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Total de venda em leilão cresce 25% em 2017, atingindo US$ 11,2 bilhões

Segundo relatório da ArtTactic, empresa de análise de mercado, pesar da queda de 9,3% nas consignações, as vendas globais nos leilões cresceram e a arte contemporânea é a responsável pela recuperação do mercado. Matéria publicada originalmente no site do Toucharte (http://www.touchofclass.com.br), em 16/01/18. +

Apesar da queda de 9,3% nas consignações, as vendas globais nos leilões cresceram 25%, chegando a US$ 11,21 bilhões em 2017, de acordo com um novo relatório da ArtTactic, empresa de análise de mercado. A publicação avalia os números, que se referem aos resultados da Christie’s, Sotheby’s e Phillips, mas não inclui as vendas online, sugerindo que o mercado de leilões está em plena recuperação depois de cair em quase um terço entre 2014 e 2016.

Impulsionada pela venda de US$ 450 milhões referente a tela “Salvator Mundi” de Leonardo da Vinci, a Christie’s protagonizou a maior taxa de crescimento: 34%. A soma das vendas desta casa de leilões chegou a US$ 5,8 bilhões, em comparação com US$ 4,3 bilhões em 2016. A decisão da Christie’s de cancelar as vendas de arte pós-guerra e contemporânea em Londres, no mês de junho, no ano passado parece ter valido a pena. Ainda assim, a categoria teve a maior arrecadação, gerando US$ 1,47 bilhão – um aumento de 16,3% em relação ao ano anterior.

Já a Sotheby’s teve aumento de 15% na receita, de acordo com o relatório. As vendas totais da casa totalizaram US$ 4,69 bilhões, em comparação com US$ 4,08 bilhões em 2016. Os negócios tiveram crescimento maior em Londres, onde as vendas arrecadaram US $ 1,32 bilhão, um salto de 29,7% em relação a 2016.

Apesar dos investimentos pesados em pessoal e garantias financeiras, a Phillips não conseguiu lutar contra a cota de mercado de seus dois principais rivais (5,6% em 2017, em comparação com 5,5% em 2016). No entanto, as vendas de leilões cresceram 28% em 2017, atingindo US$ 624,4 milhões contra US$ 489,1 milhões em 2016.

A arte pós-guerra e contemporânea foi o segmento líder de vendas em 2017, representando 29,3% do mercado. A arte impressionista e moderna ficou em segundo lugar com 21,5% de participação no mercado (acima dos 16,3% em 2016). Sem a venda de “Salvator Mundi”, o volume de negócios do mercado Old Master teria sido um pouco inferior ao de 2016.

Enquanto isso, o mercado londrino de leilões parece estar resistindo a incerteza causada pelo voto de Brexit. A capital do Reino Unido encerrou o ano com 24,2% de participação de mercado (em valor de vendas), levemente inferior aos 25% registrados em 2016. No entanto, as vendas em leilões cresceram de US$ 2,24 bilhões em 2016 para US $ 2,72 bilhões em 2017, um crescimento de 21,3%.

O domínio de Nova York continua intenso, com um aumento de 41,7% nas vendas globais, elevando sua participação de mercado para 48,7%. Em todo o mundo, Shanghai teve a maior oscilação, com um aumento de 42% nas vendas, enquanto Dubai teve a maior queda: -36%.
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Matéria publicada originalmente no site do Toucharte (http://www.touchofclass.com.br), em 16/01/18.

Frieze New York não vai exigir que expositores tenham uma galeria física

Como sinais de novos tempos, a mudança na seleção dos candidatos entra como uma ‘excessão’, como já ocorre com a negociante Nicole Klagsbrun, que fechou sua galeria de Nova York em 2013, e Tif Sigfrid, que está atualmente sem espaço enquanto se desloca de Los Angeles para Atenas, na Geórgia. Matéria publicada originalmente no portal do Touch of class, em 30/01/18. +

A Frieze New York fez um ajuste aparentemente pequeno aos critérios de admissão de 2018 – mas é destaque para muitos observadores da indústria como um grande sinal da mudança da paisagem das galerias comerciais.

Os candidatos à seção principal da feira ainda “devem mostrar um programa internacional de artistas e apresentar um mínimo de quatro exposições por ano em sua galeria”, além de ser “um empreendimento comercial”. Mas, em seguida, há uma nova qualificação: “Exceções serão consideradas caso a caso”.

Algumas dessas exceções já estão ocorrendo. A negociante Nicole Klagsbrun, que fechou sua galeria de Nova York em 2013, será um dos poucos nomes na seção principal, que não possui uma sede em espaço físico. Outro expositor, Tif Sigfrid, está atualmente sem espaço enquanto se desloca de Los Angeles para Atenas, na Geórgia. Esta é a terceira vez que participa da Frieze New York.

“Parece uma escolha bizarra”, diz um galerista expositor da Frieze e que preferiu permanecer anônimo. “Eu realmente não entendo aonde eles estão indo com a feira”.

Outros são mais otimistas. “A Frieze começou no Reino Unido como uma feira de arte ‘fora da caixa'”, diz Wendy Cromwell, assessora de arte em Nova York. “Eu não acho que fere a marca ver boas pessoas, independentes, montando projetos na feira de Nova York. As pessoas estão com fome de comprar arte de qualidade. Os colecionadores não ficarão desconcertados por ter mais estandes baseados em “projetos”, se forem bem selecionados pela comissão da feira”.
Independentemente dos sentimentos sobre a mudança, esta é certamente uma indicação dos desafios que muitas galerias – particularmente aquelas do mercado intermediário, cada vez mais competitivo – enfrentaram nos últimos anos. “Eu simplesmente não quero mais o sistema de galeria”, disse Klagsbrun quando fechou o espaço. “O caminho antigo era estar perto dos artistas e dos estúdios. Hoje em dia, é funciona como uma empresa”.

Quando questionado sobre a mudança de critérios de participação na feira, um porta-voz da Frieze justificou dizendo que a edição de Nova York “apresenta uma ampla mistura de galerias e programas, incluindo galerias contemporâneas e uma crescente seleção de galerias etnográficas do século 20”, e por isso a feira queria “refletir melhor os tipos de galerias que se inscrevem ou que já participaram da feira”.
A Frieze London continua a exigir uma galeria física, enquanto a Frieze Masters nunca exigiu uma.

Há também outras mudanças ocorrendo no Frieze New York este ano. Por um lado, haverá um dia adicional de preview, dando aos VIPs dois dias completos para comprar antes que o público em geral aporte na Randall’s Island. A prévia adicional é “projetada para receber e melhorar a experiência do crescente número de colecionadores, profissionais de museus e grupos de museus”, disse o porta-voz. “O cronograma prolongado também ajudará a impulsionar os eventos paralelos da Frieze Week em toda a cidade”.
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Matéria publicada originalmente no portal do Touch of class (www.touchofclass.com.br ), em 30/01/18.

Em meio a incertezas, começa o financiamento coletivo para Queermuseu no RJ

O crowdfunding quer financiar a montagem da exposição no Parque Lage, com uma campanha de meta de R$ 690 mil até o dia 29 de março. O valor será utilizado para o transporte e seguro das obras, a reforma e adequação do espaço, ciclos de debates, além da operação de segurança. Com a frase “Quem quer queer”, os organizadores esperam que a campanha on-line seja também uma resposta às tentativas de censura às artes e à liberdade de expressão, que eclodiram com a mostra gaúcha e estouraram em outras partes do país. Matéria de Nelson Gobbi publicada originalmente no jornal “O Globo”, em 31/01/18. +

Quatro meses depois de ser cancelada no Santander Cultural, em Porto Alegre, e vetada no Museu de Arte do Rio pelo prefeito Marcelo Crivella, “Queermuseu” dá o primeiro passo para, quem sabe, voltar a existir. Começa nesta quarta-feira o crowdfunding que quer financiar a montagem da exposição no Parque Lage.
A campanha, na plataforma Benfeitoria, tem como meta arrecadar R$ 690 mil até o dia 29 de março. O valor será utilizado para o transporte e seguro das obras, a reforma e adequação do espaço das Cavalariças para receber a exposição, a organização de ciclos de debates, além da operação de segurança. Com a frase “Quem quer queer”, os organizadores esperam que a campanha de financiamento on-line seja também uma resposta às tentativas de censura às artes e à liberdade de expressão, que eclodiram com a mostra gaúcha e estouraram em outras partes do país.

— É uma campanha feita a muitas mãos, com um grupo que se fortaleceu após o prefeito declarar em vídeo que a população não queria “Queermuseu” no Rio — conta o diretor do Parque Lage, Fabio Szwarcwald. — Logo que foi noticiado nosso interesse em abrigar a mostra, recebi muitas ligações de gente querendo contribuir, inclusive de fora do Brasil. Estamos abrindo uma janela para a população ajudar a trazer a exposição e mostrar que não aceita a censura. Em momento algum pensamos em buscar patrocínio, desde o início queríamos que a mostra fosse financiada por uma campanha coletiva.

Acusada de promover a pedofilia e a zoofilia e de desrespeitar símbolos religiosos, por causa do conteúdo de algumas de suas obras, “Queermuseu” provocou uma onda de reações, incluindo ameaças a seus organizadores. Por isso, o Parque Lage planeja um esquema especial de segurança caso consiga os recursos para montar a exposição. O plano é duplicar o efetivo atual de seguranças. Ao mesmo tempo, os organizadores se dizem preocupados em esclarecer logo de início qual é a proposta da mostra (leia mais abaixo). E a área jurídica da instituição já foi acionada.

— Estamos levando em conta toda a legislação sobre o tema, sobretudo o Estatuto da Criança e do Adolescente, para não correr o risco de ferir nenhuma norma — promete Szwarcwald.

A ideia dos organizadores é trazer a mesma exposição de Porto Alegre, com 263 obras de 85 artistas de diferentes gerações.

— É claro que ela será montada de forma diferente, por conta da configuração do espaço — explica Gaudêncio Fidélis, curador de “Queermuseu”. — Em Porto Alegre, a mostra foi vista por 27 mil pessoas nos 26 dias em que ficou aberta. Agora, com a sua reabertura no Rio, as pessoas poderão finalmente ver as obras e tirar suas próprias conclusões, em vez de ter acesso apenas a imagens divulgadas em campanhas difamatórias. Para além de todos os debates que suscita, este conjunto finalmente poderá ser analisado do ponto de vista artístico.

Muito comentada e pouquíssimo vista, a exposição deve ganhar outra dimensão agora.

— A Escola de Artes Visuais foi criada há mais de 40 anos justamente para ser um espaço libertário de criação artística. Incentivamos os alunos a experimentar de forma ainda mais radical — diz Ulisses Carrilho, curador da EAV. — Quando trazemos a exposição para cá, não reivindicamos liberdade de expressão só para a classe artística, é uma demanda de toda a sociedade. O Brasil é o país onde se matam mais LGBTs no mundo, e é muito sintomático não conseguirmos lidar com esses temas nem mesmo numa obra de arte.

O crowdfunding terá valor mínimo de R$ 20, sem um teto de contribuição. Como em outras campanhas de arrecadação coletiva, o financiamento de “Queermuseu” também promete contrapartidas para quem colaborar. A recompensa pode ser desde um crédito no catálogo até múltiplos criados por Rosangela Rennó, Matheus Rocha Pitta, Paulo Bruscky, Marcos Chaves e Carla Chaim, em séries de 30, no valor de R$ 1,5 mil cada.

— É o maior crowdfunding já realizado no Brasil na área cultural — aposta Murilo Farah, sócio da Benfeitoria. — A tecnologia faz parecer que a dinâmica do crowdfunding é recente, mas a prática é antiga. A campanha nacional para a construção do Cristo Redentor, nos anos 1920, contou com colaborações em diversos níveis e previa alguns tipos de recompensas. O que o digital possibilita hoje é um processo mais ágil e capilarizado.

Autora de um dos múltiplos doados à campanha, derivado da série “Água viajante”, Rosangela Rennó explica por que aderiu:
— Estamos assistindo diariamente a arbitrariedades em todas as áreas, e a única resposta possível é a união, o afeto e acreditarmos em nossa capacidade de mudança.

O cineasta Lula Buarque de Hollanda assina o vídeo que vai acompanhar a campanha:

— A proposta é recuperar, com imagens de arquivo, todos os eventos relacionados a “Queermuseu” e o que aconteceu após seu cancelamento. Ao mesmo tempo, o vídeo deve tocar as pessoas. Agora é tudo ou nada, precisamos do apoio de todos.

Caso a campanha atinja a meta, a exposição será realizada até o fim do primeiro semestre, com duração de um mês — justamente o tempo que faltou para seu encerramento no Santander Cultural. Nesse período, a EAV também quer promover um ciclo de debates por 14 dias, com temas como questões LGBT, religião, censura e liberdade de expressão, fundamentalismo e liberdade de imprensa.

— É para dar a todos a oportunidade de ver, discutir e formar sua opinião — pondera Szwarcwald.
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Matéria de Nelson Gobbi publicada originalmente no site do jornal “O Globo”, em 31/01/18.

Manchester Art Gallery remove as ninfas nuas de Waterhouse da parede

O museu britânico retira a pintura “Hylas and the Nymphs” de John William Waterhouse (1849 - 1917) de suas paredes e e substituída por um aviso, explicando que um espaço temporário havia sido deixado "para induzir diálogos sobre como exibimos e interpretamos obras de arte na coleção pública de Manchester". Matéria originalmente publicada no site do jornal “The Guardian”, em 31/01/18. +

É uma pintura que mostra ninfas pubescentes e nuas tentando um homem jovem e bonito a sua desgraça, mas é uma fantasia erótica vitoriana muito longe, e uma que, no clima atual, não é apropriada e ofensiva para o público moderno?

Manchester Art Gallery fez a pergunta depois de remover as Hylas e as ninfas de John William Waterhouse (1849 - 1917), uma das pinturas mais pré-rafaelitas, de suas paredes. Os cartões postais da pintura serão removidos da venda na loja.

A pintura foi retirada na sexta-feira (26/01) e substituída por um aviso explicando que um espaço temporário havia sido deixado "para induzir diálogos sobre como exibimos e interpretamos obras de arte na coleção pública de Manchester". Os membros do público prenderam Post-its em torno do aviso mostrando suas reações.

Clare Gannaway, curadora da arte contemporânea da galeria, disse que o objetivo da remoção era provocar o debate, não censurar. "Não se trata de negar a existência de obras de arte específicas".

O trabalho geralmente habitava uma sala intitulada “In Pursuit of Beauty” (Em Busca da Beleza), que contém quadros do final do século 19 mostrando muita carne feminina.

Gannaway disse que o título era ruim, pois eram artistas masculinos que seguiam os corpos das mulheres e pinturas que apresentavam o corpo feminino como uma forma de arte decorativa passiva ou uma femme fatale.

"Para mim pessoalmente, há uma sensação de vergonha de que não tínhamos lidado com isso mais cedo. Nossa atenção estava em outro lugar ... esquecemos, coletivamente, de olhar para esse espaço e pensar corretamente. Queremos fazer algo a respeito agora porque nos esquecemos por tanto tempo ".
Gannaway disse que os debates em torno do Time's Up (www.timesupnow.com) e da hastag #MeToo alimentaram a decisão.

A remoção em si é um ato artístico e será apresentado em uma exposição individual pela artista Sonia Boyce, que abre em março. As pessoas podem tweetar sua opinião usando #MAGSoniaBoyce.

A resposta até agora tem sido misturada. Alguns disseram que estabelece um precedente perigoso, enquanto outros o chamaram de "poker face" e "politicamente correto".

O artista Michael Browne que participou do evento onde a pintura foi retirada disse que estava preocupado com o fato de o passado estar sendo apagado.

"Eu não gosto da substituição e remoção de arte e ser informado que ‘isso é errado e isso é certo’. Eles estão usando seu poder para vetar a arte em uma coleção pública. Não sabemos por quanto tempo a pintura estará fora da parede - pode ser dias, semanas e meses. A menos que haja protestos, talvez nunca mais volte".
Browne disse que temia que as pinturas históricas fossem descartadas em favor das contemporâneas. "Eu sei que existem outras obras no porão que provavelmente serão consideradas ofensivas pelos mesmos motivos e não verão a luz do dia".

A curadora disse que a remoção não era sobre censura.

"Nós pensamos que provavelmente irá retornar, sim, mas espero que seja contextualizado de forma bastante diferente. Não é apenas sobre aquela pintura, é todo o contexto da galeria".

Waterhouse é um dos pré-rafaelitas mais conhecidos, cuja Lady of Shalott é um dos cartões-postais mais vendidos da Tate Britain, mas algumas de suas pinturas deixam as pessoas desconfortáveis e ele foi acusado de estar a um passo de um pornógrafo.

Revisando a exposição da Royal Academy of Arts de 2009, dedicada a Waterhouse, o crítico Waldemar Januszczak escreveu sobre uma pintura que mostra a morte de St. Eulalia, uma garota de 12 anos: "Eu não sabia se rir, chorar ou chamar a polícia. "
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Matéria originalmente publicada no site do jornal “The Guardian” (www.theguardian.com), em 31/01/18.

Invader atingiu templos sagrados no Butão e até seus fãs estão furiosos

O francês é conhecido por afixar seus mosaicos ao redor do mundo - mas ele foi muito longe quando ele atacou os templos budistas? Matéria de Rachel Corbett publicada originalmente no site do artnet news (artnet.com) em 31/01/18. +

O artista de rua francês Invader é conhecido por afixar seus mosaicos de guerrilha, que evocam os gráficos pixelados dos jogos arcade dos anos 70, em lugares fora do caminho. Mas sua última aventura fez com que ele colocasse sua arte em locais sagrados budistas no Butão e alguns fãs estão perguntando se a arte de Invader tornou-se um pouco invasiva.

"É minha primeira peça no Butão e minha primeira peça dentro de um mosteiro", escreveu Invader em sua conta Instagram (@invaderwashere) ao lado de um vídeo de um de seus mosaicos cimentado em um muro de Cheri Goemba, o primeiro mosteiro histórico do Butão. O lugar foi estabelecido em 1620 por Ngawang Namgyal (1594-1651), o lama budista tibetano conhecido por ter unificado o estado butanês.

O trabalho do invasor retrata uma mandala tibetana em seu estilo. Parece ter sido colocado logo abaixo de um grande desenho de parede de um Buda.

Embora o post do artista sugerisse que ele estava trabalhando "com a bênção dos monges", o que exatamente isso significava não estava claro. O Invader não respondeu aos e-mails solicitando comentários.

Um observador no Butão, que alcançou a Artnet News, pediu para permanecer anônimo, disse que ele encontrou pessoalmente Invader enquanto ele estava instalando os trabalhos com o que parecia uma pasta concreta para um prédio no complexo religioso do Ninho do Tigre.

"Eu estava caminhando para encontrar meus amigos e, de repente, vejo alguém desfigurando o prédio neste lugar mais que sagrado", disse ele. "Eu estudei a história da arte, adoro arte, gosto de arte de rua, mas isso atravessou um limite ético-moral, especialmente como visitante de outro país".

Nos últimos dias, Invader publicou fotos de cerca de 10 obras no Butão. A fonte que contatou a Artnet News disse que pelo menos uma, retratando um monge levitável pixelado, foi colocada em um prédio marcado com uma linha vermelha, indicando um ambiente sagrado.

Quando o homem viu Invader trabalhando no Butão, ele afirma ter-se confrontado com ele, perguntando: "Quem te dá o direito de fazer isso?" Em sua narração, Invader respondeu: "Eu sou um artista. É um presente. Você não entende ".

Até mesmo alguns dos fãs do Invader estão desapontados. "Não me interpretem mal. Eu amo seu trabalho, mas isso parece mais como ego do que qualquer outra coisa", escreveu um no Instagram. "Estes são lugares sagrados que são pacíficos, equilibrados e é tão óbvio quando você olha para cada foto que você postou o quanto sua arte se destaca ... Sinto muito cara, mas você perdeu com isso".

"Isso não é arte", disse outro. "Apenas desrespeito por um lugar sagrado, para o Butão e suas pessoas maravilhosas que o receberam".

O artista francês, conhecido por cidades "invasoras" ao redor do globo e afixando cada obra com dezenas de seus mosaicos, também se defendeu no Instagram. Na segunda-feira, ele escreveu: "Eu sei que algumas pessoas gritarão que é desrespeitoso ter praticado minha arte no Butão. Pessoalmente, eu não penso assim! Minha prática conta uma história e não sei por que devo privar o Butão desta história. Tenho orgulho de ter deixado o meu rastro naquele maravilhoso país ".

EDIT: uma assistente de Invasive enviou por e-mail ao Artnet News na quarta-feira (01/02) dizendo que o "chefe" monge em Cheri Goemba deu permissão ao artista para instalar o trabalho. Ele "até pediu a Invader para colocá-lo dentro do templo, deixando ele escolher entre vários locais", disse ela.
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Matéria de Rachel Corbett publicada originalmente no site do artnet news (artnet.com) em 31/01/18.

O crítico de arte deve ter contato pessoal com o artista?

Será que para ser um bom crítico é preciso evitar o contato pessoal com artistas? Respondem à pergunta feita pela revista Select #37 os críticos Cauê Alves, Jacopo Crivelli, Luisa Duarte, Mirtes Marins de Oliveira e Paulo Miyada. Matéria publicada originalmente no site da revista Select (www.select.art.br), em 29/01/18. +

Parece cada vez mais difícil encontrar profissionais que sejam somente críticos de arte. Atualmente, os críticos parecem exercer outras atividades em paralelo, como a de curador, professor, pesquisador, gestor cultural e até mesmo de artista. Será que ficou no passado a velha imagem do crítico de arte vivendo numa espécie de pedestal, emitindo julgamentos sem ter de lidar corpo a corpo com os personagens centrais da arte, que são os artistas? Uma boa crítica julga ou traduz? Será que para ser um bom crítico é preciso evitar o contato pessoal com artistas? Esta foi a pergunta que seLecT fez para um grupo de críticos de arte.


Cauê Alves
Crítico e curador

Ajuda muito. Para mim, é fundamental a aproximação entre crítico e artista, para a compreensão do processo de elaboração do trabalho de arte. Todas as informações que eu puder obter do artista podem ser relevantes para a atividade crítica. Não se trata de dizer que a crítica deva apenas reiterar o discurso do artista, mas que o crítico aprende ao entender o modo como esse artista elabora suas questões. Não penso a atividade crítica como um trabalho distante, pois, na verdade, não busco distanciamento algum, ao contrário, prefiro mergulhar no trabalho do artista. Em vez de escrever sobre arte, me interessa escrever com a arte.


Paulo Miyada
Curador e pesquisador

Na realidade, prefiro definir minhas atuações como de curadoria e pesquisa. Entendo que há muitos aspectos da crítica que entram em jogo nessas tarefas, mas que a curadoria se distingue por orientar-se por um duplo compromisso: com os artistas e com os públicos. Nesse sentido, existe uma cumplicidade inerente com os artistas que vai além do “contato pessoal” e se estende em interlocução, desafio mútuo e parceria. De forma simétrica, com os públicos, também se pretende que exista diálogo, troca de informações, percepções e, eventualmente, dissenso. Por isso, sempre que possível, procuro escrever informado por conversas e convívio com os artistas, ainda que esperando traduzir uma perspectiva que não seja um decalque daquela que ele já tem sobre sua obra e sobre o mundo. Isso em nada diminui o valor dos comentários feitos sem travar contato com os artistas, mas essa não é a posição de onde prefiro escrever. Por fim, as reflexões mais vivazes sobre arte que conheço me foram apresentadas por artistas.


Luisa Duarte
Crítica e curadora

Afirmar que o contato pessoal com os artistas atrapalha seria quase como afirmar que existiria uma crítica no sentido desinteressado, kantiano, e que tal proximidade colocaria em risco tal posição crítica. Mas como creio que estamos hoje muito mais próximos de uma posição de interlocutores que traduzem o gesto artístico do que de críticos que julgam esse gesto, não vejo como o contato pessoal poderia atrapalhar.
Entretanto, o “contato pessoal” de forma alguma é condição para a escrita, para a “crítica”. São muitos os casos de textos sobre obras cujo resultado é feliz e que pouco contato tive com os artistas. O contato pessoal não garante um bom texto, tampouco a falta dele sinaliza um problema.
Quando olho para minha trajetória, não consigo imaginá-la sem o convívio próximo com os artistas. Por meio das conversas constantes, das visitas aos ateliês, podemos medir o pulso da obra de forma mais íntegra. O que acontece é um aprendizado mútuo entre duas pontas que respiram um mesmo ar do tempo e, através da troca, buscam compreender, juntos, esse tempo em que vivem, tendo o trabalho de arte como uma lente fértil.

Jacopo Crivelli
Crítico e curador

Eu considero fundamental discutir com o artista tanto o trabalho dele quanto qualquer outro assunto que possa surgir na conversa. Isso porque quase sempre nessa conversa acabamos falando de detalhes ou aspectos do trabalho que eu não tinha percebido. Frequentemente, o artista também acaba enxergando em sua própria obra temas ou questões que ele não estava considerando. É uma troca extremamente rica. Tudo isso, depois, acaba confluindo de alguma maneira no meu trabalho, seja um texto crítico, seja um texto de parede que acaba servindo como introdução à obra, e que tem, portanto, um papel relevante na maneira como ela é entendida pelo público.


Mirtes Marins de Oliveira
Crítica e pesquisadora

De meu ponto de vista, não há regra fixa na elaboração crítica. Talvez seja possível falar de abordagens preferidas nessa construção, mas mesmo assim duvido que sirvam para todos os cenários. O contato pessoal – penso que se fala de uma conversa, entrevista – não é necessariamente uma obrigatoriedade. Afinal, como tratar de obras e artistas do passado, para os quais esse contato não seria mais possível? Seriam aproximações menores ou desqualificadas? Não acredito. Pelo contrário, essa distância permite que se valorize a condição contemporânea do crítico em relação ao que foi produzido. No meu caso, costumo escrever mais sobre exposições do que sobre obras e artistas. Mesmo assim, não estabeleço como exigência a conversa com o curador, inclusive porque penso que aspectos institucionais são tão determinantes para as mostras quanto a perspectiva autoral daquele profissional, assim como os significados que as obras podem apresentar. Considero o enunciado público como o mais importante e, no confronto daqueles envolvidos em uma exposição – arquitetura, fluxos, narrativas, textos oferecidos ao visitante, educadores e os públicos, entre outros –, é que coloco o meu lugar crítico.
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Matéria publicada originalmente no site da revista Select (www.select.art.br), em 29/01/18.

Descobertas na Holanda duas obras de Van Gogh de 1886

Durante muitos anos o desenho passou despercebido em uma coleção privada, até que foi apresentado ao museu Van Gogh em 2013 para ser autentificado. Matéria publicada originalmente no site do jornal “Folha de São Paulo”, em 17/01/18. +

Duas obras de Vincent van Gogh e duas pinturas de Govert Flinck, aluno de Rembrandt, foram expostas na terça-feira (16) pela primeira vez na Holanda, após décadas de esquecimento.

De Van Gogh (1853-1890) foi identificado um desenho que pertencia à coleção da fundação de arte Van Vlissingen, "A Colina de Montmartre com Pedreira", que data de março de 1886.

"Durante muitos anos o desenho passou despercebido em uma coleção privada, até que foi apresentado ao museu Van Gogh em 2013 para ser autentificado", explicou à AFP o pesquisador Teio Meedendorp, acrescentando que se trata de uma descoberta "excepcional".

Graças a esta descoberta, um quadro intitulado "A Colina de Montmartre" (1886), descartado previamente por falta de elementos para poder compará-lo, foi em consequência atribuído a Van Gogh.

Essas obras foram apresentadas nesta terça-feira ao público em uma exposição sobre impressionismo no museu Singer Laren.
Por sua vez, duas pinturas desconhecidas de Govert Flinck (1615-1660) foram apresentadas na exposição "Ferdinand Bol e Govert Flinck, os Mestres Alunos de Rembrandt" no museu de Amsterdã.

Essas duas telas, datadas em 1654, estavam em mãos de um particular, que as cedeu para a exposição.
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Matéria publicada originalmente no site do jornal “Folha de São Paulo”, em 17/01/18.

Louvre fecha exibição de arte islâmica por aumento de nível do rio Sena

O Museu do Louvre fechou a sua exibição subterrânea de arte islâmica após aumento do nível do rio Sena, desencadeado por semanas de chuvas intensas. Turistas e moradores foram aconselhados a manter distância das margens do rio e barcos submersos atracados aos cais. Matéria publicada originalmente no site do jornal “Folha de São Paulo”, em 24/01/18. +

O Museu do Louvre, em Paris, fechou sua exibição subterrânea de arte islâmica nesta quarta-feira, após um aumento acentuado do nível do rio Sena, desencadeado por semanas de chuvas intensas.

O Sena inundou suas próprias passarelas no início desta semana e seu nível subiu muito, impedindo que barcos de Paris passem debaixo das antigas pontes próximas à catedral de Notre-Dame.

Turistas e moradores foram aconselhados a manter distância das margens do rio e barcos submersos atracados aos cais aparentavam estar encalhados no meio de um Sena amplamente mais largo.

Seis estações de trem localizadas próximas ao rio, incluindo a Saint-Michel, no Quartier Latin, região que atrai muitos turistas, foram forçadas a fechar.
O Louvre, maior museu do mundo e cujos tesouros incluem a "Mona Lisa", de Leonardo da Vinci, e a estátua da Vênus de Milo, decidiu fechar sua galeria subterrânea como uma medida preventiva porque uma grande parte do prédio fica ao lado do Sena.

O museu não informou se irá transferir obras de arte da área.

"Uma unidade de crise está monitorando a situação em tempo real", informou o Louvre, em comunicado.

O Louvre destacou que nenhum dano ocorreu em 2016, quando medidas similares foram tomadas por temores de que a água pudesse danificar exibições.
Meteorologistas previram que maiores inundações podem deixar o rio com 6 metros ou mais no total. Com o nível da água crescendo de um a dois centímetros por hora, o rio havia atingido 5,24 metros às 10h desta quarta-feira, no horário de Brasília.
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Matéria publicada originalmente no site do jornal “Folha de São Paulo”, em 24/01/18.

Museu oferece privada de ouro a Trump, em vez de quadro de Van Gogh

O presidente americano pediu emprestado ao Guggenheim de Nova York o quadro Paisagem com Neve, do pintor holandês, mas a curadora ofereceu uma privada de ouro usada pelo público, obra do artista italiano Maurizio Cattelan. Matéria de publicada originalmente no jornal "Estado de São Paulo, 25/01/18. +

Uma privada de ouro 18 quilates usada pelo público do Museu Guggenheim, em Nova York, no lugar de um quadro de 1888 do pintor holandês Vincent Van Gogh, Paisagem com Neve, uma delicada pintura de um homem com chapéu preto caminhando por Arles, na França, com seu cachorro. Essa foi a troca que a curadora do Guggenheim, Nancy Spector, sugeriu ao presidente americano Donald Trump.

No fim do ano passado, Trump pediu emprestado ao museu nova-iorquino o quadro de Van Gogh para adornar os seus aposentos na Casa Branca. A resposta ao pedido, enviada por e-mail à Casa Branca, foi polida, mas firme: a obra de Van Gogh é “expressamente proibida de viajar, exceto em raras ocasiões”, estava a caminho de ser exibida em Bilbao, na Espanha, e retornaria a Nova York.

"Felizmente”, escreveu Spector, “America, de Maurizio Cattelan, está disponível depois de ter sido instalada em um dos nossos banheiros públicos para que todos usassem, em um maravilhoso ato de generosidade”. America é o nome da privada de ouro 18 quilates com valor aproximado de US$ 1 milhão, escultura do polêmico artista italiano Maurizio Cattelan, conhecido por trabalhos satíricos e irônicos, como uma escultura de criança em forma de Hitler ajoelhado, e do papa João Paulo II caído, atingido por um meteoro.

A escultura de Cattelan foi concebida antes de Trump se candidatar à presidência, mas em uma entrevista de 2016 Cattelan disse que o tema “provavelmente estava no ar”. Ele também afirmou que ao criar a escultura tinha em mente “a riqueza que permeia todos os aspectos” da sociedade americana. “Tudo o que você come, um almoço de US$ 200 ou um hot dog de US$ 2, tem o mesmo destino, o banheiro”, disse.

É comum que presidentes e primeiras-damas dos EUA peçam obras de arte renomadas para decorar o Salão Oval ou as salas e quartos da Casa Branca. Em 1961, o Instituto Smithsonian emprestou aos Kennedys a pintura The Smoker, de Eugene Delacroix. Os Obamas preferiam arte abstrata, e pegaram emprestadas obras de Mark Rothko e Jasper Johns. Rejeições aos pedidos são raras.

A curadora do Guggenheim, Nancy Spector, é uma crítica de Trump. “Este deve ser o primeiro dia da nossa revolução para retornar ao nosso amado país de ódio, racismo e intolerância”, escreveu com ironia Spector em sua conta no Instagram, um dia depois da eleição de Trump. Em agosto, Spector escreveu que a gestão de Trump tinha sido “marcada por escândalos e definida pela reversão deliberada de inúmeras liberdades civis”.

No e-mail que enviou à Casa Branca, em resposta ao pedido, Spector escreveu: “Lamentamos não poder atender a sua solicitação original, mas continuo esperançosa de que esta oferta especial possa ser de seu interesse”. Apesar do notório fascínio de Trump por objetos de ouro, que adornam suas casas e até mesmo seu avião oficial, não se sabe se Trump aceitará a oferta. A Casa Branca não quis comentar o episódio.
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Matéria de publicada originalmente no jornal "Estado de São Paulo, 25/01/18.

Pequena cidade francesa exige a restituição de um relicário religioso do Met

Uma comunidade na região da Nouvelle-Aquitaine, na França, pede a restituição de um busto relicário de ouro e prata do século 11, incrustado de jóias de Saint Yrieix, que uma vez continha os ossos do crânio do santo. O artefato tem estado na coleção do Metropolitan Museum of Art em Nova York há mais de um século. Matéria de Naomi Rea publicada no site Artnet (artnet.com), em 16/01/18. +

Uma comunidade na região da Nouvelle-Aquitaine, na França, está pedindo a restituição de um busto relicário do século XI que está na coleção do Metropolitan Museum of Art em Nova York desde 1917.

Na quarta-feira passada (10/01), Daniel Boisserie, prefeito da pequena cidade de Saint-Yrieix-La-Perche, no oeste centro da França, enviou uma carta ao Met através do Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros e da Embaixada de França nos Estados Unidos, pedindo oficialmente o retorno do artefato: um busto de ouro e prata, incrustado de jóias de Saint Yrieix, que uma vez continha os ossos do crânio do santo. O Met ainda não respondeu ao nosso pedido de comentários sobre o assunto, mas um porta-voz da cidade disse à Artnet News que ainda não recebeu uma resposta da gestão do museu.

Saint Yrieix, também conhecido como São Aredius, fundou um mosteiro na região durante o século VI, e a cidade com seu nome, hoje conta com 7.000 habitantes. O jornal francês La Montagne relata que, de acordo com um livro recente dos historiadores locais Philippe Grandcoing e Vincent Brousse, intitulado La belle époque des pilleurs d'églises, o busto original parece ter sido levado de Saint-Yrieix em 1906, vendido e substituído por uma cópia pelo pároco na época.

A partir daí, pensa-se que o busto genuíno passou pelas mãos de um negociante de antiguidades francesas para um inglês, que vendeu por 300 mil francos de ouro ao magnata bancário JP Morgan em 1907. Os herdeiros de Morgan doaram para o busto ao Met dez anos depois, e faz parte da coleção permanente do museu desde então.

Foi apenas na década de 1950, quando uma pessoa que visitou o museu reconheceu o relicário, e que a cidade realmente percebeu que o busto existente era uma cópia. A cidade sustenta que é o único proprietário legítimo da relíquia, citando um decreto de 1789 que o tornou propriedade pública e uma proteção de 1891 dos monumentos históricos. Além disso, uma lei de 1905 determina que está proibido para um comprador de um objeto protegido transportá-lo fora da França.

"A venda e exportação fora da França do relicário de Saint Yrieix foram realizadas ilegalmente em torno de maio de 1906", diz Judith Kagan, chefe do escritório da França para a preservação do patrimônio móvel e instrumental. "Mantido desde 1917 no Museu Metropolitano de Nova York, o proprietário legítimo continua a ser a comunidade de Saint-Yrieix, que possui um tesouro nacional nos termos do artigo L 111-1 do código patrimonial e um bem público de interesse cultural nos termos do artigo L 2112 -1 do código geral da propriedade das pessoas públicas. Como tal, é inalienável e imprescritível ".
A cidade espera um acordo amistoso com o museu, mas, se tudo falhar, um porta-voz da comuna advertiu a revista francesa L'Express que "a cidade, que está dentro dos seus direitos, pode trazer uma ação civil".
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Matéria de Naomi Rea publicada no site Artnet (artnet.com), em 16/01/18.

Ministério da cultura vai contratar pareceristas

As inscrições estão abertas até 08/02/18 nas áreas fiscal e financeira; artes cênicas; audiovisual; música; artes visuais; patrimônio cultural material e imaterial; museus e memória; humanidades; análise de prestação de contas e resultados; tecnologia da informação e engenharia. Matéria publicada originalmente no “Jornal de Brasília”. +

O Ministério da Cultura (MinC) vai selecionar profissionais responsáveis pela aprovação de projetos culturais e análise de prestação de contas de propostas da Lei Rouanet, entre outras políticas e programas, conhecidos como pareceristas.

As inscrições estão abertas até 8 de fevereiro para credenciamento de pareceristas em 12 áreas: análise fiscal e financeira; artes cênicas; audiovisual; música; artes visuais; patrimônio cultural material e imaterial; museus e memória; humanidades; análise de prestação de contas e resultados; análise de medidas de acessibilidade à produtos e bens culturais; tecnologia da informação; e análise de obra de engenharia – construção, reforma e adequação estrutural, inclusive em atendimento às regras de acessibilidade física.

O objetivo do MinC é selecionar profissionais mais qualificados, que possam atuar em projetos de todos os níveis de complexidade e de mais de uma área cultural, mediante devida comprovação. A remuneração por parecer vai variar entre R$ 300 e R$ 1.650, de acordo com a complexidade do projeto.
A seleção dos inscritos ocorrerá em duas etapas. Na primeira, será feita a triagem documental pela Comissão de Seleção, composta por servidores da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura. Os candidatos habilitados terão seus nomes divulgados no DOU, no prazo de 45 dias úteis, após o término das inscrições.

No segundo momento, os candidatos serão avaliados por uma comissão de credenciamento, composta por representantes do Ministério da Cultura e das suas entidades vinculadas.
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Mais informações:
pareceristas.sefic@cultura.gov.br
(61) 2024-2078, 2024-2115, 2024-2117, 2024-2141 e 2024-2137.
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Matéria publicada originalmente no “Jornal de Brasília”.

Condo chega à São Paulo e ocupa a Galeria Jaqueline Martins

O evento inglês internacional colaborativo entre galerias Condo chega em abril em São Paulo e fecha parceria com a paulistana Galeria Jaqueline Martins, em uma edição menor que recebe seis galerias visitantes. Matéria de Matéria de Naomi Rea publicada originalmente no site do artnet (artnet.com) em 11/01/18. +

O evento colaborativo entre galerias Condo, que abre sua terceira edição em Londres neste fim de semana, estará em São Paulo em abril. A fundadora do Condo, a marchande brasileira Vanessa Carlos, diz que planeja levar uma versão menor da feira alternativa à Galeria Jaqueline Martins. Este será um evento de um único local denominado "Condo Unit", em oposição ao simplesmente "Condo" que geralmente é espalhado por uma cidade inteira. A galeria paulistana acolherá cerca de seis galerias visitantes.
Vanessa espera trazer este formato reduzido para as cidades que talvez não sejam adequadas para o tratamento completo do Condo. "Esta seria uma ramificação menor e ocasional em lugares onde não faz sentido organizar um Condo em toda a cidade, mas ainda é emocionante ter este elemento de troca", diz ela.
Para o Condo Londres, 46 galerias internacionais apresentam exposições hospedadas por 17 espaços, que incluem Sede Coles HQ, Maureen Paley, König London e Hollybush Gardens, durante o evento de quatro semanas (entre 13/01/18 e 10/02/18).
A galeria brasileira de Jaqueline Martins está desenvolvendo o projeto junto a Vanessa Carlos e Stefan Benchoam, do Proyectos Ultravioleta, na Cidade da Guatemala. Jaqueline Martins também participa do Condo London este ano, levando o trabalho de Lydia Okumura para König London.
O modelo Condo ganhou popularidade, pois oferece uma maneira econômica para que as galerias mostrem seus artistas no exterior e alcancem novos colecionadores (as galerias de acolhimento fornecem seu espaço por um aluguel gratuito).
Vanessa pretende levar a Condo para o Oriente Médio e a África. Ela diz que Nova York, Xangai e Cidade do México foram escolhidas anteriormente por causa de sua "vibrante cena artística, grande público e emocionantes museus e fundações - para que as galerias visitantes definitivamente ganhassem muito por passar algum tempo lá". Quanto aos anfitriões, ela diz, o intercâmbio traz uma nova vitalidade, enquanto galeristas locais “se juntam para gerar um evento energético que também os servirá”.
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Matéria de Naomi Rea publicada originalmente no site do artnet (artnet.com) em 11/01/18.

Artista pinta personagens de Star Wars em cima de pinturas antigas

O artista Ricardo Mayr apresenta resultados na mostra “Pinturas Religiosas da Galáxia Expandida", na Galeria 30 South, em Pasadena (Califórnia). Matéria de Sarah Cascone publicada originalmente no portal de arte ArtNet (artnet.com) em 12/01/18. +

Riccardo Mayr exibe suas pinturas na mostra “Pinturas Religiosas da Galáxia Expandida", na Galeria 30 South, nos Estado Unidos.

O que a galeria diz: "O objetivo deste projeto é integrar pinturas originais dos séculos XVII e XVIII com e personagens fictícios da cultura popular de nossos tempos: a saga Star Wars. Ao fazê-lo, apresentamos a fé religiosa e ética em um paradigma pós-moderno em grande parte incorporado na realidade fictícia através de uma exposição multi-generacional e fascínio com filmes de ficção científica. Nós também devolvemos a pinturas a óleo igurativas para um novo caminho ou um conceito de verdade”.

"Na maioria dos casos, as pinturas originais sofreram danos ao longo de séculos de armazenamento não arquivístico, com o custo da restauração excedendo seu valor relativo, por isso é mais do que apenas uma mistura de obras clássicas da antiguidade com pop contemporâneo, há um elemento de preservação da arte e nova relevância ".

Por que vale a pena olhar: a força é forte com esta. Como sua tela literal, Mayr está trabalhando com obras do pintor suíço Franz Kaisermann (1765-1833) e artistas da era renascentista da Ferrarese School da Itália, desua terra natal. Os resultados são tão perfeitos que não nos surpreenderia se algum espectador pudesse ser enganado ao pensar que os elementos de ficção científica refletiam a aparência original das pinturas. Alternativamente, as paisagens e as paisagens urbanas de Kaisermann, algumas das quais recordam o planeta Naboo, certamente poderiam assumir o duplo dever como arte conceitual para o Episódio IX. Só esperando uma visita do diretor J.J. Abrams.

A Galeria 30 South está localizada em 30 South Wilson Avenue, em Pasadena, na Califórnia.
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Matéria de Sarah Cascone publicada originalmente no portal de arte artnet (artnet.com), em 12/01/18.

A história da fotografia que registrou 57 músicos da era de ouro do jazz

A memorável foto foi encomendada pela revista Esquire, como parte do número de janeiro de 1959. A ideia foi de um dos editores, Harold Hayes, entusiasta do gênero. Ele e o designer Robert Benton, futuro diretor de cinema, convidaram Art Krane para pensar numa fotografia que reuniria dos melhores músicos de jazz de todos os tempos. Texto de Cadão Volpato publicado originalmente no site da revista Zum, em 11/12/17. +

Parece uma reunião de família. Ali, diante de um prédio baixo de fachada de arenito, um clássico brownstone novaiorquino, juntos nos degraus da escada e espalhados pelos lados, estão alguns dos melhores músicos de jazz de todos os tempos. Para ser exato, 57. Era um dia de verão de 1958, Um Grande Dia no Harlem, como a foto ficaria conhecida.

Às dez horas daquela manhã, a rua 126 começou a assistir à chegada de dezenas de músicos vindos de toda parte. A nobreza do jazz estava se encontrando diante do número 17. De Count Basie a Dizzie Gillespie, passando por Lester Young, Charles Mingus e Thelonius Monk, era mais fácil notar as ausências: Miles Davis, Duke Ellington, Bill Evans, John Coltrane e Billie Holiday. Boa parte da orquestra de Ellington foi até lá. Miles, Evans e Coltrane talvez estivessem ocupados, pois lançariam no ano seguinte o mitológico álbum Kind of Blue. O fato é que, nos anos seguintes, todo mundo gostaria de ter estado naquela foto encomendada pela revista Esquire, como parte do número de janeiro de 1959, dedicado à era dourada do jazz.

A ideia foi de um dos editores, Harold Hayes, entusiasta do gênero. Ele e o designer Robert Benton, futuro diretor de cinema, convidaram Art Krane, um outro jovem designer da revista Seventeen, para pensar numa fotografia. Kane, que não era fotógrafo, deu uma sugestão singela: por que não fazer uma foto de todo mundo junto, todas as grandes estrelas possíveis? E assim, depois de pedir a ajuda do escritor Nat Hentoff, muito popular entre os jazzistas, e escalar o próprio Kane como fotógrafo, a equipe da Esquire conseguiu reunir toda aquela constelação de músicos. O detalhe é que Art Kane nem sequer possuía um equipamento. E como alguns daqueles músicos brincariam depois, muitos deles, seres notívagos por profissão, não sabiam da existência de “duas dez horas no mesmo dia”.

No documentário com o mesmo título, vencedor do Oscar de 1994, o empresário de Thelonius Monk conta como foi difícil tirar o músico da cama. E como ele demorou uma hora para escolher a roupa da foto, um paletó mostarda que brilha em meio a outros ternos de padrão escuro. Tudo calculado por Monk.

Também ficamos sabendo, pelo documentário, que ninguém fala mal de ninguém naquele meio. Todos os depoimentos, dados com a fotografia em mãos, revelam as alegrias e as curiosidades do encontro notável. A maioria estava ali justamente pela possibilidade de rever velhos amigos que a dura vida das turnês musicais não permitia. Todos ganhavam a vida duramente, mesmo os mais famosos.

Três mulheres aparecem na linha de frente: as pianistas Marian McPartland e Mary Lou Williams e a cantora Maxine Sullivan. Aliás, só há dois cantores no grupo: Maxine e Jimmy Rushing. Mary Lou era um tipo de professora para muitos deles. As três estão muito elegantes. Ao lado de Maxine, que segura uma bolsa no lado esquerdo da foto, está Luckey Roberts, uma lenda do piano. Atrás deles há um espaço que deveria ser ocupado por outra figura extraordinária, Willie “The Lion” Smith, um pianista veloz que jamais tirava o charuto da boca. Acontece que o leão, cansado de esperar, estava sentado no degrau ao lado bem quando a chapa foi batida.

Count Basie, que aparece sentado no meio-fio, também estava relaxando naquele momento. Ao lado, há uma dúzia de meninos, um deles com dois dedos na boca. Outro, nos instantes que antecederam a foto, esteve brincando com o chapéu de Basie. Acima do pianista, Rex Stewart segura a sua corneta, o único que trouxe o instrumento para a fotografia. No bloco de Stewart está um dos poucos brancos do pedaço, o saxofonista Gerry Mulligan. E à frente de Mulligan desenrola-se uma cena engraçada: Dizzie Gillespie mostra a língua para Roy Eldridge, que sempre aparece ao lado dele e sempre é distraído por ele nas fotografias.

Lester Young é o homem alto de chapéu esquisito atrás do cornetista. Poucos talentos presentes se equiparam ao dele, poucos estilos chegam perto do seu, ninguém se veste como ele. Dá para imaginar Billie Holiday, de quem era o melhor amigo, ao seu lado.

Mas a foto também traz um estranho no ninho. No centro da segunda fileira está Bill Crump, que poucas pessoas sabem quem é. Saxofonista e flautista, ele era quase um desconhecido, um mistério total para muitos colegas. Alguns até achavam que ele pudesse ser um espião do FBI. A verdade é que ele terminaria a carreira fazendo acompanhamentos para strippers. Não que muitos daqueles músicos de Um Grande Dia no Harlem não tivessem acabado na pior.

Um deles, o clarinetista Gigi Gryce, que está na extrema esquerda da foto, foi cortado na edição da revista. Quem abriu as páginas da Esquire naquele janeiro de 1959 viu o seu corpo pela metade. Entre os 57 artistas estão três mulheres, dois personagens de óculos escuros, dois de gravata borboleta e 47 negros, mas apenas um deles apareceu pela metade, enquanto do lado direito da foto há espaço de sobra para uma escada vazia que dava no número 19 daquela rua do Harlem. Gigi está encostado de leve no ombro do pianista Hank Jones, de terno e gravata, chapéu e óculos, sapatos engraxados e brilhantes. Segura um envelope debaixo do braço. Havia se convertido ao islamismo e mudara o nome para Basheer Qusin. Não fazia parte de nenhum grupo, não bebia e nem usava drogas. Era uma pessoa reservada. Abandonaria o jazz nos anos seguintes e se reinventaria como professor numa das escolas públicas da cidade, não muito longe dali. Mas teve a sorte de aparecer naquele grande dia no Harlem.

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Cadão Volpato (1956) é jornalista, músico, escritor e ilustrador. É formado em Jornalismo e Ciências Sociais pela USP. Como músico, lançou seis discos com a banda Fellini, entre eles O Adeus de Fellini (85), Fellini Só Vive Duas Vezes (86) e Amor Louco (89). Como escritor, é autor dos livros Relógio sem Sol (2009) e Pessoas que Passam Pelos Sonhos (2012), entre outros.
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Texto de Cadão Volpato publicado originalmente no site da revista Zum, em 11/12/17.

Conheça o mais adorável novo empregado do Museu das Belas Artes de Boston

Seria este trabalhador do museu o mais bonito de todos os tempos? O filhote de Weimaraner empresta suas impressionantes habilidades olfativas para ajudar a proteger e preservar os objetos do museu de insetos e percevejos e outras ameaças ao acervo. Matéria de Sarah Cascone publicada originalmente no site do ArtNet News (www.artnet.com), em 10/01/18. +

Arquive esta na pasta "notícias adoráveis": o mais recente funcionário do Museu das Belas Artes de Boston é Riley, um filhote de Weimaraner de 12 semanas de idade. A instituição espera que suas impressionantes habilidades olfativas possam ser aproveitadas para detectar insetos e percevejos, para evitar infestações que possam ameaçar a preservação de objetos de museu.

Riley pertence ao chefe de Serviços de Proteção do museu e trabalhará com o MFA voluntariamente, informa o “Boston Globe”. Como parte de um novo programa piloto, ele será treinado para inspecionar objetos do museu, sentando-se diante deles para farejar mariposas ou outros insetos, que podem causar danos, especialmente para os têxteis, as madeira e outros materiais orgânicos.

"As pragas são uma preocupação constante para os museus", disse ao Globe Katie Getchell, diretor de marca e vice-diretora do Museu de Belas Artes. "Se é algo que funciona, é algo que outros museus ou outras bibliotecas, ou outros lugares que coletam materiais susceptíveis a qualquer tipo de infestação, como essa, poderiam usar como linha de defesa".

No que diz respeito ao MFA, é a única instituição do mundo da arte a adicionar um cão farejador aos seus protocolos para manter os insetos sob controle.

Como um Weimaraner, Riley é uma boa escolha para o museu. O American Kennel Club cita a "capacidade de trabalhar com grande velocidade e resistência em campo", enquanto Weimaraner Rescue of the South diz que eles são "muito resistentes, com bom senso de olfato e um trabalhador apaixonado".

Infelizmente, para os amantes de museu de arte, Riley, tão fofo como ele é, apenas estará trabalhando quase inteiramente nos bastidores, deixando pouca oportunidade de interação com os visitantes.
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Matéria de Sarah Cascone publicada originalmente no site do ArtNet News (www.artnet.com), em 10/01/18.

Cabeça de índio exposta em Viena causa polêmica

Em exibição em Viena, uma cabeça cortada usada como troféu de guerra pelos Munduruku, etnia indígena do Norte do Brasil, tem gerado polêmica entre alguns frequentadores. Especialistas criticaram a instituição por mostrar restos mortais de um representante de povos originários e não fornecer informações sobre a procedência da cabeça. Matéria de Nelson Gobbipublicada originalmente no jornal “O Globo”, em 10/01/18. +

Em exibição no Weltmuseum, de Viena, uma cabeça cortada usada como troféu de guerra pelos Munduruku, etnia indígena do Norte do Brasil, tem gerado polêmica entre alguns frequentadores. De acordo com reportagem do jornal “The Art Newspaper”, especialistas criticaram a instituição por mostrar restos mortais de um representante de povos originários e não fornecer informações sobre a procedência da cabeça e dos demais artefatos, datados do século XIX. A curadora do Weltmuseum, Claudia Augustat, declara ao jornal britânico que a exposição segue as diretrizes do Conselho Internacional de Museus (Icom) para a exposição de restos humanos, mas não dá detalhes sobre como o artefato foi adquirido.

A polêmica na Áustria não é a única na Europa em relação à exposição de restos humanos em universidades e museus etnográficos. Muitos destes “acervos” foram retirados de seus países de origem durante as pesquisas antropológicas do século XIX, dentro de uma lógica colonial que vem sendo debatida nos últimos anos, inclusive com o aumento nos pedidos de repatriação destes restos humanos pelas comunidades originárias.

MUSEU DO ÍNDIO TEM ITEM SEMELHANTE

Etnia de tradição guerreira, os Munduruku dominavam a região do Vale do Tapajós e tinham como hábito cortar a cabeça de seus inimigos e enfeitá-las como forma de atrair boa sorte. A prática durou até a segunda metade do século XVIII, quando aconteceram os primeiros contatos com os colonizadores brancos.

— Os Munduruku passavam até seis meses em expedições pela mata para encontrar e enfrentar povos inimigos. Muito da fama de seu ímpeto guerreiro vem de pesquisadores que tiveram contato com eles no século XIX. Mas cabeças cortadas ficaram raras entre eles com o passar do tempo. As cabeças que chegaram às instituições podem ter saído com pesquisadores europeus na época, é difícil precisar — ressalta José Sávio Leopoldi, doutor em Antropologia pela USP e autor do livro “De caçadores de cabeça a índios urbanos: a saga dos índios Munduruku”, lançado no ano passado.

Fechado ao público desde 2016 e ainda sem previsão de reabertura, o Museu do Índio, em Botafogo, mantém uma cabeça que foi preservada pelos Jivaros, índios da região amazônica. Para a sua apresentação, assim como a de qualquer outro artefato oriundo de povos indígenas, a instituição segue uma série de normas técnicas, que inclui a curadoria realizada exclusivamente por uma equipe de antropologia.
— Toda a parte temática e de conteúdo é feita pela antropologia, que deve ter um trabalho de campo junto aos grupos abordados na exposição — informa Ione Couto, museóloga e coordenadora de Patrimônio Cultural do Museu do Índio. — Todas as condições de exibição dos itens são discutidas com os grupos, tudo depende de sua aprovação. A museologia entra para garantir as condições técnicas ideais para a apresentação e preservação das peças.

Para a museóloga, que recorda ter visto em um museu belga um manto tupinambá sem a identificação correta, a exibição de restos humanos é importante em termos de pesquisa, embora acredite que as instituições etnográficas devam rever frequentemente seus conceitos.
— É fundamental contextualizar com precisão este tipo de item, evitando abordagens que retratem estas culturas pelo viés do exotismo. O próprio Quai Branly (o Museu das Artes e Civilizações da África, Ásia, Oceania e Américas, em Paris) mudou seu modelo de exibição. Também fizemos uma mudança no Museu do Índio a partir de 2001, deixamos de ter mostras genéricas para focar em determinados grupos de cada vez.
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Matéria de Nelson Gobbipublicada originalmente no jornal “O Globo”, em 10/01/18.

Patricia Phelps de Cisneros doa 202 obras para MoMA e outros museus

No total, seis museus receberão obras de 91 artistas latinos-americanos, que estão representados nesta doação. O MoMA de Nova York será o maior beneficiado. Matéria publicada originalmente no site do Toucharte (www.touchofclass.com.br). +

A renomada colecionadora de arte latino-americana e membro do conselho do Museu de Arte Moderna de Nova York, Patricia Phelps de Cisneros, anunciou a doação de 202 obras de arte a seis museus – sendo que noventa delas serão destinadas ao MoMA, de acordo com texto de Andrew R. Chow para o New York Times.

As outras instituições, que devem receber obras de artistas como Luis Camnitzer (Uruguai), Regina José Galindo (Guatemala), Amalia Pica (Argentina) e Jac Leirner (Brasil) são o Bronx Museum of the Arts, de Nova York; o Blanton Museum of Art da Universidade do Texas, Austin; o Museo de Arte de Lima, no Peru; o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía em Madri; e o Museo de Arte Moderno em Buenos Aires.

Noventa e um artistas de vinte e dois países de toda a América Latina estão representados nesta doação (em 2016, o MoMA recebeu uma doação histórica de mais de cem obras de arte latino-americana de Cisneros). Em uma entrevista telefônica ao Times, Cisneros disse que passou os últimos quarenta anos de vida colecionando arte com o objetivo de entregá-la a um público global mais amplo.

“Ela tem sido um catalisador na transformação da forma como o MoMA pensa a respeito da arte latino-americana”, disse Glenn D. Lowry, diretor do museu. “De certa forma, [esta doação é] ainda mais importante do que aquela primeira”.
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Matéria publicada originalmente no site do Toucharte (www.touchofclass.com.br).

Manifesta 12 anuncia seu tema para a edição de 2018

Conhecida como a bienal nômade europeia, a Manifesta chega a Palermo (Itália) para explorar o conceito do mundo como um jardim universal. Intitulada “The Planetary Garden. Cultivating Coexistence”, o conceito da feira explora a coexistência em um mundo movido por redes invisíveis, interesses privados transnacionais, inteligência algorítmica e as desigualdades sempre crescentes, onde a investigação gira em torno da compreensão mais profunda das texturas sociais, culturais e geográficas da própria cidade. Matéria publicada no site do Toucharte (www.touchofclass.com.br), em 10/01/18. +

A Manifesta 12 revelou o tema de sua próxima edição, que acontece entre 16 de junho e 4 de novembro de 2018. Intitulada “The Planetary Garden. Cultivating Coexistence”, o conceito da feira explora a coexistência em um mundo movido por redes invisíveis, interesses privados transnacionais, inteligência algorítmica e as desigualdades sempre crescentes através da lente única de Palermo (Itália) – uma encruzilhada de três continentes no coração do Mediterrâneo.

Em colaboração com parceiros locais, a Manifesta 12 coabitará em Palermo como um laboratório para investigar os desafios do nosso tempo e buscar vestígios de futuros possíveis. Ao longo da história, a cidade de Palermo tem sido um laboratório de diversidade e polinização cruzada, moldada pela migração contínua. Na pintura de 1875 de Francesco Lojacono, “Vista de Palermo” (na coleção do Museu GAM, em Palermo), nada era nativo. As oliveiras vieram da Ásia, as aspens do Oriente Médio e os eucaliptos da Austrália. As árvores cítricas – símbolo da Sicília – foram introduzidas pelos árabes.

O jardim botânico de Palermo, Orto Botanico, foi fundado em 1789 como um laboratório para nutrir, testar, misturar e reunir diversas espécies. Inspirado pelo Orto Botanico de Palermo, a Manifesta 12 analisará a ideia do “jardim”, explorando sua capacidade de agregar diferenças e compor a vida fora do movimento e da migração.
A Manifesta 12 apresenta quatro seções principais, todas de acordo com o conceito-chave do evento: Garden of Flows, Out of Control Room, City on Stage e Teatro Garibaldi.

O conceito Manifesta 12 foi extraído da própria cidade através de uma fase preliminar de investigação pela OMA, o Atlas de Palermo. Foi a primeira vez que a Manifesta deu início à bienal com base em pesquisa feita por um escritório de arquitetura. O objetivo era ter uma compreensão mais profunda das texturas sociais, culturais e geográficas da cidade; destacar as suas oportunidades existentes e fornecer uma fonte para o público compreender as transformações contemporâneas através dos “olhos” de Palermo.

Bienal nômade

Manifesta é a bienal nômade europeia, realizada em uma cidade anfitriã diferente a cada dois anos. É um grande evento de arte internacional, atraindo visitantes de todo o mundo. O evento é o ponto de partida para descobrir artistas emergentes, ideias provocadoras, novas obras de arte especialmente encomendadas para o evento e experiências criativas em diálogo com locais espetaculares de cada cidade anfitriã.

Fundada em Amsterdã, no final da década de 1990, a Manifesta surgiu como uma bienal europeia da arte contemporânea que se esforçou para melhorar os intercâmbios artísticos e culturais após o fim da Guerra Fria. Na próxima década, o evento se concentrará em evoluir de uma exposição de arte para uma plataforma interdisciplinar para a mudança social, introduzindo a pesquisa urbana holística e a programação orientada para o legado como o núcleo do seu modelo.

A feira é administrada por seu fundador, o historiador holandês Hedwig Fijen, e administrada por uma equipe permanente de especialistas internacionais. Cada nova edição, é iniciada e encerrada individualmente. Atualmente, a Manifesta trabalha em seus escritórios em Amsterdã e Palermo, com um próximo escritório em Marselha para Manifesta 13, estreando na cidade francesa em 2020.
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Matéria publicada no site do Toucharte (www.touchofclass.com.br), em 10/01/18.

Um novo Leonardo? Apresentação acadêmica afirma revelar a mão do mestre

O Worcester Art Museum (WAM) em Massachusetts colocará o complexo processo de identificação de um Leonardo no coração de uma nova exposição: “O Mistério de Leonardo de Worcester”, que fez com que um trabalho da coleção do museu, “Um milagre de Santo Donato de Arezzo”, deve ser creditado ao mestre do Renascimento. Matéria de Judith H. Dobrzynski publicada no site do The News Art Paper (www.theartnewspaper.com), em 09/01/18. +

Como Christie's comercializou agressivamente o Salvator Mundi, de Leonardo da Vinci, o trabalho vendido por surpreendentes US $ 450 milhões em novembro passado, o mundo da arte voltou a falar sobre a questão da atribuição da pintura - mesmo que a Galeria Nacional de Londres tenha ampliado o debate, incluindo o trabalho em sua mostra de Leonardo entre 2011 e 2012.

Nesta primavera, o Worcester Art Museum (WAM) em Massachusetts colocará o complexo processo de identificação de um Leonardo no coração de uma nova exposição. “O Mistério de Leonardo de Worcester” (10 de março a 3 de junho) fez com que um trabalho que tem estado na coleção do museu desde 1940, “Um milagre de Santo Donato de Arezzo” (em torno de 1479-85), deve ser creditado ao mestre do Renascimento.

"Não temos medo de nenhuma controvérsia", diz o confiante Matthias Waschek, diretor do museu. Os especialistas externos são mais cautelosos, com um estudioso que chama a nova atribuição “plausível”, enquanto outro expressou dúvidas.

O museu exibirá o trabalho com outro painel predella, a “Anunciação” (cerca de 1475-78), do Musée du Louvre de Paris. Ambos foram atribuídos principalmente a Lorenzo di Credi. Com base na pesquisa de Rita Albertson, conservadora em chefe da WAM; Laurence Kanter, curadora chefe da Galeria de Arte da Universidade de Yale e Bruno Mottin, curador sênior do Centro de Pesquisa e Restauração de Museus de França, argumenta que Leonardo foi o principal autor de ambas as pinturas.

Os cílios parecem com Leonardo

Os painéis faziam parte de um retábulo para o Duomo de Pistoia na Toscana; documentos mostram que Andrea del Verrocchio recebeu a comissão em torno de 1475. Leonardo e Lorenzo eram membros da oficina da Verrocchio em Florença na época. “Estudos de raios-X no painel de Worcester confirmam teorias anteriores de que dois artistas trabalharam nisso”, diz Albertson, argumentando que os esboços traem a mão de Leonardo. “A pintura também apresenta efeitos de luz, detalhes como cílios e rugas, e uma paisagem naturalista consistente com o mestre”, diz ela. A análise de Mottin sobre o trabalho do Louvre atendeu às conclusões de Albertson.

Kanter, que duvidou da atribuição de Lorenzo da pintura de Worcester por cerca de 20 anos, cita evidências observacionais da técnica de Leonardo, por exemplo, na forma como a luz se rompe contra os dedos do santo. O trabalho apresenta "uma recessão do espaço que muito poucos artistas poderiam ter feito", diz ele.

O próprio meio – óleo - é outro sinal. Verrocchio e Lorenzo trabalharam na tempera. "Leonardo era o único artista na pintura de Florença nos óleos na época", diz Kanter. Ele sugere que até 85% do painel de Worcester foi pintado por Leonardo, que já tinha 20 anos e ainda não havia se desenvolvido como artista.
Lorenzo usou como um retorno

Os estudiosos erroneamente tratam Lorenzo di Credi como a atribuição padrão "se uma pintura não está bem acima" para Leonardo, diz Kanter. A exposição incluirá a Anunciação aceita (em torno de 1480-85) de Lorenzo, da Coleção Alana em Delaware, para ilustrar seu estilo distinto.

Os historiadores da arte acordaram há muito tempo na dificuldade de atribuir firmemente pinturas feitas na oficina de Verrocchio. Redescoberta na década de 1930, a imagem de Worcester foi doada ao museu como um Leonardo, apenas para ser rebaixada mais tarde pelos estudiosos. Durante décadas, foi rotulado apenas como Lorenzo di Credi. O Louvre credita seus trabalhos para Lorenzo e Leonardo, naquela ordem. Ambos os rótulos agora mudarão, mas os museus se protegerão, escrevendo: "Atribuído a Leonardo da Vinci e Lorenzo di Credi".

Essas mudanças apontam para um enigma maior. "Há um verdadeiro trabalho a ser feito nas colaborações entre Verrocchio, Lorenzo e Leonardo na década de 1470. Subestimamos a colaboração como uma forma de trabalhar naquela época ", diz Luke Syson, que organizou o programa Leonardo da Galeria Nacional e agora é curador de escultura europeia e artes decorativas no Metropolitan Museum of Art de Nova York. Ele se recusou a comentar a tese da exposição da WAM, mas acrescentou: "Quando vermos as obras juntas, estaremos em melhor posição para julgar".
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Matéria de Judith H. Dobrzynski publicada no site do The News Art Paper (www.theartnewspaper.com), em 09/01/18.

Santander Cultural realizará duas exposições sobre diversidade após cancelamento

Compromisso foi firmado junto ao Ministério Público Federal, que apurou prejuízos à liberdade de expressão pelo encerramento antecipado da mostra artística. Caso aconteceu em setembro de 2017, em Porto Alegre. Matéria publicada originalmente no site do G1 RS, em 10/01/18. +

O Santander Cultural realizará duas novas exposições sobre temas de diferença e diversidade na ótica dos direitos humanos, de acordo com termo de compromisso firmado entre a instituição e o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul (MPF/RS).

A medida acontece em decorrência da apuração do MPF sobre a suspeita de prejuízo à liberdade de expressão artística com o encerramento antecipado da exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, em setembro de 2017, no museu que fica no centro de Porto Alegre.

A exposição foi acusada de fazer apologia à pedofilia, zoofilia e ofensas a símbolos religiosos, o que motivou seu fechamento, cerca de 30 dias antes do previsto. Segundo o MPF, que analisou o caso, tais acusações não se verificaram na realidade.

Ainda de acordo com o MPF, o Santander Cultural se compromete a patrocinar as duas exposições, que conjuntamente permanecerão abertas por aproximadamente 120 dias.

Uma delas deve abordar a questão da intolerância, e a outra tratará sobre as formas de empoderamento das mulheres na sociedade contemporânea, informa o órgão. "Ambas as temáticas são altamente relevantes nos dias de hoje", reforça o procurador regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), Enrico Rodrigues de Freitas.

"A intolerância, em especial quanto às questões de gênero e orientação sexual, está diretamente ligada ao encerramento precoce da 'Queermuseu', então nada mais coerente do que debatê-la por meio de uma nova exposição. Já a mostra sobre o empoderamento feminino é outra perspectiva da questão de gênero, que igualmente temos que trazer à luz, inclusive sob o prisma da orientação sexual, e por meio do debate buscar evoluir", ressalta.

O termo de compromisso ainda estabelece que o Santander Cultural deve manter medidas informativas sobre eventuais representações de nudez, violência ou sexo nas obras que serão expostas, assegurando, assim, a mais plena proteção à infância e à juventude.

Caso o acordo não seja cumprido, o Santander Cultural pagará multa de R$ 800 mil.

Relembre o caso

O Queermuseu foi cancelado após protestos de grupos, indignados com o que apontavam como "incentivo à pedofilia, zoofilia e ofensa religiosa". Em visita ao museu, após o fechamento, o promotor da Infância e Juventude de Porto Alegre, Julio Almeida, avaliou que não havia pedofilia na exposição.

Além disso, o próprio MPF recomendou a reabertura da exposição, o que não foi acatado pelo Santander. Nesta mesma recomendação, o órgão já mencionava a realização de uma nova exposição sobre temas de diversidade.

Cerca de 270 obras de 90 artistas nacionais integravam o Queermuseu.
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Matéria publicada originalmente no site do G1 RS (www.g1.com), em 10/01/18.