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Inhotim solta Nota de Esclarecimento

Nota de esclarecimento sobre a posição da instituição em relação a condenação de prisão de Bernardo Paz, no site oficial do Instituto Inhotim, em 17/11/17. +

A propósito da nota divulgada hoje pelo Ministério Público Federal (MPF), replicada, na íntegra ou em partes, por diversos veículos de comunicação, o Instituto Inhotim esclarece que é uma instituição sem fins lucrativos, qualificada pelo governo estadual como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), sem ligação com as empresas de Bernardo Paz, não respondendo ou participando, portanto, de nenhuma questão de âmbito pessoal que o envolva.

Para realização de suas ações socioeducativas e manutenção de seus acervos botânico e artístico, o Instituto é mantido com recursos de doações de pessoas físicas e jurídicas, de maneira direta e incentivada, com amparo na Lei Federal e Estadual de Incentivo à Cultura.
O Inhotim reforça, por oportuno, que todas as contas da instituição são públicas e que passam por criteriosa prestação junto ao Ministério da Cultura, além de serem submetidas a um rigoroso processo de auditoria realizado pela empresa britânica Ernst & Young, ambos em periodicidade anual.

No anseio de esclarecer os fatos e evitar possíveis equívocos acerca de organizações distintas, e de diferentes naturezas jurídicas, o Instituto Inhotim reforça seu compromisso com a sociedade, com seus parceiros e com a comunidade em seu entorno, na busca incessante pelo desenvolvimento humano através da arte e da botânica.
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Informações do site www.inhotim.org.br/blog

Quadro de Leonardo da Vinci bate recorde em leilão

Salvator Mundi é um dos menos de 20 quadros de Leonardo existentes e o único em mãos privadas. A venda na Christie's de Nova York bateu o recorde de US$ 450,3 milhões (R$ 1,48 bilhão) num leilão nesta quarta-feira (15). +

Um quadro de Leonardo da Vinci que mostra Cristo segurando um globo de cristal foi vendido pelo valor recorde de US$ 450,3 milhões (R$ 1,48 bilhão) num leilão nesta quarta-feira (15), batendo o recorde anterior.

Salvator Mundi ("Salvador do Mundo") é um dos menos de 20 quadros de Leonardo da Vinci existentes e o único em mãos privadas. Ele foi vendido pela leiloeira Christie's em nome do bilionário russo Dmitry Rybolovlev, dono do clube de futebol Mônaco. A identidade do comprador - que adquiriu a pintura por telefone - não foi divulgada.

Aproximadamente 45 clientes - por telefone e na sala de leilões de Nova York - levaram 19 minutos batalhando por meio de ofertas e contraofertas pela obra. A disputa acabou sendo reduzida a apenas dois licitantes, que viram o preço da obra atingir mais do dobro do recorde anterior pago por uma pintura num leilão - o quadro Les Femmes D'Alger ("As mulheres de Argel"), de Pablo Picasso, foi vendido por 179,4 milhões de dólares em maio de 2015.

O preço mais alto pago por qualquer peça de arte era 300 milhões de dólares pelo quadro Interchange, do artista holandês Willem de Kooning, vendido diretamente em setembro de 2015 pela Fundação David Geffen ao gestor de um fundo Kenneth C. Griffin.
A pintura Salvator Mundi, de 66 centímetros, data de cerca de 1500 e mostra Cristo envergando vestuário de estilo renascentista, com a mão direita levantada em bênção e a mão esquerda abaixada segurando uma esfera de cristal.

Criador de Inhotim é condenado à prisão por lavagem de dinheiro

O empresário mineiro Bernardo Paz, idealizador e principal nome de Inhotim, um dos maiores empreendimentos de arte contemporânea do país, foi condenado a nove anos e três meses de prisão em regime fechado pelo crime de lavagem de dinheiro. A decisão é de primeira instância e cabe recurso. Matéria de Marcos de Moura e Souza originalmente publicada no jornal “Valos Econômico”, em 16/11/17. +

O empresário mineiro Bernardo Paz, idealizador e principal nome de Inhotim, um dos maiores empreendimentos de arte contemporânea do país, foi condenado a nove anos e três meses de prisão em regime fechado pelo crime de lavagem de dinheiro. A decisão, da 4ª Vara Federal, é de primeira instância e cabe recurso.
A informação foi divulgada na tarde desta quinta-feira pelo Ministério Público Federal de Minas Gerais, que havia denunciado Paz.
O MPF afirmou, por meio de nota, que a condenação levou em conta operações envolvendo sua mineradora Itaminas e Inhotim. Paz teria usado de artifícios para "lavar dinheiro proveniente da sonegação de contribuições previdenciárias".
A nota do MP diz que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, detectou movimentações irregulares, efetuadas especialmente pela BMP Participação e Empreendimentos Ltda - que era a controladora de todas as empresas que compunham o grupo Itaminas - e pela Horizontes Ltda.
"A Horizontes foi criada por Bernardo Paz com a finalidade de manter o Instituto Cultural Inhotim a partir de doações de suas outras empresas. Ocorre que a maior acionista da Horizontes, a Vine Hill Financial Corp Ltda, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, é uma empresa cujo endereço é o mesmo de diversas pessoas físicas e jurídicas acusadas de cometer crimes de lavagem de dinheiro", continua o MP explicando a condenação.
Segundo o material divulgado, entre 2007 e 2008, a Horizontes recebeu US$ 98,5 milhões do Flamingo Investiment Fund, um fundo sediado nas Ilhas Canárias. "Esses valores foram recebidos a título de doações e/ou empréstimos para o Instituto Cultural Inhotim, mas logo depois foram repassados de diversas formas", disse o MP.
De acordo com a sentença, os recursos foram usados "para o pagamento dos mais variados compromissos de empresas de propriedade de Bernardo de Mello Paz, tendo sido constatados diversos saques em espécie nas contas do grupo sem que se pudesse identificar o destino final dos valores".
Em outro trecho, o MPF diz que a Justiça afirmou que "ficou claramente constatada existência de enorme confusão patrimonial e contábil entre as diversas empresas do Grupo Itaminas."
Ainda segundo a sentença, informou o MP, "a conta da Horizontes não visava unicamente à manutenção do Instituto Cultural Inhotim, mas também servia de conta intermediária para diversos repasses às empresas do Grupo Itaminas".
Virgínia de Mello Paz, irmã de Paz, também foi condenada por lavagem a cinco anos e três meses, em regime semiaberto.
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Matéria de Marcos de Moura e Souza originalmente publicada no jornal “Valos Econômico”, em 16/11/17.

(Nem) toda nudez será castigada

Nem toda nudez, adulta ou infantil, envolve a prática de ato lascivo ou tem por fim a confecção de cena ou imagem sexual. Não apenas em culturas indígenas, como também em muitas práticas comuns no Brasil e em outros países, a nudez está desprovida de qualquer conteúdo lascivo. É o que ocorre, por exemplo, com o naturismo. Artigo de Deborah Duprat e Sergio Gardenghi Suiama publicado na seção "Tendências e Debates" do jornal "Folha de S. Paulo" em 14/11/17. +

Uma grande confusão jurídica está no centro do embate entre aqueles que atacam manifestações artísticas, qualificando-as como "pedófilas", e os que defendem a liberdade da arte, sem considerar outros direitos implicados.
Essa confusão tem, infelizmente, gerado reações emocionais extremadas, amplificadas pelas mídias sociais, e acabam produzindo danos a pessoas e instituições sérias, como o Museu de Arte Moderna de São Paulo. É importante, assim, esclarecer pontos fundamentais sobre o conteúdo e os limites dos direitos em questão.
Para começar, nosso direito penal não pune a pedofilia como transtorno psiquiátrico, mas sim a prática de atos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Essa distinção é importante porque há inúmeros episódios de violência que não são cometidos por pessoas diagnosticadas como pedófilas.
O gerente de hotel que facilita a exploração sexual de uma criança, por exemplo, comete o crime do art. 218-B do Código Penal, mesmo não tendo nenhum transtorno. Entre os abusadores, nem todos são diagnosticados como pedófilos e, segundo o Datasus, a maioria dos casos de violência sexual infantil ocorre no próprio domicílio da vítima.
Os crimes de violência sexual infanto-juvenil estão descritos no Código Penal e no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Todos os crimes envolvem prática de atos lascivos com ou na presença de uma criança, ou ainda a produção, comercialização, distribuição e posse de fotografias e imagens de crianças e adolescentes reais em cena de sexo explícito ou pornográfica.
Ocorre que nem toda nudez, adulta ou infantil, envolve a prática de ato lascivo ou tem por fim a confecção de cena ou imagem sexual. Não apenas em culturas indígenas, como também em muitas práticas comuns no Brasil e em outros países, a nudez está desprovida de qualquer conteúdo lascivo. É o que ocorre, por exemplo, com o naturismo.
Nas artes, a nudez (adulta e infantil) e sua representação fazem parte do registro de todas as civilizações e podem ser vistas em esculturas e pinturas de mais de 5.000 anos.
Performances envolvendo a nudez do artista ocorrem com frequência em museus de arte moderna e contemporânea do mundo, e nunca se pensou em acusar tais instituições de promover pedofilia. Isso ocorre porque, nesses casos, não há a finalidade sexual exigida para a configuração dos crimes do ECA e do Código Penal.
Surge daí outra questão: pode uma criança frequentar uma exposição ou uma apresentação teatral na qual o artista está nu? A resposta que a Constituição e o ECA dão é: cabe aos responsáveis pela diversão ou espetáculo informarem adequadamente ao público sobre o conteúdo do evento e as faixas etárias apropriadas. E cabe aos pais, como reflexo do exercício do poder familiar, o papel de supervisão sobre o conteúdo acessível aos filhos.
Como afirmou o Supremo Tribunal Federal no julgamento que afastou a obrigatoriedade da classificação etária para programas de TV (ADI 2404/DF), "muitos são os fatores que pluralizam as concepções morais e comportamentais das famílias, sejam eles religiosos, econômicos, sociais ou culturais.
Firmou-se, porém, como resguardado, o direito dos dirigentes da entidade familiar a seu livre planejamento, respeitados os postulados da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável".
É importante registrar que, segundo os critérios atualmente adotados pelo Ministério da Justiça, a nudez em si não torna o conteúdo impróprio para crianças, mesmo menores de 10 anos.
De acordo com o guia usado para a classificação indicativa da TV, "nem sempre a ocorrência de cenas que remetem a sexo ou nudez são prejudiciais ao desenvolvimento psicológico da criança, como no caso da nudez não erótica, desde que exposta sem apelo sexual, tal como em contexto científico, artístico ou cultural".
Portanto, nem toda nudez será castigada ou interditada a menores de 18 anos. Não cabe ao Estado, mas sim aos pais, definirem as programações culturais e de entretenimento mais adequadas para seus filhos menores, segundo suas próprias concepções morais e educacionais.
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Artigo de Deborah Duprat e Sergio Gardenghi Suiama publicado na seção "Tendências e Debates" do jornal "Folha de S. Paulo" em 14/11/17.
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DEBORAH DUPRAT, 58, é procuradora federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal
SERGIO GARDENGHI SUIAMA, 46, é procurador da República no Rio de Janeiro

Naufraga campanha pelo Centro de Performance de Marina Abramović

O que poderia ter sido um importante instituto para as artes da performance, não será mais. Apesar de grandes doações via crowdfunding para construir o Instituto Marina Abramović, em Hudson (New York), a campanha ainda não foi o suficiente para construir a instalação planejada por Rem Koolhaas, do Escritório de Arquitetura Metropolitana. Mas o financiamento coletivo não devolverá o dinheiro para os patrocinadores, mas sim para pagar a firma de Koolhaas e realizar uma série de contrapartidas, que inclui abraços com a artista e jantar com sopas. Matéria de Brian Boucher, originalmente publicada no site do artnet News (www.artnet.com), em 07/11/17. +

O que poderia ter sido um importante instituto para as artes da performance, não será mais. Foi isso que o mundo da arte aprendeu no mês passado, apesar de um titanic de doações via crowdfunding para construir o Instituto Marina Abramović, em Hudson, New York.

Então, o que acontece com os US $ 661,452 que foi levantado na campanha de arrecadação do edifício projetado por Rem Koolhaas? Esses 4.765 patrocinadores recuperam o dinheiro?

Em uma palavra, não. O instituto só levantou parte do dinheiro para pagar a firma de Koolhaas, o Escritório de Arquitetura Metropolitana, para desenvolver os primeiros projetos para a construção tanto para planos de "estrutura do edifício, iluminação, acústica e AV", como para cobrir a programação contínua de atividades e operações de escritório, de acordo com o captação de recursos inicial.

Um representante do site Kickstarter disse que esses projetos iniciais da campanha já foram "para nós, concluídos". Abramović não retornou a nenhum dos telefonemas feitos pela reportagem e o instituto se recusou a fazer uma entrevista em seu nome.

O diretor executivo, Thanos Argyropoulos, disse que o instituto finalizou o acordo. "É um certo grau de risco compartilhar o desenvolvimento do instituto com a comunidade, mas é o único caminho para organizações do nosso tamanho também fazer estudos para medir o impacto, o potencial da proposta e realizar uma análise adequada de custos e riscos de projetos envolvendo despesas de capital substanciais", ele escreveu em um e-mail para o Artnet News .

Argyropoulos se recusou a detalhar o quanto do dinheiro foi para os projetos de estruturas e quanto mais para outros fins.

As doações vieram com contrapartidas. Elas incluem um abraço com a artista por uma promessa de US $ 1; um DVD de Abramović demonstrando exercícios, como "bebendo água" e "olho olhando" por US $ 100; além de uma noite de cinema com a artista por US $ 5.000; e, por último, por US $ 10.000, uma noite de "culinária espiritual" com o artista, no qual os convidados fariam várias sopas.

Os termos de uso da Kickstarter indicam que "quando um projeto é financiado com sucesso, o criador deve completar o projeto e cumprir cada recompensa". De acordo com o site, o instituto entregou todos os abraços, todos os DVD’s e as tigelas de sopa, exceto alguns para os quais os destinatários da RSVP falhou na hora.

Abramović é uma figura divisória, tanto amada quanto injuriada na mesma medida. Ela foi objeto de uma retrospectiva blockbuster de grande sucesso no Museu de Arte Moderna de Nova York, "Marina Abramović: The Artist Is Present", em 2010, no qual ela olhou nos olhos dos visitantes dos museus, às vezes com forte efeito emocional. Lady Gaga lançou um vídeo no qual ela praticou o "Método Abramović". Em 2013, na Galeria Pace de Nova York, Jay Z filmou um vídeo inspirado em sua performance no MoMA.

Em um erro notório, Abramović reclamou em uma entrevista de 2015 com Spike Art Quarterly que Jay Z não conseguiu entregar uma doação prometida ao seu instituto. O rapper retrocedeu, produzindo prova da doação; Abramović culpou sua equipe.

Por sua parte, a partir do momento do Kickstarter, Abramović aumentou sua campanha com cerca de US $ 1,5 milhão de seu próprio dinheiro para apoiar o desenvolvimento do instituto - mais do dobro do total de fundos arrecadados. Então pelo menos ninguém pode dizer que ela investiu menos do que ela arrecadou.
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Matéria de Brian Boucher, originalmente publicada no site do artnet News (www.artnet.com), em 07/11/17.

Mostra do Masp sobre sexualidade supõe que qualquer nu liga-se ao sexo

Em meio a tantas manifestações contra a cultura e contra os museus, o que deveria ser uma exposição radical chique virou uma batata quente. Daí, o Masp recuou e proibiu para menores a exibição. Até o catálogo —livro de imagens com poucos textos curtos e simplistas— vinha com tarja proibindo a venda para os inocentes com menos de 18 anos! Coluna de Jorge Coli originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 12/11/17. +

Post-porn é o que eu chamo, para meu uso pessoal, de pornô-cabeça e resumo assim: emprego da pornografia como meio de reflexão. Os debates em torno disso têm mais de 30 anos, mas atingiram um paroxismo nas artes dos últimos tempos.
Artistas e exposições que tomam a sexualidade como tema andam surgindo por todos os lados, e o Masp decerto não quis ficar na rabeira. Inventou a mostra intitulada "Histórias da Sexualidade", aberta mês passado.
A qualidade de várias das obras exibidas é muito alta, começando por aquelas que pertencem ao acervo do museu. A estas se juntaram outras, vindas de várias instituições e coleções particulares.
Mas o tema foi tratado de modo superficial. É verdade que o título autoriza juntar coisas sem grande rigor. Para ordenar um pouco, a curadoria estabeleceu tópicos que lembram o índice de algum manual: corpos nus, totemismos, religiosidades, voyeurismos, linguagens, performatividades de gênero e assim por diante.
A mostra pinça exemplos aqui e ali. Um pouco de cerâmica pré-colombiana, um pouco de Mapplethorpe, um pouco de Carlos Zéfiro, sem que nenhum desses pouquinhos conduza a qualquer aprofundamento.
Algumas obras estão lá sob pretextos forçados, como o autorretrato bigodudo de Gauguin porque ele se interessava pela androginia, ou a maravilhosa "Bailarina de 14 Anos" de Degas, ilustrando o voyeurismo —quando o Masp possui a coleção completa dos nus femininos em bronze desse autor, raramente mostrada.
A moda atual de expor produções de tempos históricos diferentes, comparando-as, é fecunda em certos casos. Aby Warburg foi o genial teórico que teve a ideia de fazer uma história da arte sem palavras em seu "Atlas Mnemosyne", no qual justapõe apenas imagens, fazendo intuir formidáveis relações.
A exposição do Masp sugere um Warburg simplificado, escolar e classificatório. Ela está vazada em museografia saturada, que dificulta a concentração.
A exposição não se deu conta de que existiram vários momentos na história em que as artes se vincularam fortemente ao sexo e, de modo voluntário ou não, os ignorou.
Nada trouxe do decadentismo baudelairiano, por exemplo: entre tantos outros, nem Gustave Moreau, Aubrey Beardsley ou Félicien Rops, este com suas obscenidades blasfemadoras. E nada de surrealismo!
Como imaginar histórias da sexualidade no campo das artes que ignore Delvaux ou Masson, as colagens de Ernst (na falta de telas) ou "A Pintura em Pânico", de Jorge de Lima, para ficar apenas em alguns poucos escolhidos ao acaso? Ok, apontar lacunas é fácil. Mas uma perspectiva minimamente histórica teria proporcionado alguma profundidade e coerência a um conjunto bem desconexo.
Tanto as roupas quanto a nudez podem ser marcadas pela sexualidade. Há roupas eróticas como há nus castos, e vice-versa. No Masp, a mostra supôs que um nu, qualquer nu, por si só, liga-se ao sexo.
Nisto —de modo involuntário, assim espero— coincide com os conservadores de hoje em dia (porque os antigos pelo menos sabiam da existência do "nu artístico" que se vincula à beleza, não ao sexo).
Tanto é que esses novos moralistas invadiram o MAM-SP por causa daquela performance em que a nudez era tão inocente. No caso do Masp, é difícil achar que "As Banhistas" de Manet ou o nu pequenino pintado por Flávio de Carvalho, com formas mal e mal sugeridas, tenham algo a ver com sexualidade.
No entanto, o problema que tem chamado mais a atenção na mostra surgiu de modo imprevisto. Imagino que, para negociar obras e obter empréstimos, a preparação deva ter exigido ao menos entre um ano e meio e dois.
Ora, as mentalidades mudaram muito rapidamente e a exposição começa no momento exato em que o moralismo no Brasil vem animado por uma histeria sem precedentes, vinculando-se a um futuro político de prognóstico aterrador.
Em meio a tantas manifestações contra a cultura e contra os museus, o que deveria ser uma exposição radical chique virou uma batata quente. Daí, o Masp recuou e proibiu para menores a exibição. Até o catálogo —livro de imagens com poucos textos curtos e simplistas— vinha com tarja proibindo a venda para os inocentes com menos de 18 anos!
E agora, graças à lúcida iniciativa do Ministério Público Federal, o museu voltou atrás, liberando a entrada com o acompanhamento dos pais: vexatória contradança.
A gravidade destes fatos não é circunstancial, porque significam um sintoma grave de autocensura. O MPF, por felicidade, tirou a camisa de força com que o Masp havia vestido sua própria inteligência.
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Coluna de Jorge Coli originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 12/11/17.
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HISTÓRIAS DA SEXUALIDADE
QUANDO de ter. a dom., das 10h às 18h; qui., das 10h às 20h; até 14/2/2017
ONDE Masp, av. Paulista, 1578, tel. (11)3251-5644
QUANTO R$ 30, grátis às terças
CLASSIFICAÇÃO 18 anos

Masp para todos: Editorial da Folha de S. Paulo

O jornal "Folha de S. paulo" publicou em sua coluna de editoriais texto sobre nota técnica do Ministério Público Federal e a subsequente decisão do Masp de rever a proibição da mostra "Histórias da Sexualidade" para menores de 18 anos. +

Uma nota técnica do Ministério Público Federal e a subsequente decisão do Masp de rever a proibição da mostra "Histórias da Sexualidade" para menores de 18 anos, mesmo se acompanhados pelos pais, injetaram bom senso na controvérsia sobre a classificação etária de eventos culturais.
O veto, inédito na história do museu, foi adotado diante de circunstâncias incomuns que induziram seus dirigentes a preferir errar por excesso de conservadorismo.
Semanas antes da inauguração da exposição, ganhava corpo no país uma onda de pressões de movimentos conservadores contra o que entendiam ser uma espécie de abuso moral das artes em temas relativos à sexualidade.
Seria ocioso lembrar, não fosse o atual ambiente de polarização política, que é prerrogativa constitucional de qualquer cidadão, entidade ou grupo expressar livremente suas crenças e opiniões.
Nem por isso se justificam tentativas de silenciar pela intimidação a voz da qual se discorda —como infelizmente tem se verificado tanto à direita quanto à esquerda do espectro ideológico.
Os protestos começaram com ataques à mostra "Queermuseu", que acabou cancelada por iniciativa da instituição que a abrigava em Porto Alegre; também o Museu de Arte do Rio (MAR) acabou desistindo do mesmo evento.
Tais recuos deram aos manifestantes ânimo redobrado para prosseguir em sua ofensiva.
Foi nesse ambiente hostil que o Museu de Arte de São Paulo se viu às vésperas de inaugurar sua "Histórias da Sexualidade", prevista havia anos. A opção pelo veto, segundo a instituição, veio após uma consulta jurídica e se baseou no artigo 8 da portaria 368 (de 2014) do Ministério da Justiça.
O texto sugere a impossibilidade de os pais autorizarem o acesso de seus filhos a obras não recomendadas a menores de 18 anos.
No entanto, a norma, apesar de estar em vigor, suscita dúvidas consideráveis quanto a sua compatibilidade com a Constituição de 1988 —que, nesse aspecto, não pode ser considerada iliberal.
A Carta elimina a censura, recusa a tutela do Estado e estabelece que a classificação etária é apenas indicativa, cabendo aos pais decidirem se os filhos devem ou não, por eles acompanhados, assistir a este ou àquele espetáculo.
Em boa hora, a nota técnica da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão reforçou a leitura mais sensata da legislação com argumentos fartos e convincentes.


Masp trata sexualidade como pornografia em mostra superficial

A exposição no Masp (Museu de Arte de São Paulo), dividida em oito segmentos, explora a sexualidade, uma área tão vibrante e cheia de contradições na humanidade, de forma classificatória e frígida. Com isso, o conteúdo, apesar de vibrante na individualidade de cada uma das obras, no conjunto se torna superficial. Crítica de Fabio Cypriano originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 31/10/17. +

"Histórias da Sexualidade", a mostra que se tornou polêmica antes mesmo de sua abertura, por conta da proibição a visitação por menores de 18 anos, está muito distante do que se pode imaginar a partir da temática prometida pelo título.
A exposição no Masp (Museu de Arte de São Paulo), dividida em oito segmentos, explora a sexualidade, uma área tão vibrante e cheia de contradições na humanidade, de forma classificatória e frígida. Com isso, o conteúdo, apesar de vibrante na individualidade de cada uma das obras, no conjunto se torna superficial.
O primeiro segmento, por exemplo, Corpos Nus, reúne de obras-primas do museu, como "A Banhista e o Cão Griffon" (1870), de Renoir, junto a uma deslumbrante tela de Francis Bacon, "Estudo do Corpo Humano" (1949) e "David 10" (2005), de Miguel Ángel Rojas, entre as cerca de 30 selecionadas. Contudo, a repetitiva sucessão de nus aponta para uma quantidade excessiva que se assemelha a uma mirada cientificista.

BRANCO E NEUTRO

Ora, uma exposição sobre sexualidade merece um ambiente mais quente, mas a curadoria da mostra, tendo à frente o diretor artístico do Masp, Adriano Pedrosa, tende a ignorar o legado da arquiteta Lina Bo Bardi, tão fetichizado em sua gestão. As paredes brancas e neutras, que suportam as obras, apenas atestam a falta de ousadia ao tratar do tema.
Nesse sentido, o conjunto que se sobressai é o denominado "Religiosidades", ao mesclar o sensual retrato de São Sebastião, realizado por Pietro Perugino, entre 1500 e 1510, do acervo do museu, com uma foto de Robert Mapplethorpe, uma pintura de Leonilson, desenhos de Leon Ferrari e o vídeo de Virgínia de Medeiros, "Sergio Simone", entre outros trabalhos.
Aí, pode-se perceber como artistas ao longo dos séculos trataram de sexo e religião de forma complexa e crítica, o que também falta nos demais segmentos da mostra.

APELO

Finalmente, proibir uma exposição a menores de 18 anos e colar um selo no catálogo como o texto "Sexo explicito, violência, linguagem imprópria" é tratar a sexualidade como pornografia.
Um museu de arte não deveria se acovardar a esse ponto, até porque está apenas sucumbindo a pressões de grupos desinformados e mal-intencionados.
O que se vê no museu está longe de todo o sexo explícito disponível a qualquer um na internet. No atual contexto, "Histórias da Sexualidade" poderia ser um farol sobre o papel da arte e de suas instituições. Entretanto, nem a curadoria nem o Masp estão em condições de exercer o papel que lhes cabe.
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Crítica de Fabio Cypriano originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 31/10/17.

Revista Art Review divulga lista anual Power 100 nas artes em 2017

Pela primeira vez em 16 anos, a compilação anual dos 100 nomes mais influentes das artes plásticas em 2017 tem uma mulher no topo da lista: a artista, ativista e pensadora alemã Hito Steyerl, que ocupava a 7ª colocação no ano passado. O curador suíço Hans Ulrich Obrist caiu de 1º lugar em 2016 para 6º colocado este ano. O Brasil ocupa três posições na lista: a galerista paulistana Luisa Strina, que marca presença desde 2012 (subiu de 57ª para 49ª posição); o trio de galeristas da Mendes Wood DM (Felipe Dmab, Pedro Mendes e Matthew Wood), que seguraram a 91ª posição; e a galerista Vanessa Carlos, radicada em Londeres, onde dirige a galeria Carlos/Ishikawa. Texto de Celso Fioravante, editor do Mapa das Artes São Paulo, com informações dos portais https://artreview.com/power_100/ e http://www.touchofclass.com.br. +

A revista norte-americana “Art Review” divulgou em sua edição de novembro sua compilação anual dos 100 nomes mais influentes das artes plásticas em 2017. Pela primeira vez em 16 anos de lista uma mulher surge à frente do Power 100: a artista, ativista e pensadora alemã das artes Hito Steyerl, que ocupava a 7ª colocação no ano passado. O curador suíço Hans Ulrich Obrist caiu de 1º lugar em 2016 para 6º colocado este ano. A lista é organizada por um comitê anônimo de 20 especialistas.
Segundo a revista, Hito Steyerl está no topo, pois “tenta ativamente interromper esse nexo de poder Analisando narrativas históricas e políticas em relação à cultura e identidade digitais, Hito Steryl tem sido uma influência consistente sobre jovens artistas emergentes na Europa e em todo o mundo há mais de uma década”.
Quem também está rindo à toa é o antropólogo, sociólogo e filósofo francês Bruno Latour que estreou na lista já entre os Top Ten (9º colocado). A bióloga, filósofa e escritora norte-americana Donna Haraway também não pode reclamar, pois foi a que subiu mais degraus nessa escada da fama, ao galgar 47 posições em um ano (pulou de 86ºlugar para 39º). Igual número de posições (47), mas em sentido contrário, foi o tropeço do artista argentino radicado no mundo Rirkrit Tiravanija, que caiu da 36º para 83º lugar. Parece que as teorias antropológicas, científicas, feministas e de gênero estiveram mais na moda em 2017 que as idealistas e generosas ações artísticas de Tiravanija.
O Brasil ocupa três posições na lista este ano. A galerista paulistana Luisa Strina, que marca presença desde 2012, subiu de 57ª para 49ª posição, talvez por ter sido a organizadora do evento Semana de Arte em São Paulo em agosto. O trio de galeristas da Mendes Wood DM (Felipe Dmab, Pedro Mendes e Matthew Wood) mantiveram a 91ª posição. A galerista Vanessa Carlos, que mantém em Londres a galeria Carlos/Ishikawa (www.carlosishikawa.com) estreou na lista em 100º lugar.
Artistas, críticos, pensadores e filósofos politicamente engajados são destaque nesta edição. A filósofa feminista Donna Haraway está em 3º na lista. O filósofo, sociólogo e antropólogo francês Bruno Latour estreia já na 9ª posição. Judith Butler também estreia, mas numa posição mais discreta: 48. O arquiteto israelense Eyal Weizman, fundador do Forensic Architecture Research, estreou em 94º. Entre os artistas super politizados é possível citar Ai Weiwei (13), David Hammons (19), Theaster Gates (23), Kara Walker (56), Kerry James Marshall (68), Arthur Jafa (81), Rirkrit Tiravanija (83) e Walid Raad (86), entre outros.
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Texto de Celso Fioravante, editor do Mapa das Artes São Paulo, com informações dos portais https://artreview.com/power_100/ e http://www.touchofclass.com.br.
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Veja abaixo a lista completa do Power 100 2017
1 - Hito Steyerl, artista (7ª em 2016)
2 - Pierre Huyghe, artista (24)
3 - Donna Haraway, filósofa (43)
4 - Adam Szymczyk, diretor artístico da Documenta 14 (2)
5 - David Zwirner, galerista (4)
6 - Hans Ulrich Obrist, curador e diretor da Serpentine Galleries em Londres (1)
7 - Iwan e Manuela Wirth, galeristas (3)
8 - Thelma Golden, diretora do Studio Museum, no Harlem (29)
9 - Bruno Latour, antropólogo, sociólogo e filósofo da ciência francês (estreante)
10 - Gavin Brown, galerista (27)
11 - Wolfgang Tillmans, artista (9)
12 - Adam D. Weinberg, director do Whitney Museum of American Art de nY (8)
13 - Ai Weiwei, artista chinês (10)
14 - Joan Jonas, artista (estreia)
15 - Larry Gagosian, galerista (6)
16 - Maria Balshaw, nova diretora da Tate Galleries (estreia)
17 - Glenn D. Lowry, diretor do MoMA de NY (12)
18 - Marian Goodman, galeriasta (13)
19 - David Hammons, artista (estreia)
20 - Monika Sprüth e Philomene Magers, galeristas (14)
21 - Marc e Arne Glimcher, galeristas (19)
22 - Massimiliano Gioni, diretor da Trussardi Foundation e diretor artístico do New Museum de NY (15)
23 - Theaster Gates, artista e ativista (16)
24 - Marc Spiegler, diretor da Art Basel (22)
25 - Nicholas Logsdail, Alex Logsdail e Greg Hilty, galeristas (28)
26 - Christine Macel, curadora da Bienal de Veneza de 2017 (17)
27 - Patricia Phelps de Cisneros, colecionadora e patrona (21)
28 - Bernard Arnault, colecionador, patrono e fundador da Fondation Louis Vuitton (41)
29 - Beatrix Ruf, curadora, adviser e ex-diretora do Stedelijk Museum Amsterdam (11)
30 - Daniel Buchholz, galerista (39)
31 - Maja Hoffmann, colecionadora, patrona e fundadora da LUMA Foundation (26)
32 - Eli e Edythe Broad, colecionadores e patronos (23)
33 - Miuccia Prada, colecionadora, fashion designer e dona da Fondazione Prada (45)
34 - Sadie Coles, galerista (31)
35 - François Pinault, colecionador e fundador da Pinault Collection (35)
36 - Michael Govan, diretor do Los Angeles County Museum of Art (34)
37 - José Kuri e Mónica Manzutto, galeristas mexicanos (32)
38 - Tim Blum e Jeff Poe, galeristas (25)
39 - Jeebesh Bagchi, Monica Narula e Shuddhabrata Sengupta, teóricos e curadores do Raqs Media Collective (86)
40 - Emmanuel Perrotin, galerista (44)
41 - Sheikha Hoor Al-Qasimi, president da Sharjah Art Foundation e da International Biennial Association (40)
42 - Zhang Wei e Hu Fang, fundadores do multidisciplinar Vitamin Creative Space, na China (55)
43 - Nato Thompson, diretor artístico do Creative Times (84)
44 - Hou Hanru, curador e diretor artístico do MAXXI, em Roma (71)
45 - Anton Vidokle, Julieta Aranda e Brian Kuan Wood, fundadores do e-flux website, jornal e outros projetos (37)
46 - Adrian Cheng, colecionador em Hong Kong (54)
47 - Jay Jopling, galerista (33)
48 - Judith Butler, filósofa de gêneros (estreia)
49 - Luisa Strina, galerista e fundadora da Semana de Arte (57)
50 - Christine Tohmé, diretora da Lebanese Association for Plastic Arts e curadora da 13ª Sharjah Biennial (49)
51 - Lorenz Helbling, fundador da Shanghart (76)
52 - Liam Gillick, artista, crítico, professor e escritor (67)
53 - Charles Esche, diretor do Van Abbemuseum (63)
54 - Jeff Koons , artista (30)
55 - Yayoi Kusama, artista (93)
56 - Kara Walker, artista (estreia)
57 - Klaus Biesenbach, director do MoMA PS1 e curador-chefe do MoMA (51)
58 - William Kentridge, artista sul-africano (62)
59 - Suhanya Raffel e Doryun Chong, diretor e curador-chefe do M+ Museum em Hong Kong (estreia)
60 - Philippe Parreno, escritor (estreia)
61 - Esther Schipper, galerista (56)
62 - Elena Filipovic, diretora do Kunsthalle Basel (estreia)
63 - Olafur Eliasson, artista (74)
64 - Barbara Gladstone, galerista (53)
65 - Thaddaeus Ropac, galerista (69)
66 - Massimo de Carlo, galerista italiano (64)
67 - Carolyn Christov-Bakargiev, curadora e escritora especializada em Arte Povera (61)
68 - Kerry James Marshall, artista plástico (estreia)
69 - Patrizia Sandretto Re Rebaudengo, colecionadora, aptrona e presidente da Fundação Sandretto Re Rebaudengo, em Turim e Madri (72)
70 - Claire Hsu, cofundadora do Asia Art Archive (68)
71 - Richard Chang, colecionador (52)
72 - Sunjung Kim, curador e presidente da Gwangju Bienniale Foundation (estreia)
73 - Tim Neuger e Burkhard Riemschneider, galeristas da alemã Neugerriemschneider (59)
74 - Anselm Flank, curador (85)
75 - Kader Attia, artista franco-argelino (estreia)
76 - Mario Cristiani, Lorenzo Fiaschi e Maurizio Rigillo, galeristas italianos (73)
77 - Chris Kraus, crítico e escritor (estreia)
78 - Cecilia Alemani, diretora da High Line (NY) e do programa Cities, da Art Basel (estreia)
79 - Hyun-Sook Lee, Galerista em Seul (77)
80 - Wang Wei e Liu Yiqian, colecionadores e patronos (87)
81 - Arthur Jafa, artista norte-americano (estreia)
82 - Tom Eccles, diretor executivo do Center for Curatorial Studies do Bard College (81)
83 - Rirkrit Tiravanija, artista argtentino radicado em Nova York, Berlim e Chiang Mai, na Tailândia (36)
84 - Riyas Komu e Bose Krishnamachari, artistas fundadores da indiana Kochi-Murziris Biennale (83)
85 - Haegue Yang, artista (estreia)
86 - Walid Raad, artista (65)
87 - Trevor Paglen, artista (82)
88 - Almine Rech, galerista (90)
89 - Marina Abramović, artista performática (46)
90 - Yuko Hasegawa, curadora chefe do Museum of Contemporary Art Tokyo (estreia)
91 - Matthew Wood, Pedro Mendes e Felipe Dmab, galeristas da Mendes Wood DM (91)
92 - Koyo Kouoh, fundador da Raw Material Company, em Dacar, no Senegal (75)
93 - Nadia e Rajeeb Samdani, diretores do Dhaka Art Summit, em Bangladesh (96)
94 - Eyal Weizman, arquiteto (estreia)
95 - Eugene Tan, diretor da National Gallery Singapore (94)
96 - Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, curador, fundador do jornal Savvy, em Berlim, e assistente de Adam Szymczyk na Documenta 14 (estreia)
97 - Amanda Sharp, Matthew Slotover, Victoria Siddall, Ari Emanuel e Patrick Whitesell, diretores de feira de arte em Los Angeles (66)
98 - Pablo Leon de la Barra, cuardor de arte altino-americana radicado no Brasil (97)
99 - Kiran Nadar, colecionador indiano (estreia)
100 - Vanessa Carlos, galerista brasileira radicada em Londres (estreia)

Masp retira proibição a menores

Depois de nota técnica do Ministério Público, museu decide admitir menores de 18 anos acompanhados de pais ou responsáveis em exposição sobre sexualidade. Matéria de Luana Fortes publicada no site da Revista Select, em 07/11/17. +

A exposição Histórias da Sexualidade, realizada no MASP com curadoria de Adriano Pedrosa, Camila Bechelany, Lilia Schwarcz e Pablo Leon de la Barra, foi inaugurada em 19/10 com classificação etária restritiva para menores de 18 anos. Ou seja, mesmo acompanhados de seus pais, adolescentes não poderiam visitar a mostra. A posição do museu acabou levando a muitas contestações de profissionais da área e ao menos uma ação judicial. Em meio ao debate, e também a uma onda de acusações caluniosas contra manifestações artísticas, o Ministério Público Federal (MPF) se pronunciou em nota técnica de 47 páginas, na qual versa sobre a liberdade de expressão na arte em face da proteção de crianças e adolescentes. O MASP, então, decidiu alinhar seu posicionamento ao da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do MPF e divulga hoje, 7/11, nota à imprensa tornando a classificação da mostra indicativa, em vez de restritiva. Veja a íntegra abaixo:

São Paulo, 7 de novembro de 2017

Nota à imprensa

Seguindo a orientação estabelecida pela Nota Técnica da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal nº 11/2017/PFDC/MPF, publicada em 6 de novembro (link aqui), o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – MASP revisou a classificação etária de 18 anos para a exposição Histórias da Sexualidade, que deixa de ser restritiva e passa a ser indicativa. Desse modo, menores de 18 anos poderão visitar a exposição desde que acompanhados por seus pais ou responsáveis.
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Matéria de Luana Fortes publicada no site da Revista Select, em 07/11/17.

Ministério Público divulga nota sobre liberdade artística

Documento afirma que classificação etária é meramente indicativa no caso de obras de arte e exposições, no caso a Histórias da Sexualidade, no Masp, e, ainda, expõe em detalhes a legislação vigente quanto a liberdade de expressão, liberdade artística, os crimes de natureza sexual contra crianças e adolescentes. Não é a nudez que define a natureza pornográfica de uma cena, mas sim a finalidade sexual buscada pela cena. Matéria de Márion Strecker publicada originalmente no site da Revista Select (www.select.art.br), em 06/11/17. +

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do Ministério Público Federal, divulgou nota técnica em resposta aos recentes episódios de cerceamento a obras, exposições e performances artísticas apontadas como “imorais” ou de natureza “pedófila”.
Compete à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão coordenar e revisar a atuação dos procuradores regionais dos Direitos do Cidadão em cada Estado, subsidiando-os na sua atuação e promovendo ação unificada em todo o território nacional. O documento ressalta que é de “extrema importância compatibilizar os múltiplos direitos e interesses em questão, de forma a preservar, a um só tempo, os direitos de crianças e adolescentes e a liberdade artística”.
Publicada hoje (6/11) com data de 31/10/17, a nota é assinada por Deborah Duprat, procuradora federal dos Direitos do Cidadão, e por Sergio Gardenghi Suiama, procurador da República. O documento tem 47 páginas e está no site do Ministério Público (link para ler a íntegra http://bit.ly/2AgCgyk ). Cópias do documento foram enviadas ao Ministério da Justiça, ao Ministério da Cultura e ao Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM).

A nota técnica expõe em detalhes a legislação vigente quanto a liberdade de expressão, liberdade artística, os crimes de natureza sexual contra crianças e adolescentes e o sistema atual de classificação de diversões e espetáculos públicos.
Na última parte, a nota traz conclusões e sugestões de critérios interpretativos. O documento esclarece que o direito penal brasileiro não criminaliza nem sanciona a pedofilia, que é entendida como um transtorno mental. Mas a violência sexual (lato sensu) contra crianças e adolescentes é criminalizada. O Estatuto da Criança e do Adolescente tipifica qualquer “situação que envolva criança ou adolescente em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais”.
Não é a nudez que define a natureza pornográfica de uma cena, mas sim a finalidade sexual buscada pela cena. “Obras literárias, desenhos e outras representações gráficas não-realistas (isto é, que não envolvam nenhuma criança ou adolescente real) relacionadas à pornografia infantil, por mais ofensivas que seja, NÃO constituem ilícito penas em nosso ordenamento jurídico”.
Outra afirmação que não deixa margem a dúvidas é sobre a nudez. “A nudez não erótica NÃO torna o conteúdo impróprio para crianças, mesmo as menores de 10 anos”, afirma o documento.
“Em princípio, todas as formas não violentas de manifestação estão inseridas no âmbito da proteção da liberdade, inclusive manifestações desagradáveis, atrevidas, insuportáveis, chocantes, audaciosas ou impopulares,” ressalta.
A classificação etária é meramente indicativa, seja efetuada pelo Poder Público ou promotores do evento, não podendo haver impedimento de acesso de crianças ou adolescentes, especialmente quando estejam acompanhadas por seus pais ou responsáveis.
O que se conclui da leitura do documento do Ministério Público é que o MASP agiu contra a lei ao determinar a proibição para menores de 18 anos na exposição Histórias da Sexualidade.
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Matéria de Márion Strecker publicada originalmente no site da Revista Select (www.select.art.br), em 06/11/17.

Com Bíblia gótica e Leonardo da Vinci, Louvre de Abu Dhabi abre suas portas

O primeiro museu universal do mundo árabe será inaugurado na quarta-feira (8/11), uma década depois do lançamento do projeto. Esta "cidade-museu" foi construída na ilha de Saadiyat e é fruto de uma colaboração entre os governos francês e emiradense. No sábado é aberto ao público, com um programa de quatro dias de shows e espetáculos de artistas do mundo todo. Matéria publicada originalmente no portal Uol (www.entretenimento.uol.com.br), em 06/11/2017. +

O Louvre de Abu Dabi, o primeiro museu universal do mundo árabe, será inaugurado na quarta-feira (8/11), uma década depois do lançamento do projeto, com uma mensagem de tolerância como antídoto aos fanatismos.
Esta "cidade-museu", concebida pelo arquiteto francês Jean Nouvel, foi construída na ilha de Saadiyat e é fruto de uma colaboração entre os governos francês e emiradense.
O acordo, que estará vigente por 30 anos e alcança o valor total de um bilhão de euros, inclui a exploração da marca Louvre, que dá nome ao museu mais visitado do mundo, assim como a organização de exposições.
No total, 13 estabelecimentos franceses colaborarão com o novo museu, contribuindo com sua experiência e com o empréstimo de cerca de 300 obras.
A coleção permanente dos Emirados contará com cerca de 600 obras, das quais mais de 200 estarão expostas a partir da inauguração oficial, que contará com a presença do presidente francês, Emmanuel Macron, e do príncipe herdeiro emiradense, Mohamed bin Zayed.
A maioria das 23 galerias permanentes buscará refletir o intercâmbio entre culturas, desde a Pré-história até a atualidade, reunindo as obras ao redor de temas universais e de influências comuns.

"Mais universal que o Louvre"

Uma folha do Alcorão Azul, uma Bíblia gótica e um dos livros do Pentateuco serão alguns dos objetos expostos com vocação universal, assim como o quadro "La belle ferronière", de Leonardo da Vinci, - emprestado pelo Louvre parisiense -, e um autorretrato de Van Gogh, do Museu d'Orsay.
Para Jack Lang, presidente do Instituto do Mundo Árabe de Paris e ex-ministro francês da Cultura, o novo museu é "muito mais universal que o Louvre de Paris, porque traz a ideia de um museu de diferentes continentes e diferentes civilizações".
Também é um "projeto de esperança de um mundo que respeita as diversas opiniões e as diferenças", ante o "fanatismo" e o "terrorismo", disse Lang à AFP.
Mohamed Jalifa Al Mubarak, presidente da Autoridade do Turismo e Cultura de Abu Dhabi, declarou recentemente que o museu é símbolo de uma "nação tolerante e aberta à diversidade".
Os Emirados Árabes Unidos exercem uma política de "soft power" para ganhar notoriedade em todo o mundo, e empreendem uma disputa com o vizinho Catar, que tem estado particularmente ativo no campo do esporte, ao ganhar a organização da Copa do Mundo de 2022 e com a compra do clube Paris Saint-Germain.

7.850 estrelas

A arquitetura do novo Louvre é inspirada nas medinas árabes, com um conjunto de 55 edifícios brancos. Uma majestosa cúpula de 180 metros de diâmetro, composta por 7.850 estrelas de metal, filtra os raios de sol, criando o que Jean Nouvel chama de uma "chuva de luz".
O custo da construção do museu foi inicialmente estimado em cerca de 600 milhões de euros, mas sua conclusão foi adiada em várias ocasiões, devido a, sobretudo, problemas de financiamento.
O projeto não esteve livre de polêmica. Na França, algumas vozes se levantaram contra a "venda da marca" Le Louvre, e várias ONGs, como a Human Rights Watch, se mostraram preocupadas com as condições dos trabalhadores imigrantes nas obras.
Um dos maiores desafios foi garantir a segurança e a conservação das obras de arte, em um lugar onde as temperaturas ultrapassam 40ºC no verão. Nouvel afirma ter criado, com sua cúpula original, uma espécie de "guarda-sol" capaz de reproduzir um "microclima que reduz a temperatura em até cinco graus".
O Louvre de Abu Dhabi será o primeiro de três museus a abrir suas portas no distrito cultural de Saadiyat. Deverão segui-lo o Guggenheim, concebido pelo arquiteto canadense Frank Gehry, e o Zayed National Museum, pelo britânico Norman Foster.
Uma porta-voz do Guggenheim em Nova York disse à AFP que as obras para o museu de Abu Dhabi ainda não começaram.
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Matéria publicada originalmente em Entretenimento
do portal Uol (www.entretenimento.uol.com.br), em 06/11/2017.

Otto Naumann se aposenta e vende seu acervo na Sotheby"s

Após quase 40 anos colecionando pinturas dos Grandes Mestres, o acadêmico e negociante Otto Naumann se aposenta e coloca uma parte de seu acervo à venda na Sotheby's. Seu filho, Ambrose Naumann, abrirá um novo empreendimento no antigo espaço de seu pai. +

Após quase 40 anos colecionando e comercializando pinturas dos Grandes Mestres, o acadêmico e negociante Otto Naumann se aposenta do mercado de arte e coloca uma parte de seu acervo à venda na Sotheby's. Após sua saída, Naumann passará o bastão para seu filho, Ambrose Naumann, que abrirá sua própria galeria no espaço do Upper East Side de seu pai.
"O prédio será restaurado por completo, portanto todos terão que sair, e o meu aluguel está quase no fim, então pensei que era uma boa oportunidade para meu filho começar sua galeria e eu fechar a minha", disse Otto Naumann à Artnet News.
O tesouro do negociante, que será vendido em 311/2018 em NY, inclui pinturas e esculturas de mestres holandeses, italianos e espanhóis, tal como o recentemente atribuído “São João Batista na Natureza” por Giovanni Baglione (estimado em US$ 400.000-600.000); “Viejo castellans siriviéndose vino” de Joaquín Sorolla (US$ 200,000-300,000); e “Venus, Cupido e Pã” de Giovanni Bilivert (US$ 300,000-500,000).
Naumann disse que a remessa da Sotheby's "é mais ou menos todo o meu inventário em pinturas dos Grandes Mestres e do século XIX, muitas das quais não eram vistas no mercado há anos". Em um comunicado, George Wachter, co-presidente do departamento de pinturas dos Grandes Mestres da Sotheby's, nomeou a coleção como "um grupo deliciosamente eclético", incluindo trabalhos sobre cobre, painel, pedra e até vidro.
Naumann construiu uma reputação como revendedor de olho exigente e uma habilidade para trazer obras históricas recentemente atribuídas e negligenciadas no mercado. O fato de que ele já possuiu a “Minerva in Her Study” (1635), de Rembrandt, que, por US $ 40 milhões, foi o quadro mais caro dos Mestres Antigos no mercado em 2002, e tornou-o assunto da coluna "Talk of the Town" do New Yorker.
Embora ele tenha começado como um especialista em pintura holandesa e flamenga, Naumann ampliou sua experiência e começou a oferecer arte italiana, francesa, espanhola e britânica, bem como pinturas do século XIX, há 10 anos atrás. Como acadêmico em História da Arte pelas Universidades de Columbia e Yale, ele escreveu uma importante monografia sobre Frans van Mieris em 1981. Naumann anteriormente vendeu uma coleção de pinturas holandesas e flamengas pela Sotheby's em 2007.
Perguntado sobre seus planos para a vida após a galeria, ele disse que não tinha certeza, mas essa aposentadoria pode não parecer muito diferente do seu cronograma atual. "Será nas artes e provavelmente será em Grandes Mestres até o século 19, e provavelmente fará algum tipo de consultoria, compras com pessoas, achando pinturas, mas não tanto a parte da venda, que é a parte que nenhum comerciante de arte gosta. Eu gosto da compra".
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Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no portal artnetNews (www.artnet.com), 02/11/17.

Como o Masp, que estava quase falindo, virou um museu capitalista

Em 2013, o Masp estava à beira da falência. Tinha uma dívida impagável e uma receita que mal cobria suas despesas. Diante dessa penúria e com risco de fechar as portas, Alberto Whitaker, então superintendente do Masp, procurou Alfredo Setubal para um empréstimo que lhe foi negado. Ao invés de liberar o dinheiro, Stubal decidiu se envolver num projeto de reestruturação e mudanças semelhantes às que acontecem em empresas em crise financeira. O museu passou a ser superavitário por um grupo de executivos do setor privado, com uma nova gestão e um novo estatuto. Assim, o poder de decisão da assembleia de associados deslocou para um conselho deliberativo, formado por 80 empresários, executivos e ex-executivos de empresas, advogados e investidores, entre outros. Matéria de Carlos Rydlewski publicada originalmente na revista Exame, em 03/11/17. +

O Novo Comando
Quem são os principais executivos do setor privado que ajudam a comandar o Masp

1 - Alberto Fernandes (vice-presidente da Divisão de Defesa da Embraer)
2 - Jackson Schneider (Presidente da Divisão de Defesa da Embraer)
3 - Alfredo Setubal (Presidente da Itaúsa)
4 - Geyse Diniz (Economista)
5 - Geraldo Carbone (Ex-presidente do Bankboston)
6 - Lucas Pessôa (Ex-executivo da Gestora Pátria)
7 - Alexandre Bertoldi (Sócio do Pinheiro Neto Advogado)

No ano em que completa sete décadas de existência, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) está imerso numa daquelas controvérsias de que é difícil sair sem ser criticado. Pela primeira vez desde que foi fundado, em 1947, o museu — que reúne a maior coleção de arte europeia fora da Europa e dos Estados Unidos — decidiu limitar o acesso a uma exposição. Apenas maiores de 18 anos poderão apreciar as obras da mostra Histórias da Sexualidade, em cartaz desde 20 de outubro. A direção diz que a censura foi recomendada por advogados depois da celeuma envolvendo a mostra Queermuseu, em Porto Alegre, que acabou cancelada em razão dos protestos de grupos conservadores.

Para os críticos, porém, a medida foi um exagero, e o museu se rendeu à patrulha ideológica. A polêmica acabou gerando publicidade para a exposição e houve filas nos dias iniciais. O curioso é que a crise ocorre num momento de renascimento do Masp: nos últimos anos, a nova gestão promoveu uma profunda transformação na instituição que é um símbolo da maior cidade do país.

Em 2013, o Masp estava à beira da falência. Tinha uma dívida impagável e uma receita que mal cobria suas despesas — algumas contas estavam atrasadas havia meses. Diante da penúria, corria o risco de fechar as portas e ter seu acervo, de mais de 8 000 obras, estatizado. Na época, Alberto Whitaker, então superintendente do Masp, procurou Alfredo Setubal, que era um dos principais executivos do banco Itaú, para pedir um empréstimo — que foi negado. Em vez de liberar o dinheiro, Setubal, atualmente presidente da Itaúsa, a holding que controla o Itaú, decidiu se envolver num projeto de reestruturação.

De lá para cá, o Masp passou por uma mudança semelhante às que acontecem em empresas em crise financeira. De 2013 a 2016, seu faturamento quadruplicou e chegou a quase 40 milhões de reais. Como as despesas estão em cerca de 38 milhões de reais por ano, o museu passou a ser superavitário. No mesmo período, o endividamento caiu de 75 milhões de reais para 40 milhões. Mas tão surpreendente quanto a melhora dos números foi a maneira como ela aconteceu.

Setubal procurou Heitor Martins, sócio da consultoria McKinsey que havia sido responsável pela guinada financeira da Fundação Bienal de São Paulo. Casado com Fernanda Feitosa, fundadora e diretora da SP-Arte, feira que acontece anualmente em São Paulo e reúne mais de uma centena de galerias nacionais e estrangeiras, Martins presidiu a Bienal de São Paulo de 2009 a 2012. Setubal sabia que o executivo tinha a ambição de dirigir o Masp, e os dois acertaram uma parceria. A dupla acreditava que qualquer mudança duradoura deveria começar com uma renovação do pessoal e da forma de administração do museu.

Desde sua fundação em 1947, passando pelo momento em que Elizabeth II, a rainha da Inglaterra, veio ao Brasil para inaugurar a sede na Avenida Paulista em 1968, até tempos recentes, a instituição passou por longos períodos de administrações personalistas. Pietro Maria Bardi, que fundou o Masp e era casado com Lina Bo Bardi, a arquiteta que idealizou o prédio flutuando a 8,5 metros do solo, ditou as linhas do museu durante 50 anos — embora, oficialmente, os diretores fossem trocados.

Nos anos 90, esse papel foi assumido pelo arquiteto Julio Neves. Esses líderes eram apoiados por um grupo de cerca de 30 associados, que comandaram o museu até 2013 e conheciam a fundo sua história e seu patrimônio cultural. A gestão das partes operacional e financeira, porém, era um problema: não havia processos para a tomada de decisões nem um acompanhamento financeiro periódico dos resultados gerais da instituição e das receitas geradas por bilheteria, loja e aluguel do auditório.

Antes de iniciar as mudanças na gestão, Martins e Setubal decidiram criar um novo estatuto para o Masp. Preparado pelo advogado Alexandre Bertoldi, sócio-gestor do escritório Pinheiro Neto, o texto tomou como base documentos similares adotados pelo Museu de Arte Moderna, o MoMA, e pelo Metropolitan, ambos em Nova York. O estatuto deslocou o poder de decisão da assembleia de associados para um conselho deliberativo, formado por 80 empresários, executivos e ex-executivos de empresas, advogados e investidores, entre outros. “O Heitor mostrava como seria a nova estrutura do museu, as bases da governança. Era tudo muito convincente”, diz Geyse Diniz, mulher do empresário Abilio Diniz, que é vice-presidente do conselho.

Hoje, o órgão é integrado também por Fersen Lambranho, sócio da gestora GP Investimentos, Flávio Rocha, dono da varejista Riachuelo, Luis Stuhlberger, sócio da gestora Verde, Roberto Sallouti, presidente do banco BTG Pactual e José Olympio Pereira, presidente do banco Credit Suisse, além do ministro Henrique Meirelles e de Alfredo Setubal, que preside o conselho.

Para fazer parte do grupo, era preciso doar 150.000 reais e assumir o compromisso de doar outros 35.000 reais por ano. “Nós precisávamos de dinheiro e queríamos atrair pessoas comprometidas com o museu”, diz Bertoldi. “Por isso, estabelecemos uma quantia razoavelmente alta, mas alguns conselheiros doaram valores bem maiores, que chegaram a 500.000 reais.” O resultado da iniciativa foi uma arrecadação de 15 milhões de -reais. Outros executivos tornaram-se diretores estatutários, caso de Jackson Schneider, presidente da divisão de defesa e segurança da fabricante de aeronaves Embraer, Geraldo Carbone, ex-presidente do BankBoston, e Alberto Fernandes, vice-presidente do Itaú BBA, além de Bertoldi.

Com a estrutura de tomada de decisões definida, Martins iniciou seu plano de reorganização administrativa. Fez um estudo e concluiu que era possível aumentar o preço do ingresso, o que elevou a arrecadação da bilheteria — a previsão é chegar a 5,3 bilhões de reais neste ano, uma alta de quase 200% em relação a 2013. As vendas na loja passaram a ser acompanhadas diariamente e foi feita uma análise do que era mais vendido e do que encalhava, permitindo uma melhor administração de compras e estoques.
Com isso, o gasto médio por visitante do museu passou de 1,5 real, em 2013, para 4,5 reais. “Fizemos o óbvio. Tínhamos bons ativos, bastava melhorar a gestão deles”, afirma Lucas Pessôa, diretor de operações do Masp e ex-executivo da gestora Pátria. Além disso, a dívida foi renegociada. Um dos credores, a empresa de telecomunicações Vivo, aceitou converter uma dívida de 35 milhões de reais em cotas de patrocínio por cinco anos. A dívida restante foi alongada, com pagamentos parcelados em até 20 anos.

Um museu bem administrado não é, necessariamente, um bom museu, do ponto de vista artístico. Para ser reconhecido como tal, precisa ter um acervo de qualidade e a capacidade de realizar mostras relevantes e bem cuidadas. Mas ter dinheiro acaba ajudando nisso também. A melhora dos resultados do Masp permitiu reforçar a equipe de curadoria. Hoje, existem seis curadores adjuntos, entre eles o mexicano Pablo Léon de La Barra (ex-Guggenheim), a historiadora Lilia Schwarcz e Rodrigo Moura (ex-Inhotim). “Trazer curadores adjuntos é um sonho que sempre tivemos. Mas nunca tivemos recursos para realizá-lo”, diz Julio Neves, que, com a reorganização, tornou-se presidente de honra do Masp.
As mudanças, porém, geraram atritos. O antigo diretor artístico, José Teixeira -Coelho Netto, substituído em 2014 depois de sete anos no cargo, chegou a processar a instituição e fechou um acordo de indenização. Pessoas próximas a Netto dizem que ele se sentiu traído no processo de mudança. O novo diretor artístico é Adriano Pedrosa, que foi curador da Bienal de Arte de São Paulo e da de Istambul e já foi apontado como uma das personalidades mais influentes da cena artística mundial pela revista britânica ArtReview, uma das mais respeitadas do meio.
A reestruturação resolveu o momento mais agudo da crise recente do Masp. O desafio, agora, é manter sua situação financeira saudável ao longo dos anos. Não é a primeira vez que o museu é resgatado por ricaços — em 2006, a luz chegou a ser cortada e a conta só foi paga com doações. É verdade que as mudanças atuais são profundas. Ainda assim, 70% das receitas da instituição vêm de patrocínios de empresas e doações — que podem minguar a qualquer momento. “Não queremos ficar aqui para gerir o museu”, diz Jackson Schneider. “Estamos para preparar nossa saída.”
Foi criada uma área de captação de doações e patrocínios, para recursos de empresas e indivíduos, aqui e no exterior. De 2014 a 2017, apenas com pessoas físicas no Brasil, foram captados 50 milhões de reais, sem isenções fiscais. “O que viabilizou nosso plano foi um projeto de governança, associado aos novos líderes”, diz Martins. “O dinheiro foi consequência.” O plano é abrir uma fundação nos Estados Unidos para receber contribuições com base nos benefícios fiscais previstos pela legislação americana, mais atrativos do que os brasileiros.

Em junho, o Masp também se tornou a primeira instituição cultural do país a criar um fundo de endowment, que é comum em universidades, museus e orquestras nos Estados Unidos. Esse tipo de fundo reúne doações e investe esses recursos — os rendimentos são usados para pagar parte das despesas da entidade. Depois de um tempo, o dinheiro é devolvido aos doadores, e novos recursos são captados. O fundo do Masp captou 15 milhões de reais em quatro meses, e a meta é chegar a 40 milhões de reais. O desenho da versão nacional tomou como base instituições americanas, como o J. Paul Getty, de Los Angeles, cujo fundo acumula 6,5 bilhões de dólares.

Na Europa, a maior parte dos grandes museus ainda recebe subsídios do Estado para se manter, mas o modelo começa a mudar. Os recursos públicos diminuíram depois da crise de 2008, e os museus vêm buscando fontes alternativas de receita. O Louvre, de Paris, está reforçando ações como a cobrança pelas obras que remete para exposições em outros museus.

O problema são os outros

Se o modelo do Masp vingar, poderá servir de inspiração para outros museus brasileiros em situação complicada. O país tem 3.500 dessas instituições. Estudos mostram que quase todas apresentam problemas em áreas como conservação do acervo, climatização, reservas técnicas, além de déficits de funcionários e público.

O Museu do Ipiranga, em São Paulo, está interditado desde 2013, quando um laudo técnico apontou o risco de desabamento. Recentemente, o governo de São Paulo lançou um programa para captar doações e, finalmente, restaurar o museu. “A profissionalização dos administradores, as estratégias adotadas, como a criação de um fundo patrimonial, e o engajamento das pessoas são exemplos de ações que podem, sim, ser aproveitadas por todos”, diz Marcelo Araújo, presidente do Instituto Brasileiro de Museus, órgão ligado ao Ministério da Cultura.

Araújo, que é ex-diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo e faz parte do conselho do Masp, observa, entretanto, que o museu paulistano tem peculiaridades que o tornam único. “É um símbolo de São Paulo e atrai a atenção de todos. Isso ajuda muito”, diz. Especialmente na hora de captar recursos. Seu patrimônio, estimado entre 2 bilhões e 3 bilhões de reais, é formado por obras de Renoir, Degas e Monet, entre outros. Para Setubal, deixar uma instituição com esse acervo sucumbir seria como “morrer afogado numa poça d’água”. Por ora, o risco está afastado. O país agradece.
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Matéria de Carlos Rydlewski publicada originalmente na revista Exame, em 03/11/17.

O homem que morre rico, morre desonrado

Frase do o empresário e filantropo norte-americano, nascido na Escócia, Andrew Carnegie (1835-1919), o rei do aço, que ajudou a construir 2.800 bibliotecas nos EUA e uma infinidade de museus, salas de concerto, fundações e instituições de educação. Construiu ainda o Carnegie Hall e o Peace Palace. +

“O homem que morre rico, morre desonrado”. Quem dera que os milionáriso brasileiros pensassem como o empresário e filantropo norte-americano, nascido na Escócia, Andrew Carnegie (1835-1919), o rei do aço, autor dessa frase...
Mesmo com sua riqueza, Carnegie se preocupou com a justiça social e pregou o exercício da filantropia. Carnegie é tido como o primeiro empresário a declarar publicamente que os ricos têm a obrigação moral de repartir as suas fortunas acumuladas. Carnegie ajudou a construir 2.800 bibliotecas nos EUA e uma infinidade de museus, salas de concerto, fundações e instituições de educação. Construiu ainda o Carnegie Hall e o Peace Palace.
Seus esforços se manifestaram em várias formas de filantropia, entre eles a Carnegie Institute of Pittisburgh (1896), a Carnegie Institution of New York (1902) e a Carnegie Corporation of New York (1911). Em 1910 criou a Carnegie Endowment for International Peace, instituição não lucrativa direcionada ao entendimento diplomático das nações, que vigora até hoje. Em 1898, o magnata escocês escreveu o manual “O Evangelho da Riqueza”, onde defendia a riqueza em excesso como um fundo de confiança a ser administrado em beneficio da comunidade.
Casou-se com Louise Whitfield em 1887, fazendo-a assinar um contrato pré-nupcial aceitando a doação da maior parte da sua riqueza à propostas educacionais e de caridade.
Embora tivesse saúde frágil, Carnegie foi um dos maiores defensores da Liga das Nações, a primeira organização mundial nos moldes da ONU. Morreu em Lenox,Massachusetts (EUA), aos 83 anos, e cumpriu sua missão social doando em vida mais de US$ 350 milhões.

33ª Bienal divulga título, datas, orçamento e equipe de curadores

Na presença do presidente da Fundação Bienal, o empresário João Carlos de Figueiredo Ferraz, e do curador-geral foram anunciados o título da mostra (“Afinidades Efetivas”), a equipe curatorial e o time de curadores-artistas que se responsabilizará pela escolha dos artistas selecionados. Este lista será divulgada no primeiro semestre de 2018. Também foi divulgado o orçamento da mostra: R$ 26 milhões. +

A Fundação Bienal anunciou no último dia 31/10/17 as linhas gerais que nortearão a 33ª edição da Bienal Internacional de Arte de São Paulo, cuja curadoria-geral já havia sido comunicada previamente e que ficará a cargo do curador espanhol, radicado em Nova York, Gabriel Pérez-Barreiro. A 33ª Bienal ocorrerá entre 4/9/18 (abertura para convidados) e 9/12/18. A abertura para o público será em 7/9/18.
Na presença do presidente da Fundação Bienal, o empresário João Carlos de Figueiredo Ferraz, e do curador-geral foram anunciados o título da mostra (“Afinidades Efetivas”), a equipe curatorial e o time de curadores-artistas que se responsabilizará pela escolha dos artistas selecionados. Este lista será divulgada no primeiro semestre de 2018. Também foi divulgado o orçamento da mostra: R$ 26 milhões.
O título da mostra surge da associação do título de um romance do escritor alemão Goethe (“Afinidades Eletivas”, de 1809) e da tese do crítico de arte brasileiro Mário Pedrosa “Da Natureza Afetiva da Forma na Obra de Arte”, de 1949).
“Resgato da atuação de Pedrosa o compromisso com a diversidade de linguagens artísticas, a convicção de que a arte é uma expressão da liberdade e da experimentação, a fé nos artistas e o papel social e transformador que a arte pode ter a partir de uma modificação da sensibilidade das pessoas”, declarou o curador-geral no release distribuído aos jornalistas. Sobre a influência do romance de Goethe, escreveu que as curadorias deverão se movimentar como o casal de personagens do livro, que recebe convidados que afetam diretamente a sua relação (como ocorre quando dois ou mais elementos químicos são reunidos).
A exposição será composta pela seleção de artistas realizadas por sete artistas selecionados por Pérez-Barreiro: o uruguaio Alejandro Cesarco, o espanhol Antonio Ballester Moreno, a sueca Mamma Andersson, a norte-americana de origem nigeriana Wura-Natasha Ogunji e os brasileiros Claudia Fontes, Sofia Borges e Waltercio Caldas.
A escolha de sete artistas-curadores pretende assim questionar o papel centralizador do curador nas decisões da arte contemporânea, mas Pérez-Barreiro também curará uma exposição, que deverá se centrar em artistas históricos, que deverão dialogar com as outras sete curadorias. “Farei um resgate da história da arte latino-americana acrescido de artistas contemporâneos e de obras comissionadas”, disse o curador-geral.
Segundo o presidente da Bienal, a 33ª Bienal deverá retomar discussões intrínsecas da obra de arte. “A mostra deverá discutir questões contemporâneas do território da arte, que é o território da estética, da poética”, disse Figueredo Ferraz.
A nova proposta deverá reduzir o número de artistas e de obras presentes na Bienal, o que deve levar a um tempo maior para a fruição dos trabalhos expostos. “Quero trabalhos com o espanto necessário para a observação da obra de arte”, disse Waltercio Caldas.
A Bienal divulgou ainda parte da equipe que ficará responsável por questões importantes da exposição, como os projetos educativo, expositivo e editorial. Álvaro Razuk ficará com a arquitetura do espaço. Lilian L’Abbate Kelian e Helena Freire Weffort serão responsáveis pelo Educativo. Fabiana Werneck responderá pelo projeto gráfico editorial e Raul Loureiro delineará a identidade visual de todo o evento.
A Fundação Bienal não divulgou o nome de nenhum artista da ostra (a não ser os nomes dos artistas-curadores, que poderão ter obras na exposição), mas revelou informações mais subliminares, como a escolha da tipografia Helvetica para a identidade visual da 33ª Bienal.
A tipografia Helvetica prioriza a clareza e a neutralidade de significados. Trata-se de uma fonte tipográfica sem-serifa e é considerada uma das mais populares ao redor do mundo. Foi criada em 1957 pelos designers Max Miedinger e Eduard Hoffmann e seu desenho é associado aos fundamentos do modernismo no design gráfico.
A 33ª Bienal está orçada em R$ 26 milhões. A Fundação Bienal conta com um orçamento geral de R$ 60 milhões para o biênio de 2017 e 2018, valor que custeia programa de mostras itinerantes, equipe permanente, manutenção predial, projetos especiais, organização das participações oficiais do Brasil nas Bienais de Arte e de Arquitetura de Veneza e outras despesas.
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Texto de Celso Fioravante, editor do "Mapa ads Artes"

Sotheby"s vende coleção de Martin Zweig de US$ 25 milhões

Entre as obras que compõe a coleção estão um Cézanne, um Degas e três Renoir. Matéria de Marion Maneker para o site Art Market Monitor (www.artmarketmonitor.com). +

Em sua nova temporada, a Sotheby's anunciou a venda da coleção do analista financeiro Martin Zweig. A fantástica ascensão de Zweig como um guru do mercado de ações começou com um boletim informativo e chegou a seu apogeu quando ele previu a queda de 1987 (Black Monday) na televisão uma semana antes de acontecer. Em anos posteriores, Zweig ficou mais conhecido por seu apartamento triplex no topo do hotel Pierre na Fifth Avenue, em NY.

A coleção de Zweig inclui uma rara natureza-morta de Cézanne, estimada entre US$ 7-10 milhões, e um Gustave Caillebotte, “La Place Saint-Georges”, estimada entre US$ 4-6 milhões. O restante da coleção contém duas obras de Degas, “Après le bain” com uma estimativa de US$ 5 a 7 milhões e uma cena de corrida de cavalos, o “Avant la course”, estimado entre US$ 3-5 milhões. Finalmente, existem três obras de Renoir, com uma estimativa de cerca US$ 5 milhões.
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Matéria de Marion Maneker para o site Art Market Monitor (www.artmarketmonitor.com).

Van Gogh inspira animação 100% feita com tinta a óleo em 65 mil quadros

A animação conta a vida e a controversa morte de Van Gogh por meio de entrevistas com personagens próximos ao artista e que foram retratados em suas obras. Os produtores Kobiela e Hugh Welchman criaram a primeira animação feita totalmente com tintas a óleo, e foram necessários 125 profissionais para pintar manualmente 65 mil quadros. O filme "Com Amor, Van Gogh" é exibido na Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo. Matéria de Arthur Cagliari publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo". +

Após ler mais de 800 cartas escritas por Vincent van Gogh (1853-1890), a polonesa Dorota Kobiela levou ao pé da letra o último texto do pintor, que diz: "Não podemos falar senão por meio das nossas pinturas".

Kobiela e Hugh Welchman criaram a primeira animação feita totalmente com tintas a óleo. Foram necessários 125 profissionais para pintar manualmente 65 mil quadros. O resultado é o filme "Com Amor, Van Gogh", exibido na Mostra.

A animação conta a vida e a controversa morte de Van Gogh por meio de entrevistas com personagens próximos ao artista e que foram retratados em suas obras.

O processo envolveu uma gravação com atores, como Douglas Booth e Saoirse Ronan. Depois, cada "frame" do vídeo recebeu uma pintura a óleo, ao estilo do holandês. Para executar esse projeto, com um trabalho manual em cada um dos quadros, foi necessário um processo seletivo para montar uma equipe de pintores.

Piotr Dominak, responsável pelas pinturas no longa, analisou mais de 5.000 portfolios. Somente 130 candidatos foram chamados para fazer cursos intensivos (sobre a técnica da pintura de Van Gogh e sobre animação), e apenas cinco não ficaram para o trabalho final.

Segundo a diretora, a maior dificuldade foi manter os mais de cem pintores no mesmo caminho para que seguissem um estilo único, e não o deles. "Tive de corrigir mais de 500 quadros por dia", diz à Folha.

Na época em que leu as cartas, Kobiela passava por um período de frustração.

"Queria fazer um trabalho próprio e pensava em criar séries de pinturas ou escrever o roteiro de um filme. Resolvi combinar os dois."

AMOR FORA DA TELA

O projeto se concretizou quando Kobiela conheceu Hugh Welchman, britânico que já tinha levado o Oscar com o curta "Pedro e o Lobo", em 2008, e estava na Polônia para produzir uma animação sobre Chopin.

Os dois acabaram se apaixonando. "Ele obviamente ficou interessado não só em mim, mas também nas coisas em que eu estava trabalhando", diz a diretora.

Para ela, desenvolver o filme foi como montar um quebra-cabeças gigante em que faltavam peças. "Ao ter que casar o roteiro com as obras escolhidas, mantendo fidelidade aos fatos da vida do pintor, não dava muito espaço para manobras."

O filme, que deve ser lançado comercialmente no Brasil em novembro, saiu do papel após mais de dois anos de testes e discussões.

Só depois de encontrar os primeiros financiadores e parceiros é que se pôde dar início ao projeto. O custo total foi de US$ 5,5 milhões (cerca de R$ 18 milhões).


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COM AMOR, VAN GOGH
(LOVING VINCENT)
DIREÇÃO Dorota Kobiela e Hugh Welchman
ELENCO Douglas Booth, Robert Gulaczyk, Eleanor Tomlison
PRODUÇÃO Polônia, Reino Unido, 2017, 12 anos
MOSTRA sáb. (28) e dom; (29), às 21h40, no Espaço Itaú Frei Caneca; seg. (30), às 14h, no Playarte Splendor Paulista; ter. (31), às 22h45, no Cinesesc; qua. (1º), às 21h, no Espaço Itaú Frei Caneca
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Matéria de Arthur Cagliari publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo”.

O Rapto das Sabinas

Seria melhor perguntar quem são e o que pretendem os incentivadores desse falso moralismo. Falso porque duvido que acreditem no que apregoam sobre os perigos da arte para as crianças, ou seja, tão desinformados a ponto de chamar um artista que se expõe como escultura viva, de pedófilo. Hoje, o processo é diferente, serve a um desabrido oportunismo eleitoral. Esse movimento que se denomina MBL, motor instigador dessa reação moralista ensandecida, não tem representatividade para, através de propostas reais para o país, se projetar. Matéria de Marta Suplicy para Tendências/Debates da “Folha de S. Paulo”. +

A moralidade, impregnada de visão de certo e errado, dogmas religiosos, sempre existiu e persiste. Diferentemente da época da minha avó, que mandou cobrir com folhas de parreira as partes íntimas da estátua O Rapto das Sabinas que ornava a piscina da fazenda, nós, crianças, usávamos os musculosos braços da estátua como trampolim.

Hoje, temos cidadãos de bem que acreditam piamente que a exposição de um corpo nu em obra de arte causará danos às crianças.
Quem são essas pessoas, vítimas de um movimento?

Seria melhor perguntar quem são e o que pretendem os incentivadores desse falso moralismo. Falso porque duvido que acreditem no que apregoam sobre os perigos da arte para as crianças, ou seja, tão desinformados a ponto de chamar um artista que se expõe, como escultura viva, de pedófilo.
Psicólogos e psicanalistas sabem muito bem a seriedade de uma perversão como a pedofilia, que, além de tudo, é crime! Assim como têm conhecimento de que uma criança exposta à nudez em obras de arte ou performances em museus não será afetada negativamente por tal exposição.
Podem até provocar perguntas curiosas que os pais respondem, ou não, de acordo com a pergunta e a idade da criança. Como o fazem em seus lares, diante de cenas de TV, ou se a criança adentra o quarto dos pais inoportunamente. Sexo faz parte da vida e, na arte, atua como uma expressão de manifestações da natureza humana.

Estamos rapidamente entrando em um clima de retrocesso civilizatório. Inicialmente percebido na dificuldade em se aprovar, no Congresso, projetos relacionados a direitos vitais para grupos minoritários e/ou vulneráveis, assim como recentemente com as proibições, em câmaras municipais, da introdução da questão de gênero nas escolas —o que já fazíamos com educação sexual nas escolas na gestão de Luiza Erundina em São Paulo (1989-1993), a convite de Paulo Freire, então secretário de Educação.

Há mais de 30 anos, esses temas, profundamente ligados à condição da subordinação feminina, já eram discutidos na TV Mulher, na TV Globo. As Senhoras de Santana e os generais reclamavam, a censura obrigava a enviar os textos para apreciação prévia.

Quebrávamos tabus naquele momento, saíamos de uma ditadura, seria até esperada uma reação, mas foi superada, e o benefício para as mulheres foi enorme: "um antes e depois" neste país de dimensão continental e com tantas e tão extremas desigualdades. Esperávamos nunca mais reviver isso!
Hoje, o processo é diferente, pois, aparentemente moralista, é falso e serve a um desabrido oportunismo eleitoral. Esse movimento que se denomina MBL, motor instigador dessa reação moralista ensandecida, não tem representatividade para, através de propostas reais para o país, se projetar.
Manipula, então, a boa-fé de alguns, o profundo desconhecimento sobre sexualidade de outros, o medo que os pais sentem pelos perigos que os filhos vivem diariamente diante da escalada da violência e da ausência de segurança.

Acrescentem a essas inseguranças o receio ao desemprego, a raiva frente à corrupção que corrói a sociedade e aos políticos acusados.
Esses sentimentos podem gerar forte sensação de impotência e serem negativamente instrumentalizados. O prato está pronto.
Resta saber que propostas serão oferecidas para a qualidade de vida do cidadão, sem esquecer o caminho de outros momentos da história mundial, nos quais a censura à arte foi precursora da proibição à livre expressão, com terríveis consequências para a humanidade.

MARTA SUPLICY, 72, é senadora pelo PMDB-SP; foi prefeita de São Paulo (2001-2004), ministra do Turismo (2007-2008) e ministra da Cultura (2012-2014)
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Matéria de Marta Suplicy para Tendências/Debates da “Folha de S. Paulo”.

Relatório sobre bilionários globais confirma o crescente poder de compra na Ásia

Um novo relatório sobre os bilionários globais confirma o crescente poder de compra de arte dos novos Mega-Ricos da Ásia. O mercado de arte segue o dinheiro, já que o número de ricos na China aumentou em 25% para superar os EUA pela primeira vez. Matéria de Eileen Kinsella publicada originalmente no portal do Artnet News (www.artnet.com), em 26/10/17. +

Os multimilionários em todo o mundo tiveram um bom ano em 2016 - no valor de US $ 1 trilhão, de acordo com um relatório conjunto do banco suíço UBS e da empresa multinacional de gestão de patrimônio Pricewaterhouse Coopers. "Billionaire Insights", publicado em 26 de outubro, afirma que 2016 marcou "um retorno dramático ao crescimento" para a fortuna de alguns dos indivíduos mais ricos do mundo, um número crescente de quem é da Ásia.
O relatório, que analisou os dados em 1.550 bilionários a nível mundial, descobriu que, pela primeira vez, há mais bilionários na Ásia do que nos EUA, embora a riqueza geral dos bilionários dos EUA ainda seja maior. O número de bilionários chineses cresceu quase 25%, para 637, em comparação com 537 bilionários dos EUA e 342 bilionários na Europa.
No geral, a riqueza dos bilionários aumentou 17% em 2016, o dobro da taxa do banco dos EUA, o Índice Mundial de Capital Internacional All Country de Morgan Stanley, que mede o desempenho do mercado de ações em todo o mundo e é composto por ações de 46 países diferentes. O relatório do UBS-PwC diz que o mundo ultra-rico está florescendo apesar de um período de maior incerteza. Após uma pausa em 2015, o aumento da riqueza total de bilionários aumentou de US $ 5,1 trilhões para US $ 6 trilhões.
O crescente poder de compra dos bilionários asiáticos e chineses, em particular, é refletido pelo número de galerias ocidentais que abrem postos avançados ou escritórios na China, sendo o último Lévy Gorvy, que anunciou no mês passado que abriria um escritório e espaço de exibição privado em Xangai. (A galeria contratou Danqing Li, ex-especialista em pós-guerra e arte contemporânea da Christie's, como diretor sênior responsável pela operação). Outros que abriram galerias em tempo integral no Continente ou Hong Kong, que incluem Pace, White Cube, David Zwirner e Simon Lee. A Hauser & Wirth anunciou em setembro que vai se juntar a Pace e Zwirner no novo desenvolvimento H Queens em Hong Kong na próxima primavera.
No mercado de leilões, Christie's abriu um escritório emblemático em Jinbao em Pequim no ano passado. No primeiro semestre de 2017, suas vendas para a Ásia totalizaram £ 247,1 milhões (US $ 325 milhões), confirma um porta-voz da Christie. Dos novos gastos de comprador, Christie's contou 45% do volume da Ásia e disse que 21% de todos os novos compradores vieram da Ásia. Geograficamente, os clientes asiáticos representaram 35% do valor das vendas, com gastos crescendo 39%.
A Sotheby's teve notícias igualmente dinâmicas, com o CEO Tad Smith dizendo, após a recente rodada de leilões de Hong Kong, "oferecer e comprar do Continente ao longo da semana foi significativo, com a maioria dos nossos 10 melhores vendidos para compradores na China. Sua participação ajudou a impulsionar um aumento de 42% nas vendas em comparação com um ano e trouxe nosso total anual de leilões importantes em Hong Kong a mais de US $ 810 milhões, o maior nível desde 2014. "
Algumas outras estatísticas-chaves da Sotheby's: compras asiáticas, já substanciais, cresceram três por cento no segundo trimestre de 2017; em 2016, 48% das compras por clientes asiáticos ocorreram fora das salas de leilão da Sotheby's Hong Kong, aprofundando uma tendência que começou a ser observada em 2013; e dos 10 melhores trabalhos vendidos pela Sotheby's em 2016, a metade foi comprada por compradores da Ásia.
O relatório da UBS observou que, embora o mercado de arte permaneça notoriamente opaco, o público ultrapessoal é um crescente número de melhores colecionadores do mundo (compilado pela lista anual da revista ARTnews dos 200 melhores colecionadores do mundo). Em 1995, observa o relatório, havia 28 bilionários na lista. Até 2016, esse número cresceu para 72.
Os colecionadores de arte dos EUA continuam a liderar, com 42 nomes na lista, mas os colecionadores de arte asiáticos e especialmente chineses estão cada vez mais ativos. Havia apenas um bilionário asiático há mais de uma década, em 2006, em comparação com 14 bilionários em 2016.
O bilionário japonês Yusaka Maezawa tem ficado por trás de algumas das compras de arte mais fáceis - especialmente das obras da Basquiat - vendidas em leilão nos últimos anos. Em maio, ele baixou US $ 110,5 milhões em “Untitled” (1982) em uma venda da Sotheby's. Na primavera passada, ele gastou US $ 98 milhões em arte, incluindo US $ 57,2 milhões para outra pintura sem título de 1982 pelo artista americano, desta vez na Christie's.
Antes disso, em 2014, o magnata dos empresários de táxi destruiu duas vezes o recorde da obra chinesa mais cara vendida em leilão, gastando US $ 36,3 milhões em um copo de frango de porcelana (que ele então procedeu a beber) em abril, e US $ 45 milhões em uma tapeçaria tibetana em novembro no mesmo ano.

No final de 2015, o bilionário chinês Li Yiqian comprou o “Nu couché” (1917-18), um nude de 170 milhões de dólares por Amedeo Modigliani, na Christie's.

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Matéria de Eileen Kinsella publicada originalmente no portal do Artnet News (www.artnet.com), em 26/10/17.