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Incêndio de grandes proporções destrói o Museu Nacional

Ainda não há informações sobre as causas do fogo; ninguém se feriu, mas a maior parte do acervo foi destruída. Instituição tem 200 anos de história e foi residência de um rei e dois imperadores. Matéria publicada originalmente no site do G1, em 02/09/18. +

Um incêndio de grandes proporções destruiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio.

O fogo começou por volta das 19h30 deste domingo (2) e foi controlado no fim da madrugada desta segunda-feira (3). Mas pequenos focos de fogo seguiam queimando partes das instalações da instituição que completou 200 anos em 2018 e já foi residência de um rei e dois imperadores.

A maior parte do acervo, de cerca de 20 milhões de itens, foi totalmente destruída. Fósseis, múmias, registros históricos e obras de arte viraram cinzas. Pedaços de documentos queimados foram parar em vários bairros da cidade.

Segundo a assessoria de imprensa do museu e o Corpo de Bombeiros, não há feridos. Apenas quatro vigilantes estavam no local, mas eles conseguiram sair a tempo.

As causas do fogo, que começou após o fechamento para a visitantes, serão investigadas. A Polícia Civil abriu inquérito e repassará o caso para que seja conduzido pela Delegacia de Repressão a Crimes de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, da Polícia Federal, que irá apurar se o incêndio foi criminoso ou não.

Falta d'água atrapalhou bombeiros
Pesquisadores e funcionários do Museu Nacional se reuniram com o Corpo de Bombeiros para tentar auxiliar no combate das chamas. O objetivo era orientar o trabalho dos bombeiros numa tentativa de impedir que o fogo chegasse a uma parte do museu que contém produtos químicos. Alguns deles são inflamáveis e usados na conservação de animais raros.

Bombeiros precisaram pedir caminhões-pipa para auxiliar no combate ao incêndio. Segundo o comandante-geral, coronel Roberto Robadey Costa Junior, a falta de carga em hidrantes atrasou o trabalho em cerca de 40 minutos. Foi necessário retirar água do lago que fica na Quinta da Boa Vista para ajudar no controle das chamas.

'Tragédia', diz diretor
O diretor do Museu Histórico Nacional, Paulo Knauss, considerou o incêndio "uma tragédia". À GloboNews, Paulo lembrou que o museu foi residência da família real e sede da 1ª Assembleia Constituinte do Brasil.

"É uma tragédia lamentável. Em seu interior há peças delicadas e inflamáveis. Uma biblioteca fabulosa. O acervo do museu não é para a história do Rio de Janeiro ou do Brasil. É fundamental para a história mundial. Nosso país está carente de uma política que defenda os nossos museus", afirmou Paulo Knauss.

Falta de verba e reforma

Apesar de sua importância histórica, o Museu Nacional também foi afetado pela crise financeira da UFRJ e está há pelo menos três anos funcionando com orçamento reduzido, segundo reportagem de maio do Bom Dia Brasil de maio deste ano.

A situação chegou ao ponto de o museu anunciar uma "vaquinha virtual" para arrecadar recursos junto ao público.para reabrir a sala mais importante do acervo, onde fica a instalação do dinossauro Dino Prata. A meta era chegar a R$ 100 mil.

Dois séculos de história
O Museu Nacional é uma instituição autônoma, integrante do Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro e vinculada ao Ministério da Educação. Como museu universitário, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem perfil acadêmico e científico.

O museu contém um acervo histórico desde a época do Brasil Império. Destacam-se em exposição:

o mais antigo fóssil humano já encontrado no país, batizada de "Luzia", pode ser apreciado na coleção de Antropologia Biológica, entre outros;
a coleção egípcia, que começou a ser adquirida pelo imperador Dom Pedro I;
a coleção de arte e artefatos greco-romanos da Imperatriz Teresa Cristina;
as coleções de Paleontologia que incluem o Maxakalisaurus topai, dinossauro proveniente de Minas Gerais.

O Museu Nacional foi enredo da Imperatriz Leopoldinense no carnaval de 2018.

Repercussão
O presidente Michel Temer enviou nota sobre o incêndio: "Incalculável para o Brasil a perda do acervo do Museu Nacional. Hoje é um dia trágico para a museologia de nosso país. Foram perdidos duzentos anos de trabalho, pesquisa e conhecimento. O valor para nossa história não se pode mensurar, pelos danos ao prédio que abrigou a família real durante o Império. É um dia triste para todos brasileiros".

Veja a reportagem completa sobre a repercussão do incêndio
Em nota, o Ministério da Educação lamentou "o trágico incêndio ocorrido neste domingo no Museu Nacional do Rio de Janeiro, criado por Dom João VI e que completa 200 anos neste ano. O MEC não medirá esforços para auxiliar a UFRJ no que for necessário para a recuperação desse nosso patrimônio histórico", diz o comunicado.

A Fundação Roberto Marinho lamentou profundamente a destruição de um dos maiores acervos arqueológicos, etnográficos, científicos e culturais do país. "É uma tragédia e uma perda irreparável hoje e para as futuras gerações. Perde o patrimônio histórico e cultural, perde a ciência, perde a educação, perde o Brasil, perde o mundo", diz em nota.

O governador Luiz Fernando Pezão também se pronunciou: "É um dia de profunda tristeza para todos nós brasileiros. Difícil expressar tamanha perda de construção e acervo de valores inestimáveis. Perdemos uma referência do país. Perdem o patrimônio histórico mundial, a cultura, a ciência, a educação. Perdem os brasileiros e o mundo. Manifesto a minha solidariedade aos funcionários do museu".

O prefeito Marcelo Crivella se manifestou por uma rede social: "Trágico incidente que destruiu um palácio marcante da nossa história. É um dever nacional reconstruí-lo das cinzas, recompor cada detalhe eternizado em pinturas e fotos e ainda que não seja o original continuará a ser para sempre a lembrança da família imperial que nos deu a independência, o império, a primeira constituição e a unidade nacional".

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, disse à GloboNews que um contrato de revitalização do Museu Nacional foi assinado em junho, mas não houve tempo para que o projeto pudesse acontecer, e a "tragédia" fosse evitada. Segundo ele, houve "negligência" em períodos anteriores.

De acordo com a assessoria de imprensa da UFRJ, o reitor Roberto Leher, diretores e diversos especialistas do Museu Nacional foram à Quinta da Boa Vista acompanhar o trabalho de combate ao incêndio. Ao G1, a assessoria afirmou que os especialistas estão auxiliando os bombeiros a identificar a localização dos diversos itens do acervo do museu, e vários itens do acervo foram retirados. A assessoria do reitor afirmou que ele está acompanhando os trabalhos e, por isso, ainda não poderia se pronunciar.

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Matéria publicada originalmente no site do G1 (g1.globo.com), em 02/09/18.

Egípcios embalsamavam múmias 1.500 anos do que se pensava

A conclusão vem depois de novos testes realizados na “Múmia de Turim”, que data entre 3.700 aC e 3.500 aC. Ao contrário de outras múmias, esta nunca sofreu tratamentos de conservação e isso proporcionou uma oportunidade única para uma análise científica precisa. Artigo de Phoebe Weston para o site “Mail Online” editado em 16/08/2018. http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-6063483/Ancient-Egyptians-embalming-mummies-1-500-years-earlier-thought.html +

Testes em uma múmia pré-histórica revelaram que os antigos métodos egípcios de embalsamamento estavam em uso 1.500 anos antes do que se pensava anteriormente. A análise foi realizada na “Múmia de Turim”, que data entre 3.700 aC e 3.500 aC e está abrigado no Museu Egípcio de Turim, na Itália, desde 1901. Ao contrário da maioria das outras múmias pré-históricas nos museus, esta nunca passou por nenhum tratamento de conservação. Isso proporcionou aos pesquisadores uma oportunidade única de uma análise científica precisa em um cadáver preservado e que nunca foi adulterado desde que foi sepultado.
Como sua famosa contrapartida, a “O Homem de Gebelein”, no Museu Britânico, a múmia de Turin era anteriormente considerada como mumificada pela ação dessecante da areia quente e seca do deserto. Usando análise química, os pesquisadores descobriram evidências de que a múmia de fato passou por um processo de embalsamamento. Isto foi feito usando óleo vegetal, resina aquecida de coníferas, um extrato de planta aromática e uma mistura de goma vegetal e açúcar. Isso foi limpo nos tecidos funerários em que o corpo estava enrolado.
A “receita” continha agentes antibacterianos, usados em proporções semelhantes àquelas empregadas pelos embalsamadores egípcios quando sua habilidade estava no auge cerca de 2.500 anos mais tarde, de acordo com a equipe.
O estudo baseia-se em pesquisas anteriores de 2014, que primeiro identificaram a presença de complexos agentes embalsamadores em fragmentos sobreviventes de embalagens de linho de corpos pré-históricos em túmulos hoje fechados em Mostagedda, no Médio Egito. De acordo com a equipe, que inclui pesquisadores das Universidades Oxford, York e Warwick, a múmia veio do Alto Egito.
O corpo oferece a primeira indicação de que a receita do embalsamamento estava sendo usada em uma área geográfica mais ampla, numa época em que o conceito de uma identidade pan-egípcia supostamente ainda estava em desenvolvimento.

Como os organismos se tornam naturalmente mumificados?

A mumificação natural é definida como o processo pelo qual a pele e os órgãos de uma pessoa ou animal falecido são preservados, sem a introdução de substâncias químicas pelos seres humanos. Isso é raro e só acontece em situações específicas. Estes incluem: frio extremo, condições áridas ou falta de oxigênio.
Múmias preservadas naturalmente foram encontradas depositadas em desertos, enterradas em turfeiras pobres em oxigênio ou congeladas em geleiras. Algumas sociedades antigas acidentalmente encorajaram esse processo, pois pintavam os corpos e cobriam o rosto da pessoa morta com uma máscara. Isso proporcionava uma camada impermeável que permitiu que o processo ocorresse.
Em todo o Reino Unido, os pântanos fornecem o ambiente perfeito para isso acontecer.
“O Homem de Tollund”, descoberto na Dinamarca em 1950, é um dos exemplos melhor estudados de um “corpo de pântano”. O homem, que viveu no século IV aC, estava tão bem preservado que foi inicialmente confundido com uma vítima recente de assassinato.
"Tendo identificado receitas de embalsamamento muito semelhantes em nossa pesquisa anterior sobre enterros pré-históricos, este último estudo fornece a primeira evidência para o uso geográfico mais amplo desses bálsamos e a primeira evidência científica inequívoca para o uso de embalsamamento em uma múmia egípcia intacta e pré-histórica"', disse o dr. Stephen Buckley, um químico arqueológico e especialista em mumificação da Universidade de York.
Além disso, este tratamento conservante continha constituintes antibacterianos nas mesmas proporções daqueles utilizados em mumificações posteriores. "Assim, nossas descobertas representam a personificação literal dos precursores da mumificação clássica, que se tornaria um dos pilares centrais e icônicos da cultura egípcia antiga".
A doutora Jana Jones, especialista em antigas práticas funerárias egípcias da Universidade Macquarie, na Austrália, disse que a descoberta foi uma "contribuição importante para o nosso conhecimento limitado do período pré-histórico". Ela disse que também forneceu "informações novas e vitais sobre essa múmia em particular".
Combinando a análise química com o exame visual do corpo, investigações genéticas, datação por radiocarbono e análise microscópica dos revestimentos de linho, os pesquisadores também confirmaram que a mumificação ocorreu por volta de 3.600 aC. O indivíduo tinha entre 20 e 30 anos quando morreu. O professor Tom Higham, vice-diretor da unidade aceleradora de radiocarbono de Oxford, disse: 'Há muito poucas múmias desse tipo' natural 'disponíveis para análise. Nossa datação por radiocarbono mostra que ela remonta à fase inicial de Naqada, na pré-história egípcia, substancialmente anterior ao período faraônico clássico, e essa idade precoce nos oferece um vislumbre inigualável do tratamento funerário antes da ascensão do Estado. "Os resultados mudam significativamente nossa compreensão do desenvolvimento da mumificação e do uso de agentes de embalsamamento e demonstram o poder da ciência interdisciplinar na compreensão do passado." Os resultados foram publicados no “Journal of Archaeological Science”.
Quem foi Hatshepsut e onde está enterrado?

Hatshepsut tornou-se rainha do Egito quando se casou com seu meio-irmão, Thutmose II, aos 12 anos de idade. Ela era a mais velha de duas filhas nascidas de Thutmose I e sua rainha, Ahmes. Ela assumiu todos os poderes de um faraó, tornando-se co-regente do Egito por volta de 1.473 aC. Hatshepsut sabia que sua ascensão para se tornar um faraó era controversa, então ela tentou reinventar sua imagem em estátuas e pinturas.
Por exemplo, ela ordenou que fosse retratada como um faraó masculino, com barba e grandes músculos em muitos retratos. O modesto lugar de descanso de Hatshepsut foi descoberto por Howard Carter, que notoriamente revelou o túmulo de Tutancamon.
Sua múmia era uma de um par encontrado dentro - embora isso não fosse óbvio quando eles foram encontrados pela primeira vez.
Especialistas analisaram um dente conhecido por pertencer à rainha para encontrá-lo combinado com a maior das duas múmias, sugerindo que a rainha era obesa com dentes podres e seios pendentes.

Zahi Hawass, arqueólogo chefe do Egito, disse em 2007: “Esta é a descoberta mais importante no Vale dos Reis desde a descoberta do rei Tutancamon e uma das maiores aventuras da minha vida. As rainhas, especialmente as grandes como Nefertiti e Cleópatra, captam nossa imaginação, mas talvez seja Hatshepsut, que era tanto um rei quanto uma rainha, o mais fascinante. "Seu reinado durante a 18ª dinastia do antigo Egito foi próspero, mas misteriosamente ela foi apagada da história egípcia."
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Artigo de Phoebe Weston para o site “Mail Online” editado em 16/08/2018. http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-6063483/Ancient-Egyptians-embalming-mummies-1-500-years-earlier-thought.html

100 destinos para você ir imediatamente

A revista “Time” divulgou recentemente uma lista de 100 espaços imperdíveis em todo o mundo. São hotéis, museus, parques, livrarias, restaurantes, pontes, paisagens, passeios etc. O Brasil comparece com apenas um endereço, o restaurante Bio, a nova criação do chef Alex Atala. Artigo editado no site da revista “Time”: http://time.com/collection/worlds-greatest-places-2018/. +

A revista “Time” divulgou recentemente uma lista de 100 espaços imperdíveis em todo o mundo. São hotéis, museus, parques, livrarias, restaurantes, pontes, paisagens, passeios etc.
O artigo é dividido em três seções: lugares para visitar, para ficar e para comer. O Brasil comparece com apenas um endereço, o restaurante Bio, a nova criação do chef Alex Atala, assim descrito pela resenhista Ashley Hoffman: “O chef brasileiro Alex Atala abriu seu mais novo restaurante em São Paulo com uma promessa aos clientes (preços baixos) e um desafio para os funcionários: esforçar-se para reduzir o desperdício de alimentos a zero. Até agora, o Bio está tendo sucesso em ambos os aspectos. A maioria dos itens do menu custa menos de R$ 60,00, e “todos os dias, encontramos novas maneiras de usar mais ingredientes”, diz o chef Raúl Godoy. Entre eles: fazer pesto com caroços de abacate descartados em vez de pinhões, e torrar sementes de mamão e melancia para fazer frituras de especiarias secas”. Artigo editado no site da revista “Time”: http://time.com/collection/worlds-greatest-places-2018/

Veja abaixo a lista completa dos 100 lugares imperdíveis no mundo em 2018:

PARA VISITAR

Tianjin Binhai Library
Tianjin, China

Cycling Through Water
Genk, Bélgica

Morgan's Inspiration Island
San Antonio, Texas, EUA

Golden Bridge
Ba Na Hills, Vietnã

Tippet Rise Art Center
Stillwater County, Montana, EUA

Pandora: The World of Avatar
Bay Lake, Florida, EUA

Elbphilharmonie
Hamburgo, Alemanha

Museum MACAN
Jacarta, Indonésia

Seoullo 7017 Skygarden
Seul, Coréia do Sul

Central Idaho Dark Sky Reserve
Idaho, EUA

Thread
Sinthian, Senegal

Zaryadye Park
Moscou, Rússia

Underwater Museum of Art
South Walton, Florida, EUA

Mariposa Grove
Yosemite, Califórnia, EUA

Tai Kwun
Hong Kong, China

Austin Central Library
Austin, Texas, EUA

ChangChui: Creative Park
Bangkok, Tailândia

Casa Vicens
Barcelona, Espanha

Al-Qarawiyyin Library
Fez, Morocos

Design Society
Shenzen, China

Löyly
Helsinki, Finlândia

Sunder Nursery
New Delhi, India

Tivoli Gardens
Copenhague, Dinamarca

King Abdulaziz Center for World Culture
Dhahran, Arábia Saudita

Lascaux International Center for Cave Art
Vézère Valley, França

Experimentarium
Hellerup, Dinamarca

Teopanzolco Cultural Center
Cuernavaca, México

The National Memorial for Peace and Justice
Montgomery, Alabama, EUA

Temple of Mithras
Londres, Reino Unido

Louvre Abu Dhabi
Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos

Oriental Science Fiction Valley
Guangzhou, China

Governors Island
Nova York, EUA

Warner Bros. World Abu Dhabi
Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos

Zeitz MOCAA
Cidade do Cabo, África do Sul

LUGARES PARA FICAR

Giraffe Manor
Nairobi, Quênia

Viceroy Los Cabos
Los Cabos, México

Alila Fort Bishangarh
Rajasthan, Índia

Conrad Maldives Rangali Island
Rangali Island, Ilhas Maldivas

COO Boutique Hostel & Sociatel
Cingapura

Marriott Mena House
Cairo, Egito

Snow Bear Chalets
Whitefish, Montana, EUA

Ponant Le Lapérouse
Cruzeiro de navio

Amanyangyun
Shanghai, China

Treehotel
Harads, Suécia

Hôtel de Crillon
Paris, França

Six Senses Fiji
Malolo Island, Ilhas Fiji

Conscious Hotel Westerpark
Amsterdã, Holanda

Viking Orion
Cruzeiro de navio

Il Sereno
Lago di Como, Itália

Wilderness Safaris Bisate Lodge
Volcanoes National Park, Ruanda

Atix Hotel
La Paz, Bolívia

Jackalope
Merricks North, Austrália

Illa Experience Hotel
Quito, Equador

Icehotel 365
Jukkasjärvi, Suécia

The Collectionist
Sydney, Austrália

Generator Madri
Madri, Espanha

Morpheus Hotel
Macau, China

Raffles Europejski Warsaw
Varsóvia, Polônia

Skwachàys Lodge
Vancouver, Canadá

EcoCamp Patagonia
Torres del Paine, Chile

Casa Teo
Cidade do México, México

Norwegian Bliss
Cruzeiro de navio

Detroit Foundation Hotel
Detroit, Michigan, EUA

Hotel Xcaret
Riviera Maya, México

Oberoi Sukhvilas Resort & Spa
Chandigarh, Índia

Retreat at Blue Lagoon
Grindavik, Islândia

Iveagh Garden Hotel
Dublin, Irlanda

The A
Cruzeiro de navio

Wyndham Grand Rio Mar
Río Grande, Porto Rico

Time + Tide King Lewanika Lodge
Liuwa Plain National Park, Zâmbia

Santani Resort & Spa
Kandy, Sri Lanka

Sheldon Chalet
Denali National Park, Alasca, EUA

Symphony of the Seas
Cruzeiro de navio

Awasi Iguazú
Puerto Iguazú, Argentina

Tribe Perth
Perth, Austrália

Shipwreck Lodge
Skeleton Coast National Park, Namíbia

The Murray
Hong Kong, China

Stamba Hotel
Tblisi, Georgia

Hotel Henry
Buffalo, Nova York, EUA

PARA COMER E BEBER

Atlas Bar
Cingapura

JuneBaby
Seattle, Washington, EUA

Ultraviolet
Shanghai, China

Tsuta
Tóquio, Japão

Bio
São Paulo, Brasil

Eight Tables
San Francisco, Califórnia, EUA

Interno
Cartagena, Colômbia

Dandelyan
Londres, Reino Unido

Central
Lima, Peru

Superior Motors
Braddock, Pennsylvania, EUA

The Grey
Savannah, Georgia, EIUA

Hiša Franko
Kobarid, Eslovênia

Noma
Copenhague, Dinamarca

Leo
Bogotá, Colômbia

Emma's Torch
Brooklyn, Nova York, EUA

Indian Accent
New Delhi, Índia

The Lost Kitchen
Freedom, Maine, EUA

Den
Tóquio, Japão

Koks
Leynavatn, Ilhas Faroe

Happy Paradise
Hong Kong, China

Vespertine
Los Angeles, Califórnia, EUA

Um ponto de exclamação torna uma exposição mais interessante?

A mostra “Armênia!”, no Metropolitan de Nova York, será inaugurada em setembro e vai explorar as artes e a cultura armênia durante o período medieval, do quarto século ao cristianismo e o papel do país na criação de rotas comerciais internacionais no século XVII. Artigo de Eileen Kinsella para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 24/8/18. +

Não é nenhum segredo que o outono é um despertar para o mundo da arte após a hibernação anual de fim de verão. Este ano, o Metropolitan Museum of Art de Nova York está adicionando uma dose extra de exuberância a esse ritual, com a ajuda de uma pequena pontuação estimulante!
O museu intitulou sua próxima exposição "Armênia!", que será inaugurada em setembro, explorará as artes e a cultura armênia durante o período medieval, do quarto século ao cristianismo e o papel do país na criação de rotas comerciais internacionais no século XVII.
Mas por que o ponto de exclamação? E como a tonalidade do título deve ser entendida? É um grito de batalha gutural? Um grito de surpresa? Uma chamada através de uma plataforma de metrô lotada para um velho amigo que vislumbrou o embarque de um trem? Um grito de reconhecimento atordoado de que a Armênia é um país cuja arte você deseja apreciar mais que tudo?
Ou, alternativamente, é uma manobra para infundir um espetáculo sobre a arte medieval com mais imediatismo, talvez tornando-a mais tentadora para millennials difíceis de alcançar?
Nenhuma das opções acima. Um porta-voz do museu disse à Artnet News que a ideia veio da curadora Helen Evans, que "pediu o uso do ponto de exclamação porque sugere a vibração da arte e cultura armênia durante seus séculos medievais e hoje".
Em seguida, perguntamos se a pontuação merece qualquer ênfase ou energia adicional ao pronunciar o programa. "Não, dizemos isso como uma palavra comum".
Por mais novo que pareça, esta não é a primeira vez que o Met usa o ponto de exclamação para inflar um título de exposição. Em 2000, o museu lançou duas exposições com o mesmo sinal: “Now! Fotografias Modernas da Coleção Permanente!” e “Fogos de Artifício! Quatro Séculos de Pirotecnia em Estampas e Desenhos”.. E em 1985-86, no que deve ser o antecedente mais direto, o museu recebeu “Índia!”.
Outros museus seguiram o exemplo. Em 2005, o Museu Solomon R. Guggenheim montou uma ampla pesquisa da Rússia e chamou-a de "Rússia!" Na época, a decisão atraiu a aprovação da crítica de arte Roberta Smith, que escreveu em uma coluna do “New York Times”. que a "imensa pesquisa da cultura russa certamente seria monótona sem o ponto de exclamação”...
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Artigo de Eileen Kinsella para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 24/8/18.

Alemã Münster arrecada fundos para comprar escultura de Nicole Eisenman

Cidade que abriga o evento Sculpture Projects Münster a cada dez anos tenta levantar 800 mil euros para comprar a escultura da artista norte-americana. Artista e galeria reduziram suas comissões. Texto de Catherine Hickley para o portal de artes “The Artnewspaper” editado em 15/8/2018. https://www.theartnewspaper.com/news/muenster-on-track-to-raise-funds-for-eisenman-fountain-as-artist-and-gallery-reduce-price +

A artista norte-americana Nicole Eisenman (1965) e sua galeria de Nova York, Anton Kern, concordaram em reduzir o preço de uma escultura de fonte para que angariadores de fundos na cidade alemã de Münster consigam comprar a obra para a cidade.
Os arrecadadores de fundos tentavam inicialmente levantar € 1,2 milhão para a obra “Sketch for a Fountain”, um conjunto de cinco figuras nuas de gênero ambíguo em torno de uma bacia rasa. Mas agora que Anton Kern renunciou à sua taxa e Eisenman reduziu a dela. O valor agora é de € 800 mil, dos quais € 600 mil são o preço da fonte, € 100 mil para a sua instalação e € 100 mil para a sua manutenção.
Pesquisas mostraram que a escultura de Eisenman foi a obra mais popular da exposição Sculpture Projects Münster, em 2017, do ano passado, embora também tenha sido alvo de vários ataques de vandalismo, com a pixação de suásticas e órgãos sexuais nas estátuas.
A galerista Maria Galen e a escultora Sandra Silbernagel estão liderando o esforço de arrecadação de fundos, que incluiu “Fountain Beer” vendida para uma cervejaria local e “Fountain Bread Rolls” para uma padaria de Münster.
Até agora, eles levantaram € 300 mil. Galen diz estar otimista de que o montante necessário será alcançado até o final do ano. "Queríamos que a maior parte do financiamento viesse dos cidadãos de Münster", diz ela. "Mas também aplicamos a algumas fundações e ainda não sabemos o que receberemos. Estamos muito confiantes. Os planos de arrecadação de fundos para o segundo semestre deste ano incluem uma loteria, com prêmios patrocinados, entre eles, uma viagem a Nova York.
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Texto de Catherine Hickley para o portal de artes “The Artnewspaper” editado em 15/8/2018. https://www.theartnewspaper.com/news/muenster-on-track-to-raise-funds-for-eisenman-fountain-as-artist-and-gallery-reduce-price

Agricultor alemão recebe US$ 1 milhão por bronze romano achado em sua fazenda

Depois que o homem soube que isso não era uma descoberta comum, ele processou o governo para obter seu quinhão do valor. Artigo de Kate Brown para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 30/7/2018. +

Quando arqueólogos descobriram uma cabeça de cavalo romana de 2.000 anos de idade, durante uma escavação em uma fazenda em Lahnau, na Alemanha, em 2009, eles imediatamente souberam que se tratava de uma grande descoberta. Agora, quase 10 anos depois, um tribunal concluiu que o fazendeiro que possuía a terra também merece lucrar com a descoberta.
A antiguidade extremamente bem preservada tinha sido deixada no fundo de um poço cheio de água e protegida do ar. Inicialmente, o Estado alemão pagou ao agricultor apenas 48 mil euros pela cabeça, que foi encontrada em sua propriedade. Mas o homem, cujo nome não foi divulgado, processou o governo depois de ler notícias sobre a importância e o valor da descoberta, que foi proclamada como um dos bronzes romanos mais bem preservados do mundo.
Em 27/7/2018, o tribunal regional de Limburg concluiu que o agricultor tinha o direito a receber metade do valor estimado de 1,6 milhão de euros (US$ 1,8 milhão) pela antiguidade. O governo local agora deve ao homem um total de € 773.000 (cerca de US$ 900 mil) mais juros.
A Artnet News entrou em contato com o Governo estadual para ver se planeja recorrer da decisão, mas não recebeu resposta. Especialistas suspeitam que o bronze foi deixado para trás depois de uma invasão que levou os habitantes da cidade a fugir às pressas. A cabeça de animal adornada com ouro pesa cerca de 25 quilos e mede quase 20 polegadas de diâmetro.
Sua presença na cidade alemã é uma prova da escala do Império Romano. Especialistas inicialmente suspeitaram que a cabeça era parte de uma estátua maior de um general ou militar romano. Eles encontraram sandálias de bronze nas proximidades, confirmando que o cavalo originalmente tinha um cavaleiro, bem como uma estátua de Marte, deus romano da guerra. Mais tarde, os especialistas concluíram que a descoberta foi ainda mais significativa do que se pensava inicialmente. Eles concluíram que era uma estátua de ninguém menos que Augusto, o sucessor de César.
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Artigo de Kate Brown para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 30/7/2018.

Made in Brazil

A Porcelana Teixeira, fábrica fundada em 1949 por imigrantes portugueses, abriga atualmente um dos cinco ateliês que o famoso dissidente chinês montou no país este ano. O objetivo da linha de montagem comandada por Hoshino é produzir um dos trabalhos que estarão na mostra "Ai Weiwei Raiz", a ser inaugurada em 20 de outubro, na Oca. Artigo de João Perassolo para o jornal “Folha de S. Paulo” editado em 29/8/2018. +

Nas prateleiras cheias de objetos de porcelana em um galpão de São Caetano do Sul, no ABC, algumas peças parecem fora de contexto. Entre xícaras, cinzeiros e budas decorativos, repousam centenas de réplicas de frutas-do-conde, ostras, dendês e abacaxis.
Os frutos aguardam o momento em que, pelas mãos de uma equipe coordenada pela designer Raquel Hoshino, serão diferenciadas de uma xícara de cafezinho para se tornarem obras assinadas pelo artista plástico Ai Weiwei.
A Porcelana Teixeira, fábrica fundada em 1949 por imigrantes portugueses, abriga atualmente um dos cinco ateliês que o famoso dissidente chinês montou no país este ano.
O objetivo da linha de montagem comandada por Hoshino é produzir um dos trabalhos que estarão na mostra "Ai Weiwei Raiz", a ser inaugurada em 20 de outubro, na Oca.
Do galpão sairão os dois exemplares de "F.O.D.A." (fruta-do-conde, ostra, dendê e abacaxi) que o público verá no prédio redondo do Ibirapuera, além de outros 300 múltiplos da mesma obra que serão vendidos pela sua galeria paulistana, a ArtEEdições.
"Ai Weiwei eterniza as frutas da mesma forma que a burguesia europeia eternizava cachorros em bibelôs de porcelana. A ideia do bibelô é manter presente algo que está em extinção", explica Hoshino.
Sete pessoas se dedicam em tempo integral ao acabamento das frutas —são escultores, ceramistas e pintores ativos no mercado, pinçados especialmente para o projeto.
A fabricação dos objetos segue a linha de produção normal de outras peças que saem dali, com os mesmos operários e matérias-primas.
Weiwei contratou Hoshino depois de se encantar com a verossimilhança de um protótipo de abacate realizado pelo artesão Miguel Anselmo, que integra a equipe da designer.
A encomenda do artista chinês, que pediu a Hoshino e à fábrica a reprodução de uma fruta brasileira, para aferir a qualidade do trabalho e dos materiais, fez com que a designer oficializasse a criação de uma divisão dedicada ao desenvolvimento de peças de caráter mais experimental.
Ela conta ainda que Weiwei lhe mandou um recado —ele queria que as reproduções das frutas fossem "rústicas, mas benfeitas". E parece ter gostado do resultado, a julgar pelas curtidas que dá nas imagens das peças prontas postadas no Instagram por um dos artesãos da fábrica.
O curador da mostra da Oca, Marcello Dantas, conta que a ideia para "F.O.D.A." surgiu há alguns meses, em Trancoso, na Bahia, onde Weiwei lhe perguntou como dizer "fuck" em português. Dantas respondeu, e então o artista disse que queria uma fruta correspondente a cada letra da palavra "foda" para realizar a obra.
"As letras F, D e A foram relativamente fáceis. Mas não há no dicionário nenhuma fruta com O. Então sugeri ostra, que é um fruto do mar, e ele amou. Além do mais, a ostra tem uma conotação sexual superforte", afirma Dantas.
A fábrica em São Caetano do Sul é só um dos lugares de produção do chinês no Brasil.
Há mais três frentes de trabalho ativas espalhadas pelo país —uma em Cotia, na Grande São Paulo, outra em Juazeiro do Norte, no Ceará, e uma no presídio paulista de Tremembé. O quarto, que ficava em Trancoso, foi desativado após seis meses de operação.
O número de pessoas trabalhando em todos esses locais chegou a 150. Para a realização das obras, foram usados materiais como raízes, cerca de uma tonelada de sementes de olho-de-cabra e couro. "O volume de produção é grande. São uns sete, oito caminhões. É um processo quase industrial", conta Dantas.
Parte das obras vindas dos ateliês, que devem finalizar seus trabalhos no início de setembro, estará na Oca.
O restante foi enviado à China e só virá a público em ocasiões futuras. É o caso do molde de um pé de pequi de 36 metros de altura tirado em Trancoso por uma equipe de chineses, que deve levar cerca de um ano para ser fundido.
Dantas nega que o interesse de produzir as peças de "F.O.D.A." no Brasil esteja relacionado à mudança nas taxas aeroportuárias para obras importadas; hoje elas não são mais cobradas de acordo com o peso da obra armazenada, e sim segundo seu valor.
"A razão de produzir essas peças aqui é o interesse em interpretar o Brasil que faz parte do imaginário do Ai Weiwei desde a infância, quando seu pai aqui esteve com Jorge Amado. É uma visita à tradição artesanal brasileira, assim como a obra do Weiwei é uma visita à tradição artesanal chinesa", justifica o curador.
Obras complexas realizadas com o auxílio de mão de obra local, aliás, não são uma novidade na carreira do dissidente.
Há alguns anos, Weiwei contratou oficinas de artesãos de Jingdezhen para que confeccionassem 100 milhões de sementes de girassol de porcelana —a cidade no sul da China tem tradição milenar na fabricação desse material.
O resultado foi "Sunflower Seeds", obra exibida há oito anos na Tate, em Londres, que estará também em São Paulo.
"Ai Weiwei Raiz" é a segunda mostra do artista no país. Em 2013, um conjunto de suas fotografias foi exibido no Museu da Imagem e do Som paulistano. Esta, contudo terá uma dimensão maior, ocupando quatro andares da Oca.
Além das peças feitas aqui, estarão reunidos trabalhos marcantes de Weiwei, como "Forever Bicycles", "Moon Chest" e "Straight", além de uma obra exibida apenas uma vez, "Ordos 100", realizada em 2008 com os arquitetos suíços Herzog & de Meuron.
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Artigo de João Perassolo para o jornal “Folha de S. Paulo” editado em 29/8/2018.

Obra de Diego Bresani é vetada em exposição do prêmio Transborda

O trabalho faz referência a Jair Bolsonaro e a Caixa, que recebe a exposição, decidiu vetá-lo. Matéria de Patricia Canetti publicada originalmente no jornal “Correio Braziliense”, em 04/08/18. +

A obra My sweet president, escolhida pelo júri do Transborda Brasília – Prêmio de Arte Contemporânea para integrar exposição em cartaz na Caixa Cultural a partir de terça (07/08), foi vetada e não estará na exposição. Segundo o artista, a Caixa alegou que, como se trata de ano eleitoral, fica impossível, pela legislação, exibir obras que façam referências a candidatos à presidência da República. My sweet president tem Jair Bolsonaro (PSL) como foco. No ano passado, a revista Isto É publicou uma foto que Diego Bresani fez do presidenciável. O filho do candidato não gostou da imagem e reclamou nas redes sociais. Disse onde o artista morava e quem ele era.
Bresani passou então a receber dezenas de ameaças nas redes sociais e tirou os prints de tela de cada uma. Depois, organizou tudo por temas. Há desde comentários homofóbicos e sobre esquerdopatia até ameaças de morte. Com as imagens, ele criou a obra My sweet president, um políptico gigante com as mensagens ampliadas para que o público possa ler de longe. “É para termos a noção do tamanho de um ataque de ódio”, explica. “E do lado dos prints, tem a foto do Bolsonaro.” O artista ficou três dias trancado em casa com medo das ameaças, já que seu endereço e telefone foram divulgados nas redes sociais. “A Caixa justificou que é período eleitoral. Eu propus tirar a foto do Bolsonaro e deixar as ameaças. Eles não deixaram. Vetaram”, explica.

O júri formado por Marília Panitz (DF), Guga Carvalho (PI), Clarissa Diniz (PE/RJ), Agnaldo Farias (SP) e Lisette Lagnado (SP) analisou a obra e a considerou de boa qualidade ao ponto de estar entre os 12 selecionados do prêmio. Marcada para abrir na terça (7/08), a exposição na Caixa deve ficar sem a obra de Bresani, mas ela continua a concorrer ao prêmio. “Estamos aguardando o posicionamento oficial da Caixa sobre a possibilidade de a obra ser exibida. Houve uma consulta ao departamento jurídico, já que a exposição coincide com o período eleitoral e a obra inclui a imagem de um candidato. Até que a Caixa se posicione, optamos por não instalar o trabalho. Contudo, o trabalho, entrando ou não na exposição, faz parte do Transborda, foi selecionado pelo júri e segue concorrendo ao prêmio. A exposição é uma parte do projeto, mas não é todo ele”, avisa Virgínia Manfrinato, idealizadora do Transborda. Na terça (07/08), às 18h, os membros do júri participam de uma conversa aberta ao público. Por enquanto, a Caixa não se pronunciou sobre o veto à obra.

Mostra dos artistas selecionados para o Transborda Brasília – Prêmio de Arte Contemporânea 2018
Abertura na terça (07/08), às 19h na Galeria Acervo da Caixa Cultural (SBS, quadra 4, lotes 3/4 - Asa Sul, anexo à matriz da CAIXA). Visitação até 9 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h.
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Matéria de Patricia Canetti publicada originalmente no jornal “Correio Braziliense”, em 04/08/18.

Museu da Casa Brasileira pode ser despejado

O Museu da Casa Brasileira pode perder sua sede, um casarão na Avenida Faria Lima, após o fim de um contrato de comodato com a FPA (Fundação Padre Anchieta), proprietária do imóvel”. O contrato vence em 2021. Segundo a diretora-geral do museu, Miriam Lerner, a fundação afirmou não querer renovar o contrato. Firmado em 1971, o documento previa a concessão por 50 anos. Artigo de Isabella Menon para o jornal “Folha de S. Paulo” editado em 29/8/18. +

O Museu da Casa Brasileira pode perder sua sede, um casarão na Avenida Faria Lima, após o fim de um contrato de comodato com a FPA (Fundação Padre Anchieta), proprietária do imóvel”. O contrato vence em 2021.
Segundo a diretora-geral do museu, Miriam Lerner, a fundação afirmou não querer renovar o contrato. Firmado em 1971, o documento previa a concessão por 50 anos.
Questionada, a direção da fundação diz que seu pedido não significa que a situação esteja definida, mas reiterou que a renovação do contrato não será automática. Em nota, eles acrescentam que o órgão “poderá discutir com a Secretaria da Cultura e o governo do estado o que for mais conveniente para as partes”.
A fundação não explicou o que motivou a não renovação do contrato do museu e não informou se haverá um projeto da Secretaria de Estado da Cultura para aquele endereço.
Procurados, representantes da secretaria confirmaram que receberam o ofício da fundação protocolando o pedido de não renovação automática do comodato do prédio por mais 50 anos.
Segundo o órgão estadual, a lei determina que, para não haver renovação automática, é necessária a solicitação com três anos de antecedência. “Foi isso que o presidente e o conselho [da Fundação Padre Anchieta] atuais fizeram, deixando a decisão para a próxima gestão, que se inicia no ano que vem”, afirma a pasta.
Essa prática vem acontecendo com outros espaços culturais do estado de São Paulo. Um exemplo é o Paço das Artes, que foi despejado do prédio que pertence ao Instituto Butantan, em 2016, e hoje ocupa uma parte da sede do Museu da Imagem e do Som.
O imóvel da Faria Lima foi construído por Fábio da Silva Prado, prefeito de São Paulo ente 1934 e 1938, e por sua mulher, Renata Crespi Prado.
O espaço se dedica a realizar exposições de arquitetura e design brasileiros, além de abrigar um tradicional evento de música erudita sempre aos domingos.
O casal Prado viveu ali entre 1945 e 1963, ano em que o ex-prefeito morreu. Cinco anos depois, a viúva doou o imóvel à Fundação Padre Anchieta com a condição de que fosse usado para fins culturais.
Além de ter um acervo com objetos de design e arquitetura, como poltronas e outros móveis, o museu se tornou uma referência em história do design no país.
No segundo andar da construção da década de 1940 há uma exposição permanente de parte do acervo do casal que ali viveu.
Entre as peças expostas estão fotografias, talheres, louças, quadros de Candido Portinari e Di Cavalcanti, além de um busto de Renata Crespi esculpido pelo modernista Victor Brecheret.
O museu também recebe feiras paralelas de design, gastronomia e moda, que acontecem nos 6.000 metros quadrados do jardim da casa. A diretora do museu afirma que esses eventos atraíram diferentes públicos para dentro da instituição.
“A pessoa que vai às feiras precisa passar pela sala expositiva, o que começou a atrair um público mais diversificado”, afirma Miriam Lerner.
Em 2016, o museu recebeu 140 mil visitas e, em 2017, 156 mil —um aumento de 11%. “Nos últimos anos temos conseguido aumentar também nossa a captação de recursos”, acrescenta Lerner, que diz não saber qual espaço o museu poderá ocupar caso a sede não seja mais a da Faria Lima.
Segundo ela, outro problema causado pela saída da sede atual seria a perda da identidade do museu, que, após quase cinco décadas ali, estaria “fortemente ligado a este endereço”.
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Artigo de Isabella Menon para o jornal “Folha de S. Paulo” editado em 29/8/18.


Metropolitan de Nova York exibe 16 pinturas de Van Gogh

Geralmente, uma ou outra pintura de Van Gogh do acervo do Metyropolitan de Nova York não está em casa, devido aos contantes empréstimos que o museu realiza ao redor do mundo. Mas agora o Met oferece uma rara chance de ver todas as 16 telas de Van Gogh em sua coleção de pinturas européias. Artigo de Sarah Cascone para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 13/08/18. +

O trabalho de Vincent van Gogh sempre teve uma alta demanda em exposições em todo o mundo e por isso é raro encontrar as 16 pinturas do Metropolitan Museum of Art pelo mestre holandês em casa ao mesmo tempo. Mas agora, pela primeira vez em quatro anos, o conjunto completo de telas de Van Gogh do departamento de pinturas européias do Met está exposto no museu das galerias 822 e 825.
“Na primavera, os “Oleanders” (1888) retornaram da mostra “Van Gogh & Japan”, apresentada em Sapporo, Tóquio e Quioto. “L'Arlésienne” (1888/1889) estava entre os destaques do local da exposição em Amsterdã, no Museu Van Gogh, em Amsterdã, no final de junho ”, disse Susan Stein, a curadora de pintura européia do século XIX, em um email para o Artnet News.
Outras pinturas que têm viajado desde que todos os 16 Van Goghs foram vistos pela última vez juntos incluem The Flowering Orchard (1888) e Cypresses (1889). Este último fez a viagem ao Instituto de Arte Clark em Williamstown, Massachusetts, para "Van Gogh and Nature", enquanto o primeiro visitou o Museu de Arte Ateneum, em Helsínquia; o Museu Nacional de Arte, Arquitetura e Design de Oslo; e o Statens Museum for Kunst em Copenhague para “Japanomania in the North: 1875–1918”. “Mais perto de casa”, Stein acrescentou, “Irises de Van Gogh [1890] e Girassóis [1887] foram incluídos na exposição do Met“ Parques Públicos, Jardins Particulares: Paris à Provença ”, onde eles apreciaram seu lugar em uma galeria que traçou o renascimento da pintura de flores na França do final do século XIX ”.
Há alguns Van Goghs, no entanto, que não saem de Nova York. “Auto-Retrato com Chapéu de Palha (1887) não saiu em turnê fora de Nova York desde sua aquisição em 1967, em parte devido a preocupações de conservação. E as sete obras de Van Gogh da Coleção Walter H. e Leonore Annenberg, que incluem a obra-prima “Wheat Field With Cypresses” (1889), foram adquiridas com a previsão expressa de que as telas nunca seriam emprestadas a outras instituições. Apenas uma pintura de Van Gogh da coleção do museu está faltando na nova galeria: “Madame Roulin e seu Bebê” (1888), que na verdade faz parte da coleção Lehman e é, portanto, tipicamente mostrada na Ala Lehman, e não na seção de pintura européia. A tela está prestes a ser vista no Frans Halsmuseum, em Haarlem, Holanda, em “Franz Hals and the Modernists” (de 12/10/18 a 24/2/19).
Os Van Gogh do Met também incluem seis desenhos, um na Coleção Lehman e o restante no departamento de desenhos e estampas. Em um post no blog, Alison Hokanson, curadora assistente do departamento, chamou isso de uma “ocasião a não perder”. Todas as 16 pinturas de Vincent Van Gogh estarão à vista no Metropolitan Museum of Art, 1000 Fifth Avenue, Nova York, nas galerias 822 e 825, até o final de fevereiro de 2019.
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Artigo de Sarah Cascone para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 13/08/18.

Belga Wim Delvoye inaugura Perrotin Gallery em Xangai

Uma década atrás, o trabalho do artista belga Wim Delvoye foi censurado em Xangai. Agora, ele vai inaugurar o novo espaço em Xangai da francesa Perrotin Gallery. O artista belga já está em uma fazenda chinesa tatuando porcos. Artigo de Sarah Cascone para o portal internacional de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 28/8/2018. +

O galerista francês Emmanuel Perrotin nunca foi de fazer uma entrada tranquila. Fiel à sua forma de agir, em 20 de setembro ele abrirá uma nova filial de sua galeria em Xangai, o primeiro local na China continental, com uma individual do artista e provocador belga Wim Delvoye. Uma década atrás, o trabalho desse mesmo artista foi censurado na cidade. A mostra, a primeira apresentação individual de Delvoye em Xangai, abrange 15 anos de sua carreira e inclui trabalhos do próprio projeto que foi censurado na Feira de Arte Contemporânea de Xangai em 2008.
A peça, uma videoinstalação de três telas intitulada “Art Farm”, documenta o tempo do artista executando um projeto em uma fazenda de porcos na província chinesa de Sichuan entre 2003 e 2010. A Perrotin não prevê nenhum problema desta vez.
"O problema era que ele queria mostrar os porcos vivos na feira", explicou o galerista. (“Art Farm” apareceu na Xin Beijing Gallery da cidade em 2007 sem incidentes.) Para fazer o vídeo, Delvoye tatuou cada jovem leitão, criando uma arte viva que crescia e se modificava à medida que o animal amadurecia e suas peles foram estendidas como uma tela após a morte.
"Os porcos que estavam com Wim foram sortudos!", disse Perrotin, descrevendo suas vidas, que incluíam massagens diárias, em contraste com as terríveis condições enfrentadas nas fazendas industriais. “Para ter a pele que estaria em boas condições para uma obra de arte, eles foram tratados super bem. Eram a aristocracia dos porcos”.
Um compromisso com a Ásia
A próxima galeria é a quarta de Perrotin na Ásia. Ela será aberto em um antigo depósito construído em 1937 na Huqui Road, que já foi apelidado de “Museum Road,” por causa dos museus e casas de leilões nas proximidades. Embora um grande número de galerias ocidentais tenham sido inauguradas em Hong Kong nos últimos 15 anos, pouquíssimas deram o salto para o lançamento em Xangai. (Lévy Gorvy e Hauser & Wirth operam escritórios na cidade, mas não galerias).
Perrotin espera realizar oito exposições individuais por ano em seu espaço em Xangai, que pode receber duas exposições simultaneamente. Em preparação para o novo empreendimento, ele está sendo apoiado fortemente pelos parceiros da galeria Etsuko Nakajima e Alice Lung, que supervisionam as operações asiáticas da galeria. Originalmente fundada em 1990 em Paris, onde a galeria agora tem três locais, a Perrotin expandiu-se pela primeira vez para a Ásia em 2012, com um posto avançado de Hong Kong. Seul seguiu em 2016 e Tóquio no ano seguinte.
A paisagem do mundo da arte asiática mudou bastante desde que a Perrotin pisou pela primeira vez na região, e Xangai representa uma grande oportunidade de crescimento. De fato, Hong Kong não é mais o único centro de arte e comércio internacional da China. Em Xangai, diz Perrotin, “as coisas acontecem super rápido. O que levaria 20 anos na Europa leva cinco anos aqui”.
Apesar de estar empolgado em dar o próximo passo no mercado chinês, que considera complementar à operação de Hong Kong, Perrotin continua cauteloso com a perspectiva da nova galeria. Ele espera ter razão em sentir o interesse crescente dos colecionadores na China continental, mas admitiu: "Eu poderei lhe dizer mais tarde se foi a hora certa". E apesar de sua atitude otimista em relação à exposição de Delvoye, Perrotin ainda está ciente de que ele terá que navegar pela política e pela potencial censura. “Alguns aspectos da organização dos shows serão complicados, mas aprenderemos a fazê-lo”, disse ele. "Não podemos antecipar tudo." Outro desafio para uma galeria de arte contemporânea que tenta entrar na China continental, segundo Perrotin, é que “muitos colecionadores estão coletando tinta, mas não o que consideramos arte contemporânea. No passado, eles se concentraram em artistas chineses, mas agora estão se tornando abertos a artistas do resto do mundo ”.
A Perrotin começou a testar as águas e desenvolver conexões com colecionadores locais como expositor na feira de arte ART021, em Xangai, onde estreou em 2013. Agora, com um espaço físico, ele espera desenvolver mais essas relações.
“As feiras de arte são ótimas porque podemos passar cinco dias em muitos países diferentes, mas ninguém tem tempo real para conversar com você. Eles vão de um estande para outro”, disse Perrotin. “E todas as obras têm que ser muito fáceis de digerir; nós não podemos fazer o que é nossa verdadeira missão, que é introduzir artistas que ainda não são reconhecidos ou conhecidos ”.
Aconteça o que acontecer, a Perrotin está pronta para enfrentar o desafio. Ele reconhece que é mais difícil vender arte na China continental do que produtos de marca de luxo, como bolsas de grife, mas observa: "Eu ouvi muitas coisas antes de abrir em Hong Kong e, sinceramente, não tive problemas no final". "Estamos muito felizes de estar no início desta aventura para galerias internacionais na China continental", acrescentou. "Eu tenho 50 anos agora, e Leo Castelli abriu sua galeria aos 50 anos de idade, então talvez eu tenha uma nova vida a partir de agora!"
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Artigo de Sarah Cascone para o portal internacional de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 28/8/2018.
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“Wim Delvoye”: Perrotin Shangai, 3 / F, 27 Huqiu Road, distrito de Huangpu, Xangai, de 20/9 a 20/10/2018.

Com referência a Bolsonaro, obra de Diego Bresani é vetada pela Caixa Cultural

A obra “My Sweet President”, obra do artista e fotógrafo Diego Bresani foi escolhida para integrar o projeto Transborda Brasília - Prêmio de Arte Contemporânea deste ano, mas foi vetada pela Caixa Cultural Brasília. Conforme o Correio Braziliense publicou neste sábado, 4/8/18, o trabalho faz referência ao candidato Jair Bolsonaro. A instituição argumentou que, por se tratar de período eleitoral, o trabalho não poderia ser divulgado. Texto editado em 5/8 e atualizado em 6/8/18 com colaboração de Roberta Pinheiro. https://gpslifetime.com.br/conteudo/entretenimento/arte/80/com-referencia-a-jair-bolsonaro-obra-de-diego-bresani-e-vetada-pela-caixa-cultural. +

“My Sweet President”, obra do artista e fotógrafo Diego Bresani e escolhida para integrar o projeto Transborda Brasília - Prêmio de Arte Contemporânea deste ano foi vetada pela Caixa Cultural Brasília. Conforme o jornal “Correio Braziliense” publicou neste sábado, 4/8/18, o trabalho faz referência ao candidato Jair Bolsonaro. Segundo Bresani, a instituição argumentou que, de acordo com a legislação brasileira, como se trata de período eleitoral e a obra tem como centro a imagem de um presidenciável, o trabalho não poderia ser divulgada pela instituição. Na segunda-feira, 6, haverá uma reunião para definir o desenrolar do ocorrido.
Na obra, Bresani cataloga, organiza e separa por temas os comentários, ameaças, ofensas, agressões e intimidações sofridas pelo artista, no ano passado, em razão de um retrato que fez de Jair Bolsonaro e que foi publicado em uma revista. O filho do candidato não gostou da imagem e reclamou nas redes sociais - dizendo, inclusive, onde Bresani morava e quem ele era. Vale lembrar que a mesma fotografia de Bolsonaro integrou a exposição “Respiro - Retratos I”, individual do artista realizada em 2016 na Galeria Athos Bulcão.
O júri do Transborda Brasília, formado por Marília Panitz, Guga Carvalho, Clarissa Diniz, Agnaldo Farias e Lisette Lagnado, havia analisado o trabalho e o considerado de qualidade para integrar os 12 selecionados da premiação, cuja exposição abrirá na terça, 7/8.
“Estamos aguardando o posicionamento oficial da Caixa sobre a possibilidade da obra ser exibida. Houve uma consulta ao departamento jurídico, já que a exposição coincide com o período eleitoral e a obra inclui a imagem de um candidato. Até que a Caixa se posicione, optamos por não instalar o trabalho. Contudo, o trabalho, entrando ou não na exposição, faz parte do Transborda, foi selecionado pelo juri e segue concorrendo ao prêmio.
A exposição é uma parte do projeto mas não é todo ele. Entendo que se fere a lei durante o período eleitoral, temos que nos ajustar e talvez encontrar um local permitido para expor a obra do Diego Bresani", afirma Virgínia Manfrinato, idealizadora do Transborda Brasília.
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Texto editado em 5/8 e atualizado em 6/8/18 com colaboração de Roberta Pinheiro. https://gpslifetime.com.br/conteudo/entretenimento/arte/80/com-referencia-a-jair-bolsonaro-obra-de-diego-bresani-e-vetada-pela-caixa-cultural

A ironia dirigida ao mundo da arte

Um pintor argentino projetado nos anos 1980 entra armado na galeria de arte que reúne toda a sua obra, tachada de decadente pela crítica. Para "modernizar o conceito", a pedido do galerista desesperado em efetuar pelo menos uma venda durante a exposição, ele dá dois tiros em uma das telas, deixando o seu marchand e uma cliente boquiabertos. "Talvez agora algum imbecil queira comprar o quadro", diz o pintor, saindo tão rápido quanto entrou. Artigo de Elaine Guerini para o jornal “Valor Econômico” editado em 24/8/18. +

Um pintor argentino projetado nos anos 1980 entra armado na galeria de arte que reúne toda a sua obra, tachada de decadente pela crítica. Para "modernizar o conceito", a pedido do galerista desesperado em efetuar pelo menos uma venda durante a exposição, ele dá dois tiros em uma das telas, deixando o seu marchand e uma cliente boquiabertos. "Talvez agora algum imbecil queira comprar o quadro", diz o pintor, saindo tão rápido quanto entrou.
Ainda que a temática de "Mi Obra Maestra" brinque com a tensão entre arte e comércio, isso nunca foi uma preocupação do argentino Gastón Duprat, diretor da comédia dramática selecionada para o 75º Festival de Veneza (de 29 de agosto a 8 de setembro). "É velha a ideia de que um filme popular seja sinônimo de má qualidade", conta o cineasta de 48 anos, em Buenos Aires. Desde o dia 16, mais de 300 salas da cidade exibem o longa, que tem projeção agendada na Itália, em caráter hors concours, no dia 30, às 21h, na Sala Giardino.
Duprat sabe o que fala. Seu trabalho anterior, "Cidadão Ilustre" (2016), codirigido com Mariano Cohn, foi um dos filmes mais vistos na Argentina naquele ano, somando em 21 semanas em cartaz mais de 650 mil espectadores. A trama do autor premiado com o Nobel de Literatura, de volta à cidade natal que tanto desdenha em seus livros, também colecionou prêmios. Levou o Goya (o Oscar espanhol) de filme ibero-americano, o Platino de melhor filme e o Copa Volpi de melhor ator do Festival de Veneza para Oscar Martínez. Ainda representou a Argentina no Oscar.
Obras anteriores de Duprat, também em parceria com Cohn, como "O Homem Ao Lado" (2009) e "O Artista" (2008), agradaram igualmente crítica e público, sobretudo pelo humor refinado da dupla, embora em escala menor. No geral, não faltam no cinema argentino exemplos de títulos que conseguem atrair as massas sem perder a proposta de filme de arte.
"O fato de sabermos que existe público para isso no país talvez nos ajude a não menosprezar o espectador, o que significaria simplificar a obra", afirma Duprat, que iniciou na carreira fazendo videoarte e cinema experimental. "Algo como 'Os Dez Mandamentos - O Filme' não faria sucesso na Argentina", diz ele, referindo-se ao campeão de bilheteria no Brasil em 2016. Massacrado pela crítica, o longa bíblico de Alexandre Avancini registrou mais de 11 milhões de ingressos vendidos - embora o fenômeno tenha sido impulsionado pela Igreja Universal.
"Minhas inspirações são Quentin Tarantino, os irmãos Coen e Steven Spielberg. No caso de Spielberg, ele pode ser considerado independente, pelo simples fato de fazer o que bem entende nas suas produções milionárias. Cineastas que saem pedindo dinheiro é que não têm liberdade criativa", diz Duprat, sócio de Cohn na produtora portenha Televisión Abierta desde meados dos anos 1990.
Duprat assina a direção de "Mi Obra Maestra", enquanto Cohn se encarrega da produção. As posições foram invertidas em "4x4", em pós-produção na empresa. O thriller aborda o problema da segurança pública na Argentina, a partir da armadilha preparada por médico de classe média para dar lição a um ladrão de carro.
"Com o êxito de 'Cidadão Ilustre', tivemos a chance de rodar mais rápido em função de produtores associados que nos procuraram", diz Duprat. A ideia foi aproveitar a visibilidade recebida para fazer dois filmes ao mesmo tempo. "Cada um de nós dirige um, com toda a concentração necessária, enquanto o outro acompanha e facilita o trabalho como produtor."
Com previsão de lançamento no Brasil em outubro, o filme reforça o que se tornou marca registrada da dupla: extrair o que há de mais absurdo nas situações muitas vezes apresentadas como normais. A nova trama é construída a partir da amizade entre o marchand Arturo Silva (Guillermo Francella) e o artista plástico Renzo Nervi (Luis Brandoni). Enquanto o primeiro está disposto a engolir os paradoxos no mundo da arte contemporânea, desde que isso engorde sua conta bancária, o segundo prefere a falência a se submeter às novas exigências do mercado esnobe que hoje o despreza.
"O que nasceu primeiro foi a vontade de contar a história de dois amigos de longa data, algo muito comum na Argentina. Assim como na Itália, principalmente no Sul do país, os homens mais velhos perdoam tudo o que o melhor amigo faz", afirma o diretor. "Isso funciona como uma espécie de máfia no universo masculino. Mesmo que mate alguém, se você tiver um amigo assim, ele o ajudará a não acabar na cadeia", completa Duprat.
Só após definido o conflito central é que o cineasta escolheu a geografia onde inserir a história. "Como as artes estão distantes do gosto popular, são as que mais proporcionam circunstâncias insólitas. Quase ninguém se atreve a opinar sobre as obras, com medo de falar bobagem", diz o cineasta, irmão de Andrés Duprat, diretor do Museo Nacional de Bellas Artes, de Buenos Aires. "Andrés aproveitou a autoridade e a naturalidade que tem no meio para escrever o roteiro."
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Artigo de Elaine Guerini para o jornal “Valor Econômico” editado em 24/8/18.

Norma da Anac que gerou "tarifaço" para obras de arte vai ser revisada

Sob pressão do meio cultural, o governo pretende intervir em norma da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que gerou um "tarifaço" na entrada de obras de arte para exposições no Brasil. Objetos como quadros, esculturas e instrumentos musicais trazidos do exterior sempre pagaram taxas aeroportuárias de armazenagem e capatazia calculadas com base no peso verificado. A partir deste ano, concessionárias de aeroportos privatizados passaram a fazer essa cobrança tomando como referência o valor de mercado das obras. Artigo de Daniel Rittner para o jornal “Valor Econômico” editado em 28/8/2018. +

Sob pressão do meio cultural, o governo pretende intervir em norma da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que gerou um "tarifaço" na entrada de obras de arte para exposições no Brasil. Objetos como quadros, esculturas e instrumentos musicais trazidos do exterior sempre pagaram taxas aeroportuárias de armazenagem e capatazia calculadas com base no peso verificado. A partir deste ano, concessionárias de aeroportos privatizados passaram a fazer essa cobrança tomando como referência o valor de mercado das obras.

Houve revolta de produtores culturais. Muitos alegaram que a nova forma de cobrança põe em xeque a vinda de exposições, orquestras e eventos ao país. O Ministério da Cultura (MinC) citou recentemente caso de evento organizado pelo Instituto Tomie Ohtake, de São Paulo, em que o valor de armazenamento das obras aumentou de R$ 3 mil para R$ 4,5 milhões. O custo era maior que o orçamento geral de R$ 3 milhões para montagem da mostra.

O Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil prepara uma nota técnica classificando essas iniciativas culturais como "política pública" e abrindo caminho para que a cobrança volte a ser feita pelo peso dos objetos.

Por lei, cabe aos ministérios setoriais (e não aos órgãos reguladores) a definição do que são políticas públicas. Com o parecer, que está em fase final de elaboração, a expectativa na Esplanada dos Ministérios - incluindo o MinC e o Palácio do Planalto - é de mudança da norma pela diretoria da Anac. Na cúpula da agência, contudo, o entendimento predominante é de que não bastaria nota técnica e seria preciso ter uma resolução do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) sobre o assunto. Formado por cinco ministros e pelo comandante da Aeronáutica, o Conac é um órgão de assessoramento da Presidência.

O Valor apurou que só assim a agência reguladora se sentiria suficientemente confortável, do ponto de vista jurídico, para promover alterações da regra em vigência. A norma foi criada em 2001, por meio de portaria da Aeronáutica, que era responsável, na época, pela regulação e fiscalização do setor. Depois, as diretrizes para cobrança de armazenagem e capatazia também entraram nos contratos de concessão dos aeroportos leiloados à iniciativa privada. A questão, segundo autoridades do setor, é que as tarifas não eram devidamente aplicadas.

Mencionando um anexo de seus contratos, as concessionárias argumentaram que somente exposições ou shows musicais com caráter "cívico-cultural" têm direito ao regime de admissão temporária (cobrança por peso, não por valor de mercado). Esse não seria o caso, segundo as operadoras aeroportuárias, de exposições ou shows musicais em que as entradas são pagas e há comercialização de bens ou serviços.

Para atender ao pedido dos círculos culturais e mudar o sistema de aplicação das tarifas, a Anac deverá promover ainda um reequilíbrio econômico dos atuais contratos, devido à frustração de receitas pelas concessionárias. Na prática, segundo fontes contrárias à mudança na regra, significa transferir esse ônus para os demais usuários.
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Artigo de Daniel Rittner para o jornal “Valor Econômico” editado em 28/8/2018.

Estar nu ajuda a apreciar uma obra de arte?

A Artnet News se juntou a um grupo de naturistas em uma visita “opcional” à inglesa Galeria Towner, um museu de nudismo, e descreve aqui a sua experiência. Artigo de Naomi Rea para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 16/8/2018 com reportagem adicional de Kate Brown e fotografias de David Owens realizadas especialmente para a Artnet. +

Há algumas coisas que você realmente não percebe sobre as galerias de arte até ficar completamente nua. Quando visitei a Towner Art Gallery, em Eastbourne (East Sussex, costa sul da Inglaterra) com um grupo de nudistas no sábado à noite, descobri que as condições de iluminação, por exemplo, são otimizadas para visualização detalhada de todos os cantos e recantos. Depois, há a temperatura, mantida baixa para conservar a arte, mas não ideal para preservar o calor natural do corpo.
"Muitas pessoas provavelmente descobrem o naturismo em uma praia de nudismo no exterior em um feriado de verão e assim o associam a banhos de sol e nadadeiras", diz Philip Baker, tesoureiro do Eastbourne Naturist Swim Club, que organizou o evento em colaboração com o Naturismo britânico.
"Na verdade, os naturistas gostam de fazer as mesmas coisas que todo mundo faz, mas preferem ficar nus", explica Baker. Visitar uma galeria de arte era uma escolha natural para uma atividade, diz ele, pois é "simplesmente algo que muitas pessoas fazem".
Um assistente de galeria decididamente despreocupado chamado Michael, usando uma camiseta de David Bowie e jeans, deu as boas-vindas a um grupo de cerca de 30 pessoas ao espaço.
Olhando-me diretamente nos olhos, ele me diz que é a primeira vez que ele vê um grupo de naturistas (isto é, nudistas), mas acrescenta que ele é "mente aberta".
Não é o caso de algumas das outras galerias e museus que Baker abordou sobre o rastro, incluindo a Tate Britain, que ignorou vários pedidos para organizar uma visita naturista à sua exposição “All Too Human”. O diretor do Towner, Joe Hill, no entanto, era todo ouvidos.
"Achamos que foi uma ótima ideia", diz Hill, "pois é importante para nós que a galeria seja um espaço seguro para todas as comunidades e que todos tenham a oportunidade de aproveitar nossas exposições. Estou aberto e não em posição de defesa".
Os participantes eram uma mistura de fãs de arte e outros mais interessados no aspecto social do dia. Alguns revelaram que haviam descoberto tudo em um contexto de arte antes, tendo se exposto às lentes do artista americano Spencer Tunick por sua paisagem nua em massa “The Sea of Hull”, quando a cidade do norte da Inglaterra celebrava seu ano como a capital cultural do Reino Unido.
“Eventos como esse combinam duas paixões: arte e estar nua”, disse Rika Evans, membro aposentado do Eastbourne Borough Council. Evans diz que ela foi incluída no photobook de estreia de 2017 da fotógrafa e artista de moda Amelia Allen, “Naked Britain”, o resultado de dois anos fotografando nas comunidades naturistas do Reino Unido. Em novembro passado, a Herrick Gallery, em Londres, abriu suas portas para uma exibição naturista de uma exposição de fotos do livro de Allen.
Como se vê, as exibições de arte nuas não são tão incomuns quanto se imagina.
Outras pessoas do grupo mencionam ter sido convidadas para mostras de arte nua em 2013 na Guerilla Galleries, em Hackney (Londres) e assistir a shows da artista nua Lucy Muse.
Em 2010, a Wellcome Collection, em Londres, também convidou o British Naturism para participar de uma excursão opcional a uma exposição sobre a pele. Mais adiante, dizem-me, eventos semelhantes aconteceram na Áustria, Austrália e na Califórnia. Em 2016, o artista Stuart Ringholt chegou a oferecer passeios nus de Art Cologne para colecionadores mais aventureiros.
No Towner, um ator que ensina teatro musical para pessoas com necessidades especiais, Colin me diz que é novo no naturismo, mas se descreve como um grande amante da arte.
"Eu estou absolutamente amando a experiência de absorver a pintura e a arte nu", diz ele, enquanto admira cenas religiosas pintadas pelo artista impressionista Edward Stott, que costumava usar aldeões locais em vários estados de nudez como modelos para suas pinturas. "Estou aberto e sem defesa", diz Colin. "Minha mente se acalma e sinto diferentes visões cognitivas e experienciais se abrindo para mim."
Uma perspectiva nua?
Enquanto nos movemos pelas galerias, me pergunto quais novas perspectivas meu próprio estado sem censura poderia me dar. No andar de cima, em uma exposição sobre fotografia aérea, sou atingida por uma imagem de satélite censurada do artista belga Mishka Henner, uma visão panorâmica do Google Earth de uma instalação segura que o governo holandês havia pixelado artisticamente em nome da segurança nacional. Penso em como a tecnologia nos permite compartilhar informações mais amplamente e como aqueles que estão no poder podem se apressar para controlar o que podemos ver de novo.
Minha mente se volta para a censura do Facebook da obra “Liberdade Guiando o Povo”, de Delacroix, e de outros trabalhos da história da arte. Eu localizo Michael, o assistente de galeria, que é reconhecível pelo seu cordão rosa Towner, mas não mais pela camisa Bowie, que ele removeu, junto com o resto de suas roupas. Eu quero cumprimentá-lo!
Em uma galeria dedicada ao trabalho do pintor e ilustrador inglês Eric Ravilious, paro em um esboço de 1930 do estúdio do artista britânico de padrões e tecidos Enid Marx, no qual um vestido vazio e vários tecidos oferecem um retrato do artista, embora ela está ausente da cena. Penso, conscienciosamente, no meu próprio vestido amarelo listrado, pendurado no corrimão do corredor, e na pilha de coisas amassadas ao lado, e me pergunto que tipo de retrato de mim essas coisas ofereciam.
Mas a visita também foi apreciada por alguns que não estavam naturalmente interessados em arte. Simon, de 34 anos, que não se considera um naturista ou um grande frequentador de galerias (e preferiu não ser totalmente identificado nesta história) veio para o evento porque gosta de sair de sua zona de conforto. Ele diz que é mais fácil falar com as pessoas quando você está nu porque não tem pistas sobre o status social ou o trabalho de alguém. Em eventos nus, a vergonha do corpo também está fora de questão. Assim também, é a vergonha da arte, o que significa que alguém pode ousar ter ideias sobre a arte que, de outra forma, poderiam ter mantido em silêncio por medo de parecer estúpida.
Uma recepção calorosa para a visita nua.
Após a visita, um porta-voz do Towner disse que a galeria estaria interessada em realizar eventos semelhantes no futuro. É certamente uma maneira de atrair novas audiências na arte, e o Towner poderia fazer um aumento de participação após um corte de 50% no financiamento do conselho local.
O ângulo do nudismo tem um potencial claro. No início deste ano, o Palais de Tokyo (Paris) convidou nudistas para ir ao museu para um evento único, que atraiu o interesse de mais de 30 mil pessoas no Facebook. Depois do evento em Paris, membros da associação naturista da cidade disseram à Artnet News que adorariam a oportunidade de visitar outros museus, conferir o Musée de l'Homme, o Orsay e o Quai Branly, entre outros. “Paris não tem falta de museus”, diz o presidente da associação, Laurent Luft, antes de declarar o primeiro lugar em sua lista de desejos do museu: “Eu sempre almejo alto, então é o Louvre!”.
De volta ao Reino Unido, o Eastbourne Club e o British Naturism já fizeram planos para a próxima visita. Em setembro, um grupo visitará a Jerwood Gallery, em Hastings, para aproveitar uma sessão nua na instalação SaunaKabin, de Henry Krokatsis, (essencialmente uma versão artística de uma sauna) no pátio da galeria.
Eles também visitarão as outras exibições de Jerwood, que incluem um trabalho do artista ganhador do Prêmio Turner, Mark Wallinger, intitulado “A Figura Humana no Espaço”, uma instalação de sala espelhada inspirada no “Magnum Opus”, do fotógrafo vitoriano Eadweard Muybridge, rastreando as complexidades do corpo móvel.
A figura humana em movimento.
Mas por que parar aí? Julien Claudé-Pénégry, diretor de comunicações da organização de Paris, nos disse que adoraria poder visitar todo e qualquer museu nu. A nudez no museu, ele insiste, não é nada especial, já que “o corpo é um dos assuntos mais usados pelos artistas”. E é verdade!
Das pinturas rupestres à tapeçaria de Bayeux às apresentações de Marina Abramović, o corpo nu tem sido um elemento importante na história da arte. Talvez a coisa mais surpreendente sobre a minha própria experiência em uma galeria fosse o quão comum ela era. Talvez eu tivesse me sentido diferente se estivesse em uma loja, um cinema ou um estacionamento. Se a nudez pública for sancionada socialmente em qualquer lugar, o espaço da galeria deve estar no topo da lista.
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Artigo de Naomi Rea para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 16/8/2018 com reportagem adicional de Kate Brown e fotografias de David Owens realizadas especialmente para a Artnet.

Parque em Moscou se torna centro do sexo ao ar livre

Às vésperas de completar seu primeiro aniversário, o Parque Zaryadye, concebido pela empresa norte-americana Diller Scofidio + Renfro, se tornou um point para o sexo ao ar livre, que é proibido por lá. Texto de Kate Brown para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 13/08/2018. +

À medida que o Parque Zaryadye de Moscou se aproxima do seu primeiro aniversário, em setembro de 2019, o arquiteto-chefe da capital russa, Sergei Kuznetsov, está defendendo o espaço verde projetado pela empresa Diller Scofidio + Renfro por conta de uma característica inesperada: suas propriedades afrodisíacas.
Situado a apenas alguns passos do Kremlin, o novo point russo, designado pela empresa como "urbanismo selvagem", fez jus ao seu custo e rapidamente se tornou uma espécie de foco de amor ao ar livre. "Estamos vendo um número sem precedentes de casos em que as pessoas fazem sexo aqui em Zaryadye", disse Kuznetsov à mídia russa. De fato, vários casais foram flagrados nas muitas câmeras de vigilância do parque.
Inaugurado pelo presidente russo Vladimir Putin em setembro passado, o projeto de US$ 245 milhões foi realizado pelo estúdio de Nova York que criou o High Line (Nova York) e o The Broad (Los Angeles). Diller Scofidio + Renfro também está trabalhando na expansão do Museu de Arte Moderna de Nova York.
Em 2012, Moscou organizou um concurso de arquitetura e urbanismo para criar o primeiro grande parque público da capital russa em cinco décadas. Entre 90 inscrições, o consórcio de Diller Scofidio + Renfro, Hargreaves Associates e Citymakers foi selecionado por seu conceito ambicioso. Quando o design do parque foi concluído, não foi difícil perceber porquê.
Construído em um local onde ficava um vasto hotel da era soviética de 3.000 quartos, o Zaryadye Park possui uma variedade de características marcantes: um anfiteatro com cobertura de vidro, terraços cobertos de flora, encostas verdes com vistas deslumbrantes da cidade e uma passarela que se eleva a cerca de 230 pés sobre o rio Moscou sem apoio.
"O parque deveria descrever a alma russa", disse Petr Kudryavtsev ao “New York Times” no ano passado. Ele elogiou as qualidades voyeurísticas do parque, chamando-o de "um lugar onde você pode se esconder e onde também pode ver tudo ao seu redor". Não há como argumentar pelo menos um desses pontos.
De acordo com a agência de notícias Moskva, Kuznetsov correlacionou o aumento na cópula pública com a segurança e conforto que os visitantes e moradores sentem na capital russa. Mas claro que nem todo mundo é fã de sexo em público.
O ultraconservador deputado Vitaly Milonov instou a polícia a prender qualquer “animal copulante” encontrado no parque, dizendo que “eles são apenas idiotas e devem ser tratados como tal”. Ser pego fazendo sexo em público na Rússia pode gerar até 15 dias de prisão.
Os criadores do parque, no entanto, ficaram empolgados com o resultado que o trabalho deles inspirou. “Eu amo isso!”, O famoso arquiteto Charles Renfro disse à Artnet News em um e-mail. "Que liberdade nosso parque trouxe a Moscou e que tolerância parece estar gerando nas autoridades."
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Texto de Kate Brown para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 13/08/2018.

Mostra ‘Queermuseu’, no Parque Lage, é vitória contra a censura

A exposição, que reúne 214 obras de 82 artistas, chegou ao Rio envolta em polêmica. Afinal, tinha sido encerrada abruptamente pelo Santander Cultural, em Porto Alegre, em setembro do ano passado, após protestos de grupos religiosos e políticos. Eles alegavam que o conteúdo incentivava a pedofilia e desrespeitava símbolos sacros. Em outubro, o prefeito Marcelo Crivella acrescentou um novo capítulo a esse roteiro que sufoca a liberdade de expressão. Ele vetou as negociações para que a mostra fosse levada ao Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá. Artigo editado na coluna “Opinião” do jornal “O Globo” em 26/8/2018. +

Desde que foi aberta, na manhã chuvosa de sábado, 18/08, nas Cavalariças da Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, no Jardim Botânico, a mostra “Queermuseu: cartografias da diferença na arte brasileira” já foi vista por quase dez mil pessoas. A exposição, que reúne 214 obras de 82 artistas, chegou ao Rio envolta em polêmica. Afinal, tinha sido encerrada abruptamente pelo Santander Cultural, em Porto Alegre, em setembro do ano passado, após protestos de grupos religiosos e políticos. Eles alegavam que o conteúdo incentivava a pedofilia e desrespeitava símbolos sacros. Em outubro, o prefeito Marcelo Crivella acrescentou um novo capítulo a esse roteiro que sufoca a liberdade de expressão. Ele vetou as negociações para que a mostra fosse levada ao Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá.

Mas o público não ficaria impedido de assistir às obras de artistas como Adriana Varejão, Alair Gomes, Alfredo Volpi, Candido Portinari, Efrain Almeida, Guignard, Leonilson, Lygia Clark, Pedro Américo, Sidney Amaral e Yuri Firmeza. Graças a um bem-sucedido financiamento coletivo, a “Queermuseu” pôde ser montada na EAV do Parque Lage. A campanha, lançada em janeiro, arrecadou, em dois meses, R$ 1.081.156, por meio de 1.724 doações. Ou seja, a exposição, que vai até 16 de setembro, não conta com recursos públicos ou de empresas.

Coerente ao script traçado desde o início, a abertura da mostra foi marcada por protestos de grupos como Movimento Brasil Livre (MBL) e Templários da Pátria. O embate se deu também na Justiça. Na véspera da inauguração, o juiz Pedro Henrique Alves, da 1ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso, proibiu a entrada de menores de 14 anos na exposição, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e sob o argumento de que ela apresenta nudez e conteúdo sexual.

A Escola de Artes Visuais recorreu e, no dia 21, o desembargador Fernando Foch, da Terceira Câmara Cível, cassou a liminar. No entendimento do magistrado, o ECA não trata de disciplinara entrada de menores em exposições artísticas.

O Ministério Público já havia recomendado aos organizadores classificação indicativa de 14 anos para amostra.

Enfim, é assim que as coisas acontecem no estado democrático de direito. Quem quer ir vai, quem não quer não vai. Aqueles que se sentem desrespeitados protestam. O MP se manifesta. E a Justiça julga os conflitos. Tudo dentro da normalidade. O que não pode é, num Estado laico, um prefeito querer decidir o que os cariocas vão ver. O nome disso é censura.
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Artigo editado na coluna “Opinião” do jornal “O Globo” em 26/8/2018.

Qual o caminho para as artes chegarem às mídias sociais?

Artigo de Tim Schneider para o portal internacional de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 13/8/2018. +

Em 3/8/18, meu colega Henri Neuendorf (www.artnet.com) relatou que Elena Soboleva, ex-chefe de projetos especiais da Artsy, foi contratada pelo galerista David Zwirner para o cargo de diretora de vendas online. A contratação é a continuação dos esforços de Zwirner para turbinar ainda mais sua operação física robusta com uma operação digital cada vez mais robusta.
Embora Soboleva tenha sido responsável por curar a ambiciosa programação das exposições pop-up anuais da Arty's em Miami Beach, grande parte da cobertura em torno de sua mudança para Zwirner a definiu em primeiro lugar como uma “influenciadora de mídias sociais”. E embora ela certamente tenha as conexões e o currículo para justificar a designação de “influenciadora” em nosso setor, a presença online de Soboleva também estabelece uma comparação interessante entre o alcance do mercado de arte e o alcance de outras atividades próximas.
No momento em que escrevo, Soboleva tem cerca de 17.500 seguidores no Instagram e no Twitter. Em contraste, um recente post (paywalled) da “Business of Fashion” observou que um "influenciador de moda bem conhecido" deve ter cerca de 800 mil seguidores.
Não! Isso não foi um erro de digitação, senhoras e senhores! Escrevi 800 mil!!! Do ponto de vista cru dos números, então, um influenciador em moda deve ser separado de seus pares nas artes plásticas por alguns dígitos de grandeza! Em geral, acumular entre 15 mil e 100 mil seguidores no segmento da moda o qualifica apenas como um “micro-influenciador”, alguém que, de acordo com o mesmo “Business of Fashion”, “muitos especialistas acham que é valioso apenas em conjunto”, mas não necessariamente como presença individual.
Para ser claro, acho que Soboleva é uma escolha interessante para Zwirner e potencialmente muito boa. Na economia de arte de baixo volume e alto valor, obter as pessoas certas interessadas no que você está fazendo é muito melhor do que atrair o maior número de pessoas interessadas no que você está fazendo, e ela certamente tem algum histórico nesse aspecto.
Mas através de outra lente, Soboleva também representa uma prova definitiva de que, em 2018, as artes não são o maior palco do mundo. E se mega-galerias tiverem algum interesse no mercado de massa, como eu acredito que deveriam ter, um rápido confronto com as mídias sociais é cada vez mais urgente.
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Artigo de Tim Schneider para o portal internacional de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 13/8/2018.

Queermuseu derruba classificação proibitiva para 14 anos na Justiça

A exposição foi reaberta no último sábado (18) no Parque Lage, no Rio de Janeiro, com a classificação proibitiva para menores de 14 anos. Isso porque, na véspera, a Justiça proibiu o acesso de menores de 14 anos, alegando que a mostra apresenta nudez e conteúdo sexual. A decisão da 1ª Vara da Infância e da Juventude só permitia acesso de jovens de 14 e 15 anos acompanhados dos responsáveis. Artigo de Isabella Menon para o jornal "Folha de S. Pauio" editado em 22/08/2018. +

A exposição "Queermuseu" não tem mais classificação proibitiva para 14 anos, agora será apenas indicativa. Segundo o advogado Demian Guedes, do Parque Lage onde ocorre a mostra, o museu venceu uma ação movida na Justiça contra a proibição nesta terça (21).
A exposição foi reaberta no último sábado (18) no Parque Lage, no Rio de Janeiro, com a classificação proibitiva para menores de 14 anos. Isso porque, na véspera, a Justiça proibiu o acesso de menores de 14 anos, alegando que a mostra apresenta nudez e conteúdo sexual. A decisão da 1ª Vara da Infância e da Juventude só permitia acesso de jovens de 14 e 15 anos acompanhados dos responsáveis.
"A mostra tem sofrido preconceito pois trata do assunto 'queer'", afirma Guedes, em entrevista à Folha. Ele diz que a mostra já sofreu mais de uma dezena de processos, desde sua abertura e fechamento em Porto Alegre, que vão desde inquéritos criminais, civis e até um processo no Ministério da Justiça.
A primeira exibição da mostra, em Porto Alegre, foi suspensa em setembro do ano passado pelo Santander Cultural após pressão de grupos conservadores nas redes sociais. Entre os artistas que compõe a exposição estão Adriana Varejão, Cândido Portinari, Lygia Clark, Yuri Firmesa e Leonilson.
A montagem no Rio foi garantida após crowdfunding , que levantou mais de R$ 1 milhão, e polêmica com o prefeito Marcelo Crivella (PRB), que não permitiu que a mostra fosse levada ao MAR (Museu de Arte do Rio de Janeiro).
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Artigo de Isabella Menon para o jornal "Folha de S. Pauio" editado em 22/08/2018.


National Portrait Gallery em Washington expõe icônico retrato de Aretha Franklin

Cartaz de 1968, projetado pelo celebrado designer Milton Glaser, será exibido em homenagem à cantora de soul. Artigo de Sarah Cascone para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 16/8/2018. +

Aretha Franklin morreu aos 76 anos de câncer no pâncreas, em sua casa, em Detroit, em 16/8/2018. A idolatrada cantora, que ganhou 18 prêmios Grammy e a Medalha Presidencial da Liberdade, foi a primeira mulher a entrar no Hall da Fama do Rock & Roll. Em homenagem ao seu falecimento, a National Portrait Gallery do Smithsonian, em Washington, DC, anunciou uma exposição especial do retrato da cantora e compositora, que será exibida de 17 a 22/8.
O retrato geométrico colorido é do designer gráfico Milton Glaser, famoso por criar o logotipo “I ♥ NY”. O pôster fotolitográfico colorido foi feito para a revista “Eye”, editada pela Hearst Corporation, em 1968, quando Aretha tinha apenas 26 anos. Nesse mesmo ano, Franklin cantou no funeral de Martin Luther King Jr.
“[O retrato] tem uma eletricidade, um ritmo pulsante, que você pode imaginar que a voz dela tinha”, disse à revista “Smithsonian Magazine” Asma Naeem, curadora associada de desenhos, artes e mídia da NPG. “O design de Glaser - desde o padrão, cor, composição e formas, tudo sugere a incrível verve e energia de Aretha Franklin.”
Desde então, Glaser vendeu milhões de reproduções do design, mas o NPG tem um dos originais, retirado das páginas da publicação. O Smithsonian também tem mais de 100 gravações de Franklin parte da coleção do Museu Nacional de História Americana.
Outros artistas que foram inspirados pela Rainha do Soul incluem Andy Warhol, que desenhou a capa do álbum de Franklin de 1986, “Aretha”, seu 34º álbum de estúdio. De acordo com a biografia de 2001, “Aretha Franklin: A Rainha do Soul”. A pintura foi o último trabalho de Warhol antes de sua morte, no início de 1987. A capa do álbum faz parte da coleção do Museu de Arte Moderna de Nova York.
Lutando contra problemas de saúde desde 2010, Franklin se aposentou oficialmente do ano passado, com uma aparição final na Festa da Fundação Elton John AIDS em Nova York em novembro passado. Ela foi homenageada pelo NPG com o Prêmio Retrato de uma Nação em novembro de 2015, apresentando-se na American Portrait Gala inaugural do Museu.
Entre os maiores sucessos de Franklin estavam “Respect” e “A Natural Woman”. Suas performances memoráveis incluem o lugar de Luciano Pavarotti na ópera “Nessun Dorma” no Grammy Awards de 1998 e cantando na posse em 2009 do ex-presidente Barack Obama.
Na cidade natal de Aetha Franklin, Detroit, o Museu da Motown homenageia sua incrível carreira tocando sua música durante todo o final de semana.
O retrato de Aretha Franklin de Milton Glaser, em 1968, estará em exibição no Smithsonian National Portrait Gallery até 22/8/2018..
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Artigo de Sarah Cascone para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 16/8/2018.