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Pintura de Guercino roubada e encontrada em Marrocos volta à Itália +

Uma obra-prima de €6 milhões roubada da Itália em 2014 e descoberta em Marrocos foi devolvida às autoridades italianas.

A pintura do século XVII de Giovanni Francesco Barbieri, conhecido pelo mundo da arte como Guercino, foi roubada da Igreja de São Vicente de Modena, no norte da Itália, em agosto de 2014. O trabalho, chamado “The Virgin, Saint John the Evangelist and Gregory the Miracle Worker” e avaliado em até € 6 milhões (USD $ 6,9 milhões), foi encontrado em um mercado no distrito El Hassini de Casablanca, em Marrocos, em fevereiro deste ano.

As autoridades marroquinas que trabalham com a Interpol localizaram o trabalho de Guercino e prenderam pelo menos três pessoas que acreditavam estar trabalhando com uma rede criminosa organizada que trata do tráfico de antiguidades, disse a Direção-Geral de Segurança Nacional (DGSN) do país no momento das prisões de 15 de fevereiro.

A mídia marroquina diz que as autoridades foram alertadas por um entusiasta de arte que reconheceu a pintura e contatou a polícia. Uma quarta pessoa, de nacionalidade marroquina, foi presa na Itália.

Fontes em Bolonha disseram que Tahir Mustapha morava perto da igreja com sua família italiana e enviou a obra-prima em um tapete enrolado. A pintura foi danificada durante o roubo e precisa de uma grande restauração.
A pintura de Guercino, em italiano traduzida como "The Squinter", porque ele aparentemente sofria de estrabismo, foi feita em 1639; ele também completou uma série de trabalhos feitos a clientes estrangeiros ricos antes de sua morte em 1666. A pintura retrata a história tradicional de São Gregório, um bispo do terceiro século que viveu onde hoje é a Turquia, e que viu os outros dois personagens em uma visão.
A obra foi devolvida ao embaixador italiano em Marrocos, Roberto Natali, pela polícia em Casablanca e espera-se que volte para Modena.
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Matéria publicada originalmente no portal Africa Times (www.africatimes.com), em 16/07/17.

Lava Jato confirma autenticidade de obra aprendida com ex-diretor da Petrobrás +

O artista Fernando Lucchesi não teve dúvidas ao ver a pintura que retrata um enorme vaso de flores, apreendida pela Lava Jato: "Esse quadro é meu", afirmou.
Ao que o chefe da perícia da Polícia Federal em Curitiba, Fábio Salvador, respondeu: "Não acredito".

A investigação queria demonstrar, com dados objetivos, que o quadro apreendido na casa do ex-diretor da Petrobras Renato Duque era, de fato, do pintor mineiro.
Duque é suspeito de usar obras de arte para lavar dinheiro de propina obtida na estatal: a PF apreendeu 132 peças em sua casa.

Demorou quase um ano, mas a equipe de peritos concluiu um laudo que promete ser um marco para a investigação de lavagem de dinheiro no Brasil: ele atesta a autenticidade do quadro "Para Guignard" – que, afinal, era mesmo de Lucchesi.

Com o uso de cinco técnicas diferentes, o trabalho estabelece um parâmetro para avaliar com segurança a autoria e o valor de uma obra de arte, e então estimar o montante e as condições da lavagem de dinheiro.

Assim, confere precisão à imputação do crime.

Por exemplo: o quadro era verdadeiro ou falso? O dono sabia disso? Ele pagou mais ou menos do que a tela valia?

"Essa precisão nos dá mais segurança para pedir reparação de danos e decretar o perdimento desses bens", avalia o procurador da República Diogo Castor de Mattos, integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato.

"É um laudo que foge do achismo", resume Salvador, que coordenou o trabalho.

A Folha teve acesso ao laudo, anexado ao inquérito policial contra Duque no mês passado.

Os peritos da PF começaram a análise com a grafoscopia, que conferiu a assinatura do artista.

Em seguida, com a ajuda de pesquisadores da UFPR (Universidade Federal do Paraná), fizeram um exame chamado microscopia Raman, que checou os espectros das tintas utilizadas na tela (uma espécie de "digital" da física), somado à microscopia eletrônica, que realiza uma análise química dos materiais.

A perícia ainda tirou uma fotografia rasante, que avaliou o processo criativo do pintor, conferindo o tipo de pinceladas; e outra com luz ultravioleta, que eliminou a presença de adulterações na tela.
A PF levou o pintor ao Museu Oscar Niemeyer, que tem a guarda da obra, para atestar sua autenticidade. Lucchesi emprestou até um pincel aos peritos, que o compararam com as tintas utilizadas no quadro.
"Eu preciso de provas, de dados objetivos", comenta Salvador. "Desconfio de todo mundo. O trabalho da ciência é convencer os outros", declarou.

Três universidades foram parceiras do trabalho e cederam equipamentos e expertise à perícia: a USP, a UFPR e a UFMG.

REPERCUSSÃO

O laudo não foi concluído a tempo de alterar as imputações contra Duque, que já é réu sob acusação de lavagem de dinheiro.

Mas deve estabelecer um protocolo para laudos futuros –há cerca de 30 em andamento na Operação Lava Jato e centenas de obras apreendidas.
"É uma das formas mais tradicionais de se lavar dinheiro, porque a obra de arte não desvaloriza. Pelo contrário, o valor multiplica", comenta a museóloga Patricia Moura, que atuou como laudista na apreensão dos quadros de Duque.

"É uma bela poupança que pode ser guardada em qualquer lugar, e invisível aos olhos da maioria."
Outras técnicas também estão sendo testadas: num quadro do artista Sergio Telles, por exemplo, que viveu no Líbano, a PF pretende analisar os fungos no fundo da tela, para avaliar se eles são típicos daquela região.

A equipe ainda prepara as malas para avaliar o acervo de Márcio Lobão, filho do senador Edison Lobão (PMDB-MA), que teve 1.200 obras apreendidas no Rio de Janeiro. A metodologia pode ter consequências no mercado de arte brasileiro, ao detectar falsificações em galerias, leilões e museus.

"Isso denigre o mercado, os espaços de exposição", diz Moura. "É de interesse de todos. Serve para dizer: você não está comprando gato por lebre. E quem ganha, no fim, é o público."
O objetivo dos peritos é lançar um "laboratório de obras de arte" na PF, para que os laudos saiam "igual pão quentinho", diz Salvador.
O plano, porém, carece de investimento: apenas um dos equipamentos custa R$ 1,5 milhão.

Preso há dois anos, Duque, que tenta firmar um acordo de delação, admitiu em depoimento recente que parte dos quadros foi comprada com dinheiro ilícito, mas diz que colecionava por gosto.
"Obra de arte não é para ficar fazendo negócio; não é para quem não entende do assunto", afirmou.
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Matéria de Estelita Hass Carazzai, de Curitiba, para o jornal “Folha de São Paulo”, em 20/06/17.

Casa das Artes Galeria sofre golpe de estelionatário +

A Casa das Artes galeria, em São Paulo, sofreu golpe de um casal estelionatário no dia 27/03/17. Eles compraram uma escultura de um cavalo em bronze (24 x 44 x 22cm), de autoria do artista do espanhol Luis Fernandez Morterero, no valor de R$ 7.480,00. O pagamento foi feito com cheques do banco Santander, cuja conta foi encerrada. Os cheques estão em do nome de Alessandra Metolina. Os dados são válidos, mas a assinatura é divergente. Quem tiver informações sobre o paradeiro da obra, favor entrar em contato com Marta Veloso, no telefone: (11) 3661-9595.
Sobre o casal:
Homem alto, branco, magro, aparentes 55/65 anos, barba à fazer, cabelos cacheados grisalhos, usava óculos. Apresentou-se como Paulo José e disse que filha ou a irmã viria buscar a obra.
Mulher, baixa, pele bronzeada, magra, cabelo chanel de franja com mechas loiras, olhos escuros arredondados, aparenta ter 45/50 anos. Apresentou-se como Alessandra.
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Mais informações:
Casa das Artes
Higienópolis: r. Bahia, 871, tel.(11) 3661-9595. www.casadasartes.com.br/

MAC recebe aula sobre Lavagem de Dinheiro e Obras de Artes +

O Programa de Pós Graduação Interunidades em Estética e História da Arte (PGEHA USP) convida em 08/03/17, às 14h, para a aula inaugural “A Lavagem de Dinheiro e as Obras de Artes”, com o Desembargador Federal Fausto Martin de Sanctis, no Auditório do MAC. O desembargador é autor de vários livros sobre lavagem de dinheiro e é pioneiro nas práticas atuais de justiça de destinam recursos obtidos em delações a entidades filantrópicas, como indenização à sociedade pelos crimes cometidos, além de doações de obras de artes a entidades culturais. Nesta palestra Fausto discute o tema do seu livro “A Lavagem de Dinheiro por meio de Obras de Arte: uma perceptiva Judicial Criminal. Organização da Dra. Cristina Freire.
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Mais informações:
Auditório do Museu de Arte Contemporânea MAC-USP
Parque do Ibirapuera: av. Pedro Álvares Cabral, 1.301, antigo prédio do Detran, tel. (11) 2648-0254.
www.mac.usp.br

Itália recupera 14 pinturas roubadas da coleção de Mafiosos condenados +

O blog ARCA relatou que a polícia italiana recuperou quatorze pinturas de apartamentos ao sul da Itália. Após um mandado de busca, as autoridades descobriram uma pintura de Jesus curando um cego em uma casa na província de Reggio Calabria. A pintura, roubada em 2001 em Randozzo, na Sicília, foi confirmada na base de dados de bens culturais roubados do país, conduzindo a operação a outro apartamento em Messina, Sicília, onde foram recuperadas mais treze pinturas, incluindo uma de Salvador Dalí e outras cridas por nomes como Renato Guttuso, Giuliana Cappello e Mario Pinizzotto.
Acredita-se que essas catorze obras tenham sido parte da coleção privada de , um empresário vinculado às organizações criminosas "Ndrangheta e Camorra". O proprietário da propriedade onde as pinturas foram descobertas é suspeito de ter sido potencialmente um ex-funcionário de Campolo e foi acusado de receber bens roubados. Campolo foi sentenciado a dezesseis anos de prisão domiciliar em 2011 por manter máquinas de caça niqueis. Seus bens, incluindo uma coleção de arte e dinheiro em vinte e sete contas bancárias, foram espalhados, segundo notícias, em propriedades em Paris, Roma, Milão e sua cidade natal de Reggio Calabria.
O governo italiano já apreendeu 125 obras de arte da coleção de Campolo em 2013, embora vinte e dois eram aparentemente falsificações e apenas oitenta e cinco são originais comprovados. Eles se tornaram propriedade do governo. Estas peças, incluindo obras de Giorgio de Chirico e Lucio Fontana, estão agora permanentemente expostas no Palácio da Cultura em Reggio Calabria.
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Texto publicado no site da revista ArtForum | 13/02/17

Polícia de São Paulo busca por 23 obras desaparecidas no Jardim Europa +

A 15ª Delegacia de Policia do Itaim Bibi, em São Paulo, busca, desde julho de 2016, por uma série de obras desaparecidas de uma residência na Rua Groenlândia, no Jardim Europa. A vítima foi o empresário Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho, oTutinha, sócio do Grupo Jovem Pan e criador do programa Pânico, da Rede TV. Ele alega que a advogada e joalheira Flávia Eluf, sua ex- mulher, tenha desaparecido com as obras. Ao todo desaparecem 43 trabalhos, alguns foram encontrados como a obra “Piano”, de Leonilson. Mas ainda encontram-se desaparecidas outras 23, de artistas como Geraldo de Barros, Antonio Dias, Di Cavalcanti, OsGemeos, Frans Krajcberg, Jesus Soto, Richard Serra, Michelangelo Pistoletto, Leonilson, Julio le Parc e Sergio Camargo, entre outros. Segundo pessoas que conhecem a coleção, o patrimônio, de paradeiro desconhecido, soma mais de 5 milhões de reais.

Foi uma história de amor sem final feliz. Em novembro de 2015, o empresário deixou o endereço. No local, ficaram morando a ex e as duas filhas nascidas durante o matrimônio. Com o rompimento, iniciou-se uma sucessão de brigas judiciais e acusações.

O caso estava sendo mantido longe dos holofotes até ele resolver publicar as acusações no Facebook, em julho de 2016. De acordo com Tutinha, foi por precaução, depois que uma amiga o alertou de que a ex estaria tentando vender no mercado uma escultura de Sérgio Camargo de sua coleção. Assim, o post no Facebook teria o objetivo de avisar galeristas e compradores sobre a procedência do acervo.

Qualquer informação sobre as mesmas deve ser comunicado pelo telefone (11) 99996-6122. A comercialização das referidas obras é considerada crime.

Ladrão de pintura de Klimt em 1997 diz que obra deve reaparecer em breve +

Um roubo de obra de arte sem solução, ocorrido há quase duas décadas, pode ter um final feliz à vista, relata a “BBC”. O caso envolve “The Lady”, do austríaco Gustav Klimt (1862-1918), da coleção da galeria Ricci-Oddi, em Piacenza, na Itália. A pintura foi roubada em fevereiro de 1997. A moldura dourada dela foi abandonada no telhado da instituição.
À época, “The Lady” havia há pouco adquirido um novo significado dentro da obra de Klimt. A estudante de arte Claudia Maga, de apenas 18 anos, estava estudando a obra completa de Klimt quando notou que “The Lady”, representando uma jovem mulher olhando por cima do ombro esquerdo, apresentava a mesma pose de “Portrait of a Young Lady”, obra não vista desde 1912.
Claudia teve a brilhante idéia de sobrepor as pinturas e descobriu que elas combinavam perfeitamente. Os raios-X confirmaram que “The Lady” estava sobreposta a “Portrait of a Young Lady”. Seria, então, o único retrato duplo pintado por Klimt. Possivelmente, o retrato era de um amor de Klint (morta), depois repintado.
A galeria, que passaria por reforma, resolveu promover uma mostra em torno da sensacional descoberta, em outro espaço na cidade. Havia a suposição de que a obra havia sido embalada antes do roubo. Em abril daquele ano, a polícia de fronteira interceptou um pacote contendo o que parecia ser a pintura, mas era uma falsificação recém- concluída. O caso foi então encerrado, pouco depois. Mas agora há novidades.
Um ladrão local confessou o roubo. "Roubei a pintura meses antes de perceberem o ocorrido", disse ele à “BBC”, explicando que havia trocado o original de Klimt por uma cópia sem valor. Para isso, teve ajuda de um funcionário da galeria. “Ninguém percebeu. Foi um roubo bem planejado”.
Receoso de que especialistas em Klint logo percebessem que a obra “deixada” não era a original, o ladrão planejou um segundo roubo, da obra falsa. A original foi vendida por ele, rapidamente, em troca de dinheiro e cocaína. Agora, ele acredita que ela deve ser devolvida em breve, às vésperas do aniversário de 20 anos do roubo. A polícia italiana também está confiante e promove investigações sobre uma coleção particular européia.
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Texto de Sarah Cascone originalmente publicado, em inglês, no site “Artnet” (artnet.com) | 09/12/16.

Urs Schwarzenbach é multado em US$ 4 mi por sonegar imposto de obras na Suíça +

O hoteleiro e empresário bilionário suíço Urs Schwarzenbach foi multado em 4 milhões de francos suíços (US$ 4.023.456) por entrar na Suíça com obras de arte estimadas em 130 milhões de francos (US$ 130.769.579) sem as devidas declarações de impostos, as quais somam 10 milhões de francos. Investigações de autoridades suíças apontam que Schwarzenbach, que mora no Reino Unido desde 2012 e é amigo do Príncipe Charles e dono do hotel The Dolder Grand, em Zurique, entrou com ao menos 123 obras ilegalmente no país.
Entre elas estão “Le Due Madri”, de Giovanno Segantini, comprada pelo bilionário em leilão da Christie’s em Genebra em 2011 por 1,4 milhões de francos (US$ 1.408.287). Após a compra, ele rapidamente levou a obra para o Reino Unido, evitando assim o pagamento de impostos na Suíça, segundo informações da AFP.
Também são creditadas a ele a entrada no país sem pagamento de impostos de uma obra de Kazimir Malevich no valor de 16 milhões de francos (US$ 16.094.717) e “MG41 (L’Âge d’Or)”, de Yves Klein.
As autoridades afirmam que, durante as investigações, quando Schwarzenbach declarou as obras levadas para a Suíça, ele apresentou recibos falsos com valores subestimados. Um exemplo: um recibo de 10 mil francos da obra “Paysage Alpin”, de Gottardo Segantini, pela qual o bilionário na verdade pagou 105 mil francos (US$ 105.621) em 2012.
O hotel The Dolder Grand tem uma invejável coleção de obras de arte, algumas das quais supostamente entraram na Suíça de forma ilegal.
Schwarzenbach disse que está disposto a pagar os 10 milhões de francos de impostos, mas contesta a multa de 4 milhões, negando que tenha sonegado intencionalmente.
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Fonte: texto de Amah-Rose Abrams originalmente publicado no site “Artnet” (www.artnet.com) | 24/10/16.

Polícia prende em SP homens suspeitos de furto de livros raros em bibliotecas +

A Polícia Civil de São Paulo prendeu dois homens por suspeita de furto e receptação de livros raros em 31/10/16. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, eles portavam obras das bibliotecas da Faculdade de Direito e da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo).
Os suspeitos, de acordo com a pasta, identificavam-se como professor e aluno da instituição para terem acesso às obras raras das bibliotecas. Imagens de câmeras de segurança mostram os dois agindo na biblioteca da FAU.
Ambos já haviam sido presos por esse mesmo crime, segundo a pasta da Segurança. Um deles é biblioteconomista por formação. Outro, já era procurado pela Justiça.
Com os suspeitos, além das obras da Universidade de São Paulo, os policiais também apreenderam cinco livros franceses escritos em 1734 e livros da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O material apresentava páginas rasgadas.
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Texto originalmente publicado no jornal “Folha de S. Paulo” | 31/10/16.

Nova etapa da Boca Livre investiga fraudes de R$ 25 milhões da Lei Rouanet +

O Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria Geral da União (CGU) participa da Operação Boca Livre S/A, nesta quinta-feira (27/10/16), com o objetivo de apurar desvios de recursos públicos por empresas patrocinadoras de projetos culturais beneficiadas pela Lei Rouanet (Lei 8.313/1991). A ação é realizada em parceria com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal na capital São Paulo e em mais seis municípios paulistas. A operação investiga desvios de R$ 25 milhões na Lei Rouanet.
A Lei Rouanet foi criada no governo Fernando Collor (PTC/AL), em 1991. A legislação permite a captação de recursos para projetos culturais por meio de incentivos fiscais para empresas e pessoas físicas. Na prática, a Lei Rouanet permite que uma empresa privada direcione parte do dinheiro que iria gastar com impostos para financiar propostas aprovadas pelo Ministério da Cultura para receber recursos.
Segundo nota divulgada pelo Ministério, o trabalho é desdobramento da Operação Boca Livre, deflagrada em junho deste ano, e resultado do aprofundamento da investigação, que apurou o envolvimento de novas empresas no esquema, que atuavam como “incentivadoras”. Foi identificada a ocorrência de fraudes como superfaturamento, serviços fictícios, projetos duplicados, utilização de terceiros para proposição de projetos e prestação de contrapartida ilícita às instituições.
As empresas investigadas financiavam os supostos projetos culturais, que eram subsidiados com os incentivos fiscais e condicionavam o patrocínio à obtenção de vantagens indevidas, como shows, exposições, espetáculos teatrais e publicação de livros. Os projetos com indicativos de reprovação de contas alcançam o montante de R$ 28,7 milhões, podendo chegar a mais de R$ 58 milhões, considerando as prestações de contas ainda em análise.
Mais de 100 pessoas, entre policiais e auditores da CGU participam da operação. Estão sendo cumprindo 28 mandados de busca e apreensão na sede de empresas nos municípios de São Paulo, São Bernardo do Campo, Santo André, Campinas, Jundiaí, Barueri Cerquilho e Várzea Paulista.
Em 28 de junho de 2016, o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal deflagraram a Operação Boca Livre, para apurar desvios de recursos públicos relacionados a projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura (MinC) com benefícios advindos da Lei Rouanet. De acordo com as investigações, grupo criminoso atuou por cerca de 20 anos no órgão na aprovação de projetos que somam R$ 170 milhões.
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Texto de Fausto Macedo e Julia Affonso originalmente publicado no site do "Estadão" (estadao.com.br) | 27/10/16.

Itália recupera 2 pinturas de Van Gogh roubadas em 2002 na Holanda +

A Guarda di Finanza italiana (polícia financeira) anunciou em 30/09/16 a recuperação de duas obras do pintor holandês Vincent Van Gogh (1853-1890), que tinham sido roubadas do museu dedicado ao artista na cidade holandesa de Amsterdã.
São as telas "A Igreja Protestante de Noenen", datada entre 1884 e 1885, e "A Praia de Scheveningen ao Começar a Tempestade", de 1882.
O roubo aconteceu no dia 7 de dezembro de 2002 no Museu Van Gogh de Amsterdã e no furto desapareceram também outras pinturas.
A polícia italiana disse que alguns dos componentes do bando que roubou os quadros tinham sido detidos há algum tempo, mas se desconhecia o paradeiro das obras.
As duas obras de Van Gogh foram achadas em um local de Castellammare di Stabia (perto de Nápoles, no Sul da Itália) durante uma operação contra a máfia.
O primeiro dos quadros representa os fiéis saindo do templo onde o pai de Van Gogh era pastor e foi pintado pelo artista em 1884 para sua mãe, que acabava de quebrar uma perna.
"A Praia de Scheveningen ao Começar a Tempestade" é uma tela de pequenas dimensões (34,5 cm por 51 cm) que representa uma cena do litoral próximo a Haia, com um mar bravio e um céu tenebroso.
O artista teve que lutar contra os elementos para pintar esta obra e alguns dos grãos de areia que o vendaval jogava sobre a tela úmida ainda estão incrustados nela.
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Texto da agência Efe reproduzido no site G1 (g1.globo.com) | 30/09/16.
Na foto, detalhe da obra "A Igreja Protestante de Noenen" (1884-1885).

Quadros de Van Gogh são encontrados na Itália após 14 anos +

O Van Gogh Museum, de Amsterdã, anunciou que a polícia italiana recuperou duas pinturas de Vincent van Gogh que foram roubados da instituição em 2002.
A Guardia di Finanza, uma agência principal responsável para a supressão do tráfico de drogas na Itália, apreendeu as obras durante a realização de uma operação em Nápoles no início desta semana. As pinturas, que têm um valor de US $ 100 milhões, foram encontrados enrolado em um pano, mas em bom estado.
De acordo com o museu, “Seascape at Scheveningen”, 1882, é uma das duas únicas marinhas que Van Gogh pintou quando morou nos Países Baixos. ”Congregation Leaving the Reformed Church in Nuenen”, 1884-1885, é um trabalho biográfico que reproduz a igreja onde o pai do artista era pastor. Depois que seu pai morreu, van Gogh modificou o trabalho adicionando fiéis em primeiro plano, incluindo mulheres usando xales simbolizando o luto.
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Com informações do site www.artforum.com | 05/10/16.
Na foto, detalhe da obra "A Praia de Scheveningen ao Começar a Tempestade".

Consultora de arte Lacy Doyle é acusada de sonegar impostos +

A consultora de arte Lacy Doyle foi presa por sonegar impostos de US$ 4 milhões de herança recebida do pai, informa o Daily News. O escritório do Manhattan US Attorney Preet Bharara (departamento do governo norte-americano) a acusa de esconder o dinheiro em uma conta em um banco suíço, de preencher formulários de impostos com informações falsas e de criar ao menos seis contas secretas na Suíça e na França.
Atualmente, Lacy tem um negócio de consultoria de arte, o ArtView NYC, o qual, segundo o site da empresa, oferece "acesso ao mundo da arte moderna e contemporânea". O negócio assessora na aquisição e instalação de obras, gerenciamento de coleções, conservação, armazenamento e outros serviços. Segundo o The New York Post, Lacy foi consultora de arte do MoMA (Museum of Modern Art) nos anos 1980.
O pai dela morreu em 2003, deixando para Lacy mais de US$ 4 milhões. Depois disso, ela criou documentos judiciais supostamente deturpando o valor das propriedades para menos de US$ 1 milhão.
Segundo comunicado do US Attorney, Lacy abriu um conta não declarada em um banco suíço "em nome de uma falsa fundação" em 2006 com o auxílio do conselheiro financeiro Beda Singenberger, “com a proposta de depositar a herança deixada pelo pai”. Essa conta tem US$ 3.548.380,00. "De 2004 a 2009, Lacy Doyle intencionalmente não declarou impostos de contas secretas e os respectivos rendimentos ", segundo o comunicado.
O US Attorney acusa Lacy de obstrução da legislação fiscal com uma conta e de declaração falsa de outra conta. Se condenada, a pena pode ser de seis anos. “Negamos as acusações e estamos ansiosos pelo julgamento”, afirmou o advogado de Lacy, Alain Leibman, ao The Post.
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Texto de Sarah Cascone originalmente publicado, em inglês, no site "Artnet" (www.artnet.com) | 29/07/16.

Obra de Salvador Dalí é encontrada sete anos após roubo na Holanda +

Duas obras, uma do surrealista catalão Salvador Dalí e outra da artista polonesa Tamara de Lempicka, roubadas em 2009 em um museu do norte de Holanda, foram encontradas, anunciou em 27/07/16 o detetive especializado em obras de arte Arthur Brand.
O quadro de Dalí é "Adolescência", de 1941. O de Lempicka é "La Musicienne", de 1929, informou Brand em sua conta no Twitter ao postar duas imagens.
Ambas as pinturas foram roubadas em 1º de maio de 2009, em plena luz do dia, do museu Scheringa, em Spanbroek, na Holanda.
Vários homens encapuzados invadiram o local e ameaçaram os funcionários e visitantes com uma arma antes de roubar os quadros e fugir de carro. A ação durou poucos minutos.
As obras caíram nas mãos de um grupo criminoso como forma de moeda de troca. Foi o mesmo grupo que contatou o detetive por meio de um intermediário, explicou o investigador ao jornal holandês "De Telegraf".
"A organização não queria ser culpada da destruição ou revenda de obras de arte", disse Brand, acrescentando que as pinturas roubadas são muitas vezes utilizadas como garantia em operações entre grupos criminosos.
O detetive entregou as pinturas em bom estado a um investigador da Scotland Yard, em contato com o proprietário legítimo das obras, cuja identidade não foi revelada. Ele havia emprestado os quadros ao museu.
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Texto originalmente publicado no site “G1” (http://g1.globo.com), com informações da France Presse | 27/07/16.
Na foto, o detetive Arthur Brand e a obra de Dalí.

Fotos de peças roubadas do Museu de Arte Sacra de Santos (SP) são divulgadas +

O Sistema Estadual de Museus de São Paulo (SISEM-SP) divulga as fotografias das 20 obras roubadas do Museu de Arte Sacra de Santos (SP) em 03/07/16 no intuito de contribuir para as investigações e recuperação das peças. O SISEM-SP já entrou em contato com o Conselho Internacional de Museus (ICOM Brasil) para articulação junto à Interpol e orientou o museu a inserir informações sobre as obras roubadas no Cadastro de Bens Musealizados Desaparecidos do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).
O museu de arte sacra de Santos (SP) é uma das 22 instituições do gênero inventariadas pelo SISEM-SP, em um trabalho que teve início em 2012 sob coordenação do Museu de Arte Sacra da capital. A iniciativa teve o objetivo de assegurar identificação, proteção, pesquisa e difusão do patrimônio museológico paulista de arte sacra e funciona, ainda, como ferramenta auxiliar no combate ao tráfico desses bens culturais.
“O inventário é o que garante o registro de cada obra, a descrição de suas características e um arquivo fotográfico que facilitam sua identificação, inclusive numa ocorrência de roubo como esta”, afirma o coordenador do SISEM-SP, Davidson Panis Kaseker. O Sistema Estadual de Museus é gerido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e articula mais de 400 museus paulistas, tanto estaduais quanto municipais e privados.
Quem tiver qualquer informação sobre as peças roubadas deve entrar em contato com o Museu de Arte Sacra de Santos pelo telefone (13) 3219-1111 ou com o disque denúncia (181).
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Veja as fotos em https://we.tl/hDhf7bUEtx
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Lista das obras roubadas:
1- A Vila de Santos - 1765 - Reprodução fotográfica de uma obra de Benedicto Calixto
2 - Coleção Bahiana da Família Rebouças - Século XIX - Menino Jesus - Madeira policromada com aplicação de folha de ouro - Usa resplendor de prata
3 - Coleção Bahiana da Família Rebouças - Século XIX - Nossa Senhora - Madeira policromada com aplicação de folha de ouro - Usa coroa de prata
4 - Coleção Bahiana da Família Rebouças - Século XIX - Santa Cecília - madeira policromada com aplicação de folhas de ouro
5 -Coleção Bahiana da Família Rebouças - Século XIX - Santa Inês - madeira policromada com aplicação de folhas de ouro
6 - Coleção Bahiana da Família Rebouças - Século XIX - São José - madeira policromada com aplicação de folhas de ouro - possui resplendor de prata
7- Crucifixo - Cobre - Século XIX
8 - Crucifixo - Metal - Século XX
9 - Menino Jesus - Madeira policromada - Século XIX
10 - Missal Romano - Século XX - 13ª Edição Taurinensis - com detalhes em prata
11 - Nossa Senhora da Dores - madeira policromada - Século XIX - possui cabelo humano, espada de prata, vestido e manto em tecido
12 - Quadro Mi Cristo Gaúcho - Autoria de Marcos Ortiz - Data de 1985 - papel e giz de cera
13 - Reprodução fotográfica da gravura do Mosteiro de São Bento de Santos - Autoria de William John Burchell
14 - Reprodução fotográfica da obra Santos Antiga 1822 de Benedicto Calixto
15 - Reprodução fotográfica de um manuscrito do Frei Gaspar da Madre de Deus
16 - Reprodução fotográfica de uma gravura - Frei Gaspar com Frei Miguel e Pedro Tarques
17 - Santa Ana Mestra - madeira policromada - século XIX
18 - São Bento - madeira policromada - Século XX
19 - São Sebastião - Madeira policromada - século XIX
20 - Senhor dos Passos - Madeira policromada - Século XIX - possui cabelo humano
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Na foto, imagem de Nossa Senhora da Dores.

Polícia divulga retrato falado de suspeitos de roubar museu em Santos (SP) +

A Polícia Civil em Santos, no litoral de São Paulo, divulgou o retrato falado dos suspeitos de assaltarem o Museu de Arte Sacra da cidade no último domingo (03/07/16). Três pessoas entraram no local e roubaram diversos artefatos religiosos. Os criminosos se passaram por visitantes e anunciaram o assalto logo depois de acessar a instituição.
Os funcionários que trabalham no museu foram rendidos e amarrados. Todos eles permaneceram trancados em uma sala enquanto os suspeitos recolhiam peças. Ainda não se sabe o valor dos artefatos roubados. Ninguém foi preso.
O Museu de Arte Sacra de Santos (MASS) foi inaugurado em 1981 e fica no mesmo prédio do antigo Mosteiro de São Bento, que começou a ser construído em 1644 e, desde 1725, tem a forma atual. O museu conta com um acervo de aproximadamente 600 peças e fica no Morro do São Bento.
De acordo com a Polícia Civil, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) já instaurou uma investigação para esclarecer o crime e prender os criminosos.
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Texto originalmente publicado no site “G1” (http://g1.globo.com) | 04/07/16.

Criminosos se passam por visitantes e assaltam Museu de Arte Sacra em Santos/SP +

O Museu de Arte Sacra de Santos, no litoral de São Paulo, foi alvo de criminosos na manhã deste domingo (03/07/16). Três pessoas entraram no local e roubaram diversos artefatos religiosos. Os criminosos se passaram por visitantes e anunciaram o assalto logo depois de acessar a instituição.
Os funcionários que trabalham no museu foram rendidos e amarrados. Todos eles permaneceram trancados em uma sala enquanto os suspeitos recolhiam peças. Ainda não se sabe o valor dos artefatos roubados. Ninguém foi preso.
O Museu de Arte Sacra de Santos (MASS) foi inaugurado em 1981 e fica no mesmo prédio do antigo Mosteiro de São Bento, que começou a ser construído em 1644 e, desde 1725, tem a forma atual. O museu conta com um acervo de aproximadamente 600 peças e fica no Morro do São Bento.
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Texto originalmente publicado no site “G1” (http://g1.globo.com) | 03/07/16.

Obras de arte roubadas por nazistas retornam aos mesmos nazistas que as roubaram +

Uma pesquisa explosiva publicada pela CLAE - Commission for Looted Art in Europe (comissão de arte saqueada na Europa) mostra que as obras de arte saqueada pelos nazistas que retornaram à Alemanha após a Segunda Guerra sob a condição de restituição às famílias das vítimas foram, em vez disso, devolvidas aos nazistas que as roubaram.
A investigação revela que, em alguns casos, as obras foram vendidas a preços baixos para famílias de oficiais nazistas, em vez de restituídas às famílias das vítimas. Em outros casos, o estado da Baviera simplesmente manteve as obras. Os museus estatais em Munique lucraram em particular com arte saqueadas pelos nazistas pelo menos até a década de 1990, mostra o estudo.
Entre as famílias de nazistas que renegociaram para ter de volta as obras saqueadas estão Goering, Hoffmann, Bormann, von Schirach, Frank e Streicher, que frequentemente negociavam diretamente com o diretor dos museus estatais e ministros da Baviera.
Além disso, uma pesquisa do jornal “Süddeutsche Zeitung”, de Munique, publicada no domingo passado, indica que muitas instituições estatais da Baviera mantiveram arte saqueada pelos nazistas desde 1949, quando foram devolvidas para a Alemanha. Os Aliados optaram pela restituição em nível nacional após a Segunda Guerra, devolvendo objetos para os governos locais, encarregados de investigar a propriedade legítima dos trabalhos e devolvê-los para as vítimas.
A investigação da CLAE teve início após a família dos colecionadores Gottlieb e Mathilde Kraus (que tentava recuperar 160 obras saqueadas deles) ter boas razões para acreditar que duas pinturas dela poderiam estar em um museu estatal em Munique.
"Registros mostram que elas foram entregues à Baviera pelos Estados Unidos em 1952 para efeitos de restituição", diz o relatório. "Para sua surpresa, eles descobriram que elas haviam sido dadas pelo estado da Bavária no início da década de 1960 para Henriette Hoffmann-von Schirach, filha do amigo íntimo de Hitler e fotógrafo Heinrich Hoffmann, e para a esposa do famoso ‘Gauleiter’ (governador de distrito de Hitler) de Viena, Baldur von Schirach, que foi condenado em Nuremberg por crimes contra a humanidade pela deportação de 60 mil judeus austríacos".
Para von Schirach também foi uma pequena pintura, “Picture of a Dutch Square”, de Jan van der Heyden, que originalmente pertencia à família Kraus. O estado da Baviera vendeu a pintura para von Schirach por 300 marcos alemães, depois leiloada por 16 mil marcos alemães para a Xanten Cathedral Association. A obra ficou em exposição na catedral até 2011.
Os herdeiros legítimos dos Kraus têm buscado a restituição desta e de outras pinturas da coleção da família em vão.
"Todas as agências governamentais são obrigados por lei a deixar seus documentos acessíveis. E a State Art Collection é uma agência governamental, disse ao “Süddeutsche Zeitung” Margit Knom-Marcon, diretor do Bavarian State Archive. "Mas não temos um único documento de arquivo da State Art Collection".
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Texto de Hili Perlson originalmente publicado, em inglês, no site “Artnet” (www.artnet.com) | 28/06/16.
Na foto, a Alte Pinakothek, em Munique.

Especulações sobre a redescoberta da Amber Room, oitava maravilha do mundo +

Embora chamada de oitava maravilha do mundo, a Amber Room (sala âmbar), decorada em ouro e com pedras preciosas incrustadas, construída entre 1701 e 1709 para o palácio do rei Frederico I da Prússia, presenteada por Pedro, o Grande, ela está desaparecida desde a Segunda Guerra, após a invasão de São Petersburgo pelos nazistas em 1941. Essa situação pode estar prester a mudar, caso a escavação promovida por um museu polonês em um complexo de bunkers nazistas se mostre frutífera.
Bartlomiej Plebanczyk, diretor do Mamerki Museum, que é o proprietário do complexo próximo à cidade polonesa de Wegorzewo, acredita que câmaras subterrâneas em meio aos bunkers usados pelos nazistas possam armazenar arte saqueada. No local, ele especula, pode estar a célebre Amber Room, que agora valeria algo entre US$ 140 milhões e US$ 500 milhões.
A teoria é baseada em um testemunho de décadas atrás de um ex-guarda nazista, que alegou ter visto caminhões blindados descarregando uma pesada carga no bunker perto do final da Segunda Guerra.
Embora o complexo já tenha sido minuciosamente vasculhado por autoridades, Plebanczyk acredita ter encontrado novas evidências de um esconderijo secreto, graças a radares de varredura de solo, tecnologia não disponível durante as investigações anteriores.
“Este seria o lugar perfeito para esconder algo que tivesse de ser movido para fora da Prússia oriental", disse Plebanczyk ao “The New York Times”.
Por mais tentador que possa parecer a solução para o mistério da Amber Room, esta não é a primeira vez que surgem rumores sobre a redescoberta. Recentemente, o esforço de um grupo de aposentados alemães, certos de que ela estava enterrada na cidade de Wuppertal, não teve resultados. Outras teorias sugerem que ela foi destruída durante bombardeios.
Em 2015, houve uma outra decepção semelhante, quando dois homens disseram que um trem nazista carregado de ouro estaria enterrado em um túnel perto de Walbrzych, na Polônia.
Mesmo que a Amber Room aparecesse, provavelmente ela estaria deteriorada. O professor e especialista em âmbar Alexander Shedrinksy disse ao “The New York Times” em 2000: "Se a Amber Room estiver enterrada em algum lugar, possivelmente em um local úmido, isso significa que ela deve estar em ruínas".
Nem as tentativas frustradas anteriores e nem as especulações sobre o estado da Amber Room tiram o entusiasmo de Plebanczyk. "Estou muito excitado e otimista”, disse ao “Daily Mail”, observando que até agora as escavações só encontraram madeira velha. “Se a Amber Room estiver aqui, será uma das grandes descobertas do século”.
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Texto de Sarah Cascone originalmente publicado, em inglês, no site “Artnet” (www.artnet.com) | 16/06/16.
A foto acima é a única imagem em cores da Amber Room. Crédito: Sovfoto / Getty Images.

Se achadas, obras sumidas poderiam formar maior museu de arte do Brasil +

Sejam bem-vindos ao maior museu do Brasil! Uma coleção que reúne obras de mestres das artes plásticas, Dalí, Picasso, Monet, Aleijadinho, não só do Brasil, mas de todo o mundo. Infelizmente ninguém pode ver essa coleção, porque todas essas obras estão desaparecidas.

No dia 26 de fevereiro, o maior roubo de obras de arte do Brasil completou 10 anos. O assalto ao Museu Chácara do Céu, no Rio, aconteceu durante o carnaval de 2006. Na ocasião, bandidos aproveitaram um bloco de carnaval que desfilava ali, entraram no museu armados e levaram quadros de Dalí (Os Dois Balcões), Matisse (Jardim de Luxemburgo - foto), Monet (Marinha) e Picasso (A Dança), avaliados, na época, em US$ 50 milhões.

De acordo com especialistas em segurança, a fragilidade do patrimônio artístico e histórico nacional é enorme. Prova disso são os roubos de arte sacra, um problema muito mais grave que os roubos a museus. A lista oficial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, registra 1.644 peças sacras sumidas no Brasil. O destino dessas obras quase sempre é desconhecido; muitas vão parar em antiquários.

O Fantástico descobriu o paradeiro de obras retiradas de igrejas, todas hoje em mãos de colecionadores. Em trabalho independente, a equipe que cuida do patrimônio histórico no Ministério Público de Minas Gerais já recuperou quase 700 obras. As peças foram redistribuídas a museus de Minas Gerais. A maioria estava no Rio ou em São Paulo.
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Fonte: site G1 – Fantástico, em 13/03/2016.

Obras de Picasso somem de fundo de arte de banco alemão +

Doze obras de arte, entre elas várias litografias de Picasso, foram supostamente roubadas de uma coleção do antigo banco alemão WestLB, segundo informações da publicação "Der Spiegel".
Trabalhadores da entidade Portigon Financial Services, que absorveu há alguns anos o banco WestLB, advertiram que alguém acessou a câmara onde eram guardadas as obras em horários pouco frequentes na passagem de 2014 a 2015.
Investigações internas posteriores levaram a descobrir que faltavam no total 12 obras, entre elas litografias de Picasso com temática taurina, assim como uma obra expressionista de Gabriele Münter.
Segundo indica o "Der Spiegel", que não precisa por que o roubo só foi descoberto agora, a coleção estava coberta por um seguro de 1,1 milhão de euros (US$ 1,2 milhão), embora o preço no mercado destas obras poderia ultrapassar amplamente esse valor.
A entidade bancária denunciou o roubo, mas por enquanto as pesquisas resultaram infrutíferas e as investigações foram mantidas em segredo.
Há poucos anos aconteceu uma polêmica pela possível venda por parte do banco WestLB de cerca de 380 obras de um valor que então foi estimado incalculável.
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Texto da agência EFE reproduzido no site http://exame.abril.com.br | 15/04/16.

Polícia da Itália recupera pinturas saqueadas por nazistas em Milão +

Três pinturas do final do século 15 que estavam desaparecidas desde que foram saqueadas por tropas nazistas há mais de 70 anos foram recuperadas. Duas pessoas foram acusadas de receber bens roubados, informou a polícia da Itália nesta segunda-feira (18/04/16).
As obras de temática religiosa, encontradas em duas residências particulares de Milão em julho, foram descritas pela historiadora da arte Paola Strada como "de imenso interesse por causa de seu caráter único, e por que são de artistas considerados raros no mercado".
Entre as peças, estão a "Trindade" (na foto acima), de Alessio Baldovinetti, influenciado pelo pintor da Renascença Fra Angelico, e a "Apresentação de Jesus no Templo", do veronês Girolamo Dai Libri, um famoso miniaturista.
Parte de uma vasta coleção de arte da Casa de Bourbon-Parma, as pinturas foram roubadas por soldados alemães em 1944 de uma vila da cidade toscana de Camaiore, onde morou o príncipe Félix, consorte da Grande Duquesa de Luxemburgo.
A maioria das peças roubadas, mantidas na vila de um membro do alto escalão da organização militar nazista SS, foi encontrada e enviada de volta a Luxemburgo pouco após o final da guerra.
As pinturas recuperadas em Milão, e mantidas na Pinacoteca de Brera da cidade desde julho, são três de quase 40 obras ainda desaparecidas.
Foi iniciada uma investigação criminal ligada à descoberta das pinturas e a duas pessoas não identificadas acusadas de receptação de bens roubados, disse o chefe do departamento de Crimes de Arte, Riccardo Targetti.
Especialistas do Ministério da Cultura italiano disseram não terem conseguido estimar o valor das obras de arte.
"Por enquanto, não há parâmetros que possamos usar para quantificar o quanto elas valem", afirmou Paola.
De acordo com Antonella Ranaldi, superintendente das artes do Ministério da Cultura, as pinturas precisam ser restauradas, já que "seu estado de conservação não é dos melhores".
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Texto originalmente publicado no jornal “Folha de S. Paulo” | 18/04/16.

Panama Papers levam Justiça suíça até quadro roubado de Modigliani +

Um quadro do pintor italiano Amedeo Modigliani (1884-1920), que havia sido roubado durante a Segunda Guerra Mundial, foi apreendido no porto de Genebra, no contexto das revelações dos chamados "Panama Papers", indicou nesta segunda-feira (11/04/16) a Justiça suíça.
"Foi aberto um processo criminal após revelações ligadas aos "Panama Papers", para efetuar buscas relativas à presença de uma pintura de Modigliani em Genebra", declarou o porta-voz do Poder Judiciário do país, Henri Della Casa.
"A pintura foi apreendida no final de semana nos portos francos de Genebra". Os espaços são isentos de impostos.
A tela em questão, do artista cujas obras atingem valores recordes em leilões, é o "Homem Sentado Apoiado Numa Bengala". O quadro está avaliado em US$ 25 milhões, de acordo com a imprensa suíça.
Segundo a Mondex Corp, empresa canadense especializada em encontrar obras perdidas, a pintura foi roubada pelos nazistas de um colecionador de arte judeu que fugiu de Paris em 1939.
A obra foi então adquirida em 1996 em um leilão em Londres pela companhia offshore International Art Center (IAC), criada pelo escritório de advocacia panamenho Mossack Fonsseca.
A Mondex suspeita que a família Nahmad, que construiu sua fortuna com o comércio de obras de arte, é a proprietária da pintura. Os Nahmad têm uma coleção privada estimada em 4.500 peças, incluindo 300 Picasso, armazenadas nos portos francos de Genebra.
A empresa acionou a Justiça americana em 2011, em nome de Philippe Maestracci, um agricultor francês, neto do verdadeiro dono, para recuperar o Modigliani.
Diante dos tribunais americanos, a família Nahmad disse não ser dona do quadro e que ele era de propriedade da IAC.
No entanto, um documento publicado pelo jornal suíço "Le Matin" e pelo francês "Le Monde" na semana passada sobre os "Panama Papers" revela que a família Nahmad é a verdadeira dona da IAC.
A pintura seria de propriedade de David Nahmad, atualmente o único acionista da empresa offshore.
Entrevistado pela Radio-Canada, David, também judeu, disse que jamais aceitaria possuir uma obra de arte roubada pelos nazistas. "Eu não conseguiria dormir à noite se soubesse que tenho um objeto roubado", afirmou.
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Texto originalmente publicado na "Folha de S. Paulo" | 11/04/16.

Obras de Francis Bacon são roubadas de residência de herdeiro em Madri +

Cinco obras de Francis Bacon (1909-1992), um dos artistas contemporâneos mais famosos do mundo, foram roubadas da residência, em Madri, de um amigo e herdeiro do pintor irlandês, que faleceu na capital espanhola em 1992, informou neste domingo (13/03/16) o jornal "El País".
Segundo a publicação, este foi o maior roubo de obras de arte contemporânea ocorrido na Espanha nas últimas décadas.
O proprietário das obras, avaliadas em 30 milhões de euros, de acordo com o jornal, é identificado com as iniciais J.C.B., de 59 anos, que recebeu as pinturas como herança do artista.
O roubo, confirmado à EFE por fontes da investigação, aconteceu em junho do ano passado, e desde então um tribunal de Madri investiga o paradeiro das mesmas tanto dentro como fora da Espanha, embora acredite que ainda não tenham saído do país.
O "El País" afirma que o roubo foi muito rápido e silencioso e que os ladrões aproveitaram a ausência do dono do imóvel. Nem o porteiro ou os vizinhos viram nada suspeito, e embora o alarme estivesse conectado, os ladrões conseguiram burlá-lo.
O golpe foi obra de profissionais que não deixaram impressões digitais, e se suspeita que os autores sabiam que o apartamento abrigava esta valiosa coleção do pintor irlandês.
Bacon nasceu em 1909, em Dublin, e faleceu aos 82 anos, de um problema cardíaco, em Madri, cidade que visitava com muita frequência e onde tinha muitos amigos e admiradores, lembrou o jornal.
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Texto da agência EFE | 13/03/16.
Foto: detalhe de “Três Estudos de Lucian Freud” (1969), de Francis Bacon, vendida em 2013 por 106 milhões de Euros - à época, obra de arte mais cara do mundo negociada em leilão, e hoje, a segunda mais cara, desbancada por "As Mulheres de Argel (Versão 'O')", de Picasso, em 2015.

Jornalista desvenda maior roubo a museu do Brasil em A Arte do Descaso +

Carnaval, 24 de fevereiro de 2006. Quatro homens invadiram o Museu da Chácara do Céu, no bairro de Santa Teresa no Rio de Janeiro, e roubaram cinco obras de arte: um Dalí, um Matisse, um Monet e dois Picassos.
Os ladrões, que portavam uma granada, renderam os três seguranças, desligaram o sistema de câmeras de vigilância e fizeram nove reféns. Depois, saíram pela mata para nunca mais serem vistos.
O crime é considerado o maior roubo de arte do Brasil e o oitavo do mundo.
Em "A Arte do Descaso", a jornalista Cristina Tardáguila conta como viajou para a Europa e mergulhou no mundo obscuro dos crimes de arte para apurar os eventos do roubo no Brasil e entender as motivações dos culpados.
A autora, que chegou a se colocar em situações de risco, apresenta uma narrativa cheia de reviravoltas construída apenas com fatos.
Cristina Tardáguila nasceu em Belo Horizonte e cresceu no Rio de Janeiro. Formou-se em jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez pós-graduação na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri, e MBA na Fundação Getulio Vargas. Como repórter e editora, passou pelos jornais "O Globo" e “Folha de S. Paulo” e pela revista "Piauí".
Abaixo, leia um trecho de "A Arte do Descaso".

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Passava um pouco das quatro da tarde daquela sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006, quando dois homens magros aparentando menos de trinta anos de idade subiram, ofegantes e suados, a rampa de acesso ao Museu da Chácara do Céu, num dos pontos mais altos de Santa Teresa, na Zona Central do Rio de Janeiro. Com cerca de 1,70 metro de altura, usavam roupas semelhantes e, ao mesmo tempo, um tanto inadequadas ao calor de quase 35 graus daquele dia: calça jeans, camisa polo abotoada até em cima e tênis de cadarço. O mais novo portava ainda um boné branco do tipo safári, nada usual nas ruas cariocas.
Era Carnaval - mais precisamente o primeiro dia do feriadão que se estenderia até a Quarta-Feira de Cinzas -, e o bairro já pulsava no ritmo da festa. Por suas vielas íngremes e sinuosas, milhares de pessoas se acotovelavam, mostrando enorme disposição para beber, cantar, pular e paquerar ao som dos sambas entoados pelo bloco de rua mais tradicional da região, o das Carmelitas.
Situada no centro do terreno de número 93 da rua Murtinho Nobre, a menos de quinhentos metros do bar onde os foliões das redondezas costumam se concentrar, a Chácara do Céu é uma mansão retangular de três andares e traços modernistas. Construí- da em 1954, serviu de residência ao empresário e mecenas franco-brasileiro Raymundo Ottoni de Castro Maya (1894-1968) até sua morte. Em 1972, transformou-se em um museu. Para chegar até a Chácara, é preciso vencer a tal rampa, que, com cerca de cem metros de extensão, serpenteia por entre um farto bambuzal. Após a rampa, já no alto do terreno, o visitante encontra um pátio amplo e um belo jardim que contorna a mansão.
Vista do lado de fora, a construção parece simples. Suas paredes intercalam tons de bege com pedras aparentes e gigantescas janelas de vidro. Para entrar, é preciso cruzar pilotis de pé-direito baixo e uma porta de vidro blindado com mais de três centímetros de espessura. Antes, no entanto, vale parar e apreciar a deslumbrante vista da baía de Guanabara. Em linha reta, no horizonte ao longe, o Pão de Açúcar fica à direita, a Ponte Rio-Niterói, à esquerda, e, no centro, todo o vaivém de aviões do Aeroporto Santos Dumont. Graças ao bambuzal, que funciona como uma espécie de isolante acústico para a casa, o silêncio por ali é absoluto.
O jardim, assinado pelo renomado paisagista paulista Roberto Burle Marx, tem cerca de 25 mil metros quadrados e reúne exemplares da flora da Mata Atlântica. Respirar por suas imediações é um alívio para os pulmões e arrastar os pés por sua grama produz efeito relaxante imediato. Quem passeia pelo terreno vê pássaros que não circulam por outros pontos da cidade e insetos característicos do que, um dia, foi o Rio de Janeiro tropical.
Por dentro, os três andares da antiga casa de Castro Maya são interligados por uma escada de madeira que, dizem, foi inspirada na do palácio de Versalhes, na França. Em cada andar há, no máximo, três cômodos. No térreo, fica um vasto salão, um corredor e duas saletas; no segundo andar, o jardim de inverno, a sala de jantar e a biblioteca de Castro Maya, mobiliadas como tal até hoje. No último piso, o visitante encontra o quarto do mecenas e um cômodo que lhe servia de closet. No chão, tábuas corridas lustradas com afinco reluzem, conferindo ao ambiente um aspecto de limpeza, riqueza e nobreza.
Desde 1983, a Chácara do Céu é um museu administrado pelo Ministério da Cultura. Em seu acervo, guardam-se 22 mil peças reunidas pelo empresário e seus familiares durante oito décadas: entre 1880 e 1960. São pinturas, esculturas, azulejos, mobílias, pratarias, documentos e livros. O destaque é a maior coleção nacional de obras do francês Jean-Baptiste Debret, que esteve no Brasil na primeira metade do século XIX, com a chamada Missão Artística Francesa, e que, com seu traço inigualável, retratou como era viver no Brasil daquele tempo. De Debret, a Chácara do Céu abriga um total de 451 aquarelas, 58 desenhos e 29 gravuras - material considerado um tesouro da história nacional.
O museu conta também com um grande número de obras reunidas do pintor paulista Candido Portinari, que tem trabalhos expostos em locais como a Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Conhecido por abordar questões sociais e cenas religiosas, Portinari era amigo de Castro Maya e chegou a retratá-lo numa tela - uma das primeiras que se veem logo na entrada da casa. Mas o acervo vai além. Integram a coleção obras de pintores como Di Cavalcanti, Alfredo Volpi, Iberê Camargo, Antônio Bandeira e Manabu Mabe, além de Modigliani, Georges Seurat, Edgard Degas e Joan Miró. Sem falar nas louças chinesas e nos móveis setecentistas, por exemplo.
Apesar da importância artística de sua coleção, o museu nunca figurou entre os principais atrativos turísticos do Rio de Janeiro. Normalmente, não há mais do que dez pessoas admirando as obras de um mesmo andar. Por que os brasileiros lotam museus na Europa e nos Estados Unidos, mas não frequentam os que existem por aqui? Por que viajam horas e enfrentam longas filas para ver pinturas famosas expostas no exterior e não visitam a Chácara do Céu, que tem dezenas delas?
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“A Arte do Descaso”
Autora: Cristina Tardáguila
Editora Intrínseca
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Texto originalmente publicado no site UOL (www.uol.com.br) | 21/01/16.