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Ache um bilionário para chamar de seu, ensinam banqueiros a galeristas

No encontro organizado pela Tefaf, a feira holandesa que duas vezes por ano invade Nova York com suntuosos arranjos de tulipas e obras de milhões e milhões de dólares, economistas explicavam como quase todo o dinheiro emprestado no mundo que tem obras de arte como garantia foi parar no bolso dos colecionadores e não das galerias. Artigo de Silas Martí originalmente publicado no jornal "Folha de S. Paulo", em 4/5/18. +

“Encontre um bilionário para chamar de seu, um bilionário querendo se sentir jovem e cool.” Quem dizia isso não era um consultor de aspirantes a socialite, mas um banqueiro falando para uma plateia de galeristas estudiosos que lotaram um salão de baile do Upper East Side nova-iorquino para tentar entender números do mercado de arte.
No encontro organizado pela Tefaf, a feira holandesa que duas vezes por ano invade Nova York com suntuosos arranjos de tulipas e obras de milhões e milhões de dólares, economistas explicavam como quase todo o dinheiro emprestado no mundo que tem obras de arte como garantia foi parar no bolso dos colecionadores e não das galerias.
Dos cerca de R$ 71 bilhões em empréstimos ao mundo da arte no ano passado, R$ 60 bilhões foram para colecionadores que deram algumas obras de arte ou seus acervos inteiros como garantia do negócio.
Isso quer dizer que galerias ainda são vistas pelos bancos como negócios arriscados e sem planejamento, refletindo as práticas históricas desse meio que preza segredos e despreza transparência.
“Galeristas precisam parar de pensar nesse negócio como faziam no século 19, em que uma venda se dava num aperto de mão”, dizia Evan Beard, executivo do Bank of America, responsável por empréstimos a colecionadores. “Vocês precisam se ver mais como empresas de verdade, com uma estrutura financeira e planos reais de negócios.”
Ele explica que o motivo pelo qual o dinheiro está concentrado nas mãos dos colecionadores é que eles lidam melhor com os bancos e têm outros investimentos além de seus acervos, mas que é cada vez mais comum usar obras de arte para bancar suas aventuras financeiras extravagantes.
“Um dos meus clientes queria comprar o passe de uma estrela do basquete”, diz Beard. “Então você vai ver nas quadras da NBA um cara que recebe um salário só porque alguém tem uns Picassos guardados em algum lugar por aí.”
Enquanto poucos galeristas –e 90% desses vivem e trabalham nos EUA, o maior mercado de arte do mundo– conseguem convencer os bancos a entrarem nesse tipo de negociação, a situação vem se transformando.
“Galerias de arte são as novas boates e restaurantes badalados”, diz Tim Schneider, que mediava o debate. “É o novo jeito de ser reconhecido.”
Na visão dele, e de outros especialistas, galeristas sem traquejo no mercado financeiro vão precisar zerar o atrito entre o mundo opaco e colorido dos ateliês e o mundo preto no branco das finanças se quiserem sobreviver em economias cada vez mais imprevisíveis.
Daí a ideia de encontrar um bilionário para chamar de seu. “Essa é a melhor coisa que um jovem galerista pode fazer, achar um parceiro para bancar a operação e dar mais peso para a coisa”, diz Beard. “Todas as galerias do Upper East Side fizeram isso. Esses bilionários adoram os coquetéis e adoram saber do último pintor barroco que virou moda.”
Mas o affair com as finanças também implica abrir o jogo. Bancos, na visão desses especialistas, vão querer saber cada vez mais sobre a origem e autenticidade das obras, o que vai exigir total transparência das galerias que ainda não deixaram o que veem como escuridão do modelo passadista que ainda rege esse mundo.
Um exemplo dessa tendência são as medidas contra lavagem de dinheiro no mercado da arte recém-adotadas na União Europeia, um modelo que legisladores americanos também já vêm estudando.
“É muito difícil convencer um banco que uma obra de arte que não existe ou que desaparece com o tempo tem algum valor”, diz Beard. “Mas já estamos chegando lá no mundo financeiro. Já investimos em ideias e conceitos, porque sabemos que é a influência de uma obra que determina o seu valor na praça.”
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Artigo de Silas Martí originalmente publicado no jornal "Folha de S. Paulo", em 4/5/18.

Em Nova York, leilão do século começa com vendas de R$ 2,3 bi

A chamada venda do século, como apelidaram o leilão da coleção montada por David e Peggy Rockefeller, começou esfuziante, superando todas as expectativas em um salão da Christie’s, em Nova York. Foram sete recordes, entre eles para nomes históricos incontornáveis, como Monet e Matisse. Matéria de Silas Martí publicada no jornal “Folha de S. Paulo”, em 09/05/18. +

Foram sete recordes, entre eles para nomes históricos incontornáveis, como Monet e Matisse. A chamada venda do século, como apelidaram o leilão da coleção montada por David e Peggy Rockefeller, começou esfuziante, superando todas as expectativas dos próximos dias em sua primeira noite a encarar o martelo num salão da Christie’s, em Nova York.
Mesmo com todos os olhos e expectativas voltados para um Picasso da fase rosa que causou burburinho desde que surgiu no mercado, a disputa mais intensa da noite foi pelas “Ninfeias em Flor”, de Monet.

Foram os mais longos 14 minutos da história, em que a tela que mostra o lago do jardim do impressionista no fim de uma tarde saltou de US$ 38 milhões —algo como R$ 135 milhões— para US$ 84,7 milhões, cerca de R$ 302 milhões, batendo o recorde do artista de dois anos atrás de US$ 81,4milhões —R$ 290 milhões.

Monet, aliás, foi um dos artistas mais cobiçados ali. Na mesma venda, outras telas dele faturaram mais US$ 63,6 milhões, ou R$ 227 milhões.

Uma tela de Matisse bateu outro recorde na venda da coleção de um dos clãs mais célebres de Nova York.
Arrematada por US$ 80,75 milhões, ou R$ 288 milhões, “Odalisca Deitada com Magnólias” desbancou o maior valor já pago por uma tela desse artista pós-impressionista francês —US$ 41 milhões.

Picasso era a estrela da noite. Mas sua garotinha de expressão feroz, como lembrava Peggy Rockefeller, um cesto de flores vermelhas nas mãos, não seduziu tanto assim os compradores —após dois minutos de disputa a obra foi vendida ali por US$ 115 milhões, ou R$ 411 milhões.

É uma bela soma, o segundo maior valor mais alto já pago por uma tela do espanhol e a mais alta por uma obra da fase rosa. Mas ficou longe do recorde de US$ 179,4 milhões batido por um quadro do cubista há três anos.
Em todo caso, esse já é o melhor ano para peças de Picasso na história —a soma de suas telas vendidas supera US$ 300 milhões, quase R$ 1 bilhão.

Encerrado o pregão, o leiloeiro Jussi Pylkkanen disse que “estamos ficando blasés com telas vendendo toda hora por mais de US$ 100 milhões”.

No total, sete dos 44 lotes vendidos na primeira das três noites do leilão dos Rockefeller foram arrematados por mais de US$ 30 milhões, entre eles os demais recordes do dia.

Além de Monet e Matisse, os franceses Delacroix, Corot, Armand Seguin, Vuillard, Odilon Redon e o italiano Giorgio Morandi atingiram os preços mais altos na história.

Os lotes que enfrentaram o martelo em Manhattan integram um acervo avaliado em US$ 1 bilhão, ou R$ 3,57 bilhões. Só na primeira noite, foram vendidos por US$ 646 milhões, ou R$ 2,3 bilhões, superando os US$ 484 milhões que a coleção do estilista Yves Saint Laurent faturou há quase uma década, numa das maiores vendas dessa natureza em toda a história da arte.
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Matéria de Silas Martí publicada no jornal “Folha de S. Paulo”, em 09/05/18.

Coleção de Pedro Corrêa do Lago ganha exposição nos EUA

O editor e historiador Pedro Corrêa do Lago é um dos maiores colecionadores de manuscritos do mundo. Sua coleção, que começa com um documento de 1153 e chega até outro de 2006, viaja para os Estados Unidos onde será exibida em Nova York, na Morgan Library, na exposição "The Magic of Handwriting" (a magia da caligrafia). A mostra de 142 peças em Nova York está dividida em dez áreas, entre as quais artes plásticas, história, história do século 20, literatura, ciência, entretenimento. Em 2019, a coleção deve ser exibida também no Itaú Cultural.Matéria de Maurício Meireles publicada originalmente no jornal "Folha de S. Paulo", em 09/05/18. +

O pesadelo de angústia mais comum de Pedro Corrêa do Lago é um incêndio. Pudera. O editor e historiador é um dos maiores colecionadores de manuscritos do mundo e guarda-os em arquivos à prova de fogo em um casarão em São Paulo.

Parte da coleção, que começa com um documento de 1153 e chega até outro de 2006, viajou para os Estados Unidos. Ela será exibida em Nova York, na Morgan Library, na exposição "The Magic of Handwriting" (a magia da caligrafia).

A coleção, tema da mostra que vai de 1º de junho a 16 de setembro, começou a ser reunida por Corrêa do Lado desde seus 11 anos. Pegava o pesado volume do "Who's Who", livro de referência com pequenas biografias e endereços de gente importante em todo o mundo, e escrevia cartas pedindo documentos.

Os primeiros destinatários foram J. R. R. Tolkien e François Truffaut. O escritor, por meio de sua secretária, disse estar atolado de pedidos do mesmo tipo —e que havia decidido não atendê-los mais.

Já o diretor enviou um exemplar com dedicatória do livro "L'Enfant Sauvage", que fez para crianças a partir do filme "O Garoto Selvagem" (1970).

A partir dali, continuou a caça e passou a viver entre manuscritos, forma secular de comunicação com os mortos.

"É um pedaço da história na mão. Como se fossem minutos congelados da vida de uma pessoa. Quando olho o documento dos papas, fico vendo uma mesa medieval há 900 anos, com aqueles senhores de saia", diz Corrêa do Lago.

Ele se refere ao seu documento mais antigo, uma bula assinada pelo papa Anastácio 4º, em 1153, com os cardeais que se tornariam os papas Alexandre 3º, Lúcio 3º e Celestino 3º e por aquele que se tornaria o santo Guarino de Palestrina. A peça ilustra a principal particularidade de sua coleção: a abrangência.

Primeiro porque cobre quase 900 anos de história. O item mais recente, de 2006, é um livro com dedicatória de Stephen Hawking —que foi escrita por sua secretária e assinada por ele com uma digital.

Depois, pela quantidade de temas que abrange —colecionadores costumam ser mais restritivos. A mostra de 142 peças em Nova York está dividida em dez áreas, entre as quais artes plásticas, história, história do século 20, literatura, ciência, entretenimento.

Os visitantes podem ver desde um documento do rei inglês Ricardo 3º até a partitura de "Chega de Saudade" manuscrita por Tom Jobim.

"Resolvi fazer a coleção universal, a torre de Babel. Tentei identificar as 4.000 ou 5.000 pessoas que foram importantes nas áreas que coleciono [e fui atrás]. Gastei nisso em vez de comprar apartamentos."

Esse conceito de uma coleção universal está representado no acervo dele pelo original de um dos textos mais importantes do século 20 sobre o tema: o manuscrito do conto "A Biblioteca de Babel", de Jorge Luis Borges.

Como se sabe, o autor argentino, conhecido por suas grandes abstrações do pensamento, imaginou uma biblioteca que reuniria todas as combinações possíveis de todas as letras e todas as palavras em todas as línguas.

"Pedro reuniu um acervo tão rico e variado que parece infinito, como essa biblioteca. A coleção é um tour de force, há sempre algo a deslumbrar, intrigar, deliciar e provocar os visitantes", diz Christine Nelson, curadora da mostra.

O colecionador não cita cifras —mas diz que o mais barato custou US$ 1 e o mais caro chegou a seis dígitos.

"Uma carta de Abraham Lincoln sempre valeu um carro popular. Já uma do Steve Jobs vale muito mais, porque escrevia pouco", diz Corrêa do Lago.

Embora vá agradar aos eruditos, a seleção tem algo de pop, com histórias e elementos famosos. Em uma carta de pouco antes de se matar, em 1890, Van Gogh descreve o cômodo onde dormia, imortalizado na tela "Quarto em Arles".

A coleção de fotos, por sua vez, reúne desde uma imagem dos Beatles assinada pelos quatro a outras de Marilyn Monroe, Picasso, Audrey Hepburn e Freud, entre outros.

Entre manuscritos brasileiros na mostra há um de Machado de Assis e um desenho de três aviões por Santos Dumont, no qual o pai da aviação escreveu "Minha família".

"[A coleção] orientou minha vida de maneiras que eu não podia ter suspeitado. Sempre tinha o que fazer em qualquer lugar do mundo. Uma loucura que mereceria a camisa de força", ri Corrêa do Lago.

"Todo colecionador é um pouco voyeur, quer entrar na intimidade, mesmo que no passado. Mas o que importa é a conexão direta com a vida dessas pessoas que admiramos, é como se as conhecêssemos fugazmente".

A exposição é uma das raras chances de ver a coleção. Parte havia sido exibida, há 20 anos, no Rio Grande do Sul, e documentos de Toulouse-Lautrec integraram a mostra do pintor no Masp, em 2017.

É a primeira vez que a parte internacional é exposta. Em 2019, a coleção deve ser exibida também no Itaú Cultural.

Atualmente, Corrêa do Lago disputa com o diretor Cacá Diegues a vaga que o cineasta Nelson Pereira dos Santos deixou na Academia Brasileira de Letras, ao morrer, em abril. A eleição será em agosto.
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Matéria de Maurício Meireles publicada originalmente no jornal "Folha de S. Paulo", em 09/05/18.

Brasília foi inspirada em Akhetaton, cidade de 3.600 anos no Egito

O formato geométrico, a divisão em setores, os espaços verdes entre edifícios são pontos comuns entre a capital brasileira e Akhetaton. A cidade egípcia foi construída há cerca de 3.600 anos, mas foi extinta após a morte do rei. As edificações foram desmontadas em partes e o material, usado em outras obras do Antigo Egito. No local onde um dia funcionou, hoje há um sítio arqueológico chamado de Tell-El-Amarna. Artigo de Juliana Contaifer e Paulo Lannes para o site www.metropoles.com. +

Uma cidade em formato de pássaro, com avenidas largas, cheia de jardins e árvores, que permite contato com o céu e o sol. Projetada para ser capital administrativa de um país, ela é bem dividida: em uma área ficam os bancos, outra abriga o comércio, as residências ficam separadas e até os militares têm uma parte só para eles. Os prédios públicos estão dispostos ao longo de uma das avenidas principais. Brasília? Não. Essa é a definição do município egípcio de Akhetaton.
Ahmed Said e Diaa Sabry acreditam que a capital brasileira seria mesmo inspirada na cidade egípcia. O formato geométrico, a divisão em setores e os espaços verdes entre as construções são pontos comuns. “Akhetaton é uma das poucas regiões milenares que possui a planta arquitetônica tão bem preservada. Por isso, é fácil perceber as semelhanças entre os dois lugares”, explica Diaa.
“O Memorial JK, por exemplo, lembra as mastabas egípcias”, diz Ahmed. Diaa também destaca que era comum os prédios do país terem entradas com rampas e corredores com iluminação natural, traço comum em prédios como a Catedral de Brasília.
Apesar da surpresa dos especialistas, na capital federal, a teoria já vem sendo estudada por egiptólogos. No livro “Brasília Secreta – Enigma do Antigo Egito” (Editora Vestcon), a especialista Iara Kern e o professor Ernani Pimentel destrincham o que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) chama de “lenda”. Eles comparam vários prédios do Distrito Federal com as edificações da cidade milenar.
Mas as semelhanças não ficam apenas no plano arquitetônico. De acordo com pesquisadores, Akhetaton demorou apenas quatro anos para ser erguida, assim como Brasília. Por lá, foi criado o primeiro lago artificial do mundo, o Lago Moeris. Assim como o Paranoá, a ideia também era refrescar e amenizar o clima. E por fim, a planta da cidade tinha formato de pássaro (quase um avião), em referência ao Íbis, objeto de veneração religiosa no país.
Pode parecer difícil de acreditar, mas alguns entusiastas dizem que Juscelino Kubitschek é a própria reencarnação do faraó — os dois morreram 16 anos após a inauguração de suas cidades.
No livro “Meu Caminho Para Brasília”, o ex-presidente relata uma viagem ao país africano e conta, ele mesmo, a história de Akhenaton e revela que ficou fascinado com a biografia do faraó.
Há 40 anos, o Projeto Amarna estuda e protege as ruínas. Segundo as pesquisas da instituição, o faraó, que era casado com a rainha Nefertiti, decidiu revolucionar a religião politeísta do país e instituiu um Deus único, chamado de Aton. Para implementar as novas regras, Akhenaton encomendou uma nova capital no centro do país. Pois, só separando a monarquia, dos templos antigos, conseguiria ver seus planos tomarem forma.

Versão oficial

Apesar das semelhanças, a Fundação Oscar Niemeyer explicou ao Metrópoles que o arquiteto nunca esteve no Egito. Também não há nenhuma referência ao país no relatório de criação do Plano Piloto escrito por Lúcio Costa. Mas o urbanista cita Piccadilly Circus, Times Square e Champs Elysées como inspiração. Já o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) não entra na questão porque considera a história uma lenda.
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Semelhanças entre Brasília, Akhetaton e o Egito Antigo

A antiga pirâmide da CEB (Companhia Energética de Brasília) se parece com uma pirâmide de degraus, típicas do Antigo Egito. O prédio da CEB ficava no começo da L2 Norte mas foi demolida em 2012. Em entrevista para o “Brasília Secreta”, o arquiteto Gladson da Costa, responsável pelo projeto, contou que não pensou em pirâmides para a edificação, mas afirmou já ter sido reconhecido nos EUA como a reencarnação de um sacerdote egípcio.

A Catedral também guarda semelhança com as construções do país africano: para entrar, deve-se passar em um túnel escuro que vai em direção a um ambiente iluminado. Na frente dos templos antigos, os egípcios posicionavam estátuas de seus deuses, da mesma forma que ficam os apóstolos da Catedral.

Para os pesquisadores, o Memorial JK tem a mesma estrutura de pirâmide egípcia e é semelhante a uma mastaba, túmulo egípcio que sepultava faraós e nobres importantes.

O Teatro Nacional seria a versão brasiliense de uma grande pirâmide. De acordo com os egiptólogos, a inspiração foi a Grande Pirâmide de Keóps e a falta da ponta triangular seria uma “tendência”: as construções inacabadas significam que apenas Deus é completo.

A base do Congresso Nacional se assemelha ao templo de Hatshepsut, a faraó que governou por mais tempo o Egito Antigo.

O obelisco que guarda o Quartel General em Brasília é semelhante ao obeslico que guarda a entrada de Karnak, uma cidade-fortaleza do Egito Antigo.

Tanto o faraó Akhenaton quanto o presidente Juscelino Kubitschek quiseram construir uma nova capital no interior para seus respectivos países.

Segundo Iara Kern e Ernani Pimentel, a pirâmide do Templo da Boa Vontade seria “uma verdadeira concretização hoje do atemporal Antigo Egito”. O monumento simbólico em homenagem ao fundador da LBV, Alziro Zarur, é outro ponto de destaque: “Daqui a milênios, quem o vir deverá revive o que hoje pensamos quando vemos as tumbas faraônicas”, de acordo com os pesquisadores. O local tem, inclusive, uma “Sala Egípcia”, que conta com uma pintura do faraó Akhenaton.
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Artigo de Juliana Contaifer e Paulo Lannes para o site www.metropoles.com.

Casa Roberto Marinho abre com obras modernistas

Reunindo 1.473 peças de artistas como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Portinari e Guignard, a coletânea amealhada entre 1939 e 1989 serviu de base para a exposição “Modernos 10”, que inaugura o centro cultural Casa Roberto Marinho, em uma mansão aos pés do Corcovado no bairro do Cosme Velho, zona sul. Matéria de Marco Aurélio Canônico publicada originalmente no jornal "Folha de São Paulo", em 01/05/18. +

Em uma mansão aos pés do Corcovado, nas franjas da floresta da Tijuca —a do jornalista e empresário Roberto Marinho (1904-2003)—, uma das principais coleções privadas do modernismo brasileiro tornou-se acessível ao público desde o último sábado (28).

Reunindo 1.473 peças de artistas como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Portinari e Guignard, a coletânea amealhada entre 1939 e 1989 serviu de base para a exposição “Modernos 10”, que inaugura o centro cultural Casa Roberto Marinho, no bairro do Cosme Velho, zona sul.

“Era uma lacuna, não havia espaços públicos com o modernismo permanentemente exposto”, diz o arquiteto e antropólogo Lauro Cavalcanti, 64, diretor-executivo da instituição.

Para a abertura, ele selecionou 124 obras de dez artistas fundamentais do movimento —além dos já citados, estão Lasar Segall, José Pancetti, Ismael Nery, Djanira, Milton Dacosta e Burle Marx.

Entre as telas, Cavalcanti destaca “O Touro” (1925), de Tarsila, que estava na lista de obras que o Museu de Arte Moderna de Nova York almejava para sua mostra dedicada à pintora, em cartaz.

Também chamam a atenção quadros ligados mais diretamente ao patrono da casa, como “Boneco” (1939), de Pancetti —o preferido de Marinho— e um retrato de Stella Goulart, sua primeira mulher e mãe de seus quatro filhos, pintado em 1959 por Candido Portinari.

A exposição modernista ocupa o primeiro andar do solar do Cosme Velho, onde antes estavam os quartos, a biblioteca e o cinema.

Este, com capacidade para 34 pessoas, desceu para o térreo, onde também está uma segunda galeria, menor, com foco em arte contemporânea. Para a inauguração, ela foi ocupada por dez artistas que lidam com casas como tema —dentre eles Anna Bella Geiger, Daniel Senise, Luiz Zerbini e Carlos Vergara.

A reforma do casarão e a manutenção do instituto foram financiadas exclusivamente pela família, segundo Cavalcanti —ele não revela o orçamento de que dispõe, mas diz que ele supera em muito o do Paço Imperial, centro cultural federal que dirigiu por 22 anos, no Rio.

O espaço tem capacidade para 500 visitantes diários, mas seus administradores esperam receber inicialmente 200 pessoas por dia.

Na parte externa da casa, onde há um amplo jardim criado por Burle Marx e oito esculturas, os visitantes têm uma rara oportunidade de ver o rio Carioca num trecho despoluído, ainda próximo de sua nascente. Um café, uma microlivraria e um espaço educacional preenchem o resto do terreno.

O diretor-executivo diz ter recebido dos Marinho a missão de não tornar a casa um lugar de culto ao patrono.

Com isso, não há fotos ou busto de Roberto Marinho —apenas seu nome na fachada, um pequeno registro do local em que ficava seu quarto e, muito discretamente, no jardim, uma das quatro esculturas que ele criou.
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Matéria de Marco Aurélio Canônico publicada originalmente no jornal "Folha de São Paulo", em 01/05/18.

Inhotim e governo de Minas assinam acordo para transferência de 20 obras de arte

O empresário Bernardo de Mello Paz, criador do Instituto Inhotim, e o governo de Minas Gerais assinaram um acordo para que a propriedade de 20 obras de arte do acervo sejam transferidas ao estado como forma de quitar dívidas. Entre elas, estão trabalhos de Adriana Varejão, Cildo Meireles, Amílcar de Castro, Chris Burdene e Doug Aitken. Numa estimativa inicial, o empresário colocou em US$ 128,7 milhões (cerca de R$ 450 milhões) o preço das 20 obras. Matéria de Carolina Linhares publicada originalemnte no jornal “Folha de S. Paulo”. +

O empresário Bernardo de Mello Paz, criador do Instituto Inhotim, e o governo de Minas Gerais assinaram um acordo na última sexta-feira (27) para que a propriedade de 20 obras de arte do acervo sejam transferidas ao estado como forma de quitar dívidas. O termo ainda precisa ser homologado pela Justiça para ter efeito.

O acordo inclui quatro obras de Adriana Varejão, como "Celacanto Provoca Maremoto", painel que imita azulejos portugueses, e a escultura de azulejo “Linda do Rosário”. Também há a instalação “Desvio para o Vermelho” e a escultura de mesas e cadeiras “Inmensa”, ambas de Cildo Meireles e outras duas obras do artista.

A lista traz ainda a escultura de ferro “Gigante Dobrada”, de Amílcar de Castro, a escultura com vigas “Beam Drop Inhotim”, de Chris Burden, e o “Sonic Pavillion”, de Doug Aitken, de onde se ouve o som que vem da Terra.

Segundo o acordo, as obras não poderão ser vendidas pelo estado e permanecerão expostas no Instituto Inhotim, a quem caberá a guarda, manutenção, conservação e preservação dos bens. Assim como fez Paz com as obras de sua propriedade, o estado deverá ceder o patrimônio ao museu a título de comodato.

O objetivo do acerto não é o valor financeiro das obras, mas assegurar que o museu a céu aberto, considerado referência internacional, continue funcionando em Minas por muito tempo.

As obras foram oferecidas por Paz como forma de quitar dívidas de ICMS das suas empresas de mineração que se arrastam por mais de 25 anos. O débito foi calculado em R$ 471,6 milhões e era considerado de difícil recuperação pelo estado.
O empresário, porém, aderiu ao Plano de Regularização de Créditos Tributários, lei estadual aprovada ano passado que dá desconto aos devedores e permite o pagamento com obras de arte. Com a redução, a dívida total de dez empresas de Paz, que integram o Grupo Itaminas de mineração, cai para R$ 111,8 milhões.

O valor das obras, contudo, ainda não foi estabelecido. O governo e Paz têm agora 60 dias para apresentar um laudo cada com a avaliação de especialistas. A Justiça, no processo de homologação, também deve contratar peritos e estabelecer um preço. O menor dos três montantes é que será levado em conta, diz o acordo.
Caso o valor das obras seja menor que a dívida, Paz deverá pagar o que faltar, inclusive por meio de mais obras de arte. Mas, se o montante superar o débito, o que é mais provável, ele renuncia ao excedente. Numa estimativa inicial, o empresário colocou em US$ 128,7 milhões (cerca de R$ 450 milhões) o preço das 20 obras.

PERENIZAÇÃO
A proposta de transferência das obras, feita em novembro pelo empresário, resultou num acordo formal que também amplia a participação do governo na gestão do Inhotim. O estado terá um representante no Conselho de Administração do instituto.
O acordo determina que, sem a permissão do estado, o instituto não pode se desfazer de obras de arte ou de paisagismo, realizar fusões ou cisões, nem vender, alugar, transferir ou ceder seus terrenos. O museu também renuncia a indenizações e não pode se opor em caso de tombamento pelo governo mineiro.
A preservação do Inhotim foi condição imposta pelas secretarias de Cultura e Turismo para a celebração do acordo, firmado também pelas pastas de Planejamento e Fazenda. O museu em Brumadinho (MG), a 55 km de Belo Horizonte, é o segundo atrativo mais visitado em Minas.
Além das dívidas de Paz, sua idade avançada e sua condenação na Justiça lançavam incertezas sobre o futuro do Inhotim. Ele renunciou à presidência do instituto em novembro.
“Houve a necessidade de Paz de resolver um problema e o estado não poderia cometer a irresponsabilidade de deixar esse patrimônio sair de Minas”, diz o secretário de Turismo, Gustavo Arrais.

“Foi o Inhotim que realmente colocou Minas no cardápio do turismo mundial. Seria uma perda artística, cultural, histórica e turística irreparável. É fonte de geração de renda, emprego e prosperidade”, completa.

O secretário da Cultura, Angelo Oswaldo, afirma que o estado e o próprio empresário já tinham o propósito de evitar a venda do que considera o principal museu de Minas e perenizá-lo. “Qualquer país do mundo daria tudo pra ter Inhotim. Foi uma realização singular do governo entregar a Minas para sempre esse grande centro artístico e botânico.”

Os secretários mencionaram também que o estado ainda guarda o trauma de ter perdido o "Painel Tiradentes", de Candido Portinari, vendido por particulares ao governo de São Paulo em 1975, e não quer ter outra baixa cultural. Antes exposto no Colégio de Cataguases (MG), hoje o painel encontra-se no Memorial da América Latina, na capital paulista.

O diretor-executivo do Instituto Inhotim, Antonio Grassi, considerou o acordo uma vitória. "Dá ainda mais segurança para a preservação do projeto Inhotim e mostra o reconhecimento do estado sobre a importância do museu para inserir Minas Gerais no cenário internacional", afirmou em nota.

"O acordo garantirá a perenização do relevante acervo artístico em exposição no Inhotim, uma vez que as obras permanecerão no museu a título de comodato, sem possibilidade de serem removidas ou vendidas."

O acordo prevê, inclusive, que o estado fique com todas as obras em caso de dissolução do instituto. O termo ainda será submetido à avaliação do Ministério Público.

Além das empresas de Paz, ele próprio e o instituto são partes do acerto. Foi determinado ainda que o Grupo Itaminas deve manter os pagamentos de impostos em dia sob pena de multa de 100%.

Paz foi condenado pela Justiça Federal a nove anos e três meses de prisão por lavagem de dinheiro em setembro passado devido a transferências feitas de um fundo em paraíso fiscal às suas empresas.

A defesa recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, onde o processo está pronto para o voto do relator. “Recorremos por considerar a decisão injusta e fruto de equivocada interpretação do processo”, afirma o advogado Marcelo Leonardo.

INHOTIM
Todo o acervo do Inhotim é avaliado em US$ 1,5 bilhão. Em 2008, o museu foi transformado em uma organização não governamental do tipo Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), com contas dissociadas das empresas de Paz.
Em fevereiro passado, o empresário doou ao instituto todas as edificações e terrenos que formam o museu de cerca de 140 hectares. Em dez anos de existência, quase 2,7 milhões de pessoas visitaram o espaço com 23 galerias, 1.300 obras de arte e jardins com 4.500 espécies.
Além de investimentos de Paz e da verba de visitação, o Inhotim é financiado pelo governo de Minas e pela Lei Rouanet.
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Matéria de Carolina Linhares publicada originalemnte no jornal “Folha de S. Paulo”.

Capela do século XVI em Florença reabre após cuidadosa restauração

A restauração da Cappella Capponi do século 16 de Filippo Brunelleschi, magnificamente projetada em Florença, foi finalmente concluída após um ano de trabalho de restauração liderado por uma organização sem fins lucrativos americana, a Friends of Florence. Ela ajudou na reforma da capela, na limpeza e a restauração de obras de arte, que incluíam o retábulo maneirista de Jacopo Pontormo (1494-1557). Depois de 490 anos, a obra-prima entrou em um estado precário e precisava desesperadamente de reparos. Retoques extensos e verniz oxidado entorpeciam as cores, o pó e o acúmulo de fuligem escondiam partes da pintura, e os carunchos tinham comido alguns dos painéis e molduras. Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no site do Artnet (artnet.com), em 20/04/18. +

A restauração da Cappella Capponi do século 16 de Filippo Brunelleschi, magnificamente projetada em Florença, foi finalmente concluída após um ano de trabalho de restauração liderado por uma organização sem fins lucrativos americana.
Na ausência de financiamento interno suficiente, Kathe e John Dyson, da organização Friends of Florence, financiaram a limpeza e reforma abrangentes que incluíam o retábulo maneirista de Jacopo Pontormo.

A capela Capponi, abrigada na igreja de Santa Felicita, foi encomendada pela família Barbadori por volta de 1422 e posteriormente comprada pelo nobre e banqueiro Lodovico di Gino Capponi, em 1525, para servir como mausoléu da família. Um ano depois, Capponi contratou a Pontormo para pintar os interiores. O artista e seu assistente, Agnolo Bronzino, se isolaram na capela por dois anos, impedindo o acesso de todos, até mesmo de seu patrono, enquanto trabalhavam.

"A composição da pintura, o vazio, o fato de que não há cruz, nenhum crucifixo, torna isso um trabalho realmente importante", disse Kathe Dyson sobre o retábulo, que retrata a Deposição de Cristo. “Isso realmente mostra o fim do Renascimento se movendo para a arte moderna. Ele [Pontormo] era um gênio. É incrível depois de ver todo o trabalho da Renascença, aqui está alguém que mudou o jogo. ”
Mas depois de 490 anos, a obra-prima de Pontormo entrou em um estado precário e precisava desesperadamente de reparos. Restaurações frustradas e intervenções arquitetônicas haviam prejudicado os trabalhos, a ponto de dois afrescos começarem a sair dos suportes de parede. Retoques extensos e verniz oxidado entorpeciam as cores, o pó e o acúmulo de fuligem escondiam partes da pintura, e os carunchos tinham comido através de alguns dos painéis e molduras.

“Nós simplesmente amamos Pontormo e sempre fomos ver essa pintura na igreja”, lembra Kathe Dyson, mas “realmente precisava ser restaurada”. Embora o país tenha uma longa tradição de apoio governamental às artes, sua infra-estrutura para doações particulares é mais fraco, então os Dysons se sentiram compelidos a entrar e preservar esse tesouro único.
“A maioria das pessoas que passa por aqui porque é uma pequena igreja e não há nenhuma sinalização que fale sobre 'o fabuloso Pontormo nesta igreja'”, disse ela. "Você só tem que saber."

Trabalhando em estreita colaboração com o ministério de conservação de Florença, a co-fundadora da Friends of Florence, Simonetta Brandolini d'Adda, contratou a renomada especialista em Pontormo, Daniele Rossi, para liderar o projeto.
"O jovem restaurador que fez isso é apenas um gênio", disse Dyson. "Agora vai ser acertado, vai ser cuidado, não haverá mais velas, e eles vão colocar uma placa na rua para isso. É emocionante e estamos muito felizes. Foi uma honra poder fazer isso ”.
Brandolini d'Adda acrescentou: “Estamos muito satisfeitos que a restauração tenha sido concluída com sucesso e que este magnífico tesouro no coração de Florença tenha reaberto. O interior da capela, a ornamentação e os afrescos são agora saudáveis e ainda mais cativantes”.
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Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no site do Artnet (artnet.com), em 20/04/18.

Nova York tem até 15/5 para se despedir de Sudan e de sua família

A obra consiste em três rinocerontes em bronze empilhados e tem autoria dos australianos Gillie e Marc Schattner, que arrecadaram via crowfunding os US$ 50 mil necessários para montar a escultura. A peça foi criada para conscientizar o mundo em relação ao ilegal comércio de chifres de rinocerontes. +

O público em Nova York tem apenas até 15/5 para ver Astor Place a grandiosa e comovente escultura “Os Últimos Três”, de Gillie e Marc Schattner, em homenagem aos até então três últimos rinocerontes brancos do norte vivos no planeta: Sudan, Najin e Fatu, mas que agora são apenas dois. A peça de bronze de 4,5 metros de altura foi revelada poucos dias antes da trágica morte do Sudan, em 19/3/18, o único rinoceronte branco masculino restante, praticamente garantindo a extinção desta subespécie
A obra consiste em três rinocerontes em bronze empilhados e tem autoria dos australianos Gillie e Marc Schattner, que arrecadaram via crowfunding os US$ 50 mil necessários para montar a escultura. A peça foi criada para conscientizar o mundo em relação ao ilegal comércio de chifres de rinocerontes, que vale mais do que ouro, e esperam reunir um milhão de mensagens (com a hastags #GoodbyeSudan e #goodbyeRhinos) como uma petição aos governos chinês e vietnamita para reprimir o comércio do chifre.
O instagram do Mapa das Artes (#mapadasartesoficial) traz imagens como a de Joseph Wachira, 26, que conforta Sudan, o último rinoceronte branco do norte vivo no planeta, minutos antes de ser sacrificado por eutanária no Quênia, no dia 19/3/2018. Desde o ano passado Sudan sofria muito devido a graves problemas de saúde e à sua idade avançada. Sudan viveu seus últimos anos protegido no Parque de Conservação Ol Pejela, no Quénia, ao lado de sua filha Najin e de sua neta Fatu.
As fotos dos três rinocerontes e da escultura em Nova York são cortesia dos artistas Gillie e Marc Schattner; a fotografia de Joseph Wachira confortando Sudan é de autoria de Ami Vitale (National Geographic Creative), o memorial de Sudam e a última imagem são do twitter rememberingsudan (https://twitter.com/hashtag/rememberingsudan).

Steve Cohen doa a controversa “Virgem Maria”, de Chris Ofili, ao MoMA de NY

A pintura estará sempre associada à polêmica de 1999, quando o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, tentou baní-la da exposição “Sensation”, no Musu do Brooklin, que apresentava a produção da celebrada geração britânica conhecida como YBA (Young British Artists). A justificativa foi que a obra ofendia os católicos ao usar esterco de elefante em sua produção. O trabalho em técnica mista inclui tinta a óleo, glitter, resina de poliéster, colagem de imagens pornográficas e esterco de elefante na tela e na base. Artigo de Eileen Kinsella para o portal de notícias de arte www.artnet.com editado em 18/04/2018. +

A pintura estará sempre associada à polêmica de 1999, quando o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, tentou baní-la da exposição “Sensation”, no Musu do Brooklin, que apresentava a produção da celebrada geração britânica conhecida como YBA (Young British Artists). A justificativa foi que a obra ofendia os católicos ao usar esterco de elefante em sua produção. O trabalho em técnica mista inclui tinta a óleo, glitter, resina de poliéster, colagem de imagens pornográficas e esterco de elefante na tela e na base. Artigo de Eileen Kinsella para o portal de notícias de arte www.artnet.com editado em 18/04/2018.
A pintura que o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, tentou banir do Museu do Brooklyn m 1999 agora tem um lar permanente em Nova York. O bilionário gestor de fundos e mega-colecionador Steve Cohen doou a tela “Virgem Maria” (1996), de Chris Ofili, para a coleção do MoMA de Nova York, de acordo com a agência Bloomberg.
A pintura, que retrata uma Virgem Maria negra com esterco de elefante, bateu o recorde em leilão para a artista na Christie's Londres em junho de 2015, quando percebeu £ 2,9 milhões (US$ 4,5 milhões), presumivelmente com Cohen como comprador. A tela pertencia ao colecionador australiano David Walsh, proprietário do Museu de Arte Nova e Antiga da Tasmânia. Walsh comprou o trabalho do colecionador britânico Charles Saatchi, que o comprou diretamente do artista.
A pintura esteve associada a controvérsias desde que foi mostrada na seminal mostra “Sensation”, dos “Young British Artists “ no Brooklyn, em 1999. O então prefeito Giuliani disse que a pintura era um insulto aos católicos, porque continha vários pedaços de esterco de elefante, incluindo dois na base, apoiando a pintura.
Giuliani ameaçou cortar todos os subsídios para o museu e despejá-lo de seu prédio, mas os diretores se recusaram a ceder à pressão e o trabalho continuou à vista.
Giuliani finalmente abandonou sua batalha no ano seguinte, e o museu, por sua vez, desistiu de uma ação da Primeira Emenda que havia aberto contra o prefeito. A pintura retornou a Nova York em 2014, quando foi apresentada em uma grande retrospectiva do trabalho de Ofili no New Museum, intitulada “Night and Day”.
A curadora-chefe do MoMA, Ann Temkin, disse à Katya Kazakina, da Bloomberg, que a controvérsia de quase 20 anos não diminui os méritos do trabalho. “Deixando de lado sua história e notoriedade, é uma pintura magnífica”, disse ela. O museu acrescentará a “Virgem Maria” a mais de 30 obras da Ofili já em sua coleção permanente.
Em um e-mail para Artnet News, Temkin disse que a pintura é "uma extraordinária adição à nossa coleção", e chamando-a de "um trabalho singularmente importante de um artista cujas pinturas estão entre as melhores de sua geração".
Cohen, que é conselheiro do museu, doou US $ 50 milhões para a campanha de arrecadação de fundos do MoMA no ano passado, por meio da Fundação Steven e Alexandra Cohen.
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Artigo de Eileen Kinsella para o portal de notícias de arte www.artnet.com editado em 18/04/2018.

Galerias em Copenhague e Nova York fecham suas portas

O veterano galerista David Risley anunciou que irá fechar sua galeria homônima em Copenhague, depois de 18 anos para se concentrar em outros empreendimentos. Ao longo dos anos, Risley trabalhou com grandes artistas contemporâneos, incluindo Jake e Dinos Chapman, Alex Da Corte e Dexter Dalwood, e declarou que fará “todo o possível para ajudar os artistas”. Já a galeria Real Fine Arts, do Brooklyn (NY), que também confirmou que está fechando suas portas, anunciou em uma breve mensagem para amigos e artistas que dizia simplesmente: “A Real Fine Arts está fechada.” Matéria de Eileen Kinsella publicada na ArtNet News (artnet.com), em 23/04/18. +

Em uma carta sincera a artistas, colegas e amigos de hoje, o veterano galerista David Risley (foto) anunciou planos para fechar sua galeria depois de 18 anos, para se concentrar em outros empreendimentos. Risley abriu sua galeria epônima no East End de Londres em 2000 e mudou-se para Copenhague em 2009. Ao longo dos anos, Risley trabalhou com grandes artistas contemporâneos, incluindo Jake e Dinos Chapman, Alex Da Corte e Dexter Dalwood. Risley também co-organizou a Zoo Art Fair em Londres, um centro agora extinto de artistas promissores. Ele também era conhecido por organizar jogos de futebol durante as feiras de arte.

Em um e-mail, ele disse à Artnet News: "Farei todo o possível para ajudar os artistas e eles disseram que farão tudo o que puderem para me ajudar. Eu os ajudarei a encontrar novas galerias. Eu ajudarei com as exposições e comissões do museu em andamento. Continuaremos trabalhando juntos sem a galeria, onde e sempre que possível. ”

Risley não é o único comerciante a anunciar seu fechamento hoje. A galeria Real Fine Arts do Brooklyn também confirmou à Artnet News que está fechando suas portas. Em uma breve mensagem, que não poderia ser mais diferente da de Risley, a galeria enviou um e-mail para amigos e artistas que dizia simplesmente: “A Real Fine Arts está fechada.” O espaço, fundado em 2008 por Tyler Dobson e Ben Morgan-Cleveland, apresentou trabalhos de artistas como Caitlin MacBride, Lena Henke e Sam Pulitzer. Procurado pela Artnet News, Morgan-Cleveland se recusou a oferecer comentários adicionais.

Em sua carta, Risley concentrou-se na importância do artista no ecossistema do mundo da arte, dizendo: “Sem artistas não haveria feiras de arte, nem patrocinadores, nem colecionadores, nem consultores, nem críticos, nem revistas, nem museus, sem empresas de transporte, sem jantares de gala. Nenhum ‘Art World’.” Avançando, a Risley planeja focar no “Funkisfabriken”, um antigo prédio da fábrica na Suécia que ele planeja converter em um centro cultural multiuso. Ele descreve isso como “um projeto audacioso para realinhar arte, comida, negócios e inovação com sustentabilidade. O Funkisfabriken incluirá um restaurante com lixo zero, espaços para exposições e jardins de esculturas à beira do lago.”

A atual exibição na galeria, intitulada “Móveis de artistas: cadeira, cadeira, cadeira, candeeiro, mesa, cama, sofá” será a última. Agora foi estendida até o final de maio.
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Matéria de Eileen Kinsella publicada na ArtNet News (artnet.com), em 23/04/18.

A modernidade dos clássicos

Frans Hals (1582-1666), retratista de comerciantes ricos e malandros sorridentes da Época de Ouro holandesa, alinha-se hoje com os compatriotas Rembrandt e Vermeer no panteão da história da arte. Já Ann Demeester, diretora do Frans Hals Museum, de Haarlem, Holanda, prefere considerá-lo uma figura “trans-histórica” cuja influência avançou pelo tempo e chegou à arte contemporânea. Artigo de Nina Siegal, para o jornal “The New York Times”, traduzido e publicado no jornal “O Estado de S. Paulo” em 29/04/18. Tradução de Roberto Muniz. +

Frans Hals (1582-1666), retratista de comerciantes ricos e malandros sorridentes da Época de Ouro holandesa, fez muito sucesso em seu tempo, mas ao morrer já havia saído de moda. Suas pinceladas livres e vigorosas foram consideradas agressivas demais pelo século 18. Entretanto, no século 19 os impressionistas o redescobriram e o ressuscitaram como um mestre moderno.
Hoje, Hals alinha-se com os compatriotas Rembrandt e Vermeer no panteão da história da arte. Já Ann Demeester, diretora do Frans Hals Museum, de Haarlem, Holanda, prefere considerá-lo uma figura “trans-histórica” cuja influência avançou pelo tempo e chegou à arte contemporânea.
Assim, Demeester decidiu expor, de modo pouco usual, obras de Hals e outros mestres da Época de Ouro do acervo do museu ao lado de trabalhos de artistas vivos como a fotógrafa Nina Katchadourian, o multimídia Shezad Dawood e o pintor e escultor Anton Henning, numa mostra denominada Rendezvous with Frans Hals. Com isso, ela pretende mostrar que artistas contemporâneos ainda se inspiram no legado de 350 anos de Hals.
“Trans-histórico” é um termo bastante usado entre curadores, num momento em que museus buscam novos meios de despertar o interesse do público pela arte mais antiga. A fusão entre o velho e o novo vem atraindo a atenção de colecionadores em feiras de arte, como a Frieze New York. Casas de leilões também estão aderindo à onda. No ano passado, a Christie’s vendeu – num leilão de arte contemporânea – o quadro Salvator Mundi, de Leonardo da Vinci, por US$ 450 milhões.
A atual exposição vai até setembro, após o que o museu promoverá outras mostras nos mesmos critérios, como a Frans Hals and the Moderns, em fevereiro de 2019, com o pintor ao lado de impressionistas e pós-impressionistas. “A ideia é mostrar que a história vive”, disse Sheena Wagstaff, do departamento de arte moderna e contemporânea do Metropolitan Museum of Art. A mostra de 2016 do Met Breuer, braço do museu na Avenida Madison, Unfinished: Thoughts Left Visible, apresentou pinturas incompletas de diferentes épocas, de Ticiano a Lucian Freud, Gerhard Richter e Bruce Nauman. Ela está tendo sequência com Like Life: Sculture, Color and the Body (1300-Now), em exibição até 22 de julho, que traz uma junção não cronológica de 700 anos de esculturas do corpo humano.
Incluindo não apenas os grandes escultores, mas estátuas de cera e modelos anatômicos, a exposição inicia-se com uma escultura hiper-realista de Duane Hanson, de 1984, salta de uma escultura de Donatello, do século 15, para uma obra de El Greco, da Espanha Renascentista, e confronta um androide moderno com uma efígie de Jeremy Bentham, do século 19, feita com ossos do filósofo britânico. “A ideia da exposição é lançar e expandir o princípio de que a arte pode ser apreciada com uma visão mais populista”, disse Wagstaff.
Suzanne Sanders, historiadora da arte de Amsterdã, considera a curadoria trans-histórica “uma tentativa de urgência dos curadores de reinventar os museus. Pode-se tomar a palavra ‘trans’ em todos os seus sentidos: de ‘através da história’ a ‘transdiciplinar’, ou simplesmente para representar as coisas de modo inclusivo, na busca de um equilíbrio entre conhecimento ponto de vista.”
Entretanto, para James Bradburne, diretor da Pinacoteca de Brera, em Milão, a tendência é apenas um termo novo para o que os curadores sempre fizeram – levar as pessoas “de volta ao momento em que aquela arte era contemporânea”.
“Sempre tivemos de apresentar nossas coleções de um modo atualizado”, disse ele. “É como quando, numa peça de Shakespeare levada para uma plateia contemporânea, o ator se caracteriza de mafioso ou drag queen.”
Um ano atrás, o museu M, de Leuven, Bélgica, reapresentou sua coleção permanente sob o título Collection M: ThePower of Images e novos arranjos , como uma Pietà do século 14 ao lado de um quadro barroco do século 16 e de uma instalação de arte conceitual de 2009. “Quisemos sair um pouco da abordagem cronológica”, disse a diretora do M, Eva Wittocx. “Mesmo quem já conhece essas obras há muito tempo pode descobrir novos significados nelas, ou novos meios de admirá-las.”
O Kunthistorisches Museum, de Viena, cujo acervo permanente é de arte do Egito Antigo a 1800, pediu emprestadas 22 obras contemporâneas para a exposição The Shape of Time, em exibição até 8 de julho. O quadro de uma modelo nua cobrindo-se parcialmente com um abrigo de pele, do mestre flamengo Peter Paul Rubens, pintado em 1636/38, é mostrado ao lado de um nu frontal total dos anos 1970, da austríaca Maria Lassnig. “Nossa intenção foi tentar trazer à luz ideias, medos, sonhos e pesadelos ocultos nas obras históricas ”, disse Jasper Sharp, curador do museu. Outras escolhas, porém, provaram-se mais arriscadas. Amantes da arte comentaram a exibição de um autorretrato de Rembrandt ao lado de um color field de Mark Rothko. “Metade dos comentários foram na linha de ‘erro abissal’ e ‘Rembrandt deve estar se virando no túmulo’, admitiu Sharp.
Ann Demeester, do Frans Hals Museum, salientou que a história da arte é cacofônica. “Ao ampliar significados e criar novas histórias para o público, é importante que o museu pense mais como artista, menos sujeito a inibições que um historiador, para fazer conexões que atravessem o tempo, a cultura e a geografia.”
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Artigo de Nina Siegal, para o jornal “The New York Times”, traduzido e publicado no jornal “O Estado de S. Paulo” em 29/04/18. Tradução de Roberto Muniz.

Modigliani na Sotheby’s pode quebrar recorde

A pintura, “Nu Couché (Sur le Côté Gauche)” (1917), tornou-se instantaneamente uma das mais badaladas na próxima temporada de leilões na casa de leilão da Sotheby’s de New York. A obra pode quebrar o atual recorde de leilão de Modigliani, que é de US$ 170,4 milhões. A obra é propriedade do bilionário irlandês John Magnier. Matéria de Eileen Kinsella publicada originalmente no site do Atnet (artnet.com), em 24/04/18. +

Estima-se que uma pintura de um nu reclinado feita por Amedeo Modigliani será colocada à venda por US$ 150 milhões pela Sotheby's em 14/5/18. A casa de leilões diz que é a estimativa mais alta já colocada em uma obra de arte em leilão.
A pintura, “Nu Couché (sur le côté gauche)” (1917), também pode quebrar o atual recorde de leilão de Modigliani, que é de US$ 170,4 milhões.

Embora o artista tenha sido prolífico - ele tinha apenas 35 anos quando morreu de meningite tubercular em 1920 - a pintura é um dos cinco únicos de seus nus a ir a leilão. (A maioria está em coleções de museus.) Este também é o maior trabalho que Modigliani já fez, medindo cerca de 1,40 metros.

Se a pintura parece familiar para alguns espectadores, é porque ela foi incluída recentemente na exposição de grande sucesso da Tate Modern sobre o trabalho do artista, que reuniu 12 de seus nus, o maior número já mostrado no Reino Unido. Ele enfeitou a capa do catálogo da exposição.

É garantido que a pintura seja vendida. Ela carrega o que é conhecido como uma oferta irrevogável - uma oferta feita antes da venda por um comprador externo que garante que o trabalho seja vendido e diminui o risco da Sotheby.

Sua estimativa é maior do que as obras mais caras já vendidas, incluindo Salvator Mundi de Leonardo da Vinci (estimativa: na região de US$ 100 milhões) e Les Femmes d'Alger (Versão 'O') de Pablo Picasso (estimativa: US$ 140 milhões).

O nu faz parte de uma série que o artista criou para o comerciante e colecionador de Paris Léopold Zborowski. As pinturas causaram um escândalo quando foram exibidas pela primeira e única exposição individual de Modigliani na Galerie Berthe Weill em Paris em 1917. Uma multidão se formou do lado de fora da janela da galeria, onde um dos nus estava em exibição. A polícia exigiu o fechamento imediato da exposição.

A pintura deve eclipsar o recorde anterior de Modigliani para “Nu couché” (1917-18), que foi comprado pelo chinês Liu Yiqian na Christie's New York, em 2015.

Embora a Sotheby's não tenha nomeado o vendedor, tanto a Bloomberg quanto o Irish Times o identificaram como o criador de cavalos bilionário irlandês John Magnier. Bloomberg relata que Magnier comprou o trabalho em 2003 na Christie's por US$ 26,9 milhões.

Até o momento, mais de 1.300 obras de Modigliani foram licitadas, de acordo com o Price Database da artnet. As cinco principais obras foram vendidas por mais de US$ 50 milhões cada, enquanto um total de 13 obras foi vendido por mais de US$ 20 milhões.
A pintura "reimagina o nu para a era moderna", disse Simon Shaw, co-diretor mundial da Sotheby's do departamento de arte moderna e impressionista, em um comunicado. Ele chamou isso de "uma imagem incrivelmente sensual, com o olhar da babá encontrando o espectador de frente, com uma forma verdadeiramente hipnotizante".

Antes da venda, a pintura será exibida em Nova York em 4 de maio.
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Matéria de Eileen Kinsella publicada originalemnte no site do Atnet (artnet.com), em 24/04/18.

Por que as fotos de Peter Hujar são tão ressonantes hoje em dia

Se a fotografia de retrato é estereotipicamente discutida em termos de capturar algo revelador ou verdadeiro sobre aquilo que só pode ser visto com uma câmera, Hujar está defendendo uma outra função do retrato. Ele não está atrás da verdade, mas permitindo que as pessoas sejam vulneráveis, compartilhem algo pequeno de seus eus particulares. A aparência fotográfica de Hujar é suave. Artigo de Ashton Cooper para o portal de arte Artnet (www.Artnet.com) publicado em 23/04/18. +

A elogiadíssima mostra do fotógrafo norte-americano Peter Hujar (1934-1987) na Morgan Library, em Nova York, tem sido uma fonte constante de comentários desde sua abertura no começo deste ano e, naturalmente, cresceu durante recentes visitas de artistas como Scott Treleaven e Paul P., os quais já exibiram seus trabalhos ao lado de Hujar no passado.

Apesar de reconhecer seu amor pelas fotos, eles se perguntaram, depois de todos as mostras de fotografias de Hujar nos últimos 15 anos (incluindo uma no MoMA PS1 e várias individuais em galerias), por que essa mostra tem recebido tantos elogios?

É a instalação pensativa? É a inclusão de uma ampla variedade de seu trabalho? É nossa obsessão em ver a verdadeira Manhattan dos anos 70 e os artistas autênticos que nunca se esgotam? Ou é simplesmente o trabalho de Hujar que nos diz alguma coisa neste momento específico e que precisamos ouvir?

Essas perguntas estavam em minha mente durante várias visitas à mostra, que é composto de 164 fotografias em preto e branco que estão penduradas em um único quarto pintado de cinza quente, fazendo com que pareça não apenas de tamanho razoável, mas também íntimo e privado.

Uma opção de exibição especialmente eficaz é exibir uma única imagem -geralmente uma icônica, como o bem conhecido retrato de Susan Sontag, de 1975, de Hujar reclinando-se sedutoramente em uma camisa de gola alt - à esquerda de uma grade de quatro obras que detalham seu conteúdo. À direita do retrato de Sontag, por exemplo, estão retratos de Fran Lebowitz (1974), Charles Ludlam (1975), Bill Elliot (1974) e Dean Savard (1984), todos em estados de repouso lânguido. Juntos, eles formam um grupo encantador de corpos masculinos representando poses convencionalmente deixadas para o nu feminino.

Outro aspecto bem concebido da instalação é a grade de 40 fotos na parede do fundo, que ancora a exposição no método de Hujar de pendurar as obras. Hujar preferiu mostrar as obras em uma grade que incorporava uma mistura de assunto, como em sua última exposição na Gracie Mansion Gallery, em janeiro de 1986, pouco antes de morrer de pneumonia relacionada à AIDS.

O curador Joel Smith fez uma escolha clara para pendurar toda a exposição, seguindo a preferência de Hujar por misturar imagens de humanos, animais, paisagens urbanas e fotos do rio Hudson.

Em um retrato de Edwin Denby (1975), que retrata o poeta ágil e crítico de dança em seus últimos anos, Hujar fotografa Denby com o cabelo despenteado sentado na cama. Usando uma profundidade de campo extremamente rasa, Hujar captura apenas o rosto de Denby e um pouco da sua camisa protuberante em foco. Esta superficialidade até exclui as orelhas de Denby, que em sua imprecisão são empurradas para o fundo. O efeito de tudo isso é fazer com que eu sinta que eu inclinei meu próprio rosto tão perto de Denby, que eu sou capaz de perceber a imediação de seus olhos, nariz e boca. Hujar criou a sensação de um momento particular entre Denby e eu, uma sensação de proximidade corporal compartilhada.

Em Randy Gilberti’s Legs (1981), a foto mostra as pernas do sujeito dos joelhos para baixo com os recortes sutis deixados pelo elástico das meias evidente em seus tornozelos. "Quero que as pessoas sintam a imagem e a cheirem", disse Hujar sobre sua abordagem ao nu.

Um dos prazeres desse show é descobrir que a ternura atenta de Hujar também se estende a seus muitos retratos de animais. Em Goose-Germantown (1984), Hujar usa uma profundidade de campo semelhante ao retrato íntimo de Denby. O ganso branco titular está de frente para a câmera, olhando diretamente para a lente, os olhos, o bico e o peito bulboso em foco, enquanto a paisagem esparsa borra ao fundo. Há várias outras justaposições entre animais e humanos durante o show: Horse in West Virginia (1969) e Reclining Nude on Couch (1978) ou Great Dane (1981) e Nude Backstage (Companhia Teatral Ridícula, “Eunuchs of the Forbidden City”, Westbeth) (1973).

Se a fotografia de retrato é estereotipicamente discutida em termos de capturar algo revelador ou verdadeiro sobre aquilo que só pode ser visto com uma câmera, Hujar está defendendo uma outra função do retrato. Ele não está atrás da verdade, mas permitindo que as pessoas sejam vulneráveis, compartilhem algo pequeno de seus eus particulares. A aparência fotográfica de Hujar é suave.

Tenho certeza de que o trabalho dele é urgente para muitos de nós agora -especialmente aqueles com corpos que são marginalizados e ameaçados- por uma série de razões, mas é essa gentileza que se destaca para mim.
A fotografia de Hujar simboliza e monumentaliza atos de ternura e momentos de vulnerabilidade, coisas que ultimamente se sentem cada vez menos praticáveis e, por isso, cada vez mais importantes.
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“Peter Hujar: Speed of Life” está em cartaz na The Morgan Library & Museum (225 Madison Avenue com 36th Street), em Nova York, até 20/5/18.
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Artigo de Ashton Cooper para o portal de arte Artnet (www.Artnet.com) publicado em 23/04/18.

Peter Hujar fez fotografias descomplicadas de assuntos complicados

Sua carreira madura se conectou ao desdobramento público da vida gay entre a revolta de Stonewall em 1969 e a crise da AIDS na década de 1980. Em seu loft no East Village, Hujar se concentrou naqueles que seguiam seus instintos criativos e evitavam o sucesso do mainstream. Não deixe de ver o vídeo sobre Peter Hujar no site da The Morgan Library & Museum: www.themorgan.org/exhibitions/peter-hujar +

A vida e a arte de Peter Hujar (1934-1987) estão arraigadas no centro de Nova York. Íntimo por natureza, combativo por excelência, literato e amplamente conectado com seu tempo (e com os dias de hoje), Hujar habitava um mundo de dança de vanguarda, música, arte e performance.

Sua carreira madura se conectou ao desdobramento público da vida gay entre a revolta de Stonewall em 1969 e a crise da AIDS na década de 1980. Em seu loft no East Village, Hujar se concentrou naqueles que seguiam seus instintos criativos e evitavam o sucesso do mainstream.

Ele fez, em suas palavras, “fotografias diretas e descomplicadas de assuntos complicados e difíceis”, imortalizando momentos, indivíduos e subculturas que passavam com velocidade pela vida.

“Peter Hujar: Speed of Life”, em exibição até 20/5/18 no The Morgan Library & Museum, em Nova York, apresenta 140 fotografias deste artista extremamente importante e influente. A partir do extenso acervo de seu trabalho no Morgan e de outras nove coleções, o programa e seu catálogo seguem Hujar desde o seu início de carreira, em meados da década de 1950, até seu papel central no cenário artístico do East Village, três décadas depois.

O catálogo apresenta reproduções de página inteira de todos os 140 trabalhos da exposição, ensaios do curador Joel Smith, Philip Gefter e Steve Turtell, e a primeira cronologia totalmente pesquisada, história da exposição e bibliografia publicada sobre Hujar.

“Peter Hujar: Speed of Life” foi organizada pela Morgan Library & Museum, em Nova York, e pela Fundación MAPFRE, em Madri. O financiamento para as mostras em Madri e Nova York foram concedidos pela Terra Foundation for American Art, com o apoio das fundações Margaret T. Morris, J. W. Kieckhefer, Keith Haring e Robert Mapplethorpe, além de Patricia e Thruston Morton, e Nancy e Burton Staniar.
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Não deixe de ver o vídeo sobre Peter Hujar no site da The Morgan Library & Museum: www.themorgan.org/exhibitions/peter-hujar
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“Peter Hujar: Speed of Life” está em cartaz na The Morgan Library & Museum (225 Madison Avenue com 36th Street), em Nova York, até 20/5/18.

Manifesta 12 revela os primeiros participantes da mostra na Sicília

A bienal européia itinerante Manifesta 12 revela um conjunto de participantes ecléticos para sua próxima edição, na Sicília (Itália), cujo tema é Botânica e promete procissões, dança, filosofia e muito mais. O evento ocorre entre 16/6 e 4/11/18. Texto de Henri Neuendorf para o portal de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 26/04/18. +

Os organizadores da 12ª edição da bienal européia itinerante Manifesta, que se instala em Palermo, capital siciliana, neste verão, revelaram os 10 primeiros participantes e seis locais que sediarão o espetáculo.
O tema deste ano, “O Jardim Planetário: Cultivando a Coexistência”, usa o jardim como uma metáfora para a diversidade e polinização cultural cruzada que incorpora a cidade de Palermo, que tem uma longa história como ponto de encontro entre civilizações, devido à posição geográfica da ilha no Mar Mediterrâneo, na encruzilhada da África e Europa. A exposição abrange 30 obras recém-encomendadas espalhadas por mais de 15 locais em toda a histórica cidade portuária. O evento acontece entre 16/6 e 4/11/18.

A artista brasileira Maria Thereza Alves, que freqüentemente retrata a vida das plantas, exibirá uma instalação dedicada à diversidade floral da Sicília.

Gilles Clément, filósofo e paisagista francês que inspirou o título do espetáculo com seu livro “The Planetary Garden”, criará um jardim urbano em colaboração com o estúdio de design Coloco, de Londres, no bairro Zen.

O pioneiro artista performático nigeriano Jelili Atiku liderará uma procissão pelas ruas da cidade no dia da pré-estréia profissional de Manifesta, em 15 de junho.

As seções coletivas de culinária de Londres desenvolveram um projeto baseado em sistemas de irrigação agrícola específicos do local que serão instalados em vários locais.

O artista gráfico irlandês John Gerrard apresentará seus trabalhos no Palazzo Ajutamicristo e no Palazzo Forcella De Seta.

O artista suíço Uriel Orlow preparou uma videoinstalação sobre a memória e o poder da botânica, a ser exibida no Palazzo Butera.

O coletivo arquitetônico belga Rotor mostrará uma “intervenção urbana” perto de Pizzo Sella.

Um dos projetos mais interessantes vem de Khalil Rabah, artista e diretor da Bienal Riwaq, que criará um mercado de artefatos no jardim botânico decorado com montagens e esculturas inspiradas nos mercados locais da ilha.

Representando o país anfitrião, Marinella Senatore organizará um movimento coletivo de dança no centro histórico da cidade.

E o coletivo Cooking Sections, sediado em Londres, desenvolveu um projeto baseado em sistemas de irrigação agrícola específicos do local que serão instalados em vários locais.

E, finalmente, para aqueles para quem explorar o local é a verdadeira atração, o escritor e roteirista Giorgio Vasta criou um aplicativo de smartphone inovador que narra a cidade chamado “City Scripts”.
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Texto de Henri Neuendorf para o portal de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 26/04/18.

Quadro de Picasso é comprado por 25 mil pessoas na Suíça

Em dezembro de 2017, a plataforma de vendas suíça Qoqa disponibilizou o quadro "Buste de Mousquetaire" (Busto de Mosqueteiro), de Picasso, por pouco mais de R$ 7 milhões. Em três dias, 25 mil pessoas adquiriram os 40 mil lotes disponibilizados a 50 francos suíços (42 euros) cada um, tornando-se oficialmente os felizes da tela de 58 x 28,5 cm. Artigo publicado na seção Entretenimento do portasl UOL (https://entretenimento.uol.com.br) com informações da Agence France-Presse (https://www.afp.com) em 27/04/2018. +

Vinte e cinco mil internautas, que compraram em conjunto um Picasso mediante uma plataforma suíça de vendas coletivas puderam contemplar a obra pela primeira vez nesta sexta (27/4/18), em Genebra, na Suíça.
Geralmente, os usuários do site de compras suíço Qoqa costumam procurar furadeiras, malas ou viagens a Marrakech a preços atrativos. Mas, em dezembro, a plataforma, lançada em 2005 com o slogan "fazemos qualquer coisa, mas fazemos por você", disponibilizou o quadro de Picasso "Buste de Mousquetaire" (Busto de Mosqueteiro) por 2 milhões de francos suíços (cerca de 1,7 milhão de euros; pouco mais de R$ 7 milhões).
Em três dias, 25 mil pessoas adquiriram os 40 mil lotes disponibilizados a 50 francos suíços (42 euros) cada um, tornando-se oficialmente os felizes proprietários da tela que tem dimensões de 58 cm x 28,5 cm.
"A ideia da Qoqa, a princípio, era fazer muito 'barulho' para que as pessoas falassem da empresa, mas também democratizar o mundo da arte, que muitas vezes é visto como "fechado e obscuro", declarou à Agência France Press Pascal Meyer, diretor-executivo e fundador da plataforma.
"Quando lançamos a ideia, nos disseram: 'esqueçam, é simplesmente impossível'", conta ele na sede de sua empresa, nos arredores de Lausanne.
"Depois, quando começamos a falar de Picasso, nos disseram: 'agora é duplamente impossível'. Assim, o desafio se tornou muito divertido, e dissemos que tínhamos que tentar democratizar um pouco esse mundo, que parece inacessível para pessoas comuns;"
A empresa contratou especialistas para certificar "a autenticidade da peça" e "assegurar que pagássemos o preço correto", conta Meyer, que não quis dizer quanto a Qoqa pagou "a um proprietário europeu" pela tela.
Como que cumprindo o lema do mosqueteiro retratado no quadro -—"Um por todos e todos por um"—, a partir de agora dependerá dessa grande comunidade de proprietários cuidar do destino da obra e decidir, por exemplo, onde será exposta.
O Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Genebra (Mamco) será a primeira instituição a exibi-lo, a partir desta sexta (27). A iniciativa seduziu o diretor do museu, Lionel Bovier.
Para o Mamco, que tem fama de expor arte elitista, associar-se dessa forma à plataforma de compra supõe, em parte, abrir um pouco mais suas portas.
"O principal interesse para nós reside na forma de desenvolvimento de público. Ou seja, de ter contato, de nos dirigirmos a esse público que se tornou proprietário coletivamente do quadro", explicou Bovier à AFP.
"Esperamos receber o maior número possível de proprietários dessa comunidade de 25 mil pessoas."
Os proprietários, que possuem um cartão numerado e estampado com uma reprodução da obra, poderão ir ao local para admirar sua obra gratuitamente.
Bovier também deseja usar a experiência da Qoqa nas tecnologias digitais para exibir o quadro de forma original.
Nesse sentido, está prevista uma interação com o público pela "PiQasso", uma plataforma dedicada à peça do portal Qoqa via webcam.
"Também será feito com um escâner 3D da obra para que as pessoas possam passear por dentro dela. Enfim, pequenas coisas que fazem disso tudo algo um pouco mais interessante e menos tedioso, se me permite dizer", destacou Meyer.
O museu irá propor ainda "encontros", "atividades" e "conferências sobre o quadro, Picasso, e também sobre o trabalho de conservação que os museus realizam, especialmente para obras deste tipo", salientou Bovier.
A tela ficará em Genebra até outubro. Depois, os internautas terão de votar para decidir seu próximo destino.
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Artigo publicado na seção Entretenimento do portasl UOL (https://entretenimento.uol.com.br) com informações da Agence France-Presse (https://www.afp.com) em 27/04/2018.

Louvre e Met se unem para mostra o gênio inquieto de Delacroix

Retrospectiva Delacroix (1798–1863) reúne cerca de 180 trabalhos de todas as etapas da carreira de Eugène Delacroix. Foi organizado pelo parisiense Louvre (mostra em cartaz até 23/7) e pelo Metropolitan de Nova York, onde a mostra começa em 17/9/18. Artigo de Naomi Rea para o portal de arte www.Artnet.com publicado em 18/04/2018. +

“O gênio de Delacroix não é discutível, não é demonstrável, é algo que se sente”, escreveu o escritor francês Alexandre Dumas. O Louvre abriga atualmente uma retrospectiva em homenagem ao gênio do artista francês. A enorme retrospectiva de Eugène Delacroix reúne 180 trabalhos de todas as etapas de sua carreira. Foi organizado em parceria com o Metropolitan Museum of Art, de Nova York, onde será inaugurado em 17/9 (embora sem algumas de suas enormes pinturas, que só cabem confortavelmente no Louvre).
Regularmente na cena parisiense, Delacroix não teve uma retrospectiva de gala na cidade desde o centenário de sua morte, em 1963. Esta exposição, organizada por Sébastien Allard e Côme Fabre, do Louvre, e por Asher Miller, do Met, traça a obra de Delacroix. trajetória explosiva e mente inquieta. Como um jovem artista, ele abalou o salão anual de arte contemporânea no Louvre. Mais tarde, suas experiências com pinceladas pontiagudas parecem prefigurar o impressionismo. Até agora, os comentários da exposição foram ofegantes.
Jackie Wullschlager escreveu: “Se há uma exposição este ano pela qual vale a pena viajar é a pesquisa emocionante e espetacular do artista mais singular, contraditório e extremista do século XIX”.
Museus de todo o mundo, incluindo França, EUA, Reino Unido, Alemanha, Canadá, Bélgica e Hungria, contribuíram com empréstimos para o espetáculo ambicioso. Muitas das obras mais famosas e provocativas do artista estão incluídas, como “A Morte de Sardanapalo”, a cena de suicídio orgiástico que atraiu a indignação unânime quando foi mostrada no Salão de 1828. Também está em vista a celebração da Revolução de 1830 de Delacroix, “Liberdade Liderando o Povo” (1831), que ganhou nova influência política depois que o presidente francês Emmanuel Macron levou o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed Bin Salman, para sua visita à capital francesa.
A exposição também apresenta exemplos menos conhecidos do virtuosismo de Delacroix, incluindo litografias especializadas como “Macbeth e as Bruxas”.
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Artigo de Naomi Rea para o portal de arte www.Artnet.com publicado em 18/04/2018.

Palácio de Blenheim recebe mostra de Yves Klein no Reino Unido neste verão

Casa de campo do século 18 na Inglaterra será transformada por grande exposição da obra do falecido artista francês. Texto editado a partir de reportagem de Javier Pes publicada no portal internacional de arte www.artnet.com em 25/04/18. +

A mostra "Yves Klein no Palácio de Blenheim" será inaugurada em 18/7/18 e segue as exposições de verão na casa histórica com grandes artistas vivos, incluindo Jenny Holzer, Michelangelo Pistoletto e Ai Weiwei. Organizada pela Blenheim Art Foundation e pelo Arquivo Yves Klein, a exposição contará com cerca de 50 obras de Klein, tornando-se o maior espetáculo do trabalho do artista francês no Reino Unido.
Daniel Moquay, gerente do Arquivo Yves Klein, que também é marido da viúva de Klein, disse em um comunicado que apresentará o trabalho do artista “em um ambiente totalmente diferente das exposições habituais que organizamos”. inclui uma instalação de pigmento azul em grande escala e obras de sua famosa série: "Pinturas monocromáticas", "Pinturas de fogo", além de obras criadas com "modelos vivos", bem como esculturas de inspiração clássica revestidas no azul da assinatura do artista, IKB (International Klein Blue).
Michael Frahm, diretor da Blenheim Art Foundation, diz que Klein foi "uma escolha clara: seu trabalho radical mudou o curso da arte moderna na década de 1950 e início dos anos 1960, e sua prática permanece tão relevante hoje quanto durante sua vida meteórica. A exposição marca o que teria sido o 90º aniversário do artista francês.
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"Yves Klein no Palácio de Blenheim" vai de 18/7 a 7/10/18, no Blenheim Palace, em Oxfordshire, na Inglaterra.
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Texto editado a partir de reportagem de Javier Pes publicada no portal internacional de arte www.artnet.com em 25/04/18.
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Retrato de Yves Klein durante as filmagens do documentário de Peter Morley "The Heartbeat of France". Estúdio de Charles Wilp, Dusseldorf, Alemanha, fevereiro de 1961. Copyright Charles Wilp / BPK, Berlim.

Conheça os quatro indicados ao Turner Prize 2018

A seleção dos finalistas pode ser lida como um referendo sobre as tendências da arte contemporânea, já se fala muito sobre como os vencedores se concentram na política racial e empregam principalmente uma forma expandida de fazer documentário. Artigo de Tanner West para o portal de artes www.artnet.com publicado em 26/04/18. +

Foram anunciados os quatro candidatos ao aguardado e prestigioso Turner Prize, concedido anualmente a um artista britânico pelos mérios de uma exposição realizada no ano anterior. A seleção dos finalistas pode ser lida como um referendo sobre as tendências da arte contemporânea, já se fala muito sobre como os vencedores se concentram na política racial e empregam principalmente uma forma expandida de fazer documentário, com a escolha do vencedor que constitui uma declaração sobre o que a arte é importante agora.
É claro que o programa oficial do Turner Prize não será aberto até o final deste ano (de 25 de setembro de 2018 a 6 de janeiro de 2019), portanto, as respostas definitivas para essa conversa permanecem bem distantes.
Segue abaixo um resumo do que você precisa saber sobre cada um dos quatro candidatos
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Arquitetura Forense

Quem eles são?: O grupo foi fundado em 2010 pelo arquiteto Eyal Weizman e está baseado no Goldsmiths College, em Londres. Descreve-se não como um coletivo de arte, mas como uma “agência de pesquisa independente”, reunindo artistas, cineastas, programadores de computador e cientistas a serviço da criação de visualizações de alto impacto de informações complexas que podem ser apresentadas como evidência em casos judiciais relacionados a abusos dos direitos humanos.

Obra a conhecer: “77sqm_9: 26min” (2017).
O projeto, apresentado como um vídeo e um relatório que envolveu a construção de uma maquete de uma cena de crime dentro da Casa das Culturas do Mundo em Berlim, foi apresentado como parte da mostra Documenta 14. A apresentação foi parte de um esforço coletivo, com o trabalho sendo mostrado como parte de uma instalação da Sociedade dos Amigos de Halit, um grupo dedicado ao anti-racismo inspirado pelo assassinato em 2006 de Halit Yozgat, nascido na Turquia, por neonazistas. “77sqm_9: 26min” equivale a uma "contra-investigação" do depoimento de um agente de inteligência alemão que estava no local do assassinato de Yozgat, postulando a cumplicidade de forças afiliadas ao governo no crime. Recebeu ampla atenção da mídia e inspirou uma réplica do partido democrata-cristão. Nosso crítico chamou de “a peça mais importante da documenta 14.”

Naeem Mohaiemen

Quem ele é?: Nasceu em Londres (1969), cresceu em Bangladesh, mas é mais conhecido como um artista de Nova York (atualmente é candidato a PhD em Columbia). Seu show "Naeem Mohaiemen: Não Há Último Homem" acaba de fechar acordo com o MoMA PS1, de Nova York. Mohaiemen começou sua carreira como parte do Coletivo Visível (NY), 2001 a 2006, quando trabalhou para chamar atenção para os árabes e muçulmanos após o 11 de setembro.

Obra a conhecer: “Duas Reuniões e Um Funeral” (2017)
Co-encomendado pela Sharjah Art Foundation e pela Fundação Ford e também visto em Kassel durante a Documenta 14, o documentário experimental ofereceu uma reflexão absorvente sobre o destino do Movimento dos Não-Alinhados, um grupo de países não alinhados com União Soviética ou com os EUA durante a Guerra Fria. Refletindo sobre as promessas e ironias do movimento.

Charlotte Prodger
Quem ela é?: Prodger (1974) foi treinada no Goldsmiths College e na Glasgow School of Art, e atualmente trabalha em Glasgow. Seus filmes experimentais foram amplamente aclamados, pelos quais ela já recebeu o Prêmio Margaret Tait 2014 e o Prêmio Paul Hamlyn 2017. Ela recebeu sua indicação ao Turner Prize para um show de dois vídeos no Bergen Kunsthall, “Bridgit / Stoneymollan Trial” (o catálogo pode ser encontrado online).

Obra a conhecer: “Bridgit” (2016)
Uma espécie de diário em vídeo / colagem, o filme de 32 minutos alterna imagens da casa de Glasgow do Prodger e as escocesas e escarpadas Terras Altas da Escócia, e a passagem entre elas. É sobreposta com 10 narrativas faladas, misturando pensamentos pessoais e fragmentos de filosofia e reflexões sobre a arqueologia antiga. E como tudo é filmado em um telefone, pretende ser uma reflexão extensiva sobre a natureza mutável da percepção e como o corpo molda nossa compreensão do mundo. “A tradição de ‘permanentemente filmada’ de Michel Auder e Jonas Mekas é atualizada para a onipresença agora rotineiramente obtida via iPhone”, segundo a Frieze.


Luke Willis Thompson
Quem ele é?: Nascido em Auckland, na Nova Zelândia, em 1988 e agora vivendo em Londres, Thompson é conhecido por sua atuação na New Museum Triennial, em 2015.

Obra a conhecer: “Autoportrait” (2017)
Diamond Reynolds entrou nos olhos do público por uma razão trágica: ela transmitiu, via Facebook Live, o rescaldo da morte policial de seu parceiro Philando Castile, em Minnesota. Em 2016, Thompson entrou em contato com Reynolds e seu advogado e colaborou com ela em um filme, “Autoportrait”, filmado em preto e branco silencioso de 35mm inspirado no formato de Screen Tests de Andy Warhol. O retrato cinematográfico pretende oferecer uma contra-imagem ao momento horripilante que a expôs à atenção da mídia. Alex Quicho, escrevendo no ArtReview, argumentou que a apresentação meditativa, que o forçou a confrontar a imagem solitária e muda de Reynolds, foi “uma resposta silenciosa às demandas da mídia para realizar, articular e reencenar o trauma em troca de simpatia pública e crença.
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Artigo de Tanner West para o portal de artes www.artnet.com publicado em 26/04/18.

Bienal de SP assume riscos com profusão de mostras

Estruturada em torno de seleções de nomes históricos e contemporâneos encomendadas a sete artistas-curadores, a exposição talvez seja mesmo um arquipélago de afinidades, como quer o espanhol Gabriel Pérez-Barreiro, o homem no comando desta 33ª encarnação da mostra marcada para setembro. Nesse conjunto de recortes menores, cada ilha também opera como espelho narcísico ou distorcido de seu regente. São operações da chamada crítica institucional, um ataque ao sistema de museus e do mercado que orienta o mundinho da arte contemporânea. Matéria de Silas Martí publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo, em 24/04/18. +

Universos díspares podem entrar em colisão na próxima Bienal de São Paulo.

Estruturada em torno de seleções de nomes históricos e contemporâneos encomendadas a sete artistas-curadores, a exposição talvez seja mesmo um arquipélago de afinidades, como quer o espanhol Gabriel Pérez-Barreiro, o homem no comando desta 33ª encarnação da mostra marcada para setembro.

Nesse conjunto de recortes menores, cada ilha também opera como espelho narcísico ou distorcido de seu regente.

Há os copiadores e cínicos reunidos pelo uruguaio Alejandro Cesarco, entre eles Sturtevant, que passou a vida replicando obras de medalhões da história como Andy Warhol, Jasper Johns e Joseph Beuys, e Louise Lawler, que fotografa obras de famosos em galerias de museus e leilões.

São operações da chamada crítica institucional, um ataque ao sistema de museus e do mercado que orienta o mundinho da arte contemporânea.

Mas a seleção de Cesarco, ele mesmo também conhecido por operações de deslocamento e apropriação, como o roteiro do clássico “Alphaville”, de Jean-Luc Godard, que reproduziu em outdoors no bairro nova-iorquino do Queens, tem ainda um dos nomes mais afiados da nova geração desse gênero artístico que defende a autodestruição.

O americano Cameron Rowland vai além da bolha da arte ao atacar outro mercado atravessado por bastidores sinistros, trazendo para a galeria o mobiliário fabricado por detentos das prisões americanas em jornadas de trabalho forçado e até apólices de seguro cobrindo a morte de escravos que definharam nas antigas plantações do sul de seu país.

Numa ala mais lúdica, a argentina Claudia Fontes, que representou seu país na última Bienal de Veneza com a escultura de um enorme cavalo branco suspenso do teto como se flagrado no meio de um salto, escalou cineastas e escultores que também tentam fixar no espaço formas escorregadias e movediças.

Entre eles estão a islandesa Katrín Sigurdardóttir, que constrói maquetes distorcidas de espaços onde já viveu, trocando a memória arquitetônica pela afetiva, e a boliviana Elba Bairon, que revisita o repertório da estatuária europeia clássica, mas substitui o mármore pela pasta de papel, criando volumes liquefeitos.

Uma interpretação mais visceral da arquitetura, que extravasa os limites rígidos de plantas e pranchetas, orienta a seleção da americana Wura-Natasha Ogunji, que escalou só artistas mulheres para reagir com o corpo às formas de opressão, conforto e conflito que rondam as construções.

Nesse ponto, artistas como a francesa Mame-Diarra Niang, a americana Nicole Vlado e a libanesa Youmna Chlala parecem estar em sintonia com os idílios enganosos retratados pelos nomes de outro recorte.

Mamma Andersson, uma pintora sueca conhecida por plasmar em seus quadros interiores burgueses prontos a se rebelar contra habitantes incautos, construiu a mais soturna e sedutora das seleções.

Lá estão os vilarejos habitados por estranhas garotas vitorianas hermafroditas dos desenhos do americano Henry Darger, os prédios impenetráveis das pinturas de Dick Bengtsson e os filmes estonteantes, que fundem tinta e película, de Gunvor Nelson.

Mais famoso dos artistas brasileiros já confirmados na mostra, Waltercio Caldas faz de seu recorte um espelho de suas influências, com peças do escultor espanhol Jorge Oteiza, um artífice das formas geométricas vazadas, além do art déco de toada indigenista de Vicente do Rego Monteiro.

Sofia Borges, jovem fotógrafa agora em sua segunda Bienal de São Paulo, arregimenta um time de mulheres, entre elas a britânica Sarah Lucas, em torno de uma reflexão sobre a mitologia trágica.

É de encher os olhos, mas resta ver se essa profusão de mostras menores não corre o risco de se tornar indigesta.
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Matéria de Sílas Martí publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo, em 24/04/18.