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Mostra revê o percurso criativo de Yutaka Toyota

A mostra "Toyota – O Ritmo do Espaço" traz coleção de suas obras esculturais criadas pelo artista Yutaka Toyota desde que chegou ao Brasil, no final dos anos 1950. A exposição, que já passou pelo Rio, encontrou em São Paulo um local ideal de realização, o Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado, faculdade que tem, em seu câmpus em Higienópolis, alguns trabalhos marcantes do artista. Artigo de Pedro Rocha editado pelo jornal "O Estado de S. paulo" em 3/7/18. +

Há cerca de 60 anos, o jovem artista japonês Yutaka Toyota mudava para o Brasil, país que virou o seu novo lar. Hoje, ele se diz, inclusive, mais brasileiro do que japonês. Foi aqui que deixou a pintura figurativa para se especializar em esculturas, alvo de uma grande exposição em cartaz em São Paulo, a maior de sua carreira.
A mostra Toyota – O Ritmo do Espaço traz coleção de suas obras esculturais criadas desde que chegou ao Brasil, no final dos anos 1950. A exposição, que já passou pelo Rio, encontrou em São Paulo um local ideal de realização, o Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado, faculdade que tem, em seu câmpus em Higienópolis, alguns trabalhos marcantes do artista.
“Essa exposição é a mais importante da minha vida”, diz Toyota em entrevista ao Estado, no meio da mostra. Ele fez questão de acompanhar toda a montagem, comandada pela curadora Denise Mattar, e produziu um gigantesco trabalho inédito especialmente para a mostra em São Paulo, uma escultura de mais de 5 metros de altura, que fica no centro do espaço expositivo. “O artista vai ter imaginação para sempre e trabalhar até morrer. Sempre criando.”
Além de reunir obras, a exposição traz também painéis com fotos de grandes esculturas que Toyota fez nas últimas décadas no Japão e fotos de algumas famosas feitas em locais públicos brasileiros, como na Praça da Sé, em São Paulo. “Não nos preocupamos em fazer uma exposição em ordem cronológica, isso não faz sentido na obra dele”, diz a curadora. “A ideia é fazer um resgate do pioneirismo dele.”
Toyota foi um dos primeiros artistas a trabalhar com o aço. A ideia dele é lembrar o espaço cósmico, como ele próprio fala, e surgiu logo após se mudar para o País. “Quando cheguei ao Brasil, fui ao interior, e vi tudo verde nas plantações de canade-açúcar”, lembra. “E vi o céu imenso. No Japão não existe isso, fiquei emocionado.” Tempos depois, o artista foi ao Japão mostrar sua obra, e o público torceu o nariz. “Falaram que era material de cozinha”, ri Toyota. “Dois anos depois, voltei mais uma vez ao Japão e constatei que muitos artistas estavam usando aço.”
Para o nipo-brasileiro, o público aqui e também da Europa aceitou sua arte mais rapidamente. No País, foi destaque na 10.ª Bienal de São Paulo, com a instalação imersiva Quarto Escuro, reproduzida na exposição. No Rio, venceu o prêmio do Salão Esso, de 1965, no Museu de Arte Moderna, que o levou à Itália. Lá, conviveu com Lucio Fontana, artista argentino-italiano que já admirava e chegou a procurá-lo em Buenos Aires. “O movimento de Fontana dizia querer a arte mais próxima das pessoas e o trabalho de Toyota está dentro dessa vertente”, explica Denise Mattar.
Mesmo com uma forte influência brasileira, o trabalho de Toyota é, principalmente, inspirado na filosofia oriental. “No Japão, há uma reflexão maior sobre os pensamentos. Sempre mantenho o espírito japonês”, ele conta. Para trabalhar o “espaço cósmico”, o artista, que fundamenta sua filosofia na Teoria da Relatividade de Einstein, cria esculturas que vão além do “3D”. Nas estruturas sempre espelhadas, as cores do universo surgem em uma explosão, no meio das figuras. “Apresento o objeto não só com uma terceira dimensão, mas com uma quarta, invisível para nós, seres humanos”, acrescenta.
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Artigo de Pedro Rocha editado pelo jornal "O Estado de S. paulo" em 3/7/18.

Bolsa IMS de Pesquisa em Fotografia seleciona projeto baseado em Marc Ferrez

Será selecionado um projeto inédito baseado na produção de Marc Ferrez (1843-1923), um dos mais importantes fotógrafos brasileiros do século XIX, cuja obra está sob a guarda do IMS desde 1998. As inscrições vão até 31/08/2018 e o valor bruto da bolsa é de R$ 30 mil. +

Com o objetivo de estimular o estudo da história da fotografia brasileira e das obras do seu acervo, o Instituto Moreira Salles promove a primeira edição da Bolsa IMS de Pesquisa em Fotografia. Será selecionado um projeto inédito baseado na produção de Marc Ferrez (1843-1923), um dos mais importantes fotógrafos brasileiros do século XIX, cuja obra está sob a guarda do IMS desde 1998.
Estão aptas a se inscrever pessoas físicas, brasileiras ou estrangeiras, radicadas no Brasil há, no mínimo um ano, que possuam o título de mestre ou superior, com ou sem vínculo acadêmico ou institucional.
O Instituto Moreira Salles concederá uma bolsa de pesquisa para projetos que proponham estudos sobre os seguintes eixos temáticos: – Ferrovias na obra de Marc Ferrez; – Marc Ferrez, empresário da imagem; – Marc Ferrez, anos de formação e início de trajetória (1863-1875).
Os candidatos deverão apresentar um único projeto de pesquisa inédito, assim entendido como um projeto de pesquisa não apresentado publicamente nem resultante de dissertação ou tese para conclusão de curso de graduação ou pós-graduação universitária.
Para a realização da pesquisa, o bolsista terá acesso ao banco de dados e à documentação produzida pelo fotógrafo Marc Ferrez, sob a guarda do Instituto Moreira Salles.
As inscrições vão até 31/08/2018 e o valor bruto da bolsa é de R$ 30 mil.
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Edital, formulários e mais informações no site https://ims.com.br/2018/07/10/bolsa-de-pesquisa-em-fotografia-edital-2018/

Firjan SESI abre edital para artes, teatro e música até 13/8

As inscrições para os editais devem ser feitas online até às 18h do dia 13/8/18, segunda-feira pelo site http://www.firjan.com.br/noticias/editais-culturais-1.htm +

Foram prorrogadas até 13/8/18 as inscrições para três editais da Firjan SESI, que têm o objetivo de contribuir com o desenvolvimento de atividades culturais e artísticas. Com inscrições gratuitas, empresas, produtoras, microempreendedores individuais (MEI), artistas e profissionais em geral ligados às áreas artística e cultural podem concorrer com projetos ligados a artes cênicas, artes visuais e música.
“Os editais buscam a inserção de profissionais no mercado cultural, fortalecendo o conceito de Economia da Cultura, um dos pilares da nossa atuação”, diz Antenor Oliveira, Coordenador de Cultura e Arte da Firjan SESI.
No edital "Fomento às Artes", serão selecionados projetos de artes cênicas (teatro, circo e dança), artes visuais (desenho, pintura, escultura, gravura, instalação e fotografia) e música para apoio financeiro. As propostas apresentadas deverão ter conteúdo inédito, mesmo que sejam projetos de continuidade e que já tenham sido realizadas edições anteriores.
O "Novos Talentos da Música" vai selecionar doze projetos (bandas ou artistas independentes), que receberão recursos financeiros para a produção de um videoclipe de música inédita. A Firjan SESI também disponibilizará um estúdio para a produção fonográfica da mesma música. Os contemplados também vão participar de uma semana de imersão com profissionais renomados do mercado e do meio acadêmico, que abordarão temas relevantes sobre o mercado musical, aceleração de carreira, empreendedorismo, entre outros. Também vão participar de uma mostra competitiva onde serão escolhidos a melhor música e o melhor intérprete, além de anunciado o melhor videoclipe por votação popular.
Já no “Novos Talentos do Teatro” serão selecionadas dez companhias de teatro que irão montar, cada uma, um espetáculo a partir da escolha de um dos textos inéditos desenvolvidos em uma das edições do Núcleo de Dramaturgia Firjan SESI. Os espetáculos montados se apresentarão em uma Mostra Teatral, aberta ao público, que será realizada em janeiro de 2019 em um dos espaços da Firjan SESI.
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Mais informações e acesso aos regulamentos e fichas de inscvrição pelo site http://www.firjan.com.br/noticias/editais-culturais-1.htm

Red Bull expande suas iniciativas artísticas em Detroit, nos EUA

A gigante mundial das bebidas energéticas oferece pequenas bolsas anuais para artistas, curadores e escritores Os participantes dos novos programas baseados em Detroit da Red Bull podem receber até US$ 12 mil por ano. Artigo de Henri Neuendorf para o portal de notícias Arte (www.artnet.com) editado em 11/07/18. +

A gigante mundial de bebidas energéticas Red Bull está incrementando suas iniciativas de arte nos EUA com uma expansão em Detroit. A empresa planeja estabelecer um programa expandido de residência artística, um programa de micro-subsídios para artistas locais e novas bolsas para curadores e escritores visitantes.
A Red Bull Arts Detroit, como a iniciativa será conhecida, deverá ser lançada em 2019. As vantagens para os vencedores incluem bolsas de US$ 12 mil anuais para artistas, US$ 10 mil para curadores e US$ 2 mil para escritores. Os artistas residentes receberão espaço no estúdio por três meses, além de acomodações para viagem e hospedagem.
A bolsa curatorial, por sua vez, oferece aos curadores 10 visitas mensais para pesquisar e desenvolver uma exposição de arte contemporânea em Detroit. Os escritores terão a oportunidade de viajar para a cidade duas vezes para desenvolver um texto e um programa público. Por fim, a iniciativa de concessão de microempréstimos oferece vários subsídios de US$ 1.000 ao mês a artistas sediados em Detroit, para que possam dedicar menos tempo aos trabalhos diurnos e dedicar mais atenção à sua prática. As bolsas são acompanhadas por aconselhamento de carreira da equipe da Red Bull Arts Detroit.
Os candidatos aos novos programas serão escolhidos por um comitê de seleção formado por membros de Detroit, incluindo o presidente e CEO da United States Artists Deana Haggag; a poeta natural de Detroit Airea D. Matthews; a professora do museu da Universidade de Illinois, Lucy Mensah; a ex-diretora do Queens Museum, Laura Raicovich; e o dançarino e coreógrafo John Michael Schert. O prazo para as inscrições para bolsas de redação e curadoria e residência artística é 24/8/18.
A expansão em Detroit segue uma série de exposições bem-sucedidas em Nova York, onde a Red Bull Arts organizou mostras de artistas como Mel Chin, Bjarne Melgaard e Rammellzee e outros.
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Artigo de Henri Neuendorf para o portal de notícias Arte (www.artnet.com) editado em 11/07/18.

Taxas ameaçam apagão nas artes, barrando mostras de Van Gogh, Picasso e Warhol

Uma nova interpretação por parte das concessionárias dos aeroportos de que obras de arte não têm valor cívico-cultural para a nação e que, por isso, precisariam ser sobretaxadas no armazenamento, ameaça não só a vinda de Van Gogh, último e mais vistoso capítulo da batalha travada desde a última SP-Arte, em abril, mas de todas as exposições estrangeiras marcadas para os próximos cinco anos. Artigo de Isabella Menon e Pedro Diniz para o jornal “Folha de S. Paulo” editado em 9/8/2018. +

Entre uma garfada e outra no salmão servido num jantar em Amsterdã, o diretor do Museu Van Gogh, Axel Rüger, enrubescia em silêncio ao ouvir do repórter o assunto “exposição no Brasil”.
Uma das pessoas mais influentes na arte, Rüger parece descrente que a mostra do impressionista planejada para daqui a cinco anos no Masp saia do papel.
Mesmo com a boa vontade dos dois lados da negociação para montar a maior mostra do holandês no Brasil, todos estão de mãos atadas.
Uma nova interpretação por parte das concessionárias dos aeroportos de que obras de arte não têm valor cívico-cultural para a nação e que, por isso, precisariam ser sobretaxadas no armazenamento, ameaça não só a vinda de Van Gogh, último e mais vistoso capítulo da batalha travada desde a última SP-Arte, em abril, mas de todas as exposições estrangeiras marcadas para os próximos cinco anos.
Não é a primeira vez que Van Gogh quase chega a São Paulo. O Instituto Tomie Ohtake previa para 2019 uma mostra do artista, porém, o valor que seria desembolsado pelo empréstimo das telas não coube no orçamento. Agora, com as novas taxas cobradas pelos aeroportos que recebem a maior parte das obras importadas, o caro virou exorbitante.
Guarulhos, em São Paulo, Viracopos, em Campinas, e Galeão, no Rio de Janeiro, passaram a cobrar uma taxa de 0,75% sobre o valor da obra —antes, cobravam R$ 0,15 pelo quilo da peça guardada. A mudança ocorreu após o reajuste das tabelas de preço estipuladas pelo governo, em 2017.
De uma hora para a outra, as concessionárias entenderam que obras de arte não se encaixam numa tabela que prevê taxa pequena para eventos científicos, filantrópicos, esportivos e cívico-culturais, segmento no qual a arte sempre esteve. Ela passou, então, a se enquadrar em tabelas onerosas.
Esse modelo de cobrança, segundo diretores de museus e centro culturais, fará o Brasil voltar à periferia do circuito.
O presidente do Masp, Heitor Martins, calcula que, se trouxesse as 25 obras de Van Gogh que deseja para a mostra de 2023, teria de pagar R$ 28 milhões —o custo anual de operação do museu— só para guardar essas peças avaliadas em R$ 3,75 bilhões. Na regra antiga, gastaria R$ 5.000.
Martins diz ainda que outra mostra, a da alemã Gego, em 2021, pode não acontecer devido ao imbróglio, que vem obrigando instituições a recorrerem à Justiça para cumprir acordos com estrangeiros.
“O país vai na contramão da história e, colocando esses obstáculos, só reforça seu isolamento cultural”, desabafa.
Outra mostra com 300 obras de nomes como Picasso, Rembrandt e Warhol no Tomie Ohtake foi adiada.
As peças viriam do Albertina, museu de Viena forçado a rever sua programação por causa do Brasil.
Ricardo Ohtake, diretor da instituição, conta que entrará com uma liminar para não pagar R$ 350 mil por armazenagem, valor pedido pela nova taxação. Com esse documento, o custo cairá para R$ 800.
“É uma vergonha para o país. Trocamos seis vezes o plano alegando problemas técnicos. Quando expliquei que era por causa das taxas, [os austríacos] gargalharam, achando que estava escondendo algo.” Se as regras não mudarem, ele diz, “é melhor todos os museus fecharem as portas”.
Não sem antes sofrer saias justas, como a que o Instituto Moreira Salles passou ao trazer as imagens do fotógrafo Irving Penn do Metropolitan.
Ao chegarem, o museu foi taxado em R$ 82 mil. O único jeito de se livrar da tarifa era esperar uma liminar. Para isso, as obras dormiriam no aeroporto, o que foi vetado pelo museu nova-iorquino. Na segunda leva de fotografias, com o mandado de segurança, a remessa saiu por R$ 220.
A Bienal de São Paulo, no entanto, deixou que as primeiras obras a chegar para sua próxima edição ficassem no aeroporto. Era isso ou teria de arcar com R$ 720 mil em vez dos R$ 2.200 pagos após liminar.
“O novo aeroporto internacional do Brasil será o do Chile ou o da Argentina”, diz o produtor Marcello Dantas. Visando driblar as altas taxas que poderiam ser cobradas pelas obras do artista Ai Weiwei, alvo de uma retrospectiva na Oca, em outubro, as peças virão do Chile de caminhão.
Mas o problema está longe do fim. Há dois dias, diretores da concessionária GRU Airport se reuniram com Marcio Candido, despachante especializado em logística de transporte de bens de culturais, para discutir uma saída.
“Eles dizem que cívico-cultural é um evento relacionado à pátria”, diz Candido. Dessa forma, insistem que obras não têm “valor patriótico” e que a Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, precisa esclarecer o termo “cívico-cultural”.
Mas assessores dessa agência do governo dizem que não cabe ao órgão interpretar a expressão. Em nota, o GRU Airport afirmou que "não há tabela específica que trate de armazenamento de obras de arte em aeroportos, e que houve um enquadramento adequado das cargas que devem ser beneficiadas por uma tabela específica". Segundo a Secretaria da Aviação Civil, destrinchar essas dúvidas pode demorar até um ano.
O Ministério da Cultura e o Ministério dos Transportes criaram um grupo para discutir o tema. O ministro da Cultura, Sergio Sá Leitão, teme que o impasse contamine projetos na Lei Rouanet.
“Estaríamos subsidiando as receitas das concessionárias com os recursos dos contribuintes”, afirma o ministro.
A produtora cultural Ana Helena Curti também participou das primeiras reuniões em Brasília. Ela chama de loucura o entendimento de que exposições não seriam cívico-culturais. “Se a cultura do país não é cívica, o que pode ser?”
Na visão dela, “a arte briga contra o tempo, porque conseguir liminares é caro e produtores pequenos não aguentariam os custos do trâmite”.
Também enfrentando dificuldades financeiras, concessionárias, como a de Viracopos, que entrou com pedido de recuperação judicial, continuam cobrando altas taxas. A empresa entende que exposições têm fins lucrativos por cobrar entrada do público.
A Rio Galeão, por sua vez, afirma respeitar o entendimento sobre o que é evento cultural, por isso, não cobrou a taxa maior pelas obras da mostra “100 Anos de Arte Belga”, em junho. Porém, as da SP-Arte, em abril, foram consideradas pela empresa como objetos de cunho comercial.
Sob condição de anonimato, uma funcionária disse que, se Van Gogh baixasse no Rio, passaria pagando a menor taxa.
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Artigo de Isabella Menon e Pedro Diniz para o jornal “Folha de S. Paulo” editado em 9/8/2018.

Filme mostra cidade chinesa das milhares de cópias de Van Gogh

O clichê do artista faminto ganha novas dimensões no filme sobre os milhares de Van Goghs chineses, documentário dos co-diretores Haibo Yu e Kiki Tianqi Yu (pai e filha), que leva os espectadores aos estúdios de Dafen, aldeia na cidade de Shenzhen, na China. Artigo de Sarah Cascone para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 19/7/2018. +

Homens e mulheres se dedicam à reprodução sincera de pinturas famosas de cânones da história da arte ocidental, mais notavelmente obras-primas de Vincent van Gogh. Depois de passar incontáveis horas produzindo dezenas de milhares de cópias de Van Gogh, os pintores de Dafen, compreensivelmente, desenvolveram um investimento emocional no artista holandês. “Eu estava suando e não conseguia mais dormir”, diz Zhao Xiaoyong, descrevendo o sonho em que conheceu o lendário impressionista. “Van Gogh estava em toda minha mente”.
O filme captura Zhao em seu dia-a-dia no estúdio, pintando incansavelmente para preencher grandes pedidos de réplicas de Van Gogh. Também o segue em sua jornada para visitar a Europa e ver, após 20 anos de cópias do trabalho de Van Gogh, os originais. “Se tivéssemos a chance de ir para o exterior, seria diferente: nossa visão seria aberta", diz ele a um de seus colegas pintores. Juntamente com a família e os estudantes, vivendo e trabalhando em um apartamento de dois quartos, Zhao produziu mais de 100 mil cópias de Van Gogh. Mas ele sente, no fundo do seu coração, que sem ter visto o gênio criativo de Van Gogh em pessoa, as imitações devem estar perdendo algum tipo de centelha criativa elementar.
Às vezes, o estúdio, composto apenas por Zhao, sua esposa, irmão e cunhado, deve produzir sete ou oito telas por dia para preencher os pedidos. “Eu nem preciso pensar”, admite Zhao. “O processo está todo em minha mente".
O estúdio de Zhao é apenas uma das muitas fábricas de réplicas. A vila de pintura a óleo Dafen cresceu de uma loja com 20 pintores em sua fundação em 1989 para 10 mil pintores hoje. E uma indústria anual de US$ 650 milhões. A vila tornou-se um pequeno destino turístico, com comentários no “Trip Advisor”.
A busca do girassol perfeito parece, às vezes, uma tarefa ingrata. Um jovem pintor do filme mostra-se desanimado depois de não satisfazer o seu chefe com os seus esforços. Mas enquanto os habitantes de Dafen lutam para ganhar a vida, suas telas executadas com perícia são vendidas para turistas desavisados em países ocidentais. Nos últimos anos, o mercado interno chinês para esse tipo de trabalho também aumentou.
O cineasta Haibo Yu vive em Shenzhen e fotografa os pintores de Dafen há mais de dez anos, ganhando o World Press Photo Award por uma de suas imagens em 2006.



“É um lugar irreal; você caminha entre as pinturas de Rembrandt e aquelas de Da Vinci e Monet. E você vê a classe trabalhadora mal paga entre as obras-primas mundialmente famosas ”, diz a filha de Haibo, Kiki Tianqi Yu, ao jornal holandês “Volkskrant”.
"Suas vidas são reais, cheias de problemas reais e preocupações reais." Mais do que apenas um meio de ganhar a vida, a pintura se torna uma paixão que tudo consome para muitos dos homens e mulheres de Dafen. E seu fracasso coletivo em realmente viver de acordo com a grandeza de Van Gogh, apesar de sua capacidade magistral de imitar suas pinceladas, torna-se uma fonte de angústia.
Para o entretenimento, uma noite, eles exibem o filme biográfico de Van Gogh de 1964, “Lust for Life”. A morte do artista traz lágrimas aos olhos dos pintores, que claramente o idolatram. Zhao e seus amigos também não podem deixar de comparar suas próprias lutas com a de Van Gogh, que vendeu apenas uma pintura durante sua vida. O diretor passou meses filmando Zhao na incerteza, a princípio, se conseguiria realizar seus planos de viajar para o exterior. Sua jornada para Amsterdã e França foi o cumprimento de um sonho antigo e uma experiência de abrir os olhos. Zhao logo tropeça em uma de suas próprias pinturas, não sendo vendida, como ele esperava, em uma galeria luxuosa, mas sim em uma loja de souvenirs.
A viagem planta uma semente, um desejo, que Zhao pode se tornar um artista por si só, seguindo seus próprios impulsos criativos, ao invés de imitar fielmente o trabalho de outro artista. Depois de 20 anos, Zhao lamenta: "Eu nem tenho uma única peça minha. Eu só copiei, copiei. “Vendo Van Gogh em pessoa, ele se sentiu pressionado a fazer mais, para tentar combinar a criatividade ilimitada do grande mestre, não apenas suas técnicas. Após seu retorno à China, Zhao pinta seu primeiro trabalho original. Ele mostra seu estúdio, com ele e sua família trabalhando duro em uma ordem de Van Goghs. Zhao parece, pela primeira vez, satisfeito. Ele encoraja seus colegas copistas a fazer o mesmo. “As pessoas podem dizer que nossas pinturas não são muito boas”, diz Zhao, “mas se esperarmos 50 ou 100 anos, haverá uma geração que nos entenderá e apreciará nossas pinturas”.
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Artigo de Sarah Cascone para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 19/7/2018.
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Veja o trailer do filme no link https://vimeo.com/188629378

Celebridades perdem seguidores no Instagram

Estudo Mídias Sociais 360º, desenvolvido pela FAAP e Socialbakers, mostra que rede social perdeu mais de 4 milhões de seguidores. Artigo fornecido pela FAAP e Oboé Comunicação Corporativa. www.faap.br/imprensa. Tels (11) 3662-7270 e 3663-7271. Jornalistas Fabiana Dourado (fabiana@oboecomunicacao.com.br) e Iracema Carvalho (iracema@oboecomunicacao.com.br) +

O estudo Mídias Sociais 360º (#MS360FAAP) desenvolvido pelo Núcleo de Inovação em Mídia Digital (NiMD) da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), em parceria com a Socialbakers, aponta que a categoria Celebridades, que inclui influenciadores digitais, artistas, entre outros, sofreu uma queda vertiginosa na quantidade de seguidores no Instagram.
No primeiro trimestre de 2018, a média de seguidores das Celebridades era de 9.900.078. Entre os meses de abril e junho, o número de followers caiu para 5.497.600, uma redução de aproximadamente 45% em apenas três meses.
Essa queda deve-se ao resultado da limpeza de perfis feita pelo Instagram e, também, pelo Facebook, após o escândalo da Cambridge Analytics, explica o prof. Thiago Costa, coordenador da pós-graduação em Comunicação e Marketing Digital da FAAP e um dos pesquisadores do NiMD. "Muitos perfis de influenciadores digitais usavam ferramentas para inflar seus perfis e grande parte desses recursos foram bloqueados pelas plataformas", destaca o especialista
Para o professor Adriano Cerullo, coordenador do curso de Live Marketing da FAAP e também colaborador do estudo, essa queda tão grande serve de aviso para as marcas que ainda baseiam suas escolhas de influenciadores apenas em números. "É preciso avaliar de maneira mais profunda antes de se associar a uma celebridade digital", opina.
Enquanto as Celebridades estão perdendo seguidores, as Marcas cresceram sua base de fãs, ainda que sutilmente. No primeiro trimestre de 2018, a média de seguidores era de 1.087.966 e, no segundo trimestre, passou para 1.199.516.

Facebook

O Facebook foi a plataforma que mais sofreu nos últimos meses com denúncias de manipulação e fake news. No entanto, segundo o estudo, as Marcas não tiveram uma queda tão significativa no número de curtidores como ocorreu no Instagram.
A média de fãs no Facebook das páginas do segmento "Marcas/Institucional", por exemplo, era de 3.328.877 entre janeiro e março deste ano. No segundo trimestre, a média caiu para 2.966.034 fãs.
Outro segmento analisado pelo relatório do NiMD, o de "Mídia/Notícias" - normalmente o que possui mais curtidores - também teve uma pequena queda: de 3.710.670 fãs passou para 3.671.810 no período analisado.
O estudo Mídias Sociais 360º também identificou que as Marcas estão demorando para responder aos usuários pelo Facebook. A média de tempo, que era de 2 horas e 19 minutos no início de 2018, subiu para 17 horas e 33 minutos.
Diante desses números, o professor Thiago Costa faz uma alerta: "Cogitou-se que o Facebook, depois dos escândalos, fosse 'acabar'. No entanto, a plataforma possui ainda muitos usuários que não podem ser ignorados pelas Marcas e agências", avisa.
O professor Adriano Cerullo concorda. Segundo ele, mesmo com o crescimento de seguidores no Instagram, é um erro as Marcas diminuírem a atenção dada ao Facebook. "O consumidor quer ser ouvido e receber interação em tantos pontos de contato quantos forem possíveis. A falha em uma plataforma pode afetar a imagem da marca como um todo", adverte.

Outros números

• O Twitter mantém sua posição tímida em relação às demais plataformas, mais massificadas. A média de crescimento de seguidores dos perfis de Marcas caiu de 9.347 no primeiro trimestre do ano para 6.981 no segundo;
• O número médio de postagens no Instagram das Marcas subiu de 19 para 22 por semana. As Celebridades também registraram números parecidos, de 11 para 14;
• No Facebook, apenas 12% das interações do segmento "Mídias/Notícias" são de compartilhamentos. As demais são curtidas e comentários. Já na categoria "Entretenimento", 21% das interações são compartilhamentos e, na categoria "E-commerce", são 14% do total;
• 31% das postagens de Marcas no Instagram não usam nenhuma hashtag;
• Enquanto as Marcas costumam ter uma média de 4.182 interações em cada publicação no Instagram, as Celebridades conseguem uma média de 67.815 (curtidas e comentários).
O relatório Mídias Sociais 360º (#MS360FAAP) mede as atividades dos 100 perfis empresariais com mais interações nas mídias sociais do Brasil dos setores Mídias e Notícias, Bens de Consumo, Entretenimento, E-Commerce e Marcas / Institucional. Desde o trimestre passado, passou a trazer também dados dos 100 principais influenciadores digitais. Os relatórios estão disponíveis no site www.faap.br/ms360faap.

Sobre a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP)
Sustentada em três pilares: tradição, cultura e inovação, a FAAP é hoje um grande polo de educação, com Ensino Médio, 17 cursos de graduação, nas áreas de Exatas e Humanas, pós-graduação, cursos de aperfeiçoamento de curta-duração, além de programas de idiomas, intercâmbio e eventos de alto nível que complementam a formação do aluno. Além de São Paulo, a FAAP está presente em São José dos Campos, em Ribeirão Preto e em Brasília.

Sobre o NiMD-FAAP
Lançado em novembro de 2013, o Núcleo de Inovação em Mídia Digital (NiMD) da FAAP tem como finalidade capacitar os profissionais da área, oferecer conhecimento prático aos estudantes de comunicação e ao público interessado no assunto e, especialmente, compartilhar com o mercado estudos e reflexões. A proposta é fomentar a evolução da linguagem digital e a comunicação entre marcas e seus consumidores.

Sobre a Socialbakers
A Socialbakers é a líder global em soluções para a otimização de performance e análise preditiva de marcas empresariais em redes sociais, incluindo mais de 100 empresas listadas no Fortune Global 500 (2016). Com mais de 2.500 clientes em 100 países, a Socialbakers oferece um motor de mensuração de performance nas múltiplas plataformas de redes sociais capaz de agregar diversas métricas e compará-las, proporcionando dados para a melhor decisão de negócios.
A Socialbakers tem como base o maior conjunto de dados de redes sociais do mundo, com mais de 8 milhões de perfis rastreados em todas as principais plataformas sociais, incluindo Facebook, Twitter, YouTube, LinkedIn, Instagram, Google+ e VK.com. Para mais informações, visite www.socialbakers.com e FaceBook, Twitter, Linkedln e Instagram.
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Artigo fornecido pela FAAP e Oboé Comunicação Corporativa. www.faap.br/imprensa. Tels (11) 3662-7270 e 3663-7271. Jornalistas Fabiana Dourado (fabiana@oboecomunicacao.com.br) e Iracema Carvalho (iracema@oboecomunicacao.com.br)

Tudo é maior no Texas, inclusive as coleções de arte

Os proprietários do Dallas Cowboys, Gene e Jerry Jones, construíram uma coleção de arte de nível mundial, não para si próprios, mas para dois milhões de fãs. Artigo de Felix Salmon editado em 29/06/2018 no site www.departures.com/art-culture/dallas-cowboys-jerry-jones-art-collection +

É 25 de outubro de 2015, e Gene e Jerry Jones, os proprietários do time de futebol Dallas Cowboys, estão jantando em Nova York com o ex-jogador de futebol americano do DC e comentarista esportivo da CBS Tony Romo. No meio do jantar, o telefone de Gene toca. Deixando a mesa e o restaurante, o casal senta no banco trasiero de um carro que os espera e se agacha em torno de um telefone. Do outro lado da linha, está Melissa Ireland, sobrinha de Gene, com os ingressos mais badalados do calendário social de Dallas: o jantar anual de gala Two x Two para a AIDS e Arte. Tal como acontece com muitas galas, há um leilão de caridade, e o lote da noite, “White Form”, de Ellsworth Kelly, está à venda.
“White Form” é um trabalho austero e cerebral do falecido colorista americano. Um relevo curvo simples de alumínio revestido em uma tinta branca refletiva transparente, projeta-se da parede em direção ao espectador. É uma peça experiencial. Para apreciá-lo, você precisa se movimentar, ver suas profundezas e sombras, sentir sua escala humana. Arte de um amante da arte, é o tipo de peça que seria a preferida de um curador de museus, mas atrairia poucas multidões. Gene Jones quer comprá-lo. Ela tem todo o apoio do marido. "O que for preciso", diz ele, dizendo a Melissa que ela deve continuar a licitação até que a peça seja deles. Na família Jones, uma vez que você começou algo, você não apenas termina, você termina certo.
Algumas semanas depois, o desejo de Gene se torna realidade, já que a Kelly, pela qual ela acabou pagando US$ 2,3 milhões, está instalada em um local privilegiado perto da entrada do estádio dos Dalals Cowboys. É bem ao lado de uma peça mágica hipnotizante de Jim Campbell; também fica perto de uma foto clássica de Doug Aitken. Ao virar da esquina existem importantes obras de Mel Bochner, Daniel Buren, Olafur Eliasson e Lawrence Weiner. Claramente, os Jones são colecionadores de arte contemporânea de primeira linha.
Mas aqui está uma questão: a arte presente na villa de estilo mediterrâneo do casal em Dallas é limitada em parte a uma pequena coleção de pinturas com tema de futebol de Norman Rockwell. Por todo o dinheiro e tempo que eles gastaram em obras de arte, os Jones não têm o problema que a maioria dos colecionadores tem: acumular inúmeros trabalhos e os admirar em casa. Em vez disso, eles encomendaram obras que nunca podem ser vendidas e colocaram tudo em exibição pública no AT&T Stadium, a casa do Dallas Cowboys. E, ao fazer isso, criaram uma coleção de arte particular como nenhuma outra.
A coleção dos Jones, ao que parece, está enraizada em uma compreensão intuitiva, à frente do tempo, para onde grande parte do mundo da arte contemporânea parece estar se dirigindo: um foco em obras de larga escala, teatrais e altamente instaláveis. E a parte mais estranha disso - uma coleção de arte em um estádio de futebol? Mas é exatamente isso que faz funcionar.
Entre as maiores estruturas abobadadas do mundo, o AT&T Stadium é um monumento de US$ 1,2 bilhão para as ambições do porte do Texas de seus proprietários. Superlativos abundam: o estádio está pendurado nos dois maiores arcos de uma só extensão do mundo (cada um tem 1.225 pés de comprimento); as portas em cada uma das extremidades têm incompreensíveis 120 pés de altura por 180 pés de largura e levam 18 minutos para abrir ou fechar. Os 104 milhões de pés cúbicos de espaço sob o seu teto retrátil já foram preenchidos por concertos de U2, Beyoncé e Taylor Swift, rodeios, ralis de caminhões-monstro, extravagâncias de luta livre, até mesmo uma apresentação de “A Flauta Mágica”.
E depois há os próprios jogos dos Cowboys. Ver um jogo em casa é uma experiência intensamente visceral: o rugido da multidão; o poder das luzes (incluindo os fogos de artifício interiores); o volume e a velocidade e o atletismo e a violência dos jogadores colidindo uns com os outros. Todo o tempo, tudo é capturado em um par de telas de vídeo de alta definição com 160 pés de largura por 72 pés de altura. É tão cuidadosamente orquestrada como uma faixa de EDM, com períodos em que a platéia pode recuperar o fôlego em “gotas” perfeitamente programadas, onde 80.000 fãs explodem em uníssono. Isso é uma sobrecarga sensorial na escala do Texas. E é exatamente o oposto do ambiente quieto, cerebral e contemplativo que se tornou o modo padrão de olhar para a arte.
A história da coleção de arte está enraizada na história do próprio estádio, que foi construído em 2009 no meio da Grande Recessão. "Não faz sentido comercial, o que fizemos", diz Charlotte Jones, filha de Gene e Jerry e líder global da marca Dallas Cowboys, lembrando os piores dias de construção do estádio. "Assim que você começa, todo mundo está animado com isso, mas então tudo desmorona. É claro que a família pensou em voltar atrás, ou mesmo parar. Nós estávamos gastando um milhão de dólares por dia”, lembra Charlotte. “Foi uma época assustadora.” Mas a decisão final, de Jerry Jones, nunca esteve realmente em dúvida: a construção continuaria, mais grandiosa do que nunca.
Há uma recessão? Os esportes são ótimos em uma recessão! A família Jones iria criar o maior e mais brilhante recinto esportivo do país. "Poderíamos ter tido um local muito sofisticado para jogarmos em nossos jogos, provavelmente em metade do investimento", diz Charlotte. Mas então, por que os fãs iriam até Arlington, quando poderiam assistir ao jogo em suas TVs de tela grande? Por que alguém iria para o estádio pelos 355 dias no ano quando não estava hospedando um jogo de futebol? Como Charlotte diz: "Sabíamos que precisávamos ser mais do que apenas uma instalação esportiva". O objetivo não era construir um estádio; foi criar, nas palavras de Charlotte, "uma grande experiência louca". É mais fácil falar do que fazer, especialmente quando você está construindo um estádio de monstros em uma cidade com pouco transporte público. Os 24.000 lugares de estacionamento disponíveis são todos ao nível do solo, o que significa que dezenas de milhares de fãs caminham através do asfalto sob um implacável sol do norte do Texas. E então, uma vez que eles chegam ao estádio, eles enfrentam longas rampas de concreto e degraus íngremes antes mesmo de obter o primeiro vislumbre da grelha.
Isso não era aceitável para a formidável Gene Jones, uma gentil senhora do sul que certificava-se de que, se os Cowboys fossem uma empresa familiar, seu estádio refletiria os valores de generosidade e hospitalidade da família. Então, se os fãs tivessem que subir longas rampas para chegar aos assentos mais baratos no topo, eles não deveriam estar olhando para as paredes de concreto em branco ao fazê-lo. Ela ia colocar uma grande arte nessas paredes e transformar algo chato em algo maravilhoso. E, claro, como o estádio era grande e contemporâneo, a arte deveria ser em grande escala e contemporânea também. Gene não sabia nada sobre arte contemporânea, mas sabia que a arte certa para um estádio moderno de aço e vidro brilhante seria feita por artistas vivos. Ela também teve a sorte de conhecer Gayle Stoffel. Stoffel, com seu marido, Paul, é um exemplo clássico de colecionador de arte contemporânea.
Entre em sua casa em Dallas, construída sob encomenda para exibir a magnífica coleção do casal, e você será imediatamente confrontado com dezenas de milhões de dólares em obras de Gerhard Richter, Chuck Close, Andy Warhol e muitos outros. Assim, quando Stoffel disse a Mary Zlot, da Zlot Buell + Associates, uma das principais assessoras de arte de São Francisco, que atendia o chamado de Gene, ela foi bastante franca: “Eu não faço estádios.” Ainda assim, quando a ligação chegou, alguns meses depois, Zlot foi educada e profissional.
Mas Gene não conseguiu responder a nenhuma das perguntas básicas que os consultores de arte fazem logo de cara: de quais artistas você gosta? O que você gostaria de colecionar? Qual é o seu orçamento? Tudo o que Gene sabia era que, se ela fizesse isso, teria que ser feito corretamente. De sua parte, tudo o que Zlot pôde fazer foi pedir a Gene que enviasse alguns detalhes sobre o estádio.
Foi só quando as informações chegaram - em um tronco, completo com planos, elevações, visitas virtuais - que Zlot finalmente entendeu o quão séria Gene era. Em pouco tempo, Zlot encontrou-se em Dallas, mostrando à família Jones em uma apresentação em PowerPoint de artistas que ela sabia que poderiam trabalhar com sucesso em grande escala. Zlot esperava que a família Jones aceitasse suas idéias, encomendasse alguns trabalhos dos artistas que ela listara e a deixasse com seus bilionários do Vale do Silício. Em vez disso, Gene a contratou no local.
O maior problema de Zlot era que a família Jones não estava acostumada à natureza ridiculamente esnobe do mundo da arte. Você precisa ser alguém e Gene Jones, no mundo da arte, pelo menos, não era ninguém. Para tornar as coisas ainda mais difíceis, é provável que as galerias reajiriam mal à palavra estádio.
Então Zlot reuniu algumas das maiores armas que conseguiu encontrar: Stoffel, o mega-colecionador de Dallas, Howard Rachofsky, e representantes do Museu de Arte de Dallas e do Museu de Arte Moderna de Fort Worth. Todos concordaram em se juntar a um conselho de arte quase que aconselharia a família Jones.
Outro vento a favor veio da crise financeira, que pode ter sido terrível para as finanças do estádio, mas foi um verdadeiro presente em termos de comissionamento de arte. As galerias tendem a perder muito do seu esnobismo quando não estão fazendo vendas.
O outro momento fortuito foi que Eliasson teve um show no Museu de Arte de Dallas no final de 2008. O artista dinamarquês fez um grande sucesso com seu Weather Project, uma deslumbrante instalação solar na Tate Modern em Londres há alguns anos. antes. Zlot naturalmente organizou para que Eliasson conhecesse Gene e Jerry Jones, e no dia seguinte ele estava no local com um capacete altamente animado com os planos para o estádio quanto com a ideia de criar arte para ele. Ele se inscreveu quase imediatamente, o que ajudou a persuadir outros artistas a participar do projeto.
A logística era incrivelmente complicada, mas os traços amplos eram simples: o conselho de arte identificou 16 espaços dentro do estádio que eram adequados para trabalhos maciços comissionados, depois pediu aos artistas que propusessem ideias.
Quando o Cowboys jogou seu primeiro jogo no novo estádio, em setembro de 2009, Gene conseguiu garantir que todas as obras de arte já estavam instaladas, abrangendo a maioria das maiores paredes internas do estádio. Mel Bochner, artista de Nova York, entregou uma parede de 1,254 metros quadrados intitulada “Win!”, que ele descreve como “uma espécie de mantra para os fãs de futebol”; apresenta a exortação WIN! seguido por uma série de outros incentivos: WHOMP ’EM! SKIN 'EM ALIVE! KICK ALGUM BUTT! O artista inglês Terry Haggerty lançou uma onda ótica vermelho-e-branco de 6 metros de comprimento, na época a maior peça que ele já havia executado. O “Blue Field Explosions”, de Gary Simmons, exigiu que o artista, que tem medo de altura, subisse em um andaime aberto, se prendesse e depois, com medo e excitação, dançasse a tinta sobre o fundo azul-escuro com as mãos enluvadas. "Foi tão emocionante o que ele estava fazendo", lembra Charlotte. "Foi incrível."
O mais impressionante é que Weiner entregou uma peça de parede de 38 por 33 pés no topo de uma das duas escadarias monumentais do estádio. Ele apresenta uma série de frases no formato estampado da marca Weiner. As frases, ligadas por linhas curvas dinâmicas, têm uma ressonância particular para jogadores de futebol e conhecedores do jogo - pessoas que geralmente têm mais alfabetização do que a maioria dos colecionadores de arte quando se trata de diagramas de movimento.
As peças de Weiner estão sempre na língua local, e esta é duplamente: é em inglês, claro, mas também fala a linguagem dos esportes. “O futebol é sobre massa”, observa Weiner, e seu trabalho aborda e exalta a beleza cinética complexa do jogo. “O trabalho que faço é a relação escultural dos seres humanos com os objetos”, diz ele. Entre as pessoas pode-se mencionar Jason Cowten, do Dallas Cowboys, que joga na equipe desde 2003. “Eu nunca prestei muita atenção à arte contemporânea, ou arte de qualquer tipo, até que a família Jones construiu o estádio”, disse ele. Mas agora “é algo que você percebe imediatamente. Independentemente de qualquer entrada que você use para entrar no estádio, haverá uma obra de arte que vai chamar sua atenção e fazer você parar e olhar para ela. Não há nada como isso em qualquer lugar. Ainda mais gratificante para Gene, os fãs reagiram como ela esperava. Não há cordas na frente das peças, nada para impedir as multidões de se esfregarem contra elas, derramando mostarda e cerveja em cima delas, e pior. Até agora isso nunca aconteceu; no máximo, são os sofistas do mundo da arte que têm maior probabilidade de querer se aproximar.
Nem todos os fãs amam a arte, é claro, ou até mesmo percebem isso - mas isso faz parte do seu charme. O estádio não é um museu de arte, fetichiza seus objetos preciosos e, de maneira reprovadora, faz com que os visitantes se sintam inferiores se não os estiverem vendo na condição exigida de alta seriedade.
Nem a arte requer muito conhecimento para entender. Quase tudo é alegre, edificante. Os cognoscenti adoram também: poucas semanas após a inauguração do estádio, ele estava solidamente no mapa do mundo da arte. Colecionadores que vinham a Dallas e Fort Worth para ver as lendárias coleções de arte das cidades, privadas e públicas, viram-se fazendo desvios para Arlington. Galerias blue-chip começaram a fazer apresentações não solicitadas para o consultor de arte de Gene. E um fluxo constante de artistas, incluindo Pipilotti Rist, Leo Villareal e Tom Friedman, começou a se juntar a Gene na caixa do proprietário para assistir a um jogo e entender melhor a dinâmica do prédio.
É um grupo eclético de artistas, mas eles têm uma coisa em comum. A família Jones talvez não soubesse muito sobre arte quando eles começaram, mas eles sabiam sobre o espetáculo, e em um mundo onde a arte está se tornando cada vez mais teatral, talvez isso fosse ainda mais importante. No mundo da arte, a busca por novidades e popularidade nunca foi tão alta quanto hoje.
Nesse sentido, a coleção de arte dos Cowboys é emblemática de uma profunda mudança estrutural na forma como a arte é produzida e consumida. Já não é arte murada em seus próprios guetos de meia-testa; em vez disso, transformou-se em seu próprio espetáculo atraindo multidões recordes - seja o show de estilo de festa do artista japonês Yayoi Kusama no Hirshhorn Museum, em Washington, D.C., ou a instalação de cais flutuante de açafrão da Christo no norte da Itália. Depois de algumas décadas de austeridade recôndita, a arte voltou a ser divertida: grande, brilhante, ambiciosa, espetacular. Então, por que não levá-lo ao maior estádio de futebol do mundo?
Em um sentido puramente financeiro, a coleção dos Cowboys é tão pura quanto uma coleção de arte particular pode ser, só porque a maior parte dela nunca pode ser vendida. As peças específicas encomendadas são geralmente mais caras do que as obras de arte vendáveis, apenas porque envolvem muito mais trabalho para o artista e a galeria. E, no entanto, se Gene Jones gastar um milhão de dólares em uma peça dessas, seu patrimônio líquido, para todos os efeitos, diminuiu em um milhão de dólares. De certa forma, não é justo: ela está pagando preços com grau de investimento por peças que nunca podem ser um investimento.
Ao mesmo tempo, quando se trata de publicidade e carisma, a coleção dos Cowboys está à frente de quase qualquer outra coleção particular. A verdadeira motivação por trás disso - o que mantém Gene cultivando-o, mesmo depois de todas as paredes óbvias do estádio terem sido preenchidas - é o que Stoffel caracteriza como “o amor de outras pessoas vendo arte”. Gene fica surpreendentemente emotiva falando sobre a arte no estádio. "Eu simplesmente me apaixonei", diz ela com uma lágrima nos olhos. “Comprando para o estádio, você sabia que milhares e milhões de pessoas iriam se divertir. Eu adorei como os fãs adoraram. ” Esse tipo de visibilidade - ser visto pelo tipo de público que vai para os rodeios, em vez de apenas as pessoas que vão aos museus - é importante para os artistas também. Teresita Fernández, cuja comissão de 31 pés de largura e específica para cada local, chamada “Starfield”, lembra uma bola de discoteca achatada por um rolo compressor, é bem conhecida entre os tipos do mundo da arte. Mas ainda é muito excitante para ela estar sentada em um bar esportivo em Paris e ver sua arte sendo apresentada em um contexto muito mais popular. Como outro artista da coleção, Terry Haggerty, coloca: "você não quer apenas dez pessoas de arte olhando para o seu trabalho em um show de galeria".
O mundo da arte, lenta mas inexoravelmente, está começando a entender o poder dos números. "O mundo da arte é uma pirâmide", disse Marc Glimcher, presidente da Pace Gallery, em entrevista à Bloomberg em outubro passado. “Há um pequeno grupo de pessoas no topo que compra arte e dezenas de milhões de pessoas que a amam por baixo. Esse pequeno grupo no topo não existe sem os milhões de amantes da arte. E agora, as galerias estão finalmente descobrindo que precisamos cuidar dessas dezenas de milhões de pessoas também ”.
Alguma coisa está perdida quando a arte fica tão grande e tão corporativa? Muitos especialistas do mundo da arte, incluindo amigos e admiradores de Gene, diriam sim a essa pergunta. Um termo frequentemente ouvido é “plop art”: algo grande e barulhento que pode ser colocado em um parque ou praça para fazer um respingo e parecer impressionante, mesmo que tenha pouco mérito artístico intrínseco.
Mas Gene Jones não vê dessa maneira, nem deveria ela. Depois de mais de 50 anos de casamento com Jerry, ela também se tornou “brilhante em intuir o valor intangível, ou o valor do intangível”, que é a descrição de Jerry do arquiteto do estádio Bryan Trubey.
Da mesma forma, depois de mais de 50 anos de casamento com Gene, Jerry tornou-se um especialista em saber exatamente o que ela gostaria que ele dissesse. No outono passado, quando dois tipos de artistas do mundo da arte estavam sentados no campo de prática dos Cowboys e falando sobre os custos de fabricação de uma grande escultura nova, Jerry passou e disse oi. Ele falou sobre ter ganho muito dinheiro com a popularidade do futebol, mas também insinuou que estava começando a pensar que o intenso interesse por esportes poderia ser deslocado. "Nós tomamos esse interesse", disse ele, "e nós o redirecionamos para a arte".
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Artigo de Felix Salmon editado em 29/06/2018 no site www.departures.com/art-culture/dallas-cowboys-jerry-jones-art-collection
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O AT&T Stadium (estádio do Dallass Cowboys) é o estádio do time de futebol americano Dallas Cowboys. Localizado em Arlington, subúrbio de Dallas, Texas (EUA), tem capacidade para 80.000 espectadores, mas quando adaptado pode receber até 111 mil pagantes. No jogo inaugural do estádio, o time perdeu para o New York Giants, com uma presença do ex-presidente americano George W. Bush.

Prêmio Thomas Skidmore seleciona livro sobre questão racial no Brasil

O prêmio consiste na seleção e publicação, nos EUA de um livro autoral publicado no Brasil entre 2013 e 2017 sobre a temática da questão racial no país. +

O Arquivo Nacional e a Brazilian Studies Association (BRASA) promovem mais uma edição do Prêmio Thomas Skidmore, que homenageia o importante brasilianista norte-americano e professor emérito da Brown University. O prêmio consiste na seleção e publicação, nos EUA de um livro autoral publicado no Brasil entre 2013 e 2017 sobre a temática da questão racial no país. O financiamento no valor de U$ 5.000 (cinco mil dólares) é custeado pela BRASA.
O Prêmio Thomas Skidmore contou com duas edições anteriores, realizadas nos anos de 2010 e 2013. A primeira edição teve como tema o período de 1930 a 1964, que correspondia ao primeiro livro de Thomas E. Skidmore denominado “De Getúlo a Castelo Branco”, publicado nos EUA sob o título “Politics in Brazil, 1930-1964: An Experiment in Democracy”. O livro de Paulo Fontes, intitulado “Um Nordeste em São Paulo: Trabalhadores Migrantes em São Miguel Paulista: 1945-66” foi o vencedor da edição de 2010 e foi publicado pela Duke University Press.
Na edição de 2013, Maud Chirio ganhou o prêmio com o livro denominado “A Política nos Quartéis: Revoltas e Protestos de Oficiais na Ditadura Militar Brasileira”, que correspondia à temática da obra de Thomas Skidmore “Politics of Military Brazil”. O livro foi publicado pelo University of Pittsburgh Press.
A edição 2018 tem como tema a questão racial no Brasil e corresponde a outra obra clássica de Thomas E. Skidmore, cujo título é “Preto no Branco: Raça e Nacionalidade no Pensamento Brasileiro (1870-1930)”. O livro a ser premiado deverá ser autoral e possuir conteúdo de interesse internacional para que possa ser publicado em inglês.
As inscrições ficarão abertas até 30 de setembro de 2018 e a Comissão Julgadora se reunirá no Rio de Janeiro, no Arquivo Nacional, entre 19 a 23/11, para escolher o melhor livro a ser premiado. O edital está disponível no site www.arquivonacinal.gov.br. Mais informações pelo e-mail premioskidmore@an.gov.br.

A morte do pintor que uniu figura e abstração

O artista paraibano Antonio Dias, um dos principais nomes da pintura brasileira, em atividade desde os anos 1960, morreu ontem (dia 1º.), aos 74 anos, de câncer, na Clínica São Vicente do Rio de Janeiro. Artigo de Antonio Gonçalves Filho para o jornal "O Estado de S. Paulo" editado em 02/08/2018. +

O artista paraibano Antonio Dias, um dos principais nomes da pintura brasileira, em atividade desde os anos 1960, morreu ontem (dia 1º.), aos 74 anos, de câncer, na Clínica São Vicente do Rio de Janeiro, segundo anúncio feito por sua marchande Nara Roesler, que trabalhava com o pintor desde 2009. O velório foi realizado na capela 7 do Memorial do Carmo, no Cemitério do Caju. Antonio Dias tinha um tumor no cérebro e chegou a ser operado no ano passado, na Itália, mas não resistiu aos efeitos da metástase (o câncer se espalhou e atingiu os pulmões).
Antonio Dias começou sua carreira nos anos 1960, tendo estudado com o gravador Osvaldo Goeldi no Atelier Livre de Gravura da Escola Nacional de Belas Artes, em 1959, no Rio de Janeiro. Esse aprendizado foi fundamental para a formação do pintor, que participou ativamente da resistência à ditadura militar instaurada no Brasil em 1964, produzindo uma obra de caráter político que denunciou as arbitrariedades do regime. Convivendo com os artistas do Grupo Frente, sua arte mudaria de rumo nos anos seguintes, incorporando a abstração.
Após participar da histórica mostra Opinião 65, foi descoberto pelo crítico francês Pierre Restany, que o convidou a participar da 4a. Bienal de Paris com uma exposição individual. Era o começo de uma carreira internacional de sucesso (ele é um dos poucos artistas brasileiros a ter cotação internacional). Em 1971 recebeu uma bolsa da Fundação Guggenheim e deu início a uma série hoje canônica, The Illustration of Art (19711974), uma das primeiras manifestações multimídia, unindo poesia e cinema. Fragmentos dela serão exibidos na exposição individual do artista que a galeria Nara Roesler abre no dia 25 com curadoria do crítico Paulo Sérgio Duarte. A mostra traz ainda uma obra inédita de Dias, um trabalho político dos anos 1970 que se encontrava em seu ateliê italiano.
Também dessa época, mais precisamente de 1977 é o seu álbum Trama com 11 xilogravuras impressa em papel nepalês, com certeza um dos mais sofisticados do pintor, que apresenta ao espectador um retângulo incompleto como se fosse uma bandeira, lacuna física que Antonio Dias exploraria em outras obras, inclusive na pintura.
Nos anos 1980, já morando na Itália, Antonio Dias passou a frequentar ateliês de artistas ligados à transvanguarda italiana, mas o pintor não se identificava propriamente com os procedimentos expressionistas da escola. Por outro lado, tinha interesse na arte povera, que descobriu em Milão, em 1968, ano de manifestações incendiárias em todo o mundo. É a época em que Dias recorre com frequência à linguagem dos quadrinhos para tratar de assuntos políticos relevantes, retratando a violência do regime contra seus opositores.
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Artigo de Antonio Gonçalves Filho para o jornal "O Estado de S. Paulo" editado em 02/08/2018.



Sem verba de produção, edital da Funarte gera críticas

O edital Paralelos Artes Visuais abriu uma seleção para mostras em galerias e espaços da Funarte em Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, sem prêmio em dinheiro ou outro investimento financeiro do órgão — os artistas terão que arcar com todos os custos, tirando os de infraestrutura. Artigo de Alessandro Giannini e Jan Niklas publicado no jornal “O Globo” em 18/07/2018. +

Um projeto de ocupação artística lançado pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) causou críticas no meio cultural. O edital Paralelos Artes Visuais abriu uma seleção para mostras em galerias e espaços da Funarte em Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, sem prêmio em dinheiro ou outro investimento financeiro do órgão — os artistas terão que arcar com todos os custos, tirando os de infraestrutura.
Publicado no Diário Oficial da União no dia 3 de julho, o processo seletivo visa convocar artistas para exporem em alguns espaços da Funarte nas três cidades. Diversos produtores culturais se manifestaram por meio das redes sociais. Para o artista Marcelo Moscheta, que já foi premiado pelo órgão, isso vai contra o histórico da instituição tida como referência em estímulo ao setor.
— É uma afronta ao que representa a própria Funarte, que sempre teve um papel de formação de realizadores e tinha os mais requisitados editais. O que vamos ver nesse edital é que quem tem dinheiro, patrocinador e condições de se bancar sozinho vai ganhar.
Para o professor da Escola de Belas Artes da UFRJ Felipe Scovino, que classificou o projeto como um “descalabro”, o edital representa o atual momento de falência das políticas públicas para cultura no Brasil.
— Não é um problema especificamente da Funarte, mas de uma negligência maior, que parte do governo federal. Os encargos e as responsabilidades ficam todas nas costas dos artistas, que no momento não têm a menor capacidade de arcar com esses custos.

MODELO SIMILAR NO TEATRO

Representante da regional Sudeste da Funarte, em São Paulo, Ester Moreira coordena as atividades da sede paulistana da fundação desde fevereiro de 2017. Ela pondera que o edital Paralelos Artes Visuais tem como principal objetivo a ocupação dos equipamentos.
— Temos galerias e outros espaços para exposições de artes visuais. E nós os cedemos aos selecionados dando toda a infraestrutura — diz ela. — Como são espaços abertos, não tem como cobrar ingresso.
De acordo com a coordenadora, a Funarte lançou o edital de Espetáculos de Artes Cênicas e Música 2018 no fim do ano passado nos mesmos moldes do Paralelos Artes Visuais. Os projetos de circo, dança, teatro e show selecionados ocuparam espaços da fundação no Rio, Brasília, Belo Horizonte e São Paulo (SP) de abril a julho. Não houve prêmio em dinheiro.
— Teve muita procura, mas o perfil é diferente — diz ela. — São coletivos e grupos independentes que não têm dinheiro suficiente para alugar teatros, mesmo quando carregam premiação de outros editais. No caso dos teatros e das casas de espetáculo, a bilheteria não tem desconto de manutenção, e o valor todo reverte para os artistas.
Para Ester, a grita dos artistas visuais contra o edital Paralelos Artes Visuais se explica porque esta é uma atividade cara. E, segundo ela, eles estavam acostumados a desenvolver os seus trabalhos com a verba da Funarte.
— Eles faziam os trabalhos com o dinheiro do prêmio e podiam expor as obras em outros lugares. Expor na Funarte dá status, melhor ainda quando tem fomento. O fazer deles é bastante caro — diz ela.
O último edital da Funarte de produção, em âmbito nacional, para as artes visuais foi aberto em agosto de 2016. Na ocasião, o Prêmio Conexão Circulação Artes Visuais selecionou dez projetos com premiações que variaram de R$ 180 mil a R$ 250 mil. PRÊMIO PARA PERIFERIAS Ontem a instituição lançou um novo edital, de perfil segmentado: o Prêmio Funarte Artes Visuais — Periferias e Interiores, que visa estimular a produção artística nessas áreas e vai premiar 15 projetos com R$ 20 mil cada um.
— É um edital específico, mas o valor é baixo, destinado a fomentar a atividade artística em locais carentes — explica a coordenadora da Funarte de SP. — Cada vez mais, a Cultura fica com menos. E dentro disso a Funarte fica com menos ainda.
Em nota, o Ministério da Cultura afirmou que tem investido, regularmente, em diversos editais por meio da Funarte: “Em 2017, mais de R$ 34 milhões foram destinados a projetos por meio da Fundação. Além disso, foram realizadas 2.722 atividades artísticas nos espaços culturais da Funarte no Rio, em São Paulo, em Minas Gerais e em Brasília, resultado de um investimento total de cerca de R$ 25 milhões.”
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Artigo de Alessandro Giannini e Jan Niklas publicado no jornal “O Globo” em 18/07/2018.

Morre em SP a artista plástica Eleonore Koch, discípula de Volpi, aos 92 anos

Com obra pouco estudada no Brasil, seu trabalho é caracterizado por 'combinação de austeridade e intimismo em imagens calmas, estáveis e ao mesmo tempo capazes de figurar a angústia da espera'. Matéria publicada originalmente no site do G1 (g1.com), em 01/08/18. +

A artista plástica Eleonore Koch, discípula do pintor modernista ítalo-brasileiro Alfredo Volpi, morreu aos 92 anos na madrugada desta quarta-feira (1), informou a Pinacoteca de São Paulo.

Koch nasceu em Berlim e chegou a São Paulo aos 10 anos de idade. Iniciou sua formação como escultora, estudou em Paris e trabalhou com cenografia na TV Tupi até conhecer o pintor Alfredo Volpi, de quem é considerada sua única discípula, e centrar sua produção na pintura.
Com obra pouco estudada pela crítica de arte no Brasil, seu trabalho é caracterizado por uma “combinação de austeridade e intimismo em imagens calmas, estáveis e ao mesmo tempo capazes de figurar a angústia da espera”, de acordo com a Pinacoteca.

Segundo o instituto Itaú Cultural, à primeira vista, sua obra encontra semelhanças com a pintura metafísica italiana, com uma certa sacralização na representação dos objetos. Entretanto, Koch não segue a trajetória do figurativismo à abstração que caracteriza os artistas que a influenciaram. A artista nunca abdica da representação do mundo com base em objetos e paisagens.

Sem título [estudo para Sinal], Eleonore Koch, 1959 (Foto: Pinacoteca/Divulgação)
“Assim como na pintura de Volpi, na qual bandeirinhas, portas e janelas não são meras alegorias ou símbolos da cultura brasileira, mas objetos plásticos com os quais o artista procura explorar arranjos formais e de cor, as coisas representadas por Koch evocam a memória dos objetos cotidianos, sem ocultar o caráter sensorial da pintura”, consta na enciclopédia do instituto.
Em 1956, a artista fez sua primeira exposição individual no Museu de Arte Moderna de São Paulo e nos anos 60 mudou-se para Londres, entrando em contato com a pop art inglesa. Voltou a viver no Brasil no final da década de 1980.

Algumas telas suas estão em exibição na mostra coletiva Mínimo, Múltiplo, Comum, na Estação Pinacoteca.

Nesta quarta, outros dois expoentes da arte brasileira do século 20 faleceram no Brasil. Em Salvador, o artista plástico Mário Cravo, considerado o último modernista baiano vivo, morreu aos 95 anos em Salvador. No Rio, o artista plástico paraibano Antonio Dias morreu aos 74 anos, durante um tratamento contra um câncer. Aos 21 anos, ganhou o prêmio da Bienal de Paris.
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Matéria publicada originalmente no site do G1 (g1.com), em 01/08/18.

Aos 95 anos, morre o artista plástico baiano Mário Cravo Jr.

Expoente da geração de modernistas, o artista estava internado havia dez dias com pneumonia. Matéria publicada originalmente no jornal `Folha de São Paulo`, em 01/08/18. +

Último expoente da geração de artistas modernistas da Bahia, Mário Cravo Júnior morreu nesta quarta-feira em Salvador, aos 95 anos. Ele estava internado havia dez dias na capital baiana com uma pneumonia e morreu após falência múltipla dos órgãos.

Escultor, pintor e gravador, Cravo Júnior teve uma trajetória de mais de sete décadas nas artes e se consolidou como um dos nomes mais marcantes da escultura brasileira. Junto de artistas como Carlos Bastos e Genaro de Carvalho, ele ajudou a impulsionar a arte moderna na Bahia e deixou um legado de pinturas, gravuras, desenhos e esculturas.

Uma parte importante de suas obras está em praças e parques de Salvador.Talvez a mais conhecida delas, a “Fonte da Rampa do Mercado”, construída com fibra de vidro em de 1970, tem 16 metros de altura e domina a praça Cairu, ao lado do elevador Lacerda e do Mercado Modelo, dois dos maiores marcos arquitetônicos da cidade.

Também é de sua autoria o monumento da Cruz Caída, de 1999, erguida junto à praça da Sé, porta de entrada do Pelourinho. A escultura representa a memória da igreja da Sé, demolida nos anos 1930 para dar passagem a uma linha de bonde em Salvador.Outro conjunto de suas esculturas está no parque de Pituaçu, onde ele mantinha um atelilê e lá trabalhou diariamente até o último mês.

Em Itapuã, sua icônica escultura de uma sereia se tornou um marco de um dos bairros mais conhecidos da capital baiana.Cravo Júnior nasceu em abril de 1923, em Salvador. Filho de uma família de comerciantes de Alagoinhas, no norte da Bahia, ele passou a infância na capital do estado, onde morou no bairro da Ribeira, região da Cidade Baixa.

Foi na capital que se aproximou de escritores como Jorge Amado e Zélia Gattai e também do artista plástico argentino Carybé, reforçando o elo de sua obra com os temas da cultura popular da Bahia.Uma de suas obras mais famosas, “O Tocador de Berimbau”, segue essa linha.

Feita de madeira e com três metros de altura, a obra fez parte do acervo do Hotel Nacional, de Brasília. Também é de sua autoria “Exu Mola de Jipe”, que fica no jardim de esculturas do Museu de Arte Moderna paulistano, no Ibirapuera.

O artista também teve uma escultura, uma gota metálica com uma fenda, instalada na praça da Sé, em São Paulo.Ele era pai de Mário Cravo Neto fotógrafo, desenhista e escultor baiano, um dos maiores fotógrafos da história do país, que se notabilizou sobretudo por retratar ritos de regiões afro-brasileiras. Seu filho morreu em 2009, aos 62 anos.

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Matéria publicada originalmente no jornal `Folha de São Paulo`, em 01/08/18.

Morre artista plástico paraibano Antonio Dias aos 74 anos

Artista tratava de câncer do pulmão há sete anos e foi diagnosticado em junho de 2017 com um tumor na cabeça. Matéria publicada originalmente no jornal `Folha de São Paulo`, em 01/08/18. +

Morreu, nesta quarta-feira (1º), o artista plástico paraibano Antonio Dias, aos 74 anos. Ele estava internado desde domingo na Clínica São Vicente, zona sul do Rio de Janeiro.

O artista tratava de câncer do pulmão há sete anos e foi diagnosticado em junho de 2017 com um tumor na cabeça.

Nascido em Campina Grande, cidade da Paraíba, Dias radicou-se no Rio de Janeiro no final dos anos 1950.

Na época, ele frequentou aulas de Oswaldo Goeldi no ateliê de gravura da Escola Nacional de Belas Arte e passou a trabalhar como desenhista de arquitetura e artista gráfico, colaborando para publicações como a revista Senhor.

Nara Roesler, sua galerista há nove anos, disse em depoimento à Folha que trabalhar com Dias permitia a o aprendizado e troca de experiências a todo momento. "Todos os artistas que são seguros, são cooperativos", afirmou Roesler. "Ele sabia da importância de seu trabalho".

O colega de profissão e também artista plástico Waltércio Caldas afirma que Dias o influenciou tanto profissionalmente quanto pela sua postura.

"Ele apresentou uma nova concepção do que era ser artista", diz o Caldas. "Dias refletia muito sobre a questão política que não era usada de forma ingênua, mas de uma forma fantástica, que para mim apresentava a ideia de artista contemporâneo".

O diálogo político em seus trabalhos que dialogavam contra a ditadura militar. Nos anos 1970, Dias passou uma temporada na Europa, em parte por causa da época por causa da forte censura da época em outra devido aos convites que recebeu para expor na França.

Nesta época, seus quadros passam de um vocabulário geométrico, abstrato e partem à pintura de experimentos com pigmentos de ouro, cobre, óxido e grafite.

Em 2018, a exposição "Entre Construção e Apropriação" no Sesc Pinheiros reuniu obras de Antonio Dias, Geraldo de Barros e Rubens Gerchman, que aborda a similaridade de aspectos políticos, estéticos e sociais, entre os três durante os anos 1960.

Dias deixa a esposa Paola e duas filhas. O velório será no Memorial do Carmo na Capela 7, na quinta-feira (2), das 14h às 16h.
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Matéria publicada originalmente no jornal `Folha de São Paulo`, em 01/08/18.

Suprema Corte da Índia manda restaurar ou demolir o Taj Mahal

“Ou fechamos o Taj Mahal e o demolimos ou o restauramos”, diz comitê de dois juízes às autoridades estaduais. Em maio último, os juízes disseram que o monumento de mármore branco estava ficando amarelo e até marrom em algumas partes devido à poluição e fezes de insetos. Deu então um ultimato ao governo local para procurar especialistas estrangeiros para consertar a preocupante mudança de cor do monumento de mármore branco, que é Patrimônio Mundial da Unesco. Artigo de Gareth Harris para o site www.theartnewspaper.com, editado em 16/7/18. +

O Taj Mahal, em Agra, na Índia, poderá ser fechado, a menos que o governo indiano intervenha e salve o marco negligenciado, diz a Suprema Corte da Índia. “Ou fechamos o Taj Mahal e o demolimos ou o restauramos”, disse o comitê de dois juízes às autoridades estaduais na semana passada.
Em maio, os juízes disseram que o monumento de mármore branco estava ficando amarelo, e até marrom em partes, devido à poluição e fezes de insetos, e disse ao governo central que deveria procurar especialistas estrangeiros para consertar “a preocupante mudança de cor”.
De acordo com o jornal “Indian Express”, os juízes da Suprema Corte disseram ao Ministério do Meio Ambiente e Florestas que o “governo de Uttar Pradesh (estadual) não está incomodado. Nenhum plano de ação foi feito ainda. Ou você demoli o Taj Mahal ou o restaura”. O tribunal solicitou posteriormente um plano de ação para salvar o sítio do Patrimônio Mundial da Unesco.
Relatórios da imprensa local afirmam que Atmaram Nadkarni, em nome do Ministério do Meio Ambiente, disse ao tribunal que um comitê liderado pelo Instituto Indiano de Tecnologia em Kanpur “descobrirá a fonte exata de poluição dentro e ao redor do Taj”. No entanto, essa análise demorará cerca de quatro meses. Mahesh Sharma, o ministro do meio ambiente, se recusou a comentar.
Enquanto isso, autoridades da Archaeology Survey of India, uma organização governamental responsável pela conservação de monumentos nacionais, afirma que estão tentando combater os efeitos da poluição. A Suprema Corte diz que vai monitorar a situação no dia-a-dia a partir de 31/7.
O Taj Mahal está localizado a cerca de 274 quilômetros de Nova Delhi e atrai cerca de 70 mil visitantes por dia. O monumento foi construído no século 17 pelo imperador mongol Shah Jahan como um mausoléu para sua esposa Mumtaz Mahal, que morreu dando à luz ao seu 14º filho.
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Artigo de Gareth Harris para o site www.theartnewspaper.com, editado em 16/7/18.

David Douglas Duncan, fotógrafo de Pablo Picasso, morre aos 102 anos

Duncan é autor da famosa fotografia do pintor espanhol tomando banho em uma banheira e de outras 25 mil imagens do artista. Também se notabilizou como fotógrafo de guerra. +

O fotógrafo norte-americano David Douglas Duncan, autor de uma das imagens mais icônicas de Pablo Picasso, que mostra o pintor espanhol nu e tomando banho em uma banheira, morreu (famosos por por de que conquistou o pintor moderno mais famoso do mundo sentado nu na banheira, morreu em 7 de junho último na cidade de Grasse, na França, aos 102 anos de idade. Sua amizade de décadas com Picasso renderam um acervo de mai de 25 mil imagens do espanhol em casa e no trabalho. Duncan se notabilizou ainda como fotógrafo de guerra, tendo registrado soldados e batalhas na Guerra da Coréia.
Duncan nasceu em Kansas City (Missouri) em 23 de janeiro de 1916. Frequentou brevemente a Universidade do Arizona, em Tucson, onde estudou arqueologia. Foi ali que começou sua carreira como fotojornalista. Durante seu curso na universidade, Duncan tirou fotos de um incêndio num hotel na cidade, entre elas a de um hóspede do hotel que repetidamente tentava voltar ao prédio em chamas para pegar sua mala. O fotografado era o ladrão de bancos John Dillinger e a mala continha o produto de um assalto a banco no qual ele havia atirado em um policial.
Depois da faculdade, Duncan trabalhou como freelancer e vendeu suas imagens para jornais e revistas, como “The Kansas City Star”, “Life” e “National Geographic Magazine”.
Após o ataque a Pearl Harbor, Duncan ingressou no Corpo de Fuzileiros Navais e tornou-se fotógrafo de combate. Como 2º tenente, serviu inicialmente no Marine Aircraft Group 23 e depois foi designado para fotografar as operações do Comando de Transporte Aéreo de Combate do Pacífico Sul. Duncan também cobriu a Batalha de Okinawa e estava a bordo do USS Missouri para a rendição japonesa. As fotografias de guerra de Duncan foram tão impressionantes que, após a guerra, ele foi contratado pela revista “Life” e cobriu muitos eventos, incluindo conflitos na Turquia, Europa Oriental, África e Oriente Médio. Talvez suas fotografias mais famosas tenham sido tiradas durante a Guerra da Coréia. Ele compilou muitos deles em um livro, “This Is War!”, (1951), com os rendimentos indo para viúvas e filhos de fuzileiros navais que foram mortos no conflito.
Além de suas fotografias de combate, Duncan também é conhecido por suas fotografias de Pablo Picasso, a quem ele havia sido apresentado pelo colega fotógrafo Robert Capa. Ele publicou sete livros de fotografias de Picasso. Duncan tornou-se amigo íntimo de Picasso e foi a única pessoa autorizada a fotografar o artista na intimidade do traballho. Duncan viveu em Castellaras (França), perto de Mougins, onde Picasso passou os últimos 12 anos de sua vida.
Em 1966, publicou “Yankee Nomad”, uma autobiografia visual que reunia fotografias representativas de toda a sua carreira. Em 2003, isso foi revisado e publicado sob o título de “Photo Nomad”.

Massacre na boite Pulse, em Orlando, ganha memorial em Nova York

O trabalho do artista plástico Anthony Goicolea foi instalado no Hudson River Park, em Nova York, e consiste de nove “pedras" de bronze cortadas e com vidro reflexivo arco-íris. +

O artista plástico Anthony Goicolea completou o primeiro monumento comissionado pelo Estado de Nova York em homenagem às 49 pessoas que morreram e às 53 que ficaram feridas na boate Pulse, em Orlando, em 2016. O trabalho instalado no Hudson River Park, em Nova York, consiste de nove “pedras" de bronze cortadas e com vidro reflexivo arco-íris. Eles estão inscritos com duas citações de Audre Lorde: "A diferença é aquela conexão crua e poderosa da qual nosso poder pessoal é forjado" e "Sem comunidade não há libertação... Mas a comunidade não deve significar um derramamento de nossa diferença".

A encomenda foi feita em junho de 2017 pelo governador Andrew M. Cuomo , quando Anthony Goicolea foi escolhido para projetar o primeiro monumento oficial do estado em homenagem a lésbicas, gays, bissexuais e transexuais, uma maneira de lembrar a tragédia ocorrida um ano antes, em 26/7/2016.
Logo após o ataque, o governador formou a Comissão Memorial LGBT para honrar a luta pela igualdade de direitos e lembrar vítimas de ódio, intolerância e violência.

O local escolhido, no Hudson River Park, perto dos cais à beira-mar, foiemscolhido por se tratar de um local fundamental na história da cidade, um ponto de encontro e refúgio para lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.

“De Stonewall à igualdade no casamento, Nova York sempre foi um farol para a justiça", disse o governador Cuomo na época. "Tenho orgulho de anunciar o design estonteante de Anthony Goicolea para este monumento, selecionado pela forma como complementa a paisagem e comunica uma mensagem atemporal de inclusão", disse.

Goicolea nasceu no estado da Georgia, filho de pais que haviam fugido de Cuba, mas vive com seu marido no bairro do Brooklyn. O artista disse que as pedras foram inspiradas em locais como Stonehenge e Ilha de Páscoa, além de túmulos e círculos de pedra africanos. "Eu queria criar um espaço que pareça familiar, mesmo que seja novo." O artista disse ainda que sua identidade sexual e a maioridade são temas recorrentes em suas obras de arte. Crescendo na Geórgia, ele disse que "nunca viu minha comunidade refletida de volta para mim". Quando visitou pela primeira vez o West Village (sede do Stonewall e do Centro Comunitário de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) e os piers do rio Hudson, “aquilo realmente abriu meus olhos".

Governador de SP promulga lei que institui classificação indicativa em mostras

Com a medida, as exposições terão seis possíveis classificações: livre ou não recomendada para menores de 10, 12, 14, 16 ou 18 anos. Artigo de Isabella Menon para o jornal “Folha de S. Paulo” editado em 15/7/18. +

O governador de São Paulo, Márcio França (PSB), sancionou na quinta (12) uma lei que institui a classificação indicativa em mostras de artes visuais e exposições no estado.
Com a medida, as exposições terão seis possíveis classificações: livre ou não recomendada para menores de 10, 12, 14, 16 ou 18 anos.
A tabela toma como base a legislação federal em vigor para produções de TV e de cinema, jogos de videogame, aplicativos e RPG.
De autoria do deputado estadual Celso Nascimento (PSC), o projeto foi publicado e entrou em regime de tramitação urgente em outubro de 2017, em meio à onda de protestos de movimentos conservadores disparada pelo caso “Queermuseu”, em Porto Alegre.
A exposição na capital gaúcha foi fechada em setembro pelo Santander Cultural, que a abrigava, após ser alvo de acusações de apologia à pedofilia e à zoofilia —esta última presente em obras como “Cena de Interior 2”, de Adriana Varejão, na visão dos acusadores.
No mês seguinte, houve retaliações contra o MAM-SP após a divulgação de um vídeo feito dentro da instituição no qual uma criança interage com o artista Wagner Schwartz nu, em sua performance intitulada “La Bête”.
Segundo o governo paulista, as novas classificações etárias não irão restringir o acesso de uma criança ou de um adolescente às mostras, apenas servem como indicação.
“Oferecer acesso à informação e à indicação etária permite, sem ferir a liberdade de expressão e de forma democrática, uma decisão mais qualificada dos pais ou responsáveis”, informou a Secretaria do Estado da Cultura.
De acordo com a lei, o responsável legal pela mostra deve se autoclassificar de acordo com os critérios do “Manual da Nova Classificação Indicativa”, elaborado pelo Ministério da Justiça e disponível online.
Devem ser levados em conta, essencialmente, o grau de incidência de conteúdos relacionados a sexo e nudez, violência e drogas.
Qualquer pessoa pode, no entanto, atuar como fiscal e remeter uma queixa às autoridades caso avalie que a classificação não está de acordo com a norma.
Se confirmada a infração administrativa, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) estabelece multa de 3 a 20 salários mínimos —podendo aumentar o valor no caso de reincidência. Além disso, a exposição pode ser interrompida até que a irregularidade seja sanada.
O governo federal está trabalhando em parâmetros especiais para classificar mostras e exposições.
Alessandra Gotti, do grupo Advogados pela Arte, disse à coluna Mônica Bergamo que a lei estadual viola o artigo que diz que compete à União “exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e de programas de rádio e televisão”. A assessoria de Celso Nascimento informou que exposições não são “diversões públicas”, termo “muito subjetivo”.
A lei estadual passou a valer desde a publicação no Diário Oficial, na sexta (13), e será regulamentada em até 60 dias.
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Artigo de Isabella Menon para o jornal “Folha de S. Paulo” editado em 15/7/18.

Funarte lança edital em que o artista paga tudo

A Fundação Nacional de Artes, lançou em 2/7/18 edital para ocupação de galerias em suas unidades de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte em que o artista ou proponente deve pagar tudo, pois não haverá prêmio em dinheiro ou transferência de recursos financeiros da parte da Funarte. A instituição é presidida pelo ator Stepan Nercessian. As inscrições são online, até 16/8/18, às 17h , pelo horário de Brasília... +

A Funarte (Fundação Nacional de Artes lançou no 2/7/18 um edital para ocupação de galerias em suas unidades de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. O diferencial deste edital é que o artista ou proponente deve pagar tudo, pois não haverá prêmio em dinheiro ou transferência de recursos financeiros da parte da Funarte. Ou seja, o proponente arcar com todo e qualquer custo de seu projeto/programa de ocupação, sem ônus para a Funarte. A Funarte é presidida atualmente pelo ator global Stepan Nercessian, que tem se destacado recentemente personificação do Chacrinha, o velho guerreiro Abelardo Barbosa.
O edital acessível no site da Funarte (www.funarte.gov.br ) propõe a ocupação dos espaços em São Paulo (Galerias Flávio de Carvalho, Mario Schenberg, Centro de Convivência Waly Salomão e área externa), Brasília (Galeria Fayga Ostrower e Marquise/Entorno) e Belo Horizonte (Galeria Fayga Ostrower e Marquise/Entorno). As inscrições são online, até 16/8/18, às 17h , pelo horário de Brasília. Mais informações podem ser obtidas pelo email pav@funarte.gov.br.

Secretário de Cultura fala sobre a polêmica do Parque Lage e é rebatido

Leandro Monteiro questiona destino de recursos e assessoria do conselho da Associação de Amigos da Escola de Artes Visuais responde: "De transparência, a associação não tem medo". Artigo publicado originalmente na revista “Veja Rio” em 13/07/2018. +

Após toda a polêmica dos últimos dias envolvendo a exoneração do economista Fabio Szwarcwald da direção da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), o secretário estadual de Cultura Leandro Monteiro finalmente se pronunciou sobre o caso. Em entrevista para o jornal O Globo, ele explicou o motivo: aparentemente haveria um conflito de posicionamentos em relação aos recursos obtidos com o aluguel do Parque Lage para eventos privados, que atualmente são revertidos diretamente para a Associação de Amigos da Escola de Artes Visuais (Ameav). “Há um entendimento dos órgãos estaduais de que este procedimento não deve ser feito assim. Estes aluguéis deveriam ser pagos ao Estado, para que depois estes recursos sejam repassados ao Parque Lage”, disse ele ao veículo.
Em uma nota à imprensa, a assessoria do conselho da Ameav explica que os envolvidos emprestam seu tempo, sem qualquer retorno financeiro, para salvar a instituição de um “fim melancólico” a que estaria destinada por conta da crise. “O admirável trabalho de gestão de Fabio Swarcwald à frente da EAV, combinado com a credibilidade e respeitabilidade da administração da AMEAV, permitiu que se arrecadassem doações que permitiram que a EAV voltasse a dar bolsas de estudo, reformasse as cavalariças (que estão como novas), organizasse a mostra Queermuseu no Rio de Janeiro e voltasse a ter o merecido destaque no cenário nacional. É curioso, portanto, que o Secretário de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, com tantos problemas de gestão que há de ter em outras searas, volte seus olhos com cupidez para talvez o único equipamento que poderia ser considerado bem-sucedido em sua gestão, exatamente pelo fato de suas receitas e despesas estarem longe do caixa do Estado. As contas da AMEAV são enviadas de forma detalhada à Secretaria de Cultura, mensalmente, na forma do Acordo de Cooperação. Para que não pairem quaisquer dúvidas, a AMEAV está contratando uma auditoria completa de suas finanças e fará publicar em seu site todas as contas enviadas ao Estado”, afirma. A nota termina dizendo que a associação não teme a transparência.
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Artigo publicado originalmente na revista “Veja Rio” em 13/07/2018.