto: Lucília Monteiro.

Apresentadora Oprah Winfrey arrecada US$ 150 milhões com venda de Gustav Klimt

Apresentadora fechou negócio com comprador chinês, segundo fonte próxima à transação. +

O mundo da arte está sentindo o toque de rei Midas da apresentadora e empresária Oprah Winfrey. Ela vendeu uma pintura de Gustav Klimt por US$ 150 milhões em um dos maiores acordos privados do ramo artístico de 2016, informou uma pessoa próxima à transação. Oprah, diretora-executiva da Oprah Winfrey Network, comprou a obra “Retrato de Adele Bloch-Bauer II” por US$ 87,9 milhões em 2006, em um leilão da casa Christie’s em Nova York – ainda um recorde para o pintor austríaco. Desde então, o quadro viu seu valor aumentar em cerca de 71%.
Em 2014, Oprah emprestou a pintura anonimamente ao Museu de Arte Moderna de Nova York, por cinco anos, segundo a fonte, que pediu para não ser identificada pela confidencialidade da informação. O empréstimo foi intermediado pelo magnata do entretenimento David Geffen, amigo de Oprah e benfeitor do museu. Representantes da apresentadora e de Geffen se recusaram a comentar.
“Retrato de Adele Bloch-Bauer II”, de 1912, representa uma mulher trajando um longo e estreito vestido e um chapéu preto, posicionada diante de um fundo lilás e verde. Tal mulher foi casada com um patrono das artes judeu em Viena.
Quando o quadro esteve nas galerias do quinto andar do MoMa no ano passado, Oprah foi abordada através de Geffen pelo negociador Larry Gagosian, que tinha um potencial comprador encaminhado, disse a fonte. A apresentadora estava disposta a se desfazer do quadro por US$ 150 milhões, informou.
Antes de vender o trabalho a um comprador chinês não identificado, Oprah concordou em emprestá-lo temporariamente à Neue Galerie, em Nova York, para a exposição “Klimt e as Mulheres da Era Dourada de Viena, 1900-1918”.
— Adele Bloch-Bauer é o único assunto que Klimt teria retratado duas vezes – primeiramente no icônico retrato dourado em 1907, depois em 1912 em uma obra muito diferente, exuberantemente colorida — explicou Scott Gutterman, vice-diretor da Neue Galeria. — Ver esses dois quadros lado a lado permite ao espectador ver como o trabalho de Klimt mudou durante esse período-chave de seu desenvolvimento artístico.
O quadro foi parte de um conjunto de obras saqueadas por nazistas e restituído pelo governo austríaco aos herdeiros dos Bloch-Bauer em 2006. A batalha legal em torno das telas inspirou o filme “A Dama Dourada”, estrelado por Helen Mirren em 2015.
Klimt é alvo de colecionadores
A obra é o segundo mais valioso quadro de Klimt que já mudou de mãos desde que o mercado de arte começou a contrair. O bilionário russo Dmitry Rybolovlev vendeu “Water Serpents II” (1904-1907) privadamente por US$ 170 milhões em novembro de 2015, segundo Sandy Heller, consultora de arte de Rybolovlev. Ambas as pinturas de Klimt foram para Ásia, onde a riqueza em expansão construiu uma crescente rede de colecionadores ávidos para adquirir grandes obras ocidentais.
— Klimt está na lista de algumas pessoas — afirmou Grace Rong Li, que aconselha colecionadores asiáticos sobre arte ocidental moderna e contemporânea. O apelo do artista, conhecido pela obra “O Beijo”, é tanto estético quanto financeiro, acrescentou ela.
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Texto da agência Bloomberg News reproduzido no site do jornal "O Globo" (http://oglobo.globo.com) | 08/02/17.

Colômbia poderá ser escolhida como sede latino-americana do Centre Pompidou

A instituição celebra 40 anos com um crescente sucesso de público e projetos de expansão para outros países. +

O Centre Pompidou, em Paris, abriu suas portas em 1977. Mais de 200 mil obras fazem da coleção de arte moderna e contemporânea do Pompidou uma das mais completas do mundo, integrando mestres como Pablo Picasso, Joan Miró, Amedeo Modigliani, Henri Matisse, Francis Bacon e Jean Dubuffet. Sua coleção se equipara a de outras grandes instituições do mundo, como a Tate Modern de Londres e o MoMA de Nova York.
Desde o início, a instituição parisiense vem reafirmando sua importância. Em 2016, o Centre Pompidou registrou 3,3 milhões de visitantes, 9% a mais do que no ano anterior e 30% a mais do que há 10 anos, mesmo apesar dos ataques terroristas que a cidade enfrentou recentemente.

Agora, o Pompidou revela seus projetos de expansão. Em uma entrevista ao “El País”, o diretor do centro, Serge Lasvignes, expressou a intenção da instituição em estabelecer sedes internacionais em distintas capitais de arte. Em 2015, o primeiro passo foi dado, com a inauguração de um projeto-piloto do Pompidou em Málaga, onde atualmente são exibidas 90 obras da coleção e cuja parceria deve ser prorrogada até 2020. A próxima sede deverá ser inaugurada em Bruxelas em 2018, ocupando um edifício art deco de 35 mil m²; Shangai também está nos planos da instituição, porém sem nenhuma data ainda definida. O Pompidou conta ainda com uma sucursal em Metz desde 2010.
Sobre a possibilidade de uma sede na América Latina, Lasvignes afirma: “Está nas nossas perspectivas futuras”, enfatizando que o projeto está em fase preliminar, ainda que tenha um país concreto na mira. “Tenho interesse pela Colômbia. É um país promissor e com muitos recursos, onde os coletivos de artistas têm contribuído muito para pacificar a vida social”.

As comemorações do 40º aniversário do Centre Pompidou vão de encontro a estas metas de descentralização, com um projeto itinerante chamado “1977-2017: Le Centre Pompidou Fete ses 40 ans”, uma série de 40 exposições com obras de sua coleção histórica, espalhadas por diferentes museus regionais franceses.
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texto originalmente publicado no blog Touch of Class | 08/02/17

Se sua vida não tem cor, não desbote a nossa

Reportagem da revista aeroportuária "29Horas" destaca o trabalho de Eduardo Kobra: de pichador da periferia de São Paulo a artista de reconhecimento internacional. +

"Se sua vida não tem cor, não desbote a nossa". Esta mensagem foi escrita em um muro da 23 de Maio, em São Paulo, depois que o prefeito João Doria removeu, em meados de janeiro, os grafites da avenida com tristes camadas de tinta cinza. Mais de 15.000 m² de arte urbana foram retirados nessa cruzada contra grafiteiros e pichadores. O trabalho de Eduardo Kobra, de 41 anos, foi poupado, mas no dia seguinte o muro de 1.000 m² com releituras de cenas da São Paulo antiga amanheceu pichado com a figura de Doria empunhando um rolo de tinta.
Devastado com a situação, já que ele começou seu trabalho como pichador e é amigo de muitos deles – “Essa é a minha origem, jamais vou ser contrário a qualquer expressão de arte na rua”, ele já declarou –, Kobra não quer falar sobre o assunto. Mas ele topa contar sua incrível história, desenhada com muitas latas de tinta – milhares delas –, e que começou no bairro do Martinica, no Campo Limpo, em São Paulo.
Filho de um tapeceiro e de uma dona de casa, ele curtiu a infância livre de garoto de periferia: empinava pipa, jogava bola e descia de carrinho de rolimã as ruas da região. “Aos doze anos, comecei a pichar. Sempre gostei de desenhar, foi natural passar a trabalhar nos muros. Eu fazia de forma ilegal, mas eram desenhos já elaborados”. Na adolescência, Kobra conviveu com amigos que se envolveram com drogas e até com crimes. “Eu nunca fui para esse lado, e acabei tomando um rumo oposto, indo pelo caminho da arte. Nunca pensei que o meu trabalho pudesse alcançar os cinco continentes como acontece hoje”, diz o artista, que tem 25 murais espalhados no exterior, em países como Estados Unidos, França, Holanda, Itália, Suécia, Polônia, Rússia e Japão, entre outros.
Cerca de 90% das pinturas que ele faz não têm apoio financeiro, são produzidas voluntariamente. “Não aceito remuneração para modificar o meu trabalho, tem que respeitar o meu modo de ver”. Mas ele não faz intervenções sem pedir antes a autorização do poder público ou do dono do imóvel. Os ganhos maiores vêm da venda de suas telas originais, que custam em média US$ 50 mil em galerias de Nova York. A preocupação com o lado social sempre foi um norte para ele, autor da série “Realidade Aumentada”, sobre crianças desaparecidas e moradores de rua de São Paulo.
No projeto “Greenpincel”, ele denunciou a caça às baleias no Japão, a devastação da Amazônia e o pequeno índio sob a mira de uma arma, assunto do mural “Belo Monte em Alta Mira”. “Trabalho com histórias reais, memórias, envolvimento”. Um projeto novo é o “Envolva-se”, no qual as pessoas se cadastram para acompanhar Kobra, que já foi pichador, passou a grafiteiro e hoje se diz muralista. Seu pai sempre foi contrário ao seu trabalho e, se antes
ele nutria uma mágoa por causa disso, hoje percebe que essa falta de apoio era uma proteção. “Eu já havia sido detido pela polícia e essa era uma forma dele me cuidar”, reflete.
Há alguns anos, quando o pai faleceu, Kobra achou em uma gaveta recortes de matérias de revistas e jornais sobre suas obras. “Vi então que ele tinha um certo orgulho de mim”, conta, emocionado.
Autor do projeto “Muro das Memórias”, que resgata a memória da cidade com cenas e personagens das primeiras décadas do século XX, Kobra já pintou mais de 50 murais em avenidas e ruas de São Paulo. Um dos mais impressionantes é a obra “Oscar Niemeyer”, que ele fez em 2013 em homenagem ao aniversário da cidade. Outro trabalho impactante é “A Lenda do Brasil”, em homenagem a Ayrton Senna, em um prédio na rua da Consolação, na esquina com a Paulista. Também vale destacar um trabalho recente, sobre cicloativismo, que fica na parede lateral do Ibis Styles São Paulo Faria Lima.
Kobra é apaixonado por bicicletas, que usa há mais de dez anos. “A bicicleta tem um efeito superpositivo para a cidade, embora as pessoas não percebam isso a curto prazo”, diz Kobra, casado com Andressa e pai do bebê Pedro. Seus murais espelham seus sonhos. Em outubro de 2016, ele finalizou em Amsterdã o painel “Let me be myself”, de 240 m², no qual retrata Anne Frank, morta aos 15 anos em fevereiro de 1945 pela barbárie nazista. “Sempre quis fazer um mural sobre esta jovem”, diz o artista, que escolheu como título uma das frases mais representativas da escritora, “Deixe-me ser eu mesma”. “Ela é fundamental em um mundo onde a identidade de cada um deveria ser respeitada”, afirma. Outras personalidades que contribuíram para a paz, a liberdade, a arte e o humanismo foram pintadas por Kobra, como Nelson Mandela, Martin Luther King, Malala Yousafzai, Dalai Lama, Mahatma Gandhi, Madre Teresa de Calcutá e John Lennon.
Pouco antes dos Jogos Olímpicos, ele encantou o mundo ao fazer no Rio o mural “Todos Somos Um”, monumental trabalho de 2.646,34 m² em que representa os cinco continentes. A obra foi reconhecida pelo Guinness como o maior mural grafitado do mundo. Viajando direto – em fevereiro ele vai pintar nos Emirados Árabes e depois em Nova York –, Kobra segreda que adora conhecer novas culturas, mas tem uma paixão enorme pelo Brasil, especificamente por São Paulo. “São Paulo sempre foi e vai ser a plataforma do meu trabalho. Sem esta cidade eu nem existiria como artista”, diz Kobra, para quem a arte urbana é sempre bem-vinda na cidade: “Quanto mais arte na rua, melhor”.
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Texto de Chantal Brissac originalmente publicado na edição nᵒ 88 da revista "29horas" (matéria de capa). A publicação foi editada por Chantal Brissac e Kike Martins da Costa.

Sotheby’s realiza primeiro leilão de arte erótica em Londres

São 107 peças picantes, como desenhos, pinturas, esculturas e peças de design. O leilão, intitulado “Erotic: Passion & Desire”, ocorre em 16/02/17. Abrange desde antiguidades até a arte contemporânea. +

A Sotheby’s está saindo da zona de conforto com a realização de seu primeiro leilão de arte erótica, em Londres. São peças em torno das temáticas do amor e do sexo, abrangendo desde antiguidades até a arte contemporânea. Além disso, a renomada casa de leilões convidou Rowan Pelling, editor do periódico "Erotic Review", para editar o catálogo do leilão.
São 107 peças picantes, como desenhos, pinturas, esculturas e peças de design. A exibição ocorre entre os dias 11 e 15/02/17. O leilão, intitulado “Erotic: Passion & Desire”, ocorre em 16/02/17 na Sotheby’s de Londres.
Entre os destaques está uma cama francesa de mogno do século 19, com a representação de duas sereias (topless). É o lote mais caro do pregão, avaliado entre £ 500 mil e £ 800 mil (de US$ 624 mil a US$ 998 mil). Como demonstrativo da ampla gama e da natureza eclética do leilão, o item com estimativa mais baixa é um fálico vaso Shiva (de £ 200 a £ 300 / US$ 250 – US$ 375).
"Este leilão revela nossa capacidade de reunir uma fascinante variedade de obras de arte e objetos de muitas disciplinas", disse o diretor Constantine Frangos ao "Daily Mail". Segundo ele, o leilão "traça uma história, ao mesmo tempo que apresenta obras impressionantes de artistas tão ecléticos como Picasso, Man Ray, Ettore Sottsass e Marc Quinn".
"Maquette For Siren" (2008), de Quinn, uma escultura em ouro com Kate Moss em uma sensual pose de yoga, tem estimativa entre £ 70 mil e £ 90 mil (de US$ 87 mil a US$ 112 mil). Segundo declaração do escultor britânico à Sotheby's, a peça "representa tudo o que atrai as pessoas: dinheiro, perfeição, imagens inatingíveis, todas essas coisas".
O leilão conta ainda com uma série de quatro gravuras de pin-ups assinada por Mel Ramos - estimativa entre £ 5 mil e £ 7 mil (de US$ 6 mil a US$ 8,7 mil).
Por fim, há ainda uma seleção de trabalhos dos mais importantes nomes da fotografia contemporânea, como Robert Mapplethorpe, Helmut Newton, Hans Bellmer e Thomas Ruff.
"A arte sempre existiu para contar uma história humana e o sexo sempre fez parte dessa história, seja para coagir, chocar ou seduzir", afirmou Frangos. "Na verdade, o erotismo na arte sempre existiu. Nosso leilão vai levar o espectador por uma viagem através dos séculos."
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Texto de Henri Neuendorf originalmente publicado, em inglês, no site "Artnet" (www.artnet.com) | 06/02/17.
Na foto, gravura de Mel Ramos.

Feira TEFAF New York Spring estreia com 92 galerias

A tradicional feira europeia TEFAF anunciou a lista de expositores da primeira edição do evento de primavera em Nova York, entre os dias 04 e 08/05/17. São 92 expositores. A galeria paulistana Bergamin & Gomide é a única brasileira participante. +

A tradicional feira europeia TEFAF, original de Maastricht (Holanda), anunciou a lista de expositores da primeira edição de primavera em Nova York. A feira internacional intitulada TEFAF New York Spring tem a participação de 92 expositores, com ênfase em arte moderna e contemporânea e também em design. A galeria paulistana Bergamin & Gomide é a única brasileira participante. O evento ocorre no Park Avenue Armory entre os dias 04 e 08/05/17.
Além de arte moderna, contemporânea e design, um pequeno número de participantes apresenta joias, antiguidades e arte africana e da Oceania.
“A TEFAF está comprometida com um padrão único de excelência em todos os aspectos da experiência da feira de arte, o que o tornou um evento cultural amado na Europa e mais recentemente em Nova York em outubro passado. Estamos ansiosos para apresentar uma segunda feira em Nova York, que se concentrará em obras do século 20 e contemporânea, mas também mantém o caráter distinto da TEFAF “, disse Patrick van Maris, CEO da TEFAF.
“Os Estados Unidos são reconhecidos pela vitalidade de seu mercado de arte e Nova York é considerada o seu coração”, comentou Michael Plummer, diretor administrativo da TEFAF de Nova York. “Além disso, arte moderna e contemporânea constam como os dois maiores segmentos de vendas de arte. Isso, combinado com a localização privilegiada da feira e a reputação de excelência da TEFAF, deu a nós e aos nossos expositores grandes expectativas de sucesso”.

Confira a lista de galerias:

- Acquavella Galleries / Nova York
- Adrian Sassoon / Londres
- Alon Zakaim Fine Art / Londres
- Anthony Meier Fine Arts / São Francisco
- Applicat-Prazan / Paris
- Axel Vervoordt / Antuérpia
- Barbara Mathes Gallery / Nova York
- Beck & Eggeling International Fine Art / Düsseldorf
- Ben Brown Fine Arts / Londres
- Bergamin & Gomide / São Paulo
- Berggruen Gallery / São Francisco
- Bernard Goldberg Fine Arts, LLC / Nova York
- Bowman Sculpture / Londres
- Cahn International AG / Basel
- Cardi Gallery / Milão
- Carpenters Workshop Gallery / Nova York
- Charles Ede Ltd / Londres
- Connaught Brown / Londres
- Dansk Møbelkunst Gallery / Copenhagen
- David Ghezelbash Archéologie / Paris
- David Tunick, Inc. / Nova York
- David Zwirner / Nova York e Londres
- DeLorenzo Gallery / Nova York
- Demisch Danant / Nova York
- Di Donna Galleries / Nova York
- Dickinson / Nova York
- Didier Ltd / Londres
- Edward Tyler Nahem Fine Art / Nova York
- Eykyn Maclean / Nova York
- Francis M. Naumann Fine Art / Nova York
- Galería Sur / Departamento de Maldonado, Uruguai
- Galerie Boulakia / Paris
- Galerie Gmurzynska / Zurique
- Galerie Jacques Germain / Montreal
- Galerie Karsten Greve AG / Colônia, Paris e St. Mortiz
- Galerie kreo / Londres e Paris
- Galerie Lefebvre / Paris
- Galerie Meyer – Oceanic Art / Paris
- Galerie Perrotin / Nova York e Paris
- Galerie Thomas / Munique
- Gana Art Gallery / Seul
- Hammer Galleries / Nova York
- Hans P. Kraus / Nova York
- Hauser & Wirth / Los Angeles, Nova York, Londres e Zurique
- Hazlitt Holland-Hibbert / Londres
- Helly Nahmad Gallery / Nova York
- Hidde van Seggelen / Londres
- Hostler Burrows / Nova York
- James Butterwick / Londres
- John Szoke Gallery / Nova York
- Keitelman Gallery / Bruxelas
- L’Arc en Seine / Paris
- Laffanour – Galerie Downtown / Paris
- Leon Tovar Gallery / Paris
- Lisson Gallery / Nova York e Londres
- Luhring Augustine / Nova York
- Magen H Inc / Nova York
- Marlborough Gallery / Nova York e Londres
- Mazzoleni / Londres e Torino
- Merrin Gallery, Inc. / Nova York
- Modernity / Estocolmo
- Offer Waterman / Londres
- Osborne Samuel Ltd / Londres
- Oscar Graf / Paris
- Patrick Derom Gallery / Bruxelas
- Paul Kasmin Gallery / Nova York
- Peter Freeman / Nova York
- Petzel Gallery / Nova York
- Phoenix Ancient Art / Nova York
- REZA / Paris
- Richard Gray Gallery / Nova York e Chicago
- Richard Green / Londres
- Richard Nagy Ltd. / Londres
- Robilant + Voena / Londres
- Rossi & Rossi / Londres
- Sean Kelly / Nova York
- Simon Teakle Fine Jewelr / Greenwich
- Skarstedt Gallery / Nova York e Londres
- Stellan Holm Gallery / Nova York
- Tambaran Gallery / Nova York
- Thomas Gibson Fine Art Ltd / Londres
- Tina Kim Gallery / Nova York
- Tornabuoni Arte / Florença
- Vallois / Paris
- Van de Weghe Fine Art / Nova York
- Vedovi Gallery / Bruxelas
- Vintage 20 / Nova York
- White Cube / Londres
- Wienerroither & Kohlbacher / Viena
- Yufuku Gallery / Tóquio
- Yves Macaux / Ixelles

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Fonte: site "Touch of Class" (www.touchofclass.com.br) | 07/02/17.

Feira de arte contemporânea africana 1:54 divulga galerias participantes

A 3ª edição da feira nos EUA acontece entre 5 e 7/5 em Nova York +

A feira de arte contemporânea africana 1:54, que retorna ao Pioneer Works, no Brooklyn, em Nova York, para a 3ª edição, entre os dias 05 e 07/05/17, anunciou a lista de galerias e artistas participantes.
A pequena feira é um pouco maior neste ano, com duas galerias a mais, totalizando 19. A composição do evento, no entanto, é bem diferente da edição anterior, com oito galerias estreantes no evento, entre elas Taymour Grahne Gallery (Nova York), Mov’Art Gallery (Luanda, Angola) e Rosenfeld Porcini (Londres). Quem retorna é a Voice Gallery (Marrakech, Marrocos), que esteve presente na edição inaugural em 2015. Sete galerias não retornam à feira neste ano, como Mariane Ibrahim Gallery (Seattle) e Richard Taittinger Gallery (Nova York).
Segundo a diretora Touria El Glaoui, que fundou a feira em Londres em 2013, apresentar um novo mix de galerias a cada ano é parte essencial do sucesso do evento. “Faz parte da nossa estratégia”, disse ela ao "Artnet". “Estamos empolgados em apresentar um novo conjunto de galerias, mostrando assim a diversidade da feira”
Neste ano houve candidatura de galerias; nas edições anteriores, as participações foram mediante convite. Pela primeira vez participam galerias de Angola e Gana. A Gallery 1957, fundada em 2016 em Accra (Gana), participa pela primeira vez de uma feira nos Estados Unidos, depois de marcar presença na última 1:54 de Londres, com obras dos artistas ganeses Jeremiah Quarshie e Serge Attukwei Clottey. Não fosse a feira em Nova York, segundo Touria, seria necessário ir à África para ver obras deles.

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Galerias participantes

(S)ITOR, Sitor Senghor (Paris)
50 Golborne (Londres)
AFRONOVA (Joanesburgo, África do Sul)
ARTLabAfrica (Nairobi, Quênia)
David Krut Projects (Joanesburgo / África do Sul e Nova York)
Ed Cross Fine Art (Londres)
Galerie Cécile Fakhoury (Abidjan, Costa do Marfim)
Gallery 1957 (Accra, Gana)
Jack Bell Gallery (Londres)
MAGNIN-A (Paris)
MOV’ART Gallery (Luanda, Angola)
Officine dell’Immagine (Milão, Itália)
ROOM Gallery & Projects (Joanesburgo, África do Sul)
Rosenfeld Porcini (Londres)
TAFETA (Londres)
Taymour Grahne Gallery (Nova York)
Tyburn Gallery (Londres)
Vigo Gallery (Londres)
VOICE Gallery (Marrakech, Marrocos)

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Artistas:

Adeniyi Olagunju (Nigéria)
Aida Muluneh (Etiópia)
Antoine Tempé (França)
Armand Boua (Costa do Marfim)
Babajide Olatunji (Nigéria)
Ben Enwonwu MBE (Nigéria)
Benon Lutaaya (Uganda)
Billie Zangewa (Malawi)
Boris Nzebo (Gabão)
Cheikh Ndiaye (Senegal)
Chéri Samba (Congo)
Derrick Adams (EUA)
Diane Victor (Alemanha)
Dimitri Fagbohoun (Benin)
Emo de Medeiros (Benin)
Ernest Düku (Costa do Marfim)
Filipe Branquinho (Moçambique)
Houston Maludi (Congo)
Ibrahim El-Salahi (Sudão)
Ihosvanny (Angola)
J.D. ‘Okhai Ojeikere (Nigéria)
Jeremiah Quarshie (Gana)
Jodi Bieber (África do Sul)
Joël Andrianomearisoa (Madagascar)
JP Mika (Congo)
Kimathi Donkor (Reino Unido)
Kura Shomali (Congo)
Laila Alaoui (Marrocos)
Lawrence Lemaoana (África do Sul)
Lebohang Kganye (África do Sul)
Mack Magagane (África do Sul)
Malala Andrialavidrazana (Madagascar)
Malick Sidibé (Mali)
Marcia Kure (Nigéria)
Maurice Mbikayi (Congo)
Mbali Mdluli (África do Sul)
Modupeola Fadugba (Togo)
Moffat Takadiwa (Zimbabwe)
Mohamed Melehi (Marrocos)
Mohau Mokadiseng (África do Sul)
Monica De Miranda (Portugal)
Ndidi Emefiele (Reino Unido)
Nontsikelelo Veleko (África do Sul)
Nu Barreto (Guiné-Bissau)
Olalekan Jeyifous (Togo)
Omar Victor Diop (Senegal)
Paul Onditi (Quênia)
Romuald Hazoumè (Benin)
Senzeni Marasela (África do Sul)
Serge Attukwei Clottey (Gana)
Seydou Keïta (Mali)
Seyni Awa Camara (Senegal)
Sikhumbuzo Makandula (África do Sul)
Steve Bandoma (Congo)
Temitayo Ogunbiyi (Nigéria)
Vincent Michéa (França)
William Kentridge (África do Sul)
Wura-Natasha Ogunji (EUA)
Zak Ové (Reino Unido)

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Texto de Sarah Cascone originalmente publicado, em inglês, no site "Artnet" (www.artnet.com) | 02/02/17.
Na foto, detalhe de obra de Nu Barreto (Guiné-Bissau) - cortesia da galeria (S)ITOR, Sitor Senghor (Paris).

Sotheby’s promove lorde Harry Dalmeny a presidente da casa no Reino Unido

Há 26 anos na Sotheby's, ele agora sucede James Stourton. "Enquanto o Lehman Bros e o sistema bancário estavam em colapso, eu estava vendendo uma zebra em um tanque de formol". +

O lorde Harry Dalmeny, há 26 anos na Sotheby's, foi nomeado como novo presidente casa de leilões no Reino Unido. Ele sucede James Stourton, que deixou o cargo em 2012. Dalmeny, de 49 anos, teve sua primeira experiência com a Sotheby’s quando tinha nove anos de idade, quando itens de sua família foram a leilão após a morte de seu avô. "Todo leiloeiro tem sua proveniência e eu nasci como a fênix, das cinzas da coleção da minha família", disse Dalmeny em comunicado à imprensa. "Harry é uma força extraordinária da natureza, que atrai a todos", disse o CEO da Sotheby's, Tad Smith, também em anúncio oficial.
Dalmeny está na Sotheby’s desde 1991, inicialmente na equipe de Old Masters (mestres antigos), mobiliário e prataria. Em 1999, se tornou diretor do departamento de vendas de imóveis. Quatro anos depois, assumiu como presidente da Sotheby’s Olympia, em Londres. Desde 2006, dirige a Sotheby’s New Bond Street. A Sotheby’s considera Dalmeny figura central na venda de imóveis, entre eles o do Duque e da Duquesa de Windsor (1998).
Ele também esteve envolvido em importantes vendas de arte contemporânea. Foi o leiloeiro de “Beautiful Inside My Head Forever”, controverso leilão em 2008 em que o artista Damien Hirst colocou trabalhos de sua autoria em pregão. "Enquanto o Lehman Bros e o sistema bancário estava em colapso, eu estava vendendo uma zebra em um tanque de formol", disse Dalmeny. “Isso foi um contraste épico”.
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Fonte: texto de Brian Boucher originalmente publicado, em inglês, no site "Artnet" (www.artnet.com) | 02/02/17.

Sorry, Trump: Ikea Foundation recebe prêmio de design por abrigo para refugiados

Better Shelter da Ikea: mais de 30 mil unidades já estão sendo usadas por vítimas de conflitos e desastres naturais. +

A Ikea recebeu do Design Museum, de Londres, o prêmio Beazley Design of the Year pelo “Better Shelter”. O projeto é assinado por Johan Karlsson, Dennis Kanter, Christian Gustafsson, John van Leer, Tim de Haas, Nicolò Barlera, a fundação Ikea e a UNHCR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados).
A iniciativa desenvolveu casas mais dignas e seguras para vítimas de desastres naturais e conflitos, trazendo a indústria do design para usar a sua veia inovadora e criar esses abrigos emergenciais. Eles são feitos com tecnologia flat-pack, muito usada em móveis: o abrigo é erguido a partir de peças pré-fabricadas e modulares, o que facilita a montagem e o transporte.
O pacote da casa já vem com todas as ferramentas necessárias para o seu levantamento, o qual dura cerca de quatro horas. A porta da frente do abrigo tem fechadura, trazendo mais privacidade para os moradores, e o projeto conta com uma parede que, na verdade, é um painel de energia solar. 30 mil unidades dos Better Shelters já estão sendo usados ao redor do mundo. Cada casa tem capacidade para uma família de cinco pessoas.
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Better Shelter: bettershelter.org
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Texto de Odhara Caroline originalmente publicado no site "Giz" (http://gizbrasil.com) | 07/02/17.

Bienal de Veneza divulga lista de artistas da mostra

São 120 artistas na mostra principal. Os brasileiros participantes são Paulo Bruscky, Ayrson Heráclito, Erika Verzutti e Ernesto Neto. O evento começa em 13/05/17. +

De forma discreta, a organização da Bienal de Veneza divulgou a lista de artistas participantes da mostra principal do evento, que começa em 13/05/17. Com o título "Viva Arte Viva" e curadoria de Christine Macel, a relação traz pesos-pesados já falecidos, como Bas Jan Ader e Franz West, pesos-pesados vivos como Kiki Smith e Olafur Eliasson, e também jovens poderosos como Rachel Rose e Dawn Kasper. Veja abaixo a lista completa de artistas, em ordem alfabética por sobrenome.
Nota do Mapa das Artes: os brasileiros participantes da mostra principal são Paulo Bruscky, Ayrson Heráclito, Erika Verzutti e Ernesto Neto. Já o pavilhão do Brasil é ocupado por Cinthia Marcelle.

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1. ADER, Bas Jan
Nascimento: 1942; Holanda. Falecimento: 1975.

2. AL SAADI, Abdullah
Nascimento: 1967; Emirados Árabes. Vive e trabalha em Khor Fakkan (Emirados Árabes)

3. ALADAG, Nevin
Nascimento: 1972; Turquia. Vive e trabalha em Berlim.

4. ANTUNES, Leonor
Nascimento: 1972; Portugal. Vive e trabalha em Berlim.

5. ARAEEN, Rasheed
Nascimento: 1935; Paquistão. Vive e trabalha em Londres.

6. ARANCIO, Salvatore
Nascimento: 1974; Itália. Vive e trabalha em Londres.

7. ATIKU, Jelili
Nascimento: 1968; Nigéria. Vive e trabalha em Lagos (Nigéria).

8. ATLAS, Charles
Nascimento: 1949; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

9. ATTIA, Kader
Nascimento: 1970; França. Vive e trabalha em Paris.

10. ÁVILA FORERO, Marcos
Nascimento: 1983; França. Vive e trabalha em Paris e Bogotá (Colômbia).

11. BANERJEE, Rina
nascimento: 1963; Índia. Vive e trabalha em Nova York.

12. BEUTLER, Michael
Nascimento: 1976; Alemanha. Vive e trabalha em Berlim.

13. BINION, McArthur
Nascimento: 1946; EUA. Vive e trabalha em Chicago.

14. BLACK, Karla
Nascimento: 1972; Reino Unido. Vive e trabalha em Glasgow.

15. BLANK, Irma
Nascimento: 1934; Alemanha. Vive e trabalha em Milão.

16. BLAZY, Michel
Nascimento: 1966; Principado de Mônaco. Vive e trabalha em Paris (França).

17. BRUSCKY, Paulo
Nascimento: 1949; Brasil. Vive e trabalha em Recife.

18. BUCHER, Heidi
1926-1993; Suíça.

19. CALAND, Huguette
Nascimento: 1931; Líbano. Vive e trabalha em Los Angeles (EUA).

20. CHARRIÈRE, Julian
Nascimento: 1987; Suíça. Vive e trabalha em Berlim (Alemanha).

21. CIACCIOFERA, Michele
Nascimento: 1969; Itália. Vive e trabalha em Paris (França).

22. CORDIANO, Martín
Nascimento: 1975; Argentina. Vive e trabalha em Londres (Inglaterra).

23. CSOR̈GŐ, Attila
Nascimento: 1965; Hungria. Vive e trabalha em Bialystok (Polônia).

24. CURNIER JARDIN, Pauline
Nascimento: 1980; França. Vive e trabalha em Amsterdam (Holanda).

25. DANZ, Mariechen
Nascimento: 1980; Irlanda. Vive e trabalha em Berlim (Alemanha).

26. DEKYNDT, Edith
Nascimento: 1960; Bélgica. Vive e trabalha em Berlim (Alemanha).

27. DÍAZ MORALES, Sebastián
Nascimento: 1975; Argentina. Vive e trabalha em Amsterdam (Holanda).

28. DOWNEY, Juan
Nascimento: 1940; Chile. Falecimento: 1993; EUA.

29. ELIASSON, Olafur
Nascimento: 1967; Dinamarca. Vive e trabalha em Copenhagen (Dinamarca ) e Berlim (Alemanha).

30. ENGSTED, Søren
Nascimento: 1974; Dinamarca. Vive e trabalha em Copenhagen.

31. FIŠKIN, Vadim
Nascimento: 1965; Rússia. Vive e trabalha em Ljubljana (Eslovênia).

32. GARCÍA URIBURU, Nicolás
1937–2016, Argentina

33. GENG, Jianyi
Nascimento: 1962; China. Vive e trabalha em Hangzhou.

34. GILLIAM, Sam
Nascimento: 1933; EUA. Vive e trabalha em Washington, D.C.

35. GRIFFA, Giorgio
Nascimento: 1936; Itália. Vive e trabalha em Torino.

36. GUAN, Xiao
Nascimento: 1983; China. Vive e trabalha em Pequim.

37. GUARNERI, Riccardo
Nascimento: 1933; Itália. Vive e trabalha em Florença.

38. GUTIÉRREZ, Cynthia
Nascimento: 1978; México. Vive e trabalha em Guadalajara.

39. HAINS, Raymond
1926–2005; França.

40. HAJAS, Tibor
1946–1980; Hungria.

41. HALILAJ, Petrit
Nascimento: 1986; Kosovo. Vive e trabalha em Berlim (Alemanha).

42. HALPRIN, Anna
Nascimento: 1920; EUA. Vive e trabalha em Kentfield / Califórnia.

43. HAO, Liang
Nascimento: 1983; China. Vive e trabalha em Pequim.

44. HERÁCLITO, Ayrson
Nascimento: 1968; Brasil. Vive e trabalha em Salvador / Bahia.

45. HICKS, Sheila
Nascimento: 1934; EUA. Vive e trabalha em Paris (França).

46. HOPE, Andy
Nascimento: 1930; Alemanha. Vive e trabalha em Berlim.

47. KASPER, Dawn
Nascimento: 1977; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

48. KHAN, Hassan
Nascimento: 1975; Reino Unido. Vive e trabalha no Cairo (Egito).

49. KIM, Sung Hwan
Nascimento: 1975; Coréia. Vive e trabalha em Nova York.

50. KONATE, Abdoulaye
Nascimento: 1953; Mali. Vive e trabalha em Bamako.

51. KORINA, Irina
Nascimento: 1977; Rússia. Vive e trabalha em Moscou.

52. KWADE, Alicja
Nascimento: 1979; Polônia. Vive e trabalha em Berlim (Alemanha).

53. LAI, Firenze
Nascimento: 1984; Hong Kong. Vive e trabalha em Hong Kong.

54. LAI, Maria
1919–2013; Itália.

55. LANCETA, Teresa
Nascimento: 1951; Espanha. Vive e trabalha em Alicante e Barcelona.

56. LATHAM, John
Nascimento: 1921; Zambia. Falecimento: 2006; Reino Unido.

57. LEE Mingwei
Nascimento: Taiwan; 1964. Vive e trabalha em Paris (França).

58. LEIBOVICI, Franck
Nascimento: 1975; França. Vive e trabalha em Paris.

59. LEWITT, Sam
Nascimento: 1981; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

60. LIU, Jianhua
Nascimento: 1962; China. Vive e trabalha em Xangai.

61. LIU, Ye
Nascimento: 1964; China. Vive e trabalha em Pequim.

62. MAKHACHEVA, Taus
Nascimento: 1983; Rússia. Vive e trabalha em Moscou e Makhachkala.

63. MALLUH, Maha
Nascimento: 1959; Arábia Saudita. Vive e trabalha em Riyadh.

64. MARWAN
Nascimento: 1934; Síria. Falecimento: 2016; Alemanha.

65. MATSUTANI, Takesada
Nascimento: 1937; Japão. Vive e trabalha em Paris.

66. MEDALLA, David
Nascimento: 1938; Filipinas. Vive e trabalha em Londres.

67. MILLER, Dan
Nascimento: 1961; EUA. Vive e trabalha em Oakland.

68. MILLER, Peter
Nascimento: 1978; EUA. Vive e trabalha em Colônia e Dusseldorf (Alemanha).

69. MIRALDA, Antoni; RABASCALL, Joan; SELZ, Dorothée; XIFRA, Jaume
Nascimento: 1942; Espanha. Vive e trabalha em Barcelona.
Nascimento: 1935; espanha. Vive e trabalha em Paris.
Nascimento: 1946; França. Vive e trabalha em Paris.
Nascimento: 1934; Espanha. Falecimento: 2014; França.

70. MONDRIAN FAN CLUB (David Medalla e Adam Nankervis)
Nascimento: 1938; Filipinas. Vive e trabalha em Londres.
Nascimento: 1965; Austrália. Vive e trabalha em Londres e Berlinm.

71. MURESAN, Ciprian
Nascimento: 1977; Romênia. Vive e trabalha em Cluj.

72. NENGUDI, Senga
Nascimento: 1943; EUA. Vive e trabalha em Colorado Springs.

73. NETO, Ernesto
Nascimento: 1964; Brasil. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

74. NUÑEZ, Katherine e RODRIGUEZ, Issay
Nascimento: 1992; Filipinas.
Nascimento: 1991; Filipinas.
Vivem e trabalham em Marikina.

75. OHO
Fundado em 1966; baseado em Kranj e Ljubljana (Eslovênia) desde 1971.

76. OROZCO, Gabriel
Nascimento: 1962; México. Vive e trabalha em Tóquio.

77. PARRENO, Philippe
Nascimento: 1964; Algéria. Vive e trabalha em Paris.

78. PICH, Sopheap
Nascimento: 1971; Camboja. Vive e trabalha em Phnom Penh.

79. PLNÝ, Lubos
Nascimento: 1961; República Checa. Vive e trabalha em Praga.

80. POGACNIK, Marko
Nascimento: 1944; Eslovênia. Vive e trabalha em Sempas.

81. POLSKA, Agnieszka
Nascimento: 1985; Polônia. Vive e trabalha em Berlim.

82. POOTOOGOOK, Kananginak
1951–2010; Canadá.

83. PORTER, Liliana
Nascimento: 1941; Argentina. Vive e trabalha em Nova York.

84. QUINLAN, Eileen
Nascimento: 1972; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

85. RAHMOUN, Younès
Nasimento: Marrocos; 1975. Vive e trabalha em Tetouan.

86. RAMA, Edi
Nascimento: 1964; Albânia. Vive e trabalha em Tirana.

87. RAMÍREZ, Enrique
Nascimento: 1979; Chile. Vive e trabalha em Paris e Santiago.

88. RAMÍREZ-FIGUEROA, Naufus
Nascimento: 1978; Guatemala. Vive e trabalha em Berlim.

89. ROSE, Rachel
Nascimento: 1986; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

90. SALA, Anri
Nascimento: 1974; Albânia. Vive e trabalha em Berlim.

91. SÁNCHEZ, Zilia
Nascimento: 1926; Cuba. Vive e trabalha em San Juan.

92. SAPOUNTZIS, Yorgos
Nascimento: 1976; Grécia. Vive e trabalha em Berlim.

93. SCOTT, Judith
1943–2005; EUA.

94. SHARIF, Hassan
1951–2016; Emirados Árabes.

95. SHAVER, Nancy
Nascimento: 1946; EUA. Vive e trabalha em Jefferson e Hudson / Nova York.

96. SHAW, Jeremy
Nascimento: 1977; Canadá. Vive e trabalha em Berlim.

97. SHERK, Bonnie Now
Nascimento: EUA. Vive e trabalha em Nova York e São Francisco.

98. SHIMABUKU
Nascimento: 1969; Japão. Vive e trabalha em Naha.

99. SMITH, Kiki
Nascimento: 1954; Alemanha. Vive e trabalha em Nova York e Catskills.

100. STARK, Frances
Nascimento: 1967; EUA. Vive e trabalha em Los Angeles.

101. STILINOVIĆ, Mladen
Nascimento: 1947; Sérvia. Falecimento: Croácia.

102. STOLTE, Fiete
Nascimento: 1979; Alemanha. Vive e trabalha em Berlim.

103. STUART, Michelle
Nascimento: 1933; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

104. SUGA, Kishio
Nascimento: 1944; Japão. Vive e trabalha em Ito.

105. TANAKA, Koki
Nascimento: 1975; Japão. Vive e trabalha em Kyoto.

106. TENGER, Hale
Nascimento: 1960; Turquia. Vive e trabalha em Istanbul.

107. THE PLAY
Fundado em 1967 no Japão; baseado na região de Kansai.

108. TOULOUB, Achraf
Nascimento: 1986; Marrocos. Vive e trabalha em Paris.

109. TRAN, Thu Van
Nascimento: 1979; Vietnã. Vive e trabalha em Paris.

110. UPRITCHARD, Francis
Nascimento: 1976; Nova Zelândia. Vive e trabalha em Londres.

111. VERZUTTI, Erika
Nascimento: 1971; Brasil. Vive e trabalha em São Paulo.

112. VOIGNIER, Marie
Nascimento; 1974; França. Vive e trabalha em Paris.

113. VOROBYEVA, Yelena and VOROBYEV, Viktor
Nascimento: 1959; Turcomenistão.
Nascimento: 1959; Cazaquistão.
Vivem e trabalham em Almaty (Cazaquistão).

114. WAHEED, Hajra
Nascimento: 1980; Canadá. Vive e trabalha em Montreal.

115. WALTHER, Franz Erhard
Nascimento: 1939; Alemanha. Vive e trabalha em Fulda.

116. WATERS, John
Nascimento: 1946; EUA. Vive e trabalha em Baltimore.

117. WEST, Franz
1947–2012; Áustria.

118. WYN EVANS, Cerith
Nascimento: 1958; Reino Unido. Vive e trabalha em Londres.

119. YEESOOKYUNG
Nascimento: 1963; Coreía. Vive e trabalha em Seul.

120. ZHOU, Tao
Nascimento: 1976; China. Vive e trabalha em Guangzhou.

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Texto de Andrew Russeth originalmente publicado, em inglês, no site "ArtNews" (www.artnews.com) | 06/02/17.
Na foto, o brasileiro Paulo Bruscky.

Bienal de Veneza escala Paulo Bruscky e outros três artistas brasileiros

O tradicional evento italiano, que começa em maio, vai contar com obras de Paulo Bruscky, Ayrson Heráclito, Erika Verzutti e Ernesto Neto na mostra principal. Já o pavilhão do Brasil é ocupado por Cinthia Marcelle. +

Quatro artistas brasileiros, Ayrson Heráclito, Erika Verzutti, Ernesto Neto e Paulo Bruscky, estarão na mostra principal da próxima Bienal de Veneza, que começa em maio. Eles foram escalados pela francesa Christine Macel, à frente desta edição da mostra.
Bruscky é um dos mais relevantes artistas da história da performance e da arte conceitual no país, enquanto Neto é outro nome com grande trânsito internacional -ele já representou o Brasil na edição de 2001 do evento italiano, considerado o mais tradicional do mundo.
Heráclito e Verzutti são nomes em ascensão no circuito global. Também conhecido por suas performances, além de fazer fotografias, Heráclito trabalhou com Marina Abramovic em sua retrospectiva paulistana. Já Verzutti foi uma das grandes revelações da última Bienal de São Paulo, no ano passado.
Outro brasileiro que estará na mostra é a artista Cinthia Marcelle, que ocupará sozinha o pavilhão do país nos Giardini.
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Texto originalmente publicado no jornal "Folha de S. Paulo" | 06/02/17.
Na foto, Paulo Bruscky em seu ateliê no Recife. Crédito: Leo Caldas / Folhapres.