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pega ladrão

Criminosos tentam furtar escultura de Victor Brecheret em Itapetininga +

Peça feita de pedra sabão pesa mais de 100 quilos.
Obra criada pelo escultor foi um presente a Júlio Prestes.

A tentativa de furto de uma obra do artista Victor Brecheret, feita de pedra sabão, chamou a atenção dos funcionários que trabalham nas obras de restauração do "Centro Cultural e Histórico Brasílio Ayres de Aguirre", em Itapetininga (SP). Na última terça-feira (14/10), a peça foi encontrada nos fundos do prédio em um carrinho de mão e coberta por tecido. Especialistas já avaliaram a peça, mas o valor é incalculável devido à importância histórica.

Segundo o secretário de cultura, Antônio Marcos Policeno, a escultura é o resultado do primeiro esboço do "Monumento às Bandeiras", localizado na entrada do Parque Ibirapuera, em São Paulo. "A peça está em Itapetininga porque foi um presente do artista a Júlio Prestes, ex-governador do estado e eleito presidente da República, mas que não chegou a assumir o cargo por causa da Revolução de 1930', explica Antônio Marcos.
Ainda de acordo com o secretário, tudo indica que os ladrões não concluíram o furto devido ao peso da escultura. Segundo ele, a peça tem aproximadamente 100 quilos.

Funcionários que trabalham na obra de restauração do prédio acreditam que os bandidos tenham pulado o muro e entrado por uma porta encontrada aberta. A Secretaria Municipal de Cultura registrou boletim de ocorrência e vai instaurar uma sindicância interna pra saber se houve facilitação por parte de alguém que sabia como chegar até a escultura. "Fizemos um boletim de ocorrência e também estamos pedindo a abertura de uma sindicância para apurar e houve facilitação nessa história", afirma Policeno.

A escultura foi doada pela família de Prestes ao município, já que ele nasceu em Itapetininga. No Centro Cultural, que está temporariamente fechado para obras, há um espaço de exposições sobre a vida do político. O monitor do Centro Cultural, Benedito Luíz, trabalha há 21 anos no prédio e diz que a perda seria muito grande, já que se trata de uma relíquia. "Ela tem um valor histórico incalculável culturalmente, e se houvesse esse roubo seria um fato internacional”
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Texto publicado no portal G1 de Itapetininga | 16/10/14

Ministério Público move ações para devolver peças de Aleijadinho a MG +

Uma santa chama mais a atenção do que as outras na sala dedicada a Aleijadinho no Museu da Inconfidência, na cidade mineira de Ouro Preto. Seguranças cercam a Samaritana sempre que alguém tenta chegar perto.

Essa é uma das mais de 600 obras de arte sacra que foram recuperadas em ações do Ministério Público de Minas Gerais na última década.

Desde que entrou para o poder público há 13 anos, o promotor Marcos Paulo de Souza Miranda adotou como missão quase obsessiva a recuperação de imagens que sumiram de igrejas barrocas.

Muitas delas, em especial do escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1737-1814), acabaram nas mãos de colecionadores privados. Eles são alvos da promotoria, que proclamou uma espécie de guerra santa contra donos dessas peças.

Em alerta, muitos venderam suas coleções, e agentes do mercado de arte afirmam que valores –um bom Aleijadinho chega a valer R$ 4,5 milhões– estão em queda por causa das apreensões.

"Pessoas choram até hoje em razão da subtração dessas imagens", diz Miranda, em seu escritório no centro de Belo Horizonte.

O caso mais recente é a apreensão do busto de são Boaventura, uma peça de Aleijadinho esculpida entre 1791 e 1812. A imagem avaliada em R$ 1,2 milhão e já exposta em Paris, Moscou, Lisboa e no Guggenheim, em Nova York, pertenceu a João Marino, colecionador morto em 1997 que formou um dos maiores conjuntos de arte sacra no país.

Herdeiros de Marino tentam reaver a peça, que foi parar na reserva técnica do Museu Aleijadinho, em Ouro Preto, por ordem judicial.

De acordo com a promotoria, o busto pertencia à igreja de São Francisco de Assis e é para lá que deve voltar caso o órgão ganhe a ação.
INTERPOL DAS PARÓQUIAS

"Não tem nada de heroísmo nisso. Meu trabalho aqui é sério e técnico, tudo muito pé no chão", diz Miranda.

Ele conta que conduz agora cerca de cem investigações atrás de imagens barrocas em todo o mundo e que já encontrou santos escondidos até em caixas d'água. Também conta que criou uma base de dados com fotos de santos procurados, uma espécie de Interpol das paróquias.

Arregalando os olhos, Miranda diz que "cada bem cultural tem corpo e tem alma". "O corpo é só o objeto, a alma é o valor cultural. Você pode ser proprietário do corpo, mas o valor cultural pertence à coletividade."

Miranda tem usado uma tese jurídica no mínimo inusitada, invocando uma lei da época do Império, assinada em 1830 por dom Pedro 1º, segundo a qual a propriedade da igreja fazia parte do patrimônio da monarquia -a lei não está mais em vigor.

"Se ele emplacar essa tese maluca, acabam as coleções de arte sacra no Brasil", diz Pedro Bicudo, neto de Marino e advogado de defesa da família. "Isso abre um precedente perigosíssimo. Uma coisa é recuperar peças roubadas, outra é começar a perseguir as coleções privadas."

Miranda lembra que só vai atrás de peças de culto coletivo, ou seja, de pelo menos meio metro de altura, e de antes da proclamação da República, em 1889, alegando a tese de que até então tudo era propriedade do Estado.

"Não estamos criando nenhuma lei nova. Os comerciantes e colecionadores vivem no mundo do risco, sabendo da possibilidade desses bens terem procedência ilícita", afirma Miranda.

Na opinião do professor de filosofia do direito da USP Ari Marcelo Solon, ações do tipo conduzidas pela promotoria mineira configuram "violação dos direitos patrimoniais" e a tese ancorada na lei imperial não se sustenta.

Enquanto a briga corre na Justiça, Miranda adverte colecionadores incautos. "Só deve temer o Ministério Público quem tem algo a esconder", diz o promotor. "Mas não existe nenhuma caça às bruxas." Só aos santos.
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Texto de Silas Martí publicado no jornal Folha de S. Paulo | 13/10/14

Tribunal apreende Goya, Picasso e outros quadros impagáveis da Família Marcos +

Um tribunal anti-corrupção nas Filipinas ordenou a família do falecido ditador Ferdinand Marcos para retornar oito pinturas de artistas de renome mundial. O tribunal decidiu que as pinturas tinham sido acompradas com recursos públicos adquiridos ilegalmente.

Durante 20 anos de regras nas Filipinas, a família Marcos e seus associados acumularam mais de US $ 11 bilhões em dinheiro, jóias, obras de arte e outros bens. Acredita-se que a fortuna foi desviada de dinheiro do contribuinte. Até agora, cerca de metade do valor foi recuperado.

O tribunal autorizou a polícia a procurar todos os escritórios e residências de ex-primeira dama e deputada atual, Imelda Marcos, em Manila, a fim de recuperar as pinturas.

De acordo com o promotor as pinturas sujeitas à apreensão são: “La Baignade au grand Temps”, de Pierre Bonnard; “Madonna e Criança”, de Michelangelo, “Vaso de crisântemos vermelhos”, de Bernard Buffet, “Natureza-Morta com Idol”, de Paul Gauguin; “Retrato da Marquesa de Santa Cruz, de Francisco Goya, “L'Aube”, de Joan Miro; “Femme Couche VI”, de Pablo Picasso, e “Jardin de Kew imprensa de la Serre 1892”, de Camille Pissarro.

Imelda, 85, evitou por diversas vezes a prisão, apesar de te sido acusada de delitos civis e criminais relacionados com o governo de seu marido entre 1965-1986, e as evidências da riqueza significativa de sua família acumulada durante esse período. Ela diz ser inocente e continua a negar veementemente que sua família fez fortuna ilegalmente.
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Texto de Henri Neuendorf publicado no iste ArtNet | 30/09/14

71 obras foram roubadas em Viena na Áustria +

Um total de 71 pinturas de artistas austríacos de renome, como Oskar Kokoschka, Emil Beischläger e Alfons Walde foram roubadas de uma casa na capital austríaca, Viena, relatou o jornal Der Standard. As obras estão avaliadas em mais de € 2 milhões.
Um ex-professor de 73 anos de idade, voltou para casa depois de 10 dias de férias e descobriu que as paredes de sua casa tinha sido despidas por ladrões que haviam roubado toda a sua coleção de arte.
O porta-voz da polícia Thomas Keiblinger confirmou relatos anteriores de notícias que o crime foi cometido entre os dias 21 e 31/08/14. A polícia acredita que o assalto foi obra de ladrões de arte experientes.
Os ladrões cometeram o crime sem ser detectados pelos alarme, que havia sido desligado. A polícia acredita que eles deixaram o local com as pinturas na traseira de um caminhão. "Eles eram profissionais. Eles sabiam como e que eles roubaram ", disse Keiblinger, do jornal The Local .
Até agora, nenhuma testemunha se apresentou. No entanto, especialistas forenses foram capazes de garantir alguma evidência de formar a cena, incluindo amostras de ADN. A Polícia Judiciária Federal austríaca têm circulado fotos de todas as pinturas roubadas on-line e estão apelando ao público para apresentar informações.
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Texto publicado no ArtNet | 11/09/14
Foto da obra "Zigeunermadchen", pintada em 1901, pelo artista Kokoschka Oskar

Castelo em Milão tem três pinturas roubadas +

Qual o grau de dificuldade para roubar uma fortaleza italiana? Aparentemente, não é grande. Três pinturas de um artista anônimo do século 15 foram retiradas do Castelo Sforza de Milão, relata o jornal “La Republica”. Um guarda disse ter notado a falta das obras na tarde de 23/08/14. A polícia foi notificada cerca de cinco horas depois.
O museu avalia as pinturas em € 25 mil, o que as torna uma perda muito menos devastadora do que a da grande pintura de Guercino na igreja de San Vincenzo, em Modena, roubada em 10/08/14 (obra estimada entre € 5 milhões e € 6 milhões e que foi vista pela última vez por volta do do meio-dia do dia 10/08/14, o que sugere que pode ter sido roubado durante o horário normal de funcionamento).
Esse segundo roubo em apenas duas semanas também foi descarado. Um membro da equipe de investigação do roubo no castelo disse ao “La Republica” que os perfis de cerca de 25 cm² quadrados de um homem provavelmente foram roubados em plena luz do dia.
Esse membro especula que o autor do roubo é familiarizado com o castelo e que o sistema de segurança do local é ruim (um salão sem equipamento de gravação de vídeo). No roubo, foi cortado um arame de fixação das obras na parede. Oficiais sugerem que as obras foram retiradas do castelo em algum tipo de bolsa, mala ou mochila.
Francesca Tasso, diretora do museu do castelo, concordou com essa teoria do crime. Ela também observou que o museu não sofria um único roubo nos 14 anos em que ela está na instituição - o último foi na década de 1980.
O museu planeja implementar novas medidas de segurança. Francesca Tasso afirma que sua equipe está estudando a possibilidade de instalação de mais câmeras de segurança nas galerias. Também há planos de instalar um armário e forçar os visitantes do castelo a terem mochilas e bolsas grandes verificadas.
A cidade de Milão rejeitou as acusações de que o atraso para informar a polícia sobre o roubo de três pinturas era incomum. De acordo com funcionários do comando de guarda, o desaparecimento foi informado às 15h50. A partir daí, um inventário do museu e uma pesquisa inicial foi realizada, para assim ter a garantia de que as obras não tinham sido retiradas por conservadores ou outra equipe do museu.
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Fonte: texto de Alexander Forbes publicado no portal Artnet | 27/08/14.

Meliante tenta comprar Aldemir Martins com cheque falso +

A galerista Marta Veloso, da Casa das Artes, avisa que em 2/9 último foi procurada um jovem senhor de ascendência oriental, alto, magro, de boa aparência, que tentou dar um golpe na galeria.
Apresentou-se como sendo Luciano Okumoto, disse conhecê-la e "comprou" uma obra de Aldemir. Pagou com um Cheque Ouro do Banco do Brasil e apresentou documentos iguais às informações do cheque.
Sua assistente Lilian logo percebeu que o papel do cheque era muito fino, mas agiu normalmente e informou que é de praxe a galeria entregar todas as vendas efetuadas.
O comprador concordou, mas saiu logo. Depois da consulta bancária a galeria soube que o cheque era falso.

Obra de Guercino é roubada na Itália +

Uma pintura em grande formato de Guercino foi roubada da igreja San Vincenzo, em Modena, na Itália, segundo informações da agência France-Press. A obra datada de 1639 mede 2,8m de altura por 1,8m de comprimento e representa Maria acompanhada de São João Evangelista e São Gregório.
Segundo o crítico de arte italiano Vittorio Sgarbi, a obra vale entre € 5 milhões e € 6 milhões (entre R$ 15 milhões e R$ 18 milhões). O trabalho foi visto pela última vez por volta do meio-dia de 10/08/14, disse um membro da igreja. “É uma peça de altar com São Gregório vestido magnificamente”, afirmou Sgarbi. “É um trabalho monumental da primeira fase do período maduro do artista”.
O prefeito de Modena, Gian Carlo Muzzarelli, lançou uma investigação para recuperar a pintura o mais rápido possível. “Esse crime afeta a cidade inteira”, disse.
Giovanni Francesco Barbieri, que viveu entre 1591 e 1666, ficou conhecido como Il Guercino (em português, “o estrábico”). Ele foi um dos principais pintores barrocos italianos e passou a maior parte da vida em Bolonha. Durante dois anos (1621-1623), trabalhou em Roma, onde teve obras comissionadas pelo papa Gregório XV.
Além do estilo clássico, Guercino foi reconhecido pela sua velocidade. Ele produziu de forma surpreendente 106 altares de igrejas durante a vida, sendo um deles a obra roubada da igreja de San Vincenzo.
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Texto de Benjamin Sutton publicado no portal Artnet | 14/08/14.

Obras perdidas de Degas e Rodin são encontradas na Alemanha +

Especialistas suspeitam que as esculturas foram pilhadas pelos nazistas durante a II Guerra

BERLIM — Uma escultura de Edgar Degas e um busto em mármore de Auguste Rodin, entre outras obras, foram encontradas nesta quinta-feira, em Munique, na casa do controverso colecionador alemão Cornelius Gurlitt, morto em maio deste ano.

O recluso Gurlitt ficou notório por ter guardado em seu apartamento centenas de obras de arte roubadas pelos nazistas durante a II Grande Guerra Mundial (1939-1945). Especialistas acreditam que os novos artigos encontrados têm a mesma procedência.

O grupo designado pelo governo da Alemanha para pesquisar a origem das peças da coleção de Gurlitt disse que não faz ideia de como as esculturas encontradas nesta semana não foram vistas pela polícia, que confiscou a coleção em fevereiro de 2012.

A trajetória destas obras serão tema de um "estudo transparente e cuidadoso" por parte dos especialistas, disse o líder do grupo, Ingeborg Berggreen-Merkel.

Imagens e detalhes das esculturas e pinturas encontradas serão postadas no banco de dados do governo alemão para obras roubadas, www.lostart.de. Fotos de 458 obras sem registro de procedência da coleção, conhecida como o "Tesouro artístico de Munique", estarão visíveis no site.

Outros 238 artigos, que estavam na casa de Gurlitt em Salzburg, na Áustria, foram recuperadas neste ano.

Até o momento, apenas um quadro foi reconhecido como roubado: um retrato de Matisse, que pertencia a Paul Rosenberg. Apesar dos herdeiros de Rosenber terem procurado a obra durante anos, a pintura agora está presa no limbo judicial subsequente à morte do colecionador.

Gurlitt deixou todo o seu acervo para o Kuntsmuseum, de Berna, na Suíça. O museu, contudo, ainda não se decidiu se aceitará receber a doação.

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Texto publicado no NY Times, traduzido e reproduzido pelo jornal o Globo | 25/07/14

Suposto Rembrandt roubado é encontrado após 35 anos +

A pintura roubada, “São Lucas Evangelista”, assinada por Rembrandt, que pertencia a Fundação Giorgio Cini, foi encontrada após 35 anos, relatou o jornal "La Nuova Venezia". O trabalho, datado do século 17, foi roubado do Castelo di Monselice em 12/12/1979. Foi recuperado a partir de uma parceria entre a polícia, o Patrimônio de Veneza e autoridades francesas.
A pintura estava entre 10 obras roubadas do Castelo di Monselice. Na época, o castelo era de propriedade da Fundação Cini. Em 1981, tornou-se propriedade do Estado do Veneto. O paradeiro de outras pinturas furtadas de suas salas, há 35 anos, ainda não está claro.
De acordo com o jornal, a pintura de São Lucas foi localizada por meio da Banca Dati Dei Beni Culturali Illecitamente Sottratti (banco de dados de objetos retirados ilegalmente do patrimônio cultural), o maior catálogo de arte e artefatos roubados em todo o mundo, quando um colecionador francês tentou colocá-la em um leilão em Paris, em 2009. O colecionador alegou não ter conhecimento de que a pintura havia sido roubada e se recusou a devolvê-lo até que a polícia provou que a obra era originalmente de uma fonte ilegal.
Ao longo dos cinco anos seguintes, a polícia conseguiu descobrir que a pintura havia sido vendida no mercado negro várias vezes antes de chegar a posse do colecionador francês. Apesar de possuir a assinatura “Rembrandt”, a pintura é, na verdade, de Pietro Bellotti, de acordo com o jornal veneziano.
Especialistas que examinaram a pintura foram imediatamente avisando sobre a estranha descrição de São Lucas Evangelista. Eles presumem que a obra pode ser um retrato de seu dono, em vez do santo. De acordo com o "La Nuova Venezia", a assinatura foi provavelmente adicionada na década de 1990, período em que a pintura ficou no mercado negro, provavelmente, com a finalidade de aumentar o seu valor. Especialistas estimam que o valor da obra seja algo em torno de €150,000 ($200,000), ao invés dos milhões que um Rembrant de tamanho similar pode custar.
A Fundação Cini planeja colocar a obra de volta em exposição no castelo ainda no mês de setembro, na Ilha de San Giorgio, em Veneza. A obra, atualmente, está sendo avaliada se requer restauração.
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Texto de Alexander Forbes publicado no ArtNet | 31/07/14

Justiça ordena ladrões de arte a pagar US $ 26 milhões +

Em 2012, Radu Dogaru e Eugen Darie entraram no museu Kunsthal de Roterdã e em menos de dois minutos roubaram sete pinturas de Matisse, Picasso, Monet, Gauguin, Meyer de Haan e Lucian Freud, avaliadas, em dez milhões de dólares.
Uma vez que, Radu Dogaru, sua mãe Olga, Eugen Darie e Adrian Procop foram condenados pelo crime, chega a hora de pagar.
Na segunda-feira, 14/07/14, o tribunal de Roterdã ordenou que os quatro ladrões romenos devem reembolsar as seguradoras dos quadros perdidos em mais de € 18.000.000 (US $ 26 milhões).

"Vamos recorrer a decisão," disse o advogado dos Dogaru, Catalin Dancu, à AFP. "Em primeiro lugar, nós não acreditamos que as pinturas roubadas eram os originais. Em segundo lugar, cabe ao museu a pagar porque assumiu o risco estúpido de exibir a obra de arte sem um sistema de vigilância adequado ".

Olga Dogaru, mãe de Radu Dogaru, alegou ter queimado as pinturas em seu fogão em Carcaliu, uma aldeia no leste da Roménia, depois de ter sido incapaz de vendê-los. Mais tarde, ela retirou a declaração, mas uma investigação está em andamento para determinar se as pinturas foram realmente queimados.
O diretor do Museu de História Nacional da Romênia, Ernest Oberlander-Tarnoveanu disse à AFP que há restos das telas foram encontrados no fogão de Olga. Especialistas ainda não confirmam se esses restos são de fato das pinturas que faltam.
A invasão ao museu Kunsthal foi o maior roubo de obras de arte em mais de uma década na Holanda. As telas levadas foram “Cabeça de Arlequim”, de Pablo Picasso, “A Ponte de Waterloo, Londres” e “A Ponte de Charin Cross”, de Claude Monet, “Leitora em Branco e Amarelo”, de Henri Matisse, “Autorretrato”, de Meyer de Haan, “Mulher Diante de uma Janela Aberta’ (foto), de Paul Gauguin, e “Mulher com os Olhos Fechados”, de Lucien Freud.
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Com informações do texto de Lydia Epp Schmidt, publicado no ArtNet | 15/07/14

Dezenas de falsificações de Helmut Newton são descobertas +

O mercado de arte on-line está sendo inundado com fotos falsas que são apresentadas como originais do fotógrafo Helmut Newton (1920-2004). Segundo a Fundação Helmut Newton, falsificações são questões antigas para o fotógrafo, que morreu em 2004. No entanto, a expansão de plataformas de venda on-line não são controladas, o que faz a regulamentação dos falsificações quase impossível.
"É difícil de tirá-los do mercado", diz o curador Matthias Harder da Helmut Newton Foundation ao Artnet News. "Nas grandes casas de leilões que você tem uma pessoa com quem você pode falar", disse ele. "Mas com as plataformas on-line é difícil, porque não há ninguém. É apenas uma pessoa privada que vende a um particular. "
Neste mês, a fundação fez uma descoberta significativa de obras falsas de Helmut Newton no mercado europeu. Um indivíduo não identificado na suíça foi encontrado vendendo fotografias falsas assinadas em um site de leilão on-line, as obras foram entregues à polícia suíça.
Para Harder, grande parte da responsabilidade recai sobre os compradores. "A maioria das falsificações são de muito má qualidade", diz ele. "A maioria das obras que vemos são impressos em papel A4 em uma impressora a jato de tinta." Newton nunca fez impressões digitais, só gelatina de prata e c-prints.
De acordo com o curador, a grande maioria das falsificações são produzidas por digitalização ou tirando fotos de obras já existentes ou reproduções, técnicas que levam a irregularidades ainda mais gritantes. "Algumas estão até cortadas.", Diz ele, explicando, ainda, que em alguns casos, fotografias coloridas agora aparecem em preto e branco. Em outros momentos, fotos em preto e branco foram colorizadas. Outros apresentam assinaturas falsificadas de Newton em caneta de feltro. O próprio Newton só assinava o inverso de suas fotografias em lápis e incluía o título e data.
Em 2007, a fundação começou a enviar alertas para colecionadores quando obras falsas são oferecidas. No entanto, talvez o sinal mais revelador para os novatos é o preço. Algumas fotografias que pretendem ser originais são encontrados com uma breve pesquisa disponíveis por menos de US $ 800, muitas por menos ainda, ao passo que os originais autênticos são vendidos na faixa de cinco e de seis dígitos.
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Com informações da matéria de Alexander Forbes para o site ArtNet

Pintura de Matisse avaliada em US $ 3 milhões volta a Venezuela +

A pintura “Odalisca em Calças Vermelhas” (Odalisque à la culotte rouge), pintada em 1925), por Henri Matisse, ficou desaparecido por mais de uma década, depois de ter sido roubada do Museu de Arte Contemporânea de Caracas. Funcionários do museu ainda têm dúvidas sobre quando e como o roubo ocorreu. A obra original foi substituída por uma falsa em algum momento entre 1999 e 2002, de acordo com a AFP.
A pintura, que está estimada em US $ 3 milhões, foi recuperada pelo FBI em 2012. Um casal, Pedro Antonio Marcuello Guzman e Maria Martha Elisa Ornelas Lazo, tentou vender a obra para agentes secretos por 740 mil dólares em um hotel em Miami. Logo depois, foram condenados e confirmaram que tratava-se de uma obra roubada.
Joel Espinoza, procurador-geral gabinete do da Venezuela, disse à AFP: "A obra está em condição extraordinária, com apenas pequenas imperfeições nas bordas, mas está boa." O ministro da Cultura da Venezuela, Fidel Barbario, chama o caso de retorno "outra conquista da revolução bolivariana, de um governo em contato com as artes", referindo-se ao nome do regime fundado em 1999 com a eleição do presidente Hugo Chávez.

12 pinturas de grandes mestres são devolvidas a museu italiano +

Doze pinturas de mestres antigos, avaliadas em cerca de € 4 milhões (5,5 milhões dólares) foram devolvidas ao Museo Nazionale di San Matteo Pisa (Museu Nacional de San Matteo, Pisa), de acordo com a AGI, agência italiana de notícias . As obras foram perdidas há mais de 10 anos.
Em 2013, Dario Matteoni, novo diretor do museu, liderou uma investigação sobre o inventário da instituição. O museu, em seguida, descobriu que 12 pinturas, que tinham sido enviadas para um restaurador, na cidade de Lucca, em 2002, nunca haviam retornado. O restaurador recebeu cerca de € 31.000 por seu trabalho em um total de 17 telas para o museu.
Matteoni entrou com uma ação em dezembro passado, exigindo o retorno das pinturas. O departamento de patrimônio cultural da força policial nacional da Itália iniciou uma investigação em janeiro de 2014, que resultou na recuperação das12 das obras. O restaurador tinha vendido seis das pinturas a comerciantes estrangeiros, de quem as obras foram confiscadas.
O próprio restaurador entregou outras quatro telas. Devido aos 10 anos garantidos pelo estatuto de limitações sobre a propriedade roubada da Itália, o homem não pode ser processado criminalmente por manter as pinturas.
As duas obras que ainda não foram recuperadas já foram localizadas por membros da força de herança cultural, que estão tentando repatriar as obras de uma coleção francesa. Segundo relatos, todos os compradores de obras do museu não sabiam de sua proveniência.
"É uma situação muito incomum", segundo a diretora regional do patrimônio cultural Isabella Lapi, a primeira vez que algo assim aconteceu na minha carreira." Ela explicou que é muito raro que trabalhos de restauração sejam realizados fora do museu.
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Texto de Alexander Forbes, publicado no site ArtNet | 11/06/14. Traduzido pela redação

Obras de arte no valor de R$ 10 milhões são achadas em contêineres +

Peças estavam escondidas em contêineres de uma mudança despachada dos Estados Unidos para o Brasil. Entraram no país ilegalmente.

As obras do vídeo acima valem muito dinheiro, algumas são de artistas brasileiros valorizados no mundo todo. Só que não estavam expostas em museus ou galerias de arte, estavam escondidas em contêineres de uma mudança despachada dos Estados Unidos para o Brasil. Entraram no país ilegalmente. Uma fraude milionária que a Receita Federal está investigando.

Porto do Rio de Janeiro, a fiscalização da Receita Federal inspeciona contêineres vindos dos Estados Unidos. De repente...

“Estava no fundo do container, e veio declarada como antena parabólica. Os colegas da fiscalização então acharam estranho e foram atrás da informação e chegamos à conclusão que se tratava de uma obra de arte que havia sido arrematada em um leilão pelo valor de US$ 1 milhão”, destaca o inspetor-chefe da Receita Federal do Rio, Ricardo Lomba.

Os fiscais encontram mais obras de arte valiosas, algumas despachadas no nome de uma manicure de 75 anos de idade.

“Eu não sei nem o que que é uma obra de arte. Como é que eu vou querer obra de arte na minha casa, pobre do jeito que eu sou? ”, questiona Iracema Gonçalves, manicure.

Dona Iracema morou na Flórida, nos Estados Unidos, durante 21 anos. Voltou para o Brasil no fim do ano passado. Ela diz que despachou seis caixas com roupas e objetos.

“Não sei o que aconteceu, que a companhia parece que botou coisas que não devia dentro da mudança”, conta ela.

No container que deveria ter a mudança dela estavam obras de Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Cildo Meireles e os gêmeos. São artistas brasileiros que estão entre os mais valorizados por museus, galerias e casas de leilão internacionais.

“Hoje em dia não tem um leilão importante da Sothebys, da Christie, da Philip que não tenha como atração obras de brasileiros”, destaca Cildo Meireles, artista plástico.

Em outro container trazido pela mesma empresa de mudança contratada por Dona Iracema, estava um trabalho do brasileiro Sergio Camargo, avaliado em quase R$ 2 milhões.

Ao todo, a Receita apreendeu 18 obras nos dois contêineres. Somadas, elas valem R$ 10 milhões.

“Há empresas que estão utilizando brasileiros para fazer esse tipo de internação de mercadoria sem o pagamento dos impostos”, disse o inspetor-chefe.

Pela lei, quem morou fora do Brasil durante mais de um ano pode trazer mudança sem pagar imposto, desde que os bens sejam declarados à Receita e compatíveis com a renda do viajante.

Segundo Dona Iracema, a empresa que ela contratou se chama “Overseas Moving”.

“Procurei uma companhia que disseram que era mais barata, e foi 1.200, parece, que eu paguei”, conta Dona Iracema.

O nome que aparece no cartão da empresa é Diogo Maltarollo.

O documento da junta comercial do estado da Flórida mostra que a empresa foi aberta por Diogo em setembro de 2011.

A mesma empresa trouxe o segundo container em que estavam as obras de Sergio Camargo e do indiano Anish Kapoor, declarada como antena parabólica.

Segundo a Receita, esse container veio no nome de Rodrigo Maltarollo, irmão de Diogo.

A família Maltarollo mora nos Estados Unidos há pelo menos 20 anos.

Procuramos a mãe de Diogo e Rodrigo, Angela Maltarollo, que é leiloeira no Rio.

“Meu filho não é dono de transportadora nenhuma. Mora na Califórnia, não tem nada a ver com transportadora. Trabalha numa empresa, num restaurante que vende comida”, destaca a mãe.

Por telefone, conseguimos localizar Diogo nos Estados Unidos.

Fantástico: Você era dono da “Overseas Moving”, não é isso?
Diogo: Não. Eu não.
Fantástico: Você nunca transportou...
Diogo: Desculpa, eu tenho que voltar pro trabalho aqui. Desculpa.
Fantástico: Você nunca transportou mudança, então.

Ligamos novamente para Diogo pra que ele explicasse então por que o perfil dele em uma rede social dá o endereço do site da empresa de mudança. Diogo não atendeu.

Também localizamos nos Estados Unidos Krístel Pérez, ex-mulher de Diogo.

Krístel: Você pode falar português.
Fantástico: É um conteiner, é sobre a empresa dele, “Overseas moving”.
Krístel: Essa empresa já não está funcionando mais.
Fantástico: Essa empresa era do Diogo.
Krístel: Era.
Fantástico: Overseas moving. Fazia mudanças para o Brasil.
Krístel: É.

Já Rodrigo, irmão de Diogo, não mora mais no Brasil. Não conseguimos contato com ele.

As obras foram trazidas para um dos museus mais importantes do país, o Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Estão em uma área restrita, ainda não podem ser expostas.

Museólogos e historiadores atestaram a autenticidade das peças. Apesar de terem vindo em embalagens inadequadas, de terem sido expostas a temperaturas elevadas nos contêineres, em torno dos 80 graus, nenhuma delas sofreu danos.

“Então, para nós foi uma grande honra você receber obras que irão complementar hiatos da nossa coleção e irão complementar todo um conjunto desse nosso arco, da arte brasileira e da arte internacional contemporânea”, disse a diretora do Museu Nacional de Belas Artes, Mônica Xexéu.

A Receita pediu ajuda à Polícia Federal e ao Ministério Público para investigar o caso.

“Além da sonegação fiscal, nós temos uma possibilidade de talvez uma lavagem de dinheiro, mas isso ainda tá sendo investigado”, destaca Ricardo Lomba.

Chateada com toda essa história, Dona Iracema ainda não recebeu a mudança dela, que sumiu.

“A gente é honesto, as pessoas são honestas, e acaba levando o pior”, disse Dona Iracema.
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Texto publicado no G1 | 29/06/14

Silêncio no mercado contribui para falsificação de pinturas +

A prisão de dois irmãos espanhóis acusados de vender pinturas falsificadas como se fossem originais dos maiores mestres modernistas americanos voltou a apontar os refletores para um esquema fraudulento que existe há 15 anos, já acumulou US$ 80 milhões (R$ 177,1 milhões) e ajudou a desmoralizar a galeria mais antiga de Nova York, a Knoedler & Company, fundada em 1848.
Documentos judiciais referentes ao caso revelam que falcatruas ambiciosas como esta no mundo das artes dependem não só de uma operação conjunta engenhosa ou de um imitador talentoso.
Também é essencial haver pessoas, às vezes manipuladas sem seu conhecimento, que deem credibilidade a essas falsificações.
Alguns especialistas em arte que autenticaram fraudes de obras de Jackson Pollock, Mark Rothko e Robert Motherwell tiveram seus honorários de consultoria pagos pela Knoedler.
Outros estudiosos identificaram várias obras como falsas, mas foram instruídos por advogados a ficarem calados para evitar processos judiciais.
A pouca transparência no comércio de arte impede que se estabeleça um padrão - mesmo após algumas falsificações.
Esses problemas permeiam o mundo das artes visuais há décadas, disse Stephen Urice, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Miami.
E citou um despacho judicial de 1978: "Na terra da fantasia do marketing nas belas artes", nomes prestigiosos "desabam de uma hora para outra", e grandes quantias são transferidas rapidamente, escreveu o juiz J. Shorter, da Suprema Corte de Nova York.
No caso Knoedler, a única pessoa condenada até agora é Glafira Rosales, uma marchand de Long Island que se declarou culpada de fraude no fim de 2013.
Promotores dizem que, dentre os comparsas dela, estavam os irmãos José Carlos e Jesús Ángel Bergantiños Díaz, e Pei-Shen Qian, o imitador.
Os irmãos foram soltos sob fiança na Espanha e Qian está na China. Os negociantes que venderam dezenas dessas obras —Ann Freedman, ex-presidente da Knoedler, e Julian Weissman— continuam afirmando que tinham certeza de que elas eram genuínas.
Jack Flam, um dos primeiros a desconfiar da autenticidade das pinturas vendidas por Rosales, disse: "Dentre os fatores por trás do êxito desse esquema, o primeiro é que todos temem ser processados. As pessoas dão credibilidade a obras inadvertidamente mantendo o silêncio".
Flam é o presidente da Fundação Dedalus, grupo criado por Motherwell. Ele e seus colegas inicialmente ficaram impressionados com os supostos Motherwells, mas em 2007, quando o número de obras atribuído ao artista aumentou demais, eles desconfiaram.
Flam logo descobriu que o espólio de Richard Diebenkorn, a Fundação Willem de Kooning e a Fundação Barnett Newman também suspeitavam de obras postas à venda pela Knoedler.
"Todas essas fundações sabiam que havia algo errado, mas não estavam a par de que outras instituições também tinham problemas", comentou Flam.
Em 2005, Eugene Victor Thaw, especialista em Jackson Pollock, disse que duvidava da autenticidade de dois quadros. Embora tenha comentado privadamente sobre suas suspeitas, Thaw foi impedido de dar opiniões formais devido a vários processos.
Em junho de 2008, meses após a Dedalus começar a fazer questionamentos, três especialistas da Barnett Newman confirmaram que uma suposta obra de Newman, de posse da Knoedler e exposta na Fundação Beyeler na Suíça, era falsificada.
No entanto, Yves-Alain Bois, um dos especialistas, escreveu em um e-mail para a Beyeler, que ele e seus colegas foram "orientados a não dar declarações públicas" por um advogado da Fundação Barnett Newman, o qual temia um processo.
Manter o silêncio é a norma. Museus, que antes davam opiniões sobre arte, deixaram de fazer avaliações.
A tradição de silêncio no comércio das artes pode mascarar sinais de advertência. Rosales não levantou suspeitas quando insistiu que o dono de supostas obras-primas —ao qual ela se referiu como X— pediu o anonimato.
E o uso da expressão "coleção privada" fez com que ninguém, além dos negociantes, soubesse que essas obras eram fornecidas por uma única fonte. "Manter segredo é algo que ocorre com enorme frequência nesse negócio", explicou Weissman.
Alguns donos de pinturas vendidas por Rosales talvez ainda não saibam que compraram falsificações, pois a Knoedler e a Weissman às vezes vendiam obras por meio de outras galerias.
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Texto de Patricia Cohen, do jornal “New York Times”, traduzido e publicado no jornal “Folha de S. Paulo” | 20/05/14.

Pastor da Flórida vai pra cadeia por vender obra falsa de Damien Hirst +

O pastor da Flórida Kevin Sutherland foi condenado em abril por vender conscientemente pinturas falsas de Damien Hirst. Ele irá cumprir pena de seis meses atrás das grades , relatou o New York Times.

O site artnet News informou no mês passado que Sutherland foi considerado culpado por tentar vender uma pintura falsa do artista britânico a um policial disfarçado.

Sutherland já foi pego em um caso maior contra Vincent Lopreto , operando negociações de obras falsas de Hirst através do site de leilões online eBay. O pastor , que começou a lidar engatinhando na arte em 2010, tornou-se cúmplice involuntário do esquema, quando comprou uma obra no site para revenda.

O caso foi ouvido na Suprema Corte do Estado em Manhattan pela Juíza Bonnie G. Wittner , que proferiu uma sentença de prisão com base na decisão de Sutherland de seguir em frente com seus planos para vender os Hirst’s falsos mesmo depois da Sotheby’s se recusar a autenticar as obras .

" Aqui ele teve uma escolha , e fez a escolha errada ", disse Wittner durante a sentença. " Ele poderia facilmente ter ficado no caminho certo . "

Por sua parte , Sutherland afirma que Sotheby não deixou claro se a pintura era falsa, e ele ainda acreditava que fosse autêntica. O advogado do pastor , Sam Talkin , destacou a falta de um passado criminoso do seu cliente , argumentando em favor da liberdade condicional , em vez de prisão. Talkin chamou o crime de "um desvio isolado a partir de uma vida obediente à lei de outra forma. "

"Este crime foi motivado pela ganância ", disse Rachel Hochhauser , um promotor público assistente . " Ele fez mais do que tentar cobrir sua perda financeira. Ele tentei obter lucro a partir dela. "
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Com informações do site ArtNet e The New York Times | 28/05/14

Museu Oscar Niemeyer recebe 16 telas apreendidas na Operação Lava Jato da PF +

O Museu Oscar Niemeyer (MON) recebeu em 16/05/14, 16 telas apreendidas na Operação Lava Jato, realizada pela Polícia Federal em março desse ano, para que tenham garantidas as condições necessárias conservação e armazenagem. Integram o conjunto obras de Di Cavalcanti, Iberê Camargo, Aldemir Martins, Cícero Dias (duas), Orlando Teruz (três), Claudio Tozzi, David Cymrot, Gerardenghi, Gomide, Heitor dos Prazeres, Mario Gruber e Tony Koegl. Há também um Renoir, porém há necessidade de confirmação da sua autenticidade por um perito. As telas foram apreendidas em residências e escritórios de membros presos na operação. Porém, antes de poderem ser expostas ao público as obras passarão por uma avaliação para observar se há agentes como cupins e fungos que podem por em risco outras obras do acervo. Após este período, as pinturas passarão pelo processo de higienização e conservação para então serem acondicionadas na reserva técnica.

Colecionador alemão morre e deixa coleção saqueada pelo nazismo +

O colecionador alemão Cornelius Gurlitt morreu na manhã do dia seis de maio, aos 81 anos, anunciou o seu porta-voz, Stephan Holzinger. Ele foi tarnsferido do hospital onde estava internado por complicações no coração para seu apartamento em Munique, onde escondia cerca de 1.300 peças roubadas pelo regime nazista com obras até mesmo desconhecidas de artistas, como Picasso, Matisse, Courbet, Chagall, Gauguin e Otto Dix e outros.

O apartamento foi revistado em 2011 durante uma investigação em viagem feita por Gurlitt à Suíça, após negociação na galeria Kornfeld, em Berna. A descoberta foi mantida em segredo até a revista alemã Focus revelar, em 2012, a apreensão do lote de arte moderna saqueada durante o período nazi.

Herdada do pai Hildebrand Gurlitt, um dos três traficantes recrutados pelo regime nazista, Cornelius mantinha em segredo a coleção donde havia também um estoque de 60 obras de arte, incluindo peças de Monet, Manet, Renoir e outros, encontrados em sua residência em Salzburg e um terceiro estoque com 180 trabalhos em sua casa em Bad Aussee, ambas na Áustria.

Uma das principais discussões é saber que obras foram legalmente adquiridas pelo pai de Cornelius Gurlitt e quais as que foram roubadas. Gurlitt não tinha filhos ou outros herdeiros conhecidos, está em processo de investigação minuciosa. Como parte de um acordo alcançado em sete de abril 2014, com o Ministério Público do estado da Baviera, Alemanhã, Gurlitt foi obrigado a devolver uma série de obras para os herdeiros de seus antigos proprietários . Sob o acordo, o Estado tem um ano para concluir a sua investigação proveniência de obras da coleção.

Além de uma entrevista publicada no Der Spiegel em novembro de 2013, a única outra declaração pública de Gurlitt foi feita em 16 de fevereiro de 2014. Nela ele defendia para as autoridades devolverem seus quadros, que ele havia dito anteriormente eram seus únicos amigos: "Eu só gostaria de viver com as minhas fotos em paz e sossego". Infelizmente ele nunca terá a chance.
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Texto publicado no site da ArtNet (www.artnet.com/‎) | traduzido pela redação.

Novas diretrizes para obras roubadas na UE exclui período nazista +

O Conselho Europeu aprovou uma medida para facilitar os Estados membros da UE a repatriar obras de arte roubadas e objetos de patrimônio cultural de outros membros da UE. A diretoria criou um novo banco de dados on-line, o Sistema de Informação do Mercado Interno (IMI), para pedidos de repatriamento entre autoridades governamentais .
O sistema inverte o ônus do requerente para o atual possuidor da obra de arte ou artefato e amplia o prazo em que deve ser feita uma reivindicação de repatriação inicial.
Esta movimentação pareceu, inicialmente, ser um divisor de águas para o retorno de obras saqueadas pelos nazistas, a boa impressão prova o contrário. Esta nova diretriz se aplica apenas a obras que foram movidas ilegalmente de um Estado membro da UE para outro, desde que a união europeia foi formalizada, em 1993.

Os Estados membros têm 18 meses para adotar a ampliação de circunstâncias para o repatriamento na UE, e para a sua própria legislação. A iniciativa foi patrocinado pelo Vice- Presidente da Comissão Europeia Antonio Tajani, em maio do ano passado.
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Texto publicado no site da ArtNet (www.artnet.com/‎) | traduzido pela redação

Turquia exige retorno de 59 artefatos roubados em 2013 +

A escultura “O velho Pescador” (foto) , é um dos inúmeros artefatos que a Turquia solicitou de volta de museus de todo o mundo.
A Turquia mais uma vez solicita o retorno de inúmeros artefatos que foram roubadas de museus e sítios arqueológicos do país, relatou o jornal turco Hurriyet. Publicado pelo ministério da cultura e do turismo do país , um relatório anual observou que 59 artefatos foram roubados durante 11 assaltos só em 2013, incluindo peças anteriormente detidas nas cidades de Ancara, Balıkesir, Bursa, Denizli , Eskişehir e Izmir.
A Turquia também renovou o pedido para o retorno de artefatos perdidos a longo tempo , como o Chefe de Eros , que é atualmente está no Victoria and Albert Museum , em Londres, e o Velho Pescador de Aphrodisias, que está no Museu Pergamon em Berlim.
De acordo com um relatório posterior no Art Newspaper , o V & A está em negociações com autoridades turcas sobre o possível retorno da peça. No entanto, um acordo tem sido difícil nesta fase. Qualquer retorno provavelmente seria estruturado como um empréstimo de longo prazo.
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Texto publicado no site ArtNet (www.artnet.com/‎) | traduzido pela redação.

Lavagem de dinheiro contamina mercado da arte +

No livro Money Laundering through Art: A Criminal Justice Perspective (“Lavagem de Dinheiro por meio da Arte: uma Perspectiva da Justiça Criminal”), editado pela editora Springer, o desembargador federal brasileiro Fausto De Sanctis traz à tona um negócio cada vez mais praticado tanto por criminosos quanto pelos muito ricos: a compra de obras de arte para branqueamento de capitais. De Sanctis foi juiz no caso do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira.
Entre as telas usadas para esse fim está "Hannibal", de Jean-Michel Basquiat (foto), que aportou no aeroporto internacional de Londres num caixote em que se declarava obra sem nome, no valor de 100 dólares. Só mais tarde é que os investigadores federais descobririam ser de Jean-Michel Basquiat e valer 8 milhões de dólares. A pintura era parte de uma coleção de 12 mil peças montada por Edemar Ferreira enquanto controlava o Banco Santos – algumas expostas em museus como o Guggenheim, em Nova York.
Em 2004 o império de Edemar Ferreira desabou, deixando um bilhão de dólares em dívidas. Condenado em 2006 a 21 anos de prisão por fraude, evasão fiscal e lavagem de dinheiro, o banqueiro está em liberdade desde que o STF concedeu-lhe liberdade provisória, em dezembro daquele mesmo ano. Vive muito bem, obrigado, numa mansão em São Paulo. Antes de sua prisão, mais de 30 milhões de dólares em arte, de propriedade dele e da esposa Márcia, foram contrabandeados para fora do Brasil – informa De Sanctis em reportagem publicada pelo New York Times em maio.
Nela, a chefe da unidade de apreensão de ativos do Departamento da Justiça dos EUA, Sharon Cohen Levin, explica a preferência pela arte para o branqueamento de capitais: “Você pode fazer uma transação em que o vendedor é listado como ‘coleção particular’ e o comprador como ‘coleção particular’. Em qualquer outro setor, ninguém poderia se safar com isso.”
Agentes federais dos EUA dizem que "Hannibal" é apenas uma das milhares de obras de arte valiosas usadas por criminosos e pela oligarquia financeira para esconder lucros ilícitos e transferir ilegalmente ativos ao redor do mundo. Contrabandistas, traficantes de drogas, traficantes de armas e afins têm cada vez mais se voltado para o opaco mercado de arte, à medida em que outras técnicas de lavagem de dinheiro foram sendo submetidas a um controle maior.
No livro, o juiz brasileiro pede regulamentação do setor, dizendo que mercadores de arte e casas de leilão deveriam prestar contas de suas atividades financeiras, assim como os cassinos e negociantes de pedras preciosas são obrigados a fazer. As casas de leilão, claro, negam a existência do problema e, quando o admitem, dizem controlá-lo, estabelecendo um limite para transações em dinheiro.
“O Brasil tem legislação sobre isso, mas não dá o tratamento devido. Ninguém questiona nada”, afirma De Sanctis, referindo-se à norma que obriga galerias, museus, casas de leilões e bibliotecas a manterem, por cinco anos, cadastro de seus clientes; exige que as formas de pagamento sejam legais e rastreáveis; e que profissionais do setor comuniquem qualquer operação suspeita, sob o risco de ser acusados de cumplicidade. Para ele, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão do Ministério da Fazenda responsável por monitorar essas transações, tem atuação restrita a galerias de arte, mas museus e bibliotecas que recebem doações também deveriam checar a origem de recursos ou obras recebidas.
Fausto De Sanctis esteve à frente de uma das varas especializadas em lavagem de dinheiro na justiça federal, e atualmente é desembargador no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, com jurisdição sobre São Paulo e Mato Grosso do Sul. Entre abril e setembro de 2012 realizou estudos no Federal Judicial Center, nos EUA, período em que, além de escrever o livro, proferiu palestras, deu aulas e publicou artigos. É mundialmente reconhecido no tema lavagem de dinheiro.
Já Edemar Ferreira está entre os quatro brasileiros incluídos pelo Banco Mundial na lista de 150 casos internacionais de corrupção, ao lado de Paulo Maluf e Daniel Dantas. "The Grand Corruption Cases Database Project", de junho de 2012, reúne casos em que foram comprovadas movimentações bancárias de pelo menos um milhão de dólares.
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Artigo da jornalista Inês Castilho publicado em 11/6/2013 no site "Blog da Redação" - http://outraspalavras.net/blog/2013/06/11/lavagem-de-dinheiro-agora-contamina-mercado-da-arte/

Itália lança aplicativo para encontrar obras de arte roubadas +

A Itália detém o maior banco de dados de obras de arte roubadas, com cerca de 5,7 milhões de peças catalogadas. Pensando nisso, as autoridades do país lançaram na semana passada um aplicativo de smartphone que permite que pessoas ajudem a desvendar crimes.

O aplicativo —que estará disponível para ser baixado no AndroidMarket e na AppeStore em breve—, foi "pensado e criado para cidadãos", disse o chefe da polícia que cuida do patrimônio cultural do país, Mariano Mossa.

O departamento voltado para este tipo de investigação foi criado no país em 1969, em Roma, e foi o primeiro no mundo.

Quem baixar o aplicativo e encontrar uma obra suspeita de ter sido roubada, pode tirar uma foto e enviá-la direto para a polícia, que vai checar se a peça é compatível com alguma que consta como desaparecida nos arquivos.
O aplicativo se chama "iTPC" que, em italiano, é a sigla para "Proteção do Patrimônio Cultural".

"Ele combina o excelente trabalho da polícia com as novas tecnologias", disse o ministro da Cultura Dario Franceschini.

A ferramenta também permitirá criar uma base de dados com fotos de obras que podem ser roubadas no futuro, além de informar os clientes sobre peças que estão sendo procuradas e ajudar a encontrar bases da polícia especializada.

O lançamento do aplicativo acontece alguns dias depois de a polícia italiana revelar que um quadro de Paul Gauguin (1848 - 1903) e outro de Pierre Bonnard (1867-1947), roubados em Londres na década de 1970, foram encontrados na cozinha de um funcionário da Fiat.
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Texto publicado no site do jornal Folha de S. Paulo | 07/04/14

Quadro de Rembrandt é recuperado na França após 15 anos +

A pintura do século 17 “L' enfant a la bulle de Savon” (Criança com bolha de sabão ), de Rembrandt (1606 -1669 ), avaliada em 3,2 milhões de euros, foi roubada de um museu da cidade de Draguignan, na França, em 1999, durante as celebrações do Dia da Bastilha da cidade.
A polícia disse que recebeu informações de que a transação ocorreria em um hotel. Os homens, um de 46 anos e outro de 53 anos já haviam cometido pequenos delitos, um deles trabalhava numa seguradora.
A pintura sem data, que retrata um adolescente com longos cabelos castanhos escuros, usando um colar de ouro e segurando uma bolha de sabão, está em boas condições.

Museu publica lista original de arte degenerada criada pelos nazistas +

No auge do alvoroço causado pela apreensão das mais de mil obras de Cornelius Gurlitt, suspeitas de terem sido roubadas de judeus durante o nazismo, o museu Victoria and Albert, de Londres, acaba de publicar on-line a lista integral de exemplares de "arte degenerada" compilada em 1941 por agentes a serviço de Adolf Hitler.
Nesse documento, já baixado mais de 2.000 vezes desde o fim de janeiro, aparecem 16 mil obras de arte que o antigo Ministério da Propaganda do Reich confiscou de museus públicos alemães.
Muitas das peças, entre elas obras do expressionista alemão Max Beckmann, aparecem na lista associadas ao nome Dr. Gurlitt no caso, Hildebrand Gurlitt, pai do marchand agora investigado por autoridades na Alemanha e na Áustria por ter em seu poder um conjunto de obras que podem ter sido compradas de forma ilegal à época.
"É mesmo uma surpresa que essa coleção tenha ficado tanto tempo escondida", diz à Folha Douglas Dodds, curador do Victoria and Albert. "E o nome Gurlitt aparece muitas vezes na lista."
Isso mostra que Hildebrand Gurlitt era um ávido comprador de obras consideradas "degeneradas" pelo regime em especial de arte moderna, que não se enquadrava no gosto de Hitler.
Também joga luz sobre a origem de muitas das obras encontradas no apartamento de seu filho, Cornelius Gurlitt, em Munique, há dois anos, e neste ano em outra residência dele na Áustria.
"Muitas das peças no inventário do regime estão entre as que foram encontradas em Munique", diz Dodds.
Embora a famosa lista de arte degenerada esteja na coleção do museu londrino desde os anos 1990, doada pela viúva de um marchand austríaco que fugiu para Londres durante o nazismo, ela não estava disponível ao público.
Julian Radcliffe, diretor do Art Loss Register, a maior base de dados de obras perdidas e roubadas no mundo, acredita que a publicação desses documentos ajuda a elucidar casos de obras roubadas pelo regime nazista. "Já sabemos quem são alguns dos herdeiros dos proprietários dessas peças", diz Radcliffe. "Mas acho difícil reaver as obras por enquanto, já que deverão ficar com a polícia até o fim das investigações."
Desde que a polícia apreendeu as obras de Gurlitt e divulgou a lista dos trabalhos encontrados, pelo menos quatro herdeiros já se manifestaram e tentam recuperar suas obras, entre elas pinturas de Matisse e Canaletto.
Num site criado na semana passada, a defesa de Cornelius Gurlitt afirma que o marchand está disposto a negociar com esses herdeiros, mas estima que só 3% das obras de sua coleção possam ser fruto de saques ou roubos.
É um dado que diverge das estimativas oficiais do governo alemão, que destacou um time de especialistas para estudar a procedência das peças. Segundo os investigadores, cerca de 460 das obras podem ter chegado a Gurlitt pelas mãos dos nazistas.
Mas Radcliffe critica a demora do governo em agir. "Eles ainda não entenderam as possíveis consequências internacionais desse caso."
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Texto de Silas Martí publicado no jornal Folha de S. Paulo | 24/02/14

Encontrando os legítimos donos de arte roubada pelos nazistas +

Como repórter, ganho a vida localizando pessoas. E fiquei intrigada com as dificuldades que as autoridades francesas disseram ter para encontrar os herdeiros de mais de 2.000 obras de arte saqueadas ou vendidas em circunstâncias obscuras durante a Segunda Guerra Mundial e hoje abrigadas em museus da França.
Nos últimos 60 anos, os franceses devolveram apenas 80 das chamadas obras de arte "órfãs". Críticos se queixam de que o esforço para localizar os herdeiros tem sido preguiçoso e ineficiente. Então decidi ver se eu mesma conseguiria encontrá-los.
Fui prejudicada pelo fato de muitas famílias nem mesmo saberem o que perderam. Parentes morrem. Todas as suas histórias e documentos somem. E é assim que uma grande pintura de Gustave Courbet, "As Falésias de Étretat Após a Tempestade", pôde permanecer exposta no Musée d'Orsay. Ninguém se apresentou para reivindicá-la. Até agora. Levei duas semanas para encontrar uma das prováveis proprietárias, Sylvie Tafani, sobrinha-neta de Marc Wolfson, listado nos arquivos franceses como um ex-proprietário do Courbet. Ele e sua mulher, Ernestine Davidoff, faziam parte de um elitista círculo de expatriados da Rússia. Foram presos em Paris e deportados para Auschwitz, onde o casal morreu sem deixar filhos. Depois de eu entrar em contato com Tafani, 61, alertando-a sobre o que eu encontrara, ela protocolou uma solicitação.
Os possíveis herdeiros de duas outras obras demoraram mais para serem encontrados. Uma dessas obras era um desenho a giz de Albrecht Dürer, do acervo saqueado de Hermann Goering. Pertenceu anteriormente a Gabrielle Tuffier, combatente da Resistência francesa que foi deportada em 1943. O irmão dela, Nemours, havia sido o dono da outra obra que eu investiguei, um tríptico dourado de Cristo na cruz, pintado por Rubens. Ele foi aparentemente vendido sob premência financeira durante a ocupação nazista da França e recuperado depois da guerra em Linz, na Áustria.
Quando encontrei um neto de Nemours Tuffier, Roland Nemours Tuffier, nos arredores de Paris, ele disse que simplesmente não sabia que seus parentes haviam possuído a obra. "Estamos realmente surpresos", afirmou ele.
Eu contava com ajuda. Seu nome é Gilad Japhet, executivo-chefe do MyHeritage.com, rede social especializada em árvores genealógicas. Mas não havia nada de mágico no que fizemos. Vasculhamos árvores genealógicas on-line, registros dos mortos em Auschwitz, bancos de dados digitais de vítimas do Holocausto, em Israel, e o catálogo fotográfico da Biblioteca Nacional francesa. O próprio catálogo de obras artísticas pertencentes ao Estado francês ofereceu pistas surpreendentes. "Há uma riqueza de informações disponível se você está tentando resolver um mistério", disse Japhet.
Muitos judeus, temerosos dos confiscos de bens sob o regime nazista, venderam obras de arte a preços de ocasião. Wolfson consignou seu Courbet a um marchand em 1941, que o vendeu por sua vez por 350 mil francos ao Museu Folkwang, na Alemanha, de onde foi recuperado.
Quando entrei em contato com Tafani, ela disse que nada sabia da pintura de Courbet. Sua mãe, contou, estava tão traumatizada com a guerra que registrou seus filhos como protestantes. "Só quando eu tinha 15 anos", disse, "fiquei sabendo que nós éramos judeus, porque minha mãe tinha medo demais. Tentei evitar fazer perguntas que pudessem fazê-la chorar".



Os arquivos franceses indicavam que o tríptico de Rubens, "O Levantamento da Cruz", havia sido vendido em 1941 por "N. Tuffier". Um obituário de jornal e as árvores genealógicas me levaram a descobrir que o filho se chamava Nemours Tuffier, que ele tinha uma irmã, Gabrielle, e que ambos tiveram descendentes.
Buscas na internet me remeteram a Roland Nemours Tuffier, o neto de Nemours, que opera uma empresa que vende iates. Tuffier, 52, disse que atualmente está preparando uma petição com um primo, Richard Nemours Tuffier. Ele ficou ao mesmo tempo feliz e irritado com a notícia. "Como pode que não tenham feito nada para encontrar os legítimos proprietários?", perguntou ele, referindo-se ao governo francês. "Por que não podem simplesmente acompanhar as certidões de nascimento?"
Várias vezes encontrei pessoas sem nenhum interesse em saber se de fato eram herdeiros de uma obra-prima. "Minha mãe tem certeza de que o tio dela não foi saqueado", disse uma parisiense cujo parente, um marchand judeu, aparentemente foi o proprietário de um George Seurat listado entre as obras "órfãs". "Seja como for, ela não tem documentos disso."
A ministra francesa da Cultura, Aurélie Filippetti, falou sobre planos para buscar mais agressivamente os descendentes. Novos curadores receberão formação adicional. "Estou comprometida em avançar mais rápido e mais longe."
O sucesso que obtive é um bom prenúncio para os franceses, caso eles empreendam um esforço mais vigoroso. Como disse Japhet: "Você só precisa de bastante curiosidade, um pouco de intelecto e alguma sorte".
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Texto de Doreen Carvajal do NY Times publicado também pelo jornal Folha de S. Paulo | 11/02/14. (na foto, detalhe do triptico de Rubens)