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É inaugurada a primeira estátua de uma mulher na praça do Parlamento de Londres

A artista Gillian Wearing, ganhadora do prêmio Turner, criou um memorial para Millicent Fawcett, a defensora do sufrágio feminino. A estátua foi encomendada pelo prefeito de Londres e pela iniciativa 14-18 Now, que está marcando o 100º aniversário da Primeira Guerra Mundial através de arte contemporânea e performances. Matéria de Javier Pes, publicada originalemnte no site do Artnet (news.artnet.com), em 24/04/18. +

A primeira escultura de uma mulher por uma artista na Praça do Parlamento de Londres foi revelada ao público na terça-feira. O memorial da artista vencedora do Prêmio Turner, Gillian Wearing, à sufragista feminina Millicent Fawcett se junta a 11 estadistas - incluindo Winston Churchill, Lloyd George, Gandhi e Nelson Mandela - no espaço público simbólico oposto às Casas do Parlamento. Abraham Lincoln fica nas proximidades do lado oposto da rua.

Fawcett é mostrada segurando uma bandeira com as palavras: "Coragem chama a coragem em todos os lugares." A ativista usou a frase para descrever a morte da sufragista Emily Davison, que foi morta quando ela marchou para a rua no Epsom Derby em 1913 para aumentar a conscientização pela causa.
A estátua foi comissionada para marcar o centenário das mulheres que pela primeira vez recebe o direito de votar no Reino Unido. (Embora até mesmo essa lei não se aplicasse a todos: em 1918, as mulheres ainda precisavam ter mais de 30 anos e membros da classe média proprietária para se qualificarem.) Fotografias de outros ativistas do sufrágio feminino, incluindo alguns homens, são exibidas como um friso no pedestal do memorial.

A estátua foi encomendada pelo prefeito de Londres e pela iniciativa 14-18 Now, que está marcando o 100º aniversário da Primeira Guerra Mundial através de arte contemporânea e performances. A escultura é apoiada pelo fundo centenário nacional do governo do Reino Unido. A primeira-ministra Theresa May falou na inauguração.
Como sufragista, Fawcett acreditava em campanhas cumpridoras da lei pelos direitos das mulheres, ao contrário das sufragistas que tomaram ação direta nos anos anteriores à Primeira Guerra Mundial. As enérgicas eminentes Emmeline Pankhurst e suas filhas Christabel e Sylvia, assim como muitos de seus apoiadores, foram em greve de fome quando foram presos por atos como quebrar janelas e incêndio criminoso.

Mas as sufragistas também estão adquirindo uma nova estátua pública. Um monumento a Emmeline Pankhurst, da artista Hazel Reeves, será revelado em sua cidade natal, Manchester, no norte da Inglaterra, em dezembro. "É ótimo que haverá mais estátuas de mulheres este ano", diz Reeves. "Estamos com falta deles em geral."

Outra estátua de Emmeline Pankhurst está perto do Parlamento em Victoria Gardens desde 1930, com uma placa adicionada para reconhecer Christabel no final dos anos 50. Mas erigir uma estátua em Londres da filha socialista da Emmeline, a artista Sylvia Pankhurst, tem sido mais uma saga. Finalmente, deve ser revelado em Islington, norte de Londres, no final deste ano. Depois que uma oferta de financiamento do governo foi rejeitada, os defensores agora confiam no crowdfunding para financiar o projeto.

O desenhista da escultura, o falecido artista Ian Walters, originalmente esperava que o trabalho ficasse no College Green, em frente à Câmara dos Lordes e do outro lado da rua do memorial de sua mãe e irmã. Walters também criou a estátua de Nelson Mandela que fica na Praça do Parlamento - ao lado da nova chegada de Wearing, homenageando Fawcett.
Houve pedidos para que a primeira mulher a ocupar seu lugar como membro do Parlamento fosse mais bem honrada. Nascida nos EUA, Nancy Astor entrou na Câmara dos Comuns em 1919 como deputada conservadora, defendendo os direitos de mulheres e crianças. Ela manteve seu assento até 1945.

Controversamente, em janeiro, o Conselho de Westminster recusou uma proposta para instalar uma estátua de Margaret Thatcher, a primeira mulher a se tornar primeira-ministra do Reino Unido, na Parliament Square. O trabalho de Douglas Jennings teria ficado perto do memorial de Abraham Lincoln. Os custos teriam sido atingidos por doadores privados. Os conselheiros culparam a "saturação dos monumentos", dentro e ao redor da praça, e temiam que a escultura pudesse ser alvo de manifestantes, mesmo quando colocadas em um pedestal de mais de quatro metros de altura. Jennings diz à Artnet News que o comitê por trás da estátua de Thatcher “ainda tem esperança” de que ela será erguida em algum lugar em Londres, possivelmente não na praça.
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Matéria de Javier Pes, publicada originalemnte no site do Artnet (news.artnet.com), em 24/04/18.

Governo de Minas quer contratar Inhotim, sem licitação, para formar professores

Após fechar um acordo de transferência de obras de arte como forma de quitar dívidas, o governo de Minas Gerais iniciou processo de contratação do Instituto Inhotim por R$ 2,1 milhão, sem licitação, para formação de professores do estado. O procedimento, chamado "ratificação do ato de reconhecimento de inexibilidade de licitação", que foi publicado no Diário Oficial de Minas, é o primeiro passo para que o contrato com o museu seja assinado. Matéria de José Marques publicada originalmente no jornal "Folha de São Paulo", em 10/05/18. +

Duas semanas após fechar um acordo de transferência de obras de arte como forma de quitar dívidas, o governo de Minas Gerais iniciou processo de contratação do Instituto Inhotim por R$ 2,1 milhão, sem licitação, para formação de professores do estado.

O procedimento, chamado "ratificação do ato de reconhecimento de inexibilidade de licitação", foi publicado no Diário Oficial de Minas nesta quinta-feira (10). É o primeiro passo para que o contrato com o museu seja assinado.

Nele, cita artigo da lei de licitações que permite a dispensa de concorrência pública na prestação de serviços técnicos de "profissionais ou empresas de notória especialização".

O museu, segundo o governo, prestaria serviço de "formação de professores da rede estadual para promoção e utilização dos acervos artísticos, botânico e patrimonial do Instituto Inhotim como recursos pedagógicos, para a acessibilidade, a inclusão e a valorização da identidade cultural".

No último dia 27, o dono do museu, Bernardo de Mello Paz, fechou um acordo com o governo que transferia a propriedade de 20 obras de seu acervo, inclusive quarto de Adriana Varejão, como "Celacanto Provoca Maremoto", painel que imita azulejos portugueses, e a escultura de azulejo “Linda do Rosário”.

Elas foram oferecidas por Paz como forma de quitar dívidas de ICMS das suas empresas de mineração que se arrastam por mais de 25 anos. O débito foi calculado em R$ 471,6 milhões e era considerado de difícil recuperação pelo estado.

O empresário, porém, aderiu ao Plano de Regularização de Créditos Tributários, lei estadual aprovada ano passado que dá desconto aos devedores e permite o pagamento com obras de arte. Com a redução, a dívida total de dez empresas de Paz, que integram o Grupo Itaminas de mineração, cai para R$ 111,8 milhões.

O valor das obras do museu a céu aberto, que é referência internacional, ainda não foi estabelecido.

O objetivo do acerto não é o valor financeiro das obras, mas assegurar que o museu a céu aberto, considerado referência internacional, continue funcionando em Minas por muito tempo.

Procurado, o governo de Minas Gerais diz que não há suspeições sobre a contratação de Inhotim para formar professores. "O contrato, que ainda não foi celebrado, não possui nenhum outro objetivo além da realização da formação", diz a Secretaria de Educação do estado em nota.

"[A contratação do] Instituto Inhotim dá continuidade a uma parceria firmada em 2015 e 2016, com o objetivo de promover a capacitação de educadores da rede estadual de Minas Gerais para promoção e utilização dos acervos artísticos, botânico e patrimonial do Instituto, recursos pedagógicos que possibilitam a valorização da identidade cultural, a inclusão e o acesso aos bens culturais", afirma a secretaria.

"Além das capacitações de 1.000 professores e a realização de mais de 9 mil visitas ao Instituto, o contrato prevê a distribuição para as escolas estaduais de 2 mil publicações de conteúdo educativo transversal, com os acervos de arte, botânica e patrimônio da instituição", acrescenta.

Segundo o órgão, outros 1.000 professores foram formados em 2016. "Durante o curso, os professores trocaram experiências, conheceram melhor a estrutura e normas de funcionamento do museu e debateram as variadas abordagens pedagógicas possíveis de serem realizadas por meio dos acervos. Os docentes exploram o espaço do Instituto Inhotim buscando desenvolver, cada um a partir das suas próprias particularidades, o desenho de circuitos de visitação específicos para as suas turmas de estudantes", afirma a nota.

"Desta forma, os professores tornam-se mediadores do contato dos jovens com os acervos artísticos e ecológicos de Inhotim. A intenção é capacitar os educadores para que as visitações não se concretizem simplesmente como experiências intuitivas, mas sejam vivenciadas pelos estudantes dentro de uma proposta pedagógica. E também que os acervos sejam trabalhados em sala de aula, a partir das publicações que são disponibilizadas."
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Matéria de José Marques publicada originalmente no jornal "Folha de São Paulo", em 10/05/18.

Interview Magazine, fundada por Andy Warhol, fecha após 50 Anos

A revista de vanguarda da cultura pop, desde 1969, e conhecida por suas entrevistas espontâneas com artistas e titãs da cultura pop, foi fechada. O encerramento ocorre após anos de alegadas dificuldades financeiras e uma série recente de ações judiciais contra a empresa. Matéria de Sarah Cascone publicada originalmente no site do Artnet (artnet.com), em 21/05/18. +

A venerável revista Interview, fundada por Andy Warhol em 1969 e conhecida por suas entrevistas espontâneas com artistas e titãs da cultura pop, foi fechada. O encerramento ocorre após anos de alegadas dificuldades financeiras e uma série recente de ações judiciais contra a empresa.

A notícia do fim da publicação foi relatada pela primeira vez por membros da equipe no Twitter.
Este foi um ano tumultuado para a Interview, que foi temporariamente desalocada de seus escritórios do Soho em fevereiro, por não pagar aluguel. Naquele mesmo mês, a ex-COO Deborah Blasucci, que trabalhou para a empresa por 30 anos, entrou com uma ação multimilionária contra o proprietário Peter Brant, alegando a demissão sem justa causa.

O diretor editorial de longa data, Fabien Baron, renunciou em abril e processou sua ex-empresa no início deste mês, alegando que a ele e sua esposa, a estilista Ludivine Poiblanc, são devidos a mais de US $ 600 mil em faturas não pagas. O diretor de criação Karl Templer, que foi acusado de assédio sexual em uma exposição sobre a indústria da moda no Boston Globe, também deixou a revista em abril. (Ele negou as acusações contra ele.)

Vários estabelecimentos informaram que a revista está entrando no Capítulo 7 da Falência. Os registros judiciais não estavam disponíveis no momento da publicação, mas a Interview Inc. forneceu a seguinte declaração:

Hoje, a Interview, Inc. (a "Empresa"), que possui e publica a Interview Magazine, e suas duas propriedades, buscou proteção sob o Capítulo 7 do Código de Falências dos Estados Unidos. A Companhia vem operando com prejuízo financeiro e vinha financiando suas perdas e custos de sua operação, por meio de empréstimos obtidos de seu credor garantido. As perdas, no entanto, continuaram aumentando, e a Companhia não acreditou que sua condição financeira melhoraria no futuro previsível.

A Companhia estará liquidando sob as disposições do Código de Falências dos Estados Unidos. Todos os ativos da Companhia serão liquidados e distribuídos a seus credores de acordo com a lei. ”

Interview é conhecida por oferecer conversas íntimas com atores famosos, artistas, músicos, modelos de moda e outras estrelas, bem como fotografias elegantes. Durante os dias de Warhol, a revista tinha uma identidade visual distinta, com capas ilustradas de celebridades do artista Richard Bernstein. Às vezes, era descrito como "A Bola de Cristal do Pop". Warhol, que conduzia o perguntas e respostas para a revista, disse uma vez que, quando estava bêbado, "digo a todos que podem estar na capa da entrevista".

Dois anos após a morte de Warhol em 1987, a Interview foi adquirida por Brant, um magnata imobiliário e jornalístico também conhecido por sua extensa coleção Warhol. (Brant decorou o escritório da publicação com quatro Maosilkscreens pelo artista.)

A empresa de Brant, Brant Publications, também é dona da Art in America e da Magazine Antiques, que comprou em 1984 com sua primeira esposa, Sandra Brant. (Divulgação completa: este repórter trabalhou para a Brant Publications, principalmente como assistente editorial da Art in America, de 2010 a 2014, e escreveu dois artigos on-line para a Interview, pelos quais ela nunca foi paga).

A revista fez ping-pong várias vezes com sua administração nas últimas duas décadas. Quando Brant se divorciou de Sandra em 1995, ela assumiu as três revistas com sua namorada, a ex-editora chefe da Entrevista, Ingrid Sischy. Em 2008, Brant comprou a participação de 50% da Sandra na empresa e relançou a Interview com o editor-chefe fundador, Glenn O'Brien, retornando ao comando. Baron assumiu o ano seguinte.

Em 2015, Brant vendeu suas publicações que não eram da Interview - uma quarta, a Modern, fundada em 2009 - para a Artnews S.A., editora da ARTnews, por uma participação majoritária naquela empresa. No ano seguinte, a BMP Media Holdings da Brant comprou a Artnews S.A., que pediu falência. Todas as quatro publicações artísticas retomaram o compartilhamento de um escritório com a equipe da Interview, mas tornaram-se parte de um grupo editorial independente, a Art Media Holdings LLC.

No momento da publicação, Peter Brant não respondeu à solicitação da Artnet News para comentários. A locação no escritório de publicações está pronta para ser renovada em novembro, e as revistas de arte devem continuar operando nas instalações até então.
Os escritórios da revista estão fechados a partir de hoje, e não está claro se algum problema adicional será publicado. Chamadas telefônicas feitas a um número listado no site da Interview não foram atendidas; a linha parece ter sido desconectada.
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Matéria de Sarah Cascone publicada originalmente no site do Artnet (artnet.com), em 21/05/18.

Exposição com 338 obras faz ótimo apanhado do Brasil não cordial

Raramente se vê em um museu brasileiro uma pesquisa tão densa e impactante como a realizada para a exposição "Conflitos: Fotografia e Violência Política no Brasil 1889-1964", em cartaz no Instituto Moreira Salles, em São Paulo. Texto de Fabio Cypriano editado no jornal "Folha de S. paulo" em 22/05/18. +


Raramente se vê em um museu brasileiro uma pesquisa tão densa e impactante como a realizada para a exposição "Conflitos: Fotografia e Violência Política no Brasil 1889-1964", em cartaz no Instituto Moreira Salles, em São Paulo.
Em 338 obras, a mostra com curadoria de Heloisa Espada traça um panorama visual de 75 anos "do protagonismo das elites sociais no uso da violência como forma de resolução de conflitos", escreve no catálogo da mostra Angela Alonso, presidente do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e colunista da Folha.
Aliás, outro grande mérito da mostra é o catálogo, com textos didáticos e aprofundados sobre cada um dos conflitos, resultando em ótimo manual da história do Brasil não cordial, derrubando de vez o mito da cordialidade nacional.
"Conflitos" tem três partes: A República da Degola (1889-1916); A República dos Bombardeios (1923-35); As Ruas da República (1954-64).
Não se trata, contudo, de exposição entediante por seu caráter um tanto enciclopédico, já que além da perspectiva histórica trata da transformação da linguagem fotográfica de maneira física.
Nela, é possível conhecer desde aparatos complexos como as "projeções photo-elétricas", ou lanternas mágicas, usadas por Flávio de Barros para exibir de forma sensacionalista imagens da Guerra de Canudos (1896-1897), até álbuns com cabeças degoladas na Revolução de 1932.
Em todo conflito, como atesta a mostra, a narrativa é estratégia essencial para a conquista de adeptos, e fotografias foram sistematicamente utilizadas para glorificar o vencedor, como se percebe já na primeira imagem que abre a exposição.
Nela, um grupo de militares tem no centro o cabo e carrasco Sebastião Juvencio, que olha diretamente para a câmera enquanto segura a cabeça de um rebelde, prestes a ser degolado no Paraná, em 1894. A barbárie, aqui, é vista sem vergonha.
Constata-se ainda como narrativas oficiais passam a ser questionadas pelos fotojornalistas, com imagens nem sempre favoráveis ao poder.
Ao mesmo tempo, esses fotógrafos e empresas de comunicação também são postos em xeque, a exemplo da imagem de carros do jornal O Globo tombados pela população, em 1954, após o suicídio do presidente Getúlio Vargas.
Apesar de terminar no golpe civil-militar de 1964, a mostra revela muito sobre o Brasil atual, e aí está outro de seus méritos: tratar do passado para melhor entender o presente tão polarizado do país.
A conclusão não pode ser outra além da constatação de que conflito sempre existiu, a violência é parte do cotidiano, e o país está longe de qualquer pacificação.
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Texto de Fabio Cypriano editado no jornal "Folha de S. Paulo" em 22/05/18.
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CONFLITOS: FOTOGRAFIA E VIOLÊNCIA POLÍTICA NO BRASIL 1889-1964
Quando até 29/7, de ter. a dom., das 10h às 20h, qui. até 22h.
Onde IMS (Instituto Moreira Sales), av. Paulista, 2.424, tel. (011) 2842.9120


Construtivismo de Sergio Camargo, enfim, seduz o mercado americano

Mostra apresenta peças de mármore e madeira criadas ao longo de três décadas, do auge do construtivismo no Brasil, nos anos 1960, até a sua morte, em 1990. Texto de Silas Martí editado no jornal "Folha de S. Paulo" em 22/05/18. +


Lembra um laboratório ou mesa cirúrgica. Suas esculturas brancas e pretas alinhadas debaixo dos holofotes ao longo de uma base retangular são pequenos ensaios para monumentos —objetos delicados com ambições de grandeza que traem a nudez de suas formas geométricas.
Todo o repertório de traços e gestos de Sergio Camargo na primeira mostra do escultor brasileiro nos EUA parece estar mais exposto do que nunca, como se pronto para a dissecação.
Lá estão peças de mármore e madeira criadas ao longo de três décadas, do auge do construtivismo no Brasil, nos anos 1960, até a sua morte, em 1990.
É estranho pensar que um país com apego tão forte ao minimalismo tenha levado tanto tempo para voltar os olhos a um artista como Camargo, que, embora já despertasse a atenção de colecionadores nos leilões, só agora tem uma exposição de fôlego em Nova York.
Na cidade que viu surgir alguns dos maiores heróis dessa corrente estética, fica mais nítido como só por seus aspectos formais as obras de Camargo teriam trânsito fácil entre a crítica e o mercado aqui.
E o interesse dos nova-iorquinos que abarrotaram duas salas da galeria Sean Kelly para ver esses trabalhos não deixa dúvida sobre essas afinidades.
O espetáculo na obra de Camargo, como em muitos dos minimalistas americanos, está no contraste entre o brilho e a opacidade, que destaca a volumetria calculada, maquinal e modular de suas esculturas.
Lado a lado, relevos idênticos em mármore negro e branco, peças em que uma fina haste na diagonal liga duas placas formando um ângulo reto, ilustram esse ponto.
Enquanto o branco absorve a luz, o negro se torna uma espécie de espelho, refletindo os holofotes. Mas são abstrações, como salas, palcos ou monumentos de pedra que parecem forjados sem esforço do ar e da carga etérea da luz.
Sem pedestais e com plataformas, a montagem da mostra reforça esse aspecto, transformando as peças em quase joias, embora às vezes desvalorize trabalhos menores.
No ponto em que se distancia de um minimalismo mais cerebral, também estão ali alguns relevos de parede, as peças de madeira em que parece plantar uma floresta de toquinhos sobre a superfície da tela. O caos orgânico diante da ordem mais pura e artificial das máquinas e da geometria.
A beleza das obras não se tornou menos assombrosa com o tempo; o risco, aqui, é transformar seu pensamento em mera decoração, como se, para compensar o atraso de sua chegada ao mercado americano, entregassem uma overdose fetichista sem o rigor que ele admirava.
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Texto de Silas Martí editado no jornal "Folha de S. Paulo" em 22/05/18.

Disposições sobre relações entre museus e associações de amigos de museus

A Instrução Normativa nº 1, de 17/5/2018 da Legislação Federal dispõe sobre as relações entre os museus e as associações de amigos de museus, no âmbito do Poder Executivo Federal. Foi assinada pelo presidente do IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus), Marcelo Mattos Araújo. +

O PRESIDENTE DO INSTITUTO BRASILEIRO DE MUSEUS - Ibram, no uso da atribuição constante no inciso IV do art. 20 do Anexo I ao Decreto nº 6.845, de 7 de maio de 2009, c/c o art. 58 do Regimento Interno do Ibram, e o § 1º do art. 31 do Decreto nº 8.124, de 17 de outubro de 2013, considerando a deliberação da 28º Reunião da Diretoria Colegiada, realizada em 22 de março de 2018, resolve:

CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º Esta Instrução Normativa estabelece critérios, requisitos e os procedimentos que orientam as relações entre os museus e as associações de amigos de museus, no âmbito do Poder Executivo Federal, na forma prevista nos arts. 48 a 54 da Lei nº 11.904, de 14 de janeiro de 2009, e nos arts. 30 e 31 do Decreto nº 8.124, de 17 de outubro de 2013.

Art. 2º Para os fins desta Instrução Normativa, consideram-se:

I - museu: instituição sem fins lucrativos, de natureza cultural, que conserva, investiga, comunica, interpreta e expõe, para fins de preservação, estudo, pesquisa, educação, contemplação e turismo, conjuntos e coleções de valor histórico, artístico, científico, técnico ou de outra natureza cultural, abertos ao público, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento;

II - museus do Poder Executivo Federal: todas as instituições museológicas vinculadas ao Poder Executivo Federal, situadas no território nacional;

III - museus administrados pelo Instituto Brasileiro de Museus - Ibram: todas as instituições museológicas vinculadas ao Poder Executivo Federal integrantes, sucedidas ou administradas pelo Ibram, nos termos dos arts. 7º e 8º da Lei nº 11.906, de 20 de janeiro de 2009; e

IV - associação de amigos de museus: as sociedades civis, sem fins lucrativos, constituídas na forma da lei civil, que preencham os requisitos previstos no art. 50 da Lei 11.904, de 2009.

CAPÍTULO II
DAS RELAÇÕES ENTRE OS MUSEUS DO PODER EXECUTIVO FEDERAL E AS ASSOCIAÇÕES DE AMIGOS DE MUSEUS

Art. 3º As associações de amigos de museus do Poder Executivo Federal ficam condicionadas ao prévio reconhecimento dessa condição, por ato administrativo do respectivo museu, ou, conforme o caso, da instituição à qual o museu esteja vinculado, nos termos do art. 50 da Lei 11.904, de 2009, e do artigo 31 do Decreto 8.124, de 2013.

§ 1º Os museus estabelecerão os procedimentos que deverão ser adotados e a documentação necessária para o reconhecimento previsto no caput.

§ 2º O ato de reconhecimento levado a efeito pelo museu ou, conforme o caso, pela instituição à qual o museu esteja vinculado, terá validade a contar da data da publicação da decisão no Diário Oficial da União - DOU.

Art. 4º São requisitos para obter o reconhecimento como associação de amigos de museus do Poder Executivo Federal, dentre outras condições que possam ser exigidas pelos respectivos museus:

I - ostentar a qualidade de sociedade civil, sem fins lucrativos, constituída na forma da lei civil;

II - constar em seu instrumento de criação ou de constituição, como finalidade exclusiva, o apoio, a manutenção e o incentivo às atividades dos museus a que se refiram, especialmente aquelas destinadas ao público em geral;

III - não haver restrição à adesão de novos membros, pessoas físicas ou jurídicas;

IV - não remunerar os componentes da diretoria; e

V - constar em seu instrumento de criação ou de constituição que, no caso de dissolução da associação, o seu patrimônio líquido será destinado a entidade congênere, de fins idênticos ou semelhantes, ou, em não havendo entidade congênere, ao museu ao qual se vincula.

Art. 5º Para cumprimento do disposto no art. 53 da Lei nº 11.904, de 2009, e dos arts. 30 e 31 do Decreto nº 8.124, de 2013, o museu ou, conforme o caso, a instituição à qual o museu esteja vinculado poderá solicitar às associações de amigos de museus quaisquer documentos ou informações.

Art. 6º Para a manutenção do reconhecimento, as associações de amigos de museus deverão:

I - manter a sua documentação atualizada; e

II - apresentar os seus balanços, acompanhados do relatório de atividades, conforme determinação do museu ou, conforme o caso, da instituição à qual o museu esteja vinculado, no prazo de 120 (cento e vinte) dias, contado do encerramento do exercício.

Art. 7º O museu ou, conforme o caso, a instituição à qual o museu esteja vinculado, por seus órgãos próprios e independentemente de notificação ou aviso, poderá verificar a atuação, a regularidade e o cumprimento dos objetivos sociais ou estatutários por parte das associações de amigos de museus.

Art. 8º O reconhecimento da associação de amigos de museus será revogado, garantido o exercício da ampla defesa e do contraditório, nas seguintes hipóteses:

I - inobservância ao disposto no art. 5º desta Instrução Normativa;

II - descumprimento de compromissos ou projetos assumidos;

III - prática de infração à legislação ou à execução de ações consideradas prejudiciais aos interesses e à imagem dos museus; e

IV - por interesse do museu ou da própria associação de amigos, a qualquer tempo, desde que haja notificação escrita do interessado na revogação com antecedência mínima de 90 (noventa) dias, sem prejuízo da continuidade dos projetos em andamento.

Art. 9º Para o cumprimento do disposto no art. 54 da Lei nº 11.904, de 2009, as associações de amigos de museus deverão:

I - tornar públicos seus balanços periodicamente;

II - permitir quaisquer verificações determinadas pelos órgãos de controle competentes, prestando os esclarecimentos que lhes forem solicitados;

III - permitir acesso irrestrito a registros, informações, sistemas, pessoas e propriedades físicas relevantes à execução de auditorias, resguardado eventual sigilo; e

IV - encaminhar ao respectivo museu ao qual estiverem vinculados, até o mês de maio de cada ano, relatório a respeito da arrecadação e aplicação de seus recursos financeiros, relativos ao exercício anterior.

Art. 10. É vedada às associações de amigos de museus a realização de ações e projetos de duração indeterminada.

Art. 11. Os museus do Poder Executivo Federal que não estejam vinculados ao Ibram podem, se assim o desejarem, adotar os procedimentos e a ficha cadastral utilizados pelos museus administrados pelo Ibram.

CAPÍTULO III
DAS ASSOCIAÇÕES DE AMIGOS DOS MUSEUS ADMINISTRADOS PELO IBRAM

Art. 12. Cabe à direção do museu reconhecer por ato administrativo sua respectiva associação de amigos como legítima e pronta para produzir os efeitos decorrentes das ações previstas em seu Estatuto Social, instruindo o processo com nota técnica devidamente fundamentada.

Parágrafo único. O ato de reconhecimento da associação de amigos deverá ser publicado no DOU.

Art. 13. As associações de amigos de museus administrados pelo Ibram deverão preencher a ficha cadastral prevista no Anexo I a esta Instrução Normativa e enviá-la ao respectivo museu, juntamente com a seguinte documentação:

I - carta de apresentação da associação de amigos;

II - cópia autenticada do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica - CNPJ; e

III - cópia autenticada do ato constitutivo, estatuto ou contrato social em vigor.

Art. 14. As associações de amigos de museus administrados pelo Ibram deverão encaminhar ao respectivo museu, até o mês de novembro de cada ano, um Plano de Trabalho anual relativo ao ano subsequente.

Parágrafo único. O Plano de Trabalho deverá conter os planos, projetos e ações a serem realizados no decorrer do ano, em consonância com os Planos Museológicos dos respectivos museus.

Art. 15. Cabe à direção do museu:

I - aprovar o Plano de Trabalho anual e suas alterações, com base em nota técnica devidamente fundamentada;

II - apreciar e aprovar previamente, todos e quaisquer investimentos, benfeitorias e obras previstas no Plano de Trabalho anual, a serem realizados nas dependências do museu, devendo o processo estar instruído com nota técnica devidamente fundamentada; e

III - acompanhar, monitorar e avaliar a execução dos planos, projetos e ações de qualquer natureza, constantes do Plano de Trabalho anual das associações de museus.

Parágrafo único. O Plano de Trabalho e suas alterações deverão ser encaminhados pela direção do museu à Presidência do Ibram, para conhecimento, no prazo máximo de 30 (trinta) dias contado da sua aprovação.

Art. 16. A prática dos atos de gestão pela direção dos museus mencionados nos arts. 12 e 15 desta Instrução Normativa não elide o cumprimento das prescrições legais e normativas respectivas.

Art. 17. A Presidência do Ibram poderá solicitar informações e documentos visando a supervisão das atividades e procedimentos estabelecidos nesta Instrução Normativa.

Art. 18. . Fica vedado às associações de amigos de museus administrados pelo Ibram o desenvolvimento ou a participação em quaisquer atividades administrativas de competência dos respectivos museus.

Art. 19. Os museus administrados pelo Ibram poderão ceder espaço físico para uso das respectivas associações de amigos de museus, por prazo determinado, a título precário e mediante autorização específica, para projetos, atividades e ações previstas em seu Plano de Trabalho anual que tenham por objetivo a contribuição para o desempenho das funções e finalidades dos museus.

Art. 20. Fica vedada qualquer cessão, permissão ou autorização de uso:

I - de espaço físico dos museus administrados pelo Ibram para a utilização como sede, domicílio ou instalações administrativas de associações de amigos de museus; e

II - de espaço físico dos museus administrados pelo Ibram para o exercício de atividades de comércio pelas associações de amigos de museus sem que haja o devido procedimento licitatório, na forma da legislação vigente.

CAPÍTULO IV
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 21. As associações de amigos de museus administrados pelo Ibram, bem como todos os demais museus do Poder Executivo Federal, deverão adequar-se às disposições desta Instrução Normativa, no prazo máximo de 120 (cento e vinte) dias contado de sua publicação.

Art. 22. Fica revogada a Instrução Normativa nº 1, de 27 de outubro de 2011.

Art. 23. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.

Marcelo Mattos Araujo

ANEXO I

FICHA CADASTRAL

A _______________________________________________, com sede em ________________________________________________, inscrita no CNPJ sob o número ___________________________, neste ato representado (a) por ________________________________________________________, CPF n° _______________________, RG n°_________________________, nacionalidade _________________________, vem requerer ao (MUSEU) o seu reconhecimento como associação de amigos de museus. Para tanto, declara estar de acordo com os princípios, finalidades, organização e modos de funcionamento do (MUSEU), como também com as condições estabelecidas na Instrução Normativa nº xx, de xx de xxxxx de 2018, e mediante a apresentação dos seguintes documentos:

1.Carta de apresentação;

2.Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica - CNPJ

3.Cópia autenticada do Ato Constitutivo, Estatuto ou Contrato Social em vigor. Cópia autenticada do Cadastro de Pessoa Física e Carteira de Identidade do titular da instituição.

REPRESENTANTE DA INSTITUIÇÃO

Nome: ___________________________________________

CPF:_____________________RG:_____________________

Endereço:__________________________________________

Telefone: (___) _______________ (___) _______________

E-mail: ____________________________________

_____________________________

Local e data:

__________________________________________

Titular da Associação

Fonte: Diário Oficial da União - Seção 1, Ano CLV, nº 96, de 21 de maio de 2018, p.30

Este texto não substitui o publicado no DOU

Caixa Cultural Rio vai fechar as portas

O Governo Federal vai fechar o espaço que inclui dois cinemas, três galerias, um teatro e uma livraria, na região central do Rio de Janeiro. A programação já agendada para este ano deve ser levada ao outro espaço da Caixa, na Avenida Chile. Matéria de Maria Fortuna publicada originalmente no site do jornal “O Globo”, em 18/04/18. +

O Governo Federal vai fechar a Caixa Cultural Rio, espaço que inclui dois cinemas, três galerias, um teatro e uma livraria, no Centro. Os funcionários ficaram sabendo da notícia em uma reunião que aconteceu na terça-feira (17).

Por causa do alto valor do aluguel do prédio que ocupa na Avenida Almirante Barroso, a Caixa Econômica Federal terá toda a sua parte administrativa transferida para um imóvel na Rua do Passeio (o que deve acontecer até o dia 31 de agosto), e o novo espaço não tem estrutura para abrigar o centro cultural da instituição.

A programação já agendada para este ano deve ser levada para o Teatro Nelson Rodrigues, na Avenida Chile, Centro, que também pertence à Caixa. A instituição tem unidades culturais espalhadas por Brasília, Curitiba, Salvador, Fortaleza, São Paulo e Recife.

Procurada pelo blog, a Caixa Cultural Rio não retornou até o momento.
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Matéria de Maria Fortuna publicada originalmente no site do jornal “O Globo”, em 18/04/18.

Artista faz obra protesto e distribuiu a deputados contra Lei dos Agrotóxicos

Siron Franco resolveu distribuir para deputados, senadores e ministros 700 pratos de papelão com o tradicional símbolo de produto venenoso, em protesto contra a proposta em tramitação na Câmara que flexibiliza o projeto em análise sobre o assunto. Alei altera as regras de produção, comercialização e distribuição de agrotóxicos e tem causado polêmica no Congresso Nacional. Matéria de Gerson Camarotti, publicada originalmente no site do G1 (g1.com), em 20/05/18. +

O artista plástico Siron Franco resolveu distribuir para deputados, senadores e ministros 700 pratos de papelão com o tradicional símbolo de produto venenoso, em protesto contra a proposta em tramitação na Câmara que flexibiliza a Lei dos Agrotóxicos.

O projeto em análise na comissão especial sobre o assunto altera as regras de produção, comercialização e distribuição de agrotóxicos e tem causado polêmica no Congresso Nacional. Depois da votação do texto ter sido adiada quatro vezes, foi marcada uma nova sessão da comissão para 29 de maio.
“Quem faz isso não pensa no filho. E não pensa nem mesmo na própria saúde, pois corre o risco de comer alimentos com veneno”, disse Siron, que resolveu usar pratos de papelão na sua nova obra de protesto por ser material reciclável.

O parecer do relator Luiz Nishimori (PR-PR) flexibiliza a Lei dos Agrotóxicos e limita a atuação de órgãos de controle na autorização de produtos utilizados como pesticidas. Nishimori também propõe retirar a denominação "agrotóxico" e substituir por "produto fitossanitário".

O texto do relator propõe ainda que o Ministério da Agricultura seja o único órgão responsável por autorizar a produção e venda dos agrotóxicos. Há forte reação de ambientalistas ao texto.
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Matéria de Gerson Camarotti, publicada originalmente no site do G1 (g1.com), em 20/05/18.

Exposições ameaçadas

O Masp iniciou, na quinta, 17, uma parceria com a Tate Modern, de Londres, em que recebe seis obras do museu britânico para a exposição Acervo em Transformação. A mostra, porém, foi parar na Justiça, já que, na chegada das obras ao Aeroporto Internacional de Campinas, o museu foi notificado de uma cobrança maior na tarifa de admissão temporária. Por meio de um mandado de segurança, o museu reverteu a cobrança. Artigo de Pedro Rocha para o jornal "O Estado de S. paulo" editado em 18/05/18. +

O Masp iniciou, na quinta, 17, uma parceria com a Tate Modern, de Londres, em que recebe seis obras do museu britânico para a exposição Acervo em Transformação. A mostra, porém, foi parar na Justiça, já que, na chegada das obras ao Aeroporto Internacional de Campinas, o museu foi notificado de uma cobrança maior na tarifa de admissão temporária. Por meio de um mandado de segurança, o museu reverteu a cobrança.
“Foi uma grande surpresa, não esperávamos que acontecesse com o Masp”, diz, ao Estado, o presidente do museu, Heitor Martins. A mudança na cobrança não se deu por novas leis, mas por uma reinterpretação da lei vigente. Nos contratos de concessão dos aeroportos, baseados na Portaria n.° 219/GC5, de 27 de março de 2001, da Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, são definidas as taxas para “cargas que entrarem no País sob o regime de Admissão Temporária destinadas, comprovadamente, aos certames e outros eventos de natureza científica, esportiva, filantrópica ou cívico-cultural”. Nesses casos, a tarifa, no aeroporto de Viracopos, baseada na Tabela 9 do Anexo 4, estabelece a cobrança por peso, de R$ 0,15 por quilo.
Ao chegarem a Viracopos, as obras da Tate, no entanto, foram cobradas por outra tabela, a 11, para “Carga Importada de Alto Valor Específico”. Por esta tabela, para desembarcar e armazenar as obras por um prazo de três dias, Viracopos cobraria cerca de R$ 243 mil, com base no valor das pinturas, que, somadas, são avaliadas em aproximadamente R$ 160 milhões. Se ficassem mais um dia, a tarifa chegaria a R$ 972 mil. Pela tabela 9, que foi aplicada após a decisão judicial, considerando apenas o peso, o Masp pagou R$ 130.
Em nota, a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, que administra o aeroporto de Campinas, condenou a decisão, por considerar que o termo “cívico-cultural” não caberia à exposição. “Tais eventos, como exposições de obras de artes, por exemplo, não podem ser qualificados como ‘cívico-cultural’, tendo em vista que possuem fins lucrativos e há a cobrança para que a população visite o espaço.”
O museu discorda, já que o Masp não tem fins lucrativos. Para Martins, a decisão do aeroporto é preocupante. “O Masp é uma das principais portas de entrada para obras internacionais do País. Para os próximos cinco anos, temos planejadas exposições muito importantes. A atitude do aeroporto coloca incerteza no processo e pode inviabilizar grande parte dessas exposições. Os prejudicados serão o público e a cultura brasileira.”
Em abril, a SP-Arte, feira de galerias nacionais e internacionais, também entrou na Justiça para garantir a cobrança pela tabela 9, agora no Aeroporto de Guarulhos. “A cobrança só é conhecida quando a carga chega – algumas galerias acabaram pagando pela outra tabela porque foi em cima da hora”, afirma Fernanda Feitosa, diretora da SP-Arte. No caso do Masp, Viracopos alegou que o termo “cívico” seria afetado pela cobrança de ingresso. Mas, mesmo para a SP-Arte, que tem fins comerciais, Feitosa acredita que não cabe tal interpretação. “Não cabe ao aeroporto legislar sobre matéria que não é pertinente a ele. O Ministério da Cultura é o único órgão do País que pode definir o que é ou não cultural.” Outra exposição afetada foi 100 Anos de Arte Belga , na Fiesp, em março, quando obras chegaram da Suíça pelo aeroporto do Galeão, no Rio. “Também argumentaram sobre o cívico-cultural. Essa norma tem que ser mais precisa”, diz Patrícia Galvão, produtora responsável pela mostra. Com o Galeão, a situação foi resolvida na conversa e a taxa aplicada pela tabela 9.
Apesar de concentrar mais ocorrências, o setor de artes visuais não foi o único afetado. Orquestras também tiveram instrumentos musicais tarifados, pelo menos inicialmente, fora da tabela 9. A Sociedade de Cultura Artística sofre com problemas desde 2017 – todos também resolvidos na base do diálogo. Para se precaver, a instituição tem procurado os aeroportos antes da chegada dos músicos ao Brasil. “Quanto mais importante a orquestra, maior o valor dos instrumentos”, preocupa-se Frederico Lohmann, superintendente da Cultura Artística. “A cobrança de taxas fora da tabela 9 inviabiliza apresentarmos concertos, porque os valores seriam muito altos. Ficaria mais caro que o cachê.”
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Artigo de Pedro Rocha para o jornal "O Estado de S. paulo" editado em 18/05/18

Brasileira Monica Nador é uma das vencedoras do Prêmio Montblanc

Projeto JAMAC - Jardim Miriam Arte Clube receberá 15 mil euros. Jochen Volz (diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo) está no júri de premiação. Artigo editado no site da revista "Dasartes". +

A Fundação Cultural Montblanc revelou os 17 beneficiários de seu 2018 Arts Patronage Award em 26/4/18 em Munique, na Alemanha. Jürgen Wesseler, representado por seu filho, recebeu o prêmio para a Alemanha. O mundialmente famoso Prêmio de Patrocínio de Artes da Montblanc reconhece patronos excepcionais das artes em 17 países em todo o mundo, apoiando suas respectivas atividades filantrópicas.
Os premiados foram selecionados pelo Curatorium da Fundação, formado por Anne Barlow (diretora da Tate St. Ives), Sunjung Kim (diretor da Gwangju Biennale), Jean de Loisy (presidente do Palais de Tokyo) e Franklin Sirmans (diretor do Perez Art Museum). Jochen Volz (diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo) e os presidentes da Fundação, Sam Bardaouil e Till Fellrath.
Os vencedores foram nomeados por 50 figuras culturais internacionalmente estabelecidas em todo o mundo. Como parte do prêmio, cada um deles recebe uma doação de 15.000 euros da Montblanc Cultural Foundation para suas organizações e projetos sem fins lucrativos.
Ao comentar sobre os prêmios deste ano, os presidentes da Fundação Cultural Montblanc Sam Bardaouil e Till Fellrath disseram: “O Prêmio de Patrocínio das Artes é a maneira da Fundação reconhecer o papel essencial que os patrocinadores desempenham na promoção de vários aspectos do mundo das artes. Ao reconhecer publicamente as conquistas notáveis ​​dos beneficiários deste ano, esperamos ampliar o apoio para cada um de seus projetos únicos.”
“Através de seu generoso apoio, esses clientes modernos continuam a causar um impacto mensurável tanto nas comunidades artísticas quanto na sociedade, enriquecendo mentes e inspirando audiências com novas perspectivas criativas”, explica Vincent Montalescot, membro da diretoria da Montblanc Cultural Foundation. “O apoio contínuo que indivíduos comprometidos e apaixonados como esses prestam às artes é incrivelmente importante e essencial para nutrir cenas de artes prósperas tanto localmente quanto internacionalmente.”

Os ganhadores do prêmio Montblanc Arts Patronage de 2018 são:

Monica Nador (Brasil): fundadora do JAMAC – Jardim Miriam Arte Clube em 2003, um estúdio aberto sem fins lucrativos e centro de arte na periferia sul de São Paulo dedicado à comunidade local como resposta à falta de espaços dedicados à arte na área .

Juan Yarur (Chile): presidente da FAMA (Fundação AMA), que desde 2002 oferece a artistas e historiadores da arte oportunidades de intercâmbio no exterior por meio de colaborações com instituições internacionais.

Shum Chiu Hung (China): fundador do Museu do Tempo em Guangzhou, em 2003, como um espaço dedicado à pesquisa e apresentação de arte contemporânea, e promoção de práticas artísticas locais, públicas e interdisciplinares através de exposições, residências e projetos de envolvimento comunitário.

Sandra Hegedüs (França): fundadora da SAM Art Projects em 2009, que através de um prêmio anual de arte contemporânea, residências artísticas em Paris, e dando suporte a vários outros projetos inicia o diálogo entre os praticantes culturais do hemisfério norte e suas contrapartes do sul.

Jürgen Wesseler (Alemanha): fundador do Kabinett für aktuelle Kunst (Gabinete para Artes Contemporâneas) em 1967 em Bremerhaven, que moldou a paisagem da cena da arte contemporânea através de exposições pioneiras para alguns dos artistas mais importantes dos últimos 50 anos.

Iordanis Kerenidis e Piergiorgio Pepe (Grécia): fundadores do Phenomenon, um festival de arte contemporânea na ilha de Anafi em 2015, consistindo de exposições de arte, programas de residência, palestras, exibições de filmes e outras atividades culturais.

Claire Hsu e Johnson Chong (Hong Kong): fundadores do AAA Asia Art Archive, que desde 2000 fornece aos pesquisadores oportunidades para documentar e disseminar as múltiplas histórias recentes de arte na Ásia por meio de residências, programas educacionais e de pesquisa, publicações e publicações institucionais. colaborações.

Anna d’Amelio Carbone e Fabiana Marenghi Vaselli Bond (Itália): diretores da Fondazione Memmo em Roma que desde a sua fundação em 2002 tem facilitado o diálogo em torno das artes através de exposições, performances, residências, palestras, conferências, workshops e publicações artísticas. .

Yoshihisa Nakano (Japão): diretor do Terrada Soko (Armazém Terrada), que desde 1950 tem sido um complexo de artes líder que oferece espaços para exposições, estúdios de artistas e um programa de conservação de arte em colaboração com a Universidade de Yokohama.

Choi Yun-Jung (Coréia): diretor da Paradise Culture Foundation em Seul, que desde sua fundação em 1998, e seu espaço de arte contemporânea ZIP em 2016 tem sido um dos principais apoiadores de exposições, residências e programas de intercâmbio.

Zaza e Philippe Jabre (Líbano): filantropos que ao longo de várias décadas têm apoiado várias organizações de artes sem fins lucrativos no Líbano e em outros lugares, como Ashkal Alwan e o Centro de Arte de Beirute, bolsas de estudo, bem como uma grande doação ao programa de história da arte. Universidade Americana de Beirute.

Yoshua Okon (México): fundadores da SOMA em 2009, como uma organização dedicada ao intercâmbio cultural e pedagogia artística através de seus vários programas acadêmicos, residenciais e públicos, promovendo o desenvolvimento profissional de artistas emergentes.

Asya Filippova (Rússia): fundadora do Fabrika Center for Creative Industries em 2005, que apoia as atividades de artistas independentes e criativos, bem como comissões e produz uma ampla gama de projetos artísticos.

José Maria Lafuente (Espanha): fundador do Arquivo Lafuente, na Cantábria e em Madri, em 2002, que dá acesso a cerca de 120.000 documentos e 2.000 obras de arte especializadas na história da arte do século XX na Europa, América Latina e Estados Unidos. com particular ênfase na Espanha.

Hubert Looser (Suíça): filantropo e colecionador que ao longo de cinco décadas introduziu importantes movimentos artísticos e artistas em novos públicos anos antes de assumir o reconhecimento público. Mais recentemente, seu patrocínio culminou em um empréstimo permanente de uma grande parte de sua coleção de arte contemporânea para o Kunsthaus em Zurique.

Catherine Petitgas (Reino Unido): filantropa e presidente da instituição de caridade franco-britânica Fluxus Art Projects, que desde 2010 apóia artistas contemporâneos dos dois países no momento em que eles começam a emergir do cenário nacional e precisam de apoio para expor no exterior.

Laura Donnelley (EUA): fundadora e principal patrocinadora da Art Matters, que desde 1985 tem apoiado experiências inovadoras em arte, dando mais de 300 bolsas a artistas norte-americanos para bolsas e projetos colaborativos em diversos meios de comunicação.
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Artigo editado no site da revista "Dasartes".

Governo de Minas quer contratar Inhotim, sem licitação, para formar professores

O museu, segundo o governo, prestaria serviço de "formação de professores da rede estadual para promoção e utilização dos acervos artísticos, botânico e patrimonial do Instituto Inhotim como recursos pedagógicos, para a acessibilidade, a inclusão e a valorização da identidade cultural". Artigo de José Marques para o jornal "Folha de S. Paulo" editado em 10/05/18. +


Duas semanas após fechar um acordo de transferência de obras de arte como forma de quitar dívidas, o governo de Minas Gerais iniciou processo de contratação do Instituto Inhotim por R$ 2,1 milhão, sem licitação, para formação de professores do estado.
O procedimento, chamado "ratificação do ato de reconhecimento de inexibilidade de licitação", foi publicado no Diário Oficial de Minas nesta quinta-feira (10). É o primeiro passo para que o contrato com o museu seja assinado.
Nele, cita artigo da lei de licitações que permite a dispensa de concorrência pública na prestação de serviços técnicos de "profissionais ou empresas de notória especialização".
O museu, segundo o governo, prestaria serviço de "formação de professores da rede estadual para promoção e utilização dos acervos artísticos, botânico e patrimonial do Instituto Inhotim como recursos pedagógicos, para a acessibilidade, a inclusão e a valorização da identidade cultural".
No último dia 27, o dono do museu, Bernardo de Mello Paz, fechou um acordo com o governo que transferia a propriedade de 20 obras de seu acervo, inclusive quarto de Adriana Varejão, como "Celacanto Provoca Maremoto", painel que imita azulejos portugueses, e a escultura de azulejo “Linda do Rosário”.
Elas foram oferecidas por Paz como forma de quitar dívidas de ICMS das suas empresas de mineração que se arrastam por mais de 25 anos. O débito foi calculado em R$ 471,6 milhões e era considerado de difícil recuperação pelo estado.
O empresário, porém, aderiu ao Plano de Regularização de Créditos Tributários, lei estadual aprovada ano passado que dá desconto aos devedores e permite o pagamento com obras de arte. Com a redução, a dívida total de dez empresas de Paz, que integram o Grupo Itaminas de mineração, cai para R$ 111,8 milhões.
O valor das obras do museu a céu aberto, que é referência internacional, ainda não foi estabelecido.
O objetivo do acerto não é o valor financeiro das obras, mas assegurar que o museu a céu aberto, considerado referência internacional, continue funcionando em Minas por muito tempo.
Procurado, o governo de Minas Gerais diz que não há suspeições sobre a contratação de Inhotim para formar professores. "O contrato, que ainda não foi celebrado, não possui nenhum outro objetivo além da realização da formação", diz a Secretaria de Educação do estado em nota.
"[A contratação do] Instituto Inhotim dá continuidade a uma parceria firmada em 2015 e 2016, com o objetivo de promover a capacitação de educadores da rede estadual de Minas Gerais para promoção e utilização dos acervos artísticos, botânico e patrimonial do Instituto, recursos pedagógicos que possibilitam a valorização da identidade cultural, a inclusão e o acesso aos bens culturais", afirma a secretaria.
"Além das capacitações de 1.000 professores e a realização de mais de 9 mil visitas ao Instituto, o contrato prevê a distribuição para as escolas estaduais de 2 mil publicações de conteúdo educativo transversal, com os acervos de arte, botânica e patrimônio da instituição", acrescenta.
Segundo o órgão, outros 1.000 professores foram formados em 2016. "Durante o curso, os professores trocaram experiências, conheceram melhor a estrutura e normas de funcionamento do museu e debateram as variadas abordagens pedagógicas possíveis de serem realizadas por meio dos acervos. Os docentes exploram o espaço do Instituto Inhotim buscando desenvolver, cada um a partir das suas próprias particularidades, o desenho de circuitos de visitação específicos para as suas turmas de estudantes", afirma a nota.
"Desta forma, os professores tornam-se mediadores do contato dos jovens com os acervos artísticos e ecológicos de Inhotim. A intenção é capacitar os educadores para que as visitações não se concretizem simplesmente como experiências intuitivas, mas sejam vivenciadas pelos estudantes dentro de uma proposta pedagógica. E também que os acervos sejam trabalhados em sala de aula, a partir das publicações que são disponibilizadas."
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Artigo de José Marques para o jornal "Folha de S. Paulo" editado em 10/05/18.


Tarifa de aeroporto

O Museu de Arte de São Paulo (Masp) obteve liminar para alterar a tarifa de armazenagem cobrada pelo Aeroporto Internacional de Campinas (SP) sobre seis obras emprestadas do museu britânico Tate Museum. Texto editado no jornal "Valor Econômico" em 11/5/18. +

O Museu de Arte de São Paulo (Masp) obteve liminar para alterar a tarifa de armazenagem cobrada pelo Aeroporto Internacional de Campinas (SP) sobre seis obras emprestadas do museu britânico Tate Museum, as quais ingressarão no Brasil sob o regime de admissão temporária para a exposição "Acervo em Transformação - Tate no MASP", que será aberta no dia 17. A decisão é da 2ª Vara Federal de Campinas. Em mandado de segurança, o Masp alega que todas as vezes em que promoveu o intercâmbio de obras com museus estrangeiros, a tarifa de armazenagem sempre foi apurada considerando que os eventos a que eram destinadas tinham caráter cívico-cultural, exigindo a utilização da Tabela 9 do Anexo 4 do Contrato de Concessão do Aeroporto Internacional de Campinas. Essa tabela considera o peso dos objetos como base de cálculo das tarifas (R$ 0,16 por kg). Contudo, o aeroporto exigiu a aplicação da Tabela 7, que considera o valor do seguro dos bens como base de cálculo da tarifa - e não o peso. O Masp argumenta que, como as obras estão avaliadas em mais de R$ 160 milhões, haveria um aumento absurdo nos valores cobrados, inviabilizando a admissão dos bens.
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Texto editado no jornal "Valor Econômico" em 11/5/18.


Mais enxuta, Bienal do Mercosul destaca arte afro-brasileira

Em cartaz na capital gaúcha até 3 de junho, 11.ª edição do evento traz como tema o 'triângulo atlântico' e dá destaque à arte africana e afro-brasileira. Artigo de Julia Corrêa , em Porto Alegre , para o site http://cultura.estadao.com.br , editado em 16/5/2018. +

Desde abril, Porto Alegre recebe a 11.ª Bienal do Mercosul, que volta com um ano de atraso, após ter tido o orçamento afetado pela crise econômica. O adiamento está entre episódios adversos que marcaram o cenário cultural da cidade em 2017. Além de ter outras instituições afetadas pela crise, como a Fundação Iberê Camargo, a capital viu um de seus principais espaços de arte, o Santander Cultural, virar alvo de hostilidades devido à mostra Queermuseu.
Apesar dos sinais de recuperação, reflexos desse quadro continuam visíveis. A edição surge mais enxuta, com 248 trabalhos – cerca de 400 a menos do que na anterior. Sob o título O Triângulo Atlântico e curadoria do alemão Alfons Hug, o evento dialoga com os 130 anos da Abolição da Escravidão, que inspira outras iniciativas pelo País, caso da mostra Ex Africa, no CCBB paulista, que traz, aliás, o mesmo curador da Bienal.
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Abordando os fluxos migratórios entre América, África e Europa, a edição dá destaque à arte africana e afro-brasileira. Para se ter uma ideia, de seus 77 artistas, 21 são originários da África e 19, do Brasil – um recorte que se explica pela trajetória do curador. Hug tem familiaridade com o Brasil. Já foi por duas vezes curador da Bienal de São Paulo e, entre 2002 e 2015, foi diretor do Instituto Goethe no Rio de Janeiro. Na África, comandou a sede da mesma instituição em Lagos, na Nigéria.
É pelo seu olhar – e pelo da curadora adjunta, Paula Borghi – que é possível conferir obras de africanos como a nigeriana Mary Evans. Radicada em Londres, ela apresenta dois trabalhos no Santander Cultural, nos quais usa recortes em papel craft para abordar diferentes representações dos corpos negros. Outro destaque é Omar Victor Diop. Nascido no Senegal, ele exibe oito fotografias sobre revoltas históricas negras.
Americano residente no Canadá, Adad Hannah é um dos nomes de fora da África que não fogem, contudo, da temática. É sua uma releitura em vídeo de A Balsa da Medusa, de Géricault. Resultado de residência no Senegal, o trabalho exibido no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs) relaciona o naufrágio retratado na primeira obra com a atual crise de refugiados.
Tanto para Hug quanto para Gilberto Schwartsmann, presidente da Fundação Bienal, a importância de uma mostra assim no Rio Grande do Sul reside no fato de ser um Estado tido como “branco”, que se esquece, porém, de seu passado escravagista. Essas considerações pautaram várias atividades desenvolvidas pelo evento. Os brasileiros Jaime Lauriano e Camila Soato, por exemplo, foram convidados a realizar residências em dois quilombos do Estado.
Ferida ainda aberta. Os reflexos dos episódios de 2017 não são apenas econômicos. Os ataques à exposição Queermuseu tornaram-se motivo de preocupação para a Bienal. O Estado apurou que a organização submeteu uma sala do Margs à avaliação prévia de lideranças negras da cidade, para saber se as cenas ali representadas poderiam ser ofensivas. O espaço é um dos pontos altos da edição, em que esculturas em argila do português Vasco Araújo aparecem expostas ao lado de reproduções de Debret. Com forte apelo visual, as obras de Araújo revelam, de forma crítica, cenas da violência de colonizadores contra escravos africanos.
“Sofri muito com a questão do Queermuseu, o cancelamento foi muito traumático. Então buscamos dar uma lição de como nós podíamos pacificar certas questões”, revelou o presidente da fundação. Questionado se a ação não poderia ser associada a uma forma de “censura prévia”, ou fazer com que outros grupos reivindicassem o mesmo tipo de acesso, Schwartsmann justifica: “A obra jamais seria retirada. Havia total liberdade curatorial. Mas até os grandes museus do mundo criam sistemas de alerta para evitar problemas. Foi doçura, não foi censura”. Segundo ele, nenhum dos visitantes se sentiu ofendido com a obra.
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Artigo de Julia Corrêa , em Porto Alegre , para o site http://cultura.estadao.com.br , editado em 16/5/2018.

Modigliani de US$ 157 milhões lidera venda impressionista da Sotheby"s

Leilão gerou US$ 318 milhões O muito aguardado Modigliani tornou-se o quarto trabalho mais caro já vendido em leilão - mesmo que o resto da venda parecesse sonolento. Texto de Eileen Kinsella para o portal de arte Artnet (www.artnet.com) publicado em 14/5/18. +

A venda de arte impressionista e moderna da Sotheby's foi um estudo em contrastes. O leilão viu um nu de Modigliani se tornar a quarta obra de arte mais cara já vendida em leilão. Apesar da venda de nove dígitos, no entanto, a noite foi - de alguma forma - um assunto delicado. No final das contas, a noite gerou US $ 318,3 milhões, pouco acima de sua estimativa mínima de pré-venda: entre US$ 307,4 milhões e US$ 378,1 milhões (os preços finais, a menos que indicados, incluem prêmios; as estimativas de pré-venda não).

A grande peça da noite - e uma das mais comentadas nessa temporada - foi a grande “Nu Couché (Sur le Côté Gauche)” (1917), de Amedeo Modigliani, que teve uma estimativa de US$ 150 milhões, a mais cara já feita em um único trabalho em leilão. O trabalho foi vendido por US$ 157 milhões, depois de pouca disputa.

Dito isso, a noite fez consideravelmente mais do que os US$ 173 milhões realizados na venda equivalente na primavera passada, que foi prejudicada pela retirada de última hora de um lote de estrelas.

Embora o leilão tenha produzido um total saudável e o Modigliani também tenha se tornado a obra de arte mais cara já vendida na Sotheby's, o lote não conseguiu atender a sua baixa estimativa e inúmeros outros trabalhos foram comprados ou vendidos abaixo da estimativa, mesmo com seus prêmios. Dos 45 lotes oferecidos, 32 ou 71% foram vendidos.
Tanto quanto é possível dizer que uma obra de arte de nove dígitos teve um desempenho sem brilho, esta fez. A leiloeira Helena Newman abriu a licitação em US$ 125 milhões, mas não parecia haver demanda imediata. Newman fez uma pausas em US$ 135 milhões e novamente em US$ 138 milhões e US$ 139 milhões, mas sem sucesso.

O chefe do departamento impressionista e moderno, Simon Shaw, elevou o preço para um lance final de US$ 139 milhões. Em uma entrevista coletiva após o leilão, Shaw disse que a casa não poderia comentar sobre a identidade do comprador. A pintura -a maior já feita por Modigliani- foi consignada pelo colecionador irlandês e criador de cavalos John Magnier, que pagou US$ 26,9 milhões por ela em 2003. (Na época, acredita-se que foi consignado pelo magnata do cassino Steve Wynn). O preço representa um ganho para Magnier de US$ 130,3 milhões (484%). Mas o trabalho não conseguiu superar o recorde de US$ 170,4 milhões de Modigliani, estabelecido na Christie's em 2015.

Enquanto isso, dois lotes oferecidos para venda pelo Berkshire Museum of Art -uma controversa tentativa de extinção que levou a uma batalha judicial prolongada e levou alguns defensores a protestar do lado de fora da casa de leilões antes da venda- tiveram resultados mistos. A pintura de Henry Moore “Three Seated Women” (1942) foi estimada em US$ 400 mil a US$ 600 mil e vendida por uma subestimativa de US$ 300 mil. “Force Comique” (1914), de Francis Picabia, foi vendida por US$ 1,2 milhão com prêmio, apenas cumprindo sua alta estimativa de US$ 800 mil a US$ 1,2 milhão. Combinados, eles geraram US$ 1,5 milhão para a meta do museu de US$ 50 milhões.

Outro muito esperado foi “Le Repos” (1932), de Pablo Picasso, estimado entre US$ 25 milhões e US$ 35 milhões. A pintura -anteriormente ganha por Sue Gross em um divórcio altamente contestado com o chefe de Wall Street, Bill Gross, e agora vendida para beneficiar sua fundação- retrata a chamada "musa de ouro" do artista, Marie Thérèse Walter.
A pintura apareceu pela última vez em um leilão há quase duas décadas, quando foi vendida na Sotheby's em 2000 por US$ 7,9 milhões, de acordo com a Artnet Price Database. Hoje à noite, ela foi vendida por US$ 36,9 milhões após uma série de lances. O número vencedor - US$ 32,5 milhões - foi entregue por Patty Wong, diretora sênior e presidente da Sotheby’s Asia. A Sotheby confirmou que um colecionador privado asiático comprou o trabalho.

Outro raro ponto forte foi a paisagem temperamental de Georgia O'Keeffe, “Lake George With White Birch” (1921), que estava na mesma coleção há mais de 30 anos e vendida por US$ 11,3 milhões, bem acima de sua alta estimativa de US$ 6 milhões.

Muitos dos principais lotes da venda tiveram vendas de leilão anteriores recentes e não tão recentes, o que sempre fornece um interessante indicador do mercado em evolução. Por exemplo, “Matinée Sur La Seine” (1896), de Claude Monet, estimado entre US$ 18 milhões e US$ 25 milhões, foi vendido por US$ 20,6 milhões. Ele apareceu pela última vez em um leilão em novembro de 2000, também na Sotheby's, quando foi vendido por US$ 5,7 milhões. Outro Picasso, no entanto, não teve a mesma sorte. “Femme au Chien” (1953), estimado entre US$ 12 milhões e US$ 18 milhões, foi oferecido pela última vez em leilão na Sotheby's há mais de 30 anos, quando foi vendido por US$ 2,4 milhões. Esta noite, a licitação abriu em US$ 9 milhões e estagnou em torno de US$ 11 milhões. O trabalho foi pintado durante uma época tumultuada na vida do artista, seis meses antes do colapso de seu relacionamento com Françoise Gilot, sua amante de 10 anos. Em última análise, não foi vendido.

Outro Picasso, este do período inicial do artista teve um desempenho melhor, mas ainda perdeu sua baixa estimativa. Com o prêmio, foi vendido por US$ 11,6 milhões, com uma estimativa de US$ 12 milhões a US$ 18 milhões. O atual proprietário adquiriu o trabalho, “Famille d'Arlequin” (1905), há pouco mais de uma década na Sotheby's New York por US$ 9,8 milhões. Depois de uma onda de vendas rápidas de Picasso nos últimos meses, é possível que o mercado se torne mais exigente? De 11 Picassos em oferta, apenas seis, encontraram compradores para um total de US$ 63,6 milhões. Três desses seis, no entanto, figuraram no top 10 da noite.
Enquanto isso, “Perro Aullando a la Luna” (1942), de Rufino Tamayo, foi outro trabalho notável que chegou às expectativas mais baixas. Estimado entre US$ 5 milhões e US$ 7 milhões e nunca antes visto em leilão, o trabalho também marcou pela primeira vez a integração formal da arte latino-americana nas vendas de arte moderna e impressionista da Sotheby, que atraíram várias propostas, antes de serem fechadas em US$ 5 milhões, ou US$ 5,9 milhões com prêmios.

Modigliani provavelmente será o lote de maior bilheteria da semana. E apesar da demanda superficial, Simon Shaw, da Sotheby's, era otimista. "Modigliani agora se juntou ao clube final no mercado de arte em US$ 150 milhões", disse ele em uma conferência de imprensa pós-venda. "Ele é o único artista que quebrou o teto duas vezes." No entanto, espera-se que os maiores totais de vendas venham em poucos dias, quando as três maiores casas realizarem suas vendas de arte contemporânea. “A Christie's estabeleceu o padrão para a temporada de leilões com a venda de blue chips dos Rockefellers de sangue azul”, observou o advogado e comentarista de arte Thomas Danziger após a venda.

“Felizmente para a Sotheby's, sua estrela Modigliani vendeu bem - embora sem muita energia ou evidente entusiasmo na sala de leilões. O verdadeiro teste para ambas as casas virá no final desta semana com as vendas do pós-guerra e contemporâneas”.
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Texto de Eileen Kinsella para o portal de arte Artnet (www.artnet.com) publicado em 14/5/18.

Cena artística em Lisboa cresce em dois anos

A cena artística em Lisboa está se recuperando graças ao crescimento do PIB de Portugal, por investidores estrangeiros ricos e por eventos como a ArcoLisboa. Texto de Lorena Muñoz-Alonso para o jornal “The Arte Newspaper” publicado em 14/05/2018. +

As feiras de arte têm sido frequentemente creditadas como um pontapé inicial de uma cena de arte inativa em uma cidade, e muitas vezes sem muita base. Mas no caso da ArcoLisboa (que acontece entre 17 e 20/5/18), isso pode ser verdade, embora ajudada pela melhoria do PIB de Portugal, que subiu 2,7% em 2017, e a redução de seu deficit orçamentário. Desde que o Arco de Madri lançou sua edição em português em 2016, Lisboa sofreu uma mudança radical, com a abertura de mais de 10 galerias comerciais e uma série de iniciativas de abertura de artistas na cidade.
Um dos pioneiros dessa nova onda foi Matteo Consonni, um jovem comerciante italiano que, após cinco anos como diretor do Franco Noero de Turim, lançou a galeria Madragoa em abril de 2016 com o sócio local Gonçalo Jesus.
Então, no ano passado, houve uma enxurrada de inaugurações de galerias. Coincidindo com a segunda edição da ArcoLisboa, o jovem comerciante português Francisco Fino abriu uma galeria impressionante na área de Marvila, perto das grandes locais: Filomena Soares, Baginski e Bruno Múrias. Na mesma semana, o Monitor de Roma lançou a sua filial em Lisboa, enquanto o MaisterraValbuena de Madrid abriu um posto avançado em Alvalade, que rapidamente está se tornando uma área chave. Neste bairro tranquilo ao norte da cidade, veteranos como Verâ Cortes, Quadrado Azul e Appleton Square estão acolhendo jovens galerias como a Balcony, que abriu em setembro do ano passado, seguida por Uma Lulik em outubro.
Até agora, em 2018, mais três espaços comerciais foram abertos: Jeanne Bucher Jaeger, a revendedora de arte moderna com sede em Paris, que lançou em Lisboa em janeiro, enfocou obras contemporâneas e, nas últimas semanas, as jovens galerias Ibirapi e Ainori. Mas ainda há mais por vir. Este mês, coincidindo com a terceira edição do ArcoLisboa, dois empreendimentos desembarcarão na cidade. Um deles é o lançamento da feira de arte emergente JustLX, organizada pelo JustMad de Madri. O segundo, talvez mais significativo internacionalmente, é a chegada da primeira potência latino-americana: a galeria brasileira Fortes D'Aloia & Gabriel (antiga Galeria Fortes Vilaça), que em 15 de maio abre um escritório em Lisboa, dirigido por Maria Ana Pimenta.
Esse novo dinamismo é em parte graças a uma série de estrangeiros ricos que compraram propriedades na cidade nos últimos cinco anos, encorajados pelos baixos preços das casas e pelo regime tributário solidário, que por sua vez deu início à regeneração e à gentrificação econômicas. “O florescente cenário artístico de Lisboa atraiu muitos colecionadores do exterior que também buscam uma primeira residência na cidade pelas mais diversas razões”, afirma Francisco Fino. “É por isso que nossos colecionadores tendem a ser de todo o mundo, incluindo o Brasil, Portugal, Espanha, França e EUA”. De fato, um dos americanos ricos que comprou uma casa em Lisboa no ano passado foi a estrela pop Madonna. Ela teria visitado galerias na cidade, incluindo a da Fino, embora ele tenha se recusado a confirmar por razões de confidencialidade do cliente.
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Texto de Lorena Muñoz-Alonso para o jornal “The Arte Newspaper” publicado em 14/05/2018.

Grupo ativista quer esculpir uma escultura de gelo de Donald Trump

Ativistas finlandeses da Melting Ice querem esculpir uma escultura de gelo de 35 metros de altura de Donald Trump, em uma geleira ártica que está derretendo devido à mudança climática global. A ação é para chamar a atenção ao aquecimento global. O “Projeto Trumpmore” precisa de 400 mil euros para ser criado, e planeja começar a levantar o dinheiro em vários sites de crowdfunding. Matéria publicada no site da revista Dasartes, (revistadasartes.com), em 10/05/18. +

O grupo ativista finlandês Melting Ice espera esculpir uma escultura de gelo de 35 metros de altura de Donald Trump em uma geleira ártica que está derretendo devido à mudança climática global para chamar a atenção ao aquecimento global. Chamado de “Projeto Trumpmore” depois do monumento em Dakota do Sul, o grupo agora está arrecadando os US$ 475.000 necessários para os artistas conseguirem esculpir, possivelmente na Groenlândia.

O grupo diz que o “Projeto Trumpmore” – uma peça do monumento presidencial americano Mount Rushmore, no estado de Dakota do Sul – precisa de cerca de 400 mil euros para ser criado, e planeja começar a levantar o dinheiro em vários sites de crowdfunding.
Ao contrário da maioria dos outros líderes mundiais e da vasta maioria do mundo científico, Trump disse duvidar que a mudança climática seja devida a humanos, e sugeriu que a ocorrência meteorológica é parte de uma conspiração chinesa.
O presidente dos EUA também decidiu infamante não assinar o acordo climático de Paris, o acordo da ONU que visa manter um aumento da temperatura global abaixo de dois graus Celsius durante este século.

Nicolas Prieto, presidente da Melting Ice , diz que o grupo quer que a escultura gere conversas sobre o tema da mudança climática global.

“Não queremos simplesmente construir um monumento, queremos que o projeto seja maior e levante o tema da mudança climática em uma escala mais ampla, para que as pessoas falem mais sobre a mudança climática”, diz ele.

“O aquecimento global é uma das questões e tópicos mais importantes de hoje. Ainda há pessoas que ponderam se é um problema real. Queremos construir o monumento para todos nós, para que possamos ver quanto tempo a escultura dura antes de derreter. Muitas vezes as pessoas só acreditam em algo quando o vêem com os próprios olhos “.
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Matéria publicada no site da revista Dasartes, (revistadasartes.com), em 10/05/18.

Os ricos estão gastando mais em arte do que vinho

No ano passado, pessoas ricas gastaram mais em arte do que vinho pela primeira vez em oito anos, de acordo com The Wealth Report, que monitora os hábitos de consumo de pessoas com patrimônio acima de US $ 30 milhões. A categoria teve um desempenho melhor do que colecionáveis de luxo comparáveis, como o vinho, que ficou em segundo lugar (11%), seguido de relógios (5%), moedas (4%), joias (4%), carros (2%) e selos (1%). Mas se você quer ganhar dinheiro, ainda é melhor comprar carros e vinho. Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no site do Artnet News (www.artnet.com), em 27/03/18. +

No ano passado, pessoas ricas gastaram mais em arte do que vinho pela primeira vez em oito anos, de acordo com The Wealth Report, que monitora os hábitos de consumo de pessoas com patrimônio líquido (pessoas com ativos de pelo menos US $ 30 milhões).

Andrew Shirley, editor do relatório - que é publicado pelo consultor imobiliário Knight Frank e corretores de imóveis Douglas Elliman - observou que a venda de US $ 450 milhões do Salvator Mundi, de Leonardo, e a venda de US $ 110,5 milhões de um Jean-Michel Basquiat, Shirley argumenta que os consignadores foram tentados a voltar a leilão por preços recordes altamente divulgados, já que a crescente demanda dos mercados emergentes elevou o valor médio da arte vendida em leilão em 21%.

A Arte ainda superou o Luxury Investment Index, propriedade da Knight Frank, que classifica o desempenho dos investimentos em ativos de luxo. A categoria teve um desempenho melhor do que colecionáveis de luxo comparáveis, como o vinho, que ficou em segundo lugar (11%), seguido de relógios (5%), moedas (4%), joias (4%), carros (2%) e selos (1%).

É claro que, a longo prazo, os carros e o vinho são ainda melhores investimentos que a arte. O Índice de Investimento de Luxo Knight Frank também expõe a suscetibilidade do mercado de arte à volatilidade. Por exemplo, nos últimos 10 anos, a arte cresceu 78%, bem abaixo da média do índice de 126%, e cresceu menos que classes de ativos comparáveis, como carros (334%), vinho (192%), moedas (182 por cento), joias (138 por cento) e até selos (103 %).

Como Shirley apontou para Quartz, a última vez que a arte liderou o índice foi em 2010, com um aumento de 25% em relação a 2009 - um ano fraco por causa da recessão global. Em contraste, "2007 (+ 48%) e 2008 (+ 47%) foram os grandes anos", disse ele.

De acordo com o relatório, as flutuações no mercado de arte foram ditadas, em parte, pelos preços do segmento contemporâneo e do pós-guerra, o segmento de maior desempenho e mais influente do mercado. O relatório ressalta que a "sensacional venda da Vinci poderia atrair uma audiência maior para os antigos mestres em 2018", o que poderia ajudar a estabilizar o mercado como um todo.

Curiosamente, o relatório sugere que a maioria das compras de HNWIs não é o resultado da análise de mercado; em vez disso, eles são "investimentos de paixão". A "alegria da propriedade" supera outras motivações financeiras, como "valorização do capital", encontrar um refúgio seguro para o dinheiro ou diversificação da carteira, de acordo com o relatório. Quanto à boa e velha competição pessoal, o status entre os pares ficou em último lugar.
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Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no site do Artnet News (www.artnet.com), em 27/03/18.

Qual obra vai alcançar US$ 1 bilhão?

Em 20/10/2017, em troca de e-mails com amiga Clara Choveaux, assistente de Cândida Sodré na casa de leilões Phillips no Brasil, o Mapa das Artes comentou que muito em breve uma obra de arte atingiria o valor de US$ 1 bilhão. Não se passaram sete meses e o assunto virou “the talk of the town” em Nova York, principalmente depois da venda de “Salvator Mundi”, de Leonardo da Vinci, por US$ 450 milhões pela Christie’s em Nova York em 15/11/2017. O ubergalerista Larry Gagosian aposta em Van Gogh. Edward Dolman, CEO da Phillips, aposta em Leonardo da Vinci ou Pablo Picasso. Obviamente, os dois estão jogando uma cortina de fumaça no mercado. O Mapa das Artes tem outras duas apostas, mas assim como Gagosian e Dolman, só conta para os mais íntimos. Leia abaixo artigo de Annie Armstrong para o jornal “Artnews”, editado em 10/5/18. +

Depois de perder uma guerra de lances na Christie's em Nova York na noite de 9/5/18 por uma pintura de Willem de Kooning, o ubergalerista Larry Gagosian subiu ao palco esta manhã com Edward Dolman, CEO da Phillips, no evento “The Future of Everything", o jornal "The Wall Street Journal”, um festival no Spring Studios em TriBeCa (Nova York).
A conversa, moderada pela repórter do jornal, Kelly Crow (que também estava no leilão da noite passada), começou com uma conversa sobre a coleção do casal Peggy e David Rockefeller e sobre a obra “Fillette a la Corbeille Fleurie” (1905), de Pablo Picasso, que a Christie's vendeu na noite de terça-feira por US$ 115,1 (cerca de R$ 400 milhões), depois de licitações sem complicações.
Crow notou que, quando a peça foi arrematada, mas sem aplausos da multidão. Por quê? Gagosian e Dolman concordaram que a decisão da Christie's de elevar a estimativa de US$ 70 milhões para US$ 100 milhões pode ter influenciado o processo. “Você fica cansado desses números", disse Gagosian. “É preciso mais para levar as pessoas a bater palmas. Você tem que ter alguns lances".
A conversa então mudou para o tema do evento: o futuro do mercado de arte. Após a venda no último outono de “Salvator Mundi”, de Leonardo da Vinci, por US$ 450,3 milhões e as frequentes manchetes sobre novos recordes de leilão, tornou-se irresistível especular sobre qual será a primeira obra a ser vendida por US$ 1 bilhão. Crow perguntou aos dois homens cujo trabalho poderia alcançar essa marca. Se ele soubesse qual pintura faria isso, "eu quero comprar agora", brincou Gagosian, antes de prever que Vincent van Gogh poderia ganhar o troféu.
Dolman foi com Leonardo da Vinci e Pablo Picasso. "Muitas vezes penso que o que impede as pessoas de investir tanto dinheiro é o medo de ser estúpido", disse Dolman. "Então, eu acho que esses novos registros fazem as pessoas se sentirem melhor em gastar se algo grande chegar ao mercado". A parte mais suculenta da conversa surgiu quando a conversa se voltou para a questão muito discutida de como manter galerias menores nos negócios. David Zwirner, por exemplo, sugeriu recentemente que as mega-galerias deveriam ajudar os pequenos, talvez pagando taxas mais altas pelos estandes de feiras de arte, e a Postmasters começou a aceitar financiamento através do programa online Patreon.
Falando sobre a indústria da galeria em geral, Gagosian disse: "Eu acho que é um sistema muito bom, na minha perspectiva", o que garantiu algumas gargalhadas da platéia.
Expandindo seu argumento, Gagosian explicou: “Em um sentido mais amplo, acho que é uma economia única. Quanto menos você mexer com isso, mais saudável será. Quanto à questão de galerias menores ficarem do lado, eu vi esses ciclos. Sou revendedor de arte há 40 anos. É apenas uma coisa cíclica”.
Gagosian argumentou que uma indústria de galeria de “laissez-faire” faz sentido porque há uma abundância de investidores dispostos a dar fundos para novas galerias. "É muito fácil abrir uma galeria", disse ele. “Para abrir uma pequena galeria - o que fiz, comecei sem nada - não é preciso muito capital. Portanto, a barreira à entrada é relativamente baixa, em comparação com outras empresas... Isso encoraja as pessoas”.
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Leia abaixo artigo de Annie Armstrong para o jornal “Artnews”, editado em 10/5/18.

Great Masters Art pretende revolucionar a autenticação de arte

A Great Masters Art, empresa de autenticação científica sediada em San Diego, Califórnia, emprega uma variedade de métodos para analisar obras de arte, desde técnicas de ponta, como fotomicrografia e reflectografia infravermelha, até a boa e velha pesquisa histórica da arte. Ao explicar as origens da empresa, o fundador Curtis McConnell, ao lado do renomado cientista italiano Maurizio Seracini, conta uma história sobre quando anunciou planos para restaurar um dos bens mais valiosos da arte: “A Adoração dos Magos” (1481-1482), de Leonardo da Vinci. Matéria publicada originalmente no site do Artnet (artnet.com), em 13/04/18. +

A autenticação de arte é um negócio complicado. A autenticidade de uma pintura pode significar a diferença entre uma obra-prima multimilionária e um descartável do mercado de pulgas, embora poucas pessoas saibam o que o processo exige.

A Great Masters Art, uma empresa de autenticação científica sediada em San Diego, Califórnia, está tentando mudar isso. Orgulhando-se da sua transparência, a empresa emprega uma variedade de métodos para analisar obras de arte, desde técnicas de ponta, como fotomicrografia e reflectografia infravermelha, até a boa e velha pesquisa histórica da arte. O objetivo é aprender sobre quando e como as pinturas foram feitas e com quais materiais. Através desse processo, a empresa pode dizer se uma pintura de um Velho Mestre é de fato real, ou apenas um fake brilhante.

Para o leigo, a descrição desse tipo de trabalho pode tornar-se confusa muito rapidamente à medida que nomes científicos vão surgindo. Os conceitos por trás do trabalho, no entanto, não são tão difíceis de compreender. Para explicá-las, o fundador da empresa, Curtis McConnell, usa uma analogia simples.

“Tratamos a arte como um médico trataria um paciente”, diz McConnell à artnet News. “A primeira coisa que fazemos é obter a história do paciente. Em segundo lugar, analisamos e tentamos entender o estado de saúde do paciente por meio de uma combinação de imagens diagnósticas - radiografias, talvez uma ressonância magnética ou tomografia computadorizada (CAT). Estes são os mesmos tipos de coisas que fazemos para uma obra de arte. E em terceiro lugar, acabamos com o que é chamado de diagnóstico analítico, que é o lado da química - fazendo biópsias, análises de material, etc. O exame de sangue, se você preferir.”
McConnell iniciou a Great Masters Art em 2013, com o renomado cientista Maurizio Seracini para fornecer autenticação de arte para investidores, bancos e seguradoras em todo o mundo. O prof. Seracini, especialista em diagnóstico cultural, é um dos maiores especialistas em autenticação de arte do mundo. Ele estudou mais de quatro mil pinturas de Da Vinci, Botticelli, Caravaggio, Rafael, Modigliani e muitos outros. Seu trabalho incluiu pinturas famosas do Uffizi, do Met e do Getty.
Ao explicar as origens da empresa, McConnell conta uma história sobre o especialista em diagnóstico de arte italiano, Maurizio Seracini, que começa 17 anos atrás.

Em 2001, a Galeria Uffizi, em Florença, anunciou planos para restaurar um de seus bens mais valiosos: “A Adoração dos Magos”, de Leonardo da Vinci. A pintura, pensada para ter sido concluída em 1481, é considerada uma das primeiras obras-primas de Leonardo, embora foi deixada inacabada. Foi feito em uma série de 10 tábuas de álamo e mede cerca de oito metros de altura e oito metros de largura. Ao ouvir sobre seus planos de restauração, Seracini se aproximou do museu e se ofereceu para examinar o trabalho antes do museu.

Seracini estudou a pintura por mais de seis meses. O que ele descobriu foi inesperado.

Primeiro, ele descobriu que ela estava em estado bruto. Uma faixa de quase dez centímetros tinha sido cortada do fundo da composição, e várias seções no topo haviam sido cortadas e depois reinseridas com grandes pregos. Havia uma clara evidência de apodrecimento, e dentro havia carunchos, moscas e larvas. No entanto, a descoberta mais desconcertante veio depois, quando Seracini e sua equipe começaram a analisar as camadas inferiores da pintura.

Ele descobriu pequenas manchas indistintas de tinta marrom em toda a obra, que não pareciam combinar com o estilo meticulosamente detalhado de Leonardo.

"Maurizio, em seu elegante sotaque italiano, chamou de 'porcaria marrom'", lembra McConnell. “Havia evidências claras de que mudanças haviam sido feitas na pintura, e elas não pareciam de modo algum ser a mão de da Vinci.”
Em última análise, Seracini chegou à conclusão de que o desenrolar da pintura foi realmente feito por Leonardo por volta de 1481. No entanto, a pintura no topo não era. A obra foi completada muitos anos depois por outro artista e não era totalmente fiel ao plano original do artista.
Depois de revelar suas descobertas para o Uffizi, Seracini esperou pelas consequências da mídia e do mundo da arte, mas isso nunca aconteceu. O museu não anunciou suas descobertas; nem pediu para ele apresentar sua pesquisa para mais ninguém. Ficou claro que eles estavam tentando varrer seu trabalho para debaixo do tapete.

“Na moda típica de Maurizio, ele disse: 'Ok, bem, se mais ninguém vai falar sobre isso, eu vou falar sobre isso', diz McConnell. Quase um ano depois de seu encontro com o Uffizi, Seracini ligou para o New York Times e contou sua história.
McConnell seguiu de perto a controvérsia que se seguiu, especialmente depois que o trabalho de Seracini foi mencionado em O Código Da Vinci, de Dan Brown. Foi vários anos depois que ele conheceu o professor italiano e começou a aprender sobre autenticação científica e o mercado de arte.

“O que Maurizio estava fazendo era aplicar método científico para entender a arte. Eu pensei finalmente aqui está alguém olhando para as coisas para fornecer mais verdade, mais fatos”, lembra McConnell. “Meu objetivo era apresentar toda a grande ciência que Seracini foi pioneira de uma maneira que fosse palatável para o mercado de arte.”

McConnell também viu a necessidade de mudanças na indústria. “Percebi que a autenticação científica, da maneira como estava sendo feita, não era escalonável. Foi muito manual e muito lento, e afetou apenas um punhado de clientes de alta qualidade. Também fiquei chocado com quantas obras de arte que são vendidas são falsas - os especialistas estimam que de um terço a metade de todas as pinturas são forjadas ”, diz ele. “O mercado de arte está infiltrado por fraudes e crime organizado.”
McConnell e Seracini formaram a Great Masters Art para desenvolver tecnologia para fornecer serviços de autenticação consistentes, abrangentes e transparentes que estabelecessem um novo padrão para a indústria.

Hoje, eles estão indo em direção a esse objetivo. A empresa trabalha com museus, colecionadores, vendedores, advogados, companhias de seguros e até mesmo com a aplicação da lei. Eles cobram a mesma quantia por cada pintura, não importa quão famosos sejam, e estão trabalhando para educar o mundo da arte sobre a autenticação de arte científica e como ela funciona. Seracini e McConnell regularmente dão palestras e apresentações, e a empresa tem um aplicativo interativo em seu site que permite aos usuários explorar essas tecnologias.

"A era da autenticação científica chegou", diz McConnell. “Eu prevejo que dentro de cinco anos todo mundo que comprar arte como um investimento insistirá que sua arte seja certificada como cientificamente autêntica e protegida por meio de uma identificação digital. Nosso trabalho é tornar esse processo fácil, escalável, replicável e transparente.”

Quando essa meta for concretizada, McConnell diz que todos se beneficiarão: “Quando a arte é cientificamente autenticada, os compradores são protegidos, os bancos podem confiar em suas garantias, as seguradoras reduzem seu risco e os vendedores podem confiar no valor de suas artes. E, claro, à medida que revelamos os segredos de mais pinturas, as obras de arte terão novas histórias para nos contar. ”
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Matéria publicada originalmente no site do Artnet (artnet.com), em 13/04/18.

Arábia Saudita e França se unem para projeto multi-bilionario histórico

O documento de 20 páginas, assinado em Paris pelo ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, e pelo príncipe Badr bin Abdullah Al Saud, governador da província de Al-Ula, que dá durante dez anos à França um papel exclusivo em um potencial projeto que custará dezenas de bilhões de euros, onde a cultura, o turismo e as artes poderiam desempenhar na abertura e modernização do país, em consonância com o Plano de Visão 2030 do príncipe herdeiro. Matéria publicada no site da revista Dasartes (www.revistadasartes.com), em 10/05/18. +

A França e a Arábia Saudita chegaram a um acordo no mês passado sobre uma grandiosa colaboração cultural e turística que não é apenas um trunfo para a diplomacia de poder do presidente Emmanuel Macron, mas também pode ser um importante veículo de mudança no reino do Oriente Médio.

O documento de 20 páginas, visto pelo "The Art Newspaper", foi assinado em Paris pelo ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, e pelo príncipe Badr bin Abdullah Al Saud, governador da província de Al-Ula, na presença de Macron e o Príncipe herdeiro Mohammed bin Salman Al Saud (conhecido como MBS).
Aclamado como “histórico” pela mídia saudita, o acordo de dez anos dá à França um papel exclusivo em um potencial projeto que custará dezenas de bilhões de euros em uma área quase do tamanho da Bélgica. Também confirma o papel que a cultura, o turismo e as artes poderiam desempenhar na abertura e modernização do país, em consonância com o Plano de Visão 2030 do príncipe herdeiro.

Al-Ula é o lar de Al-Hijr, um Patrimônio Mundial da Unesco desde 2008, atualmente fechado para turistas e visitado apenas por poucos privilegiados. Localizada no noroeste da Arábia Saudita, consiste em canyons espetaculares e túmulos esculpidos em pedra ao redor de Mada’in Salih, antes conhecida como Hegra. O oásis era um posto comercial do reino Nabateu, a 550 km ao sul de sua capital, Petra, na atual Jordânia. Inclui restos da cultura lihyanita e da ocupação romana.

A ideia de abrir a área ao turismo internacional surgiu em uma reunião entre Macron e MBS, no dia seguinte à inauguração do Louvre Abu Dhabi em novembro passado, e algumas semanas após o anúncio dos planos de construir uma cidade entre a fronteira com o Egito e a Jordânia, batizada de Neom, e um investimento de US$ 500 bilhões para o projeto.

O acordo foi negociado pelo enviado especial de Macron, Gérard Mestrallet, o presidente do grupo de energia e serviços públicos Engie, que investiu em instalações de energia e água na Arábia Saudita. Ele foi auxiliado por Didier Selles, que em 2007 negociou o acordo de € 1 bilhão com os Emirados Árabes Unidos para o Louvre Abu Dhabi. Os detalhes financeiros ainda precisam ser finalizados, mas, segundo uma fonte diplomática francesa, só a taxa de contrato – “em reconhecimento ao valor intrínseco da França como o principal destino turístico e cultural do mundo” – poderia valer vários bilhões de euros. Macron decidiu dedicar esse dinheiro a um fundo para monumentos e museus franceses.

Um memorando de entendimento de € 150 milhões já foi acordado com o Forum Campus France (atuando para 350 universidades e centros de pesquisa) para receber estudantes sauditas a partir deste outono. O Louvre será o principal parceiro da parte cultural do programa, juntamente com o Musée National des Arts Asiatiques-Guimet e os serviços arqueológicos franceses. Um Institut Français será instalado em Al-Ula, e o Institut du Monde Arabe em Paris está planejando uma exposição na província para o próximo ano.

A França ajudará a estender escavações por toda a província, proteger os túmulos e templos e abrir um museu arqueológico. Mais ambiciosamente, os sauditas também prevêem um segundo “museu de classe mundial e centro de pesquisa” dedicado à história da península arábica. Pode ser de duas a três vezes o tamanho do Louvre Abu Dhabi, segundo uma fonte saudita, e seu orçamento de aquisições chega a US$ 100 milhões por ano.
O acordo inclui apoio à educação, treinamento, artesanato, comércio local e agricultura. O programa é “respeitar a paisagem, o ambiente natural e o patrimônio cultural” e aderir às normas da Unesco.

Seu impacto pode ser amplo. As culturas pré-islâmicas, uma questão sensível nos círculos conservadores islâmicos, são agora oficialmente consideradas patrimônio importante na Arábia Saudita. O acordo afirma que as instituições educacionais e científicas devem estar “em conformidade com as mais rígidas regras internacionais”, o que significa liberdade de expressão e igualdade de gênero, segundo fontes diplomáticas francesas.

A França também ajudará a elaborar uma estrutura legal para a província “em derrogação” – isto é, isentando-a de certas leis e regras em vigor no reino. “Com base nas normas mais eficientes”, terá que atender aos critérios de “intercâmbio internacional e turismo”, o que implica a oferta de comodidades como piscinas, cinemas e outras instalações de entretenimento, que serão abertas tanto para mulheres quanto para homens. O príncipe herdeiro já anunciou que os mesmos princípios serão aplicados à cidade vizinha projetada de Neom.

Este sistema legal específico também abrange regras para “planejamento urbano e construção, proteção do meio ambiente, patrimônio, flora e fauna, bem como empresas artesanais locais”. Usando a cultura e o turismo como um trampolim, isso contribuirá para as reformas mais profundas buscadas pela MBS, que apóia um Islã “moderado”. “O ‘toque francês’ poderia dar credibilidade não apenas aos projetos culturais, mas também a uma nova imagem da Arábia Saudita”, disse uma fonte próxima à Macron, que está confiante de que “este acordo pode ser seguido por outros”.
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Matéria publicada no site da revista Dasartes (www.revistadasartes.com), e o The Art Newspaper (theartnewspaper.com), em 10/05/18.